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domingo, 31 de maio de 2009

OS ESCRITORES E AS FEIRAS DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )


Fui entrevistado, recentemente, a respeito da eficácia e eficiência das feiras de livro. Temos duas em Florianópolis – uma em maio e outra no final do ano – não sei vai continuar assim, uma em Itajaí, outra em Joinville, também em Blumenau e em São Bento, Criciúma, Joaçaba, Balneário Camboriú, Jaraguá, Chapecó e por aí afora.
Não se nega, em absoluto, o mérito das feiras. Elas reúnem, em um só local, uma gama de opções quase infinita, para que o leitor possa encontrar o que procura e até o que não procura, isto é: existe a oportunidade de ampliar as preferências. Há também, quase sempre, um desconto padrão sobre o preço de capa, que nem sempre é correto, porque existem casos em que o preço da feira é o mesmo praticado nas livrarias fora dela. Mas mesmo assim o desconto existe, em alguns casos, e atrai, aumentando as vendas e o número de visitantes.
O que talvez não tenha sido discutido ainda e que foi levantado na entrevista é o benefício que a feira poderia trazer para o escritor novo e para o escritor que não tem livro publicado por editora. Sim, porque o autor que tem o seu livro publicado por editora não precisa se preocupar em como fazer para participar da feira, para encaixar o lançamento do seu livro em um estande, pois a casa que o publicou ou tem espaço no evento, ou está dividindo espaço com outrem.
Em algumas feiras existem os estandes cedidos para as associações culturais e/ou literárias ou academias, mas o escritor precisa fazer parte de uma das entidades agraciadas com o espaço para poder agendar o seu lançamento ou colocar seu livro em exposição. Na última feira do livro de Florianópolis, os escritores tiveram que fazer uma “vaquinha” para pagar o aluguel do estande, que foi cobrado pela Câmara Catarinense do Livro.
É claro que há a questão da qualidade do conteúdo, mas esta é uma discussão que já iniciamos em outra oportunidade. O que se está colocando em questão é o fato de que as feiras não estão significando uma oportunidade de colocação no mercado editorial para aquele escritor que publicou as suas expensas a sua obra.
Este é um ponto que deve ser repensado para que os novos ou “alternativos”, aqueles que fizeram uma edição própria do seu livro, tenham na feira uma opção de divulgação, uma oportunidade de se integrar ao meio, uma oportunidade de expor a sua obra. Eles poderão, assim, ter um retorno do público leitor quanto à aceitação ou não do seu trabalho.
Seria exigir demais de um evento dirigido a um mercado editorial constituído de editoras e livrarias com objetivo primordialmente comercial, que não teria interesse no sucesso dos “alternativos”?
É possível. Mas tenho visto a burocracia que impõe grandes dificuldades aos autores que não estão sob a tutela de alguma editora conhecida ou de renome para que consigam usufruir de um espaço na feira e gostaria que fosse diferente.
Porque para o leitor, excluindo-se o fato de que ele não terá, dessa forma, acesso aos novos que estão surgindo e entre os quais pode se revelar gente de talento, a eficácia da feira é satisfatória, pois ele pode encontrar lá quase tudo o que possa procurar.

sábado, 30 de maio de 2009

A "ABSOLVIÇÃO"

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

E o nosso governador foi absolvido! A consagração da impunidade, mais uma vez. O dinheiro público, o suado dinheiro pago pelo cidadão na forma de intermináveis impostos, é gasto perdulariamente e ainda temos de ver justificativas como “Não basta haver irregularidade. É necessário haver potencialidade” – Félix Ficher. Quer dizer que os nossos amigos políticos podem fazer irregularidades à vontade, desde que, no juízo dos juízes (grandes juízes), não haja “potencialidade”. Ou “certas propagandas configuram irregularidades, mas elas não tiveram potencial para influenciar na eleição” – Arnaldo Versiani. Praticamente a mesma ladainha. Os atos configuram irregularidade, mas tudo bem. Não é uma beleza?
Que democracia é essa, que estamos vivendo? Aos donos do poder tudo é possível e o cidadão fica à mercê dos desmandos e do pouco caso com a justiça.
É uma vergonha que isso venha se transformando em lugar comum. Como a farra dos livros – cento e trinta mil livros comprados pelo Estado e depois recolhidos, porque não verificaram com antecedência se o conteúdo era apropriado. Um milhão e quinhentos mil reais gastos em livros que estão sendo recolhidos. O que será feito com os livros? Esse gasto astronômico ainda não foi bem explicado. Mais um.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

ESTADO COMPRA LIVROS AO MILHARES E RECOLHE

Por Luiz Carlos Amorim (escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/ )

