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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

AS BELEZAS DE CORUPÁ


Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/ )

Recebi, de um corupaense que gosta daquela terrinha tanto quanto eu, dois capítulos de um livro sobre as atrações naturais da cidade. Trata-se de Valério Paholski, que escreveu o livro “Aventureiros em Corupá”, narrando a aventura que é chegar até as dezenas de cachoeiras (alguns dizem que é quase uma centena) que existem por lá, grutas, cavernas, morros, rios, etc.
Ele visitou muitas cachoeiras e conta como foi chegar em cada uma, como elas são, dá até as medidas de cada uma, como altura, quantidade de água, etc. Ele tenta recriar, no livro, a beleza que elas descortinam diante dos nossos olhos. E, se conseguir alguma empresa ou órgão público que ajude na edição do livro, quem sabe não haverá fotos, também, mostrando toda essa beleza?
Depois desse livro, que ele pretende publicar logo, se conseguir apoio – seria uma obra importante para a divulgação da Cidade das Cachoeiras, com tanta e tamanha vocação turística, vocação esta tão pouco aproveitada – ele pretende fazer um catálogo sobre todas as belezas naturais de Corupá.
Ele está fazendo o mapa completo da hidrografia do município. A prefeitura não tem um e nem parece estar interessada, mas ele está trabalhando para concretizá-lo. Está medindo o fluxo de água dos rios e ribeirões, sinalizando as nascentes, medindo a altura das cachoeiras e por aí afora. Com a localização de todas as cachoeiras, altura, fluxo e esportes que podem ser praticados ao longo dos rios, ele terá um catálogo com todas as informações necessárias sobre o Vale das Águas.
Corupá precisa que alguém faça um trabalho dessa envergadura, que registre todas as riquezas existentes, para que se tenha uma idéia do enorme potencial turístico/ecológico desse pedaço de chão.
Como eu já disse outras vezes, a natureza tem queda por Corupá. As autoridades da cidade é que parecem não estar reconhecendo isso.

domingo, 30 de agosto de 2009

A BELEZA DA NOSSA ILHA DE SANTA CATARINA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Neste domingo fui com meu sobrinho pequeno ver as tartarugas do Projeto Tamar, na Barra da Lagoa. Moro no continente e com o dia de sol lindo neste domingo, até a ponte Hercílio Luz estava mais bonita. A Beira-mar norte também estava mais iluminada, embora o mar estivesse um pouco revolto. Antes de descer o morro para chegar à Lagoa da Conceição, parei no mirante para admirar a beleza imensa que se descortinava diante de meus olhos. É um espetáculo grandioso essa lagoa, obra-prima da natureza, muito merecidamente cantada nos versos do poeta Zininho, em “Rancho de Amor à Ilha”.
Depois de encher meus olhos e a minha alma com a visão maravilhosa que me era dado ter, desci o morro em caracol, passei à beira da lagoa e das dunas e peguei o caminho da Praia Mole, pois logo depois fica a Barra da Lagoa, onde está o Projeto Tamar.
E nesta outra descida a vista do mar lá do alto é uma coisa estonteante. Realmente a natureza foi muito generosa com este pedaço de chão, reunindo tanta beleza ao redor da nossa ilha.
Eu já visitei Búzios, Praia Grande, Ilha Bela, outras praias em Salvador, no Rio, em Recife e elas todas são lindas. Mas a nossa ilha é de uma beleza inigualável e as praias do continente, as praias da nossa Santa e bela Catarina não ficam atrás. Não desmerecendo as outras, as nossas são muito mais belas.
Então, revendo um pouco do tanto que a nossa Ilha de Santa Catarina tem de beleza e sedução, entendo porque existem pessoas que vem de lugares tão longe como aqueles que citei acima e ficam encantadas, maravilhadas com o que veem aqui.
Entendi porque algumas pessoas, que até viviam em um daqueles lugares citados, depois de conhecer a nossa ilha vão ficando por aqui.
Esta terra foi abençoada duas vezes. Espero que saibamos preservar este imenso patrimônio natural para que nossos filhos e netos possam ter o privilégio de ver tudo o que ainda podemos ver hoje.

sábado, 29 de agosto de 2009

OS JARDINS DAS NOSSAS CASAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Minha amiga Urda, de Blumenau, mudou do apartamento que ficava à beira de um morro que deslizou até perto dele e ameaçava desabar novamente, com uma chuva mais forte. Ela foi para uma casa e há algumas semanas ela está na lida para ajeitar tudo. E me disse, hoje, que seu novo canto já está com jeito de casa, as coisas no lugar, até o jardim já tem flores desabrochando.
Fiquei feliz por ela – eu também morei alguns anos em apartamento, mas voltei a morar em uma casa, que é muito mais lar, creio eu.
E disse a ela, então, que tenho tentado plantar algumas coisas aqui no meu “maiúsculo” jardim, que é também horta, mas a colônia de lesmas come tudo. É uma praga.
Plantei amor-perfeito e até que está bonito, por alguma razão as lesmas não os devoraram. As petúnias foram as mais atacadas pelas lesmas, mas algumas estão brotando de novo, renascendo do talo que havia ficado. Plantei alfaces, couves e brócolis e a alface, num canteiro pequeninho. As quatro ou cinco dúzias de mudas de alface, a abençoada da lesma já comeu tudo. Sobraram as mudas de couve e brócolis, que estou tentando salvar. Estou indo de noite, com lanterna, no jardim, para catar quantidades enormes de lesmas, há uma semana. Nos primeiros dias, catei mais de cinquenta, botei todas num pacote plástico e mandei embora com o lixo. No segundo dia ainda catei mais um tanto, mas no terceiro, peguei cinza e joguei em cima de cada uma que encontrei, que a cinza é ácida e elas derretem. Como a cinza estava acabando, ante-ontem peguei água que tinha deixado "curtindo" com um pouco de cinza, que eu pretendia jogar nas couves-manteiga que estavam sendo atacadas também pelo pulgão e joguei em cada lesma que eu via. Derreti um monte delas. Ontem, como não tinha mais nada, joguei sal em algumas que encontrei. A quantidade delas diminuiu bastante, hoje já achei só duas ou três. Deve haver mais, mas eu não vi.Amanhã devo assar anchovas na churrasqueira e então terei mais cinza, que vou botar na água para continuar combatendo pulgão e lesmas.É impressionante como as danadas das lesmas, um bicho tão pequeno, consegue comer tantas folhas grandes de couve tão rapidamente. Em uma noite elas fazem um estrago enorme.
Por enquanto, estou conseguindo salvar meus pés de couve, de brócolis e de nabos.
Vamos ver o que acontece quando voltar a chover, que é quando as lesmas surgem do nada aos montes.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A SAÚDE PÚBLICA E O DIREITO DO CIDADÃO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Outro dia falei da colação de grau de minha filha, que se formou em Educação Física, no Teatro Pedro Ivo Campo, do Estado. Foram impostas várias restrições para o uso do teatro, mesmo sendo a formatura de alunos de uma universidade também estadual.
Isso me lembrou de outra instituição pública, o Hospital Celso Ramos, que o Estado escolheu para atender pacientes do INSS, sem dar condições aceitáveis para tal. Minha mãe precisou trocar a prótese num dos joelhos e foi encaminhada para aquele hospital, porque é o único que faz cirurgia para segurados do INSS. Como ela teve que acionar o INSS para fornecer a prótese, não poderia fazer a cirurgia em outro hospital, tinha que ser no Celso Ramos, único credenciado pela União, pela saúde pública.
O que a gente vê lá é inimaginável. Não havia pessoal suficiente para trabalhar, o quarto era pequeno, não havia gaze apropriada para o curativo, o sistema de ar condicionado não funcionava e era o auge do verão, quase quarenta graus. O banheiro era tão pequeno, que a lixeira não cabia lá dentro dele. Quando uma pessoa entrava, tinha que colocá-lo para fora. E este era o banheiro para pessoas que haviam feito cirurgia no joelho, nos quadris, na bacia, que precisavam entrar nele, não raro, com a perna esticada e até em cadeira de rodas.
A comida era intragável, mas o pior não era isso. O pessoal que atendia, enfermeiros, pessoal de limpeza, se desdobrava para atender tão bem quanto possível, pois faltava funcionários. Um ou outro piorava a situação já caótica, como um enfermeiro ou residente, não sei bem, que chegou para atender uma senhora com mal de Parkinson. Ela havia operado o joelho, colocara uma prótese, mas como a doença fazia com que sua perna dobrasse, a cirurgia devia doer muito e ela reclamava. Então o citado enfermeiro chegou, depois de demorar muito, esticou a perna da senhora de um golpe só, deu um tapinha no rosto dela e nem tomou conhecimento da dor que aumentara no joelho dela.
Minha mãe quase morreu porque deram um remédio que ela não podia tomar e a reação foi terrível. Há muito mais, mas não gosto nem de lembrar.
O trabalhador paga o INSS a vida inteira e quando precisa não tem direito a um atendimento minimamente decente. Este é o Brasil, aquele que nosso presidente diz que está uma maravilha.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

