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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

NOVO TEMPO

Luiz Carlos Amorim

O futuro chegou.
Novo tempo, nova vida,
Esperança renovada.
Sim, eu sei,
Sou viciado
Em esperança,
Essa fé no amanhã
Que me empurra adiante.
Mas se não houver esperança,
O que será do futuro?
Precisamos, urgente,
Nós todos, seres humanos,
Juntar toda esperança
Que podemos cultivar
E fazê-la realidade:
Um mundo mais humano,
Com dignidade e justiça.
Depende de nós.
O ano novo não será feliz
Como que por encanto.
Há que se lutar por isso.
Não somos capazes disso?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

PEDÁGIOS NAS ESTRADAS GAÚCHAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Passei o Natal na Serra Gaúcha, em Nova Petrópolis e acabo de voltar de lá. O Rio Grande do Sul é lindo, sua gente é fantástica, mas a cobrança de pedágio nas estradas gaúchas é um absurdo. Quando vou para o Rio Grande do Sul prefiro ir pela 116, ao invés de pegar a 101, porque o caminho é muito mais bonito e tranquilo. Mas o valor do pedágio é de indignar qualquer um.
De Vacaria até Nova Petrópolis são quatro pedágios de seis reais cada um. Aliás, em Vacaria, existem dois pedágios com apenas vinte quilômetros de intervalo entre eles. É possível isso? Pode não ser, mas está lá, há vários e vários anos. É legal? Provavelmente não, pois a estrada não é nova e não é duplicada. Em alguns pontos, na serra, não tem nem acostamento, porque originalmente foi entalhada na pedra (encosta da serra) apenas o espaço suficiente para as duas pistas de rolamento. O asfalto não é novo, como deveria ser, pelo preço do pedágio que pagamos, pelo contrário, é todo remendado, remendos quase que de boa qualidade, mas remendos.
Mais uma vez, defendo que por seis reais, deveríamos ter uma rodovia de primeiro mundo, um asfalto novo e plano, liso, da melhor qualidade. No entanto, a gente passa pela 116 e outras estradas do Estado, como a RS122, onde o pedágio também é seis reais, e não se vê ninguém trabalhando, fazendo alguma restauração, algum reparo.
Vou todo ano para a serra gaúcha, mais de uma vez, e desta vez decidi mudar para ver se melhorava. Peguei a RS122 – por isso sei que a parte com pedágio cobra o mesmo preço da BR 116 – e a decepção foi maior. O primeiro trecho da RS122, logo que a gente sai da 116, não tem pedágio. E isso fica óbvio de cara, pois os buracos – eu diria crateras - são constantes e enormes. Se a gente cair em num dos imensos buracos que há na estrada, corremos o risco de ter a viagem interrompida. Aliás, é comum ver-se pobres vítimas paradas à beira da estrada com o carro estropiado.
Que governo é esse que não faz manutenção daquela estrada? Há que se exigir o cuidado devido, o povo riograndense merece melhores estradas. Eu já falei em outras oportunidades do valor escorchante do pedágio praticado no estado, sem a contrapartida, que deve ser estradas em perfeitas condições, e também do fato de não ver, em jornais ou na TV, comentários a respeito, reclamações e exigência de providências. Mandei artigo a respeito para vários jornais gaúchos, não sei se algum publicou, mas o fato é que de uns dois anos para cá comecei a ver, na seção de cartas de um outro jornal de Porto Alegre e região alguns leitores tocando no assunto.
Parece que é tabu, o governo do estado não é cobrado, a imprensa não toca muito no assunto, os políticos, então, nem tomam conhecimento, será porque não lhes interessa que diminua a polpuda arrecadação do pedágio milionário?Já imaginaram quanto dinheiro entra por dia em todos os pedágios do estado? E pra onde vai todo esse dinheiro, se não o vemos ser aplicado nas estradas? Fazer remendo, pagar o pessoal que trabalha na cobrança e alguns outros que não se vê trabalhar, cortar o mato da beirada da estrada, com certeza, não consome toda a bolada arrecadada.
Estamos sendo roubados, mais uma vez. Pagamos caro por estradas perfeitas que, na verdade, não são nem metade do que deveriam ser.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

AS FLORES DO NATAL E DO ANO NOVO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com

