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terça-feira, 30 de junho de 2009

INVERNO NO MEU JARDIM


Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Meus pés de jacatirão (ou manacá-da-serra, que é como se chama essa variedade de inverno) acabaram de florir. Atrasados, em relação aos outros, mas estão florindo lindamente. É que os outros tantos pés de jacatirão, por aí, já começaram a florir há mais de mês, por conta da desorientação das estações, que não estão muito fiéis aos seus tempos, chegando antes, chegando depois, às vezes quase não chegando.
Com esse desequilíbrio, quase nada floresce no tempo certo e os manacás-da-serra, o nosso belíssimo jacatirão de jardim adiantou-se bastante e chegou antes do inverno. Só os meus, parece, estão florescendo no tempo correto.
As primeiras duas ou três flores que desabrocharam, com suas pétalas brancas, me deixaram muito feliz, pois é como se a primavera visitasse meu jardim, em pleno inverno. E as pétalas foram ficando mais vermelhas, a cada dia, e novas brancas foram aparecendo.
Este ano não plantei amor-perfeito e petúnias, por isso meu jardim estava um pouco triste. Mas, por outro lado, já estou colhendo morangos, tenho bastante manjericão para temperar peixe e fazer molho pesto, hortelã, cana-limão, sálvia, guaco e alecrim, para fazer chá e enfrentar a gripe que vem por causa do frio e salsinha, cebolinha, os temperinhos verdes que não podem faltar.
E ainda há tempo para plantar os amores-perfeitos e petúnias, para fazerem companhia aos jacatirões floridos e assim deixarem mais colorida e feliz a minha casa. Dos dois pés de funcionárias que lá existiam, um ainda insiste em florescer. O outro, os mesmos bichos que comem minhas folhas de couve comeram ele todo, deixando só a raiz.
Mas nem ligo, porque meus jacatirões floresceram.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

OS MAIORES AMIGOS

Por Luiz Carlos Amorim (escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Pituxa, a nossa pinscher Xuxu, tem quatorze anos. Quase não enxerga mais, talvez já não ouça bem, também. Mas é a nossa menina. Quando a gente está em casa, ela está sempre procurando alguém em quem se encostar. Não reconhece a gente de pronto, quando chegamos em casa, mas faz uma festa quando ouve a nossa voz.
Ocorre que eu e Stela viajamos e ficamos quase um mês fora. Fomos a Portugal, para conhecer a terrinha e sempre mantivemos contato com as filhas, que ficaram em casa. E soubemos que Pituxa não comeu por três dias, depois que saímos. Mas isso não foi o pior: ela ficou dias a fio de plantão, sentadinha em frente ao portão da garagem, esperando que chegássemos. Dava vontade de voltar, ao saber disso.
Quando chegamos ao aeroporto de Florianópolis, ela estava lá esperando, junto com o resto da família. Ela não deve ter entendido porque ficamos tanto tempo longe, mas agora fica mais desesperada quando a gente começa a arrumar malas para viajar.
Não resisti ao registro do fato, pois encontrei um outro bichinho parecido com Xuxu em Coimbra e queria poder falar dela também. Tratava-se um uma chiuaua (ou chihuahua), de pelo avermelhado, pequena, devia pesar um dois ou três quilos. O seu dono era um tocador de violão que, enquanto tocava, colocava-a sentada a sua frente, imóvel, com um porta- -moedas pendurado no pescoço. Havia uma cesta, também, para quem não quisesse colocar as moedas a fazer peso no pescoço da cachorrinha. Ela era mantida em uma coleira e de vez em quando o dono a puxava, para mudar de local e de público. Perguntei a idade dela e ele me disse que ela tinha nove anos. Perguntei se era mansinha, se podia fazer um carinho, ele disse que sim. Tentei passar a mão em sua cabeça, ela até deixou, mas encolheu-se, assustada, como se eu fosse machucá-la. Não falei nada, mas pensei que ela poderia ter sido maltratada para se submeter àquele trabalho. Espero estar errado.
Fiquei comparando a nossa Pitucha, cercada de tanto carinho, com aquela cadelinha que era obrigada a trabalhar. E imaginei a chiuaua (ou chihuahua) na rua, com os dias frios que estavam por vir em Portugal, que agora está na primavera, mas já conta com algumas temperaturas que exigem agasalho. E olhem que a menininha ajudava o rapaz a ganhar a vida...

domingo, 28 de junho de 2009

LIVROS GUARDADOS

Por Luiz Carlos Amorim – (escritor e editor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Acabo de receber um e-mail de uma amiga escritora de Anitápolis, sobre a criação da ONG Viva Cidade, com o objetivo de promover áreas como a cultura, meio ambiente, turismo, lazer entre outras. E eles estão angariando livros para formar uma biblioteca para comunidades carentes daquela região.
Então lembrei que já escrevi sobre iniciativas interessantes para se conseguir acervo e iniciar uma biblioteca em uma entidade, associação, escola, bairro, comunidade. Uma delas era uma campanha de um grande supermercado pedindo doação de livros para criar uma biblioteca numa pequena escola de interior. O retorno foi bom, uma boa quantidade de bons livros – principalmente infanto-juvenis – foi arrecadada, uma nova biblioteca foi formada e muitos pequenos estudantes foram beneficiados. Estudantes que estão a uma grande distância de uma biblioteca municipal ou estadual – o que significa custo de passagens de ônibus para chegar até lá – e também não têm acesso à internet.
Há algum tempo, participei de uma gincana para confraternização e comemoração do aniversário da uma grande empresa. E sabem qual era uma das tarefas? Além do leite em pó ou em pacote, para doação a comunidades carentes, marcava ponto quem trouxesse mais livros em bom estado ou novos, com bom conteúdo para constituir uma biblioteca em uma entidade de assistência a crianças carentes e escolas de primeiro grau mais distantes.
Fiquei feliz pela iniciativa e pela participação: centenas de livros – no geral bons livros, uma boa maioria deles livros infantis e infanto-juvenis, mas também romance, poesia, crônica, didáticos, auto-ajuda, técnicos. Fiquei surpreso com a qualidade e quantidade das obras.
É impressionante constatar-se o fato de que guardamos, em nossas casas, muitos livros que já lemos, e que ficam lá, indefinidamente, enfileirados em estantes, sem que ninguém os abra. Então, quando há uma oportunidade, não é agradável dar sobrevida a uma coisa que estava morta, abandonada? Pois um livro numa biblioteca pode ser lido por inúmeros leitores, pode ser consultado por um número de pessoas que não podemos precisar.
A ideia não é nova nem original, mas é ótima para incentivar as pessoas a fazerem um expurgo em suas estantes e ver o que pode levar descobertas, o mundo da imaginação, arte, cultura e conhecimento para outras tantas pessoas.
Como vimos e sabemos, quase todos temos, sempre, livros que já lemos, então porque não atender o apelo da ONG Viva Cidade, de Anitápolis, e doá-los para que possam iniciar uma nova biblioteca? Convido-os a enviarem quantos livros puderem, preferencialmente para crianças e jovens de até 14 anos. Caso possuam livros que não sejam para essa faixa de idade, mandem também, pois eles podem ser encaminhados à biblioteca do município que também necessita ampliar seu acervo. Eles podem ser entregues nos postos de combustível Galo, com seis endereços na grande Florianópolis: 2 na Lagoa, no centro (Almte. Lamego com Arno Hoeschl, Rio Tavares, Saco dos Limões, Estreito (Gaspar Dutra) e Shopping Itaguaçu.
Como disse a minha amiga, é uma oportunidade de fazermos alguma coisa. Podemos fazer a diferença. Então, mãos à obra, livros fora das estantes, a caminho da biblioteca.

sábado, 27 de junho de 2009

PROFISSÃO: JORNALISTA

Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Essa coisa de afirmarem que não é preciso mais estudar para se formar jornalista é, no mínimo, contraditória. Como é que uma profissão como esta, que tem trazido a público denúncias graves de sequelas (por que não dizer crimes?) em vários segmentos da sociedade, principalmente da politicagem que se pratica neste país, pode ser exercida por qualquer pessoa, sem que tenha tido qualificação adequada, formação apropriada?
Os fatos têm que ser mostrados com clareza e exatidão, não podem ser transmitidos por qualquer um.
Não falo de quem, como eu, tem um espaço no jornal para falar deste ou aquele assunto, pois a responsabilidade do que eu declarar é minha, já que estou externando uma opinião pessoal, que pode coincidir, até, com a visão da maioria. Posso até revelar fatos, para comentá-los, mas a minha função não é comunicar o que está acontecendo, dar notícias. Posso até ser formador de opinião, mas não sou o redator de acontecimentos relevantes.
Será que estão achando que a profissão de jornalista está acabando, por causa da revolução na comunicação que a Internet está causando? O fato de alguns jornais impressos estarem perdendo força, pelo mundo, não quer dizer que o jornalismo vá acabar. Pelo contrário, nunca de disseminou tanto a informação como hoje. Então, mais do que nunca, o jornalista precisa ser preparado, pois está havendo, sim, uma mudança na maneira de dar a notícia. Mas o jornalista não sairá de cena, absolutamente, o bom profissional será cada vez mais necessário, daqui por diante.
Ele precisa, sim, de formação, para que tenhamos informação confiável e correta em todas as mídias.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

DANÇA É VIDA!

