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sexta-feira, 30 de abril de 2010

A CÂMARA CATARINENSE DO LIVRO E O DONNA FASHION

Por Luiz Carlos Amorim – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Ontem estive no Donna Fashion, pois aceitei convite da Câmara Catarinense do Livro, que é uma das patrocinadoras do evento, para fazer o lançamento do meu livro de crônicas “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas”, dentro do programa Semana Cultural, nova proposta de agregar cultura e informação ao acontecimento de moda. O horário marcado no programa era dezesseis horas, e antes da hora estava lá. Tive que esperar, eu e a outra escritora que viria logo depois de mim, pois o espaço estava sendo usado pelos organizadores.
O que percebi foi que, apesar do fato de a Câmara Catarinense do Livro ser patrocinadora do Donna, ela parece não ter direito de usar o espaço previamente destinado para a “integração” da cultura com a moda, como vem sendo divulgado na publicidade do evento. O que aconteceu ontem já tinha acontecido antes, segundo representantes da Câmara presentes ao local.
Diante disso, uma pergunta que não dá pra calar: porque a Câmara Catarinense do Livro está patrocinando um espetáculo de moda, se ela tem a Feira do Livro para realizar? Não deveria ser o contrário, a CCL recebendo patrocínio para a sua feira do livro? As últimas edições da Feira do Livro de Florianópolis têm sido bastante fracas, em decorrência justamente de falta de verba para custear atrações paralelas e o convite de grandes nomes da literatura. E mesmo assim, com uma edição da feira para acontecer, a Câmara investe num evento que não está dando o devido apoio à literatura da terra, não está dando retorno no sentido de dar mais visibilidade à produção de escritores que aceitaram o convite para participar do evento?
Não sei de onde veio o dinheiro, pois a Câmara não tinha recursos nem para a feira. Li, na imprensa, há algumas semanas, que o Estado repassaria à CCL uma verba de trezentos mil reais para a realização da próxima feira do livro. Será esse o dinheiro usado para o patrocínio? Não consegui, ainda, resposta quanto a isso.
No último final de semana, li no Diário uma publicidade da CCL falando da próxima feira do livro de Florianópolis, com novidades promissoras. Se tudo o que está previsto lá realmente for concretizado, teremos uma feira ótima. Estou curioso para ver como vai ser.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

DIA DA DANÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Pois então, hoje é o Dia Internacional da Dança. Dia de todas as danças: dança de salão, jazz, contemporâneo, clássica, balé. Édia até daquela dança “original”, sem nome, que só um e outro sabem dançar. Vale até aquele balançado indefinido, porque hoje é o dia da dança.
É dia para comemorar dançando. Dançando onde a gente estiver. Em casa, no meio da rua, com os amigos, com a cara metade. Há que se dançar para comemorar essa arte que faz bem pro corpo, pra alma, pro coração. Essa arte que é até remédio: é bom para pressão alta, é exercício aeróbico, é bom pra tudo.
Dedico, se me dão licença, esse dia da dança à minha amiga e professora Renata e aos meus amigos professores Daniel e Sheila.
E já que é dia da dança, nem vou escrever mais nada e vou pra aula de dança. Porque dançar é vida. Dançar é da natureza do ser humano.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PROTEÇÃO AOS ANIMAIS

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Criaram o Dia Estadual de Proteção aos Animais. Aproveito para dizer, mais uma vez, que não acredito muito nessas ONGs ou como quer que se chamam, que prometem proteger os animais.
Não generalizo, porque vejo, de vez em quando, uma dessas organizações oferecendo cães que foram recolhidos ou que foram entregue a eles, para adoção.
Mas sei de pessoas que chamaram entidades de proteção para recolher cães ou gatos machucados e uma vai empurrando para outra e a gente acaba não conseguindo que ninguém tome providência.
E já aconteceu comigo, também. Fiz queixa na polícia, pois havia uma casa abandonada com quatro cães que não recebiam nem água nem comida – um inclusive estava doente, esquelético – e com boletim de ocorrência e tudo foi um custo conseguir que alguém viesse ver o que estava acontecendo. E acabou em nada. Os cães foram desaparecendo, um a um e agora existem outros no lugar deles.
Então sou meio descrente. O que fica evidente é que essas entidades protetoras fazem muito alarde quando há casos como o mais recente aqui de Florianópolis, revelado hoje, que dá conta da morte de vários cães à bala, num abrigo da polícia. Aí aparecem os defensores na mídia, fazendo muito barulho.
Mas os cães abandonados, doentes, machucados e com fome continuam aumentando nas ruas das cidades.
É claro que não imputo a responsabilidade de proteção aos animais apenas a essas ONGs que adoram aparecer na mídia. O cidadão comum, que decide ter um bicho de estimação deve pesar bem a sua decisão, pois há que se considerar muita coisa, para depois não abandonar o cão num bairro mais afastado do seu para não correr o risco de ver o bicho de volta. Precisa saber o tamanho do animal, quando adulto, se ele pode ser criado em apartamento, se ele não vai ficar sozinho o dia inteiro e confinado a um lugar minúsculo, precisa dar as vacinas, levar ao veterinário quando ele ficar doente e não largá-lo, simplesmente, por isso ou por latir, ou por ter crescido, etc. etc.
Então a responsabilidade é muito nosso, que pegamos um animal de estimação e depois o abandonamos, como se fosse uma coisa. Isso é crueldade.
Que esse dia sirva, pelo menos, para uma boa reflexão sobre o que devemos e o que não devemos fazer com nossos bichos de estimação.

terça-feira, 27 de abril de 2010

CONCURSO DE POESIA E PLÁGIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A biblioteca pública de uma grande cidade catarinense promoveu, há algum tempo, um concurso de poesias entre estudantes de primeira a oitava séries. Iniciativa meritória, incentivar a criação literária e a leitura entre leitores em formação. E até porque o certame é dirigido aos pequenos leitores e possíveis futuros produtores de texto, não seria preferível chamar de concurso de poesia (no singular) ou de poemas? Porque poesia é o conteúdo e poema é a forma. Um poema pode não conter poesia (e isso é tão comum de se encontrar) e a poesia está contida em tudo, na prosa, num gesto, na natureza, etc, etc. Talvez fosse bom enfatizar essa diferença para crianças e adolescentes, para que soubessem a diferença e pudessem entender melhor o que estão fazendo. Sei que não está errado, está lá no Aurélio, entre outros significados: poesia - "composição poética de pequena extensão". Mas parece soar mal "concurso de poesias", assim, no plural. De qualquer maneira, já foi.Mas o que me fez abordar o tema foi outra coisa. Entre os poemas vencedores podemos encontrar pelo menos dois que são "inspirados" ou "baseados" em músicas conhecidas, uma de Vinícius de Moraes e outra cantada (?) pela Xuxa. Não sei se o grupo de poetas que selecionou os vencedores foi questionado - e acho que deveriam ser - mas a professora que coordenou o concurso justificou como sendo "paródias" as referidas "poesias". Acho muito triste um professor incentivar oplágio, justamente um professor que deve incentivar os alunos e ensinar a maneira mais correta possível de criar o próprio texto, de ser original.
Voltamos, então, a um assunto já discutido numa de nossas crônicas, mas muito delicado e que merece ser relembrado. Não podemos usar a obra de outrem impunemente, sem colocar o trecho que "emprestamos" entre aspas e citando o autor e a fonte. Não podemos pegar um texto ou um poema de quem quer que seja, trocar algumas palavras e assinar como sendo nosso. Isso é apropriação indébia, é plágio. E plágio é crime.
Já fui jurado de concurso de poesia e encontrei trechos de "Marília de Dirceu", assinado por outro "autor" que não Tomás Antonio Gonzaga, poema de Neimar de Barros e até coisa minha. Mas o grupo que estava selecionando os melhores poemas descartou de imediato aqueles nos quais se reconhecia alguma coisa já existente. Espero que tenha sido um caso isolado e que não se cometa mais, onde quer que seja, este tipo de erro.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

CALÇADAS INTERROMPIDAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Na edição do fim de semana de um dos nossos jornais, li matéria de página inteira sobre infrações de trânsito de motoristas folgados de nossas cidades. Falou-se de dirigir falando ao telefone, parada em fila dupla, estacionamento em vagas para idosos, em cima da calçada e por aí afora.
Eu caminho bastante, quase todos os dias – recentemente tem chovido muito – e o que mais vejo são os carros parados em cima da calçada, interrompendo o fluxo de pedestres, que são obrigados a andar dentro da pista de rolagem, correndo o risco de serem atropelados. Isso me deixa indignado, pois não são casos isolados, tornou-se uma coisa corriqueira. A gente caminha uma hora e encontra dúzias de trechos de calçadas obstruídas. E não é problema de horário, os casos se multiplicam a qualquer hora do dia.
A chamada do jornal para o problema foi bem a propósito, chamando a atenção para a falta de educação dos motoristas. E eu acrescentaria que não é só falta de educação, é falta de responsabilidade, pois atravancar a calçada, obrigando o pedestre a andar no meio da rua, significa risco de vida. Alguns atravessam totalmente o carro ou caminhão, ou caminhonete, deixando até parte deles para fora da calçada, tomando parte da rua. Fazem o que querem, porque não há ninguém para questioná-los.
E não se vê a famigerada guarda municipal – nem vou falar da polícia rodoviária, por motivos óbvios – que atualmente existe em várias cidades. Nunca se vê um guarda municipal para disciplinar esses motoristas mal educados, que deveriam ser multados para aprenderem bons modos. Até porque é falta grave estacionar em cima da calçada.
Conscientização e boa educação não faz mal a ninguém. Pelo contrário.