Uma das coisas lindas que o ano de 2010 nos proporcionou, foi a sua primavera, belíssima, plena de flores, apesar de chuvosa. O que se viu foi um espetáculo grandioso: árvores que florescem em épocas diferentes do ano confrontaram suas flores nessa primavera, em feliz, inusitada e colorida harmonia. O ipê, majestoso, se vestia de amarelo, irradiando luz e beleza, para depois, devagarinho, estender um manto dourado pelos caminhos. Enquanto isso, o inverno conspirava a nosso favor e atrasava um pouquinho, fazendo com que a flor do ipê confraternizasse, maravilhosamente, com a flor da azaléia, manchando de vermelho algumas ilhas de amarelo. E as duas árvores floridas conseguiram se manter vestidas de luz e cor, grávidas do sol, para dar as boas vindas à flor do jacatirão, que chega no final de outubro, começo de novembro.
Foi um encontro memorável. E então chega o verão, trazido pela flor de jacatirão, que traz também o Natal e o Ano Novo.
E assim, não foi só a pele dos turistas que ganharam cor: as matas encostas, as beiradas das estradas se transformaram, com o verde das folhas das árvores de jacatirão sendo trocadas por incontáveis flores que vão do branco ao vermelho, até o início de fevereiro, convivendo, também, com a beleza imponente e flamejante do vermelho vivo dos flamboiãs e com o branco e o vermelho das extremosas. De janeiro em diante, as flores começam a colorir o Paraná, São Paulo e outras regiões do Brasil.
E os turistas que vêm para o verão nos estados do Sul, têm um espetáculo de luz e cor incomparável: as duas margens das estradas derramando flores e cores sobre os passantes. Cidades como Joinville, São Francisco do Sul, Jaraguá do Sul, Corupá e tantas outras são privilegiadas, por terem seus acessos ladeados pelas flores da grande e majestosa árvore, tão pródiga em oferecer essa festa brilhante de vida.
É a natureza, pródiga, a nos presentear com suas obras mais bonitas, apesar de cuidarmos tão pouco dela. Nós, homens, continuamos desmatando, cortando árvores indiscriminadamente. Ainda se cortam pés de jacatirão para se fazer lenha, por serem eles árvores grandes de tronco encorpado. Haverá crime maior do que esse? Queimar a árvore que é um dos arautos da natureza, do Menino que está para nascer, do ano novo que representa renovação, renascimento, um dos maiores representantes da beleza deste mundão de Deus...
Há quem, felizmente, faça o caminho inverso. Planta o jacatirão no jardim de sua casa, onde pode admirá-lo e cuidar dele ao mesmo tempo. Ou então colhe as suas sementes, depois da florada, para espalhá-las nas regiões aonde ele ainda não chegou.
Algumas pessoas sequer enxergam as vibrantes árvores floridas de jacatirão, desde meados da primavera até quase o fim do verão. Não que tenham problemas visuais – elas não dão nenhuma importância ao belíssimo fenômeno da mãe natureza que é a profusão de flores por todos os lados. Já disse antes, mas vale repetir o que Cecília Meirelles escreveu, com maestria e propriedade, em “A Arte de Ser Feliz”: “é preciso olhar e ver”. Às vezes, apenas olhamos, mas não vemos. Se você não viu ainda, olhe para o alto, para os lados, para as matas, para as alamedas, para os morros, para as margens dos caminhos, dos rios, das lagoas e veja: elas estão lá, singelas, humildes, mas majestosas e iluminadas.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

COISAS DE CRIANÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Ontem foi o dia do espetáculo “Coisas de Criança”, da Academia Espaço Arte Saúde. Foi o primeiro espetáculo de encerramento de ano do novo centro de dança e, depois de vê-lo, posso dizer que, pelos números apresentados, pela qualidade das coreografia, pela beleza da dança, não dá pra dizer que é o resultado do primeiro ano de existência da casa.
O espetáculo foi dividido em duas partes e a primeira parte, “Coisas de Crianças” apresentou dez números com os alunos desde a classe baby até adolescentes. E foi muito bonito, deu a conhecer crianças que poderão vir a ser, num futuro próximo, os bailarinos e coreógrafos da cidade. O número de abertura foi “Despertando a Criança Interior”, com bailarinas e bailarino experientes.
A segunda parte, composta de seis coreografias, apresentou os grupos de bailarinos adultos da casa, como os grupos Uma Cia de Dança, Cia. de Dança Cacá Berka, Espaço Arte e Saúde e Cia. de Dança Nando Berto. Foi um espetáculo à parte.
Minha filhota, Daniela Cristina, que é bailarina e coreógrafa, dançou quatro coreografias, pois ela faz parte dos grupos Uma Cia de Dança e Cia de Dança Cacá Berka.
Parabéns a todos os dançarinos, que apresentaram um espetáculo de dança digno de ser assistido.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