BALLET BOLSHOI EM FLORIANÓPOLIS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Na terça-feira próxima passada, perdi minha aula de dança de salão porque queria ver um espetáculo do Ballet Bolshoi aqui na Ilha. Imaginem vocês, como perder a oportunidade? Ballet Bolshoi, aqui em Florianópolis e de graça?
A vinda do Bolshoi para cá é uma realização do IGEOF – Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis, da Prefeitura da Capital, que incluiu o espetáculo no Festival Inverno do Norte da Ilha. Então a performance dos bailarinos da Escola do Teatro Bolshoi de Joinville fora marcada para o dia 15 de agosto, no Ilha Shopping, lá no norte da ilha, no trevo dos Ingleses, distante mais de trinta quilômetros do Jardim Atlântico.
Em decorrência do risco de se contrair a gripe A, porque a concentração de público seria muito grande, foi transferido para o dia 25, extra-oficialmente. A notícia se espalhou e no dia 25 muita gente se deslocou até o Ilha Shopping e em chegando lá, encontrou o local do evento às escuras. Inclusive eu.
De maneira que o espetáculo não aconteceu, o Bolshoi de Joinville ainda não veio e não se sabe quando virá, pois não há nenhuma informação disponível.
É uma pena que um espetáculo tão esperado fique assim, perdido no limbo. Tudo bem que é de graça, mas teria sido bom que os organizadores marcassem uma data definitiva e a divulgassem. O motivo agora já não é mais a gripe A. Ouvi comentários que davam conta de reforma no Ilha Shopping. Se for isso – e eu não entrei lá para comprovar, estive só na entrada e estava tudo escuro – haveria um pouco de descaso para com o público, não é não?
Mas vamos aguardar o desfecho do caso. Só espero que o espetáculo não seja cancelado.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

HARMONIA E LONGEVIDADE

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Desde os anos 90, grandes veículos de comunicação brasileiros, como jornais de circulação nacional, as mais conhecidas revistas semanais, alguns documentários na televisão e até novelas têm tentado mostrar ao público brasileiro o Tai-chi Chuan, uma arte marcial usada como técnica de longa vida. Falando como leigo, embora praticante há poucos anos, eu diria que o Tai-chi Chuan é um Kung Fu lento, de caráter terapêutico, uma técnica de prolongamento da vida. Não dá ênfase ao trabalho muscular, mas ao trabalho da energia interior, do espírito. Mencionei o Kung Fu porque é uma arte marcial conhecida e é de onde o Tai-chi deriva (família Yang tradicional).
O encadeamento de uma técnica de Tai-chi Chuan tem elementos de luta marcial, mas como é lento, pode parecer, em alguns pontos, com uma dança, com um bailado.
A divulgação dessa arte que harmoniza o pequeno universo que é o nosso corpo com o grande universo vem aumentando, nos últimos tempos, embora mesmo assim seja quase discreta: além de algumas reportagens nas diversas mídias atuais, tem aparecido em alguns filmes e, mais recentemente, nas novelas brasileiras.Essa divulgação, que talvez pudesse ser maior, pelo benefício que a prática do Tai-chi pode trazer, deve ajudar na popularização do exercício. Mas como a novela é uma maneira de atingir o público em geral, no nosso país, podemos dizer que é um veículo popular. E o modo como o Tai-chi tem sido mostrado nesse veículo poderia ser mais amigável, com pessoas comuns praticando em uma praça pública, por exemplo. No entanto, mesmo que não seja proposital, tem deixado transparecer um caráter elitista.
E o Tai-chi não é uma arte elitista, qualquer pessoa pode praticá-lo. E ele faz muito bem, indubitavelmente. Eu já vi pessoas que quase não conseguiam andar, quando começaram a treinar, apresentarem melhoras surpreendentes em poucos meses, a ponto de andarem normalmente. Alguém diria: sim, mas os problemas dessas pessoas não eram graves. E eu digo que talvez, mas se essas pessoas não tivessem descoberto o Tai-chi, talvez não tivessem alcançado progresso na recuperação, pelo contrário.
Não estou dizendo, aqui, que o Tai-chi Chuan faz milagres, mas sim que ele faz bem, faz com nos sintamos bem, faz com que a energia que há em nós se equilibre e com isso nos livremos de algumas dores e maus sentimentos.
Qualquer um de nós pode aprender e treinar o Tai-chi Chuan, independente de idade. Como já mencionamos acima ele ainda não é popular, por isso talvez não possamos encontrar um instrutor dessa arte em qualquer cidade. Mas nas cidades de médio porte e nas maiores já encontramos, em algumas academias de exercícios corporais, treinadores que devem estar habilitados a ensinar o Tai-chi. Além das academias específicas de Tai-chi Chuan e Kung Fu.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

INTEGRANDO A CRIANÇA ESPECIAL

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Ao assistir um campeonato de kung-fu e tai-chi, recentemente, tive uma experiência muito boa, de aprendizado e de reconhecimento. Faço tai-chi, mas sei que o kung-fu exige dedicação, disciplina e boa vontade, ao tempo que proporciona condicionamento e forma física. Achava que apenas pessoas saudáveis e perfeitas pudessem praticar tais exercícios, tal arte, mas tive a comprovação, naquela oportunidade, de que pensar assim é preconceituoso.
Dentre os participantes do campeonato que estavam esperando para se apresentar, vi um rapaz de cerca de 17 anos que chamou a minha atenção porque era mais tranqüilo, mais quieto do que os outros, mais “comportado”. Mas quando chegou a vez dele, fez uma belíssima apresentação, conquistando boas notas, mostrando que sabia fazer bem o que estava fazendo, que tinha aprendido tudo o que lhe havia sido ensinado.
Soube, depois, que ele era uma pessoa especial. Surpreso, dei-me conta, então, da capacidade de realização, de força de vontade, de persistência daquele garoto e, por conseguinte, das pessoas especiais.
Muitas delas precisam de oportunidade, apenas, de assistência apropriada, precisam de que acreditemos nelas - não muito mais do que isso, para mostrarem de que são capazes de ter um ótimo aprendizado, de que é possível a sua inclusão na sociedade da qual elas fazem parte.
E isso se confirmou, porque logo depois do campeonato, vi uma reportagem em um telejornal sobre uma menina especial que estava estudando em uma escola convencional de primeiro grau. Ela conseguiu se integrar, acompanhando o ritmo das outras crianças da turma, que chamamos de “normais”.
Se o meio, a sociedade de “normais” aceita o indivíduo especial, ele se sentirá incluído e poderá desenvolver sua capacidade de se relacionar, de aprender, de viver. Como a menina, que dava entrevista, feliz, dentre os colegas da classe, que declaravam saber que ela tinha limitações, ao mesmo tempo reconhecendo que com a ajuda deles ela podia, sim, superá-las.
Fiquei pensando que aquele poderia ser um caso isolado, dentre tantos que existem por aí sem uma solução desejada como essa. Mas pensei também que este é um bom exemplo que pode ser seguido, pois mostra que é possível recebermos a criança especial nas nossas escolas, na nossa vida, na nossa sociedade de “normais”. Depende muito da boa vontade e do esclarecimento das escolas, dos professores, dos alunos e dos pais dos alunos. Ser acolhida na escola tradicional é uma conquista de cidadania, que é um direito da pessoa especial, assim como é de todas as outras.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

DE NOVO O DESCASO COM A SAÚDE

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

A imprensa denunciou, no final de semana, com comprovação, o fato de que médicos de um hospital da capital vão bater o ponto, mas em seguida saem, não cumprindo horário. O ponto registra a entrada e a saída, mas no intervalo os médicos não são encontrados no local de trabalho. Um deles, questionado, declarou que estava de férias, que bateu o ponto por “automatismo”. Vi até uma entrevista de algum chefe dos médicos dizendo que eles não têm horário fixo, que podem chegar e sair a hora que quiserem. Eles acham que a gente tem que engolir tudo isso.
O Ministério Público vai investigar, pois já levantaram a lebre de que em outros hospitais está acontecendo a mesma coisa. Novidade. Grande novidade.
O pior de tudo é que as investigações, inquéritos e sei lá mais o que acabam dando em nada. Quem lembra do médico que cobrava exames feitos pelo INSS no Hospital Celso Ramos? Pois é. Foi denunciado, várias vítimas foram testemunhar, ratificando a denúncia, havia até prova feita pela televisão, que registrou o médico recebendo dinheiro de paciente dentro do hospital, com áudio e tudo. E aconteceu alguma coisa?
Nada, absolutamente nada. O tal médico até já voltou a trabalhar. Não foi preso, não devolveu o dinheiro cobrado indevidamente de vários pacientes de INSS e nem sequer perdeu o emprego. Beleza, não é? Isso é porque quase não precisamos de médicos nos hospitais, principalmente nos tempo atuais, com grupe suína e tudo o mais.
Por isso perdi a fé de que alguma coisa pudesse mudar com as denúncias feitas pelos meios de comunicação. Sempre acabam dando uma desculpa esfarrapada qualquer e os ladrões do dinheiro suado do cidadão acabam saindo ilesos. Infelizmente.
Quando isso irá mudar?

