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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

NOSSO AMIGO MOACYR SCLIAR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

As letras brasileiras estão de luto: nós, que gostamos de boa leitura, perdemos mais um grande escritor, o gaúcho Moacyr Scliar. Ele faleceu na madrugada de ontem. Eu o conheci em Joinville, há um bom tempo, quando ele foi prestigiar a apresentação da teatralização de um livro seu, selecionado para o vestibular da UFSC e da ACAFE daquele ano, que eu já não lembro qual. Foi nos anos 90, se não me engano. Um cara simples, simpático, gentil, educado, culto. Dava gosto conversar com ele. Era atencioso com seus leitores e admiradores e era fácil fazer amizade com ele. Era carismático e não era só um grande escritor: foi, também, um grande médico, pois sabia tratar bem as pessoas. A trajetória dele como escritor tornou-o um ícone da literatura brasileira. Em 1962, publicou o seu primeiro livro, quando ainda cursava a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: "Histórias de um Médico em Formação". Com grande talento e um incrível poder de observação, nos deixa quase uma centena de livros. Sua obra reflete um extraordinário conhecimento da tradição judaico - cristã. Recebeu inúmeros e merecidos prêmios literários e tem livros publicados na Inglaterra, Russia, República Tcheca, Eslováquia, Suécia, Noruega, França, Alemanha, Israel, Estados Unidos, Holanda , Espanha e Portugal.
Alguns dos seus textos foram adaptados para o cinema e televisão. Em 31 de julho de 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.
Então, não perdemos apenas o escritor talentoso e premiado: perdemos um amigo, do qual sentiremos falta mais do que da sua obra, pois ela está aí para relermos a qualquer tempo, recriando o seu legado.
Vai com Deus, Moacyr. De qualquer maneira, você continuará vivo na sua vasta obra, cada vez que alguém ler algum livro seu.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O SUS, MODELO DE SAÚDE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Ouvi, hoje, na Voz do Brasil, um político qualquer – são quase todos iguais, mas eu deveria ter anotado o nome – dizendo que “O SUS – Serviço Único de Saúde, é um dos melhores do mundo, modelo, inclusive, para outros países”. Ele diz isso porque como ganha muito do rico dinheiro que pagamos de impostos, os mais caros do mundo. Isso sem contar que, além dos “salários” milionários, incontáveis “vantagens”, ainda se apropriam indebitamente do dinheiro público.
Eles, os políticos, dizem isso porque não precisam entrar nas filas do SUS como a maioria dos brasileiros, pobres mortais abandonados à própria sorte, senão veria o caos que é. Pessoas que esperam meses para serem atendidas e quando chega, finalmente o dia marcado, simplesmente recebem a notícia de que sua consulta foi transferida para mais adiante, para mais um tanto enorme de espera, sem nenhuma explicação. Gente que fica horas nas filas de hospitais e postos de atendimento e voltam para casa sem serem atendidos. Pessoas que até morrem nas filas, à espera de atendimento.
Naturalmente, “políticos” como Lula e companhia limitada alardeiam lá fora que o sistema de saúde do Brasil é perfeito, funciona às mil maravilhas, etc, etc. É que tais políticos têm um plano de saúde milionário, pago com o nosso rico dinheirinho, e não têm a menor dificuldade para fazer qualquer exame ou tratamento. Nós, os trabalhadores, pagamos para eles.
Então ficam arrotando por aí que o SUS é ótimo, quando na verdade a saúde no Brasil está falida há muito tempo. Deveriam ter que fazer uso da “saúde” pública, como muitos brasileiros, para ver o que é morrer sem atendimento, sem um sistema de saúde decente, funcional.
Será que, com o novo governo, veremos quadros como este mudando? Será que teremos mais atenção e mais investimento na saúde, na educação, na segurança? Ainda é tempo, senhora presidenta. É preciso fazer alguma coisa, é preciso agir com urgência.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