APROVAÇÃO AUTOMÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Primeiro foi a mudança na duração do ensino fundamental, que passou de oito para nove anos. O governo, que dita as regras da educação brasileira, incluiu o pré no primeiro grau, com a desculpa de que algumas crianças mais carentes não podiam fazê-lo. A intenção poderia até parecer boa, mas aproveitaram para mudar também a sistemática de alfabetização, que até então tinha sido tão eficiente: pelas novas diretrizes, ensina-se aos pequenos primeiro o “abc” em letra de forma (ou de imprensa) – maiúscula - , depois dá-se sílabas a eles para formarem palavras, mesmo que eles não façam ideia do que significa o amontoado de letras. Eles aprenderão a ler por “repetição”, por insistência na visualização. Nada das famílias de sílabas, que sempre funcionaram tão bem.
E dessa maneira, as crianças têm muito mais dificuldade para aprender a ler e escrever e é comum encontrarmos, atualmente, alunos de segundo e terceiro anos do primeiro grau que não sabem, ainda, formar palavras ou reconhecê-las, nem sabendo escrever com letra cursiva.
Para completar o quadro, o Conselho Nacional de Educação acaba de editar novas regras curriculares para esse mesmo ensino fundamental, já tão combalido: ele “recomenda fortemente” que nenhuma criança seja reprovada a partir de 2011. Ora, se está, comprovadamente, havendo dificuldade na alfabetização por ter havido mudança no sistema de ensino, implantar a aprovação automática vai piorar ainda mais as coisas, e vamos ter mais analfabetos funcionais, pessoas que nem conseguirão chegar à faculdade.
É isso que nossos governantes querem? O ensino, a educação no Brasil estão mesmo condenados à falência, pois ao invés de se investir mais nesse setor, cada vez conseguem deixá-lo pior, sem contar que pagam muito mal os professores e as escolas públicas são mal cuidadas.
Será porque interessa que as pessoas se contentem com o bolsa família e votem nesse governo que aí está? Não é a toa que o mesmo partido continua no poder...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