domingo, 23 de agosto de 2009

O LIVRO "ESTÁTICO"

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )


Uma entrevista com dois grandes “pensadores”, um russo e outro brasileiro, sobre o futuro digital, no Link da semana passada, traz verdades já conhecidas, mas também revela pensamentos um pouco exagerados, penso, no que diz respeito ao livro.
O teórico digital russo tem “um certo tédio nas formas que teimam em se manter, como a do álbum na música e do livro (estático) na literatura”. Afirma ele: “Por que eu gastaria quarenta horas acompanhando a vida de alguns poucos personagens? Isso me parece velho e desinteressante.”
Eu, sinceramente, diria que “velho e desinteressante” é ele, sem nem mesmo querer saber a idade dele. Como uma criatura que não lê livros pode ser um “pensador”? E ele é também escritor, tem livros publicados. Segundo ele, os escritores estão na contra-mão do progresso tecnológico (digital), “estão perdendo a batalha pela atenção dos leitores”.
Até concordo que estamos começando a viver uma transição nos hábitos de leitura, mas apesar de a internet estar conquistando leitores para os blogs e jornais, de os e-books estarem avançando devagarinho no gosto dos leitores de jornais, revistas e livros, o livro de papel impresso continua sendo a maneira mais agradável de ler uma obra literária. Senão, como estariam vendendo aos milhares, em todo o mundo? É só ver as listas dos mais vendidos, ver estatísticas de editoras e livreiros para constatar que as vendas não caíram, pelo contrário.
O texto digital pode avançar, no futuro, mas o livro vai existir para sempre. E não é só isso. O nosso pensador não afirmou, na verdade, que o livro tradicional é tedioso, é desinteressante, é perda de tempo. Ele disse que o livro (apenas livro, simplesmente, independente da mídia) é tudo isso, não interessa, para ele, se lido em um e-book, na tela do computador ou em papel.
É inaceitável que numa época em que se tenta incutir em nossos leitores em formação o gosto pela leitura, apareça uma “personalidade” dessas para dizer besteiras desse tipo. É por essas e outras “cabeças” que nossas escolas têm cada vez menos espaço para estudar literatura.

sábado, 22 de agosto de 2009

FRITZ E O RIO CACHOEIRA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

No meu poema “O Rio da Minha Cidade”, publicado no livro “Meu Pé de Jacatirão”, no início dos anos 90, eu já lamentava a morte do Rio Cachoeira, abandonado por todos: “Joinville, / Cidade das Cores, / das flores e das bicicletas. / Joinville da poesia, / das palmeiras e da dança, / Joinville da chuva tanta, Joinville do Rio Cachoeira. // Cidade maior / da Santa e bela Catarina / Joinville de século e meio, / de existência e resistência. // O progresso chegou, / Joinville, / para o enterro / do teu rio...”
De lá para cá, nada mudou. A cidade cresceu, mas o descaso para com o rio também. As empresas jogam resíduos químicos no rio, muito esgoto é lançado no Cachoeira, jogam também lixo nele. E ninguém faz nada. Houve, há muitos anos, até uma campanha que foi taxada de ridícula, na época, pois pedia que as pessoas não jogassem copinhos plásticos no rio para não poluí-lo. Ora, porque será que a campanha era ridícula? Porque as autoridades do município deveriam, isto sim, fiscalizar e proibir o despejo de lixo químico e esgotos domésticos no rio, e não pedir que não se jogasse copinhos nele. As saídas de esgoto e de rejeitos das fábricas estão visíveis para quem quiser ver e ninguém nunca foi selar esses bueiros. O rio só será ressuscitado, se todos os canos que desembocam no rio forem fechados e o lixo que eles liberam for tratado. É claro que o cidadão comum não deve jogar qualquer coisa nele, mas como cuidar de um rio que está morto porque o veneno maior que é jogado nele não é coibido?
O nosso querido e quase extinto Rio Cachoeira está em evidência, atualmente, porque o Fritz, jacaré que sobrevive nele – não sei como – foi visto, outro dia, saindo para respirar no meio da água (água?) azul. Sim, azul, e causou espanto, porque a água (desculpem, não é água, mas é o hábito, um rio deveria ser composto de água, então...) dele normalmente é acinzentada, meio para o marron, coisa de filme de terror. Então voltou-se a falar nele, na polêmica morte anunciada, efetivada, assistida, sem que ninguém movesse um dedo.
A limpeza do Rio Cachoeira vem sendo mote de campanha política há décadas. Promessas e mais promessas de cada prefeito, lembro que o Lula – aquele aqui de Joinville, não o malfadado presidente – prometeu, quando foi eleito, que ele ia limpar o rio e provaria isso tomando banho nele quando terminasse o seu mandato. Ele entrou na água, sim, mas lá na foz do rio, onde a água se mistura com o mar e é bem mais limpa e mesmo assim com roupa de borracha até a cabeça. Outra história hilária e irritante ao mesmo tempo.
E o pobre o Fritz vai continuar sofrendo com a lama podre do rio onde vive, pois não creio que a prefeitura de Joinville tenha peito para fechar todos os canos que estão lá despejando lixo e matando um pouquinho mais o Cachoeira, a cada dia.
Senhores adminstradores da Cidade das Flores, provem que estou errado. Revitalizar o rio é possível, já vimos isso acontecer pelo mundo e até aqui no Brasil. Então...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

CULTURA DIGITAL

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ )

Vivemos a era digital: música digital, imagens – fotografia, cinema, tv - digitais, texto digital, informação digital: o advento da cultura digital. Por que cultura digital? Porque afeta tudo na vida do cidadão: desde o documento que registra o seu nascimento, passando pela roupa, pelo transporte, ensino, o trabalho, valores, comunicação, educação, saúde, lazer, até a cirurgia delicada para salvar uma vida. O próprio alimento, plantado e colhido da terra é processado – do preparo da terra até a seleção e empacotamento, por máquinas comandadas por um computador que usa um software para executar determinadas tarefas.Vimos, então, que a cultura digital nos remeteu ao computador, o que nos conecta à internet e nos faz elevar esta última à categoria de sinônimo de democratização da exposição de idéias, informação e comunicação – ou seja, espaço para se publicar de tudo.
Uma democracia generosa mas perigosa, é preciso que se reconheça, pois assim como há a informação honesta e verdadeira, e boa cultura, distribuída nas diversas modalidades de arte - textos – a literatura em seus diversos gêneros, vídeos, filmes, reproduções de obras clássicas das artes plásticas, ensino e educação confiáveis, na grande rede mundial que é a internet, há também muita coisa ruim e perniciosa – como em toda cultura, a cultura digital trouxe embutida nela o crime, mais uma modalidade de crime, o crime digital.
Mas o lado ruim da internet, como veículo de todo tipo de informação, é assunto para uma outra ocasião. Infelizmente a dualidade bem e mal existe aqui também, como em tudo.
A cultura digital é, em sua essência, o uso de novas tecnologias como meio de possibilitar a difusão de todas as artes e realizações humanas que juntas, formam a cultura de um povo. E aí, nesse intervalo entre arte e realizações, inclui-se a informação e os softwares (programas para computadores).E toda essa revolução tecnológica, que assimilou a cultura humana – ou foi assimilada por ela? – aumenta o potencial do ser humano de realizar arte e trabalho, mudando comportamentos e provocando o surgimento de novas linguagens e expressões artísticas.
A cultura digital, como conceito que abrange todas as pessoas, significa inclusão social. Mais do que outras tecnologias revolucionárias que surgiram antes, talvez, porque influencia a vida dos cidadãos em todas as áreas.
Essa inclusão digital se traduz no uso do computador, das tecnologias digitais, por pessoas que têm toda a vida afetada por ela, mas não lhes foi dada a possibilidade de interagir, de operá-la, sendo apenas agentes passivos.Um exemplo da abrangência da ação digital na cultura humana, seqüestrado dentre as tantas atividades cotidianas, é a literatura: todos podemos ler os livros que aí estão, publicados, independente da questão do custo e da possibilidade de aquisição deles. E ele, o livro, é um produto que desde a criação do texto, pelo escritor, até chegar à mão do leitor, é processado com o uso da tecnologia digital, que já é condição sine qua non em nossa cultura atual.
A obra, seja qual for o gênero, quase sempre é escrita em um processador de textos, software para se escrever no computador, com entrada pelo teclado ou por um programa de ditar, que reconhece a voz do operador – no caso o autor – e digitaliza o que foi dito. Depois da revisão e da correção, a edição e feita em um programa de editoração eletrônica. Em seguida, a impressão é feita com filmes feitos também por programas específicos de computador, em máquinas eletrônicas.
A dualidade da qual falamos no início, inerente a tudo, está presente também aqui, infelizmente. A par da maior agilidade e melhores resultados conseguidos com a tecnologia digital para se produzir o livro, está a democracia que a internet proporciona, colocando em risco o controle de distribuição e a proteção dos direitos autorais.
A obra publicada pode ser colocada na internet por qualquer pessoa e por qualquer motivo, sem que seja solicitada a devida permissão do autor e, não raro, aparecendo com outra autoria que não a verdadeira, o caso de plágio quase comum hoje em dia. O que prejudica o escritor e a editora (quando a edição não é do próprio autor), pois o texto vai ser difundido com autorias diversas e quem o produziu não vai receber nada por isso, sem contar que o livro não será mais vendido, já que o seu conteúdo estaria exibido num vitrine acessível em qualquer lugar no mundo onde houvesse um computador.
A cultura digital é assim: trouxe uma evolução fantástica na realização de trabalhos, arte e diversão, economizando tempo e esforço para o ser humano. Mas também criou aqueles que, como em qualquer ramo da atividade humana, usam do conhecimento da tecnologia para roubar, enganar, prejudicar o próximo, os bandidos da era digital.
Felizmente o resultado final é positivo. Ainda.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