Mais dois tópicos que não posso deixar para depois: ontem fui assistir ao último dia da Mostra de Dança de Salão do Baila Floripa e preciso dizer que a qualidade, que havia caído um pouco no dia anterior, voltou a estabilizar-se no domingo. Estava muito bom. Se bem que ainda continuo achando que, como o preço do ingresso aumentou, os espetáculos deveriam ser maiores e melhores.
Outra: a professora Mariza Schiochet postou mais alguns trabalhos e fotos dos alunos que trabalharam textos de alguns livros meus. Estou impressionado com a criatividade e a capacidade de realização dos alunos e da competência e dedicação da professora. Vejam – e lá está apenas uma pequena parte – do que eles fizeram no blog da professora, “Mar e brisa do Saber”, em Http://marebrisadosaber.blogspot.com/

domingo, 25 de abril de 2010

MOSTRA DE DANÇA DE SALÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Falei ontem no twitter que o Baila Floripa estava muito bom, mas tenho algumas ressalvas. O Baila Floripa é, talvez, o maior festiva de dança de salão do país. Além da mostra de dança de salão, apresentada em três espetáculos, há bailes, competições, aulas, seminários, etc.
Como eu assisto apenas a mostra, atualmente no Teatro Pedro Ivo Campos – longe um bocado, é uma viagem – não posso dizer nada do resto, mas tenho me decepcionado um pouco com os espatáculos. Vi ontem e ante-ontem. O primeiro estava bom, embora eu tivesse notado que a quantidade de números apresentados ficou menos, em comparação com outras edições do evento. De mais de vinte apresentações por dia, na primeira noite desta edição da mostra houve apenas onze, treze contando com a abertura e encerramento. Ontem, então, houve apenas sete apresentações, dez com um a abertura, encerramento e grupo convidado. Sem contar no segundo dia os números, metade deles, estavam bem fraquinhos.
Hoje não sei ainda como vai ser, mas se eu não tivesse comprado todos os ingressos antecipadamente, eu nem iria. Sinto-me meio que roubado, pois nos outros anos o ingresso era mais barato e o espetáculo – a quantidade de números apresentados – era bem maior. Que evolução é essa?
E o descontentamento não é só meu. Ouvi muita reclamação na saída do teatro, ontem.
Uma pena. A adesão dos grupos de dançarinos, neste ano, está muito menor. O que mudou? A quantidade de números que estão sendo apresentados este ano é menor e houve repetição. Alguns grupos se apresentaram em dois dias e outros se apresentaram duas vezes no mesmo dia.
Este ano a Acads contratou uma empresa de eventos para organizar o Baila Floripa. Será este o motivo do preço do ingresso mais caro? Mas e a quantidade de participantes, que vinham de diversos outros estados, porque será que diminuiu?
Vamos ver como ficará no próximo ano.

sábado, 24 de abril de 2010

LIVROS NO DONNA FASHION

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Amigos, o Dona Fashion, evento de moda que chega à décima quarta edição, a partir de agora agrega também informação e cultura, com a Semana Cultural. A moda continuará sendo a estrela principal do evento com desfiles e apresentação de novidades, mas a nova proposta traz manifestações artísticas como literatura, música e arte. Através de parceria com a Câmara Catarinense do Livro, a programação contará com saraus literários, lançamento e mostra de livros e sessões de autógrafos.
Eu estarei participando, com tarde de autógrafos no dia 29, a partir das 16 horas. Os livros que estarei autografando serão “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas” – crônicas, “Flecha Dourada” – infantil e “Borboletas nos Jacatirões” – crônicas.
E por falar na Câmara Catarinense do Livro, acabo de saber que a Feira do Livro de Florianópolis 2010 acontecerá de 19 a 19 de maio, como sempre, no Largo da Alfândega. A chamada que vejo no DC promete muitas novidades, que se realmente se concretizarem, marcarão uma nova era para a nossa feira do livro: eventos culturais (?), exposições de arte, apresentações artísticas e literárias (?), lançamentos de livros – o mínimo que se espera, é claro; palestra e curso para professores, interatividade com os estudantes, criação de bibliotecas nas comunidades, concurso de contos, Prêmio Catarinense de Cultura (?), lei de regularização do profissional livreiro, espaço cultural e sede da CCL – a câmara vai mudar de ser?, escola catarinense do livro (?) e projeto assistencial de cultura. Os pontos de interrogação são meus, para marcar a falta de explicação do que realmente se trata. É muito vago jogar apenas tópicos, pois isso deixa dúvidas.
Mas o fato é que a feira de início de ano acontecerá. O Grupo A ILHA estará, como sempre participando, para comemorar o seu trigésimo ano de atividades em prol da literatura em Santa Catarina, com o lançamento da edição de aniversário da revista Suplemento Literário A ILHA e da coleção LETRA VIVA. Essa nova coleção, que publica inicialmente dois volumes de livros de crônica de integrantes do Grupo Literário A ILHA, funcionará do mesmo modo que a coleção POESIA VIVA, que publicou 12 livros de poemas.

Amigos, estou no Twitter, a partir de ontem. Sou @amorimluc e os leitores que estiverem também lá me procurem, que estou meio devagar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

DIA MUNDIAL DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor

Este é um ano especialmente estratégico para comemorarmos o Dia Mundial do Livro. Por que digo isso? Por que vivemos o pico de uma revolução na publicação de livros.
O livro digital, ou e-book, chegou há já algum tempo, prometeu substituir o livro tradicional de papel impresso, mas não foi bem assim que as coisas aconteceram. O final da primeira década deste século marcou o começo de uma mudança nos hábitos de ler, pois as novas tecnologias de publicação e leitura de livros passaram a ser mais usadas. O Kindle, leitor eletrônico que começou a se popularizar, passou a ser mais usado, apesar do preço um pouco salgado e este ano foi lançado o seu concorrente I-Pad, com mais recursos e que vendeu milhares de exemplares pelo mundo em menos de uma semana.
O Kindle, recentemente, passou a ser vendido também para o Brasil e o I-Pad vai estar disponível brevemente nas lojas da Aplle, por aqui. Com os leitores à venda e sendo vendidos, finalmente, os livros digitais também começaram a ter maior acervo em oferta. Até as editoras dos livros tradicionais, algumas delas, já estão oferecendo livros também em formato digital.
Comprovadamente, o livro como o conhecemos, de papel impresso, continua forte e vendendo cada vez mais. O e-book pode crescer – atualmente a sua abrangência ainda é pequena, apesar de se constituir em uma evolução no nosso hábito de ler – mas o livro tradicional vai continuar no mercado. Pode ser até que o e-book cresça muito mais, mas não deve ultrapassar o livro impresso. O que vai acontecer é que os dois conviverão em harmonia.
Com a informática a serviço da leitura, a tendência é que o hábito de ler se intensifique, até porque além do livro tradicional e do livro digital, temos também o áudio-livro, que possibilita aos deficientes visuais a serem também consumidores de literatura, assim facilita também àqueles que não têm tempo para ler a oportunidade de ouvir bons textos enquanto fazem outra coisa.
Então talvez devamos comemorar tanta tecnologia a serviço da leitura, mesmo considerando que o livro físico, aquele que podemos folhear, rabiscar e ler sem dependência de nenhuma fonte de energia, a não ser a nossa visão e a vontade de ler. Por isso, ele continuará firme, mesmo com todas as outras formas de leitura que existem ou que porventura poderão vir a existir.

