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domingo, 31 de outubro de 2010

E CONTINUA TUDO IGUAL...

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O eleitor brasileiro decidiu, hoje, através do seu voto, que o comando do país continua com as mesmas duas figuras de até aqui: Lula e Dilma. Isso significa que continua tudo igual, que a educação, a saúde, a segurança pública, continuarão na mesma derrocada que vêm sofrendo até agora, que a previdência continuará falida, dando uma assistência médica da pior qualidade aos segurados, reclamando que não tem dinheiro para pagar aposentados?
Significa que a corrupção que grassou na “política” brasileira até agora continuará impune, como sempre, que até a justiça deste país não é mais confiável?
Sei que é utopia esperar que não, mas quero, veementemente, que me desmintam. Que este governo que continuará à frente do Brasil me prove que estou errado, revertendo o caos que vem reinando no seu meio e em diferentes áreas, como as citadas acima.
Torço para que, de alguma maneira, Dilma não se guie apenas pela megalomania do seu mentor/criador e não se espelhe nele com exatidão. Que ela consiga se livrar do controle dele e, quem sabe, revelar um lado seu que não conhecemos, uma capacidade de se transformar e de transformar o ambiente “político” a sua volta, para que aqueles que elegemos para nos representar, para trabalharem para nós, cidadãos brasileiros, realmente o façam. E com competência.
É esperar muito, eu sei. Mas não podemos apenas esperar: temos que cobrar. Precisamos ficar de olho e cobrar as promessas, exigir os nossos direitos.

sábado, 30 de outubro de 2010

A JUSTIÇA E A FICHA LIMPA, DE NOVO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E a Lei da Ficha Limpa foi considerada válida para esta eleição, quando do julgamento do caso de Jader Barbalho, pelo Supremo. Mas essa validade pode ser revogada, dependendo do juiz em um novo julgamento de ficha suja, pois este foi um caso específico de renúncia de cargo. E quem condenado em segunda instância ou quem foi cassado, como prevê a lei? Resumindo: a bagunça continua, o vale não vale continua, na verdade pouca coisa ou nada mudou.
Que país é esse, que tem leis que não são aplicadas, que tem na justiça um descaso total pela vontade do cidadão? E não é só a justiça. É a saúde, a educação, a segurança pública, tudo está largado, tudo está falindo, sem o interesse e providência de nossos “governantes”.
Parece que a idéia dos comandantes deste Brasil é, mesmo, deixar as pessoas ignorantes, doentes, inseguras, para que aceitem a esmola do Bolsa Família e outras esmolas, para que sejam, cada vez mais manipuláveis, para que votem nos “benfeitores” que dão as esmolas, sejam eles fichas limpas ou fichas sujas.
O pior é que, na verdade, quem paga as Bolsas Famílias e que tais somos nós, trabalhadores, que pagamos a carga de impostos escorchante que aí está. Eu até diria que é injusto que nós, aqui do sul, do sudeste, do centro oeste trabalhemos para pagar as bolsas e o que mais seja, mas não o digo porque, cá pra nós, quero mais que tenhamos trabalho e possamos trabalhar muito, pois pagamos mais impostos à medida que ganhamos mais.
O mais revoltante é que os politiqueiros de plantão ficam usando o suor do nosso trabalho como moeda para pagar votos, para gastar em benefício próprio.
Mas eles não estão nem aí, pois são eles que fazem as leis, ainda que sejam em nosso nome, e não é bom para eles acatarem a Lei da Ficha Limpa, já que em sua grande maioria, são fichas sujas. Precisamos aprender a votar e precisamos ter candidatos viáveis em quem votar.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

UM DIA DO LIVRO ESPECIAL

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje é Dia Nacional do Livro. Este ano, particularmente, temos que comemorar, pois está acontecendo, nesses últimos meses, uma revolução significativa na configuração do livro, na sua apresentação e na maneira de lê-lo, também.
Os e-readers – leitores eletrônicos de livros digitais eclodiram e estão se popularizando. Além do Kindle, que apareceu este ano com uma nova versão, melhorada, surgiu este ano o I-pad, leitor eletrônico multimídia da Aplle, e estão vendendo bem, além de outros aparelhos similares que já estão mo mercado.
Os e-book – livros eletrônicos ou digitais, que já existiam desde a década passada, deram um salto na oferta e já representam uma fatia, pequena, talvez, de venda no mercado editorial. As editoras, pelo mundo afora – e também no Brasil – muitas delas, algumas das grandes casas publicadoras, estão aderindo ao e-book, e já existe até uma associação delas nesse sentido. Uma boa parte delas já oferece livros eletrônicos, em seus sites, e algumas pensam seriamente em lançar senão todos, mas parte de seus títulos no novo formato.
O livro de papel, tradicional, no entanto, continua com toda força e vende cada vez mais. Também na confecção do livro impresso, está havendo uma revolução: foi inventado e está sendo produzido já em escala industrial o papel de plástico, feito a partir de lixo reciclável. O que diminui o desmatamento e favorece, portanto, o meio ambiente.
Então, podemos comemorar: temos um novo formato de livro, o eletrônico, que pode ser lido no computador, no celular e no e-reader, o leitor eletrônico. Alguns destes aparelhos, aliás, lêem jornais e revistas, além de livros, além de rodar filmes, conectar-se a internet, rodar jogos e assim por diante.
Em contrapartida, o livro impresso ganha força, com um papel que não rasga, é lavável e gasta menos tinta para ser impresso.
Vida longa ao livro, portanto.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

