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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

LIVROS DIDÁTICOS E APOSTILAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Fiquei indignado mais uma vez e sei que não será a última. Acho que todos já ouvimos falar no Programa Nacional do Livro Didático, não é? Pois então. Esse programa distribui cento e trinta milhões de livros didáticos a todas as escolas públicas do país, com um gasto em torno de um bilhão de reais, que saem dos cofres públicos, do nosso bolso, portanto.
Até o ano passado, todas as escolas públicas recebiam os livros, mas a partir deste ano, só aquelas que se inscreveram no programa e solicitaram é que irão receber.
Acontece que, com esta mudança, a adesão das escolas não é total. O índice das escolas inscritas no PNDL é alto, 96%, mas deveria ser total. A diferença dá um total de 222 escolas que não receberão os livros, ou porque não se escreveram ou porque têm algum tipo de pendência com o MEC.
O que me deixou indignado é que do percentual de escolas que não solicitou os livros – a maioria é do interior de São Paulo, mas há delas em outros estados – muitas não se inscreverm no Programa Nacional do Livro Didático porque não quiseram mesmo. Algumas escolas decidiram recusar os livros didáticos e optar por apostilas. O problema é que, além do conteúdo duvidoso das apostilas, que quase sempre é resumo mal feito dos livros didáticos , os municípios que contratarem a impressão de apostilas para suas escolas estarão pagando duas vezes. Senão, vejamos: o livro didático não é de graça, o seu custo é coberto com o dinheiro dos impostos que pagamos. Ele é de graça, sim, para o município que o recebe, que não precisa desembolsar o valor correspondente ao seu custo, que já foi pago pelos cofres públicos. Então os cidadãos das cidades que optaram pelas apostilas estarão pagando duas vezes, pois as apostilas também estão sendo pagos com o dinheiro do contribuinte.
Não é triste? É desperdício, isso sim. Um dinheiro que poderia ser usado para outra coisa, capacitação e melhor remuneração dos professores, por exemplo é gasto numa coisa que já está disponível com custo nenhum para os municípios.
E com o agravante de que a apostila não é o material ideal para se dar uma boa aula. Os livros didáticos podem não ser perfeitos, podem ter lá os seus defeitos, mas pelo menos o material é produzido por especialistas em cada assunto e é avaliado por quem deve entender de ensino e educação.

domingo, 29 de agosto de 2010

O LUGAR DO POETA ou A INVEJA É UM SENTIMENTO MESQUINHO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com

Protelei por muito tempo, não queria falar sobre o assunto, mas não resisti. Li um caderno cultural de um jornal gaúcho, exclusivo sobre Mário Quintana, publicado em homenagem pelo centenário de nascimento do poeta.

Entrevistas, depoimentos de colegas e pessoas que o conheceram, como Bruna Lombardi – a musa, críticas, opiniões, bibliografia, fotos. Lá pelo meio do caderno, num texto sobre qual lugar o poeta ocuparia dentro da literatura brasileira, já o subtítulo me intriga: “críticos e escritores ainda discutem como e onde situar a obra de Mário Quintana: um autor menor, simplista, ou uma presença única, indefinível nas letras nacionais”.

Fiquei surpreso e me senti desconfortável com a dúvida: Quintana, um escritor menor? Simplista? Indefinível? Como cogitar qualquer coisa assim de um escritor como Quintana? Será que, se ele fosse menor, simplista, o Brasil estaria lhe prestando homenagens, publicando livros e livros sobre ele, reeditando toda a sua obra, falando dele em todas as mídias?

Iniciando a leitura do texto propriamente dito, logo no início, passei do desconforto à indignação. O autor do texto, Carlos André Moreno, afirma que ‘...se Drummond foi o claro enigma, Quintana pode muito bem ser a charada obscura”.
E piora. Mais adiante, ele escreve que “a percepção crítica de sua obra oscilou diversas vezes: foi renovador da lírica riograndense, um passadista, um ironista mordaz, um discutível integrante da chamada ‘geração 45’, um poeta menor repetitivo e mesmo uma figura indefinível no cenário das letras brasileiras’.

Fiquei em dúvida quanto a estar lendo aquilo em um caderno publicado para se integrar às comemorações do centenário de nascimento de um poeta da terra, conhecido, respeitado e amado naquele estado, no Brasil e até fora dele.

Mas havia mais. No mesmo artigo, o autor repete a afirmação, estendendo-a a outro poeta consagrado: “Quintana ocupa uma posição instável no cânone da poesia nacional. Às vezes é comparado a Vinícius, como ele poeta de fácil comunicação com o público, às vezes é posto ao lado de João Cabral e Drummond. Em outras ocasiões, tem uma trajetória comparada a de Manuel Bandeira, poeta ora tido como um mestre, ora como um escritor menor. Um dos que se aliam a essa interpretação é o gaúcho Fabrício Carpinejar.”

Em meio a verdadeiras homenagens, encontrei, em outra página do mesmo caderno, um artigo não assinado, onde está escrito que a “... idéia generalizada de que a poesia de Quintana era, em grande parte, igual ao próprio poeta transbordou para o público, de modo que sua imagem, hoje em dia cristalizada – relevante, já que se fala de um escritor que foi, em vida, muito popular – o resume como um único personagem literário: o avozinho benfazejo que peregrinou pela Rua da Praia durante a Feira do Livro, o pitoresco velhinho que morou no Hotel Majestic, autor de “O Mapa”, do “poema do passarinho” e de meia dúzia de outros versos – sempre os mesmos, repetidos à exaustão.”

Ora, fazer essa idéia de um poeta como Quintana é, no mínimo, desrespeitoso. Afirmar que Mário Quintana se resume ao “poema do passarinho” – o nome do poema é “Poeminha do contra’, “O Mapa” e meia dúzia de versos – não é nem meia dúzia de poemas, escreveram meia dúzia de versos mesmo – me parece ingenuidade, para não dizer outra coisa. E de mais a mais, existem poetas chamados “grandes” que não têm sequer um poema conhecido, consagrado, que dirá dois poemas e “meia dúzia de versos”.

Penso que qualquer um de nós, leitores, pode não gostar da obra de Quintana, é natural. Ninguém é obrigado a gostar de nada, ou gostamos ou não gostamos. E não gostar de alguma coisa não significa que essa coisa não presta. O que não pode acontecer é um formador de opinião – se ele tem espaço em um grande jornal para dizer o que quer é formador de opinião – expressar seu gosto particular como sendo afirmação da verdade. Principalmente um “formador de opinião” que não assina o que escreve e com uma visão tão estreita.

Como o próprio poeta já disse, ‘um poeta não é maior nem menor, nem grande nem pequeno. Só há duas alternativas: ou ele é poeta ou não é poeta.”