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

A minha crônica de domingo, sobre dança de salão, rendeu dividendos: descobri uma poeta e ganhei uma amiga. Quem leu, lembra que falei do churrasco da turma de alunos das aulas de danças gauchescas do Ateliê da Dança. Revi amigos, conheci outros, até dancei, apesar da gripe.
Pois a professora Renata (desculpe não ter podido ir à aula nesta quinta, mas a gente vai, ainda, se Deus quiser!) leu, imprimiu e colocou no mural da academia e a Grace, aluna de dança de salão, viu e contatou, enviando o poema que transcrevo abaixo.
Vou publicar, também, na revista eletrônica de literatura Literarte de julho, no portal Prosa, Poesia & Cia. do Grupo Literário A ILHA, em http://br.geocities.com/prosapoesiaecia .
A Grace me disse que não é poeta, que está dando os primeiros passos, mas o poema dela deixa transparecer alguém que já tem muita familiaridade com a poesia, tem sensibilidade, lirismo, ritmo e conteúdo. Parece que ela tem muita poesia para escrever. Dou, então, de presente pra vocês, sem nem mesmo consultar a Grace, o poema que ela me enviou, sem título, e que eu chamaria de “Dança é vida”:

A vida é como a dança
Nessas andanças e mudanças,
a gente dança, a gente vive,
a gente sonha, a gente improvisa
e a gente cresce
Qualquer lugar vira palco
e a hora do show é,
sem mais nem menos,
o agora
O improviso é contínuo,
há giros, há saltos,
há técnica, há emoção!
Ao mesmo tempo também há tropeços,
há desequilíbrios, há esquecimentos
e algumas vezes, decepção...
Para quem danço?
Nem eu sei...
Mas eu continuo a dançar,
pois de uma coisa eu tenho certeza:
ela alegra a minha alma
Às vezes as pessoas me aplaudem,
outras vezes, não
A vida me dita o ritmo,
Que oscila
Ela vai, volta, brinca comigo, me engana...
Mas eu sigo o compasso...
eu o busco sempre
Enquanto houver vida, há música....
e há dança!
Por ora danço rápido,
por ora danço devagar,
Por ora danço sozinha,
por ora posso dançar
na companhia de alguém
A sintonia em dançar a dois, é perfeita,
Nos entendendo, nós dançamos juntos,
Se não nos entendemos, nós erramos juntos
A dança é facilmente compartilhada a dois!
A sintonia em dançar a dois, é perfeita,
assim como o amor
A dança é como uma linguagem universal...
um instinto natural
Mas claro! Na verdade, já nasceu dentro de nós
Todos somos bailarinos da vida
Mas saiba que meus passos são únicos
Ninguém dança como eu
Meus movimentos são só meus,
assim como os seus...
Eles têm o jeito e a forma de quem os cria
e tem o sentimento de quem os comanda,
em cada momento distinto
Por isso eu vivo, quer dizer, eu danço, sempre,
com o coração repleto de amor!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

PEDÁGIO, CONTAS PARALELAS, ATOS SECRETOS...

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Viajei esta semana para o norte do Estado, para Jaraguá e Corupá, não deu tempo de entrar em Joinville. E fui obrigado a lembrar do pedágio, pois tive que pagá-los em Itapema (ou imediações) e em Araquari.
Fiquei mais uma vez indignado, não simplesmente pelo fato de pagar o pedágio, mas porque mesmo pagando, fiquei entalado na estrada umas duas ou três vezes, esperando que “as obras” que estão sendo feitas dessem passagem. Obras que deveriam ter sido feitas antes de começarem a cobrar taxa para a gente passar. Houve até trechos em que a BR 101 estava com um quilômetro ou mais em apenas uma pista, isso só no sentido norte, sem que houvesse nenhuma máquina e nenhum trabalhador fazendo alguma coisa, sem nada estar sendo feito, pelo menos naquele hora em que passamos.
Uma viagem que deveria ser de duas horas, menos até, levou quase três. Isso porque pagamos pedágio.
Com tudo isso, não posso esquecer que o pedágio da praça de Palhoça já está sendo cobrado, mesmo que as obras de duplicação do trecho sul da 101 não estejam terminadas, aliás, não estejam nem perto de ser concluídas. Como pagar pedágio para usar uma rodovia que não está pronta, que tem vários pontos de obstrução e desvios que farão a viagem ficar mais longa, mais demorada e mais estressante, mais perigosa?
Pergunto de novo: onde estão os nossos “representantes”, os políticos que deveriam estar zelando pelos direitos do cidadão? Belos políticos, os brasileiros, que ao invés de estarem trabalhando pelo povo, estão gastando o dinheiro desse mesmo povo em favor próprio, como bem tem sido denunciado, nos últimos tempos, com novas revelações nos últimos dias, como as contas paralelas e atos secretos do Senado. E sem que ninguém seja punido. Quando é que vão parar de roubar, quando é que vão devolver o que já foi roubado, para que haja mais recursos para que se realizem as obras que estão paradas por esse Brasil afora? Quando é que vai haver honestidade na coisa pública, quando é que a “justiça” desse país vai ser realmente justa?
Ou estou sendo ingênuo ao esperar que haja justiça, ainda, que a justiça funcione e que exista como dever ser?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A LITERATURA E A PROPOSTA CURRICULAR DE SC

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – lc.amorim@ig.com.br )

Uma coisa pela qual os escritores catarinenses vêm lutando há muito tempo é a parceria do Estado no que diz respeito à divulgação e distribuição de suas obras às bibliotecas municipais e de escolas públicas de Santa Catarina.
Ao tomar conhecimento de trecho da Proposta Curricular de Santa Catarina, através de uma monografia de Lílian Becher Camargo, intitulada “Divulgação das Obras e Autores Catarinenses nas Escolas”, publicada no livro “Escritores Catarinenses e o Grupo Literário A ILHA”, fiquei um tanto preocupado.
A Proposta Curricular 1998 sugere aos professores do estado o incentivo à leitura de obras escritas aqui: “A Literatura Catarinense dispõe de excelentes obras e pode-se, através da leitura das mesmas, realizar o estudo dos gêneros literários. (...) São inúmeros os bons contistas, romancistas catarinenses e escritores infanto-juvenis.” (p.51) “O estudo da Literatura catarinense deve ser contemplado em nossas escolas buscando conhecer as obras mais perto de nós, sejam produções estaduais, regionais ou locais. Há que se estimular esse estudo nas escolas, sob pena de deixarmos de lado uma fatia do conhecimento de Literatura”. (p. 52)
Como diz Lílian, em sua monografia, “a própria proposta só menciona a literatura e os autores catarinenses na última parte do seu texto e, ainda assim, de forma lacônica.”
O problema é que isto está na Proposta Curricular/SC de 1998, e já existe uma mais recente, de 2005, que eu fui ler para ver se o assunto era contemplado com mais profundidade. E fiquei pasmo ao constatar, depois de ler as 192 páginas do documento, que nessa nova edição o assunto nem sequer é mencionado.
A proposta curricular, um documento que deveria instruir de forma firme e categórica o estudo dos autores catarinenses de cada região, da genuína literatura catarinense, deixa de abordar o assunto superficialmente para nem sequer lembrá-lo na sua edição “revista” de 2005. Lamentável e inaceitável.

terça-feira, 23 de junho de 2009

CRIME NA SAÚDE (Ou A SAÚDE NA UTI)

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor - lc.amorim@ig.com.br )

A criminosa história do médico flagrado cobrando serviços prestados através do SUS voltou à mídia. O que me causa indignação não só o fato em si, mas porque nada é feito para mudar este estado caótico da saúde pública brasileira. O médico ainda não foi julgado, agora é que estão pegando depoimentos das várias vítimas e transferiram o final do caso para agosto. E pior, ele já voltou a trabalhar. Nem despedido ele foi.
Há seis anos, minha mãe precisou colocar uma prótese no joelho e como era urgente, pois ela não agüentava mais a dor e conseqüentemente não podia mais andar, aceitou pagar, para o médico, R$ 2.500,00 reais. Apesar de a cirurgia ter sido feita pelo SUS. O valor, cobrado a título de “assistência médica futura”, subiu para R $ 6.000,00, se ela tivesse que fazer a mesma coisa no final do ano passado.
Voltando ao caso atual, o que me deixa mais indignado é que, apesar de flagrado em plena cobrança “indevida” pela televisão, pois os exames pelos quais o médico recebeu R$ 3.400,00 foram realizados pelo SUS, o médico foi apenas "afastado do cargo". E não é de se estranhar que ficou recebendo o salário, pois já voltou ao “trabalho”, atualmente. O roubo documentado virou “obtenção de vantagens próprias por meios indevidos”. E não se falou em prisão, em devolução do dinheiro roubado, nada.
O flagrante comprovou apenas um dos roubos do médico. E os outros? Ou vamos concluir que ele praticou apenas aquele roubo mostrado na televisão e na internet para o país inteiro?
O que vimos é estelionato, é roubo na sua forma mais vil. E precisa ser tratado como tal. Instauraram um inquérito policial, mas o médico ladrão responde o processo em liberdade, pois o delegado achou que "não há motivos para prendê-lo". O cidadão roubou, já devia ter sido preso e, além de qualquer outra condenação, devia devolver todo o dinheiro roubado daquela paciente que vimos e de todas as outras vítimas.
Apesar de nosso presidente dizer aos quatro cantos (e parece convencido disso) que o Brasil está ótimo, que tudo vai bem, que o brasileiro está muito bem, hospital público, além de lugar para se mendigar, ter negada assistência médica e até morrer na porta sem atendimento, também é lugar para sermos assaltados e roubados. Isso é Brasil.