EMPRÉSTIMOS A APOSENTADOS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xgg.com.br/ )

Li, há algum tempo, um livro sobre casas de idosos. O autor entrevistou pessoas que moravam numa dessas casas, para saber porque estão lá, como são tratados e porque não estão na própria casa ou na de um filho, um parente. O trabalho jornalístico é revelador e emocionante. Contundente, eu diria. Um bom livro. Chama a atenção da gente, mais uma vez, sobre o tratamento que damos aos nossos idosos. Mostra que, mesmo aqueles que estão lá, amparados, sofrem terrivelmente de solidão, a maioria deles. Então a gente fica pensando como estarão aqueles idosos mais humildes, sem recursos, que estão à mercê de uma aposentadoria irrisória e um sistema de saúde brasileiro falido.E falando em aposentadoria, me vem logo à mente os inúmeros "bancos" que oferecem empréstimos facilitados, por telefone, aos aposentados, sem nenhuma exigência. Fico indignado com a desfaçatez dessa modalidade de empréstimos, que tantos "bancos" - e cada vez aparecem mais, esfregam na cara de nossos idosos, porque o pagamento é garantido: é descontado diretamente da aposentadoria, com o aval do INSS. Não interessa, para quem dá o empréstimo, se vai sobrar pouco ou quase nada do já minguado dinheiro que eles recebem, o importante é que o retorno com lucro é certo. Não interessa se é o próprio aposentado que precisa daquele dinheiro ou se foi induzido, obrigado, até, a emprestar para entregar a terceiros. Onde estão nossos governantes, que não vêem a armadilha que é esse empréstimo? Já existem até aposentados que tiverem desconto na sua folha de pagamento, mesmo não tendo pedido o empréstimo e sem ter recebido nenhum dinheiro. Isso foi amplamente divulgado por todas as mídias. E fico ainda mais indignado ainda quando vejo pessoas importantes, atores e atrizes, apresentadores de TV consagrados, atletas, fazendo propaganda, induzindo as pessoas a fazerem tais empréstimos, se endividarem, a reduzirem ainda mais o quase nada que recebem.
E constato, através de casos dos quais tomei conhecimento que, quando os idosos realmente fazem o empréstimo, geralmente não fazem para si, mas para alguém da família. O fato de existir a possibilidade do crédito faz com que parentes insistam para que ele seja efetivado, mesmo que signifique o não recebimento de aposentadoria no final do mês, para quem o contraiu.Já vi notícias acerca de movimentos populares reivindicando uma revisão nesse estado de coisas e que o INSS iria estudar a situação, já que muitos aposentados foram lesados por esse Brasil afora. O que aconteceu, na verdade, é que recentemente o valor limite para concessão desses empréstimos foi aumentado, na contramão do que vem sendo esperado. E nada foi feito até agora para que esse abuso para com o aposentado não continue, para que ele não seja mais explorado do que já era até então. É uma vergonha que um sistema evidentemente falho, que dá margens ao aumento de fraudes e roubos justamente contra uma classe tão combalida, continue escancaradamente.
Para o nosso presidente, no entanto, apesar do descaso e ineficiência da saúde, da violência banalizada, dos "cartões" que continuam gastando dinheiro que nós vamos ter que pagar, do aumento da inflação e do desrespeito aos cidadãos brasileiros, está tudo bem.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O POVO E O TEATRO PEDRO IVO CAMPOS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )


Na sexta-feira, dia 14, fui à formatura das turmas de Fisioterapia e Educação Física da Udesc, no Teatro Pedro Ivo Campos. Na verdade, era a colação de grau da minha filha Daniela em Educação Física.
De cara, fiquei surpreso quando, ao chegar, os familiares dos formandos estavam sendo orientados a entrar pelos fundos do teatro, para tirar as fotos antes de iniciar as solenidades. Com um hall amplo como aquele que o Pedro Ivo Campos tem, os formandos tinham que se apertar num vão ao lado do teatro, no terceiro andar do que poderia ser os camarins, mas mais parecia lugar para guardar entulhos. Para os formandos, subir as escadas até que não haveria problema, mas as fotos a serem feitas eram deles com os familiares. E lá estavam pais e avós, alguns com dificuldades para subir escadas, com idade avançada, usando prótese, etc. Formou-se uma fila enorme numa escada em caracol que ficou entupida nos três andares até os “estúdios” fotográficos. Era difícil de ir ou vir.
Depois disso, a fila foi encaminhada para o amplo hall barrado para as fotos, passagem para a entrada do teatro propriamente dito.
Foram impostas, ainda, outras restrições, como não usar o tradicional papel picado no final da colação de grau. Os formandos usaram balões.
É difícil de aceitar este tipo de imposição desproposital, pois o teatro é do Estado, o que significa que é um bem do povo, pois foi construído com o rico dinheirinho que os cidadãos pagam de imposto. E este mesmo povo não tem direito de usar de forma ampla o que é seu de direito. E atentem para o fato de que a colação de grau era de formandos da Universidade do Estado de Santa Catarina.
Se fosse um evento político, com certeza não haveria nenhuma restrição de uso das instalações do teatro. Mas como era um evento de educação...

domingo, 16 de agosto de 2009

EUCLIDES DA CUNHA, O GRANDE ESCRITOR QUASE ESQUECIDO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Acabo de ler uma carta de leitor do Estadão, comentando o centenário da morte de Euclides da Cunha, o genial autor de “Os Sertões”, constatando que o grande escritor ainda é, infelizmente, um ilustre desconhecido. Bate naquela velha tecla que nosso sistema de ensino, falido, insiste em manter funcionando: a escola não forma leitores, apenas ensina a escrever, o que implica, automaticamente aprender a ler, mas não implica incutir o gosto pela leitura. Aliás, ensinava, pois depois das mudanças recentes no primeiro grau, quando mudaram o sistema de alfabetização, encontramos muitos alunos de terceiro, quarto anos que não sabem ler e escrever.
Um grande escritor como Euclides da Cunha não é conhecido dos estudantes e nem da maioria dos cidadãos brasileiros, porque a escola não tem, no seu currículo, um espaço para estudá-lo. Não vamos falar da qualificação dos professores, da sua remuneração e da motivação decorrente disso, pois já é lugar comum, embora valha dizer que não devemos nos conformar com este estado de coisas e exigir uma educação de qualidade, que temos o direito de tê-la.
Felizmente alguns jornais lembraram o centenário da morte do escritor, jornalista, engenheiro Euclides da Cunha, ocorrido no dia 15 de agosto, e isso colabora para que sua obra seja divulgada. Não é o suficiente, mas já é alguma coisa. Ele merecia mais respeito e reconhecimento pela excelência da sua obra, que poderia ter sido bem maior, se não tivesse morrido tragicamente aos quarenta e três anos de idade. Se ele produziu uma obra-prima como “Os Sertões”, muito mais poderia ter produzido, não fosse a morte prematura.
“Publicado em 1902, “Os Sertões” nasceu da cobertura jornalística de um dos conflitos mais sangrentos da história brasileira: a ação vitoriosa do exército contra revoltosos instalados na cidade baiana de Canudos. Euclides viajou para o local em 1897, a convite de Julio Mesquita, então diretor do jornal “A Província de São Paulo”, hoje “O Estado de São Paulo”.
Outros correspondentes já acompanhavam as tentativas do exército de derrotar os seguidores de Antonio Conselheiro, no interior da Bahia. Mas Euclides destacava-se como o escolhido natural: colaborador havia nove anos, publicara, nos dias 14 de março e 17 de julho daquele ano, dois artigos com o título de “A Nossa Vendeia”. São textos em que Euclides apresenta aspectos físicos daquela região do sertão e se aventura a dar palpites sobre as dificuldades táticas e estratégicas do levante.
No período em que cobriu o fato, Euclides submeteu-se a um verdadeiro rito: se quando deixou São Paulo estava seguro da natureza monarquista da rebelião em Canudos, o escritor (republicano) foi obrigado a reformular seu julgamento, forçado pelas contingências. E se tinha a urgência do repórter, acumulou material para a reflexão sobre o fenômeno que resultaria em “Os Sertões”.” (AN)
A Flip, Festa Literária de Paraty, realizada em junho, numa homenagem feliz dos seus organizadores já homenageava o escritor, com uma mesa-redonda para discutir o centenário e a obra dele.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