E ele tem dito!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O MEMORIAL CRUZ E SOUSA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O leitor talvez se lembre de que já falei aqui do Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, mas que só foi inaugurado depois do aniversário de 2010. Revelamos que, na verdade, os restos mortais do maior poeta catarinense, trazidos de Minas para o Rio em trem de carga e finalmente vindos para Santa Catarina em 2007, iriam de novo para a senzala, que o local onde foi construído o Memorial é justamente o lugar onde ficava a senzala do casarão que hoje é o Palácio Cruz e Sousa.
Pois a coisa continua. Um importante escritor da terra foi até o Memorial para avaliar a possibilidade de realizar ali atividades culturais, literários, já que quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, e por isso mesmo, abria-se um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais.
Grande decepção. O espaço é pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher um evento, como cadeiras, mesas, etc.
Eu fui lá, não porque não acreditei no amigo, mas para poder testemunhar o fato para os leitores. Como sempre, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Promete espaço onde se poderia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não dá condições para isso.
Esperemos que nós, eleitores, coloquemos no poder um governador que melhore esse estado de coisas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

MOSTRA DE DANÇA EM SÃO JOSÉ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Fiquei sabendo, na terça-feira, que São José também terá a sua primeira Mostra de Dança. É que faço aulas na academia “Ateliê de Dança” e peguei lá um folheto pequenininho, menos de um terço de A4, divulgando o evento. Será no dia 4 de setembro, no Teatro do Centro Multiuso de São José, na Beiramar.
A mostra infantil será apresentada às 14 horas e a Mostra Escolar, às 17h30min, e as duas serão gratuitas. À noite, às 20h30min, haverá a Noite de Gala, com grupos de dança de varias modalidades, inclusive dança de salão. O ingresso para o espetáculo da noite será um quilo de alimento.
Reputo da maior importância que São José também dê os primeiros passos para ter o seu Festival de Dança, mas a verdade é que não está havendo praticamente nenhuma divulgação, a não ser o folhetinho do qual falei acima. Nem na internet eu encontrei alguma coisa. Pedi “Primeira mostra de dança de São Jose” no Google e ele me retornou nenhum resultado, que dirá nos jornais, TV, etc.
A Fundação Municipal de Cultura e Turismo de São José deveria mostrar mais interesse e divulgar pelo menos nas escolas.
Minha filha é professora de dança em uma escola municipal de São José e não ficou sabendo, também, em tempo hábil, para levar seus alunos à mostra.E olhem que há uma Mostra Escolar. A Fundação Cultural de São José precisa dar mais valor à prata da casa.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

LIVROS PARA LER DE GRAÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Ontem foi lançado, em Florianópolis, o Projeto Floripa Letrada, que colocará à disposição dos usuários do transporte coletivo, no terminais do Centro, de Canasvieiras e Rio Tavares, livros e revistas para serem lidos por quem espera o seu ônibus ou mesmo em viagem.
Pois é, segundo as secretarias de Educação e de Transportes, o projeto já começa com 2500 unidades de livros e revistas e esse número tende a aumentar, pois aceita-se doações. A comunidade pode doar obras dos gêneros romance, conto, poesia, ficção, auto-ajuda, crônica, aventura e biográfico. As revistas podem ser as de cultura, ciência, música e variedade.
Numa época em que cada vez mais se faz tudo para incentivar o acesso ao livro e o hábito da leitura, é muito bem-vinda essa iniciativa. Os livros e revistas estarão disponíveis, inicialmente, em bancas nos três terminais, mas podem estar em todos eles, se a aceitação for boa.
E o benefício não será apenas para o leitor, pois os novos autores da terra poderão ter seus livros no projeto e, assim, terão suas obras conhecidas.
O projeto prevê, ainda, a promoção de saraus com poetas da grande Florianópolis, contação de histórias e capacitação de professores e educadores para a difusão da declamação e da oralização da literatura.
O que não foi esclarecido foi a origem do acervo já existente, o que não tira o valor da empreitada. Mas é interessante saber de onde vieram os livros e revistas que já estão no projeto, se foram doados ou comprados pelas secretarias. Vou procurar saber e volto ao assunto.
O importante é que o leitor tem mais um lugar onde conseguir livros e, importante, gratuitamente. E os escritores da terra têm um vitrine para colocar a sua obra e chegar até o leitor.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O CENSO 2010

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Hoje a recenseadora do IBGE esteve na minha casa, para respondermos ao questionário do Censo 2010. Convidamo-la a entrar e ela anotou as informações. Achei muito pouco o que ela perguntou e disse a ela.
Então soube que há um questionário simplificado, mais rápido, que leva cerca de oito minutos para ser feito, e há um outro, mais completo, que leva em torno de meia hora, pela quantidade de informações a ser colhida, aplicado aleatoriamente. Só que não são os recenseadores que escolhem quem vai responder o questionário completo, é a maquininha, o palm-top que eles usam para o trabalho que, a certa altura, decide que naquela casa, naquela família, as informações serão mais abrangentes.
Eu estava querendo falar sobre o senso há algum tempo e essa foi a oportunidade que faltava. O IBGE garante, no seu site, que “Serão visitados todos os domicílios do país e qualquer morador capaz de fornecer as respostas às perguntas do questionário pode responder ao recenseador por todos os demais moradores daquele domicílio.
Mas na verdade isso será impossível, no prazo de 3 meses estipulado, pois o número de recenseadores está diminuindo cada vez mais, por desistência, uma vez que foi prometido renda de até R 7.000,00 por mês, o que é impossível, face ao número de entrevistas que deve ser feito para chegar ao valor. Também pelo início do censo, que atrasou, pois no dia primeiro de agosto não estavam disponíveis todos os computadores de mão para os recenseadores saíram a campo. Atrasou mais de uma semana. E também o fato de haver brasileiros morando em lugares ermos, distantes de tudo, além das pessoas que não estão em casa o dia inteiro e as quais os recenseadores não terão acesso.
Outro detalhe é a promessa que o IBGE faz, no seu site, e em propagandas na televisão e em outras mídias: “A opção pelo preenchimento do questionário pela Internet poderá ser solicitada no momento da visita do recenseador ao seu domicílio. Nesse caso, o recenseador lhe entregará uma carta lacrada, que contém as instruções para acessar o questionário num site específico, incluindo um código de acesso, que é único para cada domicílio, e as senhas de segurança.” Isso está sendo divulgado aos quatro ventos, mas a verdade é que o recenseador não tem a tal carta com a senha para entregar. Comprovei isso hoje e perguntei a outras pessoas que já receberam a visita, e nenhum dos recenseadores tinha o material.
Então, na prática, a resposta ao censo pela internet não existe, já que a senha para acesso ao questionário não pode ser entregue pelo recenseador, que fica em má situação, perante a população, sem ter culpa no cartório.Esperemos que o resultado disso tudo seja um senso o mais perto da realidade possível. O que é meio difícil, pelo questionário meia-boca que está sendo usado.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