Eu já ouvira alguma coisa na televisão, ontem, mas pela metade. Então hoje, ao abrir o jornal, encontrei a reportagem sobre o livro de Cristóvão Tezza, que foi recolhido das escolas pelo Estado. O livro “Aventuras Provisórias”, que tinha sido comprado pela Secretaria de Estado da Educação e distribuído às escolas estaduais de ensino médio, foi recolhido por conter trechos considerados inadequados a alunos do segundo grau.
Até aí tudo bem, Cristóvão Tezza é um escritor de renome nacional, consagrado, mas se alguma coisa no livro não é apropriado aos estudantes do ensino médio, se o livro é indicado para adultos, que se use bom senso. O autor, catarinense, não precisa mais que o Estado compre tiragens inteiras do seu livro, porque ele vende por si próprio.
O que nos deixa indignados é o fato de a Secretaria de Estado da Educação ter comprado 130.000 (cento e trinta mil) livros, pela bagatela de Cr$ l.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), quando os escritores catarinenses vêm batalhando há quase vinte anos pelo cumprimento da famigerada Lei Grando, instituída pelo próprio estado. Essa lei determina que o estado compre livros de autores da terra, previamente selecionados pela Comissão Catarinense do Livro, para distribuição às bibliotecas municipais catarinenses. A referida lei regula a obrigatoriedade da compra, pelo estado, de 300 (trezentos) exemplares de 22 (vinte e dois) livros publicados por autores catarinenses, a cada ano, adquiridos com 50 % (cinqüenta por cento) do valor da capa.
Então, para cumprir a Lei Grando, não há verba, não coube no orçamento, ano após ano. Mas para comprar cento e trinta mil livros a um milhão e quinhentos mil reais, aí sim, deu. E sem nenhuma divulgação, porque não vi em lugar algum notícia sobre a compra.
E desde quando o estado de Santa Catarina compra livros selecionados para o vestibular, aos milhares, para distribuir aos estudantes da rede estadual de ensino médio?
E não venham usar como atenuante o fato de a Fundação Catarinense de Cultura estar para publicar edital da Cocali, para aquisição de livros de autores catarinenses e posterior distribuição dos mesmos para bibliotecas públicas, começando, assim, a cumprir, finalmente, a lei que já quase completa maioridade, sem sair do papel.
Enquanto o escritor catarinense mendiga o cumprimento da Lei Grando para ter a possibilidade de que o estado compre a sua obra e faça chegar pelo menos um exemplar a cada biblioteca de cada cidade de Santa Catarina, esse mesmo estado compra, silenciosamente, cento e trinta mil livros de uma mesma obra, de um mesmo autor, para cada estudante do nível médio. Livro que em seguida foi recolhido. O que será feito deles? E todo aquele dinheiro pago por eles é imposto pago pelo contribuinte. Que estado é esse? Que educação é essa? Que cultura é essa?
Nada contra o escritor Cristóvão Tezza, um autor que honra a literatura de Santa Catarina, mas há que haver justiça, há que haver transparência e coerência na administração pública catarinense.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

LIVROS DESTRUÍDOS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Em minha já algo longa trajetória literária, publiquei livros por algumas editoras. Um deles foi publicado por um grande editor, à época, dono da mais importante editora de Santa Catarina. Apesar disso, a distribuição não era das melhores e apenas metade da edição foi vendida. A outra metade ficou no depósito da editora. Vendia pouco porque podia ser encontrado, nos últimos tempos, apenas na livraria da editora. E mesmo assim ficava guardado, era preciso perguntar por ele.
Eu não me importava muito com isso, pois sucederam-se-lhe outros livros e havia que divulgá-los, mostrar os trabalhos mais recentes, que a gente acaba achando sempre mais defeitos nos antigos.
O que me deixou pasmo, recentemente, foi descobrir um fato que jamais me ocorreu fosse possível acontecer. A editora em questão encerrou atividades e o acervo teria sido vendido para ex-funcionários e para um sebo. Quando precisava de um exemplar daquele livro, procurava o sebo que adquiriu parte do acervo e comprava um. Acontece que não estava encontrando mais, o que me deixou encucado, pois o saldo dos meus livros que havia na editora não poderia acabar assim tão rápido. Procurei a livraria de ex-funcionários da editora que havia ficado com outra parte do acervo e consegui uns poucos exemplares, que lá também não havia mais.
Investigando mais adiante, descobri uma história estarrecedora. Os herdeiros do editor (a editora acabou porque o dono havia falecido) teriam picado parte (ou grande parte?) do referido acervo e vendido os livros como papel velho, daí não se conseguir encontrar algumas publicações do vasto catálogo.
Não parece brincadeira de mau gosto? Não teria sido possível ceder os livros para uma biblioteca, para escolas, para quem pudesse distribuir os livros para entidades que pudessem colocá-los à disposição do público leitor?
Não quero acreditar, mas se levarmos em consideração que algumas publicações da extinta editora não são mais encontradas, pode ser que o tal absurdo tenha acontecido mesmo.
Nossos valores estão ficando cada vez mais deturpados, e acho isso, também, um tipo de desumanidade, pois os livros que foram destruídos poderiam ter sido colocados nas mãos de estudantes, de leitores em potencial que poderiam usufruir de algum conhecimento e quem sabe, tomar gosto pela leitura.
E tirar a oportunidade de ser humano de aprender, de absorver conhecimento, de ter uma boa leitura não é desumano? Isso me lembra os donativos enviados a Santa Catarina para as vítimas das chuvas do final do ano passado, jogados fora porque não foram distribuídos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

