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quinta-feira, 31 de março de 2011

REPOSTA À MATÉRIA "AULA CRONOMETRADA"

Como prometi ontem, aqui está a resposta corajosa sincera de uma professora em resposta à matéria veiculada na revista Veja:


RESPOSTA À REVISTA VEJA
Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador.
Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras. Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;
Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados.. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário. Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.
Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante É QUE HÁ DISCIPLINA. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se..
Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo.
Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO. Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O ENSINO PÚBLICO FALIDO EM SANTA CATARINA

   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
Vocês viram o estudo realizado por uma equipe de especialistas internacionais da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – estudo pago pelo Estado, diga-se de passagem – que fez uma radiografia do ensino público de Santa Catarina em todos os níveis?
Pois é. Precisavam pagar mais de uma centena de milhares de  reais para uma empresa gringa, gastando dinheiro público que poderia ser usado na melhoria de salário dos professores,  para constatar que a educação vai de mal a pior, por culpa do próprio Estado que não estava nem aí, pelo menos até agora, para o ensino público? Será que vai mudar daqui pra frente?
Todo mundo vê, só não vê quem não quer. O Estado não investe nas escolas, que estão caindo aos pedaços, literalmente. São infiltrações, rachaduras, instalações elétricas precárias, instalações hidráulicas idem, falta de equipamento para ensinar, falta de professores, baixa remuneração, falta de atualização para os professores, falta de motivação para que eles trabalhem e assim por diante. Ao invés disso, excesso de carga horária, excesso de alunos em cada sala de aula, falta de tempo para dar todo o conteúdo, falta de tempo para o aluno aprender o conteúdo, salário baixo sem previsão de piso, e violência cada vez mais presente  nas escolas.
Havia necessidade de vir gente de fora para dizer que o ensino público está neste estado lastimável, havia necessidade de pagar para alguém dizer que a coisa está tão ruim assim? O Estado não acredita nos professores, diretores e pais de alunos, precisa pagar, gastar o dinheiro público para que alguém lhe diga uma coisa que está saltando aos olhos?
Esperemos que o novo governo catarinense que recém tomou posse tome providências quanto a essa herança maldita, esse descaso total que os governantes anteriores deixaram. O diretor geral da Secretaria de Estado da Educação diz que está sendo elaborado o Plano Estadual de Educação para os próximos quatro anos, paralelo ao Plano Nacional de Educação. Será que esses planos resolverão o caos que está instalado na educação brasileira falida? Sim, porque o problema não é só catarinense, é nacional. Uma das maiores heranças que o governo Lula deixou foi a falência da Educação, entre outras falências. Mas a educação em Santa Catarina já foi uma das melhores do país e a gestão anterior (ou gestões anteriores, pois Luiz Henrique ficou 7 anos no poder e o seu tapa-buraco Leonel Pavan ficou um ano) que “governou” o Estado  foi no rastro do malfadado presidente, sucateando o ensino público de qualidade que tínhamos.

terça-feira, 29 de março de 2011

FLORIANÓPOLIS TERÁ EDITAIS DE INCENTIVO À CULTURA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Vejo nos jornais de hoje matéria sobre a criação do Fundo Municipal de Cultura em Florianópolis, que já nasce se proclamando o maior de Santa Catarina. Tomara que seja. O Fundo, que foi lançado oficialmente hoje na Fundação Cultural Franklin Cascaes, deverá beneficiar todas as áreas da cultura e arte, com exceção do audiovisual, porque já existem recursos municipais para essa modalidade. A escolha dos projetos a serem contemplados com financiamento do novo Fundo Municipal de Cultura seria feita por editais. A matéria não especifica mais, infelizmente, porque gostaríamos de saber quanto será destinado ao edital de Literatura, por exemplo, quais as artes que serão beneficiadas, quando sairão os editais, como funcionarão, que prêmios darão. São informações importantes que ficaremos aguardando.
Escrevi, no dia 12 de março, aqui no meu blog e posteriormente publiquei em alguns jornais da grande Florianópolis, a crônica “A Cultura Oficial da Capital”, chamando justamente a atenção sobre o fato de que algumas cidades do interior do Estado, como Joinville, Jaraguá, Blumenau, etc., têm editais de incentivo à cultura e tenho recebido belíssimos livros, tanto em apresentação como em conteúdo, resultantes desses editais. Florianópolis não tinha.
Parece que deu resultado, pois agora surge o Fundo Municipal de Cultura, com orçamento de um milhão e duzentos mil reais para lançar editais para todas as modalidades de arte, exceto cinema, que já tinha seu edital.
Esperemos que os editais desse novo fundo privilegie e alavanque a cultura da capital, tão carente de dispositivos que contemplem artes como a literatura, por exemplo. O Estado tem o Concurso Cruz e Sousa, mas ele tem estado bastante esporádico, nos últimos anos e não contempla só a literatura catarinense, pois tem âmbito nacional.
Então já não era sem tempo. Temos a esperança – e precisamos ter – de que os editais beneficiem os produtores de arte da capital de maneira justa, sem privilegiar panelinhas, como era comum acontecer no âmbito do Estado.

domingo, 27 de março de 2011

QUE BLOG CARO!