DANÇA E LITERATURA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Dança é tudo de bom, faz bem para o corpo, para a alma, para o coração. Já disse isso outras vezes e constato que, além de ter tudo a ver com a música, a dança também anda lado a lado com a literatura. Quando fazíamos o Varal da Poesia – que depois transformou-se em Projeto Poesia no Shopping - e o Recital de Poemas, em Joinville, nossa participação no Festival de Dança era tradicional: fazíamos seleções de poemas sobre bailarinos e suas performances e íamos para a praça, ao pé de um palco e lá ficávamos durante toda a duração do evento. Além de colocarmos edições do Projeto Poesia na Rua em vários locais da cidade, com poema sobre dança.
Mas o que me levou a escrever essa crônica, hoje, foi a edição deste mês do jornal Ateliê News, da Academia Ataliê da Dança, da qual sou aluno. Fazemos aulas de dança de salão, dança gaúcha e tango, além de outros ritmos que tem cursos de duração definida. O jornal traz uma crônica minha, extraída aqui do blog, e quero agradecer ao Ricardo e à Renata, por abrir esse espaço para divulgar a obra da gente. A crônica é “O Verão, o tempo e nós” e nela nem falo de dança, mas eles gostaram e publicaram e fico lisonjeado com a deferência.
Eu já tinha, a pedido deles, escrito um texto para o espetáculo “Pedras Preciosas”, de final de ano. É muito bom ver que pessoas como os dirigentes da Academia Ateliê da Dança promovam a integração de artes como a dança e a literatura, que parecem tão distantes, mas na verdade são bastante afins.
Dança é vida. Literatura é o registro da vida.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

UM CERTO PÉ DE CAMBUCÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Na minha crônica Meu Encontro com a Infância, não falei do enorme e único pé de cambucá que conheci quando menino e que povoou toda a minha vida. Nunca esqueci dele. E nunca vi outra árvore como aquela, no decorrer de todos esses anos.

Me reporto à outra crônica, quando inicio esta, porque menciono naquela o bilboquê, que funcionou como uma máquina do tempo, tanto tempo fazia que não brincava com ele e de repente descobri que ainda sabia jogar, que ainda podia brincar de ser menino.

E o pé de cambucá é um marco na minha infância, pois sempre esperei encontrar uma outra árvore com aquela fruta de sabor único, de textura única, que se parece um pouco com pêssego, mas é só um pouco e na aparência. E nunca encontrei, parece que os cambucazeiros se escondem de mim ou pior - será que eles não existem mais, por aqui?

Outra coisa que me fez lembrar do cambucazeiro foi o livro "Minha Aldeia", da minha amiga Norma Bruno. Descobri, lendo o livro, que a árvore favorita dela é o caquizeiro. Meu vizinho tem um caquizeiro e daqui onde estou escrevendo essa crônica, posso vê-lo: ele está verdinho, verdinho, cheio de folhas e logo estará colorido, iluminado, dourado, carregado de frutos. E agora, quando o vejo, lembro de Norma, essa cronista brilhante das coisas da nossa ilha, que ao mesmo tempo que usa o falar do ilhéu, nativo, tem uma elegância ímpar no escrever.

Eu nunca esqueci aquela árvore majestosa, enorme cambucazeiro com uns dez metros de altura. Ela ficava na casa de um vizinho e nós íamos lá, quando era época de colher os frutos, pedir para subir e comer alguns. E os vizinhos deixavam e a gente subia e subia naquela árvore gigantesca e apanhava os frutos amarelos e duros por fora, mas suculentos por dentro, com uma semente dura e lisa, parecida com a semente de abacate, mas menor, talvez do tamanho de uma semente de pêssego. O tamanho da fruta também regulava com o tamanho de um pêssego grande, só que era redonda. A polpa não tinha separação da casca, então a gente abria a fruta com os dentes, tirava a semente e comia a parte macia até chegar na parte mais resistente que era a casca.

O pé de Cambucá deve ser parente da jabuticabeira, pois as flores e os frutos dão direto no tronco e nos galhos, e o sabor é até um pouquinho parecido, mas é característico porque é agridoce, ácido, incomparável.

Queria voltar a subir num pé de cambucá, e me lembrei dele agora porque é fevereiro e os frutos estão maduros para se colher. Alguns amigos meus, que sabem dessa minha nostalgia, já me comunicaram que têm em suas casas um pé de cambucá: Else, de Joinville, Flávio Cardozo, daqui de Floripa, que até me deu alguns frutos dos quais plantei a semente para ter o meu próprio pé de cambucá.