domingo, 21 de junho de 2009

LIÇÃO DE DANÇA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Ontem, sábado, aconteceu o baile de aniversário do Ateliê da Dança, academia onde sou aluno, mas não pude ir porque peguei um daquelas gripes que derrubam a gente. Uma pena, pois havia música ao vivo a partir das nove da noite e depois do começo da madrugada a festa continuou com música mecânica. Não sou, nem de longe, um bom dançarino, mas gosto de dançar.
Então, para não deixar de ir ao churrasco do nosso grupo de dança, hoje, organizado pelos professores Michel e Geovana, tomei uns naldecons da vida e fui. Não tomei cerveja, fiquei só no refrigerante não gelado, mas o churrasco estava ótimo. Encontrei amigos, conheci gente nova e até dancei. Foi uma tarde agradabilíssima. Até me matriculei na aula de dança de salão da professora Renata, com quem conversamos um bocado. Ela é uma criaturinha muito simpática e trocamos figurinhas de nossas viagens por aí, além de falar de dança, é claro.
As turmas que estavam reunidas eram alunos de aula de dança gauchesca, que eu chamo de bailão, porque eu acho, cá pra mim, que onde tem gente reunida é só tocar ritmos como vaneira, milonga, chamamé, xote, valsa e até marchinha que está feito um baita dum baile. Estavam, ali, alunos intermediários e iniciantes. Então, observando os casais que a dançar, constatei que há colegas que dançam muito bem, com uma leveza extraordinária, evidenciando um aprendizado amplo e uma vocação inequívoca. E vi um garoto, de dezoito anos, mais ou menos, talvez menos talvez um pouquinho mais, que começou dançando uma ou outra vaneira, com dificuldade, mas foi insistindo e foi melhorando. Aí perguntei para a professora Geovana quanto tempo ele estava na turma de iniciantes e ela me disse que ele só tinha feito uma aula. Ele recém tinha iniciado o curso. Fiquei pensando, cá com meus botões, que aquele menino é um vencedor e que é uma daquelas pessoas que vai se dar bem na vida, pois tendo feito apenas uma aula, muita gente teria ficado inibida de se expor, dançando do meio da maioria, que era de intermediários e sabia um pouquinho mais. Ele não se intimidou, foi à luta, dançou mesmo sem saber quase nada e lucrou, pois aprendeu muito mais.
É com essa postura que precisamos enfrentar a vida. Não podemos nos intimidar, esperar para depois, temos é que meter a cara e tentar, pois do contrário ficaremos para trás. Esta é uma lição que todos devemos aprender de novo, todos os dias.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

AS SECRETARIAS DE ESTADO E OS LIVROS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Parece que o escândalo da compra dos 130.000 livros pela Secretaria de Estado da Cultura esfriou, caiu no esquecimento. A polêmica que se formou foi quase que exclusivamente sobre o fato de o livro ter sido classificado como impróprio para alunos do primeiro grau e pouco ou quase nada se falou sobre o gasto astronômico feito para comprar uma quantidade tão grande de livros de um mesmo autor, de uma mesma editora. Sem ter sido lido por quem autorizou a compra, pois eles foram recusados pelas escolas e recolhidos. Não entro no mérito da questão da qualidade da obra, insisto, sim, que deveria ter sido cobrado do Estado a responsabilidade pelo ato que resultou em prejuízo dos cofres públicos, o porquê da compra, já que nunca antes o Estado comprou livros selecionados para o vestibular para os alunos do segundo grau. E por que apenas um livro, por que não todos os selecionados?
E não é a primeira vez que isso acontece. Como já mencionamos, no ano passado a Secretaria de Estado da Educação comprou 34.146 maletas (fonte: Jornal A Comarca, de 10.10.08), cada uma com doze livros, da coleção Ziraldo e seus Amigos, da Editora Melhoramentos, dentro do projeto Planeta Cultura, lançado pelo Estado para as escolas estaduais de primeiro grau. Ótimo que esta quantidade enorme de livros tenha ido para as nossas escolas, ter o que ler é o primeiro passo para se adquirir o gosto pela leitura. Mas são 410.000 (quatrocentos e dez mil livros!), de autores consagrados e, se não me engano, apenas um catarinense. Não consegui saber o valor pago pelo Estado, mas deve ter sido mais do que o milhão e meio de reais pagos pelos 130.000 livros comprados mais recentemente.
Pergunto de novo: e os escritores catarinenses? Nunca houve verba, até agora, para comprar livros de escritores da terra para entregar às bibliotecas municipais catarinenses. Só este mês, depois de quase vinte anos da existência da Lei Grando, é que o edital para compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas de todas as cidades de Santa Catarina foi aberto pela FCC. E para compra de apenas 300 (trezentos exemplares) de dez obras a serem selecionadas pela Cocali, pela metade do preço de capa.
Falei com a professora Dirce Amarante, que teve acesso aos livros, no final de 2009, sobre o que ela achou da coleção, enquanto especialista em literatura. Pra começar, ela declara que “No final do ano passado, a Secretaria de Educação me cedeu com muito custo as tais maletas, as quais tive que devolver à Secretaria num curto espaço de tempo.
Analisei o material com os meus alunos de Letras e Pedagogia da UFSC. O resultado dessa análise está no artigo que escrevi para o "DC Cultura", “Planeta Cultura e a crise no ensino de Literatura”.
.Tenho a impressão que não houve reflexão intelectual quando da compra desses livros . Aliás, tenho a impressão que na Secretaria de Educação, como em outras secretárias, temos mais burocratas que pensadores. As maletas cumprem sua função burocrática, ou seja, renovar o material escolar, não importa com o quê.
Gostaria que esse assunto fosse discutido amplamente. Aliás, pergunto-me onde estão os professores das escolas que ainda não manifestaram a esse respeito?
Os educadores no Brasil, de um modo geral, também tratam a educação como tarefa, ou seja, muito mais como burocracia do que como conhecimento (em anexo, um artigo meu sobre o tema), de modo que as maletas preenchem bem esses requisitos: livros para todas as escolas, para idades específicas dos alunos, tudo bem "arrumadinho", para não causar problemas, nem maiores discussões.”
Transcrevo, abaixo, ainda, um trecho do alentado artigo da professora citado acima:
“Os livros das caixas destinadas às idades mais avançadas são claramente textos de auto-ajuda, como, por exemplo, Sucesso! Eu vou chegar lá...., de Frank McGinty, o qual dá algumas “dicas legais”, do tipo: “1. Use uma linguagem positiva –ela reflete e influencia seus pensamentos e, por conseguinte, seus atos. 2. Não pense em ‘problemas’, pense em ‘desafios’. Curta o desafio.” Um outro título dessas caixas devotadas ao final do ensino fundamental é: Sexo! Não é tudo na vida... Então por que só penso nisso o tempo todo?, de Antonio Carlos Vilela, cujo tema -- namoro, aids, gravidez, dentre outros -- é desenvolvido numa linguagem capaz de esfriar qualquer relação com a literatura: “Tomei um banho caprichado, limpando tudo direitinho, se é que vocês me entendem.” E o que dizer do livro Bagdá, o skatista, de Toni Brandão, cujo protagonista adolescente “trocou a carona da gata pelo bumba”.
Para citar um último exemplo do que se pode encontrar nessas maletas, tem-se O que eu faço da vida?, de Antonio Carlos Vilela, que discorre sobre a vida difícil dos adolescentes e lembra que “ser criança é muito mais fácil”, já que elas não sofrem por nada. Segundo Otto Maria Carpeaux, no entanto, o sucesso do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen reside, dentre outras razões, no fato de que o escritor pôde perceber que, para a criança, nem tudo é brincadeira sem conseqüência, como os adultos costumam pensar: "(...) as crianças são realistas a seu modo: a brincadeira lhes parece muito séria. Por isso gostam tanto dos contos de Andersen, porque ele também tomou a sério o mundo dos brinquedos.”
Há muita nebulosidade nestas compras. Ninguém será cobrado a respeito? O dinheiro gasto aos borbotões é o imposto que pagamos todo dia.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

