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segunda-feira, 31 de maio de 2010

PCH EM CORUPÁ: SIM OU NÃO NESTA TERÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A audiência pública para discussão e aprovação ou não, por parte da sociedade, da instalação da PCH – Pequena Central Hidrelética em Corupá, no Rio Bruaca, finalmente acontece nesta terça, no Seminário Sagrado Coração de Jesus, as 19horas.
Ela estava prevista para março, mas não aconteceu, não se sabe porque, pois ninguém se reportou sobre o assunto. A PCH, conforme já enumeramos em oportunidades anteriores, já mostrou ter mais contras do que prós: o impacto ambiental será desastroso e o retorno para o município quase nulo. A cachoeira da Bruaca, um dos cartões postais da cidade de Corupá, terá sua vazão diminuída, tendendo a desaparecer. E essa é a cachoeira que se vê quando se está chegando na cidade pela 101.
Os estudos dos impactos ambientais, que já deveriam ter sido apresentados, serão apreciados quando da audiência.
Mas a parte boa do atraso, talvez seja o fato de que a comunidade finalmente está se movimentando, no sentido de evitar a aprovação da construção da hidrelétrica. Três vereadores corupaenses protocolaram, na câmara do município, projeto de lei que proíbe a construção de PCH nos rios de Corupá, a exemplo de outros municípios, como Joinville.
Os moradores da tranquila e pacata Corupá, que não aceitam a construção da PCH porque não acreditam na afirmação da empresa construtora de que os impactos serão mínimos, aprovam a atitude dos vereadores e de ambientalistas, que estão lutando para que a Fatma não forneça a licença ambiental.
A natureza deu à Corupá uma coleção prodigiosa de rios e cachoeiras e não é justo que destruam parte dessa beleza em benefício de poucos. Os empresários alegam que a Rota das Cachoeiras não será afetada, mas sabemos disso. A Cachoeira da Bruaca é que irá desaparecer, não interessa o que eles digam, pois grande parte da sua água será desviada para a usina. E há mais.

sábado, 29 de maio de 2010

OS TRINTA ANOS DO GRUPO LITERÁRIO A ILHA


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


O Grupo Literário A ILHA e a sua revista, o Suplemento Literário A ILHA, completam, neste junho de 2010, 30(trinta) anos de atividades. Divulgando a literatura, dando espaço a escritores catarinenses e brasileiros e até estrangeiros, publicando a obra de todos eles em várias mídias, como a revista do grupo, o portal PROSA, POESIA & CIA., na internet, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/, através da Editora A ILHA, publicando dezenas de livros solo e antologias de prosa e de poesia, através do Varal da Poesia, que transformou-se no Projeto Poesia no Shopping, da participação em feiras do livro e através de outros projetos como Poesia na Rua, Poesia Carimbada, O Som da Poesia, Pacote de Poesia e outros.
São trinta anos de trajetória, sempre adaptando-se às novos mídias, às novas tecnologias de informação para chegar até o leitor.
Para comemorar, o Grupo Literário A ILHA idealizou e estará lançando a coleção “Letra Viva”, composto de livros de crônicas de seus integrantes e a edição comemorativa da revista Suplemento Literário A ILHA, também circulando ininterruptamente por todos esses trinta anos.
Diferente da coleção Poesia Viva, que publicou poetas do Grupo Literário A ILHA que não tinham ainda livro solo publicado, a maioria deles – foram doze volumes – a coleção “Letra Viva” traz a lume os cronistas do grupo, que não são tão numerosos quanto os poetas, mas se destacam, escrevendo em jornais do Estado e pelo Brasil.
Nesta primeira remessa, o grupo publica três livros de crônicas: de Célia Biscaia Veiga, que foi cronista do AN Cidade, de Mary Bastian, cronista de A Notícia e de Jurandir Schmidt, que também escreve para jornais e revistas.
Crônica talvez não seja o gênero literário mais praticado, atualmente, pois perde para a poesia. Mas é o mais publicado, pois todo jornal tem seus cronistas diários. Então privilegiamos quem pratica esse gênero e entregamos os primeiros livros da coleção “Letra Viva”, na Feira Catarinense do Livro de 2010. O lançamento da coleção, do número 113 do Suplemento Literário A ILHA, edição comemorativa dos anos do Grupo A ILHA e do livro de crônicas deste cronista será neste sábado, as 15 horas, no estande dos Escritores da Ilha.
Novos volumes da coleção serão publicados, pois o Grupo Literário A ILHA continuará abrindo espaços para a literatura, para a poesia, para o escritor da terra.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Gosto de ler e admiro o escritor que consegue ser objetivo, com vocabulário claro e apropriado, sem se perder em excessos narrativos e descritivos ou no emprego de palavras rebuscadas e fora de uso.
Sempre fui leitor crônico de romances, contos e poemas e descobri, há algum tempo, a crônica. Adoro a crônica, mas detesto aquelas massudas, extensas, esticadas demais, prefiro as mais enxutas, elegantes, se dissessem apenas o necessário para transmitir a sua mensagem.
Há quem pratique o gênero e ache que escrever bem significa produzir textos imensos, perder-se em divagações inúteis sobre um determinado tema. E ainda usando “palavras difíceis”, na ilusão de que isso enriquece o texto.
Isso me lembra de um “escritor” que conheci – e que felizmente não escreve mais ou, pelo menos, não tem publicado – que escrevia a sua crônica e depois de pronta, ia ao dicionário e trocava umas quantas palavras usuais e inteligíveis por outras, fora de uso e desconhecidas. Ele achava que isso transformava o seu texto em grande obra. Ora, o texto já era ruim: tema mal definido, mal desenvolvido, com vocabulário simples, quase vulgar, pouco conhecimento de regras gramaticais. Imagine um texto assim, salpicado de “palavras difíceis”. Se esse “escritor” produzisse poesia, com certeza usaria rima – e seria uma rima muito pobre!
Mas, como dizia, gosto do texto claro e saboroso, rápido mas denso, com conteúdo, aquele que diz apenas o necessário para comunicar com eficiência. Um texto não precisa ser extenso para ser bom. E se ele for mais longo porque havia necessidade disso, por imposição do tema, do desenvolvimento do assunto, sem deixar de lado a objetividade e a dinâmica da palavra, deverá ser interessante e gostoso de ler como se fosse curto.
Comunicar idéias é ser conciso, claro, com linguagem atual e bem articulada, é conversar com o leitor sem menosprezá-lo, sem querer apenas impressioná-lo. É colocar temas em discussão contando a sua verdade, aceitando que ela pode ou não ser a verdade do leitor.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