LIXO QUE VIRA LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Uma matéria sobre lixo trocado por livros, em um jornal de Jaraguá do Sul, chamou-me muito a atenção, recentemente. Trata-se do Projeto Livro Livre, implantado nas escolas de primeiro grau da cidade, e que já foi realizado em Blumenau e Gaspar. Envolve várias entidades, como o Projeto Evoluir, a Secretaria da Educação da Prefeitura de Jaraguá, A WEG e a empresa Edepel Embalagem. O projeto é uma ação educativa no sentido de proporcionar aos estudantes a aquisição de pelo menos um livro por mês, sem nenhum custo para o aluno, para a escola, nem para a prefeitur5a, auxiliando os professores na missão de incutir o gosto pela leitura nos leitores em formação. Para ganhar o livro, a cada mês os alunos deviam levar à escola pelo menos um quilo de lixo reciclável, que seria comprado por uma empresa previamente contratada para a reciclagem.
O livro entregue aos estudantes, por sua vez – e foram entregues, em Jaraguá, cerca de cem mil livros – constituíram quatro coleções, pensadas conforme a idade dos leitores: aos estudantes do 1º ao 3º ano, as publicações continham rimas e poesias; 4º e 5º ano, fábulas; 6º e 7º ano, artes; e para os alunos do 8º e 9º ano, histórias de suspense, amor e aventura .
Três das coleções são da escritora que implantou o projeto em Santa Catarina e a quarta, dirigida aos oitavo e nono anos do ensino fundamental, são de autores diversos, catarinenses, mas das região de Blumenau. Infelizmente não há autores do norte do Estado, pois o projeto já veio pronto para Jaraguá.
O patrocínio da WEG, muito oportuno, pagou a impressão dos cem mil livros que foram entregues aos alunos, publicados pela Editora Todo Livro.
Uma ótima iniciativa para a educação da cidade, que entrega aos estudantes de primeiro grau milhares de livros, incutindo o hábito da leitura, coisa tão difícil de se conseguir, atualmente, pela falta de condições de se comprar livros, até pelas escolas, que têm suas bibliotecas relegadas a segundo plano, pois o Estado e muitos municípios não prevêem a contratação de bibliotecários.
Os estudantes recebem os livros em troca de lixo, que proporciona alguma renda para as Associações de Pais e Mestres das escolas, que usam o dinheiro para melhoria em cada estabelecimento, até na compra de mais livros para as bibliotecas escolares.
Bom negócio para todos: para a editora que edita os livros, que publica grandes edições com destino certo e retorno garantido, pois o patrocínio paga a conta e o Projeto Livro Livre entrega as publicações. Para os estudantes, que têm leitura garantida de vários livros, gratuitamente, apenas com o compromisso ecológico de coletar lixo reciclável e para a escola, que têm alunos que lêem vários livros durante todo o ano.
Sem contar a Secretaria de Educação, que apenas coordena todo o processo.
Que o projeto continue e se multiplique. E que mais autores catarinenses sejam publicados pelas coleções destinadas aos estudantes.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A EDUCAÇÃO DO BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaesia.xpg.com.br

Hoje vi o resultado do Ranking do desempenho dos países na Educação e o Brasil continua em uma das piores posições: ficou na 54ª colocação entre os 65 países que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa.)Isso me lembrou da minha crônica “O sucateamento da Educação”, publicado há poucos semanas aqui no Blog e em vários jornais.
O curioso é que um “Anônimo” leu a crônica no Blog e comentou, com muita falta de educação, diga-se de passagem, xingando-me porque eu estava errado, que a educação no Brasil está ótima e defendendo o Lula e o Ministro da Educação. Pior, entupiu o blog com matérias que precisou dividir em vários comentários e que eu deletei, pois eu não li e os leitores do blog não teriam tempo para ler tanto entulho. E, é claro, o “cidadão” não se identificou.
Por isso voltei ao assunto. Depois de defender tanto a atual educação falida do nosso país, o que será que o tal “Anônimo” achou do resultado da tal avaliação da Educação no nosso país? Será que continua tapando o sol com a peneira?
O fato é que não fico feliz de ter razão quanto a isso, preferia que todos os brasileiros tivessem uma educação decente, que não tivéssemos tantas pessoas que não sabem nem ler nem escrever e que grande parte dos que conseguem apenas se alfabetizar não passassem de analfabetos funcionais que mal conseguem se expressar escrevendo e que não conseguem interpretar um simples recado.
O que é preciso é que nossos governantes invistam parte do muito que pagamos em impostos na educação, para que tenhamos professores mais preparados e com melhor remuneração e que o sistema de ensino não regrida, como tem acontecido, ao invés de melhorar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