Minha terra, tinha dessas coisas: um pé de cambucá grandioso, dois pés de nozes maiores ainda, tão grandes que se podia ver de qualquer ponto da cidade. E tem as dezenas de cachoeiras belíssimas. Essa terra é Corupá, o vale das águas e do verde, no pé da Serra do Mar.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

VARAL DO BRASIL EM LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A revista literária Varal do Brasil não é uma revista brasileira. Ela é publicada na Suiça, por uma brasileira lá radicada, Jacqueline Aisenman. E a literatura publicada na revista é de escritores brasileiros, como o nome indica. Como ela mesma diz, Varal do Brasil é uma revista de literatura sem frescuras, é um espaço para aqueles que escrevem e leem.
Já é popular no Brasil, muitos novos escritores (ou não) encontraram espaço para a sua produção lá e assim mais e mais autores vão se unindo a esse grupo liderado por Jacqueline.
A revista é virtual – o site para acessar é www.varaldobrasil.ch -, mas uma antologia impressa está sendo editada e será lançada aqui no Brasil, em Florianópolis, no dia 13 de maio, 19h30m na Livraria Catarinense no Shopping Beira-Mar.
Vários autores de Santa Catarina estão presentes no livro e será uma bela festa literária de confraternização e de divulgação do trabalho realizado no Varal do Brasil.
Estaremos lá, como autor convidado da antologia.Fátima de Laguna, uma das artífices da coletânea também. O Grupo Literário A ILHA e o Grupo de Escritores Lagunenses Carrossel das Letras apóia essa iniciativa em prol da literatura catarinense e brasileira.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

NO SUL DA AMÉRICA DO SUL


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://luizcarlosamorim.blogspot.com/

Hoje estivemos em Punta Del Este, no Uruguai. Uma cidade praiana, do tipo de Balneário Camboriu, mas mas mais voltada para o comércio, pois há muito fluxo de turistas por aqui, principalmente no verão, é claro. Mas não é só isso. Aqui estão as casas dos milionários de várias partes do mundo e o lugar dá a impressão de encaminhar-se para algo como os emirados árabes. Os preços não são muito menores do que no Brasil, mas a gente acaba comprando uma coisinha aqui, outra ali. As praias são bonitas e movimentadas, o metro quadrado para negociar um imóvel lé uma fortuna. A água é fria e há muito vento. Ah, e o sol estava de rachar.
Ontem e ante-ontem andamos por toda Buenos Aires. No primeiro dia, segunda, fizemos um tour e rodamos a cidade toda, para saber o que faríamos no dia seguinte. Demos uma olhadinha na Rua Florida, depois corremos a cidade, mas deixamos para fazer compras ontem. Passamos em El Caminito e até dançamos tango. É muito legal. Compramos disco de tango, para ajudar nas aulas do ritmo.
Na terça, visitamos o Jardim Japonês, belíssimo e enorme e o zoológico de Buenos
Aires. Ele é muito grande e tem de tudo. Um urso branco (polar), imenso, é uma das atrações e deu show para nós. Os animais estão muito bem instalados e há muito espaço para cada um deles. O aquário é muito interessante. Os leões marinhos dão um espetáculo. Tem tigre branco, onça pintada, uma grande variedade de aimais. Passamos quase a manhã toda lá.
À tarde, voltamos para a praça San Martin e pegamos a Rua Florida para fazer compras. A rua é enorme e tem de tudo. Eu esqueci de levar os modelos das baterias dos notebooks, meu e da minha filha, acabei não comprando.
As livrarias da cidade me encantaram. Em cada esquina há uma. E a gente vê as pessoas lendo seus livros nas praças, sentados nos bancos, deitados nos gramados dos diversos parques, em todos os lugares.
A cidade e muito bonita, uma metrópole bem cuidada. O que chama mais atenção é a quantidade de verde. Há muitos, muitos e muitos parques por toda Buenos Aires. A arborização é uma coisa muito presente e os parques são imensos e contam com manutenção constante. Não é à toa que a cidade se chama "Buenos Aires". Em contraste ao verde, há muitas torres de vidro. Muito vidro.
Dois detalhes negativos: primeiro, há muitas daquelas pessoas que levam cachorros para passear e não recolhem o cocô dos bichos. A gente precisa cuidar quando anda, pois pode pisar em cocô. E eles levam muitos cães de uma vez.
Outro detalhe e o atendimento nas lojas: algumas vezes, os atendentes são muito frios.
Mas no cômputo geral, foi muito bom conhecer a Argentina. É um lugar muito bonito e interessante. Além de curtir o tango, que já conhecíamos, conhecemos a cúmbia. É um ritmo muito vibrante. Vale a pena conhecer.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