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Acho muito louvável o trabalho de Maria Bethânia divulgando a poesia com seu show “Bethânia e as Palavras”, que ela vem apreesentando peloBrasil. Precisamos de todas as iniciativas que incentivem o gosto pela literatura, o gosto pela leitura, o gosto pela poesia. Mais louvável ainda que ela disponibilize isso na internet, em um blog, para que todos aqueles que não puderam ver o espetáculo possam ver o que é o projeto.
Mas daí a ter que captar, através da Rei Rouanet, um milhão e trezentos mil reais para colocar o blog no ar, com a anuência do Ministério da Cultura, está parecendo, para muita gente, um pouco de exagero. O dinheiro captado é dinheiro público, pois é imposto que seria pago aos cofres da União e, ao invés disso, será redirecionado para custear o blog da cantora. Ora, primeiro, a declamação de poemas que a cantora fará no já famoso blog “O mundo precisa de poesia” já foram objeto de produção, a maioria deles, alguns já devem ter sido até gravados. Então não há, na verdade, necessidade de tanto dinheiro. Ou há?
Segundo, eu tenho um blog há quase três anos e nunca gastei um tostão com ele. É claro que não tenho ninguém famoso como Bethânia para gravar poesia para eu postar nele, o que seria muito bom, mas ela não tem que pagar uma celebridade como ela própria é, para gravar as declamações.
A desculpa do Minc é que o projeto foi apreciado como qualquer outro e ele não pode rejeitar um proponente pelo fato de ser famoso. Mas cá pra nós, isso ajuda, ou não?
Também estão tentando amenizar a polêmica, afirmando que a cantora não recebeu dinheiro público, que ela foi autorizada a “tentar captar” os recursos. Como já dissemos, esses “recursos” são impostos que deixarão de ser pagos e serão entregues a Bethânia.
Enfim, é bom saber que Bethânia gosta de poesia e vai continuar com o trabalho de difusão dela através da gravação de poemas. Se ela já recebeu o dinheiro ou ainda vai captá-lo, eu não sei. Que ele seja bem usado e possibilite que mais pessoas gostem de poesia por esse imenso Brasil tão carente de leitura.
O que vocês acham de eu tentar um projeto junto ao Minc, para custear meu blog e o portal PROSA, POESIA & CIA., do Grupo Literário A ILHA, que tem divulgado a literatura por mais de trinta anos? O problema é que não sou famoso e não sei cantar, então... Como me disse a leitora Luma Rosa, preocupa mais ainda o fato de o Minc afirmar que há muitos outros projetos de mais de um milhlão... Dinheiro farto esse que pagamos de imposto, não? E as vítimas das enchentes estão por aí, em vários estados, esperando ajuda, mas parece que não tem "verba"...

sexta-feira, 25 de março de 2011

TRANSPORTE URBANO EM FPOLIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Leio a nota “Uma afronta à cidadania”, a respeito da paralisação relâmpago do transporte urbano na capital, na coluna de Carlos Damião, da qual sou leitor assíduo, e concordo com ele, quando diz que “a massa de cidadãos florianopolitanos não merecer ser maltratada dessa forma e, pior de tudo, sem que uma única autoridade constituída diga ou faça algo.”
E digo mais: as autoridades (que também são donas de empresas de ônibus, diga-se de passagem), não fazem nem dizem nada porque, como sempre, querem que o público usuário se volte contra os trabalhadores, que não recebem os reajustes salariais condizentes. Assim, as empresas e o poder público posam de vítimas e os trabalhadores de bandidos.
As empresas de ônibus em Florianópolis recebem “subsídio” de um milhão de reais (ou mais, pois esse valor já foi dado pela imprensa no ano passado) e são as empresas que cobram as passagens mais caras. E olhem que o subsídio sai do dinheiro público, os impostos pagos pelos contribuintes, que também são usuários do transporte urbano e que, portanto, pagam duas vezes a passagem. Por que essas empresas não pagam decentemente os seus empregados? Ou por que não dão, pelo menos, o reajuste devido?
Se fizessem isso na época certa, se não prometessem e depois deixassem de cumprir, essa bagunça não aconteceria.