PEDRAS PRECIOSAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Hoje tivemos o espetáculo Pedras Preciosas, do qual falei numa crônica anterior. Trata-se de um espetáculo de dança, da academia onde faço aulas, que abrange varias modalidades da arte: dança de salão, balé, jazz, dança do ventre, tudo muito dinâmico e vibrante. E não foi só isso: teve música, com o coral da academia e até declamação de poesia. E poesia de Quintana, além de um texto meu texto “Pedras Preciosas ornamentam Dança de Salão”, publicado aqui no blog dia 28 de novembro.
Pois não é que eu participei do show? Ruim de dança como sou, lá estava eu, no palco, dançando bolero. Não foi aquela perfeição, é claro, mas acho que não estraguei o conjunto. É uma experiência boa e assustadora ao mesmo tempo, pois até tenho um pouquinho de experiência de falar em público, pois sou professor, mas nunca tinha subido num palco para apresentar uma coreografia. A gente não vê nada, fica meio suspenso no ar e a impressão que dá é que todo o tempo de ensaio que tivemos vai se diluir no ar num estalo. Mas acho que foi quase bom.
Valeu a experiência. Valeu e muito, porque isso mostra pra gente que, se a gente quiser, a gente consegue. Não sou mais nenhum rapazinho, estou beirando os sessenta, então é uma vitória ter conseguido essa proeza.
Dançar é muito bom. Ter habilidade e talento para mostrar a dança para o público é outra coisa. Mas valeu a pena.
Aplaudo agora, mais do que antes, todos os bailarinos de qualquer gênero, pois sei o que eles ralam para fazer bonito como fazem. Obrigado à professora Renata Verani, bailarina e coreógrafa e ao Felipe, pela paciência em nos conduzir. Ela e os professores do Ateliê criaram muitas pedras preciosas na casa. Assim como a pedra é lapidada, eles lapidaram os bailarinos e sua dança para apresentar jóias de raro brilho. Só vi, por enquanto, o espetáculo nos ensaios. Vou ver a gravação e sei que vou gostar mais ainda, pois estava muito bonito. Com figurinos, cenários, objetos de cena, o espetáculo tornou-se, de fato, uma pedra preciosa.

sábado, 4 de dezembro de 2010

DANÇA E LITERATURA NA ESCOLA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Ontem à noite fui ver o espetáculo “ContAção”, apresentado pelas turmas de Dança e Música do Colégio Municipal Maria Luiz de Melo, o Melão de São José. Unindo dança e literatura, os alunos e professores do Melão deram um show de arte e beleza, mostrando que nossos estudantes da escola pública, desde o mais novo até aqueles que estão nas últimas séries do ensino fundamental, estão aproveitando as novas disciplinas como a dança e a música, que entraram para o currículo de alguns estabelecimentos, neste caso através do Projeto Dança na EScola.
É impressionante e animador ver o que os competentes professores dessas artes estão extraindo de nossas crianças e é muito promissora a probabilidade de que estejam sendo formados bailarinos que poderão brilhar, no futuro, em festivais de dança como o de Joinville, por exemplo.
As coreografias, muito alegres, coloridas e criativas, dão uma amostra do que essa plêiade de artistas que são nossas crianças poderão realizar mais adiante. O talento que eles têm pode ser desenvolvido ainda mais e é isso que professoras de dança como Daniela Cristina Amorim e Vanessa Francischi estão fazendo. Pelo nome, vocês já perceberam que Daniela é minha filha, mas não é só por isso que estou falando do espetáculo que vi. Gosto de dança e de literatura, e as duas coisas foram reunidas em “ContAção”. E a dedicação com que Daniela batalhou, nesses últimos tempos, para tornar realidade o espetáculo, juntamente com sua colega, valorizou ainda muito mais o seu trabalho. Ela faz pós-graduação de Dança, dá aula de dança em outro colégio, faz parte de dois grupos de Dança na Grande Florianópolis e, mesmo assim, estava às voltas com confecção de figurinos – ela própria botou a mão na massa, pois a vi bordando calças das bailarinas -, impressos, textos, escolha de músicas, criação das coreografias, ensaios, ensaios e ensaios.
E o resultado foi excelente. Foram quinze números, sem contar a declamação de poemas. O projeto Dança na Escola, que as duas professoras, coreógrafas e bailarinas tornam realidade através do seu trabalho dedicado e abnegado, está de parabéns.
Educação de qualidade é isso, a despeito do descaso de nossos governantes com a educação deste país.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

NOVA EDIÇÃO DO SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

É dezembro e o Grupo Literário A ILHA, através da sua revista, o Suplemento Literário a ILHA, que está com a edição de número 115, referente a dezembro, circulando, e através do seu portal na Internet, PROSA, POESIA & CIA., em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br, quer desejar a seus leitores e integrantes um Natal verdadeiro, por inteiro e que o ano de 2011 seja o melhor de nossas vidas.
Essa edição mais recente do Suplemento privilegia, mais uma vez, a data maior que temos para comemorar, o Natal, o nascimento do Menino que vem, todo ano, nos nossos dezembros, para mostrar o caminho por mundo de Deus: contos de Natal, poemas de Natal, crônicas de Natal e mais informação literária e cultural.
Completamos, neste ano de 2010 que ora se finda, trinta anos de atividades. Comemoramos com o lançamento da Coleção Letra Viva, publicando os quatro primeiros volumes de crônicas. Fomos a Joinville, fazer uma noite de autógrafo com os autores dos primeiros quatro volumes e fizemos o lançamento também em Florianópolis. Novos volumes virão e iremos a outras cidades do Estado.
Na revista, matéria sobre o lançamento em Joinville, quando reunimos uma parte dos escritores do Grupo Literário A ILHA, voltando às origens.
Conheça a revista no nosso portal.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