LIVROS PARA TODOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje fui de ônibus para o centro de Florianópolis, pois de carro fica cada vez mais complicado: a mobilidade está cada vez mais ausente na capital. O número de veículos aumenta, o número de estacionamentos diminui, não se vê nem guarda municipal nem guarda de trânsito, então fica quase impraticável andar de carro.
Mas o meu tema hoje não é esse. Desci no terminal urbano central, bem na plataforma onde havia uma estante do Projeto Floripa Letrada, inaugurado há alguns meses e que colocou à disposição do público, em três terminais do transporte coletivo, livros e revistas. E vi que havia livros e revistas na estante e duas pessoas abasteciam com mais volumes.
Fiquei feliz, pois há algumas semanas passei por lá e vi a estante abandonada, com nenhum livro e algumas revistas jogadas no fundo da estante. Desta vez, não foi bem assim, felizmente. Os livros estavam organizados, as revistas no seu lugar.
Conversei com dois seguranças que estavam folheando alguns livros, para saber como o projeto tem andado, como o público tem se comportado em relação aos livros, pois eles estão sempre por ali e veem muita coisa. Disseram-me que o público procura, sim, os livros e revistas, mas poucos devolvem os volumes que levam. O projeto continua, porque sempre há doações e quase que diariamente as duas estantes que estão naquele terminal são reabastecidas.
É muito bom saber que o projeto resistiu e continua, é ótimo saber que as pessoas estão doando os livros que têm em casa, guardados, mesmo que sejam livros antigos. Mas o fato de não sermos educados o suficiente para devolvermos os livros que tomamos emprestados, não termos consciência de que não podemos ficar com o que levamos porque não é da gente, é de todos, isso me deixa muito triste.
Espero que isso mude. Como disse em outra oportunidade, não fica ninguém na estante para cuidar, não há controle de empréstimos, não há registro do que é levado. Então o que manda mesmo é a nossa consciência. Por que ficarmos com um livro que já lemos?
Precisamos devolver, para que outras pessoas possam usufruir da cultura, do entretenimento, do saber que um livro pode proporcionar.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

POESIA EM GRUPO

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Como todos nós sabemos, é muito difícil, para quem escreve, encontrar um ponto de partida para mostrar o que se está produzindo. E é importante que possamos levar a nossa produção até o leitor, porque é sabido que escritor é aquele que escreve e é lido e não aquele que tem livro publicado e empilhado em prateleiras de livrarias ou porões de editoras.
Não importa a forma pela qual atingimos o leitor: o certo é que não é primordial que tenhamos nosso trabalho publicado em livro para fazer isso. Podemos levar nossos poemas até o leitor através de outros suportes ou recursos, como folhetos, recitais, varais literários expostos nos mais diferentes lugares, jornais, revistas, rádio, out-doors, internet, etc. O que temos é que chegar ao leitor.
Como superar aquela inibição inicial que todos temos quando queremos começar a mostrar o que estamos escrevendo? Como passar por cima do medo de que as primeiras pessoas que vierem a ler o nosso poema não gostem dele?
É aí que começa a função de um grupo de poesia. O poeta novo, aquele que nunca mostrou os seus poemas e que pretende fazê-lo, mas receia uma crítica mais severa, vai encontrar num grupo de poesia pessoas que tiveram a mesma dificuldade e por isso mesmo saberão colocá-lo à vontade, mostrando-lhe que devemos procurar crescer dentro daquilo que fazemos, mas que não temos a obrigação nem devemos ter a pretensão de agradar a todos.
É lendo muito, escrevendo sempre, que vamos adquirindo experiência para deixarmos fluir a nossa sensibilidade e lirismo sem preconceitos, fórmulas ou leis. Só assim vamos nos identificar com o leitor, o objetivo maior do nosso fazer poético.
E os integrantes de um grupo de poesia, que já estão passando por esses estágios, poderão integrar-nos a essa vivência poética. Vivência poética e não escola. Um grupo de poesia pode até ser uma escola, talvez. Mas não é uma escola que ensina a fazer poesia, porque poesia é um estado de alma, é a própria emoção do poeta traduzindo-se em versos. É uma escola onde cada um aprende com o outro, onde se trocam idéias e experiências, uns acrescentando aos outros. A partir da participação de cada um, o crescimento é de todos.
Um grupo de poesia reúne aqueles poetas que desejam aprimorar a sua poesia, discutindo-a.
E que procuram alternativas para levar a sua produção até o leitor. Um grupo trabalha para que a poesia seja conhecida e cultivada, colocada em evidência e questionada, pois é através da apreciação do leitor que podemos saber até que ponto atingimos o nosso objetivo, que podemos ter um parâmetro da qualidade do nosso trabalho, que podemos colher subsídios para fazer melhor a nossa obra.
Um grupo de poesia é isso: integração de poetas pela força da poesia.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

QUINTANA NO TEATRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Anteontem falei das obras selecionadas para os vestibulares, que são adaptadas para o teatro e levadas ao palco, para que os estudantes conheçam e tenham incentivo e motivação para a leitura integral dos livros.
Pois hoje vou falar de outra adaptação para teatro, desta vez uma peça baseada num livro infantil de Quintana, o grande poeta Quintana, que também escreveu lindamente para crianças. A Téspis Cia de Teatro de Itajaí pegou o livro “Lili Inventa o Mundo”, do poeta passarinho e construiu um espetáculo para crianças de todas as idades: “Lili Reinventa Quintana”.
Não é uma idéia genial? Não assisti ainda o espetáculo, mas dá coceira a vontade de ver, e não vou deixar passar a oportunidade quando ele for apresentado aqui na capital. Porque acho que virá para cá, já que o grupo está excursionando com o belíssimo trabalho. Estiveram semana passada em Joinville e provavelmente estarão em outras cidades catarinenses.
“O espetáculo insere as crianças no universo mágico da literatura e apresenta a elas o grande poeta brasileiro, Mario Quintana.” O trabalho foi premiado com o Edital Funarte/Petrobras de Fomento ao Teatro. Um dos principais objetivos da companhia teatral é a investigação do trabalho do ator como centro do processo criativo e a pesquisa no campo da animação de bonecos e objetos, mesclando estas linguagens na cena.
O resultado não poderia ser melhor: Quintana de presente para leitores em formação.
“Lili reinventa Quintana” tem um belíssimo cenário, colorido e encantador, pelos objetos de cena, na iluminação e em dois pôsteres laterais que desenham o rosto do poeta com palavras.
É uma peça que precisa ser vista, pois divulga a obra de Quintana e é uma homenagem ao poeta.

