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domingo, 28 de fevereiro de 2010

NOVA EDIÇÃO DE A ILHA CIRCULANDO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E estamos iniciando o ano de 2010, com mais uma edição, esta de número 112, da revista mais perene da literatura catarinense. 2010, o ano que o Grupo Literário A ILHA e o Suplemento Literário A ILHA completam 30 (trinta) anos de atividades, de existência e resistência.
Como já dissemos em dezembro, a revista de junho será uma edição especial de aniversário e, além disso, estaremos publicando os primeiros volumes de uma coleção de livros de crônicas de escritores integrantes do Grupo Literário A ILHA, em comemoração ao nosso trigésimo aniversário, a exemplo da coleção de doze volumes de livros de poesia, POESIA VIVA, publicada quando esta revista publicou sem número 100.
Estaremos, antes, em abril, na Feira do Livro de Joinville, já comemorando os trinta anos de atividades, pois foi lá, na Cidade das Flores, que o grupo exerceu suas atividades mais tempo, cerca de vinte anos.
Para a feira, levaremos esta edição do Suplemento A ILHA, com assuntos como:
“O Chá dos Imortais”, sobre a Academia Brasileira de Letras, por Urda Alice Klueger;
“2010 – 65 anos sem Mário de Andrade”;
“O Poeta e a Mídia”, por Enéas Athanázio;
“De novo o Fim do Livro”, sobre a chegada ao Brasil do Kindle,, leitor de textos digital;
“O mundo dos livros e o Carnaval”, sobre o samba enredo de uma escola de samba;
“A intuição e a técnica da Escrita”, por Cissa de Oliveira;
Célia Biscaia Veiga escreve sobre a música “A Lista”;
Irene Serra surge “Em meio aos Girassóis”;
“Quem quer publicar livro” de graça?
E ainda muita poesia, de Maria de Fátima Barreto Michels, de Harry Wiese, de Mary Bastian, de Aracely Braz, de Martim Elias, deste cronista, de Clotilde Zingali, de Else Sant´Anna Brum, de Erna Pidner, de Joel Rogério Furtado e de poetas de outros países, como Nuno Rebocho, de Cabo Verde, Teresinka Pereira e Orazio Taneli, dos Estados Unidos e Zhang Zhi, da China.
A revista estará no ar amanhã, no portal do Grupo Literário A ILHA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br .
Continuamos firmes no propósito de divulgar a literatura e dar espaço aos novos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

ROLANDRO BOLDRIN, SENHOR BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Num dos últimos sábados, passeando pelo canais de TV para saber se havia alguma coisa assistível - coisa que eu não deveria estar fazendo, pois tenho muita coisa pra fazer, entre revistas a editar, livros para ler, páginas de sites para colocar no ar, crônicas a escrever - tive uma feliz surpresa. Encontrei um dos melhores programas da televisão brasileira de hoje e de ontem: encontrei Rolando Boldrin declamando e contando causos, valorizando a nossa música popular, o nosso folclore, as nossas raízes. Como ele já fazia há décadas no Som Brasil, que por alguns anos foi apresentado pela Globo, lá estava ele com o seus “causos” e suas modas de viola.Agora o nome do programa é Senhor Brasil, mas o formato é o mesmo, é o mesmo “Som Brasil” que o consagrou. Eu vi o programa na TV SESC, mas ele é produzido pela TV Cultura. Que boa notícia saber que este grande artista, este grande cantor e declamador que é Rolando Boldrin continua na caminhada, fazendo o que ele sabe fazer melhor.A televisão brasileira está mais rica com o programa Senhor Brasil. Que se divulgue pelo Brasil afora, para que todos os amantes da boa música, dos bons causos e da boa declamação, tão rara neste nosso país, saibam e assistam, para matar a saudade.
Para que as pessoas saibam como é declamar bem e assim, quem sabe, algum telespectador descubra que é também tem o dom e assim essa arte tão sublime e ameaçada de desaparecer ganhará continuidade.
Boldrin continua convidando grandes nomes da música popular brasileira, com o Milton Nascimento, que vi outro dia, e prestigiando valores regionais, mostrando as tradições e o folclore musical de várias partes do país.
O programa de Boldrin pode ser considerado, sem o menor favor, o melhor programa do gênero musical da TV.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AS CACHOEIRAS E A HISTÓRIA DE CORUPÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Um amigo escritor da terrinha mandou-me, recentemente, uma mensagem me perguntando se eu tinha alguma sobre a história de Corupá, para colaborar com ele em uma pesquisa para elaboração de um novo livro.
É que ele saiu a campo e visitou pessoalmente quase todas as cachoeiras de Corupá, mesmo aquelas mais difíceis de serem acessadas, e usou este material para uma obra na qual descrevia como chegar em cada cachoeira, fornecia os números – como altura, vazão da água, distância, etc., revelando tudo sobre as tantas quedas d´água que existem no Vale das Águas.
Pois ele bem batalhando há mais de ano e não conseguiu, ainda, patrocínio para publicação do livro. Ao invés disso, prometeram-lhe publicar um livro sobre a história da cidade. Daí o pedido dele.
Ora, Corupá tem uma vocação turística inestimável, que não é suficientemente explorada. Temos turistas que procuram a cidade para ver a Rota das Cachoeiras, por exemplo, mas eles vêm por causa da propaganda boca-a-boca, que quem vem fica maravilhado e fala pros amigos, coloca na internet e isso vai divulgando as belezas que são tantas. Mas o município faz muito pouco, não aproveita oportunidades como a novela da Manchete que foi gravada no Seminário, por exemplo, há alguns anos.
Eu, pessoalmente, fiz um site sobre a cidade, com a Rota das Cachoeiras, mapas e outras atrações, comuniquei a prefeitura para que divulgassem em folders sobre o maior patrimônio corupaense, que são as cachoeiras, mas não sei nem se eles mesmos, da administração da cidade, foram lá dar uma olhada.
A verdade é que seria muito bom para Corupá que o livro sobre as cachoeiras e rios da cidade fosse publicado. E quanto a história de Corupá, ela é importante, com certeza, e poderia abrir o referido livro, de forma sucinta, objetiva, para não cansar o leitor. Enriqueceria o livro e as duas coisas se completariam.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

