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sexta-feira, 31 de julho de 2009

AINDA O ANIVERSÁRIO DE QUINTANA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

A Casa de Cultura Mario Quintana apresentou, ontem, dia do aniversário de Quintana, dentro da programação comemorativa dos 103 anos do nosso grande poeta, a peça “Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario Quintana”, monólogo em que a atriz Débora Finocchiaro funde a fala, o gesto, a poesia, as artes plásticas e a música, contanto, interpretando e cantando textos e poemas do escritor. Um espetáculo à altura da celebração do aniversário do poeta.
Hoje acontece o espetáculo “Clássicos em Destaque”, com a Camerata Jovem de Porto Alegre, grupo instrumental é formado por 30 jovens músicos, executando as músicas preferidas de Quintana.
No sábado, primeiro de agosto, será realizado na Travessa dos Cataventos, das 12 as 19 horas, o primeiro bazar cultural, pela Associação dos Amigos da Casa de Cultura Mario Quintana, quando serão vendidos objetos alusivos ao poeta. À tarde, das 13 as 18 horas, o público infantil participará da oficina de reciclagem “Recriando o Poeta”, da Oficina de Arte Sapato Florido.
O encerramento da programação ocorrerá no próximo domingo, a partir das 17horas, no Acervo Mario Quintana, com a interpretação do poema encenado “Família Desencontrada”, pelo grupo de teatro infantil Nariz Postiço. Antes do espetáculo de declamação, haverá uma palestra sobre a obra infanto-juvenil de Quintana.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

OS 103 ANOS DE QUINTANA EM PORTO ALEGRE

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
O centésimo terceiro aniversário de Quintana, que ocorre hoje, dia 30 de julho, está sendo comemorado desde ante-ontem, dia 28, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, e vai até o dia 2 de agosto.
O maior poeta aqui do sul merece essa homenagem, uma programação extensa para lembrá-lo e honrar a sua memória e a sua obra.
Na abertura da programação em comemoração aos 103 anos do poeta, a homenagem começou com o Debate Poético Sobre Quintana, na terça, no Teatro Bruno Kiefer, no sexto andar da Casa de Cultura Mario Quintana. Começou as 19 horas e desenvolveu discussão acerca da produção poética do poeta. Os debatedores foram Ana Maria Lisboa de Melo, coordenadora do programa de Pós-Graduação em Letras da PUC-RS e professora de Literatura Brasileira e Teoria Literária, Carpinejar e Rita L. Bittencourt, pesquisadora na área de Letras, com ênfase em Literatura Comparada, explorando a teoria da modernidade, poesia contemporânea e literatura. A condução do debate coube a Cláudia Mentz Martins, graduada em Letras.
Os jornais da capital gaúcha estão dando pouca cobertura aos eventos comemorativos do aniversário de Quintana, o que é uma pena, pois um debate sobre a obra do poeta passarinho deveria ser mais divulgada. Ele tem muitos e muitos leitores, aqui no Rio Grande do Sul e em todo o Brasil, e sempre é bom saber o que se está falando sobre a obra dele. Hoje o Correio do Povo lembrou a programação de aniversário, mas no Zero Hora, onde eu esperava uma ampla matéria, pois é um jornal que sempre reconheceu a grandeza do poeta, saiu alguma coisa apenas na página Almanaque.
Ontem, quarta-feira, aconteceu o “Quintanares e Melodias”,quando foram interpretados poemas de Rimbauld e Verlaine, poetas franceses que eram muito apreciados por Quintana. O recital contou com declamação dos atores Jairo Klein e João Lima. Foram interpretadas músicas francesas, também, pelo violonista Antonyo Ricardo e pelo acordeonista Samuel Costa.
Hoje, 30 de julho, a programação apresenta o ponto alto do evento, a peça teatral Sobre Anjos & Grilos - O Universo de Mario Quintana, um espetáculo no qual a atriz Deborah Finicchiaro apresenta poemas e trechos de entrevistas de Mario Quintana. A peça fala sobre amor, morte, guerra, destruição do meio ambiente e valorização da vida.
Espero poder estar presente para assistir o espetáculo. Em tempo: toda a programação é gratuita e acontece na Casa de Cultura Mario Quintana.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

FLORES E FRUTAS DE INVERNO


Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )


Que está frio aqui no sul não é novidade. Mas está ficando cada vez mais frio. Ainda bem que há dias lindos de sol, como hoje, quando tudo está muito colorido e brilhante e a gente pode se defender do frio indo para a rua.
Ontem chuviscou, deu muita cerração à noite e quase não dava pra dirigir, porque não se conseguia enxergar um palmo diante do nariz.
Então hoje saí para fotografar as cerejeiras japonesas, fantásticas, e os pessegueiros, que têm pouca flor mas também são belos e são perfumados. E além das cerejeiras, das azaléias, dos pessegueiros, dos manacás-da-serra – encontrei mais um, enorme árvore florida, que não foi prejudicada pela geada porque tinha outras árvores a sua volta -, dos amores perfeitos, funcionárias e outras flores, enchi os olhos com larangeiras carregadas, douradas de frutos maduros, pés de tangerina, de limão, de lima também vergados de tanto fruto.
Aí lembro de outra crônica do inverno passado, quando andei pelo interior de Corupá, no pé da Serra do Mar, no norte de Santa Catarina, colhendo laranjas, tangerinas, xinxins, limas, etc. Naquela ocasião, também as árvores estavam pejadas de frutos e parecia que um Midas havia passado por lá, transformando tudo em ouro, como bem cogitou minha amiga Urda.
Aqui em Nova Petrópolis e em todas as pequenas cidades da serra gaúcha, também encaixa a metáfora. É tanta laranja, tanta tangerina, tanto limão que parece mágica a profusão de amarelo espalhado pelas matas e pelos pomares, pelas encostas, uma quantidade tão grande de frutos, que por mais que a gente colha, não diminui ouro das árvores.
É uma fartura imensa, uma natureza generosa que, apesar do inverno inclemente, oferece frutos e flores como se fosse primavera.

terça-feira, 28 de julho de 2009

APHRODITE E AS CEREJEIRAS JAPONESAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Em uma outra crônica de inverno, comentei sobre os pessegueiros em flor, que embelezam e perfumam o inverno. Chegando à Serra Gaúcha no auge do inverno, não pude deixar de notar as cerejeiras japonesas, fechadas de flores, belíssimas, um espetáculo fenomenal.
Os pessegueiros também estão começando a florescer, mas não dá pra comparar com as cerejeiras japonesas, que ficam com os galhos todos cobertos de incontáveis flores, apenas flores, desaparecendo quase todas as folhas. São ilhas de cores faiscando luz, várias delas, que em Nova Petrópolis há muitas. Elas não dão frutos, não tem perfume como as flores de pessegueiro, mas estão plantadas em locais estratégicos, como praças e jardim, espalhando beleza e cor. Elas estão lá, o ano todo, preparando o cenário para esta época, quando a natureza explode em milhares de pétalas vermelhas, alaranjadas, cor-de-rosa... É um espetáculo só comparado à florada dos ipês e dos jacatirões. A diferença é que as baixíssimas temperaturas não prejudicam as flores das cerejeiras japonesas. Enquanto que o pé de jacatirão de inverno que meu sogro trouxe de Santa Catarina e plantou aqui no seu jardim, tem pétalas, botões e brotos queimados pelo frio intenso. Dá dó de ver, mas na verdade o manacá-da-serra, essa variedade de jacatirão de inverno, não deveria estar plantada aqui, porque ela não é desse clima, não resiste ao frio como a cerejeira, o amor-perfeito, a azaléia e outras flores.
E já que estamos falando de resistência a geadas, não posso deixar de mencionar um fato que me foge à compreensão. Na casa onde estou hospedado, há uma cadela grande, eu diria enorme, uma rotweiller chamada Aphrodite, de oito anos, que se ficar em duas patas, é maior que eu. Até aí, tudo bem. A raça é grande, ela está quase gordinha, mas o fato é que ela tem um canil onde fica bem protegida do frio, no entanto, nestes dias quando a temperatura, à noite, no começo da madrugada e de manhã tem ido a quase zero grau, nós a temos visto dormir ao relento, enrodilhada sobre o gramado.
Eu não consigo entender como ela sobrevive a temperaturas tão baixas, uma vez que o seu pelo é curto e ela nem está tão gorda assim. Na primeira noite que passei aqui, eu a vi lá fora dormindo e fiquei esperando amanhecer para ver se ela não estava morta. Não estava. No dia seguinte, mesma coisa.
Hoje, terceiro dia que estou aqui, são quase dez horas da noite, lá fora a temperatura já é menos de oito graus e acabei de vê-la deitada no gramado, com apenas parte de galhos de um pé de canela alguns metros acima da cabeça dela. Não sei quanto será a temperatura mais tarde, mas sei que amanhã de manhã ela estará lá, viva, para eu passar a mão na cabeça dela.
Se alguém souber explicar isso, por favor, esclareçam-me.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