domingo, 24 de outubro de 2010

COCÔ DE PASSARINHO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Dia destes falei de barulhos que incomodam a gente. Hoje, verificando uma parede externa da minha casa, recém pintada, lembrei-me daquela crônica. Reclamei de sons acima do permitido que a gente tem que suportar, então me ocorreu falar de sons agradáveis, que a gente ainda tem o privilégio de ouvir.
É que a referida parede estava com uma mancha enorme de cocô de passarinho. À primeira vista, a gente tende a se incomodar, pois a parede estava impecável, a tinta ainda cheirando de fresca, mas cá pra nós, e o benefício que a passarinhada traz para nós, seres humanos estressados que vivem na cidade?
Pensei na cantoria da passarada, o dia inteiro, compensando o som de música nas alturas da vizinhança, barulho de fábrica de um lado, barulho de fábrica do outro, um vizinho berrando na casa ao lado.
É uma beleza acordar com a passarinhada cantando, sentar-me aqui para escrever a minha crônica diária ouvindo a cantoria de bem-te-vis e outros amigos alados dos quais nem sei o nome. Eu até esqueço das buzinadas insistentes da redondeza e outros tantos barulhos.
Então não me aborreço com o cocô dos passarinhos na minha parede, no muro da frente – eles ficam na grade de ferro em cima do muro, pois eu jogo sementes velhas e farelo de pão no jardim que eles vêm comer – pego um pano e vou limpar e passo tinta de novo.
E digo que podem fazer cocô à vontade, contanto que venham cantar na minha calha, no meu jardim, no meu telhado, na minha porta. São bem-vindos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

OBRAS LITERÁRIAS SELECIONADAS PARA O VESTIBULAR

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Aproxima-se o final de ano e com ele os vestibulares. E o Enem, que deverá substituir o vestibular, pois muitas universidades já estão considerando as notas dessa prova para admissão a uma faculdade.
Muita gente se prepara para entrar na universidade, principalmente federal, que não é paga. É estudar, estudar e estudar. Como são muitas as matérias, os livros literários para leitura obrigatória não foram lidos, ainda, pela maioria. E para o vestibular da UFSC, por exemplo, são dez livros. Então é uma corrida atrás de resumos, de resenhas, de adaptações teatrais das obras, de orelhas, de prefácios, etc., para conhecer um pouco de cada uma e assim não perder pontos que podem ser decisivos.
O ideal é ler a obra na íntegra. Não é possível conhecer o estilo, a linguagem do autor e outras características, se não lermos o texto original. Nada substitui a obra completa. Mas já que existem os atalhos, se eles não forem usados como fim, podem ser ótimas dicas para se escolher qual livro ler primeiro, para se adquirir estímulo e poder ler com prazer.
Em Santa Catarina - e sabemos que em outros estados também – alguns grupos de teatro adaptam os livros selecionados para os vestibulares e os levam para o palco, para que os vestibulandos e qualquer outra pessoa que tenha interesse vá conhecer um pouco de cada obra e depois leia o texto integral.
Diria alguém: se apelarmos para as montagens, resumos, etc. para ganhar tempo, como utilizá-los para, a partir deles, ler a obra integral? Mas é assim mesmo que deveria funcionar. Deveríamos ler prefácios, orelhas, resenhas, resumos, ver peças para ter subsídios sobre a obra e seu autor e assim poder entrar de cabeça num livro com mais entusiasmo e paixão. É muito para se esperar de um livro indicado para o vestibular? Nem sempre. Há bons livros selecionados para vários vestibulares, por este Brasil afora.
Mas há também coisas ruins, como País do Carnaval, o primeiro e pior livro de Jorge Amado. Como já disse a minha amiga Urda, um desrespeito para com o amado Jorge, escolher logo o livro que ele mesmo achava o seu pior. E há também os livros colocados na seleção para alavancar vendas. Não sei o critério para a seleção desses livros, mas é importante que se conheça as obras, para que possamos ter uma opinião formada sobre cada uma, nossa própria opinião.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

LITERATURA CATARINENSE DE LUTO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Hoje, pela manhã, foi sepultado o escritor Lauro Junkes, maior divulgador da literatura catarinense das últimas décadas, também professor e presidente da Academia Catarinense de Letras.
Eu o considerava um participante do Grupo Literário A ILHA, pois desde o início do grupo, há trinta anos, ele divulgou as nossas atividades, nossas publicações e publicou textos no Suplemento Literário A ILHA. Inclusive, para provar isso, ele é um dos verbetes do meu livro “A Nova Literatura Catarinense – Escritores Catarinenses e o Grupo Literário A ILHA”, volume com biografia, bibliografia, fortuna crítica e amostra da obra de autores que participam ou participaram do nosso grupo.
Lauro sempre foi um incansável leitor e pesquisador da literatura que se produzia e se produz nesse estado Catarina, além de resgatar a obra de grandes escritores da terra, como Cruz e Sousa, Luiz Delfino e tantos outros.
Santa Catarina perde o porta-voz da sua literatura, o homem que dedicou grande parte de sua vida a apreciar e avaliar os novos escritores catarinenses, revelando novos talentos e valorizando cada nova obra que aparecia.
Ele era a sentinela sempre atenta, tomando conhecimento de tudo o que se escrevia em Santa Catarina, para registrar, publicando sua apreciação para que o público leitor também soubesse das novidades.
É uma lacuna que dificilmente vai ser preenchida. Lauro Junkes era a literatura catarinense personificada. Temos outros divulgadores da literatura catarinense, mas o trabalho como ele o fazia, não se fará mais. Ele não era, simplesmente, um crítico literário: era um apreciador, um incentivador, um motivador da cultura em nosso estado.
Vai fazer muita falta. Os escritores, os alunos, os amigos, o meio literário e cultural catarinense já sentem a sua ausência, já sentem a imensa perda que os acometeu. A saudade que ele deixa é grande e vai ficar muito maior.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ÁRVORES MORTAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Numa crônica anterior, “Ilhas de Sol”, falei da minha preocupação com o ipê com o qual cruzo quase todos os dias, segundo sol da minha rua. Ela estava demorando a florescer, temia até que não florescesse mais.
Pois ele floresceu. Só agora, quase fim de outubro. Eu o vi hoje, e não fiquei feliz com a sua florescência. É que apenas alguns galhos de baixo desabrocharam poucas flores, pequenos raios de sol da minha árvore outrora resplandescente. Percebi que ela está morrendo. Muitos galhos já estão secos, confirmando as minhas piores suspeitas. No próximo ano, não teremos mais o nosso segundo sol brilhando na nossa rua.
Isso me lembra uma outra amiga árvore, da qual eu não sabia o nome, perto do apartamento onde eu morava, em São José. Dava cachos de flores rosadas com amarelo, parecidas com ipê, mas não era ipê. Num belo dia, quando já tinha mudado do apartamento que ficava perto dela, fui visitá-la, pois era época de sua florescência, e não a encontrei. Tinham-na cortado.
Recentemente, no inverno passado, quando a árvore chamada jacatirão (manacá-da-serra) substitui suas folhas por incontáveis flores muito coloridas, vi três dos cinco grandes e belos pés de jacatirões que existem num supermercado aqui perto morrerem. Dois deles já estavam secos e um terceiro floresceu só da metade para cima, pois os galhos de baixo já estavam secos.
Como já disse em outra oportunidade, não devo mais me apaixonar pelas minhas amigas árvores, pois de repente acontece alguma coisa com elas, de repente elas são arrancadas de mim.
Já mencionei isso em outro texto, mas volto a dizê-lo porque um aluno de uma escola que estudou minha obra, ao ler a crônica, achou que eu era meio maluco por me considerar amigo de árvores. Achei engraçado a sinceridade dele e até concordo com ele, talvez seja maluquice.
Mas árvores e flores são natureza, nós também somos filhos da natureza, irmãos gêmeos das árvores. Como não me afeiçoar a elas?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A EVOLUÇÃO DAS BIBLIOTECAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Aqui no Brasil, biblioteca é um lugar onde existem livros, apenas livros ou, no máximo, alguns jornais e revistas. E onde é difícil encontrar títulos atuais, recentes, pois quando é municipal ou estadual ou de escola, nunca há verba para comprar as novidades literárias, os best-sellers da hora. Isso, sem falar que falta bibliotecas por esse Brasilzão afora.
Pois em outros países o conceito de biblioteca evoluiu. A começar pelo cadastro do leitor que quer emprestar livros: não se usa mais fichas, mas aplicativos para celular, SMS e outras tecnologias atuais para controle de fluxo de volumes.
As bibliotecas não perderam a sua função de emprestar livros, mas vêm se adequando à revolução que vem acontecendo no ato de ler. Tanto, que nos Estados Unidos há filas nas bibliotecas para alugar e-readers, os leitores eletrônicos última geração.
Sem contar que a maioria das bibliotecas oferece internet wireless, mais um atrativo para trazer as pessoas para dentro delas.
E mais: seus sites oferecem músicas para os usuários baixarem gratuitamente, o que significa investimento na compra de CDs para compor o acervo.
Oferecem, também redes sociais tipo o Skoob, aqui do Brasil, mas mais detalhadas, com controle de quantas páginas o usuário leu, por exemplo.
A maioria delas tem dezenas, centenas de computadores para uso público, tem cafeteria em suas dependências, tem salas para reuniões e não empresta só o livro impresso em papel: agora empresta também e-books, áudiolivros.
Como vimos, a revolução não chegou só para o jeito como a gente lê livros. Ela chegou também para atualizar o local onde estão reunidos os livros, as bibliotecas, mudando a cara daquele antigo lugar onde só existia livros e onde não se podia dar um pio.
Esperemos que essa revolução chegue logo ao Brasil, pois algumas das inovações aqui citadas existem em pouquíssimas livrarias por aqui.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