REVELAÇÕES

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Quem leu a crônica do escritor Amilcar Neves, no Diário do dia 20.05.09, que revela que o governador do Estado recebeu um convite da Câmara Rio Grandense do Livro, comunicando que elegeu Santa Catarina o Estado Convidado da 55a Feira do Livro de Porto Alegre (30 de outubro a 15 de novembro)? Ou a minha crônica “O Estado e a Literatura Catarinense”?
Pois é. O cronista diz que a correspondência, que chegou no dia 16 de março às mãos das mais altas autoridades do Estado, oferece de graça um estande para comercialização de livros e pede a presença de escritores e ilustradores, apresentações artísticas, participação de especialistas em mesas-redondas, lançamentos de livros e aparição de autoridades estaduais em algumas solenidades.
O prazo para aceitação do convite encerrou-se no dia 15 de maio, e até agora nada foi repassado a nenhum escritor ou artista da terra, nem à Câmara Catarinense do Livro, coisa que confirmei.
Contatei com a Câmara Riograndense do Livro em 27.05.09, para saber se realmente existia o convite e saber se houve alguma resposta. Eles não só confirmaram tudo, como me revelaram que já estavam desistindo da resposta, quando, no dia da publicação da crônica do Amilcar, a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo de SC ligou aceitando o convite. Não enviaram uma resposta formal, apenas telefonaram.
Vejo que a Câmara Riograndense tem a boa vontade de insistir em colocar à disposição dos escritores catarinenses um estande para participarmos da Feira do Livro de Porto Alegre, mas nosso Estado parece não ter muito interesse de divulgar a cultura e a literatura catarinense.
Estamos esperando a “surpresa” que a Secretaria de Cultura deve nos “proporcionar”.
Mudando para a continuação de outra crônica minha, “Livros, Leis, Promessas”, também publicada no meu blog, volto ao assunto, como prometido, porque recebi mensagem da Assessora de Imprensa da Fundação Catarinense de Cultura, de 25.05.09, comunicando que “a FCC deve colocar na rua nos próximos dias (?) o Edital da Cocali, para aquisição de livros de autores catarinenses e posterior distribuição dos mesmos para bibliotecas públicas. As inscrições devem (?) ficar abertas entre 1° e 19 de junho, e as aquisições devem acontecer já em julho. No segundo semestre, novo edital e novas aquisições!!”. Os pontos de interrogação são meus. Os pontos de exclamação são dela.
Com isso, ficamos sabendo que o cumprimento da Lei Grando pode vir a acontecer, finalmente, apesar das reticências. Estou esperando a publicação do Edital, que não ocorreu ainda.

terça-feira, 26 de maio de 2009

DOAÇÕES "VENCIDAS"

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia - lc.amorim@ig.com.br )

A televisão do nosso estado divulgou, há algumas semanas, o lamentável fato de que a Defesa Civil de Blumenau tinha que jogar fora toneladas e toneladas de alimentos, daqueles que foram doados para as vítimas das chuvas, que aconteceu no final do ano passado. O motivo? A alegação é de que os prazos de validade dos alimentos estão vencidos. Será?
Ninguém mencionou que a maior parte daqueles alimentos foi doada há dois ou três meses, talvez mais, e eles não foram distribuídos. Por quê? Provavelmente não estavam vencidos quando foram doados e se tivessem chegado às mãos de quem tanto necessitava deles, teriam sido consumidos, teriam matado a fome de quem perdeu tudo, perdeu a casa, até o terreno.
Paralelo a isso li, há poucas semanas, notícia a respeito de grupos de desabrigados que estavam passando fome porque os donativos não chegavam até eles. Um absurdo, tantos donativos que não havia onde colocar e pessoas passando fome, precisando de tudo?
E não é só em Blumenau que ainda havia galpões cheios de doações estragando, amontoadas, sem que fossem aviadas para a distribuição. A televisão e a imprensa mostraram roupas, calçados e alimentos abandonados à beira das estradas e em lixões, pilhas enormes de água mineral deixadas no tempo, a céu aberto, até um galpão cheio de doações queimado.
Recentemente, a apresentadora Ana Maria Braga esteve em Blumenau, perguntando o que foi feito com o dinheiro depositado por pessoas de todo o Brasil em contas de bancos fornecidas para arrecadar fundos para a compra de terrenos para as vítimas que haviam perdido tudo, inclusive o chão onde estavam suas casas. Não sei se ela obteve resposta, porque vi o segundo ou terceiro programa em que ela perguntava isso e ninguém aparecia para responder.
Mais recentemente ainda, descobriram em Itajaí toneladas de roupas, calçados e até comida enterradas em lixão, que constataram ser provenientes de doações.
Esta semana prenderam um “comerciante” que, passando-se por padre (e sem o comprovar, claro), pegava doações – roupas, calçados e alimentos - em Ilhota, nos galpões mantidos pela prefeitura de lá, e os vendia em outras cidades. O flagrado declarou, em sua defesa, que pegava os donativos porque eles seriam jogados fora, pela prefeitura, para esvaziar os galpões. Em Joinville, um padre (desta vez de verdade) também fazia bazar para vender donativos e arrecadar fundos para os necessitados da sua paróquia. Como já foi dito, se é doação, não pode ser vendido.
Então, toneladas e mais toneladas de alimentos doados estragam nos galpões simplesmente porque estão amontoados e isso mais o fato de que fez muito calor e havia muita umidade no ar, são condições ideais para que qualquer alimento que não esteja enlatado embolore e até apodreça. Até os enlatados, além de vir a ter a data de validade vencida, armazenado em condições precárias podem ser acometidos de ferrugem, comprometendo o conteúdo.
Alguém, catarinense ou não, doará de novo alimentos, roupas, calçados, dinheiro, para ajudar vítimas do clima descontrolado? Aliás, diga-se de passagem, descontrole causado pelo próprio ser humano, que desrespeita a natureza, não cuida do meio ambiente, poluindo e ocupando áreas onde não se deveria construir qualquer benfeitoria, com a complacência dos poderes públicos.
O fato se agrava quando vemos que as chuvas não aconteceram só em Santa Catarina. Outros estados também tiveram muitas cidades invadidas pela água, o norte e o nordeste estão passando por tudo o que Santa Catarina passou, e o que “sobrou” aqui poderia ter sido encaminhado a flagelados de outros pontos do país.
É vergonhoso termos recebido tanta ajuda e toda essa ajuda não ter sido distribuída, ficando a estragar, no abandono. Destruir toneladas e mais toneladas de alimento com a desculpa de estarem “vencidos” é o cúmulo do absurdo. Por que venceram? Porque a acomodação de quem não estava precisando, de quem detém o poder, de quem estava gerenciando o encaminhamento de tudo o que chegava, de todas as partes, não deixou que muito do que foi doado chegasse até todos os flagelados.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O ESTADO E A LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim (escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )


Em novembro de 2007, eu e a escritora Urda Alice Klueger, de Blumenau, participamos da Feira do Livro de Porto Alegre, por intermédio da Câmara Catarinense do Livro. Alguns meses antes da feira acontecer, eu havia contatado com a Câmara Riograndense do Livro para tentar agendar o lançamento de um livro, e me comunicaram que minha inscrição para uma sessão de autógrafos lá só poderia ser feita por um associado daquela entidade, organizadora e mantenedora do evento. Tentei contatar com alguns associados, como editoras universitárias gaúchas, já que nenhuma editora catarinense é filiada à Câmara Riograndese do Livro, uma vez que temos aqui a nossa Câmara Catarinense.
Então, quando estava quase desistindo, eis que a Câmara Catarinense do Livro nos manda uma mensagem comunicando que os escritores catarinenses teriam um estande na Feira do Livro de Porto Alegre. Havia sido acordada uma espécie de permuta: a Câmara Catarinense do Livro teria um espaço na Feira do Livro de Porto Alegre e Câmara Riograndense do Livro teria um estande na Feira do Livro de Florianópolis.
Não sei de qual das câmaras partiu a iniciativa, só fiquei sabendo através do presidente da nossa câmara que foi em decorrência de um encontro de câmaras que houve em São Paulo, se não me engano. Achei muito bom e fui, finalmente, participar da Feira do Livro de Porto Alegre. Lá encontrei a Urda, que já tinha chegado, no estande colocado à disposição da Câmara Catarainense do Livro, que levou para lá livros de escritores aqui da terra.
Na Feiras do Livro de Florianópolis, que aconteceram em dezembro de 2007 e em maio de 2008, não vimos o estande da Câmara Riograndense do Livro, nem escritores gaúchos. Na Feira de Porto Alegre de 2008, a Câmara Catarinense do LIvro não se manifestou sobre o "acordo" ou “permuta” e nós, escritores catarinenses, não fomos à feira gaúcha. Ninguém falou nada a respeito.
Leio, então, a crônica do escritor Amilcar Neves, no Diário do dia 20.05.09, que revela que “O Ex.mo Governador do Estado esconde, ou melhor, guarda uma surpresa magnífica para a Literatura catarinense e, por extensão, para os escritores da terra. Está com ele um convite que veio do Rio Grande do Sul que muito nos honra, dignifica e envaidece. Quer dizer, só pode estar com ele, dados a magnitude do assunto e o fato de a correspondência ter chegado no dia 16 de março às mãos das mais altas autoridades da Secretaria do Turismo, Cultura e Esporte e da Fundação Catarinense de Cultura. (...)
Trata-se do seguinte: notícias que vêm dos pampas dão conta de que a Câmara Rio-Grandense do Livro elegeu Santa Catarina o Estado Convidado da 55a Feira do Livro de Porto Alegre, de 30 de outubro a 15 de novembro. Nossos vizinhos ao Sul nos cedem, de graça, um estande de 18 m2 para comercialização de livros e pedem a presença de escritores e ilustradores, apresentações artísticas, participação de especialistas em mesas-redondas, lançamentos de livros e aparição de autoridades estaduais em algumas solenidades. (...)
Como o prazo para aceitação formal do convite encerrou-se na sexta-feira passada, dia 15 de maio, parece conveniente que nosso querido governador revele enfim a programação que definiu para a Literatura catarinense em Porto Alegre. Não há mais por que manter o mistério sobre o assunto.”
Vejo que a Câmara Riograndense tem a boa vontade de insistir em colocar à disposição dos escritores catarinenses um stande para irmos participar da Feira do Livro de Porto Alegre, mas nem a Câmara Catarinense (será que ela soube do convite e da homenagem?) nem o Estado (?) parecem ter o mínimo interesse de pelo menos repassar o convite. O Estado vizinho está oferecendo espaço para irmos lá mostrar nosso trabalho e os nossos digníssimos “representantes” parecem não dar a mínima importância. Será que ao menos responderam, recusando o convite? Como disse o Amilcar, estamos esperando a revelação.
E depois perguntam porque nosso estado não tem a tradição cultural que o vizinho estado gaúcho tem.

domingo, 24 de maio de 2009

A ROTA DAS CACHOEIRAS DE CORUPÁ





Por Luiz Carlos Amorim (escritor – lc.amorim@ig.com.br )