quinta-feira, 24 de março de 2011

LEI DA FICHA LIMPA SÓ EM 2012

Por Luiz Carlos Amorim - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Então, meus amigos, a ficha limpa ficou para 2012. Toda aquela novela, aquele suspense desde quase o início de 2010, para acabar nisso. Ficaram enrolando todo esse tempo, para dizer que a lei não valeu para a eleição do ano passado. Que os corruptos de plantão que se candidataram na eleição passada vão poder tomar posse, vão voltar à ativa, para corromper, de novo, a “política” já tão deturpada neste nosso país.
Que justiça é esse que passa a mão na cabeça de políticos corruptos, pega-os pela mão e traz os fichas sujas de novo para cargos na câmara, no senado, para continuarem a sua saga de apropriação do dinheiro público e mil outras falcatruas contra o eleitor que deveriam defender?
Como já disse antes, não é só a saúde pública, a educação, a segurança pública que estão falidas neste país. A justiça também. Infelizmente.
O cenário político já é sofrível como está. Com a posse dos fichas sujas, vai ficar pior ainda. Quer dizer: a bagunça já era grande, agora então com a mudança das bancadas parlamentares, vai ficar uma beleza.
Mas nós, eleitores, merecemos, pois votamos nos fichas sujas. Eles vão ser empossados porque receberam, alguns, mais votos do que aqueles que já haviam sido diplomados.
Precisamos aprender a votar, a excluir, nós mesmo, os fichas sujas. Se ficarmos esperando o cumprimento de leis que passam pelas mãos deles para serem aprovadas, eles sempre acharão um jeito de contorná-las, ainda mais com a conivência da justiça.
Isso é Brasil.

quarta-feira, 23 de março de 2011

AS MÃOS DE JOÃO E O ANIVERSÁRIOD E FLORIANÓPOLIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Esse ano a prefeitura de Florianópolis não deve ter pago quase quatro milhões para o show de aniversário que apresentou, mas valeu a pena. Muito melhor do que o show de natal do ano retrasado, que foi pago, não aconteceu e não se soube notícias de devolução do dinheiro.
Não sei quanto foi pago ao maestro João Carlos Martins e à Orquestra Filarmônica Bachiana, espero até que tenha sido alguma coisa parecida com o valor que pagaram para o show de Natal que não aconteceu. Porque João Carlos Martins deu um tremendo show para cerca de doze mil pessoas que compareceram à Beiramar Norte para comemorarem com o maestro o aniversário de Florianópolis.
Eu fico emocionado, sinceramente, de ver o estado em que estão as mãos do grande pianista e maestro, mãos abençoados, praticamente duas garras. E mesmo assim, ele ainda toca. Além de reger a orquestra, ele fez dois solos ao piano, tocou Astor Piazolla com apenas dois dedos, tocou o tema de “Cinema Paradiso” e ainda a Quinta Sinfonia de Beethoven, acompanhado pela Escola de Samba Vai-Vai. E para terminar, tocou Tom Jobim.
Ele é um monstro sagrado da música clássica e instrumental e a sua vida é um exemplo de superação. Teve problemas com uma das mãos desde muito jovem, problemas que se multiplicaram, mas não abandonou a carreira de músico, que lhe trouxe muito sucesso. A vida foi dura com ele, mas a música o manteve vivo.
Florianópolis mereceu o concerto de João. A cidade lavou a alma, combinando a sua beleza com a beleza da música que João fez ecoar pela Ilha.
Obrigado, João. Parabéns pra você.Aplaudo de pé, como aplaudiram você o público da Beiramar. Parabéns para Florianópolis. Foi um grande presente.

segunda-feira, 21 de março de 2011

MAIS UMA GAFE DE LULA

Por Luiz Carlos Amorim - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E eu não queria falar da visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil, que eu vejo ele chegando e o aparato em torno dele o antecede se impondo como se fossem os donos da casa, mas não dá para não ver certas coisas.
O ex-presidente do Brasil foi convidado mas declinou do convite e o motivo (ou desculpa) tem várias versões. A mais “inocente” e pretensiosa é de que Lula não queria ofuscar o brilho da presidenta Dilma. Ele se acha, pensa que se estivesse presente não sobraria para ninguém, ele seria a estrela do encontro?
Acho que está mais para “estou com vergonha de todas as cacas que fiz no meu governo, como me amigar com ditadores sanguinolentos e fracassados pelo mundo, além de deixar como herança um país inflado de despesas e gastos, com educação e saúde falidas, entre outras coisas.”
A verdade é que ele não fez falta nenhuma no almoço com Obama. Ainda bem que ele não foi, pois assim não tivemos batatadas em improvisos “inteligentes” e ao vivo. Melhor assim, muito melhor.
É bom ver que a presidenta Dilma não ficou dependente dele, como a gente temia. Esperemos que ele, “o cara” (?), tenha a decência de não aparecer em outros eventos oficiais, no futuro, como fez neste. O país agradece.