AVALIANDO AS PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Como disse em uma crônica recente, recebi de uma amiga brasileira que vive no exterior, uma apreciação de quem está vendo de fora o panorama das publicações literárias e culturais no Brasil. Ela percebe que as revistas e jornais alternativos, publicados por pessoas ou grupos ligados à cultura, mas que não têm nenhum apoio da “cultura oficial”, são na verdade aqueles que dão impulso ao desenvolvimento da literatura brasileira.
Sempre defendemos essa idéia, de que é através das publicações alternativas, de grupos alternativos, que muitos autores de talento são revelados. Houve época em que existiram muito mais páginas culturais e suplementos literários nos grandes jornais, isto é: havia muito mais espaço para a literatura nos meios de comunicação em massa. Além dos jornais, existiram bons programas na televisão, programas de rádio onde se declamavam poemas, etc. O tempo foi passando e as páginas foram sumindo, os suplementos foram rareando e o que perdurou, mesmo, foram as publicações alternativas. Até os jornais culturais das imprensas oficiais dos estados sumiram, mesmo sendo custeados com recursos públicos e publicando normalmente os mesmos autores, quase sempre ligados à “cultura oficial”.
Então aplaudo o trabalho da escritora Teresinka Pereira sobre escritores, poetas, artistas e editores alternativos do Brasil, pois é um reconhecimento que eles merecem, por manter espaços valiosos em prol da divulgação do novo que aparece na arte literária.
Apesar de viver nos Estados Unidos há vários anos, ela mantém contato com grande número de agitadores culturais deste nosso imenso Brasil e sabe o que está acontecendo. E olhar de fora, ter uma vista panorâmica do cenário literário brasileiro estando longe, apenas observando as manifestações culturais, vendo com lucidez e reconhecendo o trabalho desses “heróis na batalha contra a ignorância, a inaptidão e a indiferença da política do governo” é, no mínimo, meritório.
Ela reconhece o valor destes abnegados e faz uma lista das publicações brasileiras existentes, num trabalho completo, dando, inclusive os endereços.
Transcrevo mais um trecho do artigo da escritora, com o que não é preciso dizer mais nada: “Aos leitores de colunas literárias, dos suplementos e das revistas que contém poesia e artigos de literatura, não é necessário lembrar a importância dos mesmos. Embora nos países capitalistas sempre se fale de liberdade de imprensa e de pensamento, o que vemos é sempre o contrário do que dizem. O governo não faz investimentos na literatura porque diz que os escritores sempre pertencem à esquerda radical ou são anarquistas e usam a pena para falar mal dos políticos eleitos. E mesmo que assim não fosse, não há ajuda para publicações literárias.”