POESIA VIVA

Vó Mariana à esquerda


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

No dia 22 de abril de 2005, a poetisa Maria Ássima Fadel Dutra, a nossa Mariana, completaria cem anos de vida. Infelizmente, a poesia catarina ficou órfã, pois no final de 98 Mariana foi fazer poesia junto com Coralina, Quintana, Drummond, no andar superior, para alegria deles e tristeza nossa, que perdemos a companhia de uma criatura fantástica, mágica, sem igual.
Mariana era a nossa Vó Mariana – todos os poetas eram netos seus – e era, também, a poetisa mais atuante do norte catarinense, a despeito dos seus mais de noventa anos de idade. Era a pessoa mais bonita que já conhecemos. Ela participava de reuniões, lançamentos, palestras, recitais, ia à praça e às escolas com o Varal da Poesia do Grupo Literário A ILHA, tinha mais entusiasmo e energia do que muito jovem que não tinha um quarto da sua idade. Sua vontade de participar e realizar motivava e incentivava a todos.
A saudade que sua ausência traz vai perdurar para sempre. Nada vai consolar a falta de Mariana, nada vai acabar com a saudade que ficou, mas ela será eterna enquanto houver poesia. Em cada lugar onde a poesia estiver presente, em cada reunião de poetas, sabemos que lá estará ela, poesia viva. Ela foi, por si só, um belíssimo poema, talvez o mais bonito que pudemos conhecer. Mariana foi, enquanto estava entre nós, e continuará sendo, um ícone da poesia catarina.
Seus três livros – “Folhas ao Vento”, “Sonhar e viver” e “Caminhantes da Minha Rua”, deixaram com a gente um pouquinho da alma da poetisa maior. Ou talvez muito. Porque Mariana continua viva, em nossos corações, através da sua poesia, que traz com ela o carisma, a meiguice e o carinho que a traduzia.
Na última visita que fiz à Mariana, ao abrirem para mim a porta de sua casa, mostraram-na descansando e eu pedi que não a acordassem, que eu voltaria outro dia. Não houve outro dia, Mariana se foi antes que eu voltasse. Nunca façam isso. Se acontecer com vocês, acordem a pessoa que querem ver, sem pestanejar, dêem um beijo e um grande abraço, matem a saudade. Nunca esqueçam disso.
Não quis perturbar Mariana e perdi a oportunidade de retribuir, uma última vez, todo o carinho que ela sempre nos deu. Mariana, a nossa menina de cabelos brancos, alma branca refletindo luz, como o branco dos cabelos, como a luz do seu sorriso e a juventude da sua alma.
A nossa “vó” Mariana, a poesia encarnada, um verso de amor e ternura, um poema do Criador. Mariana, perene como a poesia...

NOSSO PLANETA TERRA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje é o dia da Terra. E é um ótimo dia para refletirmos e nos conscientizarmos de que há uma necessidade urgente, urgentíssima, de cuidarmos do nosso planeta, de pararmos de agredi-lo, de tratá-lo com o devido respeito e carinho para que possamos ter essas mesmas coisas de retorno.
O planeta Terra é o nosso mundo e, se continuarmos a maltratá-lo, a destruí-lo, que futuro poderemos esperar? A natureza é a alma da Terra. E ela está se cansando de tanto descaso, de tanto desrespeito, fato que pode ser facilmente constatado, se prestarmos atenção nas tragédias climáticas que vêm acontecendo, como tempestades, furacões, enchentes, terremotos, etc. Mãe Natureza se rebela diante de tanta irresponsabilidade do ser humano, qual seja no cuidado do seu meio-ambiente, da sua água, do seu ar, do seu mar, do seu chão.
Então é hora de pararmos para repensar nossas ações e pensar mais no nosso planeta, passar a respeitar a natureza como ela merece. Fazemos parte dela, então estamos agredindo a nós mesmos, estamos podando o nosso próprio futuro, estamos apressando o fim do lugar onde vivemos.
Para onde vamos, quando não for mais possível viver no Planeta Terra? Não foi encontrado, ainda, nenhum outro planeta onde o homem pudesse viver. E mesmo que houvesse, iríamos tomar posse dele para destruí-lo, também?
Leio a crônica de hoje da minha amiga Mary Bastian, na qual ela fala do corte de árvores indiscriminado em Joinville e do Rio Cachoeira morto, mas não sepultado. E um rio morto é um pedaço da natureza que morre com ele, árvores cortadas são outro pedaço e assim lá se vão vários pedaços, até que não sobre nada.
Hoje é o Dia da Terra. Há que pensemos nisso e há que façamos com que todos os dias, cada dia seja o dia do nosso planeta. Há que tomemos atitudes, para que nos próximos anos possamos estar aqui para comemorar esse dia.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

FICHA LIMPA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Eu tinha pensado em não falar do assunto que vou abordar hoje, mas não dá pra deixar passar. Então o projeto de lei Ficha Limpa está no congresso (sim, com letra minúscula, mesmo) há meses. Por que será que não foi votado ainda? Talvez, apenas talvez, porque muito poucos “políticos”, nesta política brasileira tão corrupta, têm ficha limpa.
O projeto é de iniciativa popular e pretende impedir que “políticos” com processos contra eles ou que renunciam para escapar aos processos sejam candidatos. Ou, seja, a intenção é torná-los inelegíveis, o que na verdade eles são. E sabemos que há muita ficha suja nessa nossa “cultura” de corrupção e impunidade. Como é o caso do nosso atual governador. Ou não? Dúvida cruel, pois o julgamento foi empurrado com a barriga, como agora ele é governador - peixe grande - fica imune. Fácil, não é?Mas como esperar que esses “senhores” que aí estão, locupletados no poder, não legislem em causa própria, como é de hábito? É claro que eles vão empurrar com a barriga, vão adiar e adiar para não votar o projeto antes das eleições. E depois também.
É o absurdo dos absurdos não termos opção de bons candidatos para votar, eleição após eleição. É inaceitável termos que votar em candidatos desonestos, por falta de gente que queira realmente trabalhar pelo povo. A grande maioria quer se eleger para ficar rico, pois sem roubar já ganham fortunas: grandes salários, vantagens para isso e para mais aquilo, ajuda de custo aqui, outra ali, etc, etc. E além de tudo que ganham - nenhum outro trabalhador honesto ganha tantas vantagens - ainda roubam. Nem todos? Esperemos que sim.
Quando é que vamos ter uma renovação no poder público? Quando uma lei como Ficha Limpa poderá entrar em vigor para que possamos votar, finalmente, em candidatos decentes?Precisamos, mesmo, anular o voto, todos nós, para mostrarmos que não estamos de acordo com essa degeneração da política em nosso país.

terça-feira, 20 de abril de 2010

NOVAS NORMAS PARA CONSTRUÇÃO NA CAPITAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Grande coincidência. Na edição do Jornal Notícias do Dia de hoje saiu uma crônica minha, já publicada aqui no Blog, “O Crime da Omissão”, sobre o fato de as administrações municipais autorizarem a ocupação de áreas de risco, e saiu também matéria sobre o decreto da Prefeitura de Florianópolis lançando normas restritivas para construção na capital.
Numa época trágica como a atual, que explode na cara do cidadão a negligência criminosa do poder público quanto à ocupação de morros e encostas, pela população mais carente – mas não só, porque há muita construção de alto padrão em locais de risco, mas com ótima vista – a nossa capital resolve, felizmente, fazer a sua parte e colocar normas para que não se construa em qualquer lugar.
O novo decreto exige certidão da Floram, quanto à viabilidade ambiental; da Casan, quanto à viabilidade de fornecimento de água e coleta e tratamento de esgoto; da Comcap, quanto a viabilidade de recolhimento de lixo; da Celes, quanto a viabilidade de fornecimento de energia elétrica e do Ipuf, quanto à viabilidade de sistema viário.
Não há nada, no decreto, que mencione áreas de risco, mas acredito que com as exigências que terão que ser cumpridas – e que darão, realmente, muito trabalho, mas são necessárias – por quem for construir, principalmente grandes empreendimentos imobiliários, como prédios de apartamentos, a prefeitura vai estar evitando que se ocupe áreas que não podem receber benfeitorias.
Tem gente dando pulo da altura do edifício que quer construir, mas se não houver algum critério, a capital, que já subiu os morros, vai desmoronar como já desmoronaram tantas outras cidades – e muitas delas são beira-mar.
Esperemos que não corra mais dinheiro, por detrás dos panos, para continuarem autorizando construções em locais proibidos.

domingo, 18 de abril de 2010

ENTREVISTA

Hoje apenas transcrevo a entrevista que alunos da Escola E.B. Jorge Lacerda, de Joinville, fizeram comigo, resultante de vários trabalhos que fizeram, baseados em meus livros "Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas" e "Flecha Dourada". A professora, uma das heroínas do nosso ensino público, que encontra espaço na grade curricular para dar aulas de Literatura - e boas aulas, é Mariza Schiochet.