QUINTANA & BRUNA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://.br.geocities.com/prosapoesiaecia )


Assisti a uma entrevista, no sábado, dia 25 de julho, com Bruna Lombardi. E ela me lembra meu poeta favorito, Mario Quintana. Ele era apaixonado por Bruna, os dois eram amigos, ela era a musa dele. Ela é até poetisa, também, como o poeta maior. E me lembrei porque estou aqui no Rio Grande do Sul: 30 de julho é o dia do aniversário de Quintana, quando ele completaria 103 anos. E como a Casa de Cultura Mario Quintana começa, no dia 28, uma programação muito interessante para comemorar o aniversário do poeta, eu pretendo estar presente e assistir a pelo menos uma das atrações, como declamação de poesia, teatro, debate, música, etc.
O frio está intenso aqui na serra gaúcha e em Porto Alegre também deve estar quase tanto quanto aqui.
Fico pensando se Bruna não viria a Porto, para se juntar às homenagens ao poeta menino. Seria bom encontrá-la na capital gaúcha e conversar com ela sobre Quintana. Daria uma ótima entrevista para a nossa revista Mirandum, que eu e a Fátima de Laguna publicamos e que vai para a quinta edição. A revista é uma publicação da Confraria de Quintana, que fundamos para reunir os admiradores do nosso grande poeta.
Não é provável que ela venha, mas seria muito bom.
Parabéns a Casa de Cultura Mario Quintana pela iniciativa, pois esta data não pode deixar de ser comemorada. Afinal, é o aniversário do nosso grande poeta.

domingo, 26 de julho de 2009

OS PEDÁGIOS DA BR 116 NO RIO GRANDE DO SUL

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )


Ontem, saí de Florianópolis com destino a Nova Petrópolis, na serra gaúcha, mas sem passar pela BR 101. Nem tanto pelo fato de não estar pronta a duplicação da parte sul da 101, mas porque gosto mais de passar por Lages, pegando a 282 até Lages e pegando então a BR 116 . Gosto do caminho, passando por cidades, campos e planaltos, muito verde e muita natureza. As rodovias não são duplicadas, mas a gente não tem pressa mesmo, então é muito agradável.
O que não é agradável é pagarmos quatro pedágios de Vacaria até a saída de Caxias do Sul. O valor do pedágio já é um assalto, considerando que a rodovia não é uma pista lisa e bem acabada, pelo contrário: há grandes trechos que parecem uma tábua de lavar roupa e em outros há muitos remendos. Nas partes mais perigosas e sinuosas, não há acostamento. E o preço do pedágio é R$ 6,00 (seis reais). São quatro vezes seis reais. Por esse preço, deveríamos transitar por uma estrada nova ou renovada.
De cara, em Vacaria, há dois pedágios: uma na entrada da cidade e outro na saída, com intervalo de cerca de vinte quilômetros. É possível uma coisa dessas?
E isso há pelo menos quinze anos, que é o tempo que a gente vem passando por esse trecho da 116. Sem que ninguém faça nada para mudar essa situação absurda.
A estrada é boa? Não é ótima, é média, quase razoável. Mas pelo que se paga de pedágio, deveria ser excelente. Está na hora de fiscalizarem essas concessões, de a União ou o Estado do Rio Grande do Sul verificar onde vai todo o dinheiro arrecadado, que não é pouco, absolutamente, e com o qual deveríamos ter uma estrada de qualidade internacional.
Na Br 101, em Santa Catarina, os pedágios já estão funcionando, quatro deles, de Garuva até Palhoça, e o preço de cada um é R$ 1,10 (um real e dez centavos). Vai aumentar? É provável, mas a estrada até Palhoça está em estado razoável, sendo melhorada, a não ser o trecho de Palhoça em direção ao sul, que não está com a duplicação concluída. E já é caro demais, considerando que estão cobrando da parte sul da 101 que ainda está em obras.
Então, senhores políticos, autoridades gaúchas, há que se fazer alguma coisa, tomar providências para que o pedágio caríssimo que a gente paga valha a pena ou, pelo menos, baixem o preço cobrado para um valor condizente. Que seria muito, muito abaixo do que é cobrado.

sábado, 25 de julho de 2009

DE INVERNO E DE PESSEGUEIROS EM FLOR

Por Luiz Carlos Amorim (HTTP://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Em uma das minhas crônicas, falei da minha amiga árvore, que florescia no inverno, majestosamente, a uma quadra do meu apartamento, na grande Florianópolis. Pois é. Já haviam construído um sobrado no meio do caminho (entre a minha janela e ela) e eu conseguia ver apenas a sua copada florida, não dava mais para vê-la de corpo inteiro.
Na estação de floração seguinte começaram a erguer mais um andar no sobrado construído bem na direção da minha amiga árvore da qual não sei o nome. Dali para a frente, não poderia mais ver, da janela do meu apartamento, a minha amiga árvore feliz, a balançar seus galhos coloridos como se estivesse acenando para mim.
Mas não faz mal. Eu ia mesmo vender meu apartamento e, nos próximos invernos, iria visitá-la. Quedar-me-ia ao pé dela e a admiraria, conversaríamos e agradecer-lhe-ia, mais uma vez, por existir, por oferecer sua beleza incomensurável sem pedir nada em troca.
Continuaríamos amigos e, mesmo estando longe dela, estaria feliz, por ter voltado a viver em uma casa, como vivi a maior parte da minha vida.
Eu nunca havia morado em apartamento, mas mudei de cidade por circunstâncias alheias a minha vontade, que agora até agradeço, e tive que viver num deles. Mas uma casa é mais lar, pelo menos para mim.
Morei em várias casas, desde criança. Lembro-me de que na segunda casa na qual moramos, em Corupá, havia um quintal grande com muitas árvores. Eu era quase adolescente e podia subir nelas para colher os frutos de jabuticabeiras, laranjeiras, cerejeiras, pessegueiros, goiabeiras. Colhia também tangerinas, nozes e até uma frutinha de nome diferente, a grumixama, parecida com uma goiaba, mas do tamanho de uma jabuticaba ou de um araçá e de cor bem escura, quase preta. E saborosa, muito doce.
Tenho saudade daquela infância farta de natureza, das cores e dos perfumes das flores das laranjeiras e dos pessegueiros.
No inverno, além das touceiras vermelhas de azaléias, tínhamos a beleza singela e perfumada dos pessegueiros. As folhas sumiam das árvores que mais tarde penderiam com pêssegos deliciosos e seus galhos e troncos ficavam cobertos de flores brancas oscilando para tons de rosa. E o perfume enchia o ar.
Hoje, vejo poucos pessegueiros. A cidade quase não os têm. Gosto voltar a Corupá, e ver a beleza da florada do pessegueiro e sentir o perfume delicioso que se espalha mansamente pelo ar. Para matar a saudade e encher os olhos dessa beleza que a natureza renova a cada inverno.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O ANIVERSÁRIO DE QUINTANA


Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapesiaecia )

Quintana faz aniversário neste 30 de julho e completaria, se vivo fosse, 103 anos. Mas ele não continua vivo, na sua prosa e na sua poesia, obra imortal que o conservará para sempre em nossos corações, em nossa memória?
Então há que se comemorar, como deixar passar em branco o aniversário do grande poeta? A Casa de Cultura Mario Quintana homenageia seu patrono, com uma programação que honra a memória de um dos maiores poetas deste país, o poeta que deu mais sensibilidade à poesia brasileira, deu mais consistência, mais ritmo, mais inteligência e leveza, renovando e popularizando um gênero literário até pouco tempo considerado elitista e maldito.
Palestras, espetáculos musicais e teatrais, declamação de poemas e até oficina infantil fazem parte do programa: Debate Poético sobre Quintana, Quintanares e Melodias – interpretação de poemas, “Sobre Anjos & Grilos - O Universo de Mario Quintana” – peça de teatro com poemas e trechos de entrevistas feitas com o poeta, Clássicos em Destaque, com a Camerata Jovem de Porto Alegre, que apresenta as músicas preferidas do poeta, Recriando o Poeta – oficina infantil e Família Desencontrada, poema de Quintana que será encenado após um breve comentário sobre a obra infanto-juvenil do grande escritor.
Fico com inveja do público de Porto Alegre e região, que pode usufruir dessa homenagem tão rica ao nosso eterno menino Quintana. Com tanta inveja que acho que vou a Porto Alegre me juntar a essa comemoração dos 103 anos de Quintana, assistindo pelo menos uma das atrações.
Passou a Feira do Livro de Jaraguá, acabou o Festival de Dança e eu me mudo do norte catarinense para o Rio Grande do Sul, para matar um pouquinho das saudades de Quintana.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

TRILHEIROS E CACHOEIRAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – lc.amorim@ig.com.br )


Nesta época do ano, no norte da nossa Santa e bela Catarina, sempre há muita coisa acontecendo. Fui ver o Festival de Dança em Joinville, participei da Feira do Livro de Jaraguá do Sul e estive em Corupá , onde estava acontecendo o sexto encontro do Clube de Trilheiros Bananalama. Corupá é a cidadezinha ao pé da Serra do Mar que tem mais de sessenta cachoeiras. Só na Rota das Cachoeiras, localizada no Parque Emilio Battistela, são quatorze delas. Então, não é por ser a minha cidade natal, mas “a natureza tem queda por Corupá”.
E é lá que acontece o maior encontro de trilheiros, reconhecido, inclusive pelo Guiness.
Desta vez foram quase duas mil e quinhentas motos e milhares de visitantes para ver a saída e a chegada dos trilheiros, os shows que foram apresentados no complexo de eventos localizado no outro cartão postal da cidade, o Seminário Sagrado Coração de Jesus e outras atrações que se distribuíram por todo o final de semana.
O evento e o clube de trilheiros foram batizados com o nome de Bananalama porque a principal cultura, o principal produto da cidade de Corupá é a banana, se não contarmos a vocação turística. Juntou-se “lama”, que é o que todo trilheiro gosta e deu o nome dessa festa que tem feito tanto sucesso nos últimos anos.
Único senão, novamente, coisa que já tinha percebido no ano passado, é que os administradores da cidade não aproveitaram o evento para divulgar o grande potencial turístico da cidade, qual seja as dezenas de cachoeiras espalhadas por todo o município, um apelo ecológico de beleza e de valor incomensuráveis.
Com milhares de visitantes circulando pela cidade, bem que podiam ser distribuídos folders divulgando as cachoeiras, poderiam ser colocados alguns out-doors em pontos estratégicos para que todos pudessem tomar conhecimento da diversidade de belezas naturais do lugar.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

ESCRITORES DA TERRA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

A Feira do Livro de Jaraguá está crescendo a cada edição, principalmente do que diz respeito à presença de grandes nomes da literatura. O número de visitantes também tem aumentado e para a próxima edição pretende-se trazer mais nomes consagrados e prevê-se o aumento de expositores, de lançamentos de livros e de público, também.
A quarta edição da feira não tem, ainda, local fixado, pois a Praça Ângelo Piazera, onde ela vinha sendo realizada, vai passar por reformas e os realizadores cogitaram a praça em frente do Museu Emilio Silva, conforme Renato Schroeder, gerente da feira, em declaração à imprensa. Mas em conversa com ele, no sábado, descartou aquele espaço, que poderia, na verdade, ser uma ótima idéia, pois fica num lugar com muito fluxo de pessoas, numa das principais avenidas e perto do terminal de transporte urbano.
E já que falamos de fluxo, o meu horário de lançamento na feira, juntamente com outros dois escritores da terra, Sônia Pillon e Gil Salomon, era 15 horas da tarde de sábado. Fomos muito bem recebidos lá, o gerente do evento nos encaminhou para mesas que já estavam preparadas para nós no meio do auditório da feira e colocamos em exposição as nossas obras. Começamos uma animada conversa, sobre literatura, é claro. Só que estávamos em um lugar onde os visitantes não passavam, pois o auditório ficava numa tenda contígua a que abrigava os estandes de editoras e livreiros e nós e nossos livros nem sequer eram vistos por quem estava passeando pela feira. Então estávamos só nós e, embora o papo estivesse muito bom, sentimos falta dos leitores.
Falamos com os organizadores e eles nos aproximaram um pouco mais, pelo menos, da porta que separava a tenda do auditório da feira propriamente dita, o que possibilitou que algum leitor pudesse nos ver e se aproximar.
Como vai haver mais estandes, na próxima feira, quem sabe poderá haver um espaço para os escritores no meio da feira.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

GENTE DA TERRA DA GENTE

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Participei da Feira do Livro de Jaraguá quase no final, não pude estar lá quando da presença de grandes nomes da nossa literatura como Luiz Fernando Veríssimo, mas em compensação, conheci gente boa que estava autografando obra na mesma tarde que eu.
Escritores da terra de quem eu já lera textos em jornais, mas não conhecia pessoalmente. Foi muito prazeroso conhecê-los e saber das suas realizações.
A Sônia Pillon é jornalista, além de escritora, e o seu primeiro livro solo, “Crônicas de Maria e outras tantas”, de crônicas, é apenas o primeiro, pois ela é dinâmica, irrequieta, sempre com mil projetos na cabeça e o fato de ter seu livro selecionado pelo Edital de Apoio à Cultura de Jaraguá do Sul só vem confirmar o seu dom de escritora. O caminho está aberto.
Para Sônia já estava, mas para outros escritores da cidade o edital, que teve a sua primeira edição este ano, abre portas que até então não existiam. Está de parabéns a cidade de Jaraguá do Sul, por adotar, como outras grandes cidades, o edital de apoio à cultura para valorizar os seus talentos.
Outra figura interessantíssima que conheci, eu diria multimídia, foi Gil Solomon, escritor, músico, compositor, professor, etc., etc., etc. Como escritor, ele tem livros de crônicas e poemas que evidenciam um autor experiente e com estilo definido. Estou lendo “Rota de Fuga”, crônicas, “Catarse”, poemas e “Impossíveis amores possíveis”, poemas. Mas Gil, além de escrever, ministra uma oficina literária de criação, para novos poetas exercitarem a arte da poesia. Na continuação, há uma fase de integração com a música, uma ”fusão lítero-musical”, como ele mesmo diz, e alguns poemas criados na oficina podem ser musicados. E mais adiante, fazendo parte do pacote, no show do músico, “Catarse”, que apresenta composições onde as letras são versos dele, algum daqueles poemas musicados na oficina podem ser também apresentados. Não é original?