SANTA CATARINA E A LITERATURA INFANTIL

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

No No início do século passado, as crianças brasileiras não tinham muita opção: a literatura que começava a aparecer para elas era quase que exclusivamente importada - os clássicos como os contos dos Irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen - com traduções que deixavam a desejar. Antes disso, apenas os “Contos da Carochinha”, publicado pela primeira vez em 1894, traduzidos por nomes como Olavo Bilac, Coelho Neto e outros. Preocupado com isso, com a falta de produção brasileira no gênero, Monteiro Lobato escreveu a “História do peixinho que morreu afogado”. Foi quando nasceu o maior autor de todos os tempos da literatura infanto-juvenil brasileira, que publicou dezessete volumes de produção do gênero.
Em 1921, depois do sucesso da sua primeira história infantil, a do peixinho afogado, Lobato publicava “A menina do narizinho arrebitado”, com mais de cinqüenta mil exemplares, um arrojo editorial para a época. A editora era de Monteiro Lobato. Ele doou quinhentos exemplares às escolas - o livro agradou tanto aos estudantes mirins, chamando a atenção do governo do estado, que comprou trinta mil exemplares para que a obra chegasse às mãos das crianças de todas as escolas paulistas. E o Sítio do Pica-pau Amarelo, uma região rural com personagens próprios como Narizinho, Emília e tantos outros, foi construída no imaginário daquela e de todas as gerações futuras. Em poucos meses o restante da edição foi vendido, e a história de Narizinho marcou o início da história da literatura infanto-juvenil produzida no Brasil.
De lá para cá, outros grandes autores de literatura infantil e/ou juvenil surgiram, como Ziraldo, Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, Sylvia Orthof e outros, evidenciando a criatividade e a excelência do autor brasileiro.
Santa Catarina também tem seus autores infanto-juvenis, gente de valor que, há alguns anos, vem fazendo sucesso entre crianças e jovens, alguns ultrapassando as fronteiras do estado.
Else Sant’Anna Brum, de Joinville, por exemplo, também poetisa de mão cheia, tem vários livros infanto-juvenis publicados. Seu primeiro livro, “Miguelito Pirulito” saiu em 86, vencedor de um concurso literário do Estado. Em 92 saiu “Cri-Cró” pela Editora Eko, de Blumenau e em seguida “Retetéu”, também pela Eko. Outro livro, “Serelepe”, foi publicado pela editora Movimento e Arte, de Joinville. “Serelepe” é um hino à liberdade e à infância, é poesia em prosa, é vida. “Serelepe” leva a refletir, discutir, pesquisar, fazer poesia e escrever sobre o sonho de liberdade, o valor da amizade, a surpresa das viagens, a dor da saudade, os efeitos do vento, da chuva, do sol, o espetáculo dos ipês floridos, a fantasia das histórias. Uma boa novidade no gênero veio da Editora Hemisfério Sul: quem enveredou pela literatura infanto-juvenil, tendo já uma trajetória de grande sucesso no romance, foi Urda Alice Klueger. Seu primeiro livro infanto-juvenil, publicado em 98, pela Lunardelli em co-edição com a Hemisfério Sul, foi uma surpresa que agradou em cheio o público alvo, tanto que já está na segunda edição.
Outra autora, esta de São José, levou sua experiência de sala de aula para o livro e fez sucesso. Trata-se de Eloí Elisabeth Bocheco, que publicou, pela editora Papa Livro, de Florianópolis, a coletânea de poesia infanto-juvenil “Uni... Duni... Téia”. Depois veio “A de Amor - A de ABC”, também poesia e em seguida “Ô de Casa”, seu terceiro volume de poemas, pela Argos.Publicou, também, o livro “Poesia Infantil – O Abraço Mágico”, pela Editora Universitária Argos. É um livro que fala seriamente sobre poesia e criança, um livro de encantamento sobre os encantos da poesia. “Batata cozida, mingau de cará”, ganhou o Prêmio Literatura para todos 2006 e foi publicado pelo MEC.
São sete livros publicados pela autora e um deles, “Beatriz em Trânsito”, conquistou o prêmio Mário Quintana e foi indicado para o catálogo White Ravens, da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique.
Eloí é, também, editora do jornal de Literatura Infantil “O Balainho”, publicado pela Universidade do Oeste de SC. Maria de Lourdes Ramos Krieger, de Florianópolis, é professora e escritora. Tem vários livros publicados, com distribuição nacional, destacando-se “Dona onça da floresta”, “Um amigo muito especial” – que faz parte do projeto Salas de Leitura do MEC, “Ana levada da breca” e “Vovô quer namorar” – considerado “altamente recomendável para o jovem” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Ana Maria Kovács, carioca há muito radicada em Santa Catarina, mais exatamente em Blumenau, é jornalista, professora e escritora. E a sua obra é quase toda dedicada à literatura infanto-juvenil. Tem vários livros publicados, entre eles: “Sonhos de Criança” - poesia infantil; “O Canto da Sereia” - romance juvenil; “O Pingüim que Procurava o Sol” - literatura infantil; “O Monstro Atômico” - romance juvenil, “O Burrinho que Calculava” - literatura infantil. “Que Bicho é Esse”, sobre o Parque das Nascentes, um parque ecológico de 5300 hectares em Blumenau, é livro com o qual a autora aproxima as crianças da natureza, ensinando-as a preservá-la. Recentemente publicou “As Três Casas”, pela Franco Editora, de Juiz de Fora, Minas Gerais. O projeto de uma coleção de poesia infantil, ‘Viajando com Dona Poesia”, em dez volumes, com ilustrações da autora, saiu em 2006 pela Fundação Catarinense de Cultura.
Yedda de Castro Bräscher Goulart é de Lages, mas vive em Florianópolis. No gênero Literatura Infanto-juvenil, tem vários livros publicados: “Aventuras na Ilha da Magia”, “Aventuras na Serra” e a coleção “Ursinhos Companheiros", composta de quatro volumes, publicada pela Editora Todolivro. O livro “Aventuras na Ilha da Magia” transformou-se num desenho animado, produzido em Blumenau. É uma história que se passa na ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, com personagens do mundo da fantasia, em locais turísticos, vivendo muitas aventuras. O projeto ganhou o Prêmio Cinemateca Catarinense e foi aprovado pelo Ministério da Cultura.. A TV Educativa divulgou o trabalho em rede nacional. Este articulista aparece, em 2003, com a sua primeira incursão no gênero, “Flecha Dourada”. O livro tem ilustrações da artista plástica Solange Gerloff Alves de Lima.
Outra estreante no gênero é Rosângela Borges, que publicou seu primeiro livro de poemas infantis, "Conversa de Bichos", pela Franco Editora, de Belo Horizonte, em 2005. O segundo livro, “Limpeza na Gaveta”, para pequenos de zero a seis anos, saiu em 2005, pela mesma editora mineira.
Apolônia Gastaldi, poeta e romancista com vários livros publicados, também enveredou pela literatura infanto-juvenil, lançando “Anjos Azuis”. O livro é uma feliz – felicíssima – incursão de Apolônia pela literatura juvenil. Bonito, a começar pela apresentação: a capa é azul em fundo branco – uma íris azul com duas mãos se encontrando no centro, o título é azul, o texto, no interior do livro é em azul. A história que o livro conta é de um azul brilhante. “Anjos Azuis transmite a idéia de solidariedade, de dedicação ao outro, de abnegação, de doação, que precisa se multiplicar.
Um outro poeta e romancista, Wilson Gelbcke, também tem uma trajetória marcante pela literatura infanto-juvenil. Já publicou “Por um rio você pode fazer milagres”, “Esses duendes tão míopes” e “Quatro anjos, quatro destinos”, este último premiado pelo Projeto de Estímulo à Produção Literária, em Joinville. E mais outros autores existem escrevendo para o público infanto-juvenil em nossa Santa e bela Catarina. Fiquemos atentos para evidenciar o trabalho de bons escritores para este público exigente e fiel que é composto pelas crianças.

domingo, 22 de agosto de 2010

A VOZ DA POESIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Fiquei sabendo hoje, com muito pesar, que o amigo e irmão Sólon Schill nos deixou. Radialista e escritor, foi produtor e apresentador de programas que divulgavam a poesia “de gente da terra da gente”, como dizia, no rádio catarinense. Tocava música popular brasileira da melhor qualidade e declamava poemas que os ouvintes lhe enviavam, assim como também de poetas consagrados. Recebeu centenas de poemas de poetas da região que as emissoras onde apresentava seus programas alcançava, rádios como Cultura e Colon, tantos que acabou fazendo uma seleção que resultou numa antologia. O livro foi publicado em 2003, pelas Edições A ILHA.
Então, além de publicar seus contos e poemas em revistas e jornais, em antologias como “Um Toque de Poesia”, A Nova Poesia do Norte Catarinense”, “Poesia Viva”, “A Nova Literatura Catarinense”, “Show das Dez em Tempo de Poesia”, e outras, organizou e publicou a antologia “Fim de Noite”, título adotado para o livro por ser o nome do seu mais popular programa da noite no rádio do norte catarinense.
Publicou um livro solo, também, na coleção Poesia Viva do Grupo A ILHA, uma seleção de poemas que saiu em 2007, com o título de “Dentro da Noite”.
A poesia de Sólon é romântica e sensual, sempre evocando a musa e a relação de paixão e sedução que envolve o seu relacionamento. Os contos pendem para o mistério policial.
Sólon publicou em vários jornais e revistas, também, e fez parte do Grupo Literário A ILHA logo que a sede do mesmo passou para Joinville. Foi um divulgador da literatura produzida na região e da cultura de um modo geral.
Santa Catarina perde uma das vozes mais bonitas e talvez o maior incentivador, divulgador e apoiador da poesia que o rádio já teve. O rádio, hoje, infelizmente, tem muito menos poesia.
Mas a poesia de Sólon permanecerá, imortal, para sempre. Como no poema abaixo:

No fim de noite eu te procuro
e te encontro em todas as ruas,
em todas as casas,
em cada passante;
no ressonar inocente da criança,
no sorriso cúmplice dos que amam,
na gota de saudade que rola na face.
No fim de noite eu te procuro
para te ofertar um pouco
daquilo que existe de melhor em mim.
Em toca, peço-te apenas
que me escutes,
para que juntos,
sejamos mais felizes
neste fim de noite...

sábado, 21 de agosto de 2010

FESTIVAL DE DANÇA DE FLORIANÓPOLIS


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

FESTIVAL DE DANÇA DE FLORIANÓPOLIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Estou chegando agora do Festival de Dança de Florianópolis, que começou ontem e vai até amanhã. Pois é, Florianópolis também tem, a partir deste ano, o seu Festival de Dança. Trata-se do Prêmio Desterro, que está acontecendo no Teatro Pedro Ivo.
Ontem foram apresentados 32 concorrentes, hoje 36 amanhã serão 30, nas modalidades jazz, dança contemporânea, dança de salão, danças populares, dança de rua, ballé clássico e sapateado.
Hoje, portanto, foi o segundo dia e achei que o festival de dança que dá o seu primeiro passo aqui na capital não deve nada ao de Joinville, guardando, é claro, as devidas proporções, pois na Cidade das Flores são dez dias e o número de participantes, consequentemente, também é maior. Mas a qualidade dos participantes é muito boa, houve um ou dois que estavam fracos, mas o nível geral foi excelente. Falta ele se espalhar, nas próximas edições, ir para as ruas, para as praças, para os shoppings, etc.
O Prêmio Desterro, o festival de dança daqui, dá prêmio em dinheiro, além dos troféus, aos vencedores em cada categoria. O que eu não gostei muito, hoje, foi do corpo de jurados, pois na categoria Dança de Salão, o Ateliê Grupo de Dança, de São José, merecia uma boa colocação, com o seu “Tudo Bem”, um número de samba espetacular. E não apareceu entre os três primeiros colocados.
Em compensação, os grupos “Uma Cia de Dança”, de dança contemporânea e a “Cia de Dança Cacá Berka”, os dois de Florianópolis, levaram o primeiro lugar e o terceiro lugar, respectivamente. E sabem porque digo isso com tanto orgulho? Porque minha filhota Daniela Cristina é bailarina e dança nos dois grupos, portanto foi premiada duas vezes. As meninas campeãs estiveram sensacionais.
Então, estou aqui muito prosa porque a filha teve o seu trabalho reconhecido, juntamente com os colegas dos grupos. Elas merecem.
Como já disse, o Prêmio Desterro está começando muito bem e promete para o futuro. O número de sapateado, pelo Laboratório de Dança, também foi muito bom. Sinceramente, não era muito fã do gênero, mas a dançarina de Maria Chiquinha dançava com o corpo todo, até com o rosto. Muito bom. E a abertura, o trecho de “Quebra Nozes”, foi lindo, também.
Floripa, agora, tem o seu Festival de Dança. Que é muito bem-vindo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

CELESTINO E A LITERATURA DE SANTA CATARINA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Falar de literatura, educação e cultura é falar de Celestino Sachet. Não há como dissociar. O incansável professor, escritor e pesquisador já atuou - e atua - em todas as áreas da cultura e da educação. Como ele mesmo já disse, adora sala de aula, escreveu livros didáticos que foram usados, na escola, por milhares de adolescentes, escreveu para a televisão - Santa Catarina, 100 anos de História", estudou e fez conferências em países como Portugal, México, Argentina e Bélgica. Foi reitor da Universidade Estadual de Santa Catarina.
Dos vinte livros publicados até hoje, alguns são preciosos para a literatura produzida por autores que vivem em nosso Estado, pois são registro e história das letras catarinenses, pesquisados autor a autor, livro a livro, com carinho e dedicação.
Além das antologias organizadas por ele, como "Antologia de Autores Catarinenses", "Presença da Literatura Catarinense", Poesia Sertaneja" e outros, que divulgaram e ajudaram a revelar bons escritores, livros como "A Literatura de Santa Catarina", "História da Literatura Catarinense" e "A Literatura Catarinense" são documentos importantes e substanciosos para pesquisa e consulta, verdadeiras enciclopédias da produção literária de gente que viveu e vive neste pedaço de chão privilegiado que é a nossa Santa e bela Catarina.
"A Literatura Catarinense", publicado em 85, está com uma nova edição atualizada a sair provavelmente neste ano e, como o próprio Celestino afirma, é "um livro de análise da literatura que fazem os catarinenses e não se fundamenta em critérios estéticos de uma rigorosa crítica literária. Ele vê a literatura - o poema, a ficção e o ensaio como o patrimônio cultural de nossas terras e de nossas gentes e como a manifestação de um grupo social e político que vem se formando através dos tempos e que se adapta às correntes da História e da Cultura."
Não é, simplesmente, um registro rápido da biobibliografia dos escritores de nosso Estado: ele agrega a história da literatura feita em Santa Catarina, apresenta cada escritor com a sua biografia, trabalhos publicados e o detalhe feliz que é o diferencial do livro: análise da obra de quase todos os autores mencionados, pelo próprio Celestino e/ou por vários outros apreciadores críticos, publicadas em livros, jornais, revistas, etc.
O leitor pode, assim, ter idéia do que trata a obra de determinado autor, com mais de uma opinião, não raro, da qualidade da mesma, da repercussão e do efeito que ela causou na sociedade. Um livro de referência para a pesquisa e estudo e para obtermos boas indicações de leitura.
Uma obra completa e honesta, que resgata a obra de cada escritor desta terra Catarina, para que se saiba que ela existe e que podemos conhecê-la, se ainda não a conhecemos.
E que venha a nova edição de "A Literatura Catarinense", garimpada por Celestino Sachet, esse incansável estudioso do que se escreve por aqui, para nos dar um panorama amplo e atualizado de nossas letras, como só ele é capaz de fazê-lo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VOTAR OU NÃO VOTAR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Começou o horário político no rádio e na televisão. Eu não gosto muito de falar em eleição, mas li uma cartinha num jornal, hoje, e achei muito interessante: “o horário político está de volta e os candidatos vão fazer, de novo, meu ouvido de pinico. Mas eles terão o troco no dia da eleição.” Não é legal? O eleitor sabe que os políticos que querem se aboletar nos mandatos de quatro anos, que aproveitar a “boquinha”, vão prometer mundos e fundos sem a mínima intenção de cumprir, vão mentir pra caramba, vão reivindicar para si inúmeras “realizações”, vão mostrar uma baita ficha limpa que não existe e esconderão a sete chaves a enorme ficha suja, essa sim de verdade, vão tentar convencer de que são a obra-prima da natureza. Mas ele, o eleitor, vai fazer valer o seu direito de escolha e seleção e quando chegar o dia da eleição, não votará em nenhum deles. Se não houver nenhum candidato que mereça o seu volto, voltará nulo.
Isso me fez lembrar, também, que na semana passada caminhava eu pelo centro, quando passei por duas senhoras que conversavam sobre a eleição.“Pois não é tudo uma cambada de corrupto? E a gente tem que votar neles!”, diziam elas. Eu não as conhecia, mas não me contive e postei-me ao lado delas, me metendo na conversa: As senhoras não são obrigadas a votar em ninguém. Se sabemos que os candidatos disponíveis não são bons, não são o que queremos para representar-nos, então não devemos votar neles. Se não houver ninguém em quem possamos votar, a única saída e anular o voto, pois só assim ele não vai valer pra ninguém e servirá de protesto para saberem que não estamos satisfeitos com o que está aí. Não existe aquela história de que precisamos voltar em alguém de qualquer jeito, para não “desperdiçar” o voto. Desperdiçar é votar em quem não merece.
Elas olharam pra mim, balançaram a cabeça e concordaram. E eu segui o meu caminho, de alma lavada. As pessoas, todas, deveriam saber como funciona o sistema eleitoral. Mas não é interessante para os políticos, não é?