CACHOEIRAS E O SEMINÁRIO DE CORUPÁ







Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Corupá, a terra das Cachoeiras, localizada aos pés da Serra do Mar, no norte da Santa e bela Catarina, tem dezenas de quedas dágua. Além da Rota das Cachoeiras, no Parque Emilio Battistela, com 14 delas, existem muitas outras, como a localizada no Recanto Gaudete, da qual ainda não consegui saber o nome, a da Bruaca, que é vista quando se está chegando em Corupá e também aquela que vai sumir, se uma hidrelétrica for construída no Rio do mesmo nome. Há também a Cachoeira Véu de Noiva, no Rio São Paulo, belíssima e outras dezenas que não conheço. Esta última, a Véu de Noiva, eu conheci recentemente, quando estive num restaurante do interior. Não é à toa que Corupá é o Vale das Águas.
Mas minha incursão por Corupá, no último final de semana, começou por um almoço no Seminário Sagrado Coração de Jesus. Ele continua lindo e majestoso, com a igreja na primeira fachada e a segunda fachada em estilo meio gótico, com tijolos à vista. É um conjunto de edifícios que no final parece ser um só, imenso, mas muito bonito. Um dos cartões postais da cidade, que com toda a grande área que existe ao seu redor, transformou-se em local de grandes eventos, como shows de cantores sertanejos, reunindo grandes públicos, em torno de cinco mil pessoas ou mais.
A novidade é que lá se serve uma comida muito boa, caseira, variada e saborosa. Por enquanto, o serviço funciona apenas para eventos, mas segundo o administrador do Seminário, como o número de seminaristas diminuiu drasticamente nos últimos anos e há uma infraestrutura quase pronta, um restaurante aberto à comunidade nos finais de semana está previsto para breve. É apenas o tempo para fazer algumas reformas, atualizar o equipamento da cozinha, climatizar a sala e teremos um novo restaurante em Corupá.
Faz tempo que eu acho que a estrutura do Seminário precisava ser melhor aproveitada, então essa é uma boa notícia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

LITERATURA - FATOR DE INTEGRAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO

Ao escrever, ao produzir literatura, o autor espera, com certeza, que o público se manifeste, de preferência, satisfeito com a sua obra. Mas ele tem que esperar – e aceitar, também - as críticas e o desagrado, que o que agrada a um leitor pode não agradar a outro.
Logo após o lançamento do meu segundo livro de contos, recebi vários cumprimentos – verbalmente, por telefone, por carta, por todos os meios, de pessoas que fizeram questão de se pronunciar a respeito, dar a sua opinião. Excelente, pois o termômetro para medir a qualidade do nosso trabalho é o leitor. Passado algum tempo da euforia do lançamento, recebi outras duas ligações que se destacaram e me fizeram escrever esta crônica: a primeira, de uma pessoa que eu não conhecia e que, tendo comprado o livro, ligou para dizer que se identificou com a verossimilhança dos meus textos, que gostou da maneira como abordei a realidade do cotidiano das personagens – personagens que poderiam existir do lado de cá, de fora dos livros. E um outro, de outra pessoa que eu também não conhecia, muito zangada, indignada, até, porque num dos contos havia uma personagem com características e situações que guardavam semelhança com alguém de sua família.
O mais importante disso é a comprovação de que as pessoas estão comprando livros e estão lendo o que compram. Talvez isso não esteja acontecendo, ainda, com a freqüência que desejaríamos, mas já está acontecendo. Se o leitor entra em contato com a gente para comentar o obra, é porque realmente leu o livro. Devagar, com bons livros, com boas aulas de leitura e literatura nas escolas, boas bibliotecas, boa literatura infantil – coisa que com certeza temos em nosso país – e, principalmente, colocando a criança em contato com livros desde muito cedo, vamos conseguindo atenuar aquela história de que brasileiro não lê. Poderia ler mais, se o preço do livro fosse menor, mas existem as bibliotecas municipais, de escolas, de associações, de clubes, existem os sebos e as feiras, existem as coleções de literatura clássica e contemporânea nas bancas, onde ou não se paga nada para emprestar o livro ou se paga bem menos para adquiri-lo.
E se nós, autores, levarmos até o leitor uma literatura que se identifique com ele, que tenha mais em comum com ele, que divida com ele espaço, tempo e costumes, sem que com isso tenha que colocar de lado a criatividade e a imaginação, estaremos colocando o livro mais perto do público consumidor e o distanciando de pseudo-literaturas que grassam por aí.
É verdade que chegar até o leitor não é fácil, pois publicar um livro esbarra em diversos e enormes obstáculos: as editoras publicam quase que exclusivamente autores consagrados, best sellers e “enlatados” (importados). A edição própria é muito cara, pois papel e impressão são itens bastante caros e a distribuição é inexistente.
Resta a democracia da Internet, que tem possibilitado a publicação e projeção de muitos novos poetas e escritores. O meio eletrônico é barato e de fácil acesso. Há também a publicação de antologias pelo sistema de cooperativa, onde os autores se reúnem, dividem despesas, resultados e trabalho: selecionando textos, organizando a antologia, escolhendo gráfica para impressão, fazendo lançamentos e colocando o livro debaixo de braço para oferecê-lo. O preço do custo do livro é dividido entre os autores que publicarão nele e o número de exemplares publicados, idem.
A divulgação dos autores novos ou regionais é muito pequena, os veículos de comunicação não dão a cobertura esperada para motivar o autor a continuar produzindo ou o leitor a procurar ler. Aos poucos, no entanto, esse cenário parece que vai mudar. A Internet, como já dissemos, está aproximando mais o autor e o leitor. Grandes jornais estão conseguindo voltar a publicar cadernos ou páginas que falam de literatura, embora em alguns casos esses cadernos e/ou páginas sejam rotulados de “variedades” ou “cultura”, por abrigarem também outro tipo de arte e as famigeradas colunas sociais ou de fofocas.
As revistas e jornais literários sobrevivem, ainda que as edições impressas tenham diminuído muito – muitos deles têm apenas edição eletrônica ou virtual, o que já é alguma coisa. – o importante é que a publicação exista. Embora nada substitua o papel impresso, obviamente.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O HOMEM LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Vi, recentemente, no programa Via Brasil, uma reportagem mostrando o “Homem Livro”, de Aracaju. Por que ele é chamado “Homem Livro”? Porque angaria livros, junta-os e sai à rua para distribuí-los às pessoas, gratuitamente. Ele pede livros em doação e os entrega para quem gosta de ler. Não é sensacional? Já vi muitos incentivadores de leitura, gente que sai no bairro e pede livros aos vizinhos e vai formando uma biblioteca comunitária, gente que ao invés de pedir os livros, pede lixo reciclável, então os vende para comprar livros novos para bibliotecas e escolas. Aqui em Florianópolis há até um menino que pediu um cantinho do “boteco” do pai, foi recolhendo livros na comunidade e improvisou uma biblioteca e agora empresta livros às pessoas do bairro.
Mas não tinha visto um personagem curioso assim como o “Homem Livro”, que pede livros por onde passa, vai ao centro da cidade caracterizado – na sua roupa existem trechos de livros, capas de livros, tudo sobre livros – e os oferece à comunidade.Precisamos de mais homens livros, precisamos que eles se multipliquem para que o incentivo à leitura e o acesso ao livro, objeto tão caro hoje em dia, seja democratizado de maneira tão generosa.
Precisamos de mais gente generosa como o “homem livro”, que se transformou em estandarte em prol da democratização do acesso à leitura, em prol da criação de mais leitores, promovendo a distribuição de cultura e de informação.É bom ver iniciativas como esta. A gente constata que nem tudo está perdido. Que ainda existem novas ideias, criatividade e dedicação na luta conta a ignorância e a miséria. Que há quem se preocupe com a educação e com a instrução das pessoas, mesmo as mais humildes, com a cidadania, enfim.
Há uma luz no fim do túnel. Há esperança para nós, seres humanos. Ainda.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