Fiz, finalmente, a rota das cachoeiras de Corupá, nordeste de Santa Catarina, no final de abril. Apesar do pouco volume de água, em razão da estiagem na região, a beleza que transborda os olhos e a alma da gente é incomensurável. Eu já tinha ido até a terceira cachoeira, quando a rota era mais íngreme, mas agora pude visitar quase todas. A primeira cachoeira, que podemos ver sem começar a subida da trilha é a dos Suspiros, belíssima. A segunda, Cachoeira da Banheira, por ter uma verdadeira piscina na sua base, também é bem grande e extasia o visitante. A terceira é a Três Patamares, quedas menores em seqüência, nem por isso menos belas. Pousada do Café é a quarta cachoeira e tem esse nome porque é onde os turistas param pela primeira vez para fazer um lanche e admirar a beleza das águas. A quinta, Cachoeira do Repouso, tem esse nome porque conta com uma grande lage de pedra ao seu lado, onde se pode parar para descansar e aproveitar o espetáculo que se descortina diante dos olhos. Cachoeira do Remanso é a sexta delas, com pouca altura, suas águas caindo tranqüilas formando outra piscina. As sétima e oitava cachoeiras são duas cachoeiras que se encontram e por isso chamam-se Cachoeiras da Confluência. A nona cachoeira é a da Corredeira e tem esse nome porque são quedas em degraus, menores. Talvez porque a água não escorra pela rocha, descendo em queda livre e caindo sobre a base ou porque o terreno é acidentado e possa derrubar o visitante, a décima é a Cachoeira do Tombo. Cachoeira do Palmito é a décima primeira e o nome lhe foi dado devido a um palmiteiro que se curvava sobre a grande queda d´água. A décima segunda é a Cachoeira Surpresa, pois aparece de repente, logo após uma curva no caminho, revelando um dos mais belos espetáculos da rota. Não consegui ver a décima terceira, a Cachoeira do Boqueirão, porque estava fechada. E então andamos, cansados, mais um bom tanto de caminho para que então se descortinasse frente aos nossos olhos a décima quarta, a Cachoeira do Salto Grande, com 125 metros de queda livre. Valeu o cansaço da subida, pois a beleza que se vê é alguma coisa fantástica, que excede qualquer expectativa.
Infelizmente, não dá para falar apenas das belezas das quedas d´água, quatorze delas, uma mais bela do que a outra. O parque Rota das Cachoeiras é uma reserva natural, mas pertence ao Grupo Battistela, é particular. Há quatro anos, começaram a cobrar ingresso para aqueles que quisessem visitar o lugar, fosse para fazer a trilha das cachoeiras ou apenas visitar a primeira, que fica na base da rota e não é preciso subir para vê-la. Perguntei ao rapaz que ficava na entrada do parque para conferir os ingressos, o que era feito com o dinheiro arrecadado. Ele me disse que todo o dinheiro é usado na manutenção do parque. Eu perguntei a ele em que manutenção. Porque a impressão que se tem, antes de começar a subir a trilha, é que aquilo está abandonado. O restaurante que havia lá em cima, na base da trilha, não existe mais. Nem a janelinha onde vendiam água mineral e refrigerantes. Os quiosques que poderiam estar oferecendo lembranças da região, camisetas, artesanato, comidas típicas, sei lá mais o que, estavam todos fechados, e não é de agora. A área de churrasqueiras, com mesas e bancos, está lá, em pé, mas o madeirame está apodrecendo. Os banheiros, pelo menos os dos homens, estavam em obras. Mas mesmo as pias e mictórios, que deveriam estar funcionando, estavam todos entupidos, transbordando. Soube que o banheiro das mulheres estava parecido.
Quiosques que existiam pelo mato, com infra-estrutura para se fazer um churrasco, estão no chão, o material empilhado apodrecendo no tempo.
A trilha, até a quarta cachoeira está uma beleza, tem degraus para a subida e até corrimão para maior segurança dos turistas. Mas depois da quarta cachoeira a segurança já não é mais tanta e o visitante cansado tem que tomar cuidado para não escorregar, senão cai pela ribanceira. A 13ª cachoeira está fechada há semanas e não há indicação do que aconteceu ou quando vai ser reaberta.
Então que manutenção é essa? Antes de cobrarem ingresso o parque era mais cuidado.
É uma pena que não se explore todo o potencial turístico da região. Para se ter uma ideia, naquele domingo em que estivemos lá havia centenas de pessoas pagando ingresso. A cinco reais cada uma, o valor arrecadado só naquela oportunidade daria para fazer muita melhoria no lugar.
A natureza tem queda por Corupá. Mas parece que algumas pessoas não estão percebendo isso e já faz muito tempo.

sábado, 23 de maio de 2009

LIVROS, LEIS, PROMESSAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/rposapoesiaecia )