terça-feira, 17 de agosto de 2010

LIVROS E LEITURA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Sempre defendi que a convivência com livros desde a mais tenra idade faz com que as crianças adquiram o gosto pela leitura. Já escrevi sobre isso uma ou duas vezes e atraí a ira de uma escritora e uma pedagoga, que não concordaram com a afirmação. Acontece que eu comprovei o fato, pois minhas filhas e alguns sobrinhos viveram, desde bebês, em casas com livros em estantes, em cima da mesa, no criado mudo, na mesinha da sala, em todos os lugares da casa e nas mãos das pessoas. As crianças sempre estiveram vendo o livro circular pela casa, sempre lhes foram mostrados livros com formas e cores, depois com texto e os textos eram lidos para eles.
Então essas crianças manusearam livros desde muito cedo e cresceram com a curiosidade de poder tirar tantas coisas interessantes de dentro deles, tantas histórias, tantas fantasias, e tanta descoberta, que aprenderam a ler mais cedo. Porque não é só a curiosidade que o livro desenvolve, é também a imaginação e a criatividade. E eles acabam querendo eles mesmos abrir aquele baú de conhecimentos, querem eles mesmos saber ler, querem também saber escrever para transformar em livros as histórias que eles mesmos primeiro desenham e depois contam pra gente.
E não é que, no último domingo, leio no Correio Braziliense que “estudos comprovam quanto mais cedo for desenvolvido com as crianças o hábito de acompanhar a leitura, maiores serão as possibilidades de ela ser bem-sucedida nos estudos”?
Pois é, uma reportagem de página inteira confirmando tudo o que eu havia dito há alguns anos e mais alguma coisa. Fiquei feliz de saber que uma constatação tão simples, mas que havia causado polêmica, na época, é um fato comprovado.
Crianças que vivem no seio de famílias que gostam de ler, crianças que veem o livro fazendo parte do seu dia a dia normalmente, desde que nascem, fatalmente vão gostar de ler. É só mostrar a elas, mesmo quando ainda são muito pequenas, tudo o que pode conter aquele objeto tão misterioso e tão mágico que é o livro. Portanto, é bom ver que a responsabilidade de incutir o gosto pela leitura em nossos leitores em formação não é só da escola, ela começa bem antes, dentro da nossa casa.
Uma criança que cresce com livros na mão mesmo antes de saber ler, é com certeza um adulto que terá o bom e edificante hábito da leitura.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

IPÊS, AZALEIAS, JACATIRÕES...


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Recebi, no final de semana, da minha amiga Urda, uma apresentação belíssima, feita de fotos de ipês de todas as cores: vermelho, rosa, amarelo, branco. Árvores inteiras, galhos, ramos, uma festival de cores e formas, coisa das mais bonitas, coisa de mãe natureza.
Lembrei-me disso, hoje, quando saí pra caminhar, ao encontrar um pé de ipê amarelo – aquele que se transforma no segundo sol da nossa rua, do qual já falei uma ou duas vezes – e vi que as folhas estão começando a cair e nas pontas dos galhos estão despontando os botões que breve florescerão.
Sei que em outras regiões eles já floresceram, mas aqui o tempo meio fora de esquadro atrasou um pouco as estações e as flores também estão desabrochando mais tarde, como o ipê, a azaleia, que deveria eclodir em julho e só agora está começando a abrir, como o flamboiã, como o jacatirão, que também é de julho e ainda está florescendo.
O certo é que, atrasado ou não, minha rua terá, novamente, o seu sol particular e um tapete de luz para os seus caminhantes.
E por falar em tapete, os amores-perfeitos estão lindos...

sábado, 14 de agosto de 2010

DESRESPEITO AO CONSUMIDOR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Como já disse antes, estou aprendendo a reivindicar meus direitos de cidadão. Já fui a Anatel para me livrar da internet que não funcionava mas cobravam, para reaver cobrança indevida da Oi e agora vou voltar, por problemas com a TV por assinatura.
Aliás, já foi tema de crônica o fato de pagarmos TV a cabo ou via satélite para vermos um sem número de reprises. Mas desta vez o problema não é esse. Precisei – aliás, fui obrigado – a atualizar meu pacote com a Sky, pois um canal novo que estava na grade foi retirado. E para tê-lo, eu tinha que escolher outro pacote. Escolhi o novo combo pelo site da operadora, mas quando fui comprar – por telefone - me disseram que não era aquele preço, que aquele preço que estava no site era para clientes novos. Então já assinei pagando mais do que eu achava que ia pagar. Quando veio a primeira fatura, esta semana, fiquei indignado porque além do preço da assinatura, cobraram mais R$ 24,00 a título de Assistência Premium. Ora, ninguém havia mencionado, quando me venderam, esse acréscimo na cobrança, nem no site há qualquer referência sobre ele. Eu também não pagava tal taxa na conta do pacote anterior, e a diferença é de apenas quatro ou cinco canais.
Liguei para a operadora para dizer que não concordava com a cobrança da tal assistência, que não havia pedido a tal assistência, que ninguém havia mencionado a tal assistência, mas o atendente apenas me disse que fazia parte do pacote e eu tinha que pagar.
Disse a ele que queria, então, encerrar a minha assinatura, que eu já estava propenso, mesmo, a assinar outra TV por satélite e transferiram-me para alguém que procederia ao cancelamento da minha assinatura. Só que fiquei esperando quase dez minutos e cansei de ficar ouvindo as propagandas da Sky, porque ninguém atendia e desliguei. Mas não desisti. Vou pagar a fatura e no final do mês cancelo, nem que tenha que recorrer a Anatel.
Aliás, vou de qualquer maneira a Anatel, para denunciar a taxa que ninguém avisa que vai ser cobrada e depois aparece na fatura da gente. E tem mais: disponibilizaram, ainda no pacote anterior, um canal de notícias e cobraram R$ 4,50 por ele. Na fatura do mês passado eu não paguei aquele valor, pois não havia pedido o tal canal, mas na última fatura eles voltaram a cobrar.
Então, dá-lhe Anatel neles.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A DISPONIBILIDADE E O PREÇO DO E-BOOK

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje volto a falar de livro eletrônico, porque é um assunto em ebulição, todo o mundo está de olho nas novidades e a gente descobre informações novas a cada dia.
Falei, recentemente, que o Brasil já tinha sua loja de e-books, no site da Livraria Cultura, que está vendendo o pacote completo, e-books com um leitor eletrônico, o e-reader Alfa da Positivo. Pois na verdade não é a única, temos também a livraria virtual Gato Sabido, que também disponibiliza milhares de títulos, embora a maioria seja em inglês, e vende o e-reader Cool-er.
Temos, ainda, à venda por essas bandas de cá, um e-reader com software próprio, nacional, embora o hardware seja fabricado na China, o Mix Leitor D, da Mix Tecnologia. Além desses e do Kindle e do I-pad, há também o leitor eletrônico de e-books Pandigital, prometido pela Tecnoworld para outubro.
Vê-se que o livro digital está disponível para quem quiser aderir. O preço do leitor digital é meio salgado, começa em setecentos reais e vai até mais de mil reais. Aliás, há um por menos de setecentos reais, justamente o Kindle, o primeiro de todos, que conseguiu desmistificar o livro eletrônico, começando uma revolução no ato de ler, e pode ser comprado também por brasileiros, por quinhentos e cinqüenta reais – valor dele, que é de cento e oitenta e nove dólares, mais os impostos de importação.
Mas não foi só o preço dos e-readers, leitores eletrônicos para nós, brasileiros, que me deixou preocupado. Andei navegando pelas livrarias virtuais, aquelas que oferecem o livro em versão digital, e fiquei assustado com o preço de alguns livros. Vi livros em formato pdf e epub de dois reais, mas também vi vários outros preços, num crescendo, de até mais de quarenta reais. Não era para ser muito mais barato do que o livro de papel, já que não há custo de impressão, o custo do papel, transporte, distribuição, etc? Encontrei livro que a versão impressa custava cinqüenta e quatro reais e a versão digital custava quarenta e nove. Será que vai ser assim?
Desse jeito, não vai ser o preço do leitor (e-reader) que vai inibir o leitor, mas sim o preço do próprio livro (e-book). Vou acompanhar para ver como isso vai ficar.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