SOBRE OS LIVROS SELECIONADOS PELO EDITAL

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ )

Na crônica de ante-ontem, quarta-feira, falei do resultado do Edital da Cocali, que efetivou o cumprimento da Lei Grando, a tanto tempo em vigor, mas sem sair do papel, comprando livros de dez autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais de Santa Catarina. A Cocali selecionou dez livros: Palavras do Xeramõi (Adão Karai Tataendy Antunes), Relatos de sonhos e lutas (Amílcar Neves), Caro Rimbaud (C. Ronald), A Ira das Águas (Edla Van Steen), Beatriz em trânsito (Eloí Elisabet Bocheco), Alice passou por aqui... (Miriam Portela), Todas as casas (Roberto Gomes), Aço e nada (Rubens da Cunha), Melhores contos de Salim Miguel (Salim Miguel), Olho e fôlego (Vinícius Alves).
O comunicado da Fundação Catarinense de Cultura, que recebi através de e-mail, declarava que “A seleção contemplou diferentes gêneros, como romance, conto, poesia e literatura infanto-juvenil.” Como os livros selecionados estão listados da maneira como colei acima, sem o gênero de cada um, acabei incorrendo em erro, comentando que havia achado estranho que nenhum livro de crônica tivesse sido escolhido.
Um dos autores selecionados, Rubens, de Joinville, leu o post no meu blog e me alertou para o fato de que o livro dele era de crônica, o que mais uma vez agradeço.
E aproveito para corrigir o erro, pois entre os selecionados havia, então, livro de crônica. Mea culpa.
Mais uma vez, meus cumprimentos a FCC.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

LIVROS DE AUTORES CATARINENSES NAS BIBLIOTECAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Saiu hoje o resultado do Edital de Aquisição de Livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais catarinenses, finalmente efetivando o cumprimento da Lei Grando, promulgada há quase duas décadas sem que tivesse saído do papel. Serão comprados pelo Estado, conforme a lei, 300 (trezentos) exemplares de cada um dos dez livros selecionados pela Cocali, pela metade do preço de capa.
Foram 172 (cento e setenta e duas) obras inscritas, de diferentes gêneros, como romance, conto, poesia e literatura infanto-juvenil. Achei estranho não ter sido escolhido nenhum volume de crônica, gênero tão popular atualmente, mas tudo bem.
No comunicado da FCC com o resultado, consta que “Devido à qualidade, alguns títulos não selecionados ficaram automaticamente inscritos para a próxima edição do edital, que será lançado até outubro deste ano.” Seria importante que se publicasse quais são essas obras, para que os autores delas não se inscrevessem com as mesmas no próximo edital.
Fiquei feliz de ver que uma integrante do Grupo Literário A ILHA, a escritora Eloi Elizabeth Bocheco foi contemplada. Um dos dez livros escolhidos para compra e distribuição às bibliotecas municipais é “Beatriz em trânsito”. Parabéns a Eloí.
A Lei foi cumprida, depois de tantos anos. Isso é importante. Um pouco da literatura catarinense vai, finalmente, estar em nossas bibliotecas. Parabéns a FCC.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

LITERATURA CATARINENSE NO AR

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Alguém notou que o endereço que coloquei hoje ali em cima, do lado do meu nome, é diferente daquele que eu coloquei nos dias anteriores? Pois é que o portal PROSA, POESIA & CIA., do Grupo Literário A ILHA, do qual sou editor, está mudando de endereço. O Geocities, nosso hospedeiro há quase uma década, está fechando as portas em outubro, de maneira que estamos pegando nossas páginas, botando debaixo do braço e rumando para o XPG. Para aqueles que gostam de literatura, então, o novo endereço é Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br .
Lá, o visitante encontrará muito sobre literatura catarinense e também muito sobre literatura brasileira. Além da edição on-line da revista do grupo, o Suplemento Literário A ILHA, lá está a revista eletrônica LITERARTE, de cultura e literatura, com nova edição a cada mês.
E mais: as seções "Grandes Mestres da Poesia", com a vida e obra de grandes poetas da língua portuguesa, como Quintana, Drummond, Coralina, Pessoa, "Livros on-line", com edições on-line de livros de poemas, "Literatura Infantil", focalizando a obra de escritores catarinenses desse gênero tão especial, "Escritores de Santa Catarina", com a biobibliografia de escritores catarinenses consagrados, como Urda Alice Klueger, Enéas Athanázio, Salim Miguel, Apolônia Gastaldi e outros, 'Literatura para o Vestibular", "Entrevistas com Escritores", "Artigos sobre Literatura", e as antologias "Todos os Poetas", "O Tema do Poema", já contando com centenas de poetas e "Feira de Contos", "Crônica da Semana", todas elas abertas à participação dos visitantes.
Aquele que gostar de literatura deve visitar nosso portal. E aqueles que escrevem também, pois como podem ver, no que diz respeito às antologias, temos espaço para vários gêneros, como poesia, conto, crônica e também literatura infanto-juvenil.
Visite-nos. Junte-se a nós.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O BRASIL E A GRIPE A

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Falei, recentemente, sobre o descaso com a gripe A aqui no Brasil. As “autoridades” esperaram que a doença se instalasse para então tentar remediar. Acontece que o atendimento aos doentes é de péssima qualidade, porque médicos e atendentes em postos de saúde e hospitais não estão preparados e também não há nem hospitais nem médicos suficientes. O remédio, que nem ao menos se sabe ao certo se é eficiente, só é dado para quem está mal, quase morrendo. Quem está apenas com suspeita, com possibilidade de debelar a doença no início, não ganha.
A internet está cheia de denúncias sobre as informações que os meios de comunicação divulgam a respeito do número de vítimas, que seria muito maior do que ventilam. O governo estaria impedindo a divulgação de dados corretos. Não se pode acreditar em tudo o que está na internet, mas quanto a isso não é de duvidar.
Enquanto isso, o nosso presidente vai viajar por aí, faz reuniões sobre futebol, usa o seu “precioso” tempo para passar a mão na cabeça de políticos imorais que transformaram o Congresso em um antro de corrupção e roubalheira.
Será que o senhor presidente sabe que ele também pode contrair a gripe A? Que apesar de ele pensar que é Deus, ele pode sim, ficar doente?
Deus me perdoe, mas fico pensando cá com meus botões, se não seria bom o vírus aparecer lá no Senado num dia em que estivessem lá todos os senhores senadores. É esperar demais que todos estejam lá no mesmo momento, não é?
Recebo um e-mail de uma amiga brasileira que está morando na Eslováquia, e não posso deixar de transcrever aqui o que ela diz sobre a gripe A:
“Aqui na Slovakia a gripe não chegou, talvez até chegue, mas bem antes das coisas acontecerem, o povo já está afundando nas informações, nas prevenções. Medidas já foram e são frequentemente estudadas para impedir que a gripe chegue até nós. É outra cabeça, eles não vão esperar a gripe chegar para depois combatê-la. Eles sabem que não há jeito de impedir que ela chegue, mas estão tentando tudo para evitar isso... nada a ver com o Brasil, que esperou que muitas pessoas morressem para depois pensar no que fazer... Incrível. Sinto vontade de ficar por aqui, mesmo!”
Pois é... Feliz dela que está lá fora e pode escolher. Nós temos que ficar por aqui mesmo. O que temos que fazer é lembrar de tudo o que está acontecendo quando chegar a hora de votar. Porque os nossos "representantes", os "políticos" corruptos que estão no poder estão lá porque nós votamos neles. Cabe a nós mudar isso.

domingo, 9 de agosto de 2009

MEU PAI E EU

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Dia dos Pais novamente e eu não ia escrever nada sobre o assunto, porque adoro a época, quando o carinho que recebo normalmente aumenta de tamanho, mas por outro lado me lembro de meu pai e isso me deixa um pouco triste. Não pretendia escrever, então, porque não queria mais uma crônica triste, mas sei que essas coisas se identificam com outras pessoas e acabam aproximando a gente, integrando-nos, nós, filhos da mesma mãe natureza que somos.
Meu pai talvez não tenha sido tão pai quanto eu desejaria que ele tivesse sido, mas é possível que isso tenha servido para alguma coisa, pois procurei compensar um pouco com minhas filhas. Não sei se consegui, mas o fato é que tenho filhas maravilhosas.
Sinto falta, ainda hoje, de um pai mais presente na minha vida. Talvez ele não tenha sabido ser um bom pai e eu, também, não tenha conseguido ser um filho melhor, tentando me aproximar mais, mesmo na idade adulta, para que pudéssemos ser mais amigos.
É dolorido não poder lembrar um carinho, um abraço, um sorriso especialmente dado pra mim. Como já disse, os tempos eram outros, a maneira de demonstrar afeição talvez fosse diferente, mas não poderia ser tão diferente a ponto de não chegarmos a reconhecê-la. Será que havia medo em demonstrar sentimentos?
É possível que eu esteja sendo egoísta, mas para que não se repita mais o meu erro, conclamo todos os filhos – e todos nós somos – a dar um pouco mais de atenção e carinho a seus pais, mesmo que eles relutem em receber. E a todos os pais, também, a perceber o carinho vindo dos filhos e, principalmente, conclamo-os a retribuir, por mais sutil que isso tenha que ser.
Acho que gostaria de ter um dia, apenas mais um dia para mim e meu pai, para que pudéssemos preencher esse vazio, essa falta de alguma coisa que poderia ter sido, mas não foi, poderia ter existido, mas não existiu, poderia ter acontecido, mas não aconteceu. Essa sensação de amor contido, desperdiçado, perdido.
Sinto saudade de ter saudade de meu pai.