Para quem ainda não sabe (é que já falei tanto sobre essa lei, reivindiquei tanto o seu cumprimento, que parece inútil ficar insistindo), a Lei Grando, de número 8759, criada em julho de 1992 e regulamentada quatro anos depois, regula a obrigatoriedade do Estado de Santa Catarina em adquirir e distribuir às bibliotecas públicas municipais, anualmente, 22 livros publicados por autores de Santa Catarina. Pela lei, o Estado deve comprar de 300 exemplares de cada obra, com 50% de desconto no valor da capa. A seleção dos títulos deveria ser feita Comissão Catarinense do Livro (Cocali), criada em função da lei.
Então são quase vinte anos que a lei existe e nada de ser cumprida. Ano após ano, governo após governo, escritores, associações culturais e literárias, academias, etc. cobram do Estado a efetivação do que foi estabelecido e que não é nenhum favor, pois começando pelo preço, pagar apenas cinqüenta por cento do valor de cada livro é uma economia e tanto para qualquer um.
No ano passado, quando a atual presidente da Fundação Catarinense de Cultura assumiu, ao tomar conhecimento da existência da Lei Grando (ela não sabia da promulgação da mesma, dito por ela mesma), prometeu que ia fazer com que ela fosse cumprida ainda naquele ano. Mais ainda, disse que tinha reservado cinqüenta mil do orçamento do Estado para cultura para esse fim. O ano terminou e não se falou mais nisso.
No início deste ano, lá por fevereiro, depois de publicar um artigo dizendo mais ou menos o que escrevi no parágrafo anterior, recebi um e-mail da assessora de comunicação da FCC comunicando que a primeira reunião “que formatará e fará a seleção das obras para fazer cumprir a Lei Grando” aconteceria no dia 4 de março deste ano. Antes de qualquer coisa, surpreendi-me com a “seleção das obras” já na primeira reunião. Mas tive que viajar e não pude comparecer à referida reunião. Não que eu fizesse parte do grupo para tratar do assunto, mas eu gostaria de estar presente para ver o que aconteceria.
A verdade é que tenho tentado obter da Fundação Catarinense de Cultura (por que será que nosso Estado não tem uma Secretaria de Cultura?) alguma notícia sobre a reunião, se ela realmente aconteceu, o que foi decidido, etc. Nada foi divulgado, nem na imprensa nem nos boletins da Assessoria de Imprensa da FCC.
Soube de fonte não oficial que a reunião não teria acontecido porque não teriam conseguido reunir o grupo que trataria do assunto. Vou continuar tentando saber a versão oficial. E voltarei ao assunto, porque não é possível que tudo continue como estava, que a coisa volte à estaca zero.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

VENDE-SE DOAÇÕES

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia - lc.amorim@ig.com.br )

A televisão do nosso estado divulgou, há algumas semanas, o lamentável fato de que a Defesa Civil de Blumenau tinha que jogar fora toneladas e toneladas de alimentos, daqueles que foram doados para as vítimas das chuvas, que aconteceu no final do ano passado. O motivo? A alegação é de que os prazos de validade dos alimentos estão vencidos. Será?
Ninguém mencionou que a maior parte daqueles alimentos foi doada há dois ou três meses, talvez mais, e eles não foram distribuídos. Por quê? Provavelmente não estavam vencidos quando foram doados e se tivessem chegado às mãos de quem tanto necessitava deles, teriam sido consumidos, teriam matado a fome de quem perdeu tudo, perdeu a casa, até o terreno.
Paralelo a isso li, há poucas semanas, notícia a respeito de grupos de desabrigados que estavam passando fome porque os donativos não chegavam até eles. Um absurdo, tantos donativos que não havia onde colocar e pessoas passando fome, precisando de tudo?
E não é só em Blumenau que ainda havia galpões cheios de doações estragando, amontoadas, sem que fossem aviadas para a distribuição. A televisão e a imprensa mostraram roupas, calçados e alimentos abandonados à beira das estradas e em lixões, pilhas enormes de água mineral deixadas no tempo, a céu aberto, até um galpão cheio de doações queimado.
Recentemente, a apresentadora Ana Maria Braga esteve em Blumenau, perguntando o que foi feito com o dinheiro depositado por pessoas de todo o Brasil em contas de bancos fornecidas para arrecadar fundos para a compra de terrenos para as vítimas que haviam perdido tudo, inclusive o chão onde estavam suas casas. Não sei se ela obteve resposta, porque vi o segundo ou terceiro programa em que ela perguntava isso e ninguém aparecia para responder.
Mais recentemente ainda, descobriram em Itajaí toneladas de roupas, calçados e até comida enterradas em lixão, que constataram ser provenientes de doações.
Esta semana prenderam “comerciante” que, passando-se por padre (e sem o comprovar, claro), pegava doações – roupas, calçados e alimentos - em Ilhota, nos galpões mantidos pela prefeitura de lá, e os vendia em outras cidades. O flagrado declarou, em sua defesa, que pegava os donativos porque eles seriam jogados fora, pela prefeitura, para esvaziar os galpões. Em Joinville, um padre (desta vez de verdade) também fazia bazar para vender donativos e arrecadar fundos para os necessitados da sua paróquia. Como já foi dito, se é doação, não pode ser vendido.
Então, toneladas e mais toneladas de alimentos doados estragam nos galpões simplesmente porque estão amontoados e isso mais o fato de que fez muito calor e havia muita umidade no ar, são condições ideais para que qualquer alimento que não esteja enlatado embolore e até apodreça. Até os enlatados, além de vir a ter a data de validade vencida, armazenado em condições precárias podem ser acometidos de ferrugem, comprometendo o conteúdo.
Alguém, catarinense ou não, doará de novo alimentos, roupas, calçados, dinheiro, para ajudar vítimas do clima descontrolado? Aliás, diga-se de passagem, descontrole causado pelo próprio ser humano, que desrespeita a natureza, não cuida do meio ambiente, poluindo e ocupando áreas onde não se deveria construir qualquer benfeitoria, com a complacência dos poderes públicos.
O fato se agrava quando vemos que as chuvas não aconteceram só em Santa Catarina. Outros estados também tiveram muitas cidades invadidas pela água, o norte e o nordeste estão passando por tudo o que Santa Catarina passou, e o que “sobrou” aqui poderia ter sido encaminhado a flagelados de outros pontos do país.
É vergonhoso termos recebido tanta ajuda e toda essa ajuda não ter sido distribuída, ficando a estragar, no abandono. Destruir toneladas e mais toneladas de alimento com a desculpa de estarem “vencidos” é o cúmulo do absurdo. Por que venceram? Porque a acomodação de quem não estava precisando, de quem detém o poder, de quem estava gerenciando o encaminhamento de tudo o que chegava, de todas as partes, não deixou que muito do que foi doado chegasse até todos os flagelados.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