MAIS RESPEITO COM O MAR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O mar está avançando, em alguns pontos da Ilha de Santa Catarina, destruindo praias e engolindo casas. As praias da Barra da Lagoa e da Armação já nem merecem mais este nome, porque estão virando barrancos, costões na beira do mar. As pessoas que moravam a dezenas de metros da praia, há alguns anos, agora estão abandonando suas casas, porque o mar está chegando, com ressacas, devorando o chão sob as construções, fazendo-as desmoronar.
A prefeitura da capital, que não fez o que deveria ser feito em tempo hábil, agora está tentando solucionar o problema. Para muita gente já é tarde demais. Colocaram sacos de areia, com a ajuda do exército, mas não adiantou. Agora estão colocando pedras, o que também não deve resolver por muito tempo e acaba com qualquer possibilidade de restauração da praia, ou torna muito mais cara a sua recuperação. Tapumes de contenção de concreto também estão sendo construídos em alguns pontos.
Mas ninguém está falando em acabar com o que causou toda essa erosão, esse avanço do mar. Ninguém parece se preocupar com os molhes, que foram feitos ao longo do tempo, nem com aterros, que modificaram o fluxo das águas, das correntes e então, com as ressacas, os resultados ficam mais à mostra.
É preciso que a geografia do mar seja restaurada, que o que o homem modificou volte a ser como era, senão o problema vai continuar se agravando.
Será que ninguém vai pensar nisso? O mar sempre toma de volta o que é seu.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

LIVROS DESTRUÍDOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Em minha já algo longa trajetória literária, publiquei livros por algumas editoras. Um deles foi publicado por um grande editor, à época, dono da mais importante casa publicadora de Santa Catarina. Apesar disso, a distribuição não era das melhores e apenas metade da edição foi vendida. A outra metade ficou no depósito da editora. Vendia pouco porque podia ser encontrado, nos últimos tempos, apenas na livraria da editora.
Eu não me importava muito com isso, pois sucederam-se-lhe outros livros e havia que divulgá-los, mostrar os trabalhos mais recentes, que a gente acaba achando sempre mais defeitos nos antigos.
O que me deixou pasmo, recentemente, foi descobrir um fato que jamais me ocorreu fosse possível ocorrer. A editora em questão encerrou atividades e o acervo teria sido vendido para ex-funcionários e para um sebo. Quando precisava de um exemplar daquele livro, procurava o sebo que adquiriu parte do acervo e comprava um. Acontece que não estava encontrando mais, o que me deixou intrigado, pois o saldo dos meus livros que havia na editora não poderia acabar assim tão rápido. Procurei a livraria de ex-funcionários da editora que havia ficado com outra parte do acervo e consegui uns poucos exemplares, que lá também não havia mais.
Investigando mais adiante, descobri uma história estarrecedora, na qual preferia não acreditar. Os herdeiros do editor (a editora acabou porque o dono havia falecido) teriam picado parte (ou grande parte?) do referido acervo, para vender como papel velho, daí não se conseguir encontrar algumas publicações do vasto catálogo.
Não parece brincadeira de mau gosto? Não teria sido possível ceder os livros para uma biblioteca, para escolas, para quem pudesse distribuir os livros para entidades que pudessem colocá-los à disposição do público leitor?
Não quero acreditar, mas se levarmos em consideração que algumas publicações da extinta editora não são mais encontradas, parece que o tal absurdo pode ter acontecido mesmo.
Nossos valores estão ficando cada vez mais deturpados, e acho isso, também, um tipo de desumanidade, pois os livros que foram destruídos poderiam ter sido colocados nas mãos de estudantes, de leitores em potencial que poderiam usufruir de algum conhecimento e quem sabe, tomar gosto pela leitura. E tirar a oportunidade de ser humano de aprender, de absorver conhecimento, de ter uma boa leitura não é desumano?