domingo, 17 de outubro de 2010

AOS PROFESSORES, VALORIZAÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Eu teria falado dos professores ontem, mas como vocês viram, o sábado ficou sem crônica. Então peço desculpas pela falta e falo hoje do dia dos professores, que já foi anteontem.
Professor é aquela criatura abnegada e dedicada, na maioria das vezes, que estuda muito, fazendo um curso superior como Letras, Pedagogia, História, Geografia, Matemática, Educação Física, etc. e que quer transmitir conhecimento para as novas gerações, contribuir para que a educação seja melhor, apesar de nossos governantes.
Mas a verdade é que os “gestores” da educação neste nosso país, os donos do poder, dão muito pouca importância aos professores que estão nas frentes de trabalho, nas salas de aula tocando a educação como podem, sem motivação e incentivo, com salários bem aquém do que deveriam receber.
Falo, principalmente dos professores do primeiro e segundo graus, que deveriam ser muito bem remunerados, pois estão formando os adultos de amanhã, estão formando os adultos que poderão conduzir, logo adiante, os destinos do Brasil.
O que acontece, no entanto, é a má valorização do profissional, falta de professores nas salas de aula e pessoas não qualificadas, às vezes, à frente dessa importante missão.
Há lugares, neste nosso país, em que professores ganham quase nada para dar aulas à sombra de árvores, com a desculpa de que não existe dinheiro para pagar um salário melhor àqueles que se entregam de corpo e alma à educação, para pagar transporte de alunos para que tenham um lugar adequado para estudar.
A máquina administrativa do Brasil gasta demais, os políticos corruptos drenam o dinheiro público com altos salários, muitas vantagens e roubalheiras, mas para a educação, para a saúde, para a segurança, não há dinheiro.
Esperemos (e mais do que ter esperança deveríamos ter candidatos decentes em quem votar) que os governadores recém eleitos e o novo presidente olhem com mais atenção para esses problemas que só se agravaram no último governo.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ECOLOGIA E INSPIRAÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Há pouco tempo atrás, fomos visitar um parque, na ilha, quase um jardim botânico, com muito verde, árvores dos mais diferentes tipos, com indicação dos nomes, lago com patos, marrecos, peixes, cágados, etc, trilhas para caminhar, etc. etc. Os etcéteras incluem espaços e brinquedos para crianças, razão porque levamos Gabriel, meu sobrinho.
O lugar é lindão, amplo, bem cuidado. Dentre as árvores, não posso deixar de falar de um pé de pau-brasil, que nem eu conhecia pessoalmente. Um tipo de árvore frutífera que tem em todo canto do parque é araçá. São árvores jovens, cheias de flores e quando os frutos começarem a amadurecer, vai ser uma festa. Quero estar lá. Se bem que tenho meus pés de araçá "grande" jardim da minha casa, que produz duas vezes por ano e não cresce muito.
Não tenho uma experiência muito boa com árvores em vasos, pois no começo do verão comprei um pé de jacatirão e plantei em um vaso grande, mas por mais que eu o regasse todo dia, ele acabou morrendo. Penso que o sol foi muito forte, mas tentei de novo e agora tenho dois: um no vaso e um na terra.
Mas voltando ao parque ecológico do Córrego Grande, caminhamos pela trilha, fizemos um pouquinho de tai-chi com o professor oriental que leva para lá, todo domingo de manhã, um grupo de quase cinquenta pessoas para praticar essa arte milenar que mantém saudável nosso corpo e nossa alma e colhemos goiabas – até um coelho comeu goiaba – e gostou.
Gabriel, por sua vez, brincou nos balanços, andou nos brinquedões – aqueles brinquedos enormes de madeira, com escada, escorregador, pontes e mais algumas coisas das quais não lembro, e foi para a beira do lago dar pedacinhos de pão para os peixes, patos, marrecos, gansos, cágados (ele chama de tartarugas), pombos. Hoje não vimos as garças que estão sempre por lá. Todos eles, a não ser os pombos, ficam na água, além do deque que fica na beirada do lago. Mas um pato, esperto, veio pelo lado contrário, por terra, para comer o pão que dávamos para os pombos e que não era tão disputado como aquele que a gente jogava na água. Uma criança correu atrás dele e ele subiu na cerca à beira do deque. Parecia meio indeciso sobre se pulava na água ou não, mas as crianças avançaram para ele e ele voou. Mas, para surpresa nossa, ele não pulou na água. Voou até a outra beirada, uns cinqüenta metros mais ou menos, e nem sequer molhou os pés.
Rimos muito com o pato que não gostava de água e decidi que preciso escrever uma história sobre esse pato singular. Daria um bom livro infantil: o pato que tinha medo de água. Não é interessante como os assuntos para a gente escrever aparecem assim, de repente, sem esperarmos? Não sei se dá para chamar isso de inspiração, mas rendeu a crônica e mais o meu segundo livro infantil. Espero que tenham ficado bons.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O ESCRITOR E O PRIMEIRO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O anseio maior de todo escritor, toda pessoa que escreve é, sem dúvida, publicar a sua obra. Ter um texto publicado num jornal, numa revista, num site na Internet é um ótimo começo, o que não substitui a emoção e a realização de publicar o primeiro livro.
Não é, absolutamente, uma coisa fácil. As editoras não investem, não apostam, não arriscam em autores novos, com raríssimas exceções. É preciso que o autor tenha um nome, seja conhecido e reconhecido, para que uma editora banque a edição de um primeiro livro. Mas como ter um nome que por si só venda livros, se não é dada ao novo escritor a possibilidade de chegar até o público leitor?
Os espaços para a literatura nas revistas e nos jornais são cada vez mais escassos. As publicações alternativas de literatura vão diminuindo a cada ano, devido ao custo de impressão e produção gráfica cada vez mais altos, migrando para a internet, este sim, um espaço extremamente democrático. Mas a internet não substitui e não substituirá jamais o livro impresso, tradicional, como o conhecemos hoje e de longa data.
Então, na grande maioria dos casos, se quisermos ver nosso livro publicado, temos que pagar por isso. E a confecção de um livro tem um preço bastante alto, como já mencionamos. Para a maioria dos escritores novos pagar edição do próprio livro é inviável. Sem contar que, se conseguirmos reunir o montante para pagar e ter o livro impresso, pronto, esbarramos no próximo obstáculo que é a distribuição do mesmo. As livrarias não aceitam os nossos livros em edição própria nem em consignação, pois não temos nota fiscal, eles não tem espaço para colocá-los, etc. E se alguma delas aceitar, o livro fica escondido em algum canto e acaba não vendendo. Teremos que colocá-lo debaixo do braço e sair à rua para oferecê-lo nós mesmo, de porta em porta, de leitor a leitor.
Mesmo assim, a impressão que dá, pelo número de edições próprias que este colunista recebe normalmente, é que se publica uma quantidade razoável de livros às expensas do próprio autor ou com a consecução de patrocínio, um recurso que já foi muito usado no passado, mas que hoje em dia já não é comum.
No que diz respeito à qualidade literária dessas obras, não há exatamente um critério de seleção para publicação: se o autor conseguir os recursos, com certeza concretizará o livro idealizado. Deveria publicá-lo?
O projeto de um possível livro deveria, com certeza, ser submetido à apreciação de vários leitores, inclusive de professores de português, para que se tivesse alguma avaliação ou mesmo opiniões críticas, que seriam aproveitadas como um parâmetro de como a obra poderia ser recebida, seus pontos fortes, pontos nos quais deveria ser melhorada, o que deveria ser refeito, etc.
Aliás, todos nós precisamos fazer isso: ter algum senso crítico quanto a nossa própria obra e saber aceitar as críticas de terceiros com serenidade e humildade, porque por mais ácidas que elas possam ser, podem nos ensinar alguma coisa, podem nos dar algum subsídio para melhorar.
Um escritor, o bom escritor, nunca se julga completo, pronto, maduro o suficiente: há sempre mais para aprender. E é essa busca da perfeição, que o escritor sabe que não alcançará, mas que não pode abandonar, sob pena de estagnar, que o faz crescer.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