sábado, 8 de agosto de 2009

CANÇÃO DA SAUDADE

(para todos os pais)

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – lc.amorim@ig.com.br )

A saudade era imensa. Quando via ou ouvia alguma coisa bela, uma flor, muita cor, luz, sorrisos, um animal, pássaros, árvores, natureza, música, risos, choro de criança, lembrava dele. Seu pai fazia muita falta.Aquela teimosia em querer as coisas da maneira certa e esperar que os outros também fossem corretos, por exemplo, era coisa dele. Ele se decepcionava com a falta de responsabilidade e de bom senso das pessoas, mas não mudava a sua maneira de ser. Herdou dele a honestidade e a retidão. Não herdou aquele riso alto e bobo, a achar graça de algumas coisas corriqueiras e engraçadas que as outras pessoas nem percebiam. Ah, aquele riso feliz... Aqueles olhos que viam beleza onde os nossos olhos não alcançavam...Ele ensinou isso a ela: a olhar e ver. Ensinou-a a valorizar o sorriso raro e desgastado de quem ainda tinha forças para sorrir, a se compadecer e ajudar um pobre animal velho e abandonado, a apreciar as cores e descobrir a beleza das flores mais comuns. Ensinou-a a ouvir e a gostar de música clássica, assim como das cantigas singelas que cantava com ela na infância, do som de água de uma cascata de águas limpas e claras, do som harmonioso de uma flauta doce, do canto de pássaros livres na natureza, no amanhecer. Ensinou-a a gostar de ler, a reconhecer nos livros, muitos deles, fontes de descobrimento e conhecimento. Ensinou-a a ter fé numa força superior que rege nossos destinos e nossa esperança e força para caminhar rumo ao futuro.Aquelas mãos rudes que seguraram tantas vezes as suas, com carinho e ternura, deveriam continuar presentes. Aquela voz serena, que sabia ser dura, quando era preciso, lhe ensinara muitas verdades, mesmo quando já soava fraca e cansada. A vida era mais fácil quando havia seu ombro e seu peito para encostar a cabeça e chorar, até, se fosse inevitável. Hoje, ela apenas pede a ele que venha sentar-se à soleira de seu coração para lhe contar uma história qualquer, com aquela voz serena e grave, num sonho bom e feliz. Sonho bom em que ele, pai, encostaria a cabeça num pedacinho da alma dela e lhe cantaria uma canção de ninar, sonora e melodiosa. Depois, pediria a ele, antes que o sonho terminasse, que lhe dissesse um poema de amor, um daqueles que ninguém mais sabe e só ele poderia lhe dizer...Então acordaria, feliz, ainda que a saudade perdurasse, e sorriria como ele gostava que sorrisse.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

OFICINA DE CRÔNICA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Há algumas semanas, recebi um e-mail de estudantes me pedindo material sobre o gênero crônica, que estavam fazendo um trabalho sobre ele. Mandei dois livros de crônicas meus, nos quais alguns textos são comentários sobre aquele gênero literário. Em Jaraguá do Sul, há algum tempo, foi feito um ótimo trabalho sobre crônica, numa grande escola daquela cidade, quando algumas turmas do segundo grau escolheram nomes conhecidos da crônica catarinense e nacional e eu tive a honra de ser o escolhido por duas delas. Mais recentemente recebi pedido de dados a meu respeito e entrevista de outras duas turmas que também estavam fazendo trabalho sobre crônica.
Isso revela que as escolas estão estudando este gênero tão praticado, ultimamente, e por isso mesmo algo popular, pois todos os jornais publicam crônicas, não só de autores consagrados, mas também de seus leitores.
A Academia Catarinense de Letras, aproveitando essa ascensão, programou a Oficina de Crônica, que acontecerá todas as quintas-feiras de agosto, no auditório da casa, que fica no Centro Integrado de Cultura (CIC). Sempre das 17h às 19h30min, nomes conhecidos da literatura catarinense estarão ministrando atividades destinadas a estudantes, escritores e apreciadores do gênero.
Na primeira semana, Lauro Junkes, presidente da ACL, falou sobre Conceito e Tipologia da Crônica. O escritor Flávio José Cardozo, por sua vez, falou sobre técnicas e desafios na vida de um cronista.
No dia 13, o palestrante será Júlio Queiroz, que falará sobre História de Crônica no Ocidente, com depoimento de Jair Francisco Hamms. No dia 20, Regina de Carvalho fala de Elementos, Diálogo e Humor na Crônica, seguindo-se bate-papo com Silveira de Souza. Na última semana, Celestino Sachet apresenta o tema Crônica Não é História, com a participação de Sérgio da Costa Ramos.
Parabéns a ACL por essa programação que valoriza o gênero crônica, olhando-o sob vários prismas, o que deve melhorar ainda mais a produção atual e incentivar a sua leitura.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A SITUAÇÃO DO ESCRITOR BRASILEIRO

Hoje não vou escrever nada. Vou apenas transcrever um artigo da minha amiga Teresinka Pereira, brasileira radicada nos Estados Unidos, professora universitária e presidente da IWA - International Writers and Artistis Association:

CARTA RESPOSTA A LUIZ C. AMORIM PELO ARTIGO “A SITUAÇÃO DO ESCRITOR PRASILEIRO”

Por Teresinka Pereira (Presidente da International Writers Association – USA)