terça-feira, 25 de maio de 2010

LITERATURA NAS BANCAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Hoje, quando fui comprar jornal, vi na banca o primeiro, o segundo e o terceiro volumes da coleção de clássicos da literatura universal que a editora Abril está relançando. Acho que pela segunda ou terceira vez – a primeira vez foi em 1981 – mas sempre é uma boa notícia saber que podemos comprar clássicos do quilate de Germinal, de Zola, Decamerão, de Baccaccio, Dom Quixote, de Cervantes, Vinhas da Ira, de Steinback, Contos, de Voltaire, Ilusões Perdidas, de Balzac, Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo e tantas outras obras primas, com apresentação impecável por preços bem aquém daqueles praticados nas livrarias.
É claro que na coleção existe “Ulysses”, de Joyce, livro que carrega a fama de não ter sido lido na íntegra por ninguém, porque é muito “difícil”, digamos assim – vide minha crônica “O Livro Ilegível”, aqui mesmo no blog – mas há muita coisa boa.
Vale a pena aproveitar. Os livros estão nas bancas de revistas e jornais, em lugares bem acessíveis, por preço também acessível e com uma obra nova a cada semana.
Essa é mais uma oportunidade de aproveitar e esquecer que não compramos mais livros porque eles são muito caros, que não lemos mais porque não podemos comprar livros muito frequentemente. Com essa coleção nas bancas, custando menos que uma entrada de cinema, podemos, sim, comprar mais livros.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A POESIA EM TERESINKA PEREIRA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Teresinka Pereira é poetisa. Ela é brasileira, radicada nos Estados Unidos, onde é professora no Departamento de Inglês, Comunicação e Línguas em universidade de Ohio, é presidente da IWA – International Writers and Artists association e membro da Diretoria da World Congress of Poets. Além de escritora e professora, Teresinka é grande divulgadora, em âmbito mundial, de novos poetas, qualquer que sejam as suas nacionalidades. Além das revistas e antologias onde reúne trabalhos de escritores de todo o mundo, inclusive brasileiros, já publicou livros de autores de fora dos Estados Unidos, como é o casão desse cronista, que teve “The Poet” editado por lá, pela IWA.
Voltei a ler um de seus livros de poemas, “O Relógio ou Prolongação Transparente do Espanto”, publicado nos Estados Unidos em português, e não dá para deixar de falar dele.
Em “O Relógio”, a poesia vigorosa e engajada de Teresinka nos balança e nos remete a um universo poético transcendente, revelando uma poeta experiente e madura. Ela consegue construir e manipular figuras poéticas e contrapontos magistrais, em poemas com linguagem quase telegráfica, dizendo tanto em versos poucos, carregados de emoção e sentimento.
É o fazer poético de alguém que já escreveu muito e lê mais ainda, depurando a sua produção, aguçando cada vez mais a sua argúcia e a sua sensibilidade.
A obra contida em “O Relógio” nos revela a poesia eclética e polivalente de Teresinka, que tão bem a faz romântica, social ou de protesto, de conscientização, brindando-nos com toda uma gama de lirismo e inspiração inesgotáveis.
Como em “Parece-me que os pássaros / cantam, impecáveis, para nós / suas rimas de palavras molhadas... // Esta manhã fiz as pazes / com meus fantasmas. / Se eu fosse dona da verdade / queimaria todos os sonhos!”
Depois desse livro, muito da produção da escritora já veio à tona, tanto em prosa como em poesia – ela é excelente ensaísta, escreve teatro e crônicas, também - confirmando o crescimento da sua literatura.

domingo, 23 de maio de 2010

TV - AS REPRISES QUE PAGAMOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Fico cada vez mais indignado com a maneira como a gente é roubado. É na conta de telefone, na conta da água – de vez em quando vem uma conta astronômica e não adianta reclamar, porque somos nós que temos que provar que não devemos aquilo; nos boletos, onde cobram de nós a taxa bancária que deveria ser paga pelo cedente; na conta de internet – ficamos sem sinal por dias a fio, a velocidade vive oscilando e não raro fica abaixo dos dez por centos que eles garantem, o que já é um absurdo, mas a conta no final do mês sempre vem integral, e outras contas mais.
Uma das contas que venho questionando é a de TV a cabo (ou satélite, que seja). Já diminuí o pacote, mas continuo me sentindo roubado. A gente paga uma fortuna de TV, para ter opção de escolher alguma coisa menos ruim para assistir, para variar, mas o que temos é reprise, reprise, reprise.
Os programas, seriados e filmes passam no horário nobre e depois repetem de madrugada, de manhã e de tarde. Alguns dias depois, repetem de novo, mais adiante de novo e de novo. Alguns filmes passam quase todo dia, como “Bridget Jones”, “Escorpião Rei”, “O Retorno da Múmia” e outros tantos dos quais não lembro e nem quero lembrar os títulos. Há dias, inclusive, que o mesmo filme passa em dois canais diferentes. Aliás, os filmes constituem um problema à parte, pois todos os canais (ou redes) parecem poder comprar os mesmos filmes. Então eles repetem exaustivamente num canal e repetem também em vários outros canais. Há filmes que passavam quando eu assinei pela primeira vez a TV a cabo, há mais de dez anos, que passam hoje, ainda.
Com dezenas de opçoes, a gente senta pra ver alguma coisa e busca por todos os canais, mas não há nada de novo. É tudo reprise. Até noticiário é reprise, se você viu à noite, no dia seguinte de manhã já sabe de quase tudo. Se viu algum jornal na TV durante o dia, à noite você já terá visto a maioria das notícias.
Para que, então, pagamos tão caro uma profusão de canais que ficam nos empurrando goela abaixo um monte de reprises?
Parece que a coisa mais fácil, atualmente, é fazer a programação de um canal. É só ter meia dúzia de filmes, seriados ou algum outro tipo de programa e repetí-los incansavelmente.
Não seria mais honesto termos menos canais e mais programação? Não está na hora de cobrarmos menos reprises pelo que pagamos? Nem falo na qualidade. Esse já é outro capítulo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