TEMPO DE TAINHA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Recebi um filme de pesca de tainha realizada ontem, pela manhã, numa das praias da Ilha. Fico fascinado por esse fenômeno fabuloso do tempo frio que é puxar as redes com toneladas e toneladas de tainha. É de uma beleza incomensurável.
E eu que nunca liguei muito para o peixe em si, só gostava da tainha feito cambira, aquela escalada, salgada e secada ao sol, tenho comido tainha recheada (com ova, camarão, farinha e temperos, como aprendi com minha mãe), caldo de tainha, que fica uma delícia e tainha frita. Nada como morar aqui, pertinho de onde acontece o milagre dos peixes.
Então faço água na boca da minha amiga Fátima de Laguna e ela me pede, como leitora do blog, que eu dê as receitas e ensine como fazer a cambira e o caldo. A cambira eu ensinei, há algum tempo, para os leitores do Coojornal do portal Rio Total, da minha amiga Irene Serra (www.riototal.com.br ).
Muito pouca gente sabe, mesmo os nativos da ilha, pelo que tenho percebido, ao perguntar para alguns, que a cambira é a tainha escalada. A gente pega ela, já sem escamas, eviscerada, sem cabeça e abre ela de fora a fora, cortando encostadinho à espinha. Depois é só salgar, dos dois lados, bem salgado – isso é escalar, conforme quem mora na beira do mar e conforme o Aurélio, também. Aliás, fui procurar no dicionário o que ele dizia sobre cambira, mas não diz nada, apenas “tainha”.
Mas voltando ao nosso peixe, depois de escalado é só pegar um dia de sol e deixar ele secar. Não é preciso deixar torrar, em um ou dois dias ele fica marronzinho e a cambira está pronta, pode ser consumida. É cortar em pedaços, dessalgar – ferver trocando de água umas duas ou três vezes, fritar ou grelhar e comer com o que preferir, mas eu não sei de nada melhor do que um pirão de água. Ah, não sabem o que é pirão de água? É só ferver água, colocar farinha de mandioca no prato, despejar a água quente em cima e misturar. Aí é fechar a porta e comer. Faça um molho de limão com pimenta, mais ardida ou menos ardida, como preferir, e regue a cambira. (Que fome!)
Já o caldo de tainha é feito como os outros caldos de peixe. Minha mãe ensinou assim: pique alguns tomates, sem pele e sem sementes ou como preferir. Refogue com manjericão ou alfavaca (não pode faltar, é condição sine qua non), com alho e outros temperos verdes, a gosto, coloque água o suficiente para a quantidade de peixe que vai cozinhar e não esqueça o sal. Eu não ligo para a cor, mas para quem gosta, pode usar colorau ou massa de tomate. Fervendo o caldo, coloque a tainha cortada em postas e temperada anteriormente com limão, sal e manjericão. Não deixe cozinhar muito, para o peixe não se desmanchar. Já dá pra fazer o pirão com o caldo e farinha de mandioca e comer com o peixe cozido, que está uma delícia. Não é fácil?
Florianópolis já não é aquele paraíso para se viver, como ainda apregoam alguns, temos muita violência, tráfico de drogas, assaltos, roubos, falta de segurança, enfim. Mas ainda somos privilegiados com um lugar tão bonito e que nos possibilita ter uma mesa farta com peixe em abundância e fresquinho. Mãe Natureza ainda está nos dando um voto de confiança.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A LITERATURA PARA O VESTIBULAR

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – lc.amorim@ig.com.br )

Com o escândalo do livro comprado pelo Estado para os estudantes de segundo-grau, aos milhares – obra constante da lista para o vestibular desse ano, quanta generosidade – e depois recolhidos – que desperdício, quem será que ganhou com isso? – lembrei-me de um livro selecionado para um vestibular de uns poucos anos atrás. Achei singular o tal livro, por vários aspectos: não tinha um gênero definido, pouco texto, quase hermético e o autor fazia uso constante de figuras de linguagem e palavras incomuns, não usáveis no dia-a-dia, nem na fala nem na escrita. Fiquei surpreso que uma obra assim, tão difícil, tivesse sido escolhida para que os vestibulandos lessem e fossem questionados a respeito. Seria apropriado para nossos estudantes que ainda não têm o hábito de ler e escrever, que ainda “não dominam a dança das palavras”? Esta é uma questão que deveria ser levantada. Os livros pedidos nos vestibulares não deveriam ser obras consistentes, lógicas, que estimulassem os leitores a irem em frente na leitura?Ao invés disso, nossos jovens estudantes, aspirantes à universidade, não estariam sendo incentivados a lerem apenas “resumos”, que dão, quase sempre, apenas vaga ideia do enredo da obra? Resumos onde perdem-se características importantes do texto, como estilo e linguagem. E sabemos, os vestibulares raramente cobram enredos. Também não é suficiente assistir peças ou filmes baseados nos títulos a serem lidos. Eles até podem ajudar, no que diz respeito a fixar ou relembrar, ou até servir de estímulo para leitura da obra integral.Algumas das obras selecionadas são clássicos da literatura brasileira ou portuguesa. Mas umas poucas são de autores regionais, e cada estado escolhe alguns dos seus escritores mais representativos. Infelizmente, o que se tem observado – em alguns casos – é que livros são colocados nas listas de selecionados nem sempre por suas qualidades literárias, mas sim para alavancar a venda dos mesmos. Que critério é usado para que se chegue aos títulos que nossos vestibulandos deverão ler para adquirir a cultura que deverão mostrar nos exames?

terça-feira, 16 de junho de 2009

UM PEDACINHO DE CHÃO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Alguém lembra da crônica na qual falei do meu pé de araçá, plantado em um grande vaso no meu jardim? Pois ele continua lá. Mas para meu pé de jacatirão (uma variedade dele, o manacá-da-serra, que floresce no inverno), a vida em outro grande vaso não estava sendo fácil. Ele floresceu lindamente no inverno passado, mas depois da florada as flores foram ficando menores, algumas pontas de galhos secaram e a arvorezinha, de pouco mais de um metro de altura, foi diminuindo de tamanho. Dava dó ver aquela regressão.
Então, no mês de maio, quando os botões começaram a aparecer – eles se adiantaram um pouco, esse ano, com esse descompasso das estações – eu decidi: vou arranjar um lugar no jardim, vou cavar um buraco entre as pedras e vou colocar um tanto de terra adubada para plantar meu pé de jacatirão – ou manacá-da-serra, que é como ele é conhecido por aí – no chão.
Muitos manacás/jacatirões já estão florescidos pelos jardins em todos os lugares – mas o meu ainda está com os botões fechados. Não tenho pressa, pois os outros é que se vestiram de cores um pouquinho antes do tempo. O importante é que meu pé de jacatirão agora está plantado, conectado com a Mãe Terra, que é como deve ser. E florescerá espetacularmente, mesmo que não haja tantos botões como deveria haver.
E ele colorirá meus olhos, minha alma e festejaremos junto o inverno, a natureza, a vida. Mesmo que o ser humano não respeite como deveria a Mãe Natureza, ela nos dá este espetáculo maravilhoso de cor e luz.
Mas não nos enganemos: não será sempre assim. Ela está se cansando do desprezo e do descaso.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O PEDÁGIO DA 101 EM PALHOÇA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Agora é definitivo: começa a ser cobrado nesta quarta-feira, dia 17, o pedágio na BR 101 em Palhoça, na Grande Florianópolis. Apesar de a Prefeitura de Palhoça ter entrado com uma ação contra a cobrança, no final de maio, a justiça não deve ter concedido liminar, pois a Agência Nacional de Transportes Terrestres autorizou e o famigerado pedágio vai ter que ser pago a partir da zero hora de quarta.
Os motivos para barrar a cobrança na praça de pedágios de Palhoça são vários. Primeiro, o local escolhido: foi decidido em uma audiência pública, em 2005, que a praça seria na divisa entre Palhoça e Paulo Lopes, mas o acordo não foi cumprido. Segundo, obras como o túnel do Morro dos Cavalos e nove elevados na parte Sul da cidade estão longe de ficarem prontos, logo, não é justo iniciar a cobrança sem que a estrada esteja pronta. E, pior de tudo, os cidadãos de Palhoça terão que pagar pedágio para circular dentro da própria cidade.
Onde estão os nossos políticos que não estão vendo isso? Colocar pedágio no meio de uma cidade, sem que as obras da estrada estejam prontas, o que é isso? Isso sem falar que, diferente de outras praças, aqui o cidadão vai ter que pagar o pedágio cada vez que passar. Em pedágios no Rio Grande do Sul, por exemplo, quando a gente passa e paga, recebe-se um recibo. Se o mesmo cidadão tiver que passar de novo por aquele pedágio no mesmo dia, é só apresentar o recibo que comprova já ter pago uma vez naquela data e pronto. Ele pode passar novamente, quantas vezes precisar.
Mas aqui, não. Com tantas irregularidades, ainda vai ser preciso pagar cada vez que se passe.
E nem sequer entramos na questão do direito de ir e vir de cada cidadão brasileiro, previsto na constituição.
Cadê a justiça, a lei que deve ser cumpria, os nossos “representantes”, que deveriam defender nossos direitos? Esse país é mesmo uma vergonha.

domingo, 14 de junho de 2009

ABANDONO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Hoje, ao sair para fazer compra (mais para caminhar, na verdade), vi mais uma vez o abandono das pessoas para com animais “de estimação”. Eu estava perto do supermercado e uma cadela de pelo dourado, grande, quase do tamanho de um pastor alemão, que andava na calçada perto de mim, de repente saiu em disparada, abanando o rabo desesperadamente, de encontro a um carro branco que vinha vindo. Pensei cá comigo: ela estava esperando o dono. Mas não, não era o dono. O carro entrou numa transversal, deu meia-volta e foi embora.
A princípio eu achei que fosse um cão abandonado, recém abandonado, aliás, pois ela estava bonita, o pelo limpinho, nem ao menos estava magra. Mas então tive certeza. Ela parou um pouquinho, olhando o carro – se fosse humana, estaria com um ar de desânimo estampado na cara. E atravessou a rua.
Quando saí do supermercado, ela estava rondando a porta, como se esperasse alguém. Como se o seu dono tivesse entrado lá e ela estivesse esperando que ele aparecesse.
Que pensará um bicho desses? Que sentirá? “As pessoas que me acolheram pequeninha, ainda filhote, que cuidaram de mim, não me abandonariam assim. Vou encontrá-los e vou ficar com eles de novo, eles devem estar em algum lugar...”
Algumas pessoas parecem não se apegar aos seus cães, pois muitos deles são abandonados diariamente. Parece comum, quando se compra um filhote de cão, não se preocupar muito com o tamanho que ele vai ter quando for adulto. Então, mesmo não morando em apartamento, há quem largue na rua o animal, porque está muito grande, porque faz muito barulho, muita sujeira, porque come demais.
Se o bicho cresce, abandonam. Se o bicho fica doente, abandonam. Até quando viajam as pessoas largam ao abandono seus bichos “de estimação”.
É lamentável o desrespeito e a desumanidade com as pobres criaturas indefesas. O ser humano é mesmo estranho, não sabe mesmo retribuir amor e dedicação.