domingo, 20 de março de 2011

BRT - TRÂNSITO RÁPIDO DE ÔNIBUS NA CAPITAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Neste sábado, 19 de março, leio no jornal que o prefeito de Florianópolis anunciaram mudanças no trânsito caótico da capital, com o lançamento de licitação para a implantação do Sistema BRT (trânsito rápido de ônibus), o mesmo que iniciou-se em Curitiba e serve de modelo para dezenas de cidades.
De fato, a cidade está precisando de mobilidade urbana. Curitiba resolveu o seu problema, com corredores exclusivos para ônibus, com uma rede integrada com terminais em vários pontos da cidade, de maneira que o usuário paga uma vez só e pode ir até o seu destino, mesmo mudando de linha, com sinaleiras sincronizadas, priorizando o transporte urbano, etc.
O que o prefeito não disse, com o bombástico lançamento da notícia de que vai implantar aqui o mesmo sistema, é que já tentaram isso aqui, no final do século passado. Alguns terminais construídos para a tal integração ainda estão sem uso, abandonados, em bairros como Jardim Atlântico, por exemplo. Dinheiro público usado com descaso, pois os terminais estão sem uso, deteriorando, quando poderiam ser aproveitados como escolas, creches, postos de saúde, etc.
E, além de jogarem fora o dinheiro público, tornaram alguns roteiros mais lentos, pois onde funciona o terminal intermediário, o usuário tem que pagar nova passagem para tomar outro ônibus. O que significa que a viagem demora mais e tornou-se mais cara. Isso sem considerar que a passagem de ônibus na capital catarinense é uma das mais caras do país, se não a mais cara e, ironia, as empresas de ônibus que operam o transporte por aqui ganham subsídio da prefeitura um milhão de reais – esse o último valor divulgado, no ano passado.
Então já tentaram implantar o modelo de transporte público que deu certo em Curitiba em Florianópolis e em Joinville. Em Joinville não sei se todos os terminais intermediários estão funcionando, mas também se paga passagem a cada vez que se toma um novo ônibus. Em Floripa, por falta de determinação e boa vontade dos administradores da cidade e também por inflexibilidade das empresas em, quem sabe, terem um lucro menor, não vingou. Quem sabe o “subsídio” da prefeitura não se deve a essa tentativa? O sistema novo ficou capenga e foi abandonado, mas o “subsídio” continuou.

sábado, 19 de março de 2011

A VINGANÇA DA NATUREZA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O ser humano deve, com certeza, ter feito coisas muito ruins, coisas terríveis para termos contra nós a ira gigantesca da natureza que estamos vendo a se manifestar de várias maneiras e em diferentes partes do mundo. São tragédias umas mais terríveis do que as outras, acontecendo com frequência cada vez maior.
E não podemos dizer, nós, brasileiros, que estamos assistindo as calamidades terríveis acontecerem ao longe, pois elas têm se abatido sobre o Brasil, também. Enquanto acontecem terremotos, tsunamis, vazamentos de radiação de usinas nucleares destruídas no Japão, por exemplo, as chuvas torrenciais causam enchentes, deslizamentos e destruição de cidades em vários de nossos estados.
Mortos aos milhares, desabrigados aos milhões, cidades devastadas, um sem número de lares destruídos. O ser humano precisa refletir sobre a sua trajetória sobre o nosso planeta, pois tudo o que fazemos de errado parece que está se voltando contra nós.
Sei que o ser humano não tem influência sobre tragédias como terremotos, mas sabemos o que fizemos errado e a natureza suporta até certo ponto ser agredida. Chega uma hora que ela não aguenta, se exaspera e dá nisso que estamos vendo. Gostaria que o que já tivemos fosse tudo, que as tragédias parassem por aí, mas sabemos que mais deve vir. Quando vamos aprender? Não quero ser pessimista, mas receio não termos mais tempo para nos redimirmos. Ou será que temos?