CAMBUCÁS E JACATIRÕES




Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Hoje estou na terrinha, Corupá, a terra das cachoeiras, minha terra natal. Fico feliz pra caramba de voltar para rever o vale das águas e rever a família que está quase toda reunida aqui.
Mas uma coisa empanou essa alegria. Como estamos em fevereiro, que é o mês em que amadurecem os cambucás, fui ver, num terreno que era da minha avó, um cambucazeiro jovem que eu conhecera no ano passado. Eu sabia que ele já produzira pelo menos uma vez e fui certo de que conseguiria colher e comer um cambucá, depois de mais de quarenta anos desde a última vez que comi da delícia que é essa fruta.
Pois o terreno estava desbastado, não havia sequer uma árvore ou um pé de mato em cima dele, haviam destruído tudo o que havia lá. Fiquei decepcionado, pois era o único pé de cambucá que eu conhecia. Alguns amigos de outras cidades como Joinville que tinham a árvore em casa até me convidaram, há algum tempo, para visitá-los, mas eu estava aqui, sabia onde havia uma, fui direto para lá e não encontrei nada.
Ainda bem que descobri que uma tia minha tinha um cambucazeiro na casa dela, também muito jovem, produzindo pela segunda vez e com poucas frutas, mas ver e experimentar de novo o sabor de uma delas pelo menos.
A decepção com o pé de cambucá extirpado me lembrou outra, que tive em São José, ontem, quando passeava pela rua ao lado de um grande supermercado e admirava os grandes pés de jacatirões de inverno - manacás-da-serra - que lá existem. Um deles estava seco, morto, sem retorno. Um outro tinha algumas folhas verdes, ainda, mas estava também quase todo seco, a caminho da morte certa.
Um de meus caminhos terá um pouco menos de cor e beleza no próximo inverno. Das 7 ou oito árvores – enormes – que havia, teremos menos duas florescendo. Uma pena.
Mas a vida continua. Menos mal que sei que ainda há pés de cambucá dando fruto e ainda há pés de jacatirão que florescerão.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

AQUILO QUE NOS CATIVA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Antes de qualquer coisa, quero me desculpar por não postar nada ontem, mas é que o meu provedor de internet, a dona Net, estava a lesma lerda, então não pude enviar nada. Já estou imprimindo as velocidades mínimas com que me deparo na maioria das vezes para rescindir meu contrato com a Net. Mas deixa pra lá.
Minha amiga Regina Rozenbaum, do blog Tô Fora, Tô Dentro (http://toforatodentro.blogspot.com/), colocou em prática uma boa idéia para reunir poetas que ela conhece. Propôs um texto ou poema coletivo a partir de um texto dela, publicado no blog, pedindo que todos escrevessem sobre “O que me cativa”. Foi um sucesso. Muita gente aderiu e Regina organizou os escritos em um grande e belíssimo poema, que ela dividiu em partes.
Tomo a liberdade de copiar uma das partes e transcrever a seguir. É claro que eu não poderia deixar de participar de iniciativa tão simpática há alguma coisinha minha nesta e em outras partes.

Papel em branco aguardando a escrita,
prazer de sentir as palavras brotarem dos nossos dedos,
enchendo de cor espaços outrora vazios...abstração...libertas inspiração...
Um livro a ser desvendado...mergulho...
Nos cativa a poesia
Seja com rima ou sem ela
Drummond, Adélia, Clarice, Fernando, Quintana com sua poesia imortal...
As artes e o gosto pela paleta e pincéis, c
olorido na vida quando fica em tons cinzentos...
Música, vaguear no tempo e no espaço, visitando memórias,
viajando ao encontro dos sonhos, aninhados num abraço...
Dançar, entregues à leveza, lentamente...
Cantar, desafinar, entrelaçar os dedos no barro...
Fotografia, luz contraste da sombra,
captura de momento único, expressão de sentimento, revivência no depois...
Arquitetar artes nos cativa, ser livre de acreditar no inacreditável,
fantasiar o presente, sonhar o futuro doce e colorido.
A vida, ars, nos cativa.

Também ganhei um selinho, aquele que está lá no alto, da minha amiga e conterrânea Mariza, (somos de Corupá, a terra das Cachoeiras) do blog http://marebrisadosaber.blogspot.com/ , com algumas condições bem simpáticas:
1- Publicar e dizer quem te ofereceu o Selinho.
2- Responder as seguintes perguntas:
Você ama? Sim, como não fazê-lo?
Você adora? Viajar
Você deseja? Conseguir conscientizar o mínimo que for de pessoas no sentido de cuidar de nosso meio ambiente para garantir um futuro para nossos filhos e netos.
Você sonha? Que a Terra sobreviva ao ser humano.
Você é?
SOU (por Luiz C. Amorim)

Sou assim inquieto,
irrequieto, indócil,
romântico, atrapalhado,
simples tal qual criança.
Sou um aprendiz da vida,
do amor e da esperança.
Saudade é dever de casa...
Sou qual garoto precoce,
com pressa em ser gente grande;
sou qual adulto, crescido,
desejando ser criança.
Sou poeta, amante, amado,
sou mais que eu, simplismente;
sou tantas vidas a um tempo,
dentro e fora de mim,
que me divido em mais eus.
Sou pequenino, sozinho,
mas sou grande,
muito grande,
com alguéma me esperar...