DESUMANIDADES III

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Acabo de descobrir que a crueldade com animais domésticos não se resume mais em abandoná-los pelas ruas de nossas cidades porque cresceram, porque ficaram doentes, porque o dono viajou, como era comum acontecer.
A desumanidade conseguiu aumentar de tamanho, conseguiu ir além do que já achávamos o máximo da maldade. Vi uma matéria na TV, recentemente, mostrando pessoas que haviam encontrado, em um terreno baldio, sacolas plásticas com cãezinhos velhos, largados para morrer. Isso mesmo, animais velhos, ensacados vivos e jogados fora. Ao ouvir ganidos, uma senhora procurou saber de onde vinham e descobriu os sacos plásticos com dois cachorros pequenos, muito velhinhos, cegos e surdos, morrendo devagarinho. Abriu os sacos e libertou-os, mas um deles não resistiu e morreu. Em outra ocasião, acharam, do mesmo jeito, uma pinscher, também bem velhinha, abandonada para morrer.
Que seres humanos são esses, capazes de tal desumanidade? Onde vamos parar com esse endurecimento atroz que nos torna pior do que os animais irracionais?
Quem é capaz de fazer uma coisa dessas, pegar um animal muito velho, no final da vida, fechá-lo num saco plástico para morrer de fome e sede ou asfixiado, é capaz de muitas outras barbaridades. É capaz de tudo.
Como maltratar, assassinar um amigo fiel que viveu a vida toda conosco? Não devíamos cuidar deles com mais cuidado, dar-lhe mais carinho e proteção, já que no final eles já não enxergam mais, não ouvem, às vezes não conseguem nem andar? Não deveríamos dar-lhe uma morte serena e confortável, digna?
É por isso hoje se mata pessoas por qualquer motivo, é por isso que pais são abandonados à própria sorte ou em asilos, como se fossem carcaças descartáveis.Precisamos procurar nossa humanidade, buscá-la onde a perdemos para praticá-la de novo. Urgente.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O LIVRO ELETRÔNICO NO BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Voltando ao assunto dos livros eletrônicos, tão em evidência nas últimas semanas, há novidades no mercado editorial brasileiro. Foi instituída, recentemente, a Distribuidora de Livros Digitais, formada pelas editoras Record, Objetiva, Rocco, Sextante e Planeta.
E mais: temos uma Amazon tupiniquim. Explico: a livraria Cultura, paulistana, é a primeira grande loja virtual de e-books. Ela está vendendo, através de seu site, mais de 1.200 títulos eletrônicos, ainda que apenas 700 deles em português. A livraria assinou contrato com a DLD – Distribuidora de Livros Digitais, mais as editoras Moderna e Salamandra, para ampliar seu acervo. E vende também o e-reader brasileiro Positivo Alfa, com tela touchscreen de 6 polegadas, 2 GB de memória e com Dicionário Aurélio já instalado.
Então aquilo que cogitávamos outro dia, de que as editoras brasileiras estavam se preparando para aderir ao livro eletrônico tinha a ver, pois elas já estão organizadas e começando a agilizar as edições no novo formato, além da impressa. E estão começando bem organizadas, pois as grandes editoras da terra estão na DLD, além de outras que estão se juntando à Livraria Cultura, que providenciou até o leitor eletrônico, para ter o pacote completo.
As editoras estão começando uma transformação necessária, pois os livros eletrônicos abrem a possibilidade de agregar muitas novidades além do texto e da ilustração, como vídeos, áudio, etc. Mais ou menos como está o jornal, hoje em dia: o impresso traz a notícia com foto ou ilustração, mas no site do jornal há vídeos, áudios com entrevistas, documentários, para complementar. De sorte que o livro impresso, que continuará existindo por muito, muito tempo ainda, trará o principal, que é o texto. A versão eletrônica poderá trazer elementos além disso, pois pode comportar outros tipos de informação visual e auditiva.
De maneira que agora, o Brasil também tem a sua loja de e-books, a exemplo das grandes lojas como Kindle Store, Ibooks, Sony Reader Store e Banes & Nobles.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

LIVRO ELETRÔNICO X LEITOR ELETRÔNICO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Comprei hoje a revista Literatura, da Editora Escala, já no número 31. Muito boa, com matérias sobre o centenário de Raquel de Queirós, sobre Fernando Pessoa, reportagem alentada sobre Saramago, contos e muito mais.
E duas matérias sobre livros eletrônicos. Uma delas, de Juliana Cunha, muito boa e detalhada, com o título de “Leitor digital: para quem gosta de livro, não de tecnologia”, infelizmente misturou e-book com leitor digital. Tudo bem que eles têm que ser misturados, mas na matéria a articulista só usa o termo correto no título, pois sempre que ela deveria dizer e-reeder ou leitor digital, ela escreveu e-book. Ora, e-book é o livro eletrônico, é um arquivo de texto, é um software. E-reader, ou leitor eletrônico é o hardware, o aparelho que vai ler o e-book.
Como eu disse, a matéria é boa, mas ficou meio feio trocar alhos por bugalhos. Será que ninguém fez uma revisão? Aqui no blog eu escrevo besteira, às vezes, mas sou eu mesmo que faço a revisão, às vezes às pressas. Em uma revista como Literatura, há revisor, há chefe de redação, etc.
De qualquer maneira, foi bom ver que a revista resiste, pois é o tipo da publicação que não é muito procurada. Infelizmente.

domingo, 8 de agosto de 2010

CANÇÃO DE AMOR

Luiz Carlos Amorim

Vem, pai,
senta-te à soleira
do meu coração
e me conta
uma história de vida.
Encosta a tua cabeça

num pedacinho da minha alma
e me canta
uma canção de ninar.
Depois, diga-me,

por favor,
um poema de amor,
um daqueles
que quase ninguém disse,
e só você pode me dizer...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

MEU PREFÁCIO PARA ROMANCE DE CABO VERDE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com


Recebi, há uns dois anos, do meu amigo Nuno Rebocho, escritor e editor de Cabo Verde, os originais do seu livro “A segunda Vida de Djon de Nhá Bia”. (Hoje, recebo convite para o lançamento do livro, publicado por editora portuguesa, e fico sabendo que o prefácio do livro é este comentário.)
Não pude ler o romance imediatamente após recebê-lo, mas quando comecei não consegui parar até terminá-lo. Não só pela história, que é original e singular, mas pelo discurso narrativo do autor, dinâmico, objetivo, elegante e claro. Um estilo cativante, que prende e leitor, ávido por saber o que vai acontecer no próximo capítulo.
Encontrei palavras que não são usadas no nosso português do Brasil, mas isso colaborou para tornar a leitura ainda mais interessante e não prejudicou em nada a compreensão. Algumas palavras me chamaram mais a atenção, no entanto, por não conseguir descobrir-lhes o significado, apesar do contexto. E me fizeram lembrar o recente Acordo Ortográfico, pois as diferenças do português do Brasil, de Portugal, de Cabo Verde não se reduzem a apenas sinais e acentos. Existem palavras diferentes e palavras com sentidos diferentes. Mas isso é discussão para outra vez. O que queremos discutir, agora, é a obra deste bom escritor de Cabo Verde, Nuno Rebocho.
A história evidencia o alto grau de criatividade do escritor, beirando o fantástico-maravilhoso. Mas com a segurança de um grande ficcionista, denunciando, com situações localizadas além da nossa realidade comum, as mazelas do nosso mundo atual.
O título do romance dá uma dica sutil do enredo: “As duas vidas de Djon de Nhá Bia”. É a história de Djon depois de sua morte, de situações bizarras e ao mesmo tempo divertidas de um morto-vivo às voltas com outros mortos-vivos, com o Diabo, com o amor, com o fanatismo do povo, com a vida. Uma fábula bem urdida, interessante e bem contada.
A linguagem e o estilo se conciliam e se completam, dando ao romance total fluidez, dando prazer ao leitor ao longo do desenvolvimento da trama, a cada página.
Recomendo a leitura deste ótimo romance do escritor de Cabo Verde aos leitores de qualquer país que tenha como língua oficial o português, pelo talento do autor e pela qualidade da obra.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

LEIA, BRASIL!