DINHEIRO SOBRANDO NO GOVERNO LULA

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Li uma carta num jornal, ontem, de alguém que contestava alegação da Dilma, em um de seus discursos de campanha, à guisa de contar vantagem: o Brasil empresta dinheiro para outros países – o país passou da situação de devedor para credor”.
Seria engraçado se não fosse lamentável. Do jeito que ela fala, parece que está sobrando dinheiro, já que o nosso governo está distribuindo dinheiro. Por que será que a saúde, a educação, a segurança, etc., estão falindo? Não há verba para nada: o salário mínimo não dá pro cidadão sobreviver, o aposentado não tem assistência médica nem salário e ainda tem que pagar remédios. Não há médicos nos hospitais, falta funcionários, pois os estados e municípios não têm dinheiro para pagá-los. Também não há equipamentos, manutenção, nada.
Não há dinheiro para pagar policiais para que haja mais segurança nas nossas cidades: eles têm que fazer bicos, alguns até se bandeiam pro outro lado, que dá mais lucro. Contratar mais contingente, então, nem pensar. Não dá pra aumentar a folha de pagamento do Estado, pois não há dinheiro.
Então porque estão emprestando dinheiro? Isso sem falar no dinheiro público que nossos “políticos” gastam ao bel prazer. Eu disse “gastam”, perceberam? Estou muito magnânimo hoje.
Então a dona Dilma não venha dizer besteira achando que está contando vantagem. Vai ser assim no governo dela, se ela for eleita? Vai continuar a mesma roubalheira, a mesma corrupção de até agora? A resposta ela mesma já deu.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O AURÉLIO ATUALIZADO

Por Luiz Carlos Amorim - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Já está circulando a nova edição do Dicionário Aurélio, talvez o mais importante registro linguístico da língua portuguesa praticada no Brasil, lançado recentemente, na Bienal do Livro de São Paulo.
É a quinta edição do mais tradicional dicionário da língua portuguesa no Brasil e, agora sim, vem totalmente atualizado segundo o Acordo Ortográfico assinado pelos países que tem o português como língua oficial, em vigor por aqui desde o ano passado e adaptado ao VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, quinta edição, publicado pela Academia Brasileira de Letras em 2009.E muitas outras novidades: mais de três mil novas palavras foram incorporadas, vocábulos de diversas áreas do conhecimento humano (informática, biologia, genética, medicina, culinária, botânica, ecologia, economia, educação, moda, astronomia, física, engenharia, química), palavras estrangeiras como “e-book”, “pop-up”, “blue Ray”, “Blue tooth” e outras, que são usadas há bastante tempo no nosso dia a dia mas não constavam de dicionário. Também verbos resultantes de novas tecnologias de comunicação, como “tuitar”, “blogar”, etc.Na versão eletrônica do novo dicionário, uma série de recursos ajudam a aplicar as regras do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, como consulta rápida de que palavras foram modificadas, verificação da ortografia (pode-se digitar conforme a ortografia antiga e o software traz como era antes do Acordo e como é agora), e um Guia Rápido sobre o que mudou na língua portuguesa com o novo Acordo Ortográfico. Além do mais, essa nova edição do Aurélio, que já se fazia mais do que necessária, por dois motivos: é uma homenagem ao centenário do criador do dicionário, Aurélio Buarque de Holanda. E vem nos socorrer com segurança, no que diz respeito às mudanças ortográficas em vigor desde início de 2009.
O meu Aurélio é bem velhinho, tenho a mesma edição a mais de dez anos, só estava esperando que saísse uma atualização com a reforma ortográfica. Ele não é barato, é bom que se diga, mas vale a pena. Para quem escreve, é o companheiro inseparável, assim como também uma boa gramática. Para quem lê também.
Que seja bem-vindo o novo Aurélio.

domingo, 10 de outubro de 2010

VENDA DE VOTOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Passado o primeiro turno das eleições, pipocam as denúncias de venda de votos. Está nos jornais de hoje, de outros dias, na televisão, na internet. Candidato X, candidato Y, etc., pediram voto em troca disso ou em troca daquilo.
Não é permitido, mas acontece. Penalidade neles.
Mas e a candidata do presidente, que teve a campanha quase toda calcada em cima da promessa da continuidade do Bolsa Família? Isso não é comprar votos? Não parece claro que dizer, com quase todas as letras: “volte em mim ou vote na minha candidata, para continuar recebendo o Bolsa Família” ou “Vote em mim ou na minha candidata senão você não receberá mais o Bolsa Família” é comprar votos? Estão oferecendo uma vantagem em troca do voto. Não é um plano de governo que privilegie a melhora da saúde, da educação, da segurança, da justiça. É uma vantagem pecuniária.
É deveras lamentável que tenhamos dois pesos e duas medidas, que os donos do poder não se sujeitem às leis.
Essas eleições deveriam ser uma renovação da nossa “política”, que como está não passa de politicagem, mas na verdade tem se constituído numa grande decepção para o eleitor, para o povo. Quando vamos deixar de votar em candidato ficha suja?