-Qual o seu sentimento ao passar numa rua cheia de ipês floridos?
Resposta: É um sentimento de encantamento, como eu disse numa crônica recente, "As flores da Páscoa", na qual falo de outra árvore florida e da qual transcrevo um trecho:
"Fico encantado com as manchas vermelhas que as quaresmeiras deixam na mata, nos jardins, nas beiras das estradas. Mas não é um encantamento comum, simples, é um encantamento mágico, pois meus olhos são atraídos pelas cores das pétalas vermelhas e lilazes, no meio do verde, e meu olhar flutua em direção a elas, como se minha alma seguisse com ele em direção às cores. E então meus olhos brilham, como faróis, e o raio de luz é o canal de ligação com meu coração.É assim que me sinto encantado com a generosidade das flores do jacatirão, encantamento que envolve meu olhar, minha alma, meu coração.Pois então não sou filho da terra, irmão gêmeo da natureza, como a árvore de jacatirão? "

- Desde quando você é apaixonado pelas árvores?
Resposta: Desde sempre, penso. A partir do momento que me dei conta de que elas nos dão tudo: o ar que respiramos, abrigo, alimento, cor e beleza.

Por que você se apaixonou pelos ipês e o que eles mudaram na sua vida?
Resposta: Eu gosto de toda árvore, principalmente florida. Gosto até da silveira, que dá flores brancas e simples, sem cor nenhuma. Gosto do ipê, do flamboiã, da primavera, de tantas outras árvores, mas gosto muito, muito do jacatirão. As flores do jacatirão, humildes e singelas, me ensinaram a ver a beleza da natureza.

- O que você tenta passar para as pessoas com a crônica "Minhas Árvores?
Resposta: Tento passar aquilo que, como vejo no trabalho que realizaram, vocês rapidamente perceberam: precisamos preservar a natureza. E preservar a natureza é tratá-la como se fosse alguém das família, pois sem natureza não há futuro. Se a agredirmos, ela com toda razão se rebelará, se defenderá, como estamos vendo tão frequentemente, em face do descaso e irresponsabilidade do homem em relação a ela.

- Você transforma suas palavras em atitudes, como em SOS?
Resposta: Sim, procuro cuidar da natureza que está a minha volta e tento difundir a idéia de preservação do meio-ambiente para que cada um faça a sua parte.

- O que você faz para "colorir de esperança essa terra esquecida"?
Resposta: Tento abrir os olhos das pessoas para a beleza da natureza, pois há quem olhe e não veja. E temos que nos conscientizar de que o nosso planeta é a nossa casa, e que o ar que respiramos depende do verde que tivermos. Se não pudermos respirar, se não tivermos água, nossa casa não existirá.

- Você ajuda ou participa de algum projeto que preserve o meio ambiente?
Resposta: Como disse lá em cima, minha arma é a palavra. É com ela que vou a público, em jornais e revistas e através da internet, para alertar as pessoas de que a natureza precisa de cuidado e atenção, que sem isso ela deixará de existir.

-Você já organizou um sarau poético?
Resposta: Já, muitos, principalmente aí em Joinville. Fazíamos saraus na praça Nereu Ramos, na feira de Arte e Artesanato, em escolas, festas e bares. Os lançamentos de livros, aí em Joinville, quase sempre acabavam em sarau. Hoje eu participo mais do que organizo.

- Em que lugares são mais frequentes as apresentações de saraus poéticos?
Resposta: em bares e em entidades culturais, como associações, bibliotecas, teatros, etc. Qualquer lugar onde haja mais de uma pessoa que goste de poesia, pode acontecer um sarau. Há muito poucos declamadores entre nós e os saraus favorecem o aparecimento de pessoas que sabem dizer, interpretar um poema.

- O que te inspira mais profundamente ou qual foi o motivo maior pra você fazer o poema Festa das Flores?
Resposta: As cores que se espalham pela cidade de Joinville, pois o que mais me inspira é a natureza. E também dar aos seus cidadãos um texto que traduzisse o orgulho que cada um de nós tem por ela.

- Ao longo da sua carreira você escreveu vários poemas. Qual te marcou mais e que te inspira até hoje?
Resposta: Há alguns poemas dos quais gosto mais, como "Simplicidade", "Procura", "Chama" e outros, mas "O Nome da Flor" marca um momento da minha vida que seria de realização e no entanto transformou-se na maior perda.

- Com quantos anos você começou a escrever crônicas?
Resposta: Na verdade eu comecei escrevendo contos, com cerca de quatorze anos. Logo em seguida enveredei pela crônica, sem nem mesmo saber o nome do gênero. E atualmente é o gênero mais popular, pois todo jornal e toda revista traz um pouco de crônica em suas páginas.

- Como surgiu a inspiração para escrever o livro "Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas"?
Resposta: Na verdade, eu escrevo as crônicas todos os dias. Depois de um período - um ano ou mais - faço uma seleção e reúno em livro. A inspiração, mesmo, é na hora de escrever cada crônica.

- Como você era na escola?
Resposta: Eu gostava das aulas de português e o incentivo para escrever veio justamente daí. Eu tinha boas notas nas redações e ganhei um concurso do gênero quando tinha 12 anos.

- Você acha importante que, na infância, as crianças tenham liberdade e ar puro e árvores para brincar?
Resposta: Acho fundamental. Como esperar que as crianças saibam o valor da natureza, se não conviverem com ela? Minhas filhas passaram a infância aí em Joinville, no Parque Versalhes, perto da Expoville, e puderam usufruir de liberdade e verde. Hoje as casas estão invadindo a área verde que havia lá, o que é uma pena. Tinhamos até um casal de tucanos que era nosso vizinho, na mata ao lado e vinha comer frutas em nosso quintal.

- Como as pessoas podem fazer para ter cidades que cresçam com a natureza ao lado e não percam essa qualidade de vida?
Resposta: Para isso precisaríamos ter governantes mais preocupados com o futuro e precisaríamos ter uma educação ecologicamente mais apropriada. Vocês estão no caminho certo, têm bons professores, estão lendo bastante. Aproveitem isso.

- Você já esteve em Portugal, conforme uma das crônicas do livro. Qual foi o motivo da sua viagem?
Resposta: Sempre tive curiosidade de saber das semelhanças e diferenças dessa terra longínqua de gente dos quais descendemos e que fala a mesma língua que nós. Então, uma vez aposentado, pude dispor de tempo para fazê-lo. É muito interessante.

- O porquê do título "Portugal meu avozinho"?
Resposta: o primeiro prêmio literário que ganhei, quando tinha uns 12 anos, foi por uma redação sobre Portugal, e o tema era "Portugal meu avozinho". Então achei que encaixaria bem, já que Portugal é como que um avô do nosso Brasil.

- No que você pensava quando fez o poema “Poesia Viva?
Resposta: Eu pensava no quanto Quintana representa para a Literatura Brasileira, ele que dedicou a vida dele às letras. Pensava que precisamos divulgar a obra dele, que é um patrimônio do povo brasileiro.

- A crônica é principal gênero que pratica?
Resposta: Pois então. Eu escrevo crônicas desde garoto, comecei com o conto, enveredei pela poesia e me fixei na crônica, que é sempre atual e é um dos gêneros mais populares atualmente. Em qualquer jornal ou revista você encontra crônicas. Este que vocês leram, "Aphrodite...", é o sexto livro de crônicas. E há um outro vindo por aí.

- Você pensa em escrever outros livros?
Resposta: Sim, tenho um de crônicas mais intimistas para sair este ano e também um de contos de natal. Além de um só de textos sobre Corupá, minha terra natal.