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O MUNDO DOS LIVROS E O CARNAVAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Grata surpresa, neste carnaval, ver o livro, em toda a sua exuberância, presente na folia. A Salgueiro trouxe o livro para a passarela, coisa meio que impossível, pois o livro parecia, até então, não combinar com carnaval.Pois a Salgueiro trouxe o mundo dos livros, com toda a sua história e trajetória para o Sambódromo, usando um evento tão popular como o carnaval para incentivar o hábito da leitura e mostrar a importância do objeto mágico que tem o poder de transformar o mundo.
O samba-enredo, “Histórias sem fim”, fala de realidade e fantasia, arte do saber, cita o livro como “divina criação”, fonte de sabedoria e inspiração. Recomenda os clássicos, os romances e aventuras, chamando atenção para a “quanta riqueza no nossa literatura”. O desfile mostrou como histórias e personagens mexem com a imaginação da gente e começou contando a história da imprensa com a apresentação de manuscritos, escribas e iluminuras.
Na comissão de frente, a volta à era medieval, quando os livros eram manuscritos. O carro abre alas representou uma gráfica contemporânea com 55 acrobatas da Intrépida Trupe imprimindo movimentos. A divisão dos setores foi feita de acordo com os gêneros literários, compostos de obras representativas e personagens de cada um deles.
Foram apresentados gêneros como romance, clássicos, aventura, ficção, infantil e autoajuda. No gênero infantil, desfilou Monteiro Lobato com Pica-Pau Amarelo, Pequeno Príncipe e Ali Babá e os 40 Ladrões. Dois personagens se destacaram na avenida do samba: a personagem Emília do "Sítio do Pica-Pau Amarelo" e um robô do clássico da ficção científica "Eu, Robô". O desfile terminou com o livro de autoajuda hindu.
Muito bem ver que o carnaval se presta a mostrar que o hábito da leitura é uma coisa importante para a vida de todos nós.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

“Música é a linguagem universal das emoções”. Não é, necessariamente, sinônimo de alegria. Nela exprimimos esperanças, anseios e aspirações, sentimentos cuja profundidade nem sempre as palavras traduzem.
Música é cultura, tradição, é arte. Ela pode ser dividida por suas características regionais, ritmos e mensagens, mas não deixará de ser predominantemente jovem, por mais antiga que seja. Música é sinônimo de juventude de espírito.
A música clássica, por exemplo, tem permanecido no tempo com importância sempre crescente, angariando novos adeptos, à medida que ocupa espaços antes ocupados por estilos mais populares. De música erudita apreciada apenas por intelectuais que foi – e talvez não tenha deixado de sê-lo de todo – o som clássico universal vem ganhando progressivamente a aceitação e adesão dos jovens, ao dividir espaço, num passado recente, com outros tipos de música, no rádio, na televisão, na Internet.
Já a música sertaneja, considerada há algum tempo, por uma grande parte público ouvinte, como rudimento de mau gosto musical, tem subido na preferência popular, equiparando-se, em venda e execução, a grandes sucessos de outros gêneros musicais. Ela, a música sertaneja (há ainda quem a chame de “caipira”?), que se reveste de grande importância por retratar, no seu modo singelo, a sensibilidade, o lirismo e a poesia de uma gente simples e pura.
O jovem, particularmente, prefere a música romântica e o som pesado, como rock, os “raps” e as bandas novas que vão surgindo, com experiências diferentes e inovações.
A música popular brasileira, apesar de prejudicada pela invasão dos sucessos importados, resiste na luta com bons compositores e intérpretes que tem.
Em se falando de Música Popular Brasileira, pensamos logo “samba”. Há que se esclarecer, no entanto, que o samba é o resultado da influência africana, do canto dos negros escravos que, tirados de sua pátria para servirem os senhores brasileiros, implantaram características e costumes seus na nossa cultura. Não é, pois, algo que tenha tido origem entre os nativos da terra.
Na verdade, não existe a genuína Música Popular Brasileira, aquela nascida aqui, exclusivamente com motivos da terra, da gente da terra, da cultura da terra, se não considerarmos a música sertaneja (ou caipira?). Foi ela que nasceu no nosso meio rural, no interior do nosso país, sem qualquer influência que não da vida simples do homem do campo, seu trabalho, seus amores, suas dores, sua terra. É certo que hoje ela está se tornando mais urbana, mas mantém suas raízes - o som e os temas perseguem as origens.
Pode parecer exagero, mas não é de hoje que os discos de música sertaneja vendem tanto ou mais do que qualquer outro gênero de música. Há duas ou três décadas atrás, atribuía-se isso ao fato de ser mais barato o disco deste tipo de música. Hoje, os sucessos sertanejos aparecem nas listas dos mais vendidos ao lado ou acima de sucessos internacionais e ninguém mais tem vergonha de dizer que gosta dessa música, que pode ser a mais executada, a mais ouvida e mais cantada, em qualquer lugar no país, seja nos grandes centros ou em pequenas cidades.
Apesar disso, o samba foi consagrado como símbolo da Música Popular Brasileira. Não que isto seja ruim, mas denota mais uma influência de fora que predominou no Brasil, dentre tantas. E a originalidade, a singeleza, o lirismo e a autenticidade da música sertaneja, tão popular e tão brasileira?