sexta-feira, 18 de março de 2011

CRUZEIROS & CRUZEIROS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Depois que me aposentei passei a viajar de navio. Já fui para a Bahia, para Buenos Aires, para as praias do litoral de São Paulo e Rio, para a Europa. Viajava quase sempre pela mesma companhia, mas este ano decidi mudar, para ver se muda alguma coisa.
E muda. Fui para Argentina e Uruguai com a Costa Cruzeiros, mas não gostei muito, não. Já tinha lido e ouvido algumas reclamações, mas preferi comprovar.
De cara, no terminal marítimo de Santos, antes de embarcar, não gostei do tratamento dado aos novos clientes Costa. Chegamos de manhã bem cedo a Santos e eu fui o primeiro a pegar a senha para o pré-chek-in no balcão da empresa. Perto do meio dia, quando começaram a chamar para embarque, pensei que seria um dos primeiros a ser chamado, no entanto foram chamando várias senhas e eu fui ficando para trás. Expliquei a um atendente que eu havia pegado a primeira senha, mas ele me explicou que os que estavam sendo chamados eram clientes preferenciais, e como eu era um cliente novo não adiantava ter sido o primeiro a fazer o chek-in. Quer dizer: o cliente novo é de segunda, terceira categoria e deve esperar mais?
Depois de embarcado, algumas coisas que foram aparecendo foram depondo contra a companhia. A comida nos restaurantes a la carte até que não era ruim, mas os cardápios poderiam ser um pouco mais diversificados. E o atendimento era um pouco difícil, pois nosso garçom era filipino e não entendia quase nada de português, então a gente pedia uma coisa, apontando o item no cardápio, mas vinha outra coisa. Houve noite em que o jantar demorou duas horas. O restaurante self-service também não tinha uma oferta tão ampla, aquém dos outros navios que já pegáramos. E se não fôssemos bem cedo para o café da manhã, já não havia mais leite quente, nem suco. Algumas coisas terminavam e não eram repostas. As máquinas de café secavam e eram fechadas. À tarde, ou no final da tarde, não havia onde comer quando voltávamos para o navio. Pelo menos nos dias em que a gente descia para passeios, os locais de self-service deveriam estar funcionando, mas o máximo que se conseguia era pizza. E só.
O atendimento, de uma maneira geral, deixava a desejar, mesmo quando os atendentes eram brasileiros. Nos bares atendiam a gente de maneira seca e até vendiam uma coisa por outra, pois não gostavam de dar explicações. Tivemos bons atendimentos da nossa camareira e de uma moça brasileira que atendia no teatro e nos salões de baile.
Ficamos sabendo, no final do cruzeiro, a provável causa do mau atendimento por parte dos trabalhadores do navio. A gorjeta, que é obrigatória e a gente paga quando compra o cruzeiro, não é entregue pela gente quando termina a viagem, como em outras companhias. A própria Costa se encarrega de acertar com os colaboradores. Acontece que há um questionário de “satisfação” do cliente, que é entregue no final e eles pedem que a gente não economize na nota, que procure dar “excelente”, porque só assim a tripulação que nos atende será “beneficiada”. Soube que esse “benefício” é o repasse ou não da gorjeta que a gente paga e que deveria ir para quem trabalha lá dentro atendendo a gente, como garçon, camareiro, chefe dos garçons, etc. O pessoal só ganha a gorjeta se o hóspede der “excelente” em tudo. Então, como nem todo mundo dava excelente de conceito no tal questionário, cada vez os trabalhadores recebem menos da gorjeta que nós pagamos para a empresa – ou não recebem - e cada vez eles ficam mais indignados, daí o mau humor que a gente via. A Costa ganha de qualquer jeito: se damos só conceito “excelente”, ela se sai bem porque pode usar como propaganda o fato de ter sido qualificado com atendimento excelente. Se não, a grana da gorjeta fica com eles e eles têm mais lucro.
O sistema de crédito no cartão, para se gastar ou pagar as coisas no navio, como bebidas, compras nas lojas, etc., também é diferente de outras companhias. Se for em dinheiro, a partir do momento que o crédito acabar, o cartão é bloqueado e não se pode comprar mais nada. É preciso ir à recepção fazer outro crédito. Em outros navios, a gente continuava comprando e pagava no final.
Duas ou três coisas eu gostei muito no navio da Costa: o atendimento para crianças foi ótimo, o clubinho onde eles ficavam com animadores sem os pais se preocuparem, os vários salões de dança e as piscinas e jacuzzis. Havia até um toboágua no navio, que ficou aberto só um ou dois dias naquela viagem.
Mas por falar no final, para coroar tudo, na última noite eu fui à recepção e pedi para liquidar a conta. Eles me apresentaram a fatura, paguei e fiquei tranqüilo, não precisava me preocupar em enfrentar filas pela manhã, antes de desembarcar. Qual não foi minha surpresa, na manhã do desembarque, quando me chamaram pelo sistema de som para comparecer à recepção para acertar a minha conta. Fui lá e mostrei a fatura paga, mas o atendente me mostrou que a pessoa que havia me cobrado deixara quatro dólares para trás. Não conseguiu me explicar porque não cobraram os quatro dólares na noite anterior, pois a conta não fora modificada daquele momento em diante, eu não gastei mais nada no cartão, até porque não tinha crédito.
E ficou por isso mesmo.
Então, por tudo isso, Costa, nunca mais. Houve outros senões, como ter que pedir para a central do navio para obter um sabonete depois que o que havia no banheiro acabou. A camareira não tinha para fornecer, era necessário o próprio hóspede solicitar. Mas deixa pra lá. Não volto mais e não recomendaria, jamais, a nenhum amigo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O DINHEIRO PÚBLICO E O CIC