- Você teve dificuldades em vender seus livros?
Resposta: Bem, alguns deles foram publicados por editoras, então elas é que ficam encarregadas de distribuir. "Vida, Vida" - contos, "Uma questão de amor" - poemas, "A Cor do Sol" - poemas, "Borboletas nos Jacaatirões", "A Nova Literatura Catarinense" e "Livro de Natal" foram publicados por editoras e alguns ainda estão no catálogo de algumas delas ou de livrarias como Saraiva, Catarinense, Livros & Livros e Clube de Autores (http://www.clubedeautores.com.br/) e outros estão esgotados. Com aqueles livros de edição própria eu consegui reaver o que investi neles.

- Você sempre gostou de ler?
Resposta: Sim, desde muito jovem eu sempre li muito. E recomendo, pois literatura é fonte de conhecimento.

sábado, 17 de abril de 2010

LIVROS: DISTRIBUIÇÃO E VENDA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Numa entrevista que fiz com a escritora e editora Urda Alice Klueger, há algum tempo, aproveitei para indagar dela como é a distribuição de livros neste nosso Brasil. Sabemos como é publicar o livro: produzir a obra, editar, vê-lo impresso. Mas a distribuição é alguma coisa complexa, que envolve marketing, competência editorial e conhecimento das tendências literárias. E Urda, à frente da Editora Hemisfério Sul, de Blumenau, há vários anos, nos diz que em todo este período que tem trabalhado para conseguir novos mercados para os seus livros, conseguiu colocá-los nas livrarias aqui do sul e sudeste. E na loja virtual da Saraiva e da Livraria Catarinense (ou Livrarias Curitiba), o que possibilita que qualquer pessoa em qualquer lugar possa comprá-los.
A maioria das editoras, como já sabemos, prefere publicar os best-sellers – livros que já fizeram “sucesso” em outros países, ou de autores consagrados, que têm venda garantida, às vezes até pelo nome. E o problema torna-se um círculo vicioso, pois para uma pequena ou média editora, a dificuldade de distribuição significa venda deficiente e isto acarreta falta de dinheiro, que por sua vez inviabiliza a publicação de novos títulos.
A situação não é isolada. Em recente matéria sobre a difícil tarefa de publicar livros, constatou-se que reeditar é ainda mais complicado, mesmo considerando-se que há livros importantes que estão esgotados há bastante tempo. As editoras catarinenses confessam não ter interesse em investir em uma política de reedição, pois acham difícil saber se haverá público para uma nova edição – o mesmo problema que acontece com o livro de um autor novo. Pior ainda se o gênero for literatura – conto, poesia, romance, etc. – a incógnita é muito maior do que se o livro for técnico, de Historia, esoterismo, auto-ajuda, reportagem, etc. A alegação é de que só vendem os títulos de autores consagrados e assuntos atuais na época da publicação do livro.
Poesia, segundo editoras e livreiros, não vende. Conto e crônica vendem pouco. Romance vende, se for assinado por autor de renome ou se for enlatado – o livro já chega aqui com toda uma campanha de divulgação feita pela mídia para despertar a curiosidade e induzir a compra. Se o leitor vai ler ou vai gostar, é outra história. O importante é comprar. O fato é que se procurarmos determinados livros de poesia, digamos, por exemplo, de Manuel Bandeira ou Cora Coralina, em qualquer livraria escolhida aleatoriamente, corremos o risco de não encontrá-lo. Então perguntamos: como vendermos um produto, se sem sempre o temos para oferecer?
Nós, os autores “alternativos”, que fazemos edições de mil ou dois mil exemplares de livros de poesia e de crônica, quase sempre por conta própria, conseguimos vendê-los, até com alguma rapidez. Algumas edições de mil exemplares esgotam em menos de um ano. Não se vende porque não se oferece ou não se oferece porque não se vende?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CICLOVIAS E CALÇADAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Tenho visto matérias nos jornais e na televisão sobre a criação de ciclovias em nossas cidades. É muito bom ver que estão sendo criadas alternativas para desafogar nosso trânsito urbano, cada vez mais congestionado nos horários de pico, que também vão ficando sempre mais compridos. Sei que é um problema comum das grandes e médias cidades e em alguns lugares estão tentando fazer com que o uso da bicicleta seja mais frequente.
Mas é necessário que todos tenhamos um pouco de boa educação. Caminho muito pelas ruas dos bairros e pelas mais centrais e vejo o descaso de motoristas de caminhões e de carros, no que diz respeito ao estacionamento em cima de calçadas e em locais proibidos. É comum termos que passar dentro da pista de rodagem, pois veículos estacionam não só em cima das calçadas, como o fazem de maneira a impedir totalmente a passagem do pedestre. E não se vê, nunca, nem polícia rodoviária – sei, de antemão, que vão dizer que há pouco contingente, que o pouco que há precisa estar nas estradas, que seja – nem a guarda municipal, por perto, para fazer com que seja corrigida tal falha. Falha que pode causar – e já causou – acidentes, pois há ruas de fluxo intenso onde veículos estacionados nos obrigam a andar dentro da pista.
Então a ciclovia é importante, precisamos dela, mas é nescessária a nossa conscientização das normas vigentes para dar o resultado esperado, pois parece que todo mundo estaciona onde quer, por aqui, sem que ninguém dificulte essa prática. Inclusive, na própria matéria que vi, sobre ciclovias, a televisão já mostrou carros estacionados em cima dela.
As prefeituras deveriam fiscalizar esse estado de coisas e multar, talvez, esses motoristas inclinados ao comodismo e ao descaso das leis, pois só mexendo no bolso deles é que vão se convencer de que precisamos evitar acidentes.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A FEIRA DO LIVRO E A ESCOLA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Participar da Feira do Livro de Joinville foi, no mínimo, gratificante. Apesar do tempo chuvoso ter impedido algumas pessoas de comparecer, muitos lá estavam e foi muito bom rever os amigos da terrinha.
E a surpresa de encontrar lá a professora Mariza Schiochet com vários de seus alunos, foi uma coisa de escritor famoso, coisa que eu não sou. Sou grande admirador de professores como dona Mariza, minha conterrânea, pois o trabalho abnegado e dedicado deles, no sentido de incutir o gosto pela leitura nos estudantes adolescentes, é uma coisa de valor inestimável. Sabemos que eles não ganham salários mais condizentes com o trabalho que realizam, que os motivem para realizar uma tarefa tão importante, mas eles se doam completamente, apaixonadamente em favor da cultura e do conhecimento dos seus pupilos.
É fantástico a gente ver jovens se interessando por leitura, lendo livros e interpretando textos, fazendo releituras do que leram, recriando textos de maneiras originais e inteligentes, não se prendendo, simplesmente, à mensagem que o autor quis passar na hora que escreveu. Essa juventude maravilhosa lê, entende o que o autor quis transmitir, cria em cima da obra original, levando o tema para outros gêneros de arte, como o teatro, o desenho, os jogos interativos.
Fiquei maravilhado com o que os alunos da professora Mariza fizeram baseados no meu livro “Flecha Dourada”. Um grande número de atividades que eu nem imaginava, uma gama de complementos para o livro que vai agradar muito mais aos leitores mirins, se agregados ao texto e aos desenhos já existentes. Fabuloso.
E além disso tudo, a professora ainda me levou à Biblioteca Municipal, que também faz parte da Feira do Livro, a partir deste ano, para que eu visse os trabalhos das escolas municipais lá expostos. Trata-se de uma mostra de atividades ligadas ao livro, leitura e literatura. Fui muito bem recebido pela administradora da Biblioteca Municipal Rolf Colin e, de quebra, negociamos a instalação do Varal da Poesia do Grupo Literário A ILHA – que na verdade hoje leva o nome de Projeto Poesia no Shopping – no interior daquela casa.
Então a incursão pela Feira do Livro de Joinville foi muito boa. Nos próximos dias publicarei entrevista feita pelos alunos da professora Mariza, que leram, comentaram e recriaram meus textos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