APROVADO O PROJETO FICHA LIMPA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E o Projeto Ficha Limpa foi aprovado no Senado, não sem antes modificarem a redação para confundir e dar vantagens aos políticos. Claro, legislando em causa própria, como sempre. Como esperar que aprovassem o texto como foi enviado?
Então fizeram uma “sutil” alteração na conjugação de um verbo e pronto, instalou-se a confusão. Mas só no Brasil, mesmo para criar tanta dúvida quanto a um enunciado que não tem nada de controverso: o texto, quando chegou ao Senado, dizia que ficariam inelegíveis os políticos “condenados” por um tribunal colegiado. Um senador metido a esperto meteu a mão e modificou para “os políticos que forem condenados”, mudando o verbo para o futuro. E a coisa virou um pandemônio, pois agora querem que isso signifique que só os políticos que forem condenados daqui para diante sejam enquadrados na lei. Quer dizer: estão tentando inutilizar o projeto que pretendia filtrar um pouco as opções de elegibilidade, para que pudéssemos mudar um pouco esse cenário bizarro que compõe a “política” brasileira e tivéssemos em quem votar.
Não é ridículo? Se o político tem ficha suja, não interessa se ele foi condenado antes de agora ou se está sendo condenado hoje ou amanhã. Ficha suja é ficha suja, e candidato que tem ficha suja não serve para ser eleito, não serve para representar o povo, senão vai dar no que está aí: uma epidemia de “representantes do povo” corruptos e impunes.
Não muda nada o tempo do verbo, se o político foi condenado, não pode concorrer a novo mandato. Não é à toa que aprovaram tão rapido o Projeto Ficha Limpa.
Na verdade, estão tentando fazer com que a nova lei seja totalmente inócua, sem efeito nenhum para todos esses nossos “políticos” que estão aí, ávidos para se locupletarem no poder.
Esperemos que alguém dê um basta nisso tudo, para que recupere um pouco da dignidade que a política deveria ter.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

CRUZ E SOUSA PARA CRIANÇAS

Comentamos, em outra crônica, o fato de que nossos leitores em formação, e até os adultos, não raro, não sabem quem foi Cruz e Sousa. Aqui mesmo em Florianópolis, berço do grande poeta, realizou-se uma pesquisa entre adultos e crianças em idade escolar para se saber o quanto conhecemos o maior poeta da terra e houve até quem respondesse que se tratava de nome de rua.
Então, numa das últimas feiras do livro eu me deparo com o livro “Cruz e Sousa – Além do horizonte da Poesia”, de Sérgio Mibielli. Um pequeno-grande livro, de quarenta e quatro páginas, feito para o público infanto-juvenil, mas que pode e deve ser lido por leitores de todas as idades. A editora é a Papa Livro, daqui mesmo de Florianópolis. O livro tem uma apresentação impecável, com ilustrações coloridas e fartas, numa linguagem clara e objetiva. O autor, dando voz à Fada Poesia, em tom coloquial, quase poético, conta a história do nosso João da Cruz e Souza, desde o seu nascimento até a sua morte, mostrando trechos da sua poesia.
Um dos poemas de Cruz e Sousa que estão no livro é “Pátria Livre”, um hino de amor à liberdade e à igualdade dos seres humanos: “Nem mais escravos e nem mais senhores! / Jesus descendo as regiões celestes, / fez das sagradas, perfumosas vestes / um sudário de luz p´ra tantas dores. // A terra toda rebentou em flores! / E onde haviam só cardos e ciprestes, / onde eram tristes solidões agrestes / brotou a vida cheia de esplendores. // Então Jesus que sempre em todo o mundo / quis ver o amor ser nobre e ser profundo, / falou depois a escravas gerações: // - Homens! A natureza é apenas uma... / Se não existe distinção alguma / por que não se hão de unir os corações?”
Como diz a narradora do livro, a Fada Poesia, “Joãozinho, meu afilhado, amava a beleza e sua alma iria transbordar poesia por toda a vida.”
Fiquei muito feliz por ver que finalmente existe uma obra que conta a história do maior poeta simbolista do Brasil de maneira cativante e atraente, para que nossos leitores em formação saibam, desde cedo, quem ele foi e sintam curiosidade de ler a sua poesia e orgulho por ele ser catarinense.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

FEIRA CATARINENSE DO LIVRO ADIADA

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A chuva torrencial que caiu aqui na grande Florianópolis durante toda a noite passada causou muito estrago, inclusive prejudicou a Feira Catarinense do Livro, promovida pela Câmara Catarinense do Livro, que tinha sido programada para abrir hoje.
A grande tenda montada no Largo da Alfândega, no centro velho da capital, foi tomada pela água – naquela região a água não vem só de cima, quando chove muito, ela brota das bocas de lobo, como se fosse um chafariz – e chegou a estragar parte dos livros que já estavam organizados nos estandes para inaugurar a feira hoje, como tinha sido marcado.
Em vista disso, a Câmara Catarinense do Livro adiou o início da feira para sexta-feira, pois a chuva ainda está rondando o litoral. Hoje o tempo esteve bem instável, tivemos alguns instantes de sol com muita nuvem preta e até um pouco de chuva. E para amanhã ainda promete.
De maneira que a feira só acontece no final de semana.
O Grupo Literário A ILHA estará lá no dia 29, as 15 horas, com o lançamento da coleção Letra Viva, o número 113 do Suplemento Literário A ILHA e o livro “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas”.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A CCL E O PATROCÍNIO DO DONNA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Volto ao assunto Donna Fashion, evento de moda que foi patrocinado pela Câmara Catarinense do Livro. Eu, como muitas outras pessoas pelo Estado, não entendi nada. Como é que a Câmara patrocina um evento de moda tradicional e badalado como o Donna, se não tem dinheiro para fazer nem uma boa feira do livro?
Liguei para a Câmara, falei com a acessora de imprensa da casa, mas ela não soube me informar. Falei então com um integrante da diretoria, já que o presidente da casa não se encontrava na cidade, e ele me disse que a gestão anterior da CCL vinha requerendo, há coisa de três anos, junto ao Estado, verba para realizar a feira do livro de Florianópolis e junto com ela, no calçadão do Largo da Alfândega, o Donna Fashion. O presidente anterior da Câmara achava que o fato de trazer o evento de moda para a Feira do Livro atrairia mais público para a feira do livro.
Só que, depois de tanto tentar, o Estado concordou em atender o pedido, mas inverteu o projeto, como bem pudemos ver: a verba sairia, mas a Câmara, ao invés de acolher o Donna na sua Feira do Livro, apareceria, apenas, como patrocinadora do evento fashion. Quer dizer: o dinheiro pedido para a CCL realizar a feira teria sido revertido para o
Donna, evento que nem estatal é. E pior, através da Câmara. Não é muito estranho?
Agora a Câmara precisa dar tratos à bola para conseguir recursos para a sua Feira Catarinense do Livro, que acontece neste mês de maio.
Quem é que vai explicar isto para os cidadãos catarinenses?Afinal, o dinheiro em questão é dinheiro público