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor- http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Vejo, na televisão, uma matéria sobre a “reforma” do CIC. Faz dois anos que as tais reformas começaram e o serviço está se arrastando, mal começado. O teatro do CIC, o maior da capital, fechado há todo este tempo, nem sequer teve alguma obra começada.
E foram gastos 9 milhões, até agora. Mais quatro milhões de reais vão ser gastos para terminar a famigerada reforma, e não se sabe quando vai acabar.
Um problema no qual ninguém parece estar interessado em resolver é o esclarecimento deste descaso no uso do dinheiro público. Quem vai ser responsabilizado pelo gasto astronômico, sem nenhum retorno? Quem vai responder pela contratação das empresas que deveriam ter feito o serviço e não fizeram? E isso interessa não só aos contribuintes da capital, pois o dinheiro gasto pelo Estado nessas obras é arrecadado através do imposto pago por todos os cidadãos catarinenses.
Segundo a reportagem que vi, os nove milhões já foram pagos. O pagamento não deveria ser feito mediante etapas do serviço realizados, prontos, entregues? Quem deveria ter fiscalizado as obras? A Secretaria de Cultura e a Fundação Catarinense de Cultura, nas gestões desses dois últimos anos, não deveriam ter acompanhado o que estava sendo feito para liberar ou não os pagamentos?
São muitas perguntas que não estão sendo respondidas. O atual presidente da FCC já disse que não sabe responder. Ele recém foi empossado na direção da casa, mas vai ter que investigar o que aconteceu, assim como já prometeu o novo Secretário da Cultura, para identificar os responsáveis por tanta irresponsabilidade, para não dizer outra coisa.
Aqui no nosso estado o dinheiro some, ninguém procura os culpados nem exige a devolução. Foi assim com os quatro milhões do concerto de Natal que foi pago, mas nunca aconteceu. E o dinheiro não foi devolvido. Foi assim com os milhares de exemplares do livro do Tezza, que foi entregue para alunos do primeiro grau, recolhido e depois distribuído aos montes para as bibliotecas municipais (será que foi mesmo?). Se elas receberam, viraram depósito de centenas de exemplares de um mesmo livro, quando poderiam receber um reforço de acerto de vários títulos diferentes, com todo aquele dinheiro.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A ESCOLA E A INTEGRAÇÃO AUTOR-LEITOR

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A figura do escritor foi e ainda é, para as crianças que estão começando a descortinar o infinito horizonte da palavra, algo inatingível, meio mágico, talvez mítico. Isso, dito por elas mesmas. A criança é naturalmente curiosa, sedenta de conhecimento e experiência, e ficar cara a cara com um escritor, conheça ela a obra dele ou não, é um acontecimento no mínimo singular. É claro que se ela tiver lido algum texto, algum livro do autor que lhe for apresentando, o interesse pode ser maior. Descobrir que o escritor é alguém igual a ela, uma pessoa comum que tem o dom da palavra, pode ajudar a criança e perceber que ela é capaz de ser o que ela quiser.

Já fui convidado várias vezes para dar palestras e entrevistas a estudantes do primeiro e segundo graus e sei bem da reação e da receptividade deles. Eu prefiro dizer que fui conversar com os estudantes do que “dar palestra” e prefiro, também, conversar com o primeiro grau, porque a criança é mais espontânea, participa mais, tem mais interesse do que o adolescente e o jovem, que têm receio de se expor. O “palestrante” escritor não precisa preparar nada, pois as crianças, os estudantes perguntam, querem saber sobre tudo: o processo de criação, a seleção, o controle de qualidade, a edição, a publicação, a venda – desde o início, da produção do texto, seja ele poesia ou prosa, até chegar às mãos do leitor. E o resultado disso, o impacto tanto no leitor como no autor. Quando as perguntas terminam, pedem autógrafos, mostram sua própria produção, pedem dicas.