AS FEIRAS DO LIVRO E A LITERATURA INFANTIL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Como já disse, começou a temporada de Feiras do Livro. Conversando com autores de livros infantis e com pais dos consumidores de literatura infantil, os leitores em formação, confirmei uma constatação não muito promissora: nem todos os livros para crianças têm a qualidade de conteúdo que desejaríamos.
Temos verificado, feira após feira, que a grande vedete desses eventos, cada vez mais, é a literatura infantil. A cada final de uma feira do livro, seja ela onde for, o saldo evidencia a superioridade na venda de livros infantis e infanto-juvenis. E, note-se, só aqui em Santa Catarina acontecem feiras do livro em Florianópolis, Joinville, Blumenau, Balneário Camboriú, Itajaí, Brusque, Orleans, Criciúma, Itapema, São Bento do Sul, São José, Joaçaba, Jaraguá do Sul, etc.
Então, comprovadamente, o que mais vende nas feiras é o livro infantil, pelo menos em quantidade. O que suscitou discussão foi a qualidade dos livros vendidos. A feira oferece livros para crianças de todas as idades, de todo tipo, desde os mais simples até os mais sofisticados, desde os mais baratos – encontramos livros por cinqüenta centavos cada – até os mais caros. Existe até standes que oferecem exclusivamente livros infantis: grandes, pequenos, muito pequenos, enormes, edições luxuosas e outras muito simples, algumas até sem cores no interior, umas com muitas páginas, outras com menos de uma dezena de páginas.
O que mais existe – nas feiras e nas livrarias, também, só que nas feiras a concentração é maior – são edições as mais diversas daquelas fábulas tradicionais, tão nossas conhecidas, como Cinderela, O Patinho Feio, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, A Bela Adormecida, Rapunzel, Pinóquio, e tantas outras, publicadas em tiragens enormes. E quanto maior a tiragem do livro, mais barato ele pode ser vendido.
Além disso, esses contos de fadas, clássicos eternos, importados há muitas gerações, não têm mais para quem pagar os direitos autorais – veja que os livros de fábulas citados acima não registram nenhuma autoria -, e assim saem mais barato ainda para o editor.
Comparando as citadas fábulas com as obras infantis de autores brasileiros, me invade uma dúvida já levantada em outras ocasiões: será que esses contos, tão tradicionais e tão clássicos, tem todos algum cunho moral, ético e educativo para que estejamos, sempre, geração após geração, empurrando goela abaixo de nossos filhos?
As personagens são fortes, ganharam mais vida com o passar do tempo, mas as histórias continuam as mesmas. Algumas delas repletas de magia e encantamento, mas outras com apologia à violência, à inveja, à desonestidade, à deslealdade, à maldade. Como a avozinha que engorda crianças para devorar, como a madrasta que manda assassinar a enteada e pede que o executor traga o coração dela, como prova, como a velhinha encarquilhada que dá uma maçã envenenada a uma pobre jovem indefesa, como o lobo espertalhão que engana uma simplória avó e a devora, tentando fazer o mesmo com a netinha, como a outra enteada que é transformada em escrava, e por aí vai.
Não estou tentando convencer ninguém de que aqueles clássicos são todos ruins, absolutamente. Há, dentre eles, belas histórias com mensagens positivas, sem dúvida.
Mas precisamos dar mais valor aos nossos escritores, também. Precisamos deixar de comprar sempre as mesmas coisas, só porque são mais baratas e porque já estão impregnadas em nossa cultura. Temos vasta produção nacional dirigida para crianças, com histórias cheias de encantamento, com boas mensagens, focalizando nossos costumes, nosso folclore, nossa fauna, nossa história e nossa geografia, com excelentes ilustrações e com bons preços, também. Temos escritores como o imortal Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ziraldo, Ana Maria Machado, Lygia Bojunga Nunes, Érico Veríssimo, Marina Colasanti, Silvia Orthof e tantos outros, a nível nacional, além dos catarinenses como Maria de Lurdes R. Krieger, Else Sant´Anna Brum, Yedda de Castro Goulart, Rosângela Borges, Urda A. Klueger, Ana Maria Kovács, Eloí Bocheco. São exemplos de ótimos produtores de textos para crianças, que deveríamos ver com seus tantos títulos em todas as feiras do livro e em quantidades pelo menos equivalentes aos clássicos de sempre.
Os produtores de literatura infantil e infanto-juvenil da nossa terra são ótimos contadores de histórias e merecem ser prestigiados. E as nossas crianças merecem alguma coisa mais moderna e mais criativa.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A DOCE CORA CORALINA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Em doze de abril de 85 o Brasil perdia a sua poetisa mais sensível, mais autêntica e mais verdadeira: Cora Coralina. Estamos em abril e é difícil não lembrar de Cora, difícil não falar dela, difícil não reler os seus poemas. Eu queria escrever uma crônica em homenagem a ela, a grande poetisa do Brasil, mas não gosto de falar de perdas e acabei não escrevendo. E eis que me deparo com o texto de Cissa de Oliveira, minha vizinha lá no portal da nossa amiga Irene Serra do Rio Total: "Um Doce para Cora Coralina". Como não lê-lo e não aplaudí-lo? Além de falar de Cora, ela fala dos doces da doceira de mão cheia que ela era - e eu acabo de voltar da serra gaúcha, onde mora minha sogra, que faz doces fantásticos de figo, de pêssego, de marmelo, de morango, no fogão à lenha, não aquele de barro e pedra, como o de Aninha, mas à lenha, também. E então chego a sentir o gosto do doce de laranja.
Então cá estou eu, para agradecer à Cissa por lembrar de Cora e para me juntar à homenagem tão merecida.
São vinte e cinco anos de ausência da Aninha da poesia forte e despretensiosa, poesia que transmite a sua mensagem de amor à terra e à natureza, ao ser humano e à vida. A verdade é que Cora continua viva, cada vez mais viva nos seus poemas e na sua prosa. E no sabor dos doces que a Cissa me trouxe à boca.
A poetisa maior da casa velha da ponte, em Goiás publicou seu primeiro livro aos sessenta e sete anos: "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Depois vieram "Meu Livro de Cordel", "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha", "Estórias da Casa Velha da Ponte", "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", "Os Meninos Verdes", "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu". Essa, a obra que transformou Aninha no ícone da poesia brasileira que ela é hoje.
Em 2001, foram encontrados cerca de quarenta poemas inéditos de Cora, durante o trabalho de reconstituição de seu acervo. Esse material foi transformado em livro e foi publicado pela Global, editora que publicou quase todos os títulos de Cora. O livro é "Vila Boa de Goyaz" e os poemas que o compõe exaltam a cidade de Goiás, onde a poeta nasceu. Ela fala da Goiás que conheceu no início do século passado, das ruas que mudaram de nome, mas não mudaram de jeito, da linguagem impressa em cada toque dos diversos sinos existentes na cidade e fala, também, da casa velha da ponte. Um canto de amor à cidade de Goiás.
Foi-se o corpo singelo da grande poeta e da grande mulher-menina (ou menina-mulher?), mas a poesia viva ficou. A poesia que é o coração, a alma de Aninha, a nossa Cora Coralina eterna, que continuará viva para sempre nos versos e na prosa que ela deixou.
Dos inéditos encontrados de Cora, tomo a liberdade de transcrever aqui "Coração é terra que ninguém vê", pois não dá pra falar de Cora sem ler uma criação dela: "Quis ser um dia, jardineira / de um coração. / Sachei, mondei - nada colhi. / Nasceram espinhos / e nos espinhos me feri. // Quis ser um dia, jardineira / de um coração. / Cavei, plantei. / Na terra ingrata / nada criei. // Semeador da Parábola... / Lancei a boa semente / a gestos largos... / Aves do céu levaram. / Espinhos do chão cobriram. / O resto se perdeu / na terra dura / da ingratidão // Coração é terra que ninguém vê / - diz o ditado. / Plantei, reguei, nada deu, não. // Terra de lagedo, de pedregulho, / - teu coração. // Bati na porta de um coração. / Bati. Bati. Nada escutei. / Casa vazia. Porta fechada, / foi que encontrei..."

domingo, 11 de abril de 2010

EDUCAÇÃO DE VERDADE

Eu, profª Mariza e filho, Wilson Gelbcke

Eu e alguns dos alunos da profª Mariza

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Estive ontem em Joinville, para fazer o lançamento de meu novo livro de crônica, “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas”, e “Flecha Dourada”, meu primeiro livro infantil.
É sempre muito bom voltar à praça Nereu Ramos, onde o Grupo Literário participou da Feira de Arte e Artesenato por vinte anos, com o Varal da Poesia – hoje Poesia no Shopping, o Recital de Poemas e projetos como a revista Suplemento Literário A ILHA, o projeto Poesia Carimbada, o projeto Pacote de Poesia e outros, além de lançamentos de livros solo dos poetas da praça e antologias.
Choveu na tarde de sábado, mas mesmo assim a feira estava com ótima frequência. Os organizadores da feira me receberam calorosamente e revi amigos escritores e jornalistas.
E fiquei muito feliz com a visita dos alunos da Escola de Ensino Básico Dr. Jorge Lacerda, que leram a minha obra e fizeram diversas atividades baseadas em crônicas, poemas e no livro infantil deste humilde escriba. Liderados pela professora Mariza Schiochet, educadora dedicada, criativa e de uma habilidade ímpar em fazer aflorar a criatividade dos estudantes e promover o gosto pela leitura.
Os adolescentes fizeram diversas trabalhos com textos meus. Leram, recriaram, comentaram, criticaram, construíram atividades interativas baseadas no livro “Flecha Dourada”, decoraram e declamaram poemas, até teatro eles produziram e encenaram.
É muito gratificante ver o trabalho da professora Marisa com os estudantes joinvillenses, trabalho que evidencia a alta qualidade da educação que pode ser praticada, resultado da dedicação e abnegada vocação para formar nossos cidadãos de amanhã, apesar da pouca valorização dada ao ensino pelos nossos governantes.
Voltarei a falar dos trabalhos, que estou absorvendo, devorando, um a um.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