sábado, 13 de junho de 2009

A NOVA LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

A literatura é uma arte que tem fortes representantes em Santa Catarina. Talvez não seja correto rotular a literatura produzida aqui como catarinense, mas ela tem autores com qualidade e representatividade.
A projeção catarinense na literatura brasileira começa com o ícone maior da poesia simbolista, Cruz e Sousa, nascido em Florianópolis, antiga Desterro, de reconhecimento universal, ainda que póstumo. Sua poesia foi traduzida e publicada em vários países.
A perfeição dos poemas de Cruz e Sousa já fez com que o comparassem a Baudelaire e o colocassem ao lado de Mallarmé.
Seguem-se-lhe Virgílio Várzea, que publicou em parceria com Cruz e Sousa “Tropos e Fantasias”, a estréia do Cisne Negro na literatura, e Luiz Delfino.
Existem, também, os escritores catarinenses contemporâneos, aqueles que já têm uma obra conhecida e consolidada e ultrapassaram as fronteiras do nosso estado. Alguns deles projetaram-se em nível nacional, mas nem sempre estão radicados aqui no estado. Nomes como Lindolfo Bell, Guido Wilmar Sassi , de grata memória, Cristóvão Tezza, Deonísio Silva, Silvio Back, Werner Zotz, são exemplos de escritores catarinenses de renome nacional.
Existem os contemporâneos do estado, que se concentram, quase todas na capital, mas não é deles que o livro “A Nova Literatura Catarinense”, em lançamento, fala. Uma nova edição da obra, atualizada, estará sendo publicada e colocada à venda pelo Clube de Leitores ( http://www.clubedeleitores.com.br/ ) nos próximos dias.
No livro estão os escritores que produzem em outros pontos de Santa Catarina, que têm sua obra publicada, têm uma bibliografia considerável, em quantidade e qualidade, têm livros com várias edições, apesar de não estarem, a maioria deles, aparecendo nas vitrines ocupadas pelas figurinhas carimbadas.
Nomes que começaram e ainda estão no Grupo Literário A ILHA, ou transitaram por ele, como Apolônia Gastaldi, Else Sant´Anna Brum, Enéas Athanázio, Joel Rogério Furtado, Maicon Tenfen, Eloí Elisabet Bocheco, Rosângela Borges, Urda Alice Klueger, Viegas Fernandes da Costa, Wilson Gelbcke, Harry Wiese, Selma Maria Franzoi, Aracely Braz, Maria de Fátima Barreto Michels e tantos outros.
São os escritores que se impõe por seu talento, dedicação e perseverança e vão se revelando pelo estado, conquistando respeito e reconhecimento pelo mérito de sua obra. (Pedidos também podem ser feitos ao e-mail lc.amorim@ig.com.br )

quinta-feira, 11 de junho de 2009

SAUDADE

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Não quis dizer solidão. É que o inverno chegou e uma saudadezinha escondida insiste em levantar a voz. Saudadezinha doída, vem me lembrar, atrevida, que amor a gente não esquece. Que cada carinho é um carinho, que cada ternura é só uma, que amor não morre jamais. E eu preciso de você. Porque gosto de você. Sei que já disse isso, mas eu gosto de você. Junto de você, gosto do frio que aconchega, gosto da chuva lá fora, a ninar nossos sonhos. E gosto do seu sorriso. Seu sorriso, minha musa, é minha casa, o meu mundo, o meu tudo. É minha luz, porto seguro, o meu horizonte, infinito. Seu sorriso é minha vida. Seu sorriso é boa vinda, é ternura do aconchego, é calor que me aquece. Seu sorriso é primavera que se espalha por seu rosto e sorri a sua boca e sorri o seu olhar e sorri seu coração e sorri a sua alma...Ah, o seu sorriso... é meu ponto de partida e meu ponto de chegada... Como vou fazer poesia, se o seu sorriso tão meigo é o verso mais bonito que jamais vou escrever? Minha poesia é você. Pra que então escrevê-la? Fiz-me poeta em você, poeta em seu amor... Vem comigo, minha musa, vem morar neste poema... Este poema, seus olhos, imenso poema de amor. Vejo nós dois espelhados, nos grandes lagos castanhos cristalinos, os seus olhos. Navegamos mansamente, nas serenas águas claras, cheias de luz e poesia. É nossa grande viagem, percorrendo os caminhos que nos levarão de encontro à descoberta de nós. Então vem, e afugenta a saudade vadia, que passeia insistente, pelo fundo dos meus olhos. Vem mandar embora essa saudade que brinca com a tristeza que transcende o meu olhar, tentando invadir meu coração para matar todas as flores que você desabrochou em mim...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

CORES DE INVERNO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Estamos quase no inverno, mas sempre que saio de casa, para ir ao banco, à academia, à aula de inglês, ao supermercado, ou simplesmente para caminhar, encontro no caminho, em algum jardim ou esquina, um pé de jacatirão. Eu já disse que é inverno? Pois é, e lá estão elas, pequenas e majestosas, às vezes nem tão pequenas, cobertas de flores de pétalas coloridas em tons que vão desde o branco até o vermelho.
Fico maravilhado com o fato de poder ver as flores de jacatirão em junho, julho, quando o frio do inverno não é propício a uma flor que eu reputava ser de um tempo mais quente. É a variedade de jardim, chamada de manacá-da-serra.
Eu estava acostumado a tê-las a partir de outubro, na primavera e no verão. No norte e nordeste de Santa Catarina – em Joinville, São Francisco, Corupá, Jaraguá, etc., as matas, as florestas, as encostas ficam tingidas de vermelho, num espetáculo grandioso, uma esfuziante festa de cores e luzes. É o jacatirão nativo.
E esta encantadora e inigualável performance da natureza começa em meados da primavera, indo até o auge do verão, enfeite natural de nossas árvores de Natal, a explosão de cores para festejar a chegada dos novos anos.
No carnaval, quando as flores estão acabando em Santa Catarina, recomeça o espetáculo no Paraná, São Paulo e pelo Brasil afora, beleza que pode ser vista por todos que passam pela BR 101.
Por volta de abril, perto da Páscoa, as flores de jacatirão florescem no interior de Santa Catarina, mais ao sul, e também no Rio Grande ao Sul. Por isso, esse jacatirão tem também o nome de Quaresmeira: em alguns estados – e eu não vou enumerar, pois são muitos – os jacatirões florescem na quaresma, substituindo o verde das matas pelas cores das pétalas de suas flores, em nossos outonos.
É uma flor de todas as estações e é uma árvore das mais belas, só se comparando à luminosidade de um ipê florido, quando todas as suas folhas desaparecem para dar lugar às flores amarelas.
A diferença é que esperamos a visão fantástica de um ipê faiscando luz amarela por um ano e só podemos ver este espetáculo por uma semana. Os pés de jacatirão, no entanto, florescem durante meses, são mais humildes, mas mais generosos, mais numerosos, mais freqüentes. Tão ou mais numerosos que a azaléia, que também floresce no inverno, em julho, fechando de flores vermelhas, brancas ou rosas suas touceiras. Até porque a azaléia é cultivada nos jardins, enquanto os jacatirões nascem e crescem livres pela natureza., apesar de existirem, em sua versão híbrida, em muitos canteiros, frente as nossas casas – aqueles que florescem nos tempos frios.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A CRIAÇÃO LITERÁRIA