Essa integração entre o escritor e a escola é desejável e existe, em algumas escolas. Não com a freqüência e na quantidade de escolas que gostaríamos, mas existe. Oficialmente, existe um projeto chamado Programa Autor/Escola, que foi lançado há alguns anos em Santa Catarina e chegou a acontecer de fato por algumas poucas vezes. No entanto, o que existe hoje são iniciativas isoladas de escolas, professores e alguns escritores, em uma outra cidade.

O objetivo do programa Autor/Escola era ótimo. Foram cadastrados alguns poucos escritores de fora da capital, mas das poucas edições que aconteceram, participaram quase que somente aqueles mesmos nomes de sempre, figuras carimbadas da “literatura oficial”, que parecem não se renovar nunca, porque ninguém consegue adentrar a “panelinha”, condomínio fechado dos “grandes” literatos de plantão. Apenas um ou outro nome que não pôde ser descartado pela qualidade da sua obra, também conseguiu participar do projeto. Por isso talvez não tenha vingado.

O programa visava promover o estudo da vida e obra do escritor catarinense contemporâneo, a ser desenvolvido na rede estadual de ensino de primeiro e segundo graus, com a presença dos autores designados com antecedência, para cada edição do evento, orientado pela Fundação Catarinense de Cultura, com o apoio de prefeituras, associações culturais, meios de comunicação, editoras e livreiros.

Os professores das escolas abrangidas pelo programa tinham prazo de dois a três meses para estudar os autores convidados – bibliografia, textos (livros), referências críticas e informações biográficas.

Infelizmente, apesar dos bons objetivos, do incentivo à leitura junto aos leitores em formação e da divulgação do escritor regional, o projeto apenas vem à tona, de tempos em tempos, com promessas de reativação que nunca se cumprem. O que existe de concreto é o trabalho dos bons professores de Português e Literatura, que convidam escritores de suas respectivas regiões para comparecerem as suas escolas.

Os escritores do Grupo Literário A ILHA são testemunha de que essa tentativa de valorizar a literatura regional é eficiente, pois vários deles são convidados a falar sobre a sua vida e sua obra em escolas de algumas cidades do norte do estado. Independentemente da “cultura oficial”.

segunda-feira, 14 de março de 2011

O POETA E O SEU DIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E hoje é dia do poeta, esse ser estranho e singular que vê a vida com o coração e tenta passar essa visão para todos aqueles que tiverem sensibilidade para recriar a sua visão. Então quero enviar a minha homenagem a todos os bardos deste imenso Brasil e do mundo, pois é das penas deles que flui a emoção e o sentimento dessa arte que se chama literatura.
É o poeta que torna esse nosso mundo tão belo e ao mesmo tempo tão conturbado, mais sensível, é ele que desnuda a alma para que a nossa alma seja menos dura, menos intolerante, mais solidária, mais humana.
É o poeta que nos leva a contemplar o amor, que nos leva a pensar a paz, que nos lembra que somos irmãos gêmeos da natureza e por isso mesmo precisamos amá-la e respeitá-la, para que ela nos proteja e não nos desampare.
Rendo a minha homenagem a você, poeta, que não deixa morrer a poesia que existe, ainda, em nossas vidas.