EU E A FEIRA DO LIVRO





Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Joinville começa a temporada das feiras do livro. É a sétima edição da feira na Cidade das Flores, da Dança e da Poesia, e a primeira da temporada 2010, seguindo-se-lhe várias outras por todo o Estado, ao longo do ano.
O sucesso da Feira do Livro de Joinville cresce a cada edição e isso é perceptível no tamanho do espaço que ela ocupa, cada vez maior, no número de visitantes sempre crescente e na quantidade de grandes nomes da literatura nacional convidados.
O Grupo Literário A ILHA, que completa 30 (trinta) anos de existência, divulgando a literatura produzida principalmente no norte do Estado, tem orgulho de participar da Feira do Livro, já que foi em Joinville que desenvolveu por mais tempo suas atividades.
Foram quase duas décadas – anos 80 e 90 - levando o Varal da Poesia, o Recital de Poemas, a revista Suplemento Literário A ILHA e livros de autores locais à Feira de Arte e Artesanato, evento que acontecia no mesmo local onde hoje se realiza a Feira do Livro. O grupo de poetas da praça ajudou a popularizar a poesia na região.
Então voltamos às origens, trazendo o Varal da Poesia para a feira e fazendo o lançamento de dois novos livros publicados pelas Edições A ILHA: um deles é APHRODITE E AS CEREJEIRAS JAPONESAS, coletânea de crônicas publicadas aqui no Jornal A Notícia, e outras inéditas, um registro do que tem acontecido a nossa volta e pelo mundo, nos últimos tempos. Nele, falo de literatura, de música, de cinema, de dança, de política cultural, da vida cotidiana, do tempo e das mudanças climáticas, das estações, de jornalismo, de viagens, de corrupção, de impunidade, de educação, de saúde, de segurança, de natureza, de animais de estimação, de ecologia, de Quintana, de doações, de pedágios, de gente, de preservação do meio-ambiente, entre outras coisas.
E também deste cronista, será lançado o livro infantil “Flecha Dourada”, com ilustrações de Solange Gerloff Alves de Lima.
Também apresentaremos o número 112 do Suplemento Literário A ILHA. O lançamento será amanhã, sábado, as 16 horas. Você, leitor, está convidado.
(Extraída de A Notícia, página 3, 09.04.2010)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

LUSOFONIA EM FLORIANÓPOLIS (AÇORIANÓPOLIS)

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Está acontecendo, pela primeira vez no Brasil, mais precisamente em Florianópolis, mais um Colóquio da Lusofonia, a décima terceira edição, que ganhou o nome de Açorianópolis. Convidados de vários países estão na capital catarinense, como Portugal, (Açores), Canadá, Austrália, Galiza, França, Moçambique, Bélgica, Cabo Verde e outros.
Lusofonia, para quem não sabe – e não é crime não saber – é o conjunto dos países que falam a língua portuguesa, como Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo. É a cultura dos povos que tem como língua o português.
Então, desde o dia cinco até o dia 9, Florianópolis sedia o Açorianópolis, ou XIII Colóquio da Lusofonia. Não apenas gente ligada às letras, mas artistas como cantores, músicos, atores e declamadores de vários paíeses estão no evento. Além dos debates de diversos assuntos que dizem respeito à língua, literatura, história e antropologia lusitanas, várias atrações paralelas com os artistas participantes. Além dos lançamentos de livros, muita música, como fado, música tradicional açoriana, música de Galiza e, é claro, música brasileira. Também sessões de teatro e recitais de poesia.
Diversos assuntos interessantes estão sendo aboradados, como “Literatura e açorianidade”, “Traduções do português e para o português”, “O Futuro da Língua Portuguesa nos três cantos do mundo”, “Arte e Cultura Lusófona” e muitos outros.
O debate a respeito do Acordo Ortográfico, que afeta todos os países de língua portuguesa, aconteceu ontem, mas eu não pude comparecer. Uma pena, pois estive em Portugal no ano passado, logo depois que começou a vigorar o acordo, e os portugueses não estavam nada contentes com as mudanças. No Brasil, muito pouca coisa mudou e a adequação está sendo muito mais fácil. Mas para os portugueses de Portugal e de outros países as mudanças são mais abrangentes e chega até a mudar um pouco a maneira de falar, pois palavras como “óptico”, por exemplo, perdem o “p”.
Mas o importante é que o encontro está acontecendo, temas importantes estão sendo discutidos e a integração entre os países lusófonos está se fazendo. Voltarei ao assunto.

terça-feira, 6 de abril de 2010

FEIRAS DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E será aberta a temporada de feiras do livro, depois de amanhã, quando começa a Feira do Livro de Joinville. Não digo isso levianamente, mas porque realmente as feiras do livro suceder-se-ão, daqui por diante, por toda Santa Catarina, pelo Rio e por outros estados, até a de Porto Alegre, no final do ano.
Serão várias oportunidades, em diferentes cidades e em diferentes estados, de oferecer todo tipo de livro aos cidadãos já leitores e também àqueles que ainda não têm o hábito da leitura. Algumas das feiras, inclusive, como a de Florianópolis, de Joinville e de Porto Alegre e outras, acontecem na rua, na praça, no caminho do transeunte. Essa é uma ótima maneira de conquistar novos leitores: colocar o livro no seu caminho.
Em Joinville, começa no dia 7 a sétima edição da Feira do Livro da cidade, na Praça Nereu Ramos. O sucesso da feira tem sido crescente e a desse ano tem muito boas perspectivas. É uma semana de oferta de milhares de livros e de uma programação paralela interessantíssima, com lançamentos, apresentações artísticas, sessões de leitura com crianças das escolas, concursos e presença de grandes nomes da literatura.
Em Florianópolis, começa no início de maio a Feira de Rua do Livro, no Largo da Alfândega, ao lado do Mercado Municipal, congregando editores, livreiros, distribuidores, universidades, entidades literárias e fundações culturais, entre outros, com o objetivo de promover e divulgar o livro e a leitura.
Em Santa Catarina, a cada mês há uma feira do livro: em Jaraguá do Sul, em Balneário Camboriú, Itajaí, Joaçaba, Blumenau, Criciúma, Chapecó, etc. Algumas começaram recentemente, mas algumas realizam a feira há anos, como Balneário Camboriú. E outras já estão programando a sua implantação.
No Rio Grande do Sul, também existem feiras pelo estado, mas a mais antiga, talvez do país, é a Feira do Livro de Porto Alegre, fundada em 1955. Ela é realizada na Praça da Alfândega, em novembro, ao ar livre.
Como já comentamos antes, em outras crônicas, talvez o preço dos livros, praticados nas feiras, não seja tão menor do que aquele praticado nas livrarias estabelecidas. Mas o fato de reunir uma gama quase infinita de opções e de colocar o livro em ruas e praças por onde o transeunte está passando, é um grande estímulo para que aumente o número de leitores neste país. Sem contar as promoções paralelas – seminários, palestras, mesas redondas, sessões de autógrafos, concursos, que oferecem um mundo de cultura a quem quiser aproveitar. Alguns eventos, os maiores, como as bienais do livro, cobram entrada, é verdade, e o fato configura restrição para algumas pessoas, mas isso é um outro assunto. A maioria não cobra, felizmente.