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

A criação literária é um dom. Podemos aprimorar nossa escritura, estudando para dominar a língua, a correção no uso da palavra, ler muito e escrever sempre e assim podermos crescer e produzir uma literatura de qualidade. É claro que nem sempre conseguiremos construir obras primas, mas o dom que praticamos deverá nos levar a caminhar para isso, embora saibamos que não é fácil chegar lá. Só saberemos da qualidade da nossa obra quando ela chegar até o público e, para isso, há que se ter um livro publicado e, mais que isso, com uma boa distribuição. O público leitor é que vai sinalizar se nossa literatura é boa ou não.
O assunto me veio à baila, mais uma vez, quando uma poetisa amiga de Joinville me anunciou a publicação, enfim, do seu primeiro livro. Ela tem talento, sua poesia flui natural, com ritmo e essência. Mas não tinha um livro solo publicado. Agora ela me comunica que uma editora mineira está publicando o seu livro, embora esteja arcando com parte do custo dele.
Então o dom da criação não é suficiente para que possamos ser, verdadeiramente, escritores. É preciso que consigamos chegar até o leitor. Já se disse que escritor não é aquele que escreve, mas sim aquele que é lido. E para ser lido é preciso colocar nossa obra sob os olhos do leitor. E como o livro ainda é o suporte tradicional e insubstituível da criação literária, embora ainda se tente convencer uns e outros de que o meio digital o substituiria, precisamos da nossa obra impressa em papel para submetê-la ao público.
Em palestras por escolas e meios literários, já me perguntaram como é que nascem os textos, como é que aparecem as ideias, como é que se cria a obra literária. Respondia, invariavelmente, que as ideias para escrever um conto, um poema, uma crônica acontecem a qualquer hora, em qualquer lugar, pelos mais diferentes motivos. Alguma coisa que se vê, algo que a gente lembra, algo que se ouve. Pode ser qualquer coisa: um objeto, uma pessoa, uma situação, um cenário. Já me convenci de que devo ter sempre comigo uma caneta e papel, mesmo ao lado da cama, quando estou dormindo, pois temos de anotar as idéias na hora em que elas surgem. Não dá para deixar para depois, pois o que lembrarmos já não será mais a mesma coisa. É claro que a idéia, depois de anotada, precisa ser trabalhada e, às vezes, no final, o tema se desvia completamente. Ou o que sobra vai para o lixo.
Há, eu sei, aqueles escritores metódicos, que sentam à frente de um teclado, seja de computador ou máquina de escrever, num determinado horário, todos os dias e escrevem por determinado tempo. Se vai ser bom ou não o que escreverem é outra história. É um exercício de disciplina, um hábito, um trabalho diário.
Acredito que deva funcionar, para alguns deles, mas não para mim. Para quem tem uma coluna diária, por exemplo, ou quem escreve um romance, talvez precise se disciplinar dessa maneira. Eu tenho o compromisso de escrever uma crônica por dia, e procuro escrever mais que uma, quando a inspiração permite, mas há dias em que não é tão fácil.
Por falar em inspiração, é outra coisa que se pergunta muito a escritores. De onde vem a inspiração, o que nos leva a escrever. Como disse lá em cima, escrever é um dom. Se tivermos facilidade para escrever e se soubermos manejar o instrumento para isso, que é a palavra, tudo pode inspirar uma crônica, um conto, um poema, até um romance. Ah, mas deve haver alguma coisa que inspire mais do que as outras. Acho que pode haver, sim. Eu, particularmente, diria que é a natureza. Até porque só podemos escrever sobre o que conhecemos bem. E, talvez, sobre o que gostamos. O mais importante, mesmo, é o leitor gostar da maneira como escrevemos. E termos estilo. Aí, o tema flui, o conteúdo se define.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O LIVRO ILEGÍVEL

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Li recentemente “Sambaqui”, o mais recente romance de Urda Alice Klueger, livro que recomendo, e depois acabei de ler “1808”, livro do jornalista Laurentino Gomes, que tem o curioso subtítulo “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”. O livro é resultado de dez anos de pesquisa investigativa e resgata um pouco da história da corte portuguesa no Brasil, da verdadeira história, não aquilo que lemos nos livros didáticos, superficiais e vagos. Vale a pena ler o livro com suas 414 páginas, para saber como e porque a família real portuguesa fugiu para o Brasil e como foi o reinado de D. João VI, um rei gordo e comilão, ainda que bonachão, que tinha medo de tomar decisões, mas que se manteve no poder. E as transformações que o Brasil sofreu com a “invasão” dos portugueses, que culminaram com a nossa independência. É curioso, interessante e divertido. O autor conseguiu fazer com que uma narrativa histórica tomasse ares de romance, com um tom leve e agradável.
Antes de ler esses dois bons livros, já tinha começado a ler “Ulysses”, de James Joyce, mas como o livro havia se revelado hermético desde o início – eu havia conseguido ler as primeiras cento e cinqüenta páginas, com muito custo – resolvi me dar uma folga. Como prometi a mim mesmo que iria ler aquele livro até o fim, tentei retomar a leitura.
Tenho o livro há anos, mas como ele tem oitocentos e cinqüenta e duas páginas, só há pouco tempo resolvi lê-lo, porque afinal de contas, ele é um clássico. E me decepcionei. Já li outros tantos clássicos da literatura universal, como Germinal, de Zola, O Sol Também se Levanta, de Hemingway, As Vinhas da Ira, de Steinbeck, A Idade da Razão, de Sastre, A Peste, de Camus, O Precesso, de Kafka, e outros, mas nenhum foi tão difícil, tão ruim como Ulysses.
Depois de umas quantas páginas, ao perceber que não havia uma história, apenas um amontoado de trechos de conversas sem muito sentido e um emaranhado de descrições e narrativas enfadonhas feitas por narradores diferentes, sem linearidade, que mudam de repente e não se sabe quem está contando a história (história?), além de invenção de palavras, palavras valise, erros de composição, ausência de pontuação em muitos trechos, repetição à exaustão do termo “no que”, que poderia ser substituído por “então”, “ao mesmo tempo” e tantas outras expressões e muito uso de citações em línguas diferentes, resolvi pesquisar para saber o que diziam da obra.
Fiquei sabendo que o livro carrega, desde que foi publicado a primeira vez, a fama de não ter sido lido até o fim por ninguém. Antonio Houaiss tinha uma nova versão revisada da tradução de “Ulysses”, antes de morrer, sinal de que para ele fora muito difícil o trabalho de verter para o português um texto onde proliferam aglutinações de palavras (valises) e uso de outros idiomas, mais de vinte deles, além do inglês. Soube que há, ainda, outras traduções para o português, mas desconfio que parte da má qualidade do texto se deve às tentativas de verter tão complicado livro para a nossa língua. Como traduzir um texto tão grande, coalhado de palavras aglutinadas, outras inventadas, além de citações em outras línguas, sem cometer equívocos? Sem contar que o vocabulário era o do começo do século passado. Era uma obra diferente, difícil, sem qualquer possibilidade de prender o leitor, que revolucionou os meios literários da época justamente por quebrar todos os padrões literários então vigentes.
Fui ler a apresentação do romance no volume que tenho, publicado em 1983, para tentar descobrir porque ele é tido como um clássico literário. Lá encontrei que “A ação de “Ulysses” transcorre em Dublin num único dia, 16 de julho de 1904. A divisão ternária, em perfeita simetria, evoca as significações cabalísticas do três. Estudos de lingüística, com auxílio de computador, dão “Ulysses” como a obra de estrutura matematicamente mais perfeita de toda a literatura.” (Então por isso é um clássico? Como nós, leitores comuns, pobres mortais, poderíamos saber disso? E o que interessa isso para o leitor? Mas tem mais.)
“A linguagem utilizada por Joyce, que vai do poema à ópera, do sermão à farsa, contém não apenas termos usuais – da prosa clássica a mais grosseira gíria (de 1921?) – mas também elementos criados pelo escritor com base em seus conhecimentos de latim, grego, sânscrito e mais dezenas de outros idiomas.”
Apesar disso, acho mesmo que “Ulysses” é um clássico e continua sendo publicado porque Joyce pretendeu fazer um paralelo com a “Odisséia” de Homero, segundo consta da mesma apresentação, cuja parte transcrevi acima. As personagens centrais de ‘Ulysses” teriam correspondência com os protagonistas da epopéia grega.
Não pude comprovar isso, pois o texto é desinteressante, disperso, cansativo, o tipo da leitura que não desperta curiosidade nenhuma, não faz com que se tenha vontade de continuar lendo. A gente lê um parágrafo e quando começa o seguinte já esqueceu totalmente o que havia no anterior. O romance (?) não prende o leitor e estou fadado a não contrariar a fama do livro de não haver quem o tenha lido até o final. Tento ler mais, mas o progresso é lento e a esperança de que o texto melhore se revela vã. Serei mais um a engrossar as fileiras dos que não conseguiram terminar a leitura do calhamaço entupido de estilos e de pretensões diversos. Por falar nisso, o autor confessa que imita, neste livro, estilos de dezenas de grandes escritores da sua época e de antes dele.
Então leio mais algumas páginas e leio “O Caçador de Pipas”, “A Menina que Roubava Livros” e “Crime e Castigo” para compensar. Talvez ainda volte a ler mais algumas páginas de “Ulysses”. Nada me atrai para lá, mas quem sabe?