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A PCH EM CORUPÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Estamos em fevereiro e me ocorre que a audiência pública para a aprovação ou não do projeto que pretende criar uma PCH (pequena central hidrelétrica) no Rio Bruaca, em Corupá, foi prometido, ano passado, para este mês.
Essa audiência é importante, para que o povo e as lideranças políticas da cidade se manifestem quanto à aprovação ou não da construção de barragem, desvio do rio Bruaca para o ribeirão Correias, diminuindo assim drasticamente a água da Cachoeira Bruaca, a mais visível de Corupá, sem contar com a devastação de áreas preservadas, com abertura de estradas para transporte de matéria prima para a construção e instalação de linhas de transmissão.
O relatório de estudo dos impactos ambientais – que fatalmente ocorrerão – estava previsto para ser entregue em outubro do ano passado, mas até agora não foi publicado. Ou foi?
Além dos problemas já citados, como seria feita a comercialização gerada na pequena hidroelétrica? Essa energia estaria disponível para consumo da cidade? Como seria feita a integração para fornecimento entre a Celesc ou outra empresa que comprasse a eletricidade e a PCH?Essas são algumas das perguntas de pobres mortais leigos no assunto, como eu, que não foram respondidas ainda, pois o relatório de impactos ambientais, que deveria esclarecer esses e outros pontos, não está disponível.E o patrimônio ecológico e natural da cidade, do qual faz parte a Cachoeira da Bruaca, a primeira de dezenas delas que todos podemos ver quando estamos chegando à cidade e que terá o volume de água diminuído, fazendo-a desaparecer em algumas épocas do ano?
É preciso que a sociedade se organize, para estudar muito bem os prós (há algum?) e os contras da construção de uma PCH em Corupá, o Vale das Águas, cujo principal cartão postal é a Cachoeira Bruaca, que corre o risco de desaparecer.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

UMA LUZ?

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

E o senhor José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, teve sua prisão preventiva levada a efeito, finalmente, por ordem do Superior Tribunal Federal . A defesa do governador corrupto entrou com pedido de habeas corpus, que felizmente foi indeferido pelo Ministro Marco Aurélio, ainda bem.Será que isso é uma luz no fim do túnel, um sinal de que os políticos corruptos vão deixar de ser intocáveis e terão que pagar pelos seus crimes? Ou apenas elegeram um bode expiatório, para parecer que as coisas estão mudando? Sim, porque se começarem a prender os políticos ladrões, vai sobrar muito, muito pouco neguinho por aí.E no meio da baixaria toda, o nosso excelentíssimo presidente tinha que dar o seu toque de gênio, claro, declarando (depois negou) que estava muito “chateado” com a prisão do governador (ou ex?) do Distrito Federal. Com os tantos escândalos de corrupção e roubalheira que tem vindo à tona durante todo o seu “governo”, ele não fica chateado, pois não? Aí está tudo bem. Aliás, não é a primeira vez que ele passa a mão na cabeça de político denunciado por corrupção e apropriação de bens públicos.Espera-se, não é de agora, que pelo menos a Justiça seja correta, neste país, para que o resto, quem sabe, então comece a entrar nos eixos. Bom sinal ver que ela não aceitou o pedido de habeas corpus e mantém o “governador” preso. Até quando, não se sabe, pois de repente acham uma brecha e o dito cujo é libertado.
Os pedidos de impeachment também estão sendo analisados, será que serão aceitos? Ou será que o “governador” renuncia antes, para não perder os “direitos políticos”?Precisamos aprender a votar. Ou então não votar em ninguém, anular o voto, para que saibam que não temos candidatos decentes, não temos tido opções decentes. Não mais podemos votar em candidatos como este governador e tantos outros “políticos” que grassam por aí. Já chega de corrupção e roubalheira. Precisamos dar um basta.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ESCRITORES BRASILEIROS X IMPORTADOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Comparando as listas de livros mais vendidos na última semana (segunda de fevereiro) de duas das grandes revistas semanais de informação brasileiras, chamou-me a atenção o fato de que na categoria ficção, não há nenhum livro de autor brasileiro nas primeiras dez colocações. Na categoria “não-ficção” até há alguns, mas daí, é claro, não estamos falando de literatura – esses livros falam de auto-ajuda, política, moda, etiqueta e até história – e um bom exemplo é “1808”, excelente obra sobre a história do Brasil. Nos dez livros infantojuvenis mais vendidos, de novo, nenhum autor nacional.
Fico pensando, ao ver isso, que isso é uma evidência de que o leitor brasileiro – que já não é uma unanimidade, pois ainda se lê muito pouco cá nas terras tupiniquins, seja pelo preço do livro, seja pela educação ou falta dela – não gosta de ler os autores da terra.
E as listas dessa semana não são um caso isolado, pois a ausência de escritores brasileiros entre os mais lidos é comum. Lá de vez em quando aparece um, mas na maior parte das vezes é na categoria não-ficção.
Por que será que brasileiro compra quase só livros importados? Por que são melhores? Eu não diria isso, pois temos obras de escritores nacionais melhores do que muito enlatado. Mas é claro que quem só lê autores estrangeiros não sabe, porque não leu o autor da terra e não pode comparar.
Talvez porque o livro importado tem muito mais divulgação, já vem com o pacote completo e mesmo que não tenha sido sucesso lá fora, ele vem com status de best seller, e brasileiro adora dizer que leu o livro da hora. Às vezes compra o livro e só lê a orelha, para poder dizer que leu. Parece que alguns acham que é “chique” ler o livro que todo mundo está lendo, que está sendo lido pelo mundo, sei lá. Há leitores que só compram os livros que estão na lista dos mais vendidos. E sabemos que realmente a compra, em muitos casos, é influenciada por essas listas, que queremos crer sejam honestas, verdadeiras e não tentem apenas induzir o leitor a comprar.
As editoras brasileiras deveriam, talvez, trabalhar mais as obras de escritores da terra. Mas se é tão mais fácil vender os enlatados, que já vem com um rastro de sucesso – que nem sempre é verdadeiro – para quê gastar energia e dinheiro com os daqui?
Não que alguns dos livros escritos originalmente em outras línguas não tenham valor e mereçam o sucesso, mas o livro é negócio para as editoras e livreiros, é investimento. E eles dão preferência para aqueles que a televisão, o cinema, os jornais, revistas e internet ajudam a divulgar. Sem despesa para elas.
Nós leitores, deveríamos ser menos sugestionáveis e dar mais valor à prata da casa.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