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MAIS UM GOLPE DE OPERADORA DE TELEFONE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Fui assinante da Brasil Telecom por todo o tempo que ela “operou” por aqui. Há quase dois meses, quando já era Oi, ela ligou para mim, perguntando se eu tinha prestado atenção na minha conta telefônica, que estava muito alta, se eu não queria mudar de plano, para pagar menos. Realmente a minha conta estava salgada, beirando os duzentos reais.
Então o atendente da Oi, ou Brasil Telecom, começou a contar umas histórias, tipo “quando a esmola é muita o santo desconfia”. Que eu pagaria, se mudasse o plano, apenas R$ 79,90, teria 1000 minutos para usar e não haveria excedentes. E além disso, teria direito a internet de 1 mega. Eu duvidei, é claro, e disse a ele que já tinha internet e não queria. Mas ele insistiu, disse que fazia parte do pacote e se eu não usasse não tinha problema.
Voltei o filme e perguntei que história era aquela de sem excedente e ele repetiu que depois que usasse os mil minutos, poderia continuar ligando e recebendo ligações da Oi-Brasil Telecom, que não seria cobrado nada além do valor acordado. Perguntei a ele se não cobrariam nada relacionado à Internet, que eu não usaria, e ele confirmou novamente que não, não seria cobrado absolutamente nada.
Mesmo não acreditando, mudei o meu plano para o que ele ofereceu e fiquei esperando até que viesse a segunda conta depois da mudança. Chegou na semana passada, no valor de 201 reais e alguns centavos. E, pior, cobrando R$ 50,00 de instalação de internet. Ora, eu não uso a internet da Oi, ninguém veio a minha casa para fazer instalação, até porque eu não chamei, então como é que me cobram cinquenta reais?
Liguei pra lá para pedir explicações, mas a atendente verificou a minha conta e disse que estava tudo certo, que eu tinha contratado internet com telefone e que cobraram a taxa de instalação. Não adiantou eu explicar que o cara que me vendeu o produto contou um monte de mentiras, que eu não uso a internet deles.
Como eu já esperava isso e liguei mesmo para acabar com a conta, disse que queria cancelar a minha linha. Foi aí que me passaram para outra atendente e eu fiquei meia esperando “um momentinho”. Mas resisti e aguentei até o final para encerrar aquela linha. Pedi a gravação de quando me venderam o pacote, para provar, junto a Anatel, que o atendente estava contando um monte de histórias que não seriam cumpridas para vender produtos e ganhar a comissão dele. E para reaver a grana da internet que eu não usei, pois fui descaradamente roubado.
Atentem, quando ligam da Oi-Brasil Telecom para vender produtos ou oferecer mudanças. Tentem encontrar uma operadora mais honesta, se é que isso é possível.

domingo, 16 de maio de 2010

LETRA VIVA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A coleção “Letra Viva” foi idealizada para comemorar o trigésimo aniversário do Grupo Literário A ILHA, que ocorre em junho de 2010. São trinta anos de atividades divulgando a literatura e dando espaço aos novos escritores não só de Santa Catarina, mas do Brasil.
Diferente da coleção Poesia Viva, que publicou poetas do Grupo Literário A ILHA que não tinha ainda livro solo publicado, a maioria deles – foram doze volumes – a coleção “Letra Viva” traz a lume os cronistas do grupo, que não são tão numerosos quanto os poetas, mas também existem. E não serão apenas escritores sem livros publicados. A maioria deles já tem obra solo.
Nesta primeira remessa, o grupo publica três livros de crônicas: de Célia Biscaia Veiga, que escreveu por dois anos para o jornal “A Notícia”, de Mary Bastian, cronista de A Notícia há mais de três anos, deste cronista, coordenador do grupo e também cronista de A Notícia e outras dezenas de jornais pelo Brasil e pelo mundo.
Crônica talvez não seja o gênero literário mais praticado, atualmente, pois perde para a poesia. Mas é o mais publicado, pois todo jornal tem seus cronistas diários. E não falo de crônica social, política, policial, etc. Falo da crônica cotidiana, literária mesmo.
Então privilegiamos quem pratica esse gênero e entregamos os primeiros livros da coleção “Letra Viva”, na Feira Catarinense do Livro, que acontece de 19 a 29 de maio, em Florianópolis, no Largo da Alfândega. O Grupo Literário A ILHA estará participando da feira no dia 29, com lançamento marcado para as 14 horas daquele sábado, comemorando os 30 anos do grupo e da revista Suplemento Literário A ILHA.
Serão lançados, na oportunidade, o número 113 de A ILHA e os três volumes da coleção Letra Viva, quem sabe quatro.