Li por acaso, porque fomos publicados lado a lado no jornal O DIA do Piauí, mas com muita atenção, o seu artigo “A Situação do Escritor Brasileiro”. Você tem muita razão em tudo o que diz ali: todos os escritores do mundo dizem a mesma coisa, que o único espaço acessível ao escritor moderno é a internet. Eu creio que nos encontros de escritores nós devíamos fazer alguma coisa mais produtiva do que reclamar.
Temos que encontrar uma saída para a crise de espaços. Os editores de revistas, jornais e até de alternativos (e você é um bom exemplo) merecem nosso aplauso, nosso agradecimento e nossa admiração, porque sacrificam seus recursos econômicos, seu tempo e suas energias criativas para fazê-lo, pois em vez de estar escrevendo sua própria obra, estão ajudando aos outros escritores a divulgar a deles. Felizmente, quase todos os amigos publicados por esses meios, reconhecem e mandam umas palavras agradecendo.
Li em uma revista que, segundo editores franceses, de acordo com a realidade do sarcozismo, a cultura da paz e humanitarismo não são temas de lucro comercial, quer dizer, não vendem. Todo o mundo saiu a criticar os editores e a Nicolas Sarkozy, que representa essa mentalidade de que o lucro comercial é a nossa salvação, idéia clonada da Wall Street americana. Talvez o povo francês, o que trabalha, anda pela rua, compra e vende, já esteja cansado de ser modelo literário e cultural do mundo e queira encher os bolsos de euros em vez de livros que não tem tempo de ler. E o resto do mundo vai na mesma onda. E temos que considerar que a recessão econômica vai ensinar que barriga vazia pode inspirar a um poeta ou a um filósofo, mas não deixa ninguém com vontade de ler. E o que acontece quando o leitor não acha que o livro valeu o preço que pagou por ele? Pois o que você mesmo diz em seu artigo é verdade: “Consta que, apesar da dificuldade de se publicar livros, o número de escritores aumenta cada vez mais, ainda que a qualidade de uma grande parte seja discutível”.
Pois o que acontece é isso: uma decepção. A gente compra um livro e depois verifica que o mesmo não corresponde a nossa expectativa. Temos que recordar que o livro é considerado quase que como um objeto sagrado para os bibliófilos como eu. O lugar mais importante da minha casa e da IWA (International Writers Association) é a biblioteca.
Ninguém tem o direito de ir lá e procurar livros sem o meu consentimento e tem que fazê-lo sob minha vigilância. Portanto, temos que esperar que o livro mereça esta estimação. O escritor venezuelano Victor Bravo diz com certeza: “O livro é um âmbito de cultura, mais que um meio para um fim. Esse âmbito é uma das conquistas mais valiosas da humanidade.”
Mas não é necessário ir ao estrangeiro para buscar elogios ao livro por excelência e como objeto de saber. O escritor brasileiro Cyro Armando Catta Preta escreveu esta quadra sobre o livro: “O livro é teu grande amigo / o braço que ajuda e ampara. / É alimento, é vinho, é trigo, / colhidos em messe rara...”
Quero contribuir com essa investigação de como resolver o problema da publicação das obras literárias botando minha colher de pau na panela. Temos que considerar que os editores não são os únicos culpados, embora eles sejam os primeiros a receber o xingatório por serem comerciantes interessados somente no lucro de venda da nossa criatividade e sacrifício. E olhando por esse mesmo lado, os consumistas também são culpados, porque em vez de comprarem um livro ou uma revista literária para ler um novo escritor ou um poeta ainda não consagrado, não arrisca seu pequeno investimento circunstancial e prefere comprar ou um desses livros de ajuda psicológica ou social, que os vai ensinar como se comportar ou como pensar positivamente para serem bem sucedidos na vida. Ou pior ainda, compram uma revista pornográfica que vai mais diretamente ao ponto da diversão, ou um livro de autor já conhecido para aumentar o seu conhecimento lítero-cultural.
Portanto, se os editores são tão difíceis de convencer, vamos tentar convencer aos prováveis compradores de livros de que o nosso livro representa a melhor e mais vantajosa compra que ele vai fazer. As vezes uma capa mais colorida e chamativa pode fazer o truque, às vezes o título, às vezes a publicidade no lançamento. Mas para lançar um livro, temos que publicá-lo, imprimi-lo primeiro. E se não conseguimos convencer um editor ou uma cooperativa, vamos ter que pagar pela edição nós mesmos. Nisso sou toda a favor! Os grandes escritores do presente e do passado, os que ficaram na história da literatura fizeram isso ao começar a se expor ao gosto do público. Podem investigar que vão achar que as primeiras edições foram pagas pelo autor. E como gastar tanto dinheiro para fazer a edição por conta própria, se um livro editado custa quase o mesmo que um carro, uma viagem ao estrangeiro? Pode custar menos! Portanto, pague-se o livro e que espere o carro, a viagem. Estas coisas terão mais valor quando nosso livro for bem recebido, bem reconhecido. Mesmo que não seja possível jamais realizar o sonho do carro ou da viagem, vamos fazer companhia aos milhões de poetas ou escritores pobres desse mundo... mas o mais certo é que o livro vai nos ajudar a encontrar um emprego de professor, de jornalista, de empregado público, se para isto tivermos também diplomas e capacidade. O livro vai abrir muitas portas no mundo intelectual, que é o nosso mundo e o único que queremos: o livro publicado pode ser nosso melhor investimento para o futuro. Mas...
O livro que publicarmos terá que ser excelente! Tem que ser uma estréia para dar o que falar, para ser resenhado, para ser lido pelos críticos literários e professores, os quais, naturalmente devem receber o livro como um presente. Se esses leitores escolhidos não gostarem do livro ou acharem que o livro não apresenta nenhuma novidade, que o autor está chovendo no molhado, que foi tudo uma perda de tempo, eles provavelmente não vão fazer muitos comentários favoráveis e vai faltar publicidade. E pior do que tudo, os leitores que pagaram pelo livro podem pensar que o escritor fez uma falta ecológica por ter gastado papel.
Portanto, cabe ao escritor, inclusive ao poeta, encontrar a solução para o problema do espaço viável para se expor à crítica, a qual determinará se vai à consagração ou ao esquecimento. E lembramos que, como criadores literários, devemos ir não pelo caminho já trilhado antes, que surte mais efeito e talvez dê bom resultado, mas por uma paisagem nova, por um lugar aonde ninguém passou ainda e deixar um novo caminho descoberto.
Obrigada pela inspiração, companheiro Luiz Carlos Amorim. Valeu.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

NÓS E A GRIPE A

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

E a gripe A, que era branda, com a qual o cidadão brasileiro não precisava se preocupar porque as autoridades sanitárias estavam tomando todas as providências, tudo estava sob controle, está matando as pessoas também no nosso país. E não são crianças e velhos que estão morrendo, são adultos saudáveis, na maioria.
O nosso país (ou nossas “autoridades”) se comportaram, frente à gripe A, como se comportaram frente à crise mundial: não nos atingiria, era só uma “marolinha”.
Pois a marolinha está matando as pessoas. As mesmas pessoas, cidadãos brasileiros, que estão indo aos hospitais e postos de saúde, quanto têm algum sintoma da doença e esperam horas na fila para, se forem atendidos, receberem, via de regra, o diagnóstico de que não é a gripe A. Só internam e dão a medicação para a gripe A se o estado do paciente for grave. Mas se já estiver em estado grave, o paciente estará morrendo, como tem acontecido.
Por que não medicar quando houver suspeita? É preciso estar morrendo para receber medicação? Aí não adianta mais.
O Estado do Paraná divulgou nota, hoje, instruindo que seus médicos e hospitais mediquem os pacientes já quando houver suspeita da doença, e não só os pacientes mais graves. É o que todo o país deveria estar fazendo.
Aqui em Santa Catarina não havia casos de morte até poucos dias atrás e agora instalou-se o medo. Não se encontra mais o álcool gel, muita gente está correndo para os pontos de atendimento e ficando horas na fila.
Os tais pontos de atendimento, infelizmente, por todo o país, não estão equipados para atender a população, pois não há sequer profissionais suficientes para isso. E os que estão atendendo, muitas vezes não estão qualificados, ao contrário do que se apregoa nas mídias e as pessoas acabam voltando para casa sem atendimento ou sem atendimento apropriado.
Os cuidados de higiene precisam ser tomados, sem sombra de dúvida, sempre, pois eles minimizam o risco de contaminação. Mas há casos em que não podemos evitar de estar em lugares com concentração grande de pessoas, pois precisamos pegar o ônibus, precisamos trabalhar, precisamos ir à escola.
Esta é mais uma oportunidade, infelizmente, em que constatamos a precariedade da saúde em nosso país. Todos estamos vendo o descaso e a desfaçatez de quem administra o dinheiro público e o gasta acintosamente em favor próprio, enquanto a saúde, a educação e a segurança são deixados em último plano.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

OS SARAUS POÉTICOS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Descobri que nós, do Grupo Literário A ILHA, somos precursores na realização de modernos saraus. O Recital de Poemas, que fazíamos nas praças, em feiras de arte e em locais fechados como festas e escolas eram, na verdade saraus de poesia.
Isso me ocorreu ao ler matéria sobre a existência de dezenas de saraus na cidade de São Paulo, na edição de ontem do Estadão. São mais de trinta, ao todo, a maioria deles reunindo poetas para ler e ouvir poesia, mas alguns dão especo também para teatro, dança, etc.
Fiquei feliz ao saber que um trabalho que já fazíamos há trinta anos atrás está se popularizando, tornando a poesia mais conhecida e praticada, motivando as pessoas a lerem mais e a produzirem mais este gênero ainda meio maldito, pois apesar de ter produção tão intensa, vende tão pouco. Ainda bem que é bastante lido, também, pois a internet possibilitou a exposição e o acesso, embora a qualidade do que é publicado lá nem sempre seja das melhores. Mas isso é assunto para outra crônica.
O importante é que os espaços estão lá, abertos a quem queira utilizá-los e a realidade dos saraus se multiplicando dá gás, dá motivação a quem produz e prazer a quem ama a poesia.
Precisamos voltar a fazer os saraus, por aqui, porque a boa poesia encontra cada vez mais ouvintes, seja aonde for.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O VALOR DA VIDA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Ontem, domingo, ao voltar do Rio Grande do Sul, paramos em Lages para fazer um lanche, quase uma da tarde. Uns quinze minutos depois, saímos do posto que fica à beira da BR 282 e perto do centro da cidade. Três quilômetros adiante, na subida do morro (no sentido de quem vai para Florianópolis) vimos surgir no alto, no sentido para Lages, uma enorme bola de fumaça que saiu da estrada e voou para o barranco, numa velocidade muito grande. Como ninguém que vinha atrás parou, encostamos para ver o que era, pois de cima da estrada não dava para ver o que havia lá embaixo no barranco.
Eu não estava dirigindo e saí rapidamente do carro, correndo pela beirada do barranco. Vi logo, no meio do mato não tão alto um carro com as rodas para cima, ainda saindo alguma fumaça da parte da frente. Não consegui saber a marca do carro e também não vi se ainda tinha placa, pois desci rapidamente o barranco um tanto íngreme para ver o que havia acontecido com as pessoas que poderiam estar dentro. Quando cheguei perto, não ouvi nenhum barulho e chamei para ver se alguém respondia. Muito silêncio, pensei por um momento que não havia sobreviventes. Mas tentei abrir alguma porta e comecei a ouvir um gemido baixinho, que foi ficando mais alto, transformando-se em gritos em poucos minutos. Consegui abrir uma porta e vi que era uma mulher. Ela estava com a cabeça pressionada contra o teto do carro que estava virado para baixo. A cintura estava levantada, presa pelo cinto de segurança. Ela estava com o corpo suspenso e dava pra ver um osso de uma das pernas saltado para fora da calça. Eu já havia pedido que telefonassem para os bombeiros e polícia quando descera e como mais pessoas começaram a parar, pedi que telefonassem também. Alguns homens desceram atrás de mim e pedimos uma faça para cortar o cinto de segurança e soltar a moça, que sentia cada vez mais dor. Gostaria de poder dar a ela algum analgésico, pois a dor que sentia deveria ser muito grande. Minha esposa desceu também e enfiou os braços e a cabeça para dentro do carro, para tentar acalmar a moça e segurá-la, também, pois quanto mais ela tentava se mexer, mais gritava de dor. As coisas dentro do carro estavam todas fora do lugar, mas havia lugar para a moça, mas não dava para tirá-la de lá enquanto não chegasse alguém com equipamento para isso.
Já havia passado algum tempo desde que telefonaram pedindo socorro, mais de dez minutos e ninguém aparecia. Subi o barranco para pedir que continuassem ligando e a polícia havia chegado. Eles também estavam ligando, mas eu perguntava se alguém já estava a caminho e eles diziam que ninguém ainda saíra para vir até ali, pois havia um grande incêndio em Lages.
Continuamos esperando, telefonando, ouvindo a moça gritar de dor, sem poder fazer nada a não ser esperar. Já havia passado meia hora quando apareceram os bombeiros, primeiro um carro, depois outro, também um carro do Samu, mais uma ambulância e mais polícia. Até então não aparecia ninguém, mas quando começou a chegar, chegou tudo de uma vez.
O tempo enorme que o socorro levou para chegar é inaceitável, mesmo que houvesse um incêndio na cidade. A distância estava a apenas três quilômetros e não há só os bombeiros, como bem se viu quando começaram a chegar os carros com o socorro: há hospitais, com ambulância, o Samu, etc. Se o acidente fosse mais grave, a vítima poderia ter morrido até chegar ajuda.
Outra coisa que me deixou indignado, foi o fato de as pessoas que estavam logo atrás do carro que voou barranco abaixo não pararem para ver o que acontecera, para tentar ajudar, não deram a mínima importância para o que viram. E não era um carro só.
Vi num jornal de Lages de hoje que a moça tem vinte e quatro anos e que o carro dela era um pálio. Teve fratura exposta nas duas pernas. A polícia disse não saber o que causara o acidente. Nós vimos que o carro estava envolto em fumaça antes de cair na ribanceira e havia até fogo.
Em outro acidente que tive entre Itajaí e Balneário Camboriú, também demorou muito a chegar o socorro médico. Parece que, infelizmente, as coisas não mudam.