DE FÉRIAS E DE PREGUIÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Já faz três dias que não posto nada, apesar do blog chamar-se Crônica do Dia. É que estou indo para a Argentina e coloquei-me em total recesso: acordo tarde, faço o café da manhã, depois vejo o que tem de atividade: uma aula de dança – tipo de tango -, um curso disso ou daquilo, piscina – tem feito um sol torrante e já na costa do Uruguai, com bastante vento frio, almoço, mais atividades pelo navio, mais piscina, mais jacuzzi, mais um pouquinho disso e um pouquinho daquilo. Então a gente toma um bom banho, veste uma roupinha de gente grande, vai dançar, depois vai ao teatro e depois jantar, num dos restaurantes a la carte. Em seguida a gente dança mais um pouco, que há diversos salões com dança de salão, com música para ouvir, discoteca para os mais jovens. De madrugada a gente pega o berço.
Amanhã descemos na Argentia, então bateremos perna o dia inteiro e só voltamos a bordo à tarde, para uma piscina, depois começamos a maratona da noite tudo de novo.
De maneira que nem a internet eu acessei nestes últimos dias, depois que embarcamos em Santos.
Amanhã ou depois de amanhã, conto como foi a visita à Argentina. Passaremos também pelo Uruguai.
Não ter que fazer nada, ficar à toa na vida de vez em quando é muito bom.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

JACATIRÃO PELO BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Viajando para Santos, neste fevereiro quente e chuvoso, fico extasiado com o espetáculo descortinado diante de meus olhos ávidos de cor e luz. Falo muito do jacatirão nativo que vejo explodir em flores no fim da primavera e no verão, aqui em Santa Catarina e no Paraná, onde os vejo sempre.

Sabia que eles existiam pelo Brasil afora, mas agora sou testemunha: eles são belíssimos e em grande quantidade nas matas cortadas pelas rodovias do norte do Paraná e principalmente em São Paulo. Depois de Registro e até perto de Santos o quadro é de uma beleza grandiosa: o jacatirão domina a paisagem, enchendo a mata verde de manchas vermelhas.

Considerava-me privilegiado em ter a profusão de flores de jacatirão no verão, no norte e nordeste da nossa Santa e bela Catarina, mas fico feliz de saber que o privilégio não é só nosso, que os paulistas também são abençoados pela Mãe Natureza com essas árvores generosas e majestosas.

Há, também, flamboiãs vermelhíssimos, em Búzios e em Salvador, além de algumas primaveras enormes e muito floridas, mas nada que se comparasse aos jacatirões, que espalham suas incontáveis flores pelas florestas que se espraiam pelos lados das rodovias paulistas, paranaenses, catarinenses. E, quiçá, de tantos outros estados.

Impossível não vê-los e não admirá-los, árvores singelas e majestosas ao mesmo tempo, a balançarem seus galhos pejados de flores que vão do branco ao vermelho, algumas pendendo para o lilás.

Elas estão lá, no nosso caminho, mostrando que Mãe Natureza ainda nos ama, a nós, seres humanos, que desdenhamos tanto dela, que a menosprezamos tanto. Mas é preciso, repito mais uma vez, olhar e ver. Algumas coisas belas estão sempre ao alcance dos nossos olhos, sempre no nosso caminho e, de tão presentes, acabamos não vendo. Olhamos e não vemos. Temos de olhar e ver, para atribuir-lhes o devido valor e preservá-las, pois do contrário podem não estar mais lá amanhã.