PRÊMIO LITERÁRIO EM RISCO

Por Luiz Carlos Amorim (escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

O edital dos IV Prêmios Literários Cidade de Manaus (2009), de abrangência nacional, um dos concursos mais importantes do país, que tem dado prêmio em dinheiro e publicação da obra para dezesseis categorias, saiu no final de 2008. O regulamento do concurso é muito claro, bem organizado, com todas as informações que se fazem necessárias. Lá consta o prazo para enviar os trabalhos, que expirou em 30 de abril e o endereço para a remessa, além de todo o resto.
Eu preparei o meu trabalho como instruído no regulamento, envelopei tudo dentro dos conformes e enviei ao endereço constante do edital. Isso no início de março. E dei sorte em mandar cedo, pois um mês depois o envelope estava de volta à minha casa, com o carimbo do correio de Manaus registrando apenas “Mudou-se”.
Tentei entrar em contato com o Conselho Municipal de Cultura de Manaus, promotores do concurso, mas com o telefone e o e-mail constantes do edital não consegui comunicação. Telefonei várias vezes para a Prefeitura de Manaus, até conseguir a informação de que o endereço do Conselho Municipal de Cultura, que mudara o nome para Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo, mudara também o endereço.
Só que o edital não teve nenhum adendo publicado em nenhum lugar retificando o endereço para o qual os possíveis participantes dos IV Prêmios Literários de Manaus não enviassem seus trabalhos para um lugar que não existia mais. Procurei na internet, mas não achei nada. Nem no site da Prefeitura de Manaus.
Eu reenviei o meu trabalho e repassei o endereço para alguns amigos que queriam participar.Quanta gente mandou trabalhos e, se não os recebeu de volta, está pensando até hoje que está concorrendo...
Uma pessoa da organização do concurso, que questionei por e-mail, me respondeu, dizendo que depois da mudança de administração da cidade muita coisa mudou, inclusive as pessoas que estavam trabalhando no evento. Não se sabia, ainda, ao certo, nem o destino do concurso.
Uma pena que uma realização cultural da envergadura desse concurso esteja correndo riscos. Agora é esperar o resultado, para ver como ficaram as coisas.

terça-feira, 19 de maio de 2009

PORTUGAL, NOSSO AVOZINHO

Por Luiz Carlos Amorim (escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Estive alguns dias em Portugal, coisa que tinha o desejo de fazer há um bom tempo. Passeei por Lisboa, Cidade do Porto, Coimbra e outras cidades menores. Fiquei impressionado pelas partes antigas das cidades, com a belíssima arquitetura, com a manutenção de tudo. A parte nova ou moderna de Lisboa me encantou, pelo toque futurista, como na entrada da estação Oriente do metrô. As pessoas, em geral muito educadas, são às vezes mais expansivas, como o brasileiro, deixando-nos muito à vontade.
Conversando com moradores de Lisboa e da Cidade do Porto, percebi algumas diferenças na maneira de falar. Notei que algumas pessoas puxam mais pelo xis, como no caso de palavras que tem sc, por exemplo “nascer”. Mas isto é apenas curiosidade.
O que me chamou atenção, mesmo, foi a não adesão dos portugueses, ainda, ao Acordo Ortográfico. A começar pela fala cotidiana, passando pela televisão (não ouvi rádio) e até mesmo nos jornais. A acentuação gráfica continua sendo usada como era antes e o “c” e o “p”, por exemplo, de palavras como “actual” e “óptimo”, que com a nova ortografia caem, continuam sendo falados e escritos.
Aliás, os portugueses demoraram mais do que qualquer outro país lusófono a assinar o novo acordo e pelo que ouvi em conversa por lá, eles não viam e não vêem com bons olhos a reforma. No Brasil, onde as mudanças são menores, achamos que a reforma era desnecessária, imagine-se Portugal, onde a reforma é mais ampla. De volta ao Brasil, acompanhando notícias de lá, vejo que os portugueses estão protestando contra o governo que assinou o acordo e recusando a prática da reforma. A polêmica está acirrada.
Existem muitas palavras corriqueiras no vocabulário português que têm outro significado aqui no Brasil ou que não são usadas por nós. Como o caso de “fila”, existem muitas outras palavras. Então fico imaginando que a unificação da língua portuguesa, objetivo da reforma ortográfica, nunca vai se efetivar.
E já que falamos em jornal, li os grandes jornais portugueses e não pude deixar de verificar alguma diferença em relação aos nossos. Os jornais de lá são grandes, têm muitas páginas, mas tudo é informação, é notícia. Não tem muito aquela coisa de coluna social, por exemplo, que lotam os cadernos de variedades por aqui.
Gostei das livrarias em Portugal, elas existem lá mais do que aqui e são bem amplas. O preço, convertendo os euros para cruzados, é mais ou menos igual. Vi que as pessoas lêem bastante. Havia gente lendo no metrô, no ônibus, em praças...
Saindo das letras e enveredando pela gastronomia, não dá pra deixar de falar no pão que se faz em Portugal. É uma variedade grande de pães e todos eles são muito gostosos.
No mais eu quis comer bacalhau, enquanto estava lá. Em Lisboa, os pratos de bacalhau são praticamente os mesmos em qualquer lugar que se vá e, como aqui no Brasil, não tem muito bacalhau, o que tinha mais era batata. Bolinho de bacalhau é mais difícil de encontrar do que aqui, e não se chama bolinho, mas pastel de bacalhau. E também tem pouco bacalhau, pelo menos os poucos que encontrei, procurando muito. Já em Coimbra comi um bom bolinho de bacalhau e um excelente prato à base de bacalhau. O queijo feito com leite de cabra, de vaca e de ovelha é excelente. E o pastel de Belém também.
No mais, tomei muito vinho. Vinho verde, vinho do porto, vinho de todos os tipos e de muito boa qualidade. E naveguei no Tejo.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