domingo, 19 de julho de 2009

MÚSICA PARA SENTIR

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

É bom viver em um lugar que me proporciona assistir bons espetáculos de teatro, mostras e festivais de dança, consertos de orquestras sinfônicas e cameratas. Compareci a mais um concerto da Camerata de Florianópolis, recentemente, quando ela executou a Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorák e Concerto para Piano e Orquestra Nº 2 em Dó Menor, de Rachmaninoff. O CIC ficou lotado para apreciar a boa música. Confesso que eu gostei mais de Dvorak, de quem já ouvira partes dessa peça.
Assim que o concerto iniciou, que a música começou a entrar pelos meus ouvidos e invadir todos os meus sentidos, a minha alma, pensei que deveria ter lápis e papel comigo, ali, naquele exato momento, para anotar todas as sensações e emoções que senti. Ia ser difícil assistir, ouvir a orquestra e anotar, mas lamentei não poder registrar cada momento.
Em cada crescendo da música, alguma coisa se avolumava no meu peito e espalhava em ondas de energia por todos os meus órgãos, pelas minhas entranhas, até a extremidade da minha pele. Meu coração parecia querer dançar na cadência da Sinfonia do Novo Mundo. O calor que eu sentia nas palmas das mãos começou a se espalhar, também, e a cadência da música, aquela energia da qual falei acima parecia querer causar erupções por toda a pele. Já sentira isso muitas outras vezes, em outros concertos, e quisera não perder nenhum detalhe daquele vórtice vertiginoso que me fazia quase flutuar acima do meu corpo, no enlevo daquela obra-prima. Minha alma flutuava no ritmo da música.
Agora tento recriar aquelas sensações, até coloco para rodar um CD com aquela sinfonia, mas não é a mesma coisa, não é como estar ouvindo a orquestra ao vivo. Aquele sentimento é muito forte, é fascinação, é prazer, é ter consciência da arte no seu grau mais elevado. A música clássica pode provocar esse turbilhão de sensações que só sentindo para entender bem.

sábado, 18 de julho de 2009

O CURSO DE LETRAS E A LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Coisa rara nos últimos tempos, tive agradável surpresa ao ler os jornais de ontem. Num deles, encontrei o artigo “Literatura Catarinense”, que me atraiu e li com interesse e prazer. O artigo fala da belíssima decisão da Comissão de Implantação da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), de tornar obrigatória a disciplina de Literatura Catarinense para os estudantes do curso de Letras da nova instituição.
É alvissareiro que seja assim, que uma nova universidade pense, logo de início, na prata da casa, isto é, em estudar os autores da terra, os escritores catarinenses. Coisa que a UFSC deixou de fazer, pois aboliu a Literatura Catarinense do seu currículo, há alguns anos.
É de se festejar uma notícia como esta, pois talvez outras universidades sigam o exemplo e voltem a contemplar a disciplina de Literatura Catarinense, acabando com uma situação lamentável, qual seja a de possibilitar a graduação em Letras sem que se conheça o que se está produzindo ou o que se produziu no Estado, sem que se saiba que temos autores e obras importantes que representam a nossa cultura.
Já estava na hora de alguém tomar a iniciativa e esta nova universidade que está sendo implantada no oeste catarinense dá a tacada inicial para que se reconheça e valorize a literatura produzida em Santa Catarina, que tem vários escritores de renome nacional.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

QUINTANA, VERÍSSIMO E O ANALFABETO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Eu estou indo para Jaraguá do Sul neste final de semana, para participar da Feira do Livro de lá, fazendo o lançamento de dois livros meus, “A Nova Literatura” e “Flecha Dourada”. Uma pena que eu não tenha podido ir antes, para assistir à palestra de Luiz Fernando Veríssimo, um dos mais populares escritores brasileiros. Não o conheço ainda pessoalmente e gostaria imenso de ter estado lá para conversar com ele.
Um privilégio enorme os leitores de Jaraguá poderem contar com a presença de tão importante figura da literatura brasileira. Parabéns à Feira do Livro que trouxe o escritor para a cidade dando a oportunidade para quantos jaraguaenses quisessem conhecê-lo.
Na entrevista que ele deu ao jornal A Notícia, ele cita Mario Quintana, quando falava da importância da leitura. “O Mario Quintana costumava dizer que o pior analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê.” E quanta verdade há nisso! Ainda há pessoas, neste nosso imenso Brasil que não sabem ler, mas há muita gente que sabe ler e no entanto não lê nada. Por diversos motivos, alguns até justos, mas o preço do livro, um objeto ainda muito caro, não é a melhor desculpa, pois existem os sebos, que vendem livros por preços razoáveis e também as bibiotecas, que emprestam gratuitamente.
Então Mário e Veríssimo têm toda razão, quem tem o poder da leitura e não usa é pior do que o analfabeto, que não lê porque não pode.
Grande Quintana, sempre ele. Sábio Quintana.

terça-feira, 14 de julho de 2009

IRREGULARIDADES E JUSTIÇA MEIA-BOCA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

É impressionante como no Brasil quem rouba mais e consequentemente tem mais para comprar pessoas e a justiça, grande justiça brasileira, acaba saindo incólume de tudo o que apronta. Sei que “roubar” é uma palavra pesada, mas não é o que acontece? Exemplo disso, bem atual, é José Sarney, de quem todo dia são denunciadas novas “irregularidades”, como nepotismo e desvio da Petrobrás pela Fundação que leva o nome dele. E ele continua lá, lépido e fagueiro, contando, inclusive com o apoio do nosso presidente. Um ou outro senador, com medo de ser envolvido, acha que ele deve se afastar. Mas também tem rabo preso, então a gente já sabe como tudo vai acabar.
Que raio de Senado brasileiro é esse, que há pouco tempo atrás teve outro presidente daquela casa afastado, por um sem número de “irregularidades”? Que governo brasileiro é esse que passa a mão na cabeça de tipos como esse, como se fossem pobres vítimas, trocando essa “proteção” por favores mais adiante?
Até a justiça neste nosso Brasil é meia-boca. Exemplo disso é o marajá do castelo, que foi absolvido, e por aí afora existem outros casos, não vou enumerar para não ficar ainda mais indignado. Indignado como todo o povo brasileiro, diga-se de passagem.
Os nossos “representantes”, os “políticos” que colocamos no poder para defenderem nossos interesses, para nos defenderem quando preciso, são os primeiros a nos trair, gastando aos borbotões o dinheiro público, o dinheiro do povo brasileiro, povo que paga a maior quantidade de impostos.
As maracutaias são descobertas, denunciadas, mas por mais que se faça carnaval em cima disso, muito raramente alguém é penalizado. Como o ex-presidente Collor, que foi deposto, mas continuou vivendo como marajá, pois mesmo não estando no cargo, continuava recebendo seus altos salários dos cofres públicos.
Que belo exemplo para a sociedade, não? Dinheiro para a educação, para a saúde, etc., não existe. Mas para pagar altas despesas, muitas vezes pessoais de políticos e seus enormes grupos de colaboradores, aí sim, pra isso tem.
Eleitores brasileiros, atentem. Precisamos aprender a votar, para não colocar de novo no poder figuras “honestas e corretas” como estas que estão aí.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