Então, irmãos de todos os lugares, verão é tempo de jacatirão, de flamboiã, de primaveras floridas. Não deixem de vê-los. São espetáculos gratuitos e enchem os olhos e o coração.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O LIVRO CATARINENSE NAS LIVRARIAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Li, hoje, sobre a polêmica a respeito dos livros de autores catarinenses nas livrarias. Até algum tempo atrás, quando as livrarias não eram informatizadas, a gente procurava livro de autor local – era necessário saber exatamente o que se queria – e o atendente ia procurar o livro lá atrás da loja, no depósito. Os livros não estavam, quase sempre, junto com os outros nas prateleiras.
Hoje com os sistemas apropriados e interligados, com uma consulta rápida sabe-se se o livro que queremos existe no estoque ou não. Se não soubermos o que queremos, se estivermos escolhendo o que comprar, nem sempre acharemos nas prateleiras os livros de autores da terra. Algumas livrarias têm, em algum lugar da loja, uma estante exclusiva com autores catarinenses. Mas isso, ao invés de privilegiar o escritor regional, acaba prejudicando, pois o leitor parece não dar muita importância ao que é produzido aqui. Assim como também se percebe que o leitor também parece preferir os sucessos literários importados, comprando menos a literatura brasileira, apesar de termos grandes autores.
De maneira que o ideal seria colocar os livros de autores da terra junto com todos os outros, para que os leitores possam vê-los e avaliá-los, igual a todas as obras que estão à venda. Mas as opiniões se dividem. Alguns acham que uma estante só com os autores catarinenses facilitaria a venda, outros acham que isso acentua o preconceito contra o livro produzido aqui.
A verdade é que santo de casa não faz milagre. Há autores catarinenses que vendem mais fora daqui do que aqui no Estado. E não é questão de bairrismo, é questão de divulgação do escritor que publica aqui e a oferta da sua obra em igualdade de condições com outros títulos nas livrarias.
É esperar muito, claro, que as livrarias abram espaço entre os Best-sellers estrangeiros e nacionais para colocar à vista do leitor livros de autores que vivem ou estão radicados aqui na nossa Santa e bela Catarina, que não publicam por grandes editoras, mesmo que já tenham um certo nome e já tenham vendido obras anteriores em lançamentos e no corpo a corpo.
O caminho, então, é cuidar do conteúdo e da apresentação da obra, se não conseguir publicar por uma grande editora, tentar divulgar de todas as maneiras disponíveis, colocar nas livrarias e tentar deixar o livro à vista do leitor, ir às escolas apresentar o seu trabalho aos leitores em formação e promover lançamentos dos livros em todos os locais que possibilitem que isso seja feito. Se o autor tiver talento, o livro aparece.
Porque a questão não é se o livro foi escrito por catarinense, paulista ou paranaense. A questão é a qualidade do texto, a divulgação da obra e fazer chegar o livro até o leitor, despertar a sua curiosidade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

BIBLIOTECAS VIRTUAIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

Hoje, fazendo um expurgo na minha biblioteca, escolhendo livros que eu tinha em duplicata, livros meus que não foram vendidos porque tinham uma manchinha ou algum defeito pequeno de confecção e outros que eu já li e não vou ler de novo, para doar ao projeto Floripa Letrada, que os disponibiliza aos usuários do transporte coletivo, lembrei-me de uma matéria que vi na televisão, recentemente, sobre bibliotecas virtuais.
É claro que as bibliotecas como as conhecemos hoje não vão acabar, as bibliotecas virtuais não vão substituí-las, mas já são realidade. E é claro que, apesar das novidades tecnológicas como os leitores e livros eletrônicos tipo I-pad, Kindle e tantos outros, o livro de papel impresso continuará existindo por muito e muito tempo.
Mas as bibliotecas digitais estão aí, oferecendo livros para quem tem e-readers ou quiser lê-los na tela do computador, etc. A biblioteca da USP e a Biblioteca Nacional Digital, por exemplo, estão com grande parte de seu acervo digitalizados. Outras bibliotecas de grandes universidades também estão digitalizando seus acervos. A Escola Dante Aliguieri, de São Paulo, tem mais de sessenta mil livros já em versão digital.
A Biblioteca Mundial da Unesco, que abriga obras do mundo inteiro, também oferece seu acervo digitalizado e disponível.
Então a tendência para um futuro próximo é termos tudo o que já foi publicado transportado para a versão virtual e o que está sendo publicado e que será publicado, sair com a versão tradicional impressa e outra digital.
Já temos lojas de livros digitais, como a Amazon, no Brasil. As editoras estão vendendo também, via internet, seus livros digitais. Aliás, as grandes editoras já se organizaram e criaram uma Distribuidora de Livros Digitais. Os escritores, mesmo os alternativos, que fazem suas edições próprias, estão fazendo também uma edição digital quando publicam seus livros.
Então podemos aproveitar as grandes bibliotecas digitais que nos oferecem grandes acervos em versão virtual, quase sempre gratuitamente, pois muita coisa não tem mais direito autoral.
Se não tivermos o Kindle, um bom leitor de livros eletrônicos, pois não emite brilho, podemos ler os livros digitais na tela de nossos computadores, embora nossos olhos não tenham sido feitos para enfrentar o brilho intenso e a radiação por muito tempo. Mas não precisamos ler tudo de uma vez, podemos ler pequenos ou médios trechos de cada vez.
E aproveitar, de um jeito ou de outro, a imensa gama de títulos que nos são oferecidos por lojas e bibliotecas virtuais.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O VERÃO, O TEMPO E NÓS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Começa mais um dia de sol, ainda que quente e com algumas nuvens rondando o horizonte, garantindo a chuva do final do dia. Promete ser quente como quase todos desse verão, calor exagerado e cada vez aumentando mais. Tão quente que eu às vezes não consigo dormir, mesmo com ventiladores ou ar condicionado. Os reflexos do descaso de nós, seres humanos, para com a natureza, já se torna palpável, com o aumento da temperatura e suas consequências, como tempestades, tornados, enchentes, secas. Não cuidamos do nosso meio-ambiente e estamos pagando por isso. E a conta seja bem cara: além dos enormes prejuízos materiais, como a destruição de cidades, muitas vidas estão sendo perdidas.