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

Acabo de ler a crônica de Ezequiel Theodoro da Silva, no Correio Lageano, na qual deixa claro a sua indignação pelo fim dos trabalhos da ONG Leia Brasil. E eu sou solidário com a indignação dele, fico muito triste, pois como ele, vivo lutando para conseguirmos novas maneiras de incentivar o gosto pela leitura.
O LEIA BRASIL foi criado por Jason Prado, com o objetivo de incentivar a leitura entre crianças, jovens e adultos da rede pública de ensino, emprestando livros de literatura aos seus alunos. Cada uma de suas Bibliotecas Volantes transportava cerca de 15 mil livros de literatura para empréstimo gratuito aos alunos e professores das escolas conveniadas. Mas só isso não era o bastante. As bibliotecas do Leia Brasil transportavam atividades paralelas como oficinas de teatro, visitas de autores, vídeos e acervos sobre diversos temas, com o objetivo de enriquecer o dia a dia das visitas, estimular e desenvolver o interesse de alunos, pais e mestres pela leitura, pela literatura e pela cultura. E mais, o Leia Brasil tinha convênio com museus e outras instituições de ensino e pesquisa e mantinha no ar um portal de cultura e literatura.
E tudo isso cessou. Essas fantásticas bibliotecas ambulantes que itineravam pelas escolas não mais chegarão a lugar nenhum, para brindar os estudantes com fantasia, conhecimento e cultura.
É realmente uma grande perda. Numa época em que procuramos divulgar e incentivar cada nova iniciativa criativa em prol da disseminação da leitura, quando mais do que nunca precisamos do trabalho como o que o Leia Brasil fazia, essa luz no fim do túnel se apaga.
Ao invés de se abrirem novos pontos de distribuição de livros, um trabalho tão importante nesse sentido se apaga. O Brasil está precisando que os seus dirigentes, os “políticos” que o governam se lembrem da educação e comecem a dar alguma atenção para ela. Porque nosso país está lendo cada vez menos e um país que não incentiva a leitura e a educação será um país mais ignorante e pobre.
Temos que nos lembrar disso quando formos votar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A UNIFICAÇÃO DO PORTUGUÊS É POSSÍVEL?

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

“É uma ilusão acreditar que hoje falamos todos a mesma língua”, afirmou o escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, quando de sua participação no 1º Encontro dos Escritores de Língua Portuguesa de Natal, reportando-se ao Acordo Ortográfico firmado entre os países nos quais a língua oficial é o português.
A verdade é que ele tem razão, pois as diferenças entre o português do Brasil e dos outros países onde ele é falado existe e o acordo não vai resolver e unificar a língua, apenas porque foram impostas mudanças. Até dentro do Brasil o português que falamos difere de região para região.
Estive em Portugal no ano passado, logo após o acordo começar a valer - é bom frisar que o acordo está sendo implantado e já está sendo aplicado, mas o seu cumprimento só é obrigatório a partir de 2012 - e o que percebi é que, para nós, a mudança é mínima, limitando-se à supressão e acréscimo de acentos, ao não uso do trema e a variações no uso do hifen. Mas para os portugueses, as mudanças são bem mais amplas.
E eles, os portugueses, perguntados sobre o que estavam achando da unificação, respondiam simplesmente que não iam aderir, como já dizia Saramago. Eles não gostam nada das mudanças, não acreditam nelas e não concordam com elas.
E há que levar-se em conta que existem palavras no português falado lá que nós não conhecemos aqui, palavras que usamos aqui, mas que lá tem outro sentido e palavras diferentes das nossas para mesmas coisas.
Então é esperar muito, de fato, que a unificação aconteça assim, como num passe de mágica. As diferenças continuarão, nós entenderemos os textos de outros países que falam português e eles entenderão os nossos, ainda que com possível dificuldade da parte da qualquer dos países, pois sempre haverão palavras desconhecidas para qualquer das partes.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

OS OITO TRABALHOS DE APOLÔNIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Dizia eu, após ler a primeira edição de “A Força do Berço”, de Apolônia Gastaldi, que ali nascia uma grande escritora, que muito se podia esperar dela, que muita coisa boa viria adiante. E não deu outra. Após quase vinte anos, Apolônia publica oito livros: a segunda edição de “A Força do Berço I – A Herança”, a continuação dessa saga, com mais três volumes: “Segredos”, “Sinais” e “Regresso” - que podem ser lidos fora de seqüência, como se fossem romances independentes um do outro; dois livros de poemas: “Mar” e “Amor”, o romance infanto-juvenil “Anjos Azuis” e “Barra do Cocho”, outro grande romance.
A poesia de Apolônia eu também já conhecia, pois antes de publicar seu primeiro romance ela já publicava poemas na revista Suplemento Literário A ILHA e em jornais. É uma poesia forte, carregada de sensibilidade e romantismo.
“Mar” pode ser um só grande poema sobre o mar, mas as partes que o compõem também podem ser lidas independentemente umas das outras. Trata-se de um marinheiro em seu navio, perdido em alto mar, navegando ao sabor das ondas. Solitário entre o céu e a água, recorda o seu passado, suas glórias, seus amores, suas dores, como a própria autora descreve na apresentação. “Amor” é uma seleção de trinta e tantos poemas românticos, cheios de sentimento, ternura e emoção. Tudo com o ritmo, a musicalidade, a cadência que Apolônia imprime em seu fazer poético.
“Anjos Azuis” é, na verdade, uma feliz – felicíssima – incursão de Apolônia pela literatura juvenil. O livro é bonito, a começar pela apresentação: a capa é azul em fundo branco – uma íris azul com duas mãos se encontrando no centro, o título é azul, o texto, no interior do livro é em azul. A história que o livro conta é de um azul brilhante. Os três novos volumes de “A Força do Berço” mantém o ritmo e a qualidade do primeiro livro da série e a prosa de Apolônia se agiganta em “Barra do Cocho”, com seu estilo firme e fiel à existência do ser humano, com a sua narrativa coloquial e deliciosa. “Barra do Cocho” é a ficção imitando a realidade, a vida recriada com arte.
Em “Barra do Cocho” não há intrigas ou maldades, heróis e vilões, há apenas a vida se desenrolando. Ela, a vida, se encarrega, com naturalidade, das alegrias e tristezas, das dores e das pequenas ou grandes felicidades. São os destinos se cumprindo, contados com o sabor que apenas quem viveu parte daquilo poderia imprimir no seu discurso. Apolônia conta com maestria, com linguagem apropriada, que resgata alguns termos de um tempo que os mais jovens, hoje, nunca ouviram, a trajetória de uma comunidade que ajudou a colonizar o Vale do Itajaí a partir dos anos oitenta do século dezenove. Sem os recursos tecnológicos que temos hoje, eles trabalhavam duro para tirar o sustento da terra, mas também se divertiam, viviam intensamente. Era uma brava gente, uma gente valente e valorosa. A obra de Apolônia me faz lembrar Érico Veríssimo, esse mestre das letras que completaria cem anos no ano de 2005, pela grandiosidade de conteúdo e pela magistral narrativa.
Uma família, em particular, é focalizada pela autora e, a partir dela, toda a comunidade é retratada neste romance histórico que a gente começa a ler e não dá vontade de parar. Uma gente feliz, de uma felicidade simples, pura e verdadeira. Com os percalços naturais da vida, que a natureza, assim como nos dá a vida, nos cobra pelo que nos dá.
Há que se ler esse romance grandioso, que nos dá a conhecer as pessoas que prepararam esse chão onde hoje estamos, que nos precederam nessa terra abençoada que é a nossa Santa e bela Catarina.
E vem mais por aí...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