sábado, 9 de outubro de 2010

AS CRIANÇAS E AS FEIRAS DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Já aconteceram algumas bienais do livro pelo Brasil, este ano, como a de São Paulo, a de Minas e outras, além de feiras do livro, em muito maior quantidade. O que se tem visto, segundo a mídia, além do espaço cada vez maior de cada evento e, conseqüentemente, maior oferta de títulos, é o foco direcionado mais e mais para a criança.
A cada grande feira, como a de São Paulo, a do Rio, a de Porto Alegre, podemos constatar que crescem as opções referentes à Literatura Infantil. E a cada final de feira verifica-se que o gênero que mais vende é o da Literatura Infanto-juvenil. Provavelmente porque os livros infantis são mais baratos. Pode ser.
As feiras e bienais do livro realmente tem privilegiado a literatura infantil e infanto-juvenil e é importante que isto aconteça, porque temos de dar prioridade ao leitor em formação. Precisamos oferecer cada vez mais livros para crianças, de todos os tamanhos, cores e formatos, de texturas e até mídias diferentes, avulsos, em pacotes ou pequenas coleções.
E os eventos literários como feiras e bienais têm oferecido quantidade e variedade no gênero infantil e infanto-juvenil, tanto os clássicos como a produção contemporânea, pois temos ótimos autores, além das produções importadas. Há livros de contos e fábulas do tamanho de uma caixa de fita cassete de áudio e há livros gigantes, do tamanho de um jornal. Há livros infantis para todos os gostos e bolsos.
E vendem, vendem muito. Eu, que não tenho mais filhos pequenos, compro livros infantis para dar de presente. Vê-se, nas feiras e bienais, crianças em companhia da família, crianças levadas pelas escolas, até crianças muito pequenas, que provavelmente nem sabem ler ainda, com moedas e notas de um real escolhendo, elas mesmas, o livro que vão comprar. Até meninos de rua fazem-se presentes, contabilizando trocados (esmolas?) para comprar o seu livro – o primeiro, talvez.
Sim, é verdade, os livros infantis vendem também porque são baratos. Mas quando do resultado final das feiras, o valor da venda desses livros é bastante expressivo em relação aos outros gêneros.E se o livro infantil pode ser vendido mais barato, por que os outros não podem? Reconheço que os livros infantis têm menor número de páginas, mas em contrapartida têm muito mais cores – isto significa mais impressões, mais fotolitos, maior custo. E sabemos que, por venderem mais, as tiragens são maiores, o que faz com que o preço da unidade possa ser menor.
Mas vemos, também que outros livros, de literatura clássica e contemporânea, são publicados em grandes tiragens para serem vendidos em bancas de jornais e revistas por preços bem mais convidativos do que aqueles que são cobrados nas livrarias pelas edições “convencionais” das mesmas obras. Isto significa que há alternativas para colocar o livro – não só o infantil – ao alcance de todos os leitores.
Destacamos o quanto as grandes feiras (e por que não as pequenas?) de livros têm nas crianças, esses leitores em potencial, o seu principal alvo, porque é por eles que devemos começar, para que se leia mais neste país: precisamos colocar livros nas mãos das crianças, desde a mais tenra idade, para que elas aprendam a gostar de ler.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O ENEM E O VESTIBULAR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Então, está combinado assim: em novembro temos o Enem de novo. O Exame Nacional de Ensino Médio, que até pouco tempo atrás servia para avaliar as escolas, o ensino do segundo grau, através de testes aplicados aos alunos, evoluiu e atualmente serve para que as faculdades – públicas ou não – o usem como substituto do vestibular.
59 faculdades já fazem isso, usam as notas que os candidatos obtiveram no Enem para ingresso em seus cursos.
O vestibular, como o conhecemos até agora, tende a desaparecer, pois cada vez mais universidades estão adotando as notas do Enem para abrir as portas aos candidatos a estudantes de terceiro grau.
O curioso é que outras coisas vão mudando em razão disso. Os cursinhos pré-vestibulares, por exemplo, mudarão para cursos preparatórios para o Enem, na mesma proporção que as notas do Enem vão sendo utilizadas para ingresso na universidade. É interessante, pois a avaliação das escolas, que era feito até o ano passado pelo resultado do Enem, não poderá mais ser feita, pois daqui para a frente parte dos alunos do segundo grau que se inscreverem no certame farão também “cursinho preparatório”, apesar de estarem estudando na escola regular.
Não vai ser fácil elaborar as provas, pois o Enem é aplicado em todo o Brasil, e o país é imenso, de característica continental, então um exame que seja apropriado a todas as regiões é quase improvável.
Não se sabe, ainda, se a troca de vestibular por Enem será vantajosa ou se será trocar seis por meia dúzia. Só tempo dirá.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O ACORDO ORTOGRÁFICO EM PORTUGAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Uma nota no Diário Catarinense de hoje diz o seguinte: “LUSOFONIA - Nós já estamos nessa há quase dois anos, mas Portugal só agora o colocou em vigor. Está publicado no Diário da República de Portugal, edição do dia 17 de setembro de 2010, o aviso n.º 255/2010 do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). É a normativa do governo luso para a reforma ortográfica, que pode ser implantada até 2015 por lá. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em Lisboa dia 16 de dezembro de 1990 pelos ministros de Cultura e detentores de cargos afins dos então sete países de língua oficial portuguesa.”
Acontece que não é bem esse o teor do Aviso 255/2010, do Diário Oficial de Portugal de 17.09.2010. O que diz lá é que “Por parte de Portugal, o Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi aprovado pela Resolução da Assembleia da República número 35/2008, tendo sido ratificado pelo Decreto do Presidente da República número 52/2008, ambos publicados no Diário da República de 29 de julho de 2008. O depósito do respectivo instrumento de ratificação foi efectuado em 13 de maio de 2009, tendo o referido Acordo entrado em vigor para Portugal nessa data.”
Não consta a data de 2015 no documento. Não sei de onde o colunista tirou a informação, mas quero crer que o Acordo começou a valer em 2009, como no Brasil, mas só será obrigatória a adoção das novas normas da reforma ortográfica a partir de 2015. No Brasil, a propósito, o uso das novas regras do Acordo é obrigatório a partir de 2014. Mas todos estão aplicando as modificações impostas pela reforma.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

FESTIVAL LITERÁRIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Está acontecendo, de hoje a 9 de outubro, o Festival Literário de São José, na praça do Kobrasol, quase ao lado do Colégio Melão. A promoção é da Prefeitura Municipal de São José e a programação é composta de palestras, oficinas, apresentações culturais, lançamento de livros e sessões de autógrafos no Espaço dos Escritores e venda de livros, uma verdadeira feira do livro.
As diversas palestras serão ministradas por várias pessoas ligadas à cultura e à literatura, como Enéas Athanázio, de Balneário Camboriú, Flávio José Cardoso, Maria de Lourdes Krieger, Celestino Sachet, Gabriel Pensador e outros, abordando assuntos como “Redescobrindo Monteiro Lobato”, “Leitura no Convívio Social”, “Lityeratura Infantil no Desenvolvimento da Aprendizagem”, “Produção da Literatura Catarinense”, entre outros assuntos.
Esperemos que o tempo continue bom, pois o Festival Literário é ao ar livre. Hoje, no primeiro dia, tivemos um dia lindo de sol, depois de vários dias de chuva. Tomara que continue assim.
A iniciativa do Festival Literário em São José é oportuna e muito louvável. Mas sentimos a falta de escritores josefenses ou radicados na terra. Penso que o Festival continuará no calendário da cidade e isso será cuidado com mais carinho em próximas edições.
Outro detalhe importante nos eventos promovidos pela Prefeitura de São José, é a falta de divulgação. Fiquei sabendo somente hoje, quando o Festival já começou, por uma notícia no jornal Noticias do Dia de Florianópolis, que tem redação também na cidade.
É preciso divulgar os eventos antes de acontecerem.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