Então começo a escrever essa crônica, para refletir sobre os resultados da falta de cuidado com o nosso planeta e tentar provocar atitudes que minimizem as consequências daqui pra frente. Já seria um passo muito importante cuidarmos da água, economizando-a, não jogarmos lixo e esgoto nos rios, pararmos de assassiná-los, que eles são vida, são a nossa vida. Mas há mais, há muita poluição que deveríamos repensar para diminuir, para que a nossa camada de ozônio não suma de vez, para que as calotas de gelo parem de derreter e não causem mais desequilíbrios no tempo e tragédias pelo mundo afora. Precisamos parar de ocupar áreas de risco e o poder público precisa fazer a sua parte, impedindo que se construa em solo que pode ser alcançado pela água da chuva ou que pode deslizar.

Dá pra dormir pensando nisso? E a culpa não é do calor, da chuva, da natureza, mas do que o causou. Pois é, apesar do sol brilhante em quase todos os dias de verão, o futuro não me parece tão promissor. Precisamos começar a fazer alguma coisa, começar de algum ponto, como separar o lixo reciclável, em nossas casas, por exemplo, diminuindo o volume dele nas cidades, que polui e ocupa áreas imensas. Usando a água com parcimônia, com racionalidade, para que ela não falte. Não jogando lixo em qualquer lugar, que ele entope os esgotos e causa enchentes, que por sua vez faz com pessoas percam tudo, até a vida, às vezes. São coisas simples, mas que dão resultado, são o começo da redenção. Não é tudo, mas há que se começar, para podermos cobrar de nossos representantes no poder, que façam a sua parte e realizem ações maiores, como impedir que grandes empresas lancem seus resíduos, seu lixo, quase sempre tóxico, nos rios, no mar e em locais perto das nossas casas, e não autorizar a ocupação de áreas de risco ou de preservação.

Apesar de tudo, do tempo desenfreado por culpa de nosso pouco caso com Mãe Natureza, ainda vivemos em um lugar abençoado.