COMEMORANDO O ANIVERSÁRIO DE QUINTANA




Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Nosso grande poeta Mario Quintana teria comemorado 104 anos no último dia 30 de julho de 2010. Como não poderia deixar de ser, a Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, promoveu uma série de atividades, de 27 de julho a 1º de agosto. Fazendo parte das atrações, dois espetáculos teatrais, um seminário, hora do conto, oficina infantil, um filme sobre a vida e obra do escritor e ainda três exposições, tudo com entrada gratuita.
A programação começou, na verdade, no dia 20 de julho, com a abertura de duas mostras, que mostram perspectivas diferentes do poeta, em seus momentos profissionais, comemorações e acontecimentos inusitados, além de pessoas de seu convívio.
Na Sala Augusto Meyer da Casa de Cultura Mario Quintana, “Simplesmente Mario” mostra o cotidiano do poeta, sua forma simples de viver - primeiro como tradutor e escritor, depois na redação do jornal Correio do Povo. O resultado de sua convivência na Rua da Praia, redação do jornal, bares e hotéis da cidade renderam diversas histórias e imagens pitorescas, que serviram de ponto de partida da mostra, que fica aberta à visitação até o dia 15 agosto.
Também pode ser conferida a exposição “Casa de Cultura 20 Anos”, até 26 de setembro, na sala Maurício Rosemblat, com painéis, totens e quadros com reportagens extraídas do jornal Correio do Povo e fotografias do Arquivo Fotográfico do jornal, que explicam a evolução destes 20 expressivos anos no cenário cultural de Porto Alegre. São apresentados momentos do Hotel Majestic, tombamento do prédio histórico, reforma, inauguração da Casa de Cultura Mario Quintana e sua trajetória até os dias de hoje.
Na Biblioteca Lucília Minssen, até 15 de agosto, “Lili inventa o mundo” quer aproximar as crianças, leitores em formação, da figura de Mario Quintana e das suas obras, com uma proposta interativa. Estão sendo recebidos grupos de pré-escolas, escolas de ensino Fundamental e do curso Magistério, bem como público em geral, e o objetivo é fazer com que a criança leve consigo a curiosidade e o desejo de conhecer e de estudar as obras do Mario Quintana.
No dia 27 de julho houve sessão de “O Teatrinho do Mario Quintana”, com o grupo Tabarin, no Teatro Carlos Carvalho. Em seguida, uma edição especial do projeto Quintanares e Melodias, na performance poético-musical “A Rua dos Cataventos 70 Anos”, no Acervo Mario Quintana.
No dia 28, foi a vez da hora do conto “O Batalhão das Letras”, com o grupo Nariz Postiço, para crianças de 4 a 8 anos de idade, na Brinquedoteca Pé de Pilão. “O Batalhão das Letras”, de Mario Quintana, é um livro infantil para adulto nenhum botar defeito. Partindo da clássica fórmula do 'bê de bola', o poeta gaúcho usa todos seus recursos de linguagem para desenvolver versos que alfabetizam enquanto encantam.
No mesmo dia, no Teatro Carlos Carvalho, foi apresentada peça “Tem Quintana na Casa”, dirigida por Bob Bahlis, que mescla projeções e trechos de entrevistas que Quintana deu ao longo da sua vida. Serão lembradas histórias do dia a dia, poemas e algumas das famosas frases publicadas no “Caderno H”. A peça é conduzida por cozinheiros que estão preparando o doce predileto do poeta: quindim. As imagens projetadas durante o espetáculo são de um documentário feito nos anos 80, quando o poeta abriu a porta do quarto do hotel onde morava e deu uma maravilhosa entrevista. Também na pauta, depoimentos de alguns amigos, familiares e fãs. As histórias narradas pelos atores foram tiradas e cedidas por Juarez Fonseca, autor de “Ora Bolas – o Humor de Mario Quintana”. Nessas histórias é possível traçar um perfil de um dos maiores poetas brasileiros e entrar em contato com o humor de Quintana - nada comportado, por vezes ácido, mas com o timing perfeito para provocar risos. Seu estilo é considerado como a poética do mínimo (Minimalismo), é o gosto pela redução, pela brevidade: escrever o máximo com o mínimo de palavras.
No dia 29, foi realizado o seminário “Quintana Multicultural”, no Teatro Bruno Kiefer.
No dia 30, crianças de 4 a 8 anos puderam conferir a hora do conto “Pé de Pilão”, na Brinquedoteca Pé de Pilão. “Pé de Pilão” é uma história lírica e engraçada, em que a maldade de uma bruxa faz Matias virar pato e sua avó, linda fada, virar uma enrugada velhinha.
No dia 31, a Sala C5 da CCMQ sediou a oficina de design infantil “Sortilégio”, com Luciana Pinto.
O filme “Quintana dos 8 aos 80” foi exibido diariamente, de 27 de julho até 1º de agosto. O curta-metragem do diretor Antonio Carlos Textor foi produzido em 1988, a partir do livro homônimo e repassa a vida e a poesia de Mario Quintana, em 18 min de duração. A publicação, feita especialmente para comemorar os 80 anos do poeta, em 1986, foi organizada pela pesquisadora Tânia Franco Carvalhal e reúne poemas, análise literária e biografia do escritor. Tudo isso é transposto para o filme, que tem locuções de Walmor Chagas e Paulo César Pereio.
É uma belíssima programação, que faz jus à data que comemora com saudade de dezesseis anos a falta do poeta passarinho.
(Com informações da CCM)

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Aproveito para avisar que a edição número 5 da revista MIRANDUM, da Confraria de Quintana, já está circulando, finalmente. A nova capa, diferente daquela que eu havia divulgado há umas duas ou três semanas, está lá no alto. A revista está recheada de muita prosa e poesia sobre o poeta, assim como também tem, é claro, poemas dele. Pedidos para fbarreto@bizz.com.br e lc.amorim@ig.com.br

domingo, 1 de agosto de 2010

DANÇA E CULTURA EM NOVA PETRÓPOLIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Acabou o Festival de Dança de Joinville e eu vim para a serra gaúcha. Estava quente, aqui, para esta época do ano, mas esta madrugada o frio chegou pra valer. Temos sol, ao contrário de ontem, que choveu o dia inteiro e está um dia lindo, mas na sombra ou onde bate vento o frio é intenso.
Engraçado que vi o festival de dança e, quando cheguei aqui, estava começando o Festival internacional do Folclore de Nova Petrópolis, onde as danças típicas da região, de outras partes do país e de outros países, como Rússia, Iraque, Canadá, Argentina, Paraguai, Uruguai e outros são as principais atrações.
Então é fantástico, para nós, que gostamos de música e dança, poder apreciar mais espetáculos desse gênero, conhecer a música e as danças de outras regiões do Brasil e de outros diversos países.
Prazer e cultura, beleza e enlevo, em vários dias de apresentações, e tudo de graça.
É gratificante virmos para cá, tomar um banho de natureza, respirarmos o bom ar da serra, encher os olhos com as paisagens belíssimas que se descortinam para qualquer lugar que se olhe e, de lambugem, termos arte e cultura de brinde.
Acabei de passar pela praça e vi lá um grupo se apresentando, em belíssima performance. Deixo vocês com a crônica do dia e volto pra lá, que amanhã tomo o caminho de casa, o caminho da nossa Santa e bela Catarina.