LITERATURA CATARINENSE E UNIVERSAL

Sob o título “Uma questão de disciplina?”, foi publicado em um caderno decultura de um grande jornal aqui de Santa Catarina, há um bom tempo, um estudo de página inteira sobre a inadequação de rotularmos “catarinense” a literaturaproduzida aqui no Estado e da falta que não faz a “disciplina” “LiteraturaCatarinense” no curso de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina.
Depois de ler o referido ensaio, ou artigo, onde o autor pretendeesclarecer muitos “equívocos”, “desconhecimentos”, “irresponsabilidades”,“ingenuidades”, tirei algumas conclusões, mas decidi fazer uma “mesaredonda” com meus amigos escritores/leitores e mandei o texto para váriosdeles, para saber o que pensavam a respeito. Urda, a moça loura dos dedoscheios de poesia, me disse que concorda com o bacharelando. Ela argumentaque a nossa literatura ultrapassa fronteiras e alcança outros estados,outros países, até. Temos livros traduzidos para outras línguas, que sãolidos em várias partes do mundo, então nossa literatura não é restrita aonosso estado. E nesse sentido eu concordo com ela. O que gostaria deacrescentar é que Urda é a mais legítima representante da “LiteraturaCatarinense”, seus romances se ambientam em regiões aqui do estado,retratam costumes, história e a gente daqui e mesmo assim fazem sucesso emdiferentes partes do Brasil e do mundo. É uma literatura catarinense, masao mesmo tempo universal. Frise-se que não estou dizendo que os romances deUrda fazem o sucesso que fazem porque retratam coisas do estado ou porquesão produzidos por alguém daqui, simplesmente. Eles fazem sucesso porquetêm qualidade, porque são produzidos por alguém que tem talento literário.
Já a Fátima de Laguna defende que “existe uma literatura catarinense, sim,que corre mundo via Cruz e Sousa”, existe uma que corre o estado, o Brasile outros países via Urda e Salim e outros bons escritores que aqui vivem.
Eu até concordo com o moço formando em Letras, em parte. Realmente não é ochão que determina a qualidade da produção literária. É o talento e acriatividade do escritor. O que não concordo é com a idéia do estudante deque falar sobre a literatura dos escritores que vivem aqui não énecessário. Eu penso que é necessário, sim, pois quanto mais se falar sobrea literatura produzida aqui, mais ela será conhecida e mais leitores aconhecerão. Um espaço para se falar de literatura não pode ser desprezado.
E a disciplina Literatura Catarinense, que foi tornada opcional no Curso deLetras da UFSC era um ótimo espaço, que estaria lembrando da obra de genteda terra àqueles que seriam os multiplicadores na tarefa de divulgá-la edisseminá-la junto aos novos leitores ou leitores em formação. Se nãofalarmos da literatura de nossos escritores, pelo menos na escola, elacontinuará sendo relegada ao esquecimento.
Outro ponto que me chamou a atenção no texto do estudante do curso deletras é ele dizer que nunca ouviu falar de literatura carioca, literaturapaulista ou mineira. Primeiro, percebi que ele mesmo se contradiz, quandofala em “literatura brasileira”. Como disse uma leitora do texto dele,Vivian Albino, “se as fronteiras entre as literaturas não são territoriais,porque então falar em Literatura Portuguesa ou Inglesa, ou Russa?” Segundo,ele nunca ouviu falar de literatura carioca ou paulista porque a literaturadesses estados – a boa literatura desses estados - é a literatura que édistribuída para todo o Brasil, com status de literatura brasileira,representando a literatura brasileira. Eles são os pólos distribuidores.
Na verdade, é ótimo que alguém inicie uma discussão. E ela está aberta.