CANCELAMENTO DE PRÊMIO E LIVROS REDISTRIBUÍDOS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Tenho escrito sobre prêmios literários, ultimamente e volto ao assunto porque aconteceu uma coisa que me chamou a atenção, nesta semana que passou. Os jurados do concurso Cruz e Sousa, aqui da nossa bela e Santa Catarina, que pelo menos nesta iniciativa está empregando bem os nosso rico dinheirinho dos impostos, dando oportunidade a novos escritores da terrinha de chegar até o público leitor, cancelou o prêmio dado ao terceiro lugar da categoria nacional, porque o autor havia publicado partes do obra na internet antes de sair o resultado. Acho justo. Se é para a obra ser rigorosamente inédita, uma vez concorrendo, precisamos cuidar e atentar para concorrer sem problemas. De maneira que não há mais terceiro lugar.
E mudando um pouco, lá vou eu bater na mesma tecla já batida tantas vezes. O livro do Cristóvão Tezza, do qual foram comprados milhares de exemplares, pelo governo do Estado “para distribuir aos alunos do segundo grau” (que boazinha, essa Secretaria de Estado da Cultura) das escolas públicas catarinenses, tinham sido recolhidos, pois descobriu-se, depois de feita a compra e distribuídos, que continha linguagem imprópria para aquela faixa de idade, lembram-se?
Pois li notícia, nos jornais, no último final de semana, divulgando que os referidos livros foram redistribuídos às bibliotecas municipais de todo o Estado. Acho ótimo que o livro tenha ido reforçar o acervo das nossas bibliotecas. Mas cento e trinta mil exemplares para duzentos e algumas bibliotecas? Não vai entupir algumas delas com tantos exemplares de um mesmo livro? Cá pra nós, acho que cerca de seiscentos exemplares de um mesmo livro para uma biblioteca, principalmente para uma biblioteca pequena, de uma pequena cidade catarinense, é um pouco de exagero. Se fossem seiscentos livros distintos, diferentes um do outro, tudo bem, seria um enriquecimento notável para qualquer biblioteca.
Mas enfim... É o dinheiro do contribuinte, mesmo, para que comprar seiscentas obras distintas para diversificar o acervo de todas as bibliotecas municipais, se podiam comprar exemplares do mesmo livro e beneficiar uma mesma editora, apenas um autor, e sei lá mais quem?
E viva a cultura “oficial”. Enquanto isso, o Edital da Fundação Catarinense de Cultura abriu (e fechou) no mês passado para a seleção de 10 (dez) obras para distribuição às bibliotecas municipais de Santa Catarina. Mas serão comprados apenas 300 (trezentos) exemplares de cada obra selecionada, pela metade do preço de capa. Quer dizer: um exemplar, apenas, de cada livro, para cada biblioteca.
Nenhuma diferença perceptível, não é mesmo?

domingo, 12 de julho de 2009

CONCURSO, TALENTO E FRONTEIRAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Falei recentemente dos concursos literários como oportunidade para os novos, falei do regionalismo que restringe a disseminação da literatura, falei das publicações literárias que já não existem mais como em outros tempos – poderíamos até colocar a culpa na internet, mas que meio de divulgação mais democrático e barato existe do que ela?
Eu estava pra voltar a falar de concursos, na verdade do Prêmio Cruz e Sousa, mais especificamente dos novos talentos literários aqui da terra que foram descobertos por ele.
Então, coincidência ou não, recebo e-mail de uma leitora do meu blog Crônica do Dia, a Thamires, em que ela me manda notícias do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, que entregou, no dia 8 de julho, R$ 212.000,00 a quatro escritores brasileiros. Luiz Fernando Veríssimo, gaúcho, foi premiado pelo conjunto da obra. Na categoria Ficção, um mineiro foi o vencedor com um romance e na categoria Poesia quem ganhou foi um cearense. O quarto prêmio é o da categoria “Jovem Escritor Mineiro”, que financia a produção de uma obra, ou seja: o escritor recebe um “salário” durante seis meses para dedicação exclusiva ao trabalho de escrever seu livro.
Como já escrevi em outra crônica, grandes concursos como estes possibilitam a leitura e avaliação das obras por pessoas do meio, habilitadas para isso, trazendo à tona bons autores, que sem essa oportunidade ficariam no anonimato, com a obra engavetada.
O Prêmio Cruz e Souza, aqui em Santa Catarina, acabou de premiar seis escritores, desta vez autores de romances. O concurso tem duas categorias, nacional e estadual e três autores catarinenses terão seus livros publicados, além de receber prêmio em dinheiro. Um já era conhecido, mas outros dois são revelados com a concorrência no Cruz e Sousa, emergindo pelo seu talento.
Numa época em que é tão difícil um escritor conseguir editora que publique seu primeiro livro, o concurso é, talvez, a melhor maneira para conseguir reconhecimento e consequente publicação, se tiver valor, é claro.
Os jurados do Prêmio Cruz e Sousa indicaram para publicação, isto é, acharam que têm qualidade para irem à publico, dezenas de romances que concorreram, quase metade deles de Santa Catarina. Isso significa meio caminho andado para os autores, pois já têm avaliação positiva das suas obras e podem entregar às editoras os seus romances com aval de autoridades do ramo.
E assim acontece a renovação da literatura catarinense, a renovação da literatura brasileira. O Prêmio Cruz e Sousa, assim como Prêmio Governo de Minas Gerais, o Prêmio Cidade de Manaus e alguns outros, possibilitam, por pouco que seja, a projeção das obras além do Estado onde foram produzidas, além do regionalismo a que elas poderiam se restringir. E mais do que o prêmio em dinheiro, este é o maior prêmio que o novo autor pode desejar.

sábado, 11 de julho de 2009

MÚSICA, UMA MÁQUINA DO TEMPO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

As homenagens aos cinqüenta anos de carreira do cantor Roberto Carlos têm feito com que muita música da Jovem Guarda toque de novo na TV, no radio, na Internet e nos nossos aparelhinhos de MP3, MP4, etc. Eu tenho muita música antiga no meu MP3, no notebook, no desktop, já fiz muita seleção de músicas dos anos 60, 70, 80 em CD e música clássica, também.
Mas não tenho ouvido muito. Descubro, vendo mais um programa sobre Roberto Carlos, com ele, com covers dele e mais gente da Jovem Guarda, que me dá uma angústia no coração, uma inquietação, quase uma sufocação e eu penso, até, que devo chamar isso de saudade.
É impressionante como a música tem o poder de reviver acontecimentos passados, felizes ou não, com tanta clareza, com tanta fidelidade, que até dói a alma por nos vermos impotentes na tarefa de revivê-los ou esquecê-los para sempre . O tempo passa e não é possível voltar atrás, mas a música traz as sensações de tempos idos e a melancolia, a sensação de perda é inevitável. Eu diria que a música é potente máquina do tempo, é o punhado de memória que é capaz de transportar a gente para épocas passadas e faz a gente constatar que não é possível viver de novo o que se foi.
Queiramos ou não, ao ouvirmos determinadas músicas a gente sente cheiros de tempos que ficaram bem pra trás, sente emoções que foram sentidas há muito, sente sabores e até sentimentos a música traz de volta.
A música transporta a gente para o passado, mas sabemos que é só uma olhadela de soslaio em alguma coisa que vivemos e que não podemos reproduzir aquilo que ela nos deixou rever, por mais que queiramos.
Acaba uma canção, começa outra e o coração vai se avolumando, ameaçando ficar pequeno com tantas lembranças que vão se sucedendo, inflando-o cada vez mais. Então é preciso voltar ao presente, viver o presente e ouvir a música deste tempo presente, para gravar a trilha sonora do agora, que será memória mais tarde.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

NOSSO ANIVERSÁRIO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Minha amiga Urda pergunta, numa crônica do seu livro de Natal, se o leitor lembra das Lojas Hermes Macedo. Eu respondi a ela, numa de minhas crônicas, que sim, que eu lembrava, porque conhecera minha esposa através delas. Que isso dava uma crônica.
Pois aqui está ela. Hoje fazemos aniversário, completamos vinte e sete anos de casados.
Eu a conheci há quase trinta anos, logo que comecei a trabalhar no Banco do Brasil. Trabalhava em São Francisco do Sul, no setor rural, que financiava a agricultura da região, então atendia os agricultores e fazia seus cadastros para a obtenção de empréstimos. Muitos deles compravam máquinas agrícolas na Hermes Macedo e por isso o setor da loja que aprovava as vendas contatava conosco no Banco do Brasil, para confirmar o financiamento do cliente. O leitor já percebeu que quem pedia as informações do lado de lá, na loja, era a minha futura cara-metade e do lado de cá, no banco, era eu quem as fornecia.
Conversa de trabalho vai, conversa não de trabalho vem, acabamos nos encontrando uma vez, mais uma e estávamos namorando. Mais ou menos dois anos depois estávamos nos casando. O engraçado é que, na verdade, o primeiro encontro não era com Stela, era com uma colega dela da qual eu sinceramente não lembro o nome, com quem eu também tratava profissionalmente. Mas minha esposa foi junto naquele encontro e o segundo já foi só com ela.
Tivemos três filhas, perdemos a primeira, mas Fernanda tem 24 anos, é Fisioterapeuta e Daniela está se formando neste semestre em Educação Física e também é bailarina. Não imagino presente maior que eu pudesse ter ganho nestes vinte e tantos anos de vida em comum.
De presente para ela, preciso pensar, no mínimo em uma viagem de férias como a que fizemos recentemente para Portugal, Espanha e Marrocos. Mas por enquanto dou-lhe apenas essa crônica, com tudo o que ela representa.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