sábado, 15 de maio de 2010

MAGIA DA LEITURA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A professora Mariza colocou no seu blog “Mar e brisa do saber” – www.marebrisadosaber.blogspot.com , a terceira parte do magistral trabalho que fez com seus alunos de escolas de Joinville, “Magia da Leitura”. Ela já tinha mostrado, nas duas partes anteriores, muito do maravilhosa iniciativa no sentido de incentivar o hábito da leitura, de despertar nos leitores em formação o gosto pela leitura, usando três livros meus em sala de aula: “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas” – crônicas, “Nação Poesia” – poemas e “Flecha Dourada” – infantil.
Nesta terceira parte, ela mostra uma pequena parte do que os alunos fizeram com o livro “Aphrodite e as Cerejeiras...”, fotos, o visual caprichado dos trabalhos, vídeos com um teatrinho de fantoches sobre este humilde escriba e até uma música, feita e cantada pelos alunos. Não é excepcional? É muita dedicação e talento da professora Mariza no comando dessa juventude estudiosa e promissora que está com ela. Eu nem esperava que meus livros fossem lidos por tantos jovens – acho que foram mais de cem -, a julgar apenas pelas cartinhas dos alunos endereçadas ao meu personagem Flecha Dourada.
Fico muito honrado de ter participado, com meus livros, de um projeto tão rico e tão eficiente como esse. O objetivo de fomentar a leitura e divulgar a literatura da terra foi plenamente alcançado.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

LEITURA PARA DEFICIENTES VISUAIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Htp://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Leio matéria sobre a falta de disponibilidade de livros digitalizados, pelas editoras, para que os deficientes visuais possam “lê-los”, com a ajuda de software específico. Segundo a matéria, O sistema computacional para sonorização dos textos digitalizados é baseado no uso intensivo de síntese de voz – produção artificial de voz humana. Transforma a forma digital dos arquivos em ondas sonoras. O programa é caro, mas existe uma versão demo que pode ser usada satisfatoriamente.
Um leitor cego reclama que a Política Nacional do Livro, especificada no 1º capítulo da lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003, garante o acesso à leitura deve ser assegurado aos cegos. Mas na realidade não é o que acontece. Há muito poucas obras em braile e pouca digitalização de obras mais atuais.
Segundo a lei, os deficientes visuais poderiam ir a uma livraria ou qualquer outro ponto de venda para ter acesso aos livros do seu interesse, em vez de depender exclusivamente de doações do governo e outras instituições. Poderiam encomendar os títulos desejados, que seriam providenciados. Consta, também, que “os próprios pontos de venda se encarregarão de fazer o pedido às editoras e, mais tarde, entregar os títulos em arquivos digitais que os clientes poderão levar embora e imprimir numa impressora Braille”.
Na verdade, as livrarias não acolhem encomendas e oferecem, apenas, o pouco que têm em braile, quando têm. Parece que não há interesse, por parte de editoras, em imprimir mais livros em braile para vender aos deficientes visuais, ainda que eles sejam em grande número e, portanto, um nicho de mercado promissor.
E a reclamação do radialista cego entrevistado tem razão de ser, pois a lei promete uma coisa que não é cumprida. Os arquivos digitalizados, mencionados na lei, já seriam de grande ajuda para quem tem o programa de leitura citado e é o que ele reinvindica. Nisso, o livro eletrônico, que começa a aparecer, poderia ajudar, se puder ser lido pelo software mencionado.
Já o trecho da lei que coloca a responsabilidade de imprimir em braile os arquivos digitalizados é um disparate, pois dá a impressão que todo cego tem uma impressora para fazê-lo, o que absolutamente não é verdade.
Então, como é comum neste nosso Brasil de Deus, essa é mais uma lei que não é cumprida. Precisamos votar em políticos que façam o seu trabalho – coisa difícil, não é? – qual seja fazer com que os direitos mais básicos do cidadão brasileiro sejam cumpridos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

OS ESCRITORES E OS LIVROS ELETRÔNICOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Twitter: @amorimluc

O livro eletrônico tem sido assunto recorrente, nos últimos meses, em revistas, jornais, televisão e internet. O e-reader, leitor de livros eletrônicos, como o Kindle, já estava em ascensão desde o ano passado. Com o aparecimento de um novo leitor multimídia, mais moderno, com mais recursos além da leitura de livros, jornais e revistas, no início deste ano, o assunto ficou ainda mais em evidência.
Falo do I-pad, que já vendeu dois milhões de exemplares, inclusive no Brasil, apesar de não podermos comprar livros na loja da Apple. No entanto, com a instalação de um programa específico, pode-se comprar livros do Kindle para ele. O novo leitor permite ver filmes, jogar games, usar aplicativos de texto, navegar na internet, usar o correio, etc.
Com toda essa revolução em ebulição, nós, escritores, além das editoras, precisamos nos antenar e pensar em aderir ao e-book, o livro eletrônico. Precisamos fazer isso porque o livro tradicional, impresso em papel, vai acabar? Não, isso não vai acontecer tão cedo. Vai demorar bastante para o livro eletrônico suplantar o livro como o conhecemos até agora. Talvez isso nem aconteça.
Mas nós, que publicamos livros, precisamos entrar nesse novo mercado e, além do livro impresso, é bom pensar em providenciar também a versão eletrônica, para conquistarmos também os leitores que já estão usando os e-readers, os leitores dos e-books. Mesmo aqueles escritores que se consideram alternativos.
A verdade é que muitos de nós já publicava, desde meados da década passada, seus livros eletrônicos, colocando-os na internet, para serem baixados de graça. Ninguém cobrava nada. Agora é hora de começar a pensar em colocar os livros em lojas virtuais, tentar vendê-los, pois o preço de um livro eletrônico é bem convidativo, menor do que o preço do livro impresso e isso pode significar alguma venda.
Estou apressando, com isso, o fim do livro tradicional? Não, porque como já disse, isso não vai acontecer. O preço dos leitores eletrônicos ainda é bem salgado e nem todo mundo vai poder comprar. Então, o livro de papel, manuseável, aquele que prescinde de qualquer fonte de energia a não ser a nossa vontade de ler, vai continuar, sim, por muito e muito tempo.
Mas é necessário que nos adaptemos às novas tecnologias, que podem caminhar paralelas aos recursos que já existiam e que continuarão existindo.