PROPAGANDA ENGANOSA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Existem algumas poucas coisas que gosto de ver na televisão, mas fico cada vez mais indignado com o que vejo nos intervalos dos programas. O que há de propaganda mentirosa, enganosa, abusiva, é um absurdo. E ninguém faz nada, parece que aquele espaço, aquele veículo é terra de ninguém, porque anuncia-se o que se quer, do jeito que se quer, prometendo o que quiser, independente de ser verdade ou não. Na televisão a cabo e até na aberta, há aqueles comerciais de 2 minutos, às vezes três, de produtos milagrosos que fazem coisas mirabolantes em curtíssimos espaços de tempo. Exemplos são aparelhos de exercício físicos e remédios para emagrecer, embora existam dezenas de outros produtos, pois a cada dia aparece um novo, que os canais de venda shop isso e shop aquilo têm com exclusividade para fornecer. Os aparelhos prometem emagrecer e tornar o corpo da gente definido e musculoso com seções de 5, 10 ou 15 minutos diários. Um faz dez ou vinte tipos de exercícios, outro faz outro tanto diferente, mas todos fazem milagres instantâneos com nossos corpos. A gente está vendo que é mentira, mas eles estão ali, repetindo e repetindo as mentiras em “comerciais” milionários pelo tempo enorme que ocupam e que na verdade, quem paga é o consumidor incauto que compra o produto que eles empurram.
A propaganda enganosa é aquela que induz o consumidor ao erro, ou seja, quando apresenta um produto ou serviço com qualidades que não possui. É uma propaganda falsa. A propaganda abusiva é ainda mais grave, pois induz o consumidor a comprar produtos que ele não precisa ou que não fará o que ele espera, pelo contrário, poderá prejudica-lo . São propagandas que incitam à violência, desrespeitam valores ambientais, exploram o medo do consumidor, ou se aproveitam da deficiência de julgamento ou inexperiência das crianças. Ambas as modalidades de propaganda - a abusiva e a enganosa - são expressamente proibidas pelo Código de Defesa do Consumidor.Além da responsabilidade penal, o Código impõe ainda uma responsabilidade civil aos veiculadores de propaganda enganosa ou abusiva. Tal responsabilidade advém do efeito vinculativo da propaganda, através do qual o fornecedor obriga-se por toda e qualquer informação que fizer veicular. Além do Código de Defesa do Consumidor, existe, desde 1980, o CONAR, Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária, uma ONG encarregada de fazer valer o Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, cabendo-lhe, dentre outras atribuições: funcionar como órgão judicante nos litígios éticos que tenham por objeto a indústria da propaganda ou questões a ela relativas.No Código temos que os preceitos básicos que definem a ética publicitária são: todo anúncio deve ser honesto e verdadeiro e respeitar as leis do país, deve ser preparado com o devido senso de responsabilidade social, evitando acentuar diferenciações sociais, deve ter presente a responsabilidade da cadeia de produção junto ao consumidor, deve respeitar o princípio da leal concorrência e deve respeitar a atividade publicitária e não desmerecer a confiança do público nos serviços que a publicidade presta.O CONAR atende a denúncias de consumidores e autoridades. Recebida a denúncia, o Conselho de Ética do CONAR que é soberano na fiscalização, julgamento e deliberação se reúne e a julga, garantindo amplo direito de defesa ao acusado. Procedente a denúncia, o CONAR recomenda aos veículos de comunicação a suspensão da exibição da peça ou sugere correções à propaganda, podendo inclusive advertir anunciante e agência, sendo capaz de adotar medida liminar de sustação no intervalo de algumas horas a partir do momento em que toma conhecimento da denúncia, visando obstar que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas.Seu Conselho de Ética tem competência para julgar as representações por infração ao Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, aplicando as sanções cabíveis, que compreendem advertência, recomendação de sustação de divulgação do anúncio, recomendação de alteração ou correção e divulgação da posição da entidade.
O CONAR não tem poderes para retirar propaganda enganosa do ar e conceder ressarcimento aos prejudicados, pode no máximo sugerir a retirada do ar da publicidade viciada, sem qualquer via de coercibilidade. Isso não adiantava em nada aos consumidores primeiro porque não produzia o ressarcimento do dano e segundo porque não leva em conta o efeito residual da publicidade enganosa, já que mesmo retirada do ar, continua a produzir efeitos e a influencias pessoas que foram expostas a mesma e não foram informados do motivo da suspensão da veiculação.
Então vejo uma peça publicitária no Conar, na tv, afirmando que fiscaliza e não deixa que propagandas enganosas fiquem no ar, na televisão ou qualquer que seja a mídia. Chego a conclusão que isso é a maior das propagandas enganosas, visto o número enorme de propagandas que estão no ar, dia após dia, prometendo mundos e fundos sem que ninguém faça absolutamente nada para que elas parem de ser exibidas. Primeiro, que o Conar não tem poder para tirar a propaganda enganosa do ar. Segundo, que parece não estar fazendo o seu trabalho, que é identificar a propaganda enganosa e fazer de tudo para que elas não continuem no ar.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

LITERATURA INFANTIL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Li, recentemente, um artigo sobre literatura infantil que, apesar de ver o tema por um ângulo apenas, teve a minha adesão, ainda que apenas pelo que foi lembrado, não pelo que deixou de ser colocado.O enfoque do texto recaía sobre as fábulas e os contos infantis clássicos, como "Branca de Neve e os Sete Anões", "O Gato de Botas", "Joãozinho e Maria", "Barba Azul", os contos das mil e uma noites, etc.
O artigo chama a atenção sobre o fato de tais histórias ensinarem às crianças a mentira, a vingança, a trapaça, a deslealdade, o oportunismo, a hipocrisia, a corrupção, a inveja e outros vícios e defeitos execráveis do ser humano que os infantes podem levar para a idade adulta, pois eles são uma esponja que absorvem tudo, um disco rígido vazio pronto a gravar qualquer informação.Vou transcrever um dos exemplos dado pelo artigo para melhor compreensão: "A madrasta de Branca de Neve detesta a enteada, que é mais bonita do que ela. Manda, então, matá-la - isso mesmo, matá-la - por inveja. Não sendo obedecida na sua ordem, ela mesma, disfarçada em vendedora de maçãs, envenena-a."
O autor do texto, Carlos A. Vieira, defende uma revisão nessa literatura infantil, porque da maneira como é apresentada, não serve para a criança. Não são as fábulas histórias escritas para servirem de veículo de lições de moral e, conseqüentemente, ensinar algo bom e construtivo para ser utilizado na vida, para se crescer como ser humano?
O que discordei no texto foi a ausência de menção à literatura infantil brasileira, aquela produzida por Monteiro Lobato e, depois dele, por tantos outros bons autores. O articulista falou apenas da literatura infantil importada, com todas as suas más influências, quando temos no Brasil uma produção considerável e grande parte dela de boa qualidade. Verdade que existem os textos rebuscados, destoando da linguagem que se deve usar quando se escreve para criança, mas a maioria deles passa uma boa mensagem, em boas histórias com personagens originais e interessantes.
Tanto que a literatura infantil é o gênero mais vendido atualmente em nossas livrarias, em feiras e bienais e até em bancas de jornais. Isso é facilmente comprovável em pesquisas e estatísticas de livrarias, editoras e livreiros, publicadas em grandes revistas semanais.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ANTOLOGIAS