JORNAIS LITERÁRIOS E CULTURAIS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaeica )

Vocês lembram daqueles jornais literários e ou suplementos culturais publicados por imprensas oficiais dos estados, fundações culturais dos municípios, academias literárias, etc? Não falo, claro, das publicações alternativas ou dos poucos espaços em jornais da iniciativa privada, ainda que alguns cadernos e suplementos de cultura e/ou literatura de grandes jornais também andassem pelo mesmo caminho.
Falo daquelas publicações oficiais, com textos quilométricos e nem sempre interessantes, com diagramação mal feita, via de regra, com blocos de texto maciços e grandes claros nas páginas, evidenciando mau aproveitamento de espaço. Os espaços não ocupados nas páginas, um desperdício imperdoável, davam a impressão de que tinham a função de fazer com que o material que ali estava publicado preenchesse o número de páginas da publicação.
Ainda existem alguns desses cadernos, por aí, dirigidos a intelectuais de carteirinha, mas lidos apenas por alguns deles ou pelos próprios autores dos textos ali publicados.
Felizmente, isso está mudando. Os jornais e suplementos de cultura estão ficando menos herméticos, menos “elitizados”, com apresentação mais elegante e diagramação mais enxuta, com textos mais objetivos, mais claros e concisos, sobre assuntos mais atuais e de interesse mais abrangente.
Não queria citar este ou aquele, mas o Suplemento Literário de Minas Gerais sempre ficou entre estes dois extremos, equilibrado, com artigos, crônicas, contos mais rápidos e textos mais alentados, mais intelectualizados, dirigido a um número mais específico, menor. Como exemplo de outro jornal da “cultura oficial”, não tão tradicional como o Suplemento de Minas, posso citar o “Ô Catarina”, da Fundação Catarinense de Cultura. Melhorou um pouco no último ano, preencheu os espaços em branco, os textos estão mais dinâmicos, embora precise diversificar o elenco de escribas, que é sempre o mesmo. E precisa de periodicidade, pois já faz algum tempo que não sai nenhum novo número.
Algumas publicações surgiram nos últimos tempos, com boa apresentação, bom conteúdo e boa vontade. Poucas, mas estão aí, resistindo. Não são publicações populares, mesmo porque estão num país onde ainda não se lê tanto quanto seria o ideal. Os leitores desses jornais e revistas oficiais ou “sérios” (os alternativos não são sérios?) são, na verdade, quase que exclusivamente os próprios escritores. Com exceções, é claro.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

CONCURSOS LITERÁRIOS E OPORTUNIDADE

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
Apesar da quantidade expressiva de livros de autores novos que vem sendo publicados nos últimos anos, grande parte publicada às expensas do próprio autor, existem muitos escritores, a maioria sem nenhum livro publicado ainda, com seus originais à procura de uma editora ou de uma maneira alternativa de publicar sua obra. Para muitos, o custo da edição de um livro não é compatível com suas posses, e custear o próprio livro pode ser uma grande decepção, pois a qualidade do conteúdo pode não ser a ideal, o que é comum, e as vendas podem não acontecer. E as editoras, cada vez mais têm menos disposição em investir em autores novos, coisa que significa arriscar recursos que poderiam ir para uma reedição de livro de sucesso, de livro de autor conhecido ou de um título importado com venda garantida.
Já existe, no Brasil, uma editora que publica e imprime o livro sob demanda, sem nenhuma despesa para o autor. Mas o preço final do livro fica um pouco caro, sem contar que há o valor da remessa. E não há seleção ou avaliação, por parte dos editores, o que significa que o conteúdo pode não ser uma obra-prima.E já que falamos de qualidade do conteúdo, uma alternativa para conseguir a publicação de um livro – e de quebra a avaliação de quem entende do assunto – quase sempre - é a participação em concursos literários. Para os escritores novos, que estão com a gaveta cheia e produzindo mais, qualquer que seja o gênero, a melhor maneira de ter a qualidade da sua obra reconhecida – se essa qualidade existir, é claro – é ficar atento a todos os concursos que aparecerem e participar: enviar um, dois, três textos, um livro inteiro, conforme for solicitado. Mesmo que o prêmio não seja a publicação de um livro, mesmo que seja apenas um certificado, um troféu, a participação em uma antologia, o escritor deve participar. Não deve pagar taxas de inscrição exorbitantes, mas deve participar. No que diz respeito à participação em antologia, quando for o caso, atenção: não pague para entrar nela. Se o concurso oferece a publicação em antologia, não há o que cobrar, pois é prêmio. Se tentarem cobrar, o concurso não é honesto, é apenas fachada para vender páginas em antologias que não têm qualidade nenhuma, via de regra, pois não há seleção.O fato de ter um trabalho ou uma seleção de textos classificados e premiados, seja qual for o prêmio, indica que o autor está no caminho certo, que a sua obra deve ter alguma qualidade e que ele terá boas chances em outros certames. Esse reconhecimento dá mais segurança para que haja continuidade na produção. E sabemos que quanto mais praticamos, mais poderemos melhorar no que fazemos.Se o prêmio for a publicação de um livro, tanto melhor, teremos reconhecido o nosso talento e teremos o ponto de partida, qual seja a nossa obra em circulação. Por isso, é interessante ficar de olho nos concursos que aparecem e participar daqueles que contemplam os gêneros que praticamos.
O Prêmio Cruz e Sousa, aqui de Santa Catarina, teve o seu resultado recentemente e distribuiu cento e sessenta mil reais entre autores de seis romances: os três melhores na categoria nacional e os três melhores na categoria catarinense. Além do prêmio em dinheiro, as respectivas obras serão publicadas pela Fundação Catarinense de Cultura. Não é uma boa oportundiade? É assim que vão se revelando talentos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A POESIA E O REGIONALISMO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Ontem, no caderno Anexo do jornal A Notícia, li matéria sobre poesia joinvillense. É bom saber que a poesia continua a ser produzida na Cidade das Flores, da Dança e do Rio Cachoeira, embora, como constatado, ainda se restrinja ao regionalismo.
Sei como é isso, pois sou do Grupo Literário A ILHA e trabalhamos, em Joinville, nas décadas de 80 e 90, para divulgar e popularizar a poesia, levando-a à praça, às escolas, às festas, até a bares, bancos e lojas.
Quem lembra da Feira de Arte e Artesanato? Pois por quase vinte anos levamos o Varal da Poesia e o Recital de Poemas à praça, assim como levávamos também à Festa das Flores, ao Festival de Dança e a outras feiras de arte em São Bento do Sul e Jaraguá do Sul, regularmente e a outros lugares eventualmente.
Lá pelos anos 80 não se encontrava nem a poesia dos poetas consagrados, como Drummond ou Pessoa, nas livrarias. A gente tinha que encomendar. Conseguimos fazer com que a poesia fosse mais conhecida, colocando a poesia no meio da rua para que as pessoas esbarrassem com ela e soubesse da sua existência. E as livrarias, assim, passaram a vender até os nossos livros, além dos grandes poetas.
Não tínhamos editoras, não tínhamos os editais de incentivo à cultura que publicam livros de escritores da cidade, que hoje existem. Esse espaço que se abriu para quem escreve, em Joinville, foi muito importante para escoar a produção de quem tem talento. Eu já fui jurado do Edital e sei que muita coisa boa aparece.
A regionalidade – que não é privilégio de Joinville - do que se publica é um problema, mas o fato de a própria cidade reconhecer os seus escritores já é alguma coisa. No tempo em que estávamos lá, batalhando pela literatura, tínhamos que arcar com tudo, não havia nada em termos de incentivo, até a Fundação Cultural mandava os escritores que a procuravam falar conosco.
Conseguimos ultrapassar os limites da cidade publicando em jornais e revistas fora do Estado e até fora do país. Nos anos 80 tive um livro de contos publicado por uma editora carioca e nos anos noventa tive dois livros de poemas publicado nos Estados Unidos - um em português e outro traduzido para o inglês, e em Cuba, vertido para o espanhol. Ganhei alguns concursos de poesia que também favoreceram o reconhecimento e algumas editoras aqui do Estado, como Lunardelli e Cepec, e depois a Hemisfério Sul, também me publicaram. Publiquei também “A Cor do Sol” em edição trilingue (português, espanhol e inglês), para possibilitar a penetração da minha poesia em outros países.
Mas nada é fácil, o caminho foi longo e árduo. Infelizmente, a poesia ainda é um gênero meio maldito, há muita produção, mas vende muito pouco. Ainda se compra muito mais romance.
Mas é muito bom ver jornalistas falando de poesia, abrindo espaço para a poesia, publicando poesia. É sinal que ainda pode haver espaço para a poesia no jornalismo, com toda essa mudança que vem acontecendo na indústria da informação.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