DE CRÔNICA, FEIRA DO LIVRO, FLORES, ETC.

Desde os tempos dos Diários Associados de Santa Catarina, mantive colunas em diversos jornais: sobre música, sobre cultura, sobre literatura, etc. Algumas delas, diárias, e haja fôlego e tema para escrever todos os dias, chovesse ou fizesse sol. Eu achava engraçado o fato de, andando pela rua, algumas pessoas me cumprimentarem, como se me conhecessem. É que saía, diariamente, uma foto minha no cabeçalho das colunas. Hoje em dia ainda acontece isso.
Na minha viagem a Portugal encontrei pessoas que achavam que me conheciam, mas na verdade tinham visto foto nas crônicas que publico em diversos jornais pelo mundo afora.Então deu saudade das antigas colunas e, ao invés de fazer uma crônica sobre determinado assunto, vou falar um pouquinho sobre dois ou três. A segunda Feira Catarinense do Livro, neste mês de maio, no Largo da Alfândega, foi uma feira apenas para vender livros, sem maiores atrações, infelizmente. A realizadora da feira, a Câmara Catarinense do Livro, vem enfrentando dificuldades para fazer acontecer o evento, pois já se passaram algumas edições nas quais ela não é mais do que simples oferta de livros, sem atrações paralelas, como a presença de um grande escritor de renome nacional. E conseguiu-e apenas um patrocinador. É a crise.
A situação parece ter piorado, pois o stande que era disponibilizado gratuitamente para os escritores locais, em outros anos, nesta edição teve que ser pago. Cada escritor que queria expor na feira, para utilizar o stande teve que ajudar a pagá-lo. Sempre achei que a feira se pagava, com o dinheiro resultante do pagamento dos standes, por livrarias e editoras, mas pelo jeito não é bem assim. Não sei quanto os sócios pagam de anuidade, mas seja o que for, não dá condições para a Câmara Catarinense do Livro fazer o seu trabalho como deveria ou gostaria. De um ou dois anos para cá, até os funcionários da Câmara foram reduzidos drasticamente.
Quem queria um lugar onde fosse oferecida uma boa gama de opções para a compra de livros, a feira estava lá. De tamanho menor que as anteriores, sem justificar quase nada o título de “Feira Catarinense do Livro”, mas estava lá. Como sempre, o que se vendeu mais foram os livros infantis. Mas os livros infantis vendidos são as fábulas antigas, tradicionais e importadas, que não têm direitos autorais para pagar a ninguém e por isso mesmo são impressos em grandes tiragens, com poucas páginas e por isso mesmo, podem ser vendidos a cinqüenta centavos, um real cada e engordam as estatísticas de vendas. Verdade que as editoras poderiam, talvez, confiar mais nos escritores da terra e fazer tiragens maiores, para que pudessem custar menos. Menos mal que estamos comprando livros para colocar nas mãos de leitores em formação. Só precisamos tentar melhorar a qualidade destas compras.E o tempo precisa definir melhor as estações do ano. (Ou será que somos nós, seres humanos, que precisamos dar condições à natureza de voltar ao seu ciclo natural?) Sei que não é a natureza a culpada disto. Os jacatirões de inverno, que florescem em junho, julho, já estão carregados de botões se abrindo. Na dúvida, devem pensar eles, digamos que já é inverno e dá-lhe florescer! E as onze-horas nem ligam pra estação e florescem escancaradamente.
E, mudando de saco pra mala, recebo de uma amiga brasileira que vive no exterior, uma apreciação de quem está vendo de fora o panorama das publicações literárias e culturais no Brasil. Ela percebe que as revistas e jornais publicados por pessoas ou grupos ligadas à cultura, mas que não têm nenhum apoio da “cultura oficial”, são na verdade quem dão impulso ao desenvolvimento da literatura brasileira. Que bom que essa constatação vem de quem está observando tudo de fora, por alguém que é do meio.
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