sábado, 8 de maio de 2010

O DIA DELA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Minha mãe teve dez filhos. Eu sou o primeiro deles e ajudei a cuidar dos outros, porque ela trabalhava. E ela teve que dar conta de “criar” os mais novos quando a caçula chegou, porque ficou sozinha. Então digo que ela é a nossa heroína, pois sempre trabalhou e ainda teve que cuidar dos filhos, pois mais da metade dos dez ainda eram menores.
O que não a impediu de dar uma boa educação a todos eles, não deixando lhes faltar nem alimentação, nem teto, nem o que vestir e calçar, nem a educação básica. Não éramos uma família rica, éramos até bem humildes, mas me orgulho de ser honesto e esta é a maior herança que minha mãe me deixará.
E tenho orgulho da mãe que Deus me deu, pois ela formou pessoas dignas, amou a todos os filhos como se fosse um único, deu a eles tudo o que foi possível e daria a própria vida, se fosse necessário.
Lembro de quando eu era menino, que antes de sair para o trabalho, de manhã, ela deixava o almoço encaminhado, deixava o café para a filharada pronto e as tarefas para os maiores. Quando chegava de volta, ao meio dia, terminava o almoço, servia todo mundo, almoçávamos e ela ainda adiantava a lida da casa antes de retornar ao trabalho. À tarde, quando voltava, lavava roupa, fazia pão, limpava a casa, fazia comida, cuidava dos filhos, ufa! Nos finais de semana ela tentava descansar um pouquinho, mas era muito pouquinho mesmo. Como não trabalhava no sábado à tarde, fazia doces – bolo, cuca, biscoitos de araruta com coco. Fazia compras, fazia limpeza geral, por dentro e por fora da casa, que naquele tempo morávamos em casa, com jardim, quintal, horta, pomar. Capinávamos, cortávamos grama, varríamos o chão. Plantávamos, colhíamos. E era ela quem nos ensinava. E olhe que naquele tempo as coisas não eram muito fáceis. A água era encanada, para a cozinha, para o banheiro, para a área de serviço, mas não era de rede. Era de poço, e como o solo mais profundo de nosso terreno era de pedra, tínhamos um poço de apenas uns três metros. E no verão faltava água. Então minha mãe tinha que se virar com o pouco de água que a gente ia buscar no rio para lavar e na vizinhança para beber e cozinhar. Mas sobrevivemos.
Fico pensando, então, cada vez que o Dia das Mães se aproxima: o que dar para uma mãe assim? Um presente caro, uma jóia fina? Posso até dar qualquer coisa assim, mas o que vale mesmo é dar a ela o mesmo carinho que sempre tive, o amor que me empurrou pra frente na vida, o abraço, o beijo. E, mais que tudo, dar a nossa presença, o nosso respeito e admiração, sempre.
Se não pudermos, por qualquer razão, comprar-lhe um presente, uma flor pejada de carinho e de ternura e o abraço apertado, não serão aceitos de bom grado? Eu tenho certeza que sim. Dou, também, meu coração de presente, que é o que tenho de mais caro. E sei que ela merece.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O AUMENTO DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS NA CAPITAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Leio no jornal a declaração do prefeito de Florianópolis, Dário Berger, vangloriando-se do fato de não haver greve no transporte urbano este ano: “Foi um trabalho silencioso, que a prefeitura articulou para evitar a greve”.
Ora, evitou a greve concedendo aumento às tarifas de ônibus, as mais caras do país, isso sem contar que Florianópolis é a única cidade brasileira que dá, de graça, às empresas de ônibus, verba no total de R$ 750.000,00 mensais, a título de subsídio. Isso, pelo menos, é o último valor que a imprensa divulgou, há meses.
Então essa é a grande negociação? Conceder o reajuste aos trabalhadores do transporte urbano aumentando as passagens, que já tinham um valor escorchante, e ainda ter lucro, pois o resultado da majoração não será totalmente repassado aos empregados das empresas?
Considerando-se que, recentemente, os horários de várias linhas foram reduzidos, aumentando a arrecadação para as empresas, pois diminuem funcionários e ônibus rodando – isso significa menos despesa transportando o mesmo número de passageiros - e em contrapartida, os ônibus ficam entupidos nos horários de pico, verdadeiras latas de sardinha, sem conforto nenhum, não vejo nenhum mérito na “vitória” das “negociações” da prefeitura.
Como sempre, o usuário é quem paga a conta toda. Aliás, vai pagar três vezes: já pagava duas, a passagem mais o “subsídio” que a prefeitura dá às empresas de ônibus, que na verdade são os suados impostos que desembolsamos e agora pagamos mais o reajuste dos salários dos empregados.
Desta vez preferiram não provocar a greve, como sempre fizeram, negando-se a dar o reajuste mínimo necessário de salário aos seus colaboradores, colocando o público usuário contra os trabalhadores, quando na verdade os culpados da greve eram os patrões, que não pagavam o que era devido. Foram direto para o aumento das tarifas, que é onde tudo sempre acaba.
Quando é que essa exploração vai acabar?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

TANTO TEMPO SEM QUINTANA...