RIR É BOM

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Recentemente fomos ao cinema. Na verdade, fomos levar meu sobrinho de cinco anos para assistir A Era do Gelo III. Não que eu não quisesse ver, que sou fã de bons desenhos animados – ainda assisto o Pica-pau, Tom & Jerry, etc.
Fiquei até um pouco admirado, pois era final de semana e o cinema estava cheio, muita criança, muito adolescente, mas não houve algazarra nenhuma. Apenas o riso, um pouquinho contido aqui, mais natural acolá, desbragado mais adiante.O filme realmente é divertido e bonito de se ver – é dirigido por um brasileiro - mas não é dele que quero falar.
Prestei atenção a minha volta e percebi que eu não era o único espectador de mais idade na platéia, havia muito tio e avô acompanhando netos e sobrinhos, deduzi. Sei que não sou apenas eu que gosto de desenho animado, uma coisa que me chamou mais a atenção é que os mais velhos se divertiam tanto quanto as crianças. Riam pra valer – acho até que os “grandinhos” talvez fossem os que mais riam. Aquelas pessoas adultas, algumas mais velhas do que eu, esqueciam, naquela hora e meia dentro do cinema, que o mundo lá fora existia, com seus problemas e desmazelos, com suas maldades e desonestidades.
Fiquei pensando cá com meus botões que é muito bom a gente poder desligar, de vez em quando, esquecer que somos “gente grande” e rir com vontade, perto de quem a gente quer bem. Isso faz bem à saúde e ao espírito. Isso faz bem à alma.
Depois a gente sai pro mundo aqui fora e enfrenta a vida, mas por um momento é ótimo rir e não pensar em nada, sem culpas nem cobranças. É muito bom rir apenas pelo fato de achar graça de alguma coisa divertida e engraçada, dar gargalhadas desopiladoras, sem se preocupar com nada.
É ótimo que o cinema possa, ainda, proporcionar isso, aproximando pais e filhos, mostrando que a família pode, sim, divertir-se junto, que a tecnologia pode nos colocar uns mais perto dos outros.

domingo, 5 de julho de 2009

A NOVA LITERATURA


Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )


O livro “A Nova Literatura Catarinense”, deste cronista, que na sua primeira edição tinha o título de “Escritores Catarinenses e o Grupo Literário A ILHA” está com uma nova edição, revisada e ampliada, publicada pela editora Clube de Autores e disponível na loja virtual da mesma, em http://www.clubedeautores.com.br/ . Reunindo biografia, bibliografia, alguma fortuna crítica e uma pequena amostra da obra de escritores que passaram ou que estão até hoje no Grupo Literário A ILHA, essa obra agrega quarenta e cinco escritores catarinenses, quarenta e seis com o autor.
São eles: Apolônia Gastaldi, Abel Pereira, Anamaria Kovács, Carlos Schroeder, Celestino Sachet, Célia Biscaia Veiga, Darci Nogueira, Edeltraud Zimmermann Fonseca, Francisco José Pereira, Geraldina da Silva Pereira, Iaponan Soares, Jurandir Schmidt, Lauro Junckes, Lorreine Beatrice Petters, Luiz S. Adami e Maria C. Rosa, Margarete Iraí, Maria de Fátima Joaquim, Mariana (MariaÁssima Fadel Dutra), Marli Uhlmann Portes, Maura de Senna Pereira, Mary Bastian, Miguelito Savagé, Norma Bruno, Rosana Teodoro, Silvério da Costa, Zoraida H. Guimarães, Else Sant´Anna Brum, Enéas Athanázio, Joel Rogério Furtado, Maicon Tenfen, Eloí Elisabet Bocheco, Rosângela Borges, Urda Alice Klueger, Viegas Fernandes da Costa, Wilson Gelbcke, Harry Wiese, Selma Maria Franzoi, Aracely Braz, Maria de Fátima Barreto Michels e outros.São os escritores que se impõe por seu talento, dedicação e perseverança e vão se revelando pelo estado, conquistando respeito e reconhecimento pelo mérito de sua obra.
É certo que muitos outros escritores passaram pelo grupo, nestes vinte e nove anos de atividades ininterruptas, mais de uma centena deles, provavelmente. Há escritores de outros estados e até de outros países, mas aqueles nascidos ou radicados aqui em Santa Catarina que não constam deste documento são os que tiveram uma passagem não muito longa e não continuaram produzindo, ou saíram do grupo e preferiram recomeçar tudo, sem mencionar sua passagem pela ILHA em seu currículo, então respeitamos essa decisão.
Esta quase antologia - porque além das informações sobre cada autor traz também uma "pitada" da sua obra - talvez possa ser considerada uma pequena contribuição no que diz respeito a fornecer informações sobre novos escritores que estão despontando em nosso estado e atualização dos dados de alguns que já eram conhecidos.
Este é o registro da marca que a reunião de praticantes e amantes da literatura dentro do Grupo Literário A ILHA deixaram e estão deixando na história da Literatura Catarinense.
O livro pode ser adquirido no site da editora, em http://www.clubedeautores.com.br/ . Procure pelo nome do livro – A Nova Literatura – ou pelo nome do autor.

sábado, 4 de julho de 2009

A LITERATURA NO CINEMA BRASILEIRO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Ao ver, faz algum tempo, um DVD que alguém trouxe para casa, fiquei feliz em constatar a crescente qualidade da produção cinematográfica brasileira. “Tainá” e outros filmes mais recentes já haviam começado essa constatação, mas ainda me mantinha arredio.
Falo de “Deus é Brasileiro”, baseado no conto “O santo que não acreditava em Deus”, de João Ubaldo Ribeiro, interpretado por Antônio Fagundes, Paloma Duarte e Wagner Moura – que está também em “Carandiru”.
Um time de atores excelentes, um ótimo diretor – Cacá Diegues -, uma história singular, abordando um tema delicado de maneira original e bem brasileira. Um Deus que não gosta de fazer milagres, que está de saco cheio da sua criação – o ser humano, e quer tirar umas férias, mas precisa de um substituto.
Quem não viu o filme, ainda, deve ver, que corre o risco de gostar. Se não quiser ver o filme, que leia o conto, do “Livro de Histórias” de Ubaldo, que depois dessa edição do extinto Circulo do Livro passou a se chamar “Já Podeis da Pátria Filhos”. Melhor, mesmo, é ler o conto e ver o filme, pois se o conto já é bom, o filme tem muito mais cor e sabor, até porque o roteiro, a adaptação é do próprio autor da obra, João Ubaldo, junto com Cacá Diegues.
Um seriado americano que passou na TV a cabo, “Joana of Arcádia”, bebe na mesma fonte. Coincidência ou não, o seriado conta a história de uma menina que vê Deus e conversa com Ele, que aparece na pele de pessoas comuns, diferente a cada aparição. Diferente do Deus de Ubaldo, o Deus de Joana a usa para ajudar a resolver problemas de quem está precisando de ajuda, realizando pequenos milagres por tabela.
Bom ver que o cinema brasileiro está recuperando a excelência de outros tempos. Tenho visto outros filmes mais recentes produzidos aqui e é muito bom constatar neles qualidades crescentes tanto nos roteiros, na fotografia, como na direção e interpretação.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O FIM DA GREVE DOS ÔNIBUS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