Não é de agora que publicar um livro é muito difícil, principalmente para os novos escritores, os inéditos. As editoras não arriscam em autores desconhecidos e edições próprias são muito caras, sem falar na distribuição do livro acabado, pronto, que é um problema à parte. Nos anos 80, valendo-se desse anseio de escritores que não tinham ainda nada da sua obra em livro, mas que queriam ver seu trabalho publicado, fosse em uma edição solo ou em qualquer outra publicação do gênero, apareceram as antologias. As páginas e os suplementos literários, que já eram poucos, foram sumindo rapidamente e os alternativos tinham dificuldades em sobreviver. Havia sido encontrada a solução milagrosa para suprir a falta de espaço no que dizia respeito ao escoamento da produção literária dos novos: as antologias cobravam por página e os “editores” publicavam volumes alentados, com mais de quatrocentas páginas, em alguns casos, e em coleções de quatro ou cinco volumes. Desta maneira, as antologias publicavam centenas de novos escritores, a peso de ouro, com os valores correspondentes cobrados em parcelas, cobrados antes de imprimir o livro, é claro.
Pagava-se para entrar e, em se pagando, publicavam qualquer coisa. Muitas vezes sob a alegação de que se tratava de um concurso, com seleção dos melhores textos, só que todos que enviavam algum trabalho eram selecionados. O resultado era uma torre de babel, com pouca coisa boa e muita coisa de péssima qualidade ocupando a maior parte dos livros.
Falo com conhecimento de causa, pois participei de duas dessas antologias, que passei a chamar de “antologias milionárias”, visto que só eram interessantes para quem as editava.
Para os “editores” era um grande negócio: além de cobrar caro e receber adiantado, eles nem sequer precisavam se preocupar com a distribuição ou venda dos livros: eles já estavam vendidos, pois cada um dos escritores que pagou, antecipadamente, para participar, pagou pela publicação e pela compra de exemplares.
O custo dos livros não chegava nem a um terço do que era cobrado pela participação na antologia. O resto era lucro dos “editores”.
E essa “indústria” das antologias existe ainda hoje. É comum recebermos, em nosso e-mail, “convites” de algumas “editoras” para participarmos de determinadas antologias, com relação de preços por página e número correspondente de exemplares a que se tem direito.
É de se lamentar, pois depõe contra trabalhos sérios que são feitos com sacrifício, com critério e com qualidade. Bem diferente das antologias comerciais e milionárias que, em sua grande maioria, são compostas de textos fracos, sem valor literário: tudo é publicado, desde que se pague o preço.
Alguns grupos de escritores – inéditos, principalmente, mas não apenas eles – estão driblando essa indústria de má fé, reunindo-se em cooperativas, isto é: selecionam o material, calculam o custo e o dividem, proporcionalmente, entre o número de participantes. A edição é dividida entre os autores publicados também proporcionalmente ao número de páginas ocupado por cada um. Não há que haver lucro para nenhum organizador ou editor e os escritores podem reaver o que foi investido com a venda dos exemplares recebidos.
É natural que queiramos publicar o nosso trabalho. Mas precisamos submetê-lo à apreciação de outrem, de preferência pessoas ligadas ao meio, colegas do ofício de escrever, professores de português – a fim de sabermos se nosso texto tem um mínimo de qualidade. Para que não venhamos a cair nas mãos de “editores” que nada mais querem além do nosso dinheiro. A literatura não pode ser reduzida a isto.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

FIM DE FÉRIAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Voltando a falar das férias, o calor estava e está terrível, como eu só tinha visto há uns dois anos em Ilha Bela. Está muito, muito quente. Minha plantação de morangos está secando todinha, apesar de eu molhá-la todo dia.
Mas as férias estavam boas. O navio e o ônibus eram climatizados, de maneira que a gente só sentia calor quando descia em terra ou ia para a piscina. Minha careca está toda esturricada de uma meia hora que entramos na água na Praia Preta, em Ilha Grande. A água estava uma delícia e não deu pra resistir. Eu estava usando boné, mas na água me descuidei e a minha careca cozinhou. Só molhamos os pés em Búzios, porque lá a água é muito gelada, tão gelada que mesmo com aquele calor todo a gente quase congelava.
No caminho de ida e volta para Santos, admirei de novo os jacatirões e os flamboiãs, que começavam a florescer. Desta vez, não vi a florescência do jacatirão tão grande como vi em 2008, em São Paulo. Mas no Paraná estava belíssima, a mata estava fechada de flores dos lados da rodovia. Penso que em São Paulo estava bem no início da floração. É o jacatirão – algumas pessoas o chamam também de manacá – floresce aqui em Santa Catarina em fins de outubro ou começo de novembro e vai até fevereiro e então começa no Paraná. Talvez em São Paulo seja um pouquinho mais pra frente. Aqui na nossa Santa e bela Catarina, no litoral norte, o jacatirão floresce espetacularmente. Gosto de ir para o norte do Estado, no verão, passear em Corupá, Jaraguá, Joinville, São Francisco, só para admirar essa flor tão generosa que espalha cor pelos nossos caminhos.
Os flamboiãs também estavam belíssimos, florescendo por todo o litoral.
Umas férias assim são muito boas. Curtas, mas muito boas. Além de não fazer nada, a não ser passear e se divertir, conhecer lugares novos, a gente conhece gente muito interessante. É muito bom fazer novos amigos.
Na nossa mesa de almoço, no restaurante do navio, no dia de navegação, conheci uma senhora simpática, inteligente e politizada e também um casal mais jovem e conversamos muito. Trocamos endereços e penso que eles estarão lendo essa crônica. Se lerem, entrem em contato, por favor.