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Quintana dizia que, quando morresse, ele “queria apenas paz para endireitar alguns poemas tortos. Levaria junto apenas as madrugadas, por-de-sóis, algum luar, asas em bando, mais o rir das primeiras namoradas”.
A saudade do poeta “passarinho” já dura dezesseis anos. Quintana partiu para um nível superior onde as mortes são registradas como nascimentos, acreditava. “Tenho pena da morte - cadela faminta - a que deixamos a carne doente e finalmente os ossos, miseráveis que somos... O resto é indevorável”. Quintana foi encher o céu de poesia em 5 de maio de 1994. Com certeza estará fazendo poesia em parceria com Coralina, Pessoa, Drummond, o nosso anjo poeta.
Aliás, tornar a poesia conhecida e apreciada era com ele mesmo. Foi ele que, com talento e afinco, levou a poesia para as páginas de jornal, popularizando-a, através “Do Caderno H”, que assinava no Caderno de Sábado, do Correio do Povo de Porto Alegre.
E por falar em Porto Alegre, a cidade nunca mais foi a mesma depois que o poeta fez uso de suas asas – Érico Veríssimo é testemunha: “...descobri outro dia que o Quintana, na verdade, é um anjo disfarçado de homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de fora.” – e subiu para o andar de cima. A feira do livro gaúcha, a mais tradicional do Brasil, da qual o poeta era a presença mais ilustre, a representação viva de um grande evento, continua firme, talvez até por isso, para cultivar e imortalizar o símbolo maior daquele festa de cultura.
Parabéns, poeta. De presente para você, as flores do manacá-da-serra, que começam a desabrochar, com a proximidade do fim do outono e as borboletas, que habitam o meu pequeno jardim, que botam ovos nas minhas folhas de couve e dão origem a dezenas, centenas de larvas que devoram tudo e deixam só os talos, mas eu nem ligo, porque sei que dali sairão os poemas esvoaçantes e coloridos, pequenas obras primas da natureza que me lembram você.

terça-feira, 4 de maio de 2010

PROFESSORES COM P MAIÚSCULO

Eu, a professora Mariza e seu filho e o escritor Wilson Gelbcke, na Feira do Livro.



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/

Andei passeando pelo blog da minha amiga e conterrânea professora Mariza Schiochet – professora com P maiúsculo – que trabalhou em sala de aula meus livros “Flecha Dourada” – infantil, “Nação Poesia” – poemas e “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas” –crônicas. Reputo de maior importância o trabalho da professora, não por ter estudado a minha obra com seus alunos, até porque ela trabalha com livros de outros autores, também, mas sim por que ela faz uma coisa valiosíssima para todos nós, tanto para o escritor quanto para o leitor em formação: ela semeia o gosto pela leitura, ela incentiva o hábito de ler.
E ela tem sucesso na sua empreitada. Acho que não vi, ainda, definição melhor de poesia do que a da Bárbara, que a professora colheu nos trabalhos sobre “Nação Poesia” e colou no seu blog “Mar e Brisa do Saber”, em http://marebrisadosaber.blogspot.com/ , e eu tomo a liberdade de reproduzir: "Poesia é tudo que é belo, onde existe beleza: no verso, na prosa, nas cores, nas árvores, na bondade, na terra, no amor; tudo isso é poesia". Não é completo? E há muito mais lá no blog citado acima. Há trechos dos trabalhos, cartinhas dos alunos ao meu personagem Flecha Dourada, comentários sobre as obras, fotos, etc.
Esses estudantes aplicados e receptivos e essa professora habilidosa e sábia são maravilhosos. Minha obra, pelo menos para mim, tornou-se mais importante, depois de ser lida e estudada por essa gente fabulosa.
Cada vez mais fico impressionado com os alunos da professora Mariza. Eles leram, interpretaram, fizeram atividades que eu gostaria até de incluir numa próxima edição de Flecha Dourada, pois valoriza muito a obra. E pelos comentários nos trabalhos com que me presentearam e aqueles postados aqui, vejo que eles têm consciência do mal que fizemos ao irmão índio, pois não gostaram que o final da história tivesse de ser o que foi. Eles sabem que apesar de não gostarmos, é o que acontece na realidade.
Grato, professora Mariza, muito grato por podermos ver a Literatura Catarinense ter espaço no conteúdo programático de professores de primeiro grau como a senhora. Obrigado pela educação de primeiríssima qualidade que a professora mostra que é possível praticar.
E agradeço também pelo selo que ganhei de presente. Ele está lá no alto e distribuí-lo-ei para outros blogueiros, como me recomenda a professora Mariza:
O prêmio Dardos é uma espécie de reconhecimento para o blogueiro dedicado. Segue algumas normas:
1- Exibir a imagem do selinho em seu blog.
2- Mencionar o blog da pessoa que enviou.
3- Escolher quantos blogs quiser entregar.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O "GOVERNADOR" DE SC E A FCC

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Pois então o atual “governador” de Santa Catarina – aquele com uma ação contra ele, por envolvimento em crimes de corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional e advocacia administrativa, envolvendo empresas privadas favorecidas por ele, e ainda improbidade administrativa, vocês lembram? - está fazendo um monte de caca, depois que assumiu o “poder”, e uma delas foi convidar alguém para comandar a Fundação Catarinense de Cultura, sem comunicar a atual presidente daquela casa e sem discutir o caso com as bases.
Acho que é falta de respeito e Anita Pires tem razão de colocar o cargo à disposição. Não estou defendendo ela, estou condenando o ato do “governador” despreparado e incompetente. Mas Anita, apesar de ter uma equipe que não executou de maneira correta as coisas que ela resgatou, fez bastante no ano passado, fez muito mais do que o antecessor, que quase fechou a Fundação. Realizou mais uma edição do Prêmio Cruz e Sousa, fez cumprir, finalmente, a Lei Grando, abrindo edital para selecionar e comprar dez livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais, etc. É certo que uma segunda edição do edital já deveria ter saído, como tinha sido prometido, mas já que demorou tanto para sair do papel, um novo edital neste ano já estaria de bom tamanho.
Não sei quem vai assumir a FCC, mas esperamos que faça mais do que já foi feito até aqui. Que não regrida, como aconteceu na gestão anterior de Anita.