domingo, 2 de agosto de 2009

A PRAÇA DAS FLORES E A RUA COBERTA


Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Começou ontem, em Nova Petrópolis, cidade próspera da serra gaúcha entre Caxias e Porto Alegre, o Festival Internacional de Folclore. Vai até o dia 16 e acontece na Praça das Flores e no Parque Aldeia do Imigrante, com uma extensa programação, apresentando grupos folclóricos, grupos de dança e grupos musicais do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Paraná, Alagoas, Goiás, Rio de Janeiro, Paraíba, Pará e países como Coréia do Sul, Argentina, Paraguai e Finlândia.
Foram montadas tendas na rua principal no centro da cidade, ao lado da Praça das Flores, com muito artesanato local e até de outros países e uma praça de alimentação.
E também um palco onde são apresentados, das onze horas da manhã até à noite, quase que ininterruptamente, espetáculos dos grupos convidados, que na sua maioria são coreografias bem interpretadas. A performance dos grupos é belíssima e a organização do evento é perfeita, pelo menos no que diz respeito ao espectador, que não tem que ficar esperando entre um número e outro.
A Praça das Flores, escolhida como local para sediar o Festival, é uma praça lindíssima, ampla, cheio de verde e árvores, fazendo jus ao nome: um quarto ou quase um terço da enorme praça é coberto de canteiros de flores. Atualmente, com o frio, há muito amor-perfeito, de todas as cores e tamanhos, há boca-de-leão, há os repolhos-flores, dos quais falei na crônica de ontem, além de plátanos com as suas folhas ficando amareladas pelo frio.
E, passeando pela praça, no meio da profusão de flores e dos muitos turistas que estão na cidade, vi algumas pessoas com cartazes na mão. Os cartazes falavam de uma rua coberta, projeto que está tramitando na prefeitura, prestes a ser aprovado, e que provocou a indignação de cidadãos de Nova Petrópolis.
Acontece que a Rua Coberta que se pretende fazer substituirá a parte da praça que hoje comporta os jardins pejados de flores que dão nome a ela. A cobertura atingiria a Rua Rui Barbosa e os canteiros da praça que ficam logo ao lado. E os moradores da cidade não querem perder a área sempre florida da sua tradicional praça, não querem que as flores da sua praça deem lugar a uma área coberta que nem sabem ao certo para o que vai servir.
E acho que eles têm razão, porque será uma pena visitar Nova Petrópolis e não poder ver a quantidade de flores de diferentes tipos, conforme a estação, que enchem os canteiros da praça e os olhos da gente.
A Praça das Flores e as suas flores, o labirinto e os plátanos são marcas registradas da cidade, são o seu cartão postal, assim como o Parque Aldeia do Imigrante.
Então não há como acabar com as flores da praça para colocar em seu lugar uma Rua Coberta. Espero que o movimento em favor da praça consiga a não aprovação de tal projeto, um tanto quanto infeliz.

sábado, 1 de agosto de 2009

AS FLORES-HORTALIÇAS (OU HORTALIÇAS-FLORES?)




Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Apesar do frio aqui na serra gaúcha, temos passeado por Nova Petrópolis e pelas cidades vizinhas. A paisagem e a arquitetura são muito bonitas e a região lembra Pomerode, a cidade catarinense considerada a mais européia do Brasil. E a semelhança com a paisagem da Europa, aqui, estende-se ao campo, onde a diferença talvez seja as oliveiras, que vicejam na Espanha e em Portugal e o que coincide, de mais marcante, são os vinhedos. Lá e aqui as parreiras são freqüentes nas áreas agrícolas. Aqui, atualmente, as vinhas estão peladas, por causa do frio, mas lá é primavera e elas estão brotando. Outra coisa em comum são as culturas de pinus e eucaliptos.
São cidades pequenas, mas muito limpas, muito bem cuidadas, muito organizadas, essas do norte (ou nordeste?) gaúcho. Por aqui se trabalha muito, no campo e nas indústrias de calçados, de malha de lã e também em empresas beneficiadoras de couro. Há muita oferta de roupa de lã de boa qualidade e a moda deste tipo de confecção é muito moderna e diversificada, original, até, eu diria, nesta região.
Come-se muito bem, a comida caseira e típica é uma delícia. Serve-se bom chocolate quente e há até lugares que servem boas sopas.
Nova Petrópolis e a maioria das cidades ao redor dela são de colonização alemã, então a gastronomia reflete essa influência, assim como a arquitetura e a decoração. A cultura também, há quem quase só fale alemão e o folclore local tem raiz no folclore alemão. Não por nada, começa hoje e vai até o dia 16 a Festa do Folclore, com inúmeras atrações.
Na cidade e no campo, o amarelo (ou alaranjado) de laranjeiras, limoeiros, pés de tangerina, de lima, carregados de frutos maduros, mistura-se ao colorido das flores.
As ruas e os jardins são decoradas com jardins onde sempre há muitas flores, como o amor-perfeito, que atualmente enche de cor todas as praças e canteiros. Amores-perfeitos grandes, médios, pequenos, de todas as cores e tamanhos. Há também azaléias, cravos, um ou outro manacá-da-serra, muitas cerejeiras japonesas maravilhosamente cobertas de flores. E apesar do inverno muito forte, ainda há outros tipos de flores que resistem à geada como boca-de-leão, funcionária, etc..
E hoje, passeando pela grande praça no centro da cidade, enfeitada com dezenas de canteiros enormes de amor-perfeito, cada um de uma cor diferente e alguns com flores de duas ou três cores, belíssimas, vimos alguma coisa inusitada, que não soubemos definir se era hortaliça ou flor. As folhas, na base, eram de repolho. Mas o centro das plantas eram diferentes, com folhas (ou pétalas?) coloridas ou brancas, com as bordas crespas. Ou então pareciam pés de couve, mas as folhas do centro também eram coloridas.
As flores-hortaliças ou hortaliças-flores despertaram a atenção de nativos da terra e de turistas, que passaram a assediar os canteiros para admirar o inusitado da planta e fotografar para passar a novidade adiante.
Como eu, que fotografei para ilustrar esta crônica aqui no blog. Vejam vocês mesmos e digam o que acham. Perguntei a funcionário da prefeitura, que estava na praça, se ele sabia o que eram aquelas plantas diferentes e ele me disse que ouvira alguma coisa sobre plantas modificadas para se tornarem decorativas, alguma coisa parecida. Seja o que for, o resultado ficou muito bonito.