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Amigos leitores, depois de lerem a crônica, se puderem, comentem. Os assuntos abordados aqui pretendem ser começo de conversa, apenas. É bom saber a opinião de outras pessoas. Nem todos pensamos iguais, não é mesmo? E isso é bom, porque podemos começar uma boa discussão.
Para comentar, clique ali embaixo em “comentários”. Depois de escrever, clique em “selecionar perfil”. Se tiver alguma daquelas contas ali listadas, como Google, pressione a opção correspondente, ou então pressione “Anônimo”. Então clique em “Postar comentário”. Não se assuste se não der na primeira vez. Clique de novo em “Postar...”, que vai aparecer uma daquelas janelinhas para copiar uma palavrinha chave. Aí é só pedir para postar que vai.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CURSO SUPERIOR DE ESCRITOR

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Há uns três ou quatro anos, era notícia no mundo das letras a criação de um curso superior para formar escritores! Com direito, também, a diploma de Agente Literário. A polêmica comeu solta, mas eu cá que não sou diplomado e nem vou ser, li a crônica de Maria de Fátima Barreto Michels, a Fátima de Laguna, e não posso deixar de ser solidário com ela. Fátima tem essa qualidade de falar das coisas, mesmo aquelas muito sérias, com uma leveza, um bom humor impregnados de lucidez e coerência que tornam o texto ainda mais agradável.
Há consenso de que preparar Agentes Literários é uma boa idéia. Seria de grande valia a criação de um curso que treinasse bons agentes literários, porque precisamos deles. Não que aqueles que aí estão não sejam bons, mas é necessário que haja mais deles.
Já um curso superior para formar escritor, não sei não. Isso me lembra o livro de um poeta amigo, que tem o objetivo de "ensinar a fazer poesia" - e com rima! Eu sempre pensei que não se "ensina" a fazer poesia: a gente faz ou não faz. Ninguém ensina ninguém a fazer poesia, muito menos com rima. Rima pobre, é melhor não fazê-la! Poesia é ritmo, cadência, e para conseguir isso não há obrigatoriedade da rima, que pode ser muito perigoso se não soubermos usá-la.
Não sei se todos concordam comigo, mas escrever é uma vocação que devemos praticar, que podemos trabalhar, lendo, estudando, produzindo. Não é uma profissão, uma ocupação, um emprego, simplesmente, que se tenta conseguir para sobreviver.
O curso superior de escritor garantiria que o formando tenha talento, tenha sucesso, garantirá que a produção literária de quem receber o diploma seja de boa qualidade? Estudar mais e ter subsídios para produzir um bom trabalho, uma boa obra, é importante em qualquer profissão. Mas escrever não é uma simples profissão, é o ato de perenizar idéias, história, espaços, tempo e humanidades.
O curso de Letras já faz esse trabalho de estudar literatura e teoria literária, entre outras matérias que ajudam o escritor, novo ou não, a conhecer boas obras, bons escritores e orientação sobre a criação literária. Talvez um novo curso venha a enriquecer o currículo com mais material que o escritor possa usar para aprimorar o seu fazer literário, mas nunca poderá garantir que a criação de um autor tenha talento.
As editoras publicarão, com maior facilidade, os escritores novos que aparecerem com seus originais debaixo do braço e um diploma na mão? Os leitores preferirão os livros de autores que tiverem concluído o curso de escritor, que exibirem na contra-capa do livro um fac-símile do diploma conquistado?
A ABL, que segundo o idealizador é aval do projeto, mudaria os "critérios" para eleição dos "imortais", deixando de ceder cadeiras para políticos e afins para dar lugar aos "diplomados", continuando a preterir escritores de valor como Quintana, por exemplo?
Eu escrevi, em uma crônica sobre o escritor e sua escritura, que a criação literária é um dom, que se pode aprimorar estudando para dominar a língua, a correção no uso da palavra, lendo muito e escrevendo sempre, para poder crescer e produzir uma literatura de qualidade. Nem sempre se conseguirá construir obras-primas, mas essa habilidade que se possui deverá fazer com que se caminhe para isso, embora não seja fácil chegar lá. É preciso muito trabalho, muita leitura, é preciso praticar muito. É a eterna busca da superação. E alguns conseguem.
É assim que tem funcionado, foi assim com Urda Alice Klueger, por exemplo, uma "profissional" das letras que não fez "Curso de escritor" mas está aí, mostrando a todos que é escritora de talento e, além disso, é agente literária de quem está começando e tem valor. Sem, no entanto, ensinar ninguém a ser escritor, apenas valorizando quem tem talento e incentivando para que continue, para que pratique a leitura e a escritura que é assim que se cresce na "profissão"...
E então, a essa altura dos acontecimentos, será que a primeira turma de “formandos” do curso superior de escritores está pipocando por aí? Não se ouviu mais falar a respeito...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

DE VOLTA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Amigos, estou de volta. Prometo que vou procurar não falhar mais tanto quanto nos últimos dias, mas faltou tempo mesmo. As férias estavam ótimas. Muito calor, mas ótimas. Ontem estive em Ilha Grande. Estava um calorão imenso, sensação de mais de 50 graus, mas andamos pela cidade mesmo assim, visitamos algumas praias e não dava pra não entrar na água. Entramos na Praia Preta, no Abraão, muito gostosa, com um rio limpo desembocando perto. Esse rio vinha de uma cachoeira, a uma meia hora dali, mas não fomos visitá-la porque o sol estava torrante. A água do mar estava quase morna e a água do rio estava bem fria. Não tão fria quanto a água do mar de Búzios, mas com aquele calor estava muito boa.
Fiz questão de não ir ao Bananal, para não ver o lugar da tragédia. Ilha Grande é muito bonita e não queria estragar a magia. O que aconteceu lá foi muito triste.
Então aproveitamos o que deu de Búzios, Ilha Grande e Santos.
Como já disse, não postei mais porque havia muita coisa para fazer e para ver e a internet do navio era muito cara (em dólar).
Então, agora, voltamos com a programação normal.
A Rosângela comentou meu post sobre Búzios, que na verdade foi apenas uma notinha, mas ela tem razão. O Brasil tem muitas praias lindas e eu fui um pouco bairrista, mesmo, mas como agora conheço praias de São Paulo, Rio, Salvador, Recife, pude comparar com as nossas e então faço questão de alardear que as nossas são muito bonitas. Me perdoem. Ela também conhece as praias daqui, então entende. Beijo.
Para quem não conhece, convido a vir visitar, que acho que vão gostar.