domingo, 4 de abril de 2010

PEDÁGIO NO RIO GRANDE DO SUL

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Estou de volta do Rio Grande do Sul, onde fui passar o feriadão. É sempre muito agradável visitar a Serra Gaúcha, passear por Nova Petrópolis e região, mesmo estando o calor que estava nos dias antes da Páscoa por lá, temperaturas quase comparáveis à cidades catarinenses como Joinville e Blumenau.
Apesar de gostar muito de Nova Petrópolis, sempre que vou para lá, volto com a mesma indignação. Explico: não vou pela 101, que ainda está em obras, vou pela 116. Acontece que o trecho gaúcho tem quatro pedágios até Nova, a R$ 6,00 (seis reais) cada, pasmem. E as estradas nem são aquele brinco, não, tem muito remendo, trechos tábua de lavar roupa e, pior, não é duplicada. Pelo preço que se paga, deveríamos ter uma estrada duplicada e totalmente nova, nos moldes das melhores estradas européias.
O cúmulo é a distância entre dois daqueles pedágios: apenas vinte quilômetros. Um fica na entrada de Vacaria e outro na saída da cidade. O que me deixa indignado não é só preço absurdo. É que não vejo ninguém contestar, não vejo ninguém reclamar, não se publica nada a respeito. No ano passado escrevi um artigo sobre o assunto e mandei para diversos jornais, mas não soube de nenhum que tenha publicado.
Parece que há um silêncio combinado sobre o assunto, ninguém comenta, ninguém reclama e fica tudo como está. Viajo para lá há mais de dez anos e as coisas continuam ruins. Pagava-se tão caro como agora, mas as estradas eram até piores. E hoje não estão boas o suficiente, se considerarmos o preço elevadíssimo que pagamos. A BR 101, no trecho do Paraná e Santa Catarina, tem pedágio desde o ano passado e pagamos, atualmente, com recente aumento, R$ 1,20 (um real e vinte centavos).
Desta vez tenho que falar de outra boa, que li no jornal Pioneiro de sexta-feira, dia 2 de abril: A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, “pedindo que deputados aprovem o projeto de lei que permite ao governo executar obras em trechos de pedágios privados, para continuar a obra no trevo para Flores.”
Ora, a ilustre governadora quer fazer obras em trechos de estradas entregues à operadoras de pedágio que cobram seis reais por cada carro de passeio (nem prestei atenção nos outros preços) que passa pelos seus pedágios, dois deles com distância de vinte quilômetros entre um e outro?
Quer dizer, ela quer usar o suado imposto que o contribuinte paga para fazer obras que a concessionária tem o dever e o dinheiro, de sobra, para fazer? O usuário vai pagar duas vezes as obras a serem executadas, pois paga o valor astronômico do pedágio e ainda paga por fora, através da generosa governadora, pagando impostos para formar o bolo que é o dinheiro público que ela usa para execução do trabalho. Será que isso vai ficar assim? Não há nada nem ninguém que interfira, para evitar tamanho desperdício e tamanho absurdo?
Depois, ela reclama que tornam a vida dela um inferno...

sábado, 3 de abril de 2010

PÁSCOA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

É Páscoa. No final do ano, antes do Natal, falamos, em outra crônica, que precisávamos contar as nossas crianças o significado daquela festa maior, para que não crescessem pensando que ela era apenas luzes, enfeites e presentes e a desvinculassem do nascimento do Menino que morreria, trinta e três anos mais tarde e ressuscitaria, subindo ao céu.
Bem, a Páscoa também não é simplesmente ovos e coelhos de chocolate. A palavra Páscoa vem do hebraico e significa "passagem". Os judeus comemoravam esse dia antes mesmo do nascimento de Cristo, desde há muito tempo, então com outro sentido: o de liberdade, ou seja, a libertação de anos de escravidão no Egito. Para os cristãos, a Páscoa passou a celebrar o renascimento de Cristo, a passagem dEle deste mundo para o Pai.
Páscoa, então, é renascimento, renovação, a festa da libertação. Época de repensar a vida e renová-la, de refletir sobre o Menino que se tornou homem, morreu e ressuscitou, elevando-se ao céu, provando aos homens que há uma força divina, maior, regendo nossos destinos.
Lembrei, então, que numa das crônicas de Natal eu falava da solidariedade que podemos exercitar, olhando para o lado e prestando atenção no irmão menos privilegiado do que nós. Assim como já havia feito em um Natal, numa Páscoa não muito distante da minha vida, resolvi fazer pequenos pacotes com pequenos ovos de chocolate, bombons e balas, coisa simples, quase simbólica, que eu tinha pouco pra dividir. E fui, num sábado de aleluia, distribuí-los às crianças de uma comunidade carente. As dezenas de pacotes quase não foram suficientes para as muitas crianças, que ficaram muito felizes, pois aquilo era tudo que teriam naquela Páscoa. Dava para ver, pelo brilho dos olhos e pelo sorriso estampados nos rostos, que estavam felizes. Pena que não pude explicar o significado dos ovos e coelhos, símbolos da Páscoa, e da razão porque eu estava oferecendo aquele pequeno presente.
Poderia ter falado a eles sobre o coelho, que apesar de não botar ovos, assumiu o papel de produtor e entregador dos ovos de Páscoa, pela sua notória capacidade de reprodução, símbolo da fertilidade. E que o ovo representa a pureza e a fertilidade, um símbolo da vida, daí sua relação com a ressurreição de Cristo.O ovo é como a eternidade, não tem começo nem fim.
Recentemente fomos visitar uma creche, destas que assistem crianças de famílias carentes, que deixam lá os filhos pequenos porque têm que trabalhar. E os voluntários nos mostraram uma mesa enorme coberta de cestinhas, enfeitadas, mas vazias. Explicaram-nos que, como a creche sobrevive de doações, e às vezes falta até comida, não têm como encher as cestas.
Então resolvi que vamos ajudar. Vamos tentar colocar algum recheio nas cestas. E desta vez será da maneira correta, pois as crianças, pelo menos aquelas que já podem entender, estão aprendendo o significado da Páscoa.

PRIMAVERA EXTRA



Estas são apenas três das fotos de flores
de mato, das dezenas que fiz,
de variedades de capim que eu nem
conhecia. Uma mais linda que a outra.

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

O calor na serra gaúcha está igual ao calor de cidades catarinenses como Joinville ou Blumenau, nestes dias antes da Páscoa. É um verãozão brabo fora de época ou é o veranico de maio que veio antecipado? O certo é que o descontrole das estações é uma realidade.
Saí para caminhar nesta sexta-feira santa, no interior de Nova Petrópolis e, além das quaresmeiras, fiquei surpreso com a florescência de uma infinidade de plantas rasteiras que chamamos de mato, coisa que eu nunca tinha prestado atenção antes. Parece até primavera. Olhando o capim florescido, não dá pra dizer que estamos no outono. Quebra-pedra, tiririca e outros matos dos quais eu não sei o nome e nunca tinha visto assim florescidos estavam enfeitando a beirada da estrada com suas flores minúsculas e coloridas, cheias de graça.
Um espetáculo a gente poder olhar a variedade de capim à beira do caminho, cheio de cores e matizes. A natureza brindando a gente com uma primavera extra.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

AS FLORES DA PÁSCOA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A quaresmeira, tipo de jacatirão que tem esse nome porque floresce na quaresma, está em plena florescência, talvez a temporada com mais flores de que me lembro. Em Rancho Queimado, na grande Florianópolis, há um trecho da 282 que está uma beleza, tingido de vermelho e vinho dos dois lados da estrada. Na serra gaúcha também há muitos deles, principalmente nos jardins, e a quantidade de flores é um espetáculo à parte.
Este tipo de jacatirão, a quaresmeira, tem as flores menores do que o jacatirão nativo, que floresce na primavera/verão, mas é mais colorido, tem cores mais vivas, mais vibrantes. Então não dá pra não notar uma quaresmeira fechada de flores. O manacá-da-serra, outro tipo de jacatirão que floresce no inverno, é mais parecido com o nativo.
Fico encantado com as manchas vermelhas que as quaresmeiras deixam na mata, nos jardins, nas beiras das estradas. Mas não é um encantamento comum, simples, é um encantamento mágico, pois meus olhos são atraídos pelas cores das pétalas vermelhas e lilazes, no meio do verde, e meu olhar flutua em direção a elas, como se minha alma seguisse com ele em direção às cores. E então meus olhos brilham, como faróis, e o raio de luz é o canal de ligação com meu coração.
É assim que me sinto encantado com a generosidade das flores do jacatirão, encantamento que envolve meu olhar, minha alma, meu coração.
Pois então não sou filho da terra, irmão gêmeo da natureza, como a árvore de jacatirão?