E o que foi que eu disse? Que toda essa bagunça, esse desrespeito para com o usuário do transporte coletivo era apenas para ter uma desculpa de aumentar a passagem de ônibus. Não deu outra. Aliás, além de aumentar as passagens, as empresas ainda vão ter o aumento do “subsídio”: de quinhentos mil reais para setecentos e cinquenta mil reais mensais.
Não é uma beleza? Florianópolis é a única prefeitura que dá dinheiro dos cofres públicos para as empresas de ônibus, de graça, é a cidade com a passagem mais cara – eu pago R$ 2,75 para ir do meu bairro até o centro – e mesmo assim as empresas não podem dar o reajuste salarial no dissídio de seus empregados.
Que prefeitura é esta que não está gerenciando de acordo as concessões para o transporte coletivo? Se as empresas que aí estão não estão conseguindo pagar seus empregados com tudo o que estão arrecadando – e todos nós sabemos que não é pouco – então não podem honrar o contrato feito para prestar o serviço. Que se faça outra licitação e se contrate outras empresas.
Ah, esqueço que quem paga a conta é o usuário, o cidadão. Pois além da passagem, é ele, o cidadão, quem paga o “subsídio”, a “ajuda” de setecentos e cinqüenta mil reais mensais – que é nada mais nada menos que o nosso rico dinheirinho pago em impostos municipais.
Então, porque nossos “representantes” vão se preocupar? Eles só tem que fazer o carnaval que fazem para aparecer, pois quem se dana, mesmo, é o eleitor.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

LIVROS & LIVROS: QUEM QUER PUBLICAR?

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Li, numa edição dessas revistas semanais de informação, a matéria “Quer publicar seu livro?”, sobre a implantação, no Brasil, da confecção de livro sob demanda, isto: o livro só é impresso quando alguém comprar. Isso já existe em outros países, mas no nosso país é a primeira iniciativa: o escritor cadastra o seu livro no site “editora-loja virtual”, (editado, claro, pois o sistema só aceita a inscrição se a edição estiver de acordo, imagem da capa exatamente do tamanho solicitado e assim por diante, tudo como o programa exige, senão não processa – tem as suas falhas, como não ter configuração para colocar o título do livro e nome do autor na lombada, mas funciona) e ele imediatamente estará disponível para compra no Clube dos Autores (www.clubedeautores.com.br).
Muito prático, uma grande oportunidade para o escritor que não consegue uma editora para a sua obra. Outro senão, é que o livro não passa por nenhuma análise, tudo é feito pelo autor, pois ele vai ser publicado do jeito que for cadastrada.
Mas há um pequeno-grande detalhe: o custo final para o leitor fica um pouco alto. É certo que o autor não tem nenhuma despesa, não precisa pagar nada, a não ser que queira comprar o livro pronto. Ele coloca o seu livro lá e espera que seja vendido. Se vender, recebe os direitos autorais, que ele mesmo estipula, depois de alcançado um determinado valor.
Eu fui lá colocar livros meus para ver como funcionava e achei muito caro o preço final, por exemplo, para um livro de noventa e duas páginas: trinta e dois reais e oitenta e nove centavos. Mais a despesa de remessa, sai por quase quarenta e cinco reais. Mas é uma opção de ter o livro publicado.
A matéria na revista faz pensar que o preço final do livro, para o consumidor, é menor do que aquele das “publicações convencionais”. Como vimos não é. Mas é um recurso que está à disposição e podemos lançar mão dele.
Com esta opção, o leitor compra o livro e o recebe em casa, impresso em papel, o livro como o conhecemos, da maneira tradicional. Coincidência ou não, vejo num jornal uma matéria mais recente sobre o site Bookess, daqui de Florianópolis, que é, ao mesmo tempo, livraria, editora e biblioteca virtual. O escritor que quiser colocar o seu livro on-line, à disposição dos leitores, sem custo nem para ele nem para os leitores, deve acessar www.bookess.com.br , cadastrar-se e seguir as instruções para mostrar sua obra.
É claro que ler na tela do computador não é a mesma coisa que folhear um livro impresso em papel, mas a gente vai se adaptando. Até eu, que não tenho olhos muito bons, já comecei a fazer isso. Pelo depoimento de quem já disponibilizou seu livro no site, há quem tenha muito ibope. Uma das autoras que está no Bookess afirma ter tido milhares de acesso em um de seus livros.
Não dá pra negar que é um bom começo. Além de publicar a própria obra, o escritor cadastrado tem acesso a todo o acervo do site, caso se interesse em ler. E não é raro o escritor que publica lá e em decorrência disso acaba conseguindo publicar o livro em papel impresso, tão desejado por todos que escrevem. Uma audiência grande de um livro pode fazer aparecer patrocinadores, uma editora interessada, até leitores que se comprometem a comprar o livro e assim viabilizam a edição do formato tradicional.
Não que o livro virtual vá ameaçar os impressos, absolutamente. Mas uma coisa pode ajudar a outra.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A GREVE INDUZIDA EM FLORIANÓPOLIS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

E os trabalhadores do transporte coletivo da grande Florianópolis entraram em greve novamente. Por que será? A Prefeitura e os empresários “cansaram” de negociar e deixaram para justiça julgar o dissídio. Só que o tempo vai passando e nem o TRT julga o dissídio para definir a situação e evitar as greves, nem os patrões e o poder público fazem uma proposta aceitável para os trabalhadores. Preferem que o trabalhador não tenha outra alternativa senão entrar em greve, porque assim a população que depende dos ônibus coloca a culpa nos motoristas e cobradores. Os usuários nunca culpam os empresários patrões, que posam de vítimas.
Florianópolis é a única cidade catarinense onde a prefeitura dá subsídio de quinhentos mil reais às empresas de ônibus que fazem o transporte urbano e mesmo assim é aqui que temos as passagens mais caras do Estado. Não é um absurdo? E, segundo declarações à Imprensa e outras mídias, as empresas só concordam em dar o aumento aos trabalhadores se a prefeitura dobrar o subsídio ou se aumentarem o preço das passagens. O cidadão paga duas vezes a passagem, pois além do preço pago na catraca, é ele quem paga o “subsídio”, pois esse dinheiro sai dos impostos pagos ao município.
Então que administração é essa? Como disse Moacir Pereira, hoje, na televisão, é um jogo de autoridades. Cada um quer mandar mais, que dar a última palavra: prefeitura, empresas, sindicatos. E o penalizado, como sempre, é o cidadão que fica a pé.
A prefeitura fala pelos cotovelos, “negocia”, mas no fim diz que “não pode fazer nada”. Será que essa bagunça fará bem ao julgamento do senhor prefeito na ação que será julgada hoje? Será que isso fará bem para as suas próximas candidaturas a governador ou senador, ou seja lá o que for? Eleitores, atentem.
O sindicato das empresas não mostra o menor interesse em cumprir a ordem judicial quanto à fazer funcionar cinqüenta por cento da frota nas horas de pico e não está preocupado com a multa diária, pois depois que tudo passa acaba sendo anistiado. E se metade dos ônibus circularem, a situação não será tão caótica e os passageiros não ficarão tão revoltados contra os trabalhadores, não é?
O Sindicato dos empregados não aceita a proposta apresentada pela prefeitura se as empresas não assinarem também, no que estão certos, pois greves foram suspensas com propostas que depois não foram cumpridas. E o Sindicato das Empresas não concorda com o aumento proposto se a prefeitura não lhes der o montante do reajuste. Fácil, não? O lucro com as passagens mais caras não pagam o reajuste salarial dos empregados.
Até os ônibus depredados são uma história mal contada nessa novela.
O que parece é que todo este auê está acontecendo apenas para aumentarem a passagem dos ônibus.