AS PESQUISAS E A INEFICIÊNCIA DO STF

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E a demora do Supremo Tribunal Federal em decidir se a Ficha Limpa vale para esta eleição ainda está em suspenso. Alguns “fichas sujas” (sujíssimas) conseguiram se manter candidatos e até se eleger. A sociedade está esperando que o STF siga os passos do Tribunal Superior Eleitoral, que fez a sua parte e decidiu que a lei da Ficha Limpa valeria nestas eleições. Eles tem que votar e validar ou não a lei de uma vez, para acabar com esta bagunça. Como já disse antes, não dá pra confiar mais nem no trabalho da justiça.
Outra coisa que não dá pra confiar, e não é de hoje, são as pesquisas eleitorais. Tivemos a prova, mais uma vez, nesta eleição. Dilma e Lula estavam certos que sairiam vitoriosos já no primeiro turno, pelas pesquisas que apontavam a candidata do presidente como eleita de cara. Não foi isso que aconteceu.
As últimas pesquisas davam quatorze por cento para Marina. Ela conseguiu vinte por cento. Também não se cogitava, pelas pesquisas, que o governador catarinense fosse eleito já no primeiro turno. E assim por diante.
Nunca confiei nessas pesquisas, até porque nunca fui consultado, nunca respondi a nenhuma delas e não conheço ninguém que tenha sido entrevistado.

domingo, 3 de outubro de 2010

IPÊS E JACATIRÕES: LUZ E CORES


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Hoje fui votar em São Francisco do Sul. Não transferi ainda meu título para Florianópolis, porque decidi não trabalhar mais em eleições. Até os anos 90, sempre fui convocado e então, mesmo morando em Joinville, transferi meu título para Joinville para não me chamarem mais. Mas transfiro de novo para cá ainda este ano, que agora não há mais possibilidade de me chamarem.
Como dizia, fui para São Francisco do Sul, visitei Corupá, Joinville, Jaraguá do Sul. Pois foi em São Francisco que vi um espetáculo único, uma coisa bem pouco comum: um pé de jacatirão de inverno (manacá-da-serra) e um pé de ipê florescidos, os dois, fechados de flores, um do lado do outro. Uma mancha de vermelho, quase lilás, ao lado de uma mancha amarela, um pequeno sol resplandescendo luz. Digo que é incomum, porque não são árvores que florescem ao mesmo tempo. O jacatirão de inverno floresce em julho e a época de florescência do ipê amarelo é julho e agosto. È o descompasso da natureza, em razão de nosso descaso com o meio ambiente. Há também o ipê roxo, cuja época de florir é junho e julho, mas está florescendo agora, pelo menos por aqui.
Então, o fato das duas árvores, tanto o ipê amarelo quanto o Jarcatirão de inverno florescerem em outubro, fora das suas épocas, é fantástico. Foi uma beleza poder ver os dois totalmente coloridos, lado a lado, numa época que já não deveriam ter flor nenhuma. Até porque tem chovido, na última semana, e se houvesse algum ipê florescido, as flores cairiam mais rapidamente, formando um tapete no chão, como se o sol se espalhasse em pétalas. Mas aquele estava lá, firme e forte, com todas as flores.
E no meu passeio pelo norte do Estado não foi só isso que vi. Encontrei muitos pés de ipê roxo florescidos, em todos os caminhos por lá. O que achei curioso é que todas as várias árvores de ipê roxo que vi eram jovens: poucos galhos, caule fino, pouca altura. Em razão disso a quantidade de flores em cada uma delas não era muita, mas isso não lhes diminuía a beleza.
Fiquei me questionando se o fato de a casca do ipê roxo, considerado remédio desde uns bons anos atrás, não fez com que as árvores maiores, de mais idade, viessem a desaparecer, vítimas da sua fama curandeira.
Mesmo que tenha sido isso, elas estão sobrevivendo, pois como disse, muitas árvores jovens estão vivas pelas matas espalhadas pelo norte e nordeste de Santa Catarina.

sábado, 2 de outubro de 2010

JORNAL LITERÁRIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Acabo de receber a edição de outubro do Jornal do Enéas, publicada pelo escritor Enéas Athanázio, em Balneário Camboriú.
O jornal vem recheado de bons textos, como contos, poemas, crônicas, resenhas, sempre uma ótima leitura.
Eu não contei ainda a história do Jornal do Enéas, então peço licença ao Dr. Enéas para dizer como nasceu a publicação.
No final do ano de 2001, tomou posse uma nova diretoria da extinta UBE-SC – União Brasileira de Escritores – Santa Catarina, e o presidente eleito era o Dr. Enéas Athanázio. Eu era o primeiro secretário. Pois o Dr. Enéas pegou a entidade praticamente falida e a reergueu: recadastrou os associados, voltou a cobrar as anuidades para colocar a casa em dia, colocamos o site da UBE-SC no ar e voltamos a publicar o jornal, que fazia muito tempo não dava as caras.
Acontece que, apesar da revitalização da UBE-SC, em 2002, sempre há quem não goste do que está sendo feito. E convenhamos, ouvir reclamação, nas reuniões de diretoria e em outras ocasiões, de quem não faz nada e só quer aparecer às custas do trabalho alheio, não incentiva ninguém.
Então decidimos não nos incomodar mais e entregamos os cargos ao vice-presidente.
Como o jornal da UBE-SC teve algumas edições publicadas, editadas pelo Dr. Enéas, e ele gostou da experiência, resolveu continuar o trabalho, criando o Jornal do Enéas.
E o jornal está aí até hoje, fazendo o maior sucesso, circulando o país inteiro via mala direta.