Até quando?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

JORNALISMO DE PRIMEIRA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Primeiro foi uma coluna no jornal “Folha de Corupá”, semanal, que é de propriedade do próprio colunista, o senhor Rodrigo Vilar Venturi Vieira, que eu nem conheço. No texto que ele intitulou “Luz de Vela”, usa de cansativa verborragia, apelando inclusive para a citação de escolas literárias, para me xingar porque numa de minhas crônicas eu defendia a não construção de uma pequena hidrelétrica em Corupá. Eu, particularmente, aceito que ele seja a favor da PCH. Não é por isso, absolutamente, que vou me arvorar de dono da verdade para julgá-lo e condená-lo. Ele poderia, simplesmente, colocar a sua discordância em tom elegante e educado, como faria qualquer cristão civilizado, mas preferiu a ofensa e a falta de respeito.
Decidi não dar importância, apesar de tudo, e a única resposta que dei, foi essa, numa crônica no Jornal A Notícia, em seu suplemento AN Jaraguá: Não se dá importância ao que não tem.
Mas uma ou duas semanas depois, lá volta o nosso distinto “jornalista” a me atacar, na sua coluna do seu próprio jornal. Claro, porque que outro jornal publicaria semelhante arrazoado?
Pegou um trecho da coluna, que ele não entendeu, e dá-lhe verborragia, dá-lhe insistente tentativa de demonstrar cultura diminuindo o trabalho dos outros. Sei que não sou o primeiro que ele escolhe como vítima e não estou disposto a continuar sendo o assunto de tão lido “pensador”. Que tal fazer jornalismo de verdade? Há cursos por correspondência.
Entre tantos “equívocos” do grande jornalista, dois deles que esclareço: não moro em Joinville, moro em Florianópolis. E minhas crônicas não são publicadas apenas no Jornal O Correio do Povo e no Jornal A Notícia. Publico, também, regularmente, nos jornais Notícias do Dia, de Fpolis, Jornal da Manhã, de Ponta Grossa, São José em Foco, Roraima em Foco, A Notícia do Vale, O Norte de Minas, Jornal União, de Londrina, Diário de Cuiabá, Diário de Pernambuco, Correio Bragantino, do Pará, Tribuna News, de Campo Grande, Diário da Manhã, de Goiânia, Repórter Diário, de São Paulo, Diarinho, de Itajaí, A Tribuna, de Criciuma, Diário do Iguaçu, de Chapecó, Notisul, de Tubarão, O Riosulense, Correio Lageano, O Barriga Verde, Folha do Espírito Santo, Estadão, Conexão Tocantins, O Jornal, de Alagoas, Jornal Feira Hoje, da Bahia, Jornal Grande Bahia, Gazeta de Aracaju, Correio Popular, de Rondônia, Jornal Mato Grosso Norte, O Estado Acre, Jornal Evolução, de São Bento do Sul, Jornal Bom Dia SC, Jornal Classivale de Ipatinga, Correio do Vale, de Gaspar, Diário da Serra, de Mato Grosso, Diário de Franca, Jornal Cidade de Bauru, Jornal de Uberaba, O Liberal, de Cabo Verde, Diário de Notícias, de Lisboa, O Dia, Rio e outros.
Em tempo: “Progresso desnecessário” é tudo aquilo que aparece para facilitar a vida de alguns e dar lucro para poucos, mas destrói a vida do ser humano e o meio ambiente. Coisa que quase não acontece, não é mesmo?
E sou corupaense, com orgulho, a despeito de "jornalistas" como o "famoso" colunista.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O TRANSPORTE COLETIVO E O DINHEIRO PÚBLICO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Ano novo, tarifa nova do transporte coletivo de Floripa. A questão já foi lançada: vai aumentar a passagem de ônibus. Sem nem considerar que o último reajuste já chegava a um patamar muito alto, volto a lembrar que as tarifas cobradas pelo transporte urbano na capital catarina são as mais caras do país, levando em conta o tamanho do percurso total de cada linha e outros detalhes mais. Há linhas em que o trajeto não chega a cinco quilômetros, como o Corredor Continente, antigo Jardim Atlântico, que custa R$ 2,95 – deve ir para RS 3,10, conforme notícias veiculadas no meio da semana.
E, seria irônico se não fosse vergonhoso, a capital catarinense é o único lugar onde as empresas de ônibus ganham um “subsídio” de um milhão de reais mensais – a última vez que a imprensa divulgou o valor era esse, agora talvez já seja mais. Isso mesmo, as empresas ganham, de mão beijada, um bônus, um trocado de um milhão de reais.
E que dinheiro é esse? É o imposto que pagam os mesmos cidadãos que usam o transporte urbano que custa tão caro. Quer dizer, pagam duas vezes, porque além do preço da passagem, o dinheiro dos impostos, que também não são baratos e são tantos, que deveria ser usado em obras de melhoria na cidade, vai para as empresas de ônibus.
Se tivéssemos bons ônibus, em quantidade ideal, em horários suficientes, tudo bem. Mas na última vez que as passagens subiram, suprimiram linhas, diminuíram horários e pioraram ainda mais o que já não estava bom. Os usuários das linhas suprimidas tiveram que passar a usar outras linhas, aumentando ainda mais a lotação dos ônibus que circulam nos horários de pico.
Os horários dificilmente são cumpridos. Há linhas nas quais o ônibus deve passar de vinte em vinte minutos, mas a gente fica esperando por ele durante meia hora.
E o poder público ainda fala que o povo deveria usar ônibus e deixar o carro em casa, para melhorar a mobilidade na cidade. Quem fiscaliza esse estado de coisas?
Como disse o colunista Carlos Damião, “é preciso tratar o transporte coletivo como questão pública, não como negócio privado.”
E para isso precisamos de uma administração pública eficiente, que faça o que a cidade precisa e não o que dá lucro para uns e outros.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