domingo, 7 de junho de 2009

A NOVA SISTEMÁTICA DE ALFABETIZAÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Dia destes, ao visitar meus sobrinhos, em Jaraguá do Sul, vi um deles fazendo a tarefa de casa. Ele pediu ajuda, pois parecia estar com enorme dificuldade, mas minha irmã me disse que não poderia ajudá-lo, pois isso fora proibido em reunião de pais e mestres.
Então fui ver o que ele estava fazendo. O garoto, de sete anos, estava com um livro de exercícios aberto lá pela página cento e setenta e tanto (ele está no segundo ano do primeiro grau) e tinha à frente dele várias sílabas para juntar e formar palavras.
Perguntei à mãe dele se, além do abc e das vogais ele já tinha aprendido as famílias das sílabas (tipo ba, be, bi, bo, bu). Ela me disse que não, que a sistemática de alfabetização havia mudado e aquela maneira antiga de ensinar a ler e escrever fora abolida.
Então me lembrei que realmente havia acontecido mudanças no sistema de ensino do primeiro grau, há alguns anos. Sabia que a idade de ingresso havia mudado de sete para seis anos, mas não sabia que a receita tradicional para ensinar a ler e escrever, que consistia em, primeiro, fazer a criança conhecer o abc e as vogais e, a partir disso, induzi-la a juntar consoantes e vogais, conhecendo assim as famílias de sílabas, para então começar a juntar as sílabas formando palavras, havia sido deixado de lado.
Segundo professoras com quem conversei, agora as crianças aprendem o abc e depois disso, aprendem a ler e escrever pela repetição, pela vizualização: copiar, copiar, copiar, mesmo não sabendo o que estão escrevendo. São jogadas letras e sílabas e a criança tem que formar palavras, mesmo estando longe de saber ler. O resultado é que as crianças, como bem vi, juntam, de fato, algumas sílabas. Só que elas não sabem o que escreveram e a maioria das sílabas juntadas não formam palavra nenhuma.
Aí fico pensando cá com meus botões: esta foi a mudança implantada no ensino de primeiro grau? Não é à toa que existe criança que já está no terceiro, quarto ano, e não sabe ler nem escrever. Que progresso é esse? Fazemos mudanças para piorar um método que funcionava?
Fiquei sabendo que até há professoras que acham que o novo sistema está dando certo, mas aquelas com quem eu falei me confessaram que o método antigo era muito mais prático e eficiente. Vai ver anteciparam a entrada da criança no primeiro grau para ter mais tempo de tentar fazer a criança aprender meio que no “vire-se”.
Há até professoras que se recusaram a mudar e estão ensinando da maneira tradicional, pois em time que está ganhando não se mexe.
Se fosse uma mudança inteligente, que favorecesse o aprendizado do aluno, tudo bem. Há mudanças que são salutares. Mas estão fazendo justamente o contrário.
Quem é que cuida da educação neste país?

sábado, 6 de junho de 2009

OS PEDÁGIOS EM SANTA CATARINA

A famigerada cobrança de pedágio iniciou aqui em Santa Catarina. São quatro praças de cobrança na BR 101, do trecho duplicado de Florianópolis até a divisa com o Paraná e mais três na BR 116. Três deles já funcionando, o de Palhoça, mesmo com a 101 Sul pela metade, começa a ser cobrado nas próximas semanas.
Vi as obras de recuperação sendo feitas na 101, antes e depois de sacramentado o pedágio. Grande parte duplicada da BR 101 foi entregue em ótimo estado, usando-se o dinheiro dos nossos impostos, para entregá-la zerinho à concessionária que então agora está cobrando de novo de nós. A algumas partes que precisam de reparo, ainda, estão sendo feitas com o cidadão pagando o pedágio, quer dizer: além de pagar o pedágio para passar em trechos que estão ruins, o cidadão ainda tem que enfrentar esperas na estrada.
Na verdade o pedágio é inconstitucional, pois todo cidadão tem o “direito fundamental de ir e vir”, como está nos “Direitos e Garantias Fundamentais”, da Constituição Federal de 1988, mais especificamente o inciso XV do artigo 5: “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens". O direito de ir e vir é cláusula pétrea na Constituição Federal, o que significa que não é possível violar esse direito. Todo brasileiro tem livre acesso em todo o território nacional. O que significa que o pedágio vai contra a constituição.
Além disso, o pedágio é taxa, espécie tributária, então não pode ser cobrado por particular (concessionárias), conforme artigo 7º do Código Tributário Nacional, que diz que “a competência tributária e indelegável”.
Sem contar o fato de as estradas pertencerem ao povo, pois são “de uso comum do povo”(artigo 99, do código Civil). O estado não pode dar, conceder, o que não tem.
E já pagamos, incluso no valor da gasolina, o imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) e parte dele é destinado às estradas, além do IPVA.
Precisamos cobrar dos detentores do poder, em quem votamos, ações contra tanta irregularidade.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

CADERNOS PEDAGÓGICOS

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Tive acesso, recentemente, aos “Cadernos Pedagógicos” da rede municipal de ensino de São José, publicados em 2008 pela Secretaria Municipal de Educação. É uma coleção de quinze volumes, alguns mais encorpados, dependendo do tema, outros menos, com uma média de cem páginas para cada um. Partindo da Proposta Curricular do município, os Cadernos Pedagógicos foram elaborados com a colaboração dos professores da Rede Municipal de Escolas de São José. Grupos de educadores contribuíram com sua experiência nas salas de aula para discutir as práticas na Educação Infantil, Anos Iniciais, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, abordando cada disciplina distintamente. Há um volume para cada tema: Português, Língua Estrangeira, História, Geografia, Matemática, Informática, Educação Física, Ciências, Filosofia, Artes. Há também um volume distinto para Educação Inclusiva, para Referência Pedagógicas para uma Abordam Multicultural, para Ensino Fundamental de Nove Anos, para Alfabetização e para Anos Iniciais.
Como se pode ver, é bem ampla a abrangência dos estudos realizados para proporcionar à Rede Municipal um documento que pode levar subsídios aos educadores no sentido de melhorar a qualidade do ensino público em São José.
Estudos valiosos, apresentando a experiência dos projetos realizados em sala de aula e os seus resultados, propondo a sua multiplicação. Como no caso do volume de Português, em que foi relatado.entre outros, um verdadeiro e completo trabalho de letramento, que resultou em projetos como “Encontro com a poesia”, que estudou poetas como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Henriqueta Lisboa, Olavo Bilac, Vinícius de Morais, Elias José, Thiago de Mello e outros.
Infelizmente, não vi, entre os nomes de autores dos textos usados, nenhum nome de escritor catarinense. Esse material deve estar indo para as escolas da rede municipal e vai servir de guia para aplicação das ações e projetos discutidas e então, provavelmente, pensar-se-á nos autores aqui da terra, que os temos às mancheias.
Então foi uma feliz constatação a descoberta destes Cadernos Pedagógicos, que me fazem lembrar da Proposta Curricular de Santa Catarina, a qual tive a pachorra de ler integralmente. Agora, comparando, vejo quão inferior é aquele proposta curricular do Estado. Um volume de menos de duzentas páginas, genérico, teórico, que fica menor ainda perto desses Cadernos Pedagógicos de São José. Que espero, sejam multiplicados pelo Estado.
Cadernos que devem chegar às mãos de todos os professores, para serem estudados em grupos, em horários apropriados, específicos e remunerados, para que possam ser a aplicados. (extraído do Jornal A Notícia)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

LIVROS, EQUÍVOCOS E LANÇAMENTO DO EDITAL DA LEI GRANDO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )


Tenho recebido e-mails e telefonemas de pessoas que têm lido o blog e estou feliz com a repercussão. Feliz e surpreso, pois não imaginava haver tanta gente ligada neste sítio. Vou transcrever o que uma amiga me enviou, pois ela revela outros gastos com livros que talvez não fossem os mais indicados para se comprar. Então, antes da compra milionária dos livros que foram recolhidos, já haviam sido feitas outras compras.
Essa Secretaria de Estado da Cultura parece ser especialista em comprar quantidades imensas de um mesmo livro – consequentemente de uma mesma editora. Por que será?
“Pois é, tanto São Paulo como SC, cometeram equívocos irreparáveis”, diz a minha amiga, “porque não lêem as obras antes de adquiri-las. Primeiro, se não lêem, não são leitores. Como teremos um Estado de leitores com dirigentes deste naipe? Só leitores fazem outros leitores. Gente que não lê não pode gerir a Educação.
Outra: Por que, tendo aqui no Estado cinco doutoras renomadas, altamente qualificadas, com notório saber, reconhecidas nacionalmente, estas não são chamadas para orientar os Projetos de Leitura da SE? Por que a Secretaria de Estado da Cultura não as chama, não as consulta? Os livros do Planeta Leitura, outro equívoco, são ruins, em sua maioria. (Minha amiga se refere ao projeto Planeta Leitura – Ziraldo e seus Amigos”, lançado há algum tempo pela Secretaria, que consistia na compra da coleção Ziraldo e seus Amigos, da Editora Melhoramentos, para alunos do primeiro grau da escola pública.)
Não entendo porque as pessoas qualificadas não são chamadas. Eliane Debus, Tânia Piacentini, Dirce Waltrick, Danúsia da Silva, Sueli Cagneti, estas especialistas deviam dar a consultoria para assuntos referentes à escolha de obras literárias. Elas têm que ser chamadas , caramba!!!!!
A Profa. Tânia Piacentini, inclusive, é votante da FNLIJ, a Instituição mais importante do país, no que diz respeito à indicação de obras apropriadas para crianças e jovens.
Gastaram uma fortuna com livros que serão escanteados sabe se lá para onde e, no entanto, essa gente não tem o tino de pagar por uma consultoria digna e segura, que evitaria um escândalo como este.”
Entendo perfeitamente a indignação, que não é só nossa. E já que estamos falando em livros comprados pelo Estado, aos milhares, transcrevemos a seguir o Edital da Cocali, que começa a cumprir, finalmente, a Lei Grando, ao selecionar dez obras para comprar 300 exemplares de cada por 50% do preço de capa:

Governo lança edital para aquisição de livros - 04/06/2009 – A Fundação Catarinense de Cultura (FCC) abre na segunda-feira, dia 8 de junho, o período de inscrições para o Edital de Aquisição de Livros – COCALI. Promovido pelo Governo do Estado, o edital vai selecionar e adquirir obras de autores catarinenses ou residentes há mais de dez anos em Santa Catarina. Serão selecionadas até dez obras, que terão 300 exemplares de suas tiragens compradas e distribuídas para bibliotecas públicas municipais. As inscrições são gratuitas, e estarão abertas entre 08 e 26 de junho. “A aquisição e a distribuição de livros são de grande importância para a difusão da literatura catarinense. Com esse edital, o Estado atua como um mediador entre nossos autores e a população, que muitas vezes tem pouco ou nenhum acesso aos bens literários”, afirma a presidente da FCC, Anita Pires. Os autores poderão inscrever mais de uma obra, mas somente serão aceitas inscrições de livros publicados entre 2004 e 2009. Também é necessária a apresentação de documento assinado pela editora autorizando o desconto de 50% no preço de capa para aquisição pela FCC, caso a obra seja selecionada no edital. As obras inscritas serão avaliadas e selecionadas pela Comissão Catarinense do Livro (COCALI), composta nove membros, representantes da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Fundação Catarinense de Cultura, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Academia Catarinense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, União Brasileira de Escritores / Santa Catarina, Câmara Catarinense do Livro, além de um renomado escritor. Os exemplares encaminhados para análise não serão devolvidos e, após a divulgação do parecer final da COCALI, passarão a integrar o acervo da Biblioteca Pública de Santa Catarina. A seleção deverá ser concluída no prazo máximo de trinta dias, a contar da data de término das inscrições. Os títulos das obras selecionadas e os nomes de seus autores serão divulgados no site da Fundação Catarinense de Cultura (http://www.fcc.sc.gov.br/), onde também está disponibilizado o edital completo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

SAIU O SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA DE JUNHO


Por Luiz Carlos Amorim (escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Está circulando e está no portal PROSA, POESIA & CIA, do Grupo Literário A ILHA, em Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia , a centésima nona edição da revista Suplemento Literário A ILHA, que marca o vigésimo nono aniversário do grupo e da publicação. São vinte e nove anos de divulgação da literatura catarinense e brasileira. Tanto o grupo como a revista, os mais perenes do gênero.
Para comemorar o aniversário, o lançamento do blog CRONICA DO DIA, a publicação da edição de junho do Suplemento Literário A ILHA e o lançamento do livro "FLECHA DOURADA", deste editor, a primeira incursão do mesmo pela literatura infantil, numa tiragem limitada das Edições A ILHA, na Feira Catarinense do Livro, em maio.
Nessa edição da revista, os leitores verão mais vezes o nome do editor assinando artigos, mas é que o cenário "cultural" do nosso Estado tem fervilhado (negativamente) e não dá pra deixar de registrar o que vem acontecendo. É o escândalo da compra de milhares de livros, ao valor de um milhão e meio de reais, pelo Estado, quando batalhamos por uma lei que deveria comprar apenas 300 exemplares de vinte e duas obras de escritores catarinenses a cada ano. Livros que estão sendo recolhidos, pois o conteúdo não é apropriado para os estudantes. Um milhão e meio de reais, dinheiro do contribuinte jogado fora.
Há ainda o convite da Câmara Riograndense do Livro, que elegeu Santa Catarina o Estado convidado da Feira do Livro de Porto Alegre deste ano, colocando à disposição de escritores e artistas catarinenses um estande gratuitamente. E nossos governantes nem ao menos se dignaram a responder. Telefonaram para lá aceitando, depois de passado o prazo, porque um escritor da terra denunciou num grande jornal. Mas ainda não repassaram o convite aos escritores ou à Câmara Catarinense do Livro.
Ainda nessa nova edição do Suplemento Literário A ILHA, assuntos como:
"Grupo A ILHA completa 29 anos de atividades",
"A Feira Catarinense do Livro em Florianópolis",
"O Menino de Porto Alegre", e crônicas de Mary Bastian, Enéas Athanázio, Maria de Fátima Barreto Michels, Célia Biscaia Veiga, Norma Bruno.
E ainda muita poesia, de poetas do Grupo Literário A ILHA, como Harry Wiese, Elsel Sant´Anna Brum, Cissa de Oliveira, Joel Rogério Furtado, Norma Bruno,Jurandir Schmidt, Aracely Braz e este blogueiro, de poetas de outros países, como Rosângela Borges, da Eslováquia, Teresinka Pereira, dos Estados Unidos, Nuno Rebocho, de Cabo Verde e Apolônia Gastaldi, de Portugal.
O Suplemento Literário A ILHA é, sem sombra de dúvida, a publicação literária mais perene do gênero em Santa Catarina. São vinte e nove anos de literatura.
Ao visitar o portal Prosa, Poesia & Cia, veja também a seção LITERARTE, com mais crônicas e mais poesia e muita informação literária e cultural, além das seções "Grandes Mestres da Poesia", "Livros on-line", "Literatura Infantil", "Escritores de Santa Catarina", 'Literatura para o Vestibular", "Entrevistas com Escritores", "Artigos sobre Literatura", e as antologias "Todos os Poetas", 'O Tema do Poema", "Feira de Contos", "Crônica da Semana", abertas à participação dos visitantes.
O Suplemento Literário A ILHA é, sem sombra de dúvida, a publicação literária mais perene do gênero em Santa Catarina e não conta com nenhuma ajuda “oficial”.

terça-feira, 2 de junho de 2009

OS LIVROS RECOLHIDOS E A DESCULPA DO ESTADO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com )


Sou obrigado a voltar ao assunto. Lembram do meu artigo sobre o escândalo dos 130.000 livros comprados pelo Estado, por um milhão e meio de reais e que depois foram recolhidos? Pois é, a história estava mal contada e continua sem explicações.
O Anexo de hoje, 2 de junho, traz uma matéria sobre a polêmica do recolhimento, pelo Estado, dos 130.000 livros que haviam sido comprados e distribuídos às escolas públicas de segundo grau.
Nessa mesma matéria, há a informação de que “a compra dos livros ocorreu por meio da lei que determina que o Estado adquira livros de autores da terra, selecionados pela Comissão Catarinense do Livro, para bibliotecas municipais catarinenses.”
Há que se esclarecer alguns pontos sobre essa afirmação. Primeiro, a lei Grando, que é a lei mencionada, não foi cumprida até agora, apesar de ter sido promulgada há quase vinte anos. Segundo, para comprar livros através dela é necessário que se publique o edital para seleção dos livros a serem comprados. E o edital ainda não saiu, está para ser publicado pela Fundação Catarinense de Cultura, por esses dias, segundo informação da Assessora de Imprensa da FCC,por e-mail. Terceiro, o edital é para aquisição de 300 (trezentos) exemplares de cada obra selecionada e não 130.000 (cento e trinta mil).
Como já perguntei em outro artigo, desde quando o Estado compra livro indicado para o Vestibular para cada um dos alunos do segundo-grau da escola pública catarinense?
De quem partiu a idéia de comprar essa quantidade imensa de exemplares de uma mesma obra, sem ao menos ler a obra para saber se era apropriada, provocando o recolhimento e transformando em pó um milhão e meio de reais, dinheiro tirado do imposto suado pago pelo cidadão catarinense? Quem autorizou esse gasto? E a tal licitação, que foi citada pela Secretaria de Estado da Cultura em todos os jornais, há alguns dias, dá a idéia de que havia pelo menos três editoras publicando e vendendo o livro, o que não é verdade. A editora é uma só.
Então toda essa história está muito mal contada. Usar a Lei Grando como desculpa não está colando.
Quem se habilita a contar a verdadeira história?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

FLORIPA: SEM COPA EM 2014

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Florianópolis não foi uma das capitais escolhidas para receber jogos da Copa de 2014. Surpresa? Não vejo nenhuma. A cidade não está preparada, está devagar demais com as obras de reestruturação, ficou esperando ser escolhida para então receber recursos e começar pra valer a trabalhar na infra-estrutura que precisa ter e assim recepcionar o grande evento e os turistas.
Quando dizem que a maior culpa da não participação de Florianópolis na Copa de 2014 é dos políticos, não é à toa. Na verdade, a cúpula política da cidade estava louca para receber os recursos para realizar grandes obras e poder colocá-las nos seus currículos. Obras que são necessárias à cidade, mas para eles o importante era assumir a realização.
Uma pesquisa feita por órgão de Brasília, divulgada há pouco tempo, revelava que Florianópolis é a capital que apresenta pior condição de mobilidade. E, para piorar ainda mais, o nosso prefeito e donos de empresas de ônibus (que é mais ou menos a mesma coisa) fizeram questão de não fazer nenhuma proposta decente nas tentativas de negociação dos trabalhadores do transporte público, obrigando-os a entrar em greve. Claro, o poder público e os patrões fazem de tudo para que haja greve, pois assim o povo culpa os trabalhadores e eles ficam de mártires, ficam “exaustos” de tentar negociar e lavam as mãos, porque já tentaram tudo. Aí a imagem da cidade ficou ainda pior.
Um dos fatores que pesou na não escolha da nossa capital foi justamente o trânsito e a falta de estrutura do transporte coletivo. Então nada de colocar a culpa na população, com a desculpa de que “não apoiaram a candidatura da cidade”. Nós, cidadãos, já pagamos os impostos que constituem os recursos para as obras que deveriam estar sendo feitas, independente da Copa.
Quando da visita da FIFA, para vistoria da cidade, havia muitos projetos, mas nada de concreto. Nem o aeroporto é apropriado. Será que pensaram que aquela ampliação meia-boca da sala de espera ia impressionar? E sem investidores para o novo estádio, quem garante que ele sairia em tempo hábil?
Os nossos “políticos” precisam aprender que não se ganha antes para se fazer depois. Quem dera aprendam. Porque por causa deles, quem perdeu foi a cidade.