VERÃO E JACATIRÃO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Neste verão, só vi o jacatirão nativo florescido no nordeste de Santa Catarina no início da florescência. Quando voltei lá no final de janeiro, ele já havia acabado, agora só vou vê-lo em São Paulo, quando for para Santos, na semana que vem.
É um privilégio poder ver o mar para praticamente qualquer lado que se olhe, aqui em Florianópolis, mas meus olhos míopes se revitalizam, se iluminam com a visão de matas mesclando o verde com o vermelho, com o arvoredo todo pintado de cores que vão desde o branco até o roxo.

Tenho uma relação de amor e dor com o jacatirão. Quando perdi minha primeira filha, há bastante tempo, fazia poucos anos que eu tinha descoberto essa árvore grande e generosa, que se cobre de flores no final da primavera e fica esbanjando beleza até o final do verão, e me tornado admirador e divulgador dela. Então, quando estávamos indo sepultar minha menina, um raio de luz e cor conseguiu atravessar a névoa de dor que encobria meus olhos e eu vi as primeiras flores de jacatirão daquela temporada, numa árvore ao lado do cemitério.

Aí nasceu um pequeno/grande poema: pequeno no tamanho, mas grande no significado: “A primeira flor / de jacatirão / da primavera, / em outubro, / tem um nome: / saudade...”

A relação que temos, eu e o jacatirão, na verdade não é só de amor e dor, mas também de cumplicidade. Porque acho que ele veio me consolar numa hora em que eu precisava muito de luz para mostrar o caminho, mostrar o chão para seguir em frente, mostrar que havia esperança. Que a vida segue e que o tempo cura quase tudo, que a saudade vai se tornando companheira e a dor vai diminuindo, embora volte, às vezes, um pouquinho mais forte. Que a perda ensina a gente a valorizar mais o que se tem, ensina a amar mais e melhor a vida e nossos entes queridos.

Então gosto de falar do jacatirão, de todos os tipos de jacatirão: daquele nativo, que floresce no meio da mata, no verão, no nordeste da nossa Santa e bela Catarina, autêntica árvore de Natal, se enfeitando para o 25 de dezembro e a virada do ano - no final do verão ele floresce no Paraná, São Paulo e pelo Brasil afora; do jacatirão também chamado de quaresmeira, que floresce mais ao sul de Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e também por quase todo o país, na época da páscoa, com suas flores menores mas mais coloridas. E o do jacatirão de jardim, que chamam de manacá-da-serra, que floresce no inverno.

Gosto de falar dele, enaltecer sua beleza, também para esclarecer o que diz o verbete correspondente a ele no dicionário Aurélio, que o descreve como uma árvore com “flores insignificantes”. Penso que a alusão é uma opinião pessoal e infeliz.

Você, leitor de qualquer parte do Brasil, que não sabe o que é o jacatirão, preste atenção se um dia viajar aqui para o sul: do final de outubro até final de janeiro, em vários pontos da BR 10 antes e depois de Joinville, você poderá ver as manchas vermelhas nas matas que ladeiam a estrada. Também em várias rodovias no Paraná e São Paulo, em fevereiro e março. E certamente em muitas outras regiões do pais que eu não conheço, eles podem ser percebidos.