domingo, 13 de março de 2011

DIREITO AUTORAL: TUDO COMO DANTES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Com o novo governo, mudou o ministro da Cultura. Ana de Hollanda, a nova ministra, logo que assumiu o cargo, retirou da Casa Civil o projeto de revisão da Lei de Direito Autoral. O projeto já era polêmico: o governo apresentou texto que, pretendia, fosse a base da nova legislação, que não agradou a todos. Alguns acharam que o Estado estará interferindo naquilo que é um direito privado. Outros apoiaram, porque acham que a legislação antiga estava prejudicando os produtores de cultura.
Com a retirada do projeto, começa tudo do zero, novamente e isso pode ser bom ou ruim. A verdade é que não haverá consenso, como pretende a ministra. Se depender disso, a revisão nunca saírá.
Artistas de renome de todo o Brasil, e não só músicos – há escritores, também , graças a Deus – preparam manifesto para aproveitar a deixa e tentar incluir pontos que não foram contemplados no projeto do governo, tornando-o mais racional e funcional.
O que me preocupa é que as discussões só se referem ao direito autoral relativo à musica, não se fala do direito autoral do escritor, da obra literária. A discussão deve abranger, invariavelmente, os direitos autorias referentes a qualquer tipo de obra de arte. E o livro?
O anteprojeto não prevê o direito autoral no meio digital e isso preocupa a todos, tanto músicos como escritores, assim como o texto que prevê a dispensa do pagamento de direitos autorais para uso de obras com fins educacionais. Com a retirada do mesmo e o seu possível refazimento, isso pode ser discutido e implementado. Será?
A verdade é que essa revisão já vem se arrastando há muito tempo. Parece não haver muito empenho de Ministério da Cultura em definir uma nova lei, apesar de terem colocado o texto do projeto para consulta pública por vários meses. E a necessidade de mudança da lei é indiscutível.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A CULTURA OFICIAL DA CAPITAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Tenho recebido livros de escritores e escritoras de Joinville, de Jaraguá do Sul e de outras cidades catarinenses que publicaram suas obras porque participaram de editais de apoio à cultura. Livros selecionados dentre muitos títulos que se inscreveram e que foram avaliados por jurados do meio literário de cada região, o que significa que são trabalhos de qualidade, com conteúdo e com aprimorada apresentação gráfica.
São várias cidades a publicarem seus editais a cada ano, dando oportunidade a novos talentos das letras locais de se projetarem, de renovarem a literatura produzida em nosso Estado.
Então me salta aos olhos uma constatação: diversas cidades catarinenses têm seus editais, não só para a literatura, mas para várias outras artes, como teatro, música, cinema, etc., mas a capital, Florianópolis, não. Florianópolis não tem um edital de apoio à cultura, que fomente a literatura, nem outras artes.
O Estado até tem o concurso Cruz e Souza, que anda um tanto quanto bissexto, nos últimos tempos – será que sai, este ano? – e que revelou, no passado, autores de romance, conto e poesia, não só de Santa Catarina, mas de todo o Brasil; tem também a Lei Grando, que determina que o Estado compre 300 exemplares de pelo menos dez livros de autores catarinenses todo ano, através de edital, mas depois de quase vinte anos sem que a lei fosse cumprida, em 2009 finalmente foi levada a efeito. No entanto, no ano seguinte já não se falou mais nela – será que teremos edital este ano?
O Estado tem outros editais de cultura que beneficiam outras artes, também, mas Florianópolis, a cidade de Florianópolis, não tem. Que capital é essa, que fica atrás de cidades do interior, que relega a sua cultura ao esquecimento? Por que será que as outras cidades podem investir em cultura e a capital não? Será falta de cultura dos próprios governantes?
Precisamos cobrar mais do prefeito e dos vereadores da capital, que não têm pensado na cultura da cidade. E cobrar intenções nesse sentido antes de votar neles.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O RESGATE DA LÍNGUA TUPI

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Escrevo para diversos jornais, no Brasil e em outros países de língua portuguesa e também para revistas de países de outras línguas, com meus poemas e textos vertidos para os respectivos idiomas. E então, fico sabendo que o editor de um dos jornais para os quais escrevo, São José em Foco, aqui da Grande Florianópolis, acabou de ter um livro publicado na França.
Ele é Ozias Alves Jr. e numa entrevista recente que leio dele, ele fala do fato de publicar lá fora e da dificuldade de publicar aqui no Brasil. Estou abordando o assunto para divulgar o trabalho do escritor e também porque tenho três livros publicados em outros países, dois publicados pela IWA, nos Estados Unidos e outro em países de língua espanhola, além de um trilingue, e como escritor brasileiro, apesar de ter publicado alguns livros por editoras, sei bem que não é fácil conseguir editar nossos livros.
O livro de Ozias, publicado pela editora francesa L´Harmattan, é "Parlons Nheengatu" (Falamos Nheengatu), um estudo sobre o idioma Nheengatu, a versão moderna da antiga língua Tupi do Brasil, que ainda é falada no Amazonas. O livro integra a coleção "Parlons", dirigida pelo linguista Michel Malherbe.
Como disse o próprio autor, “Esses livros da coleção “Parlons” são divididos em cinco partes. A primeira é a história do povo que fala o idioma. Depois vem uma gramática. A terceira parte é uma conversação breve do idioma, lições de frases do dia a dia das situações mais comuns. A quarta parte é a cultura do idioma - religião, costumes, literatura, artes etc. E a quinta e última parte trata-se do léxico. “
O livro está escrito em francês e o autor não pretende, pelo menos por enquanto, traduzi-lo para o português, pois sabe da dificuldade para conseguir uma editora e também porque ainda se lê muito pouco por aqui.
Se não é possível aqui, a prata da casa vai fazer milagre lá fora. Parabéns, Ozias, pela valorização do seu trabalho.

terça-feira, 8 de março de 2011

QUARESMEIRAS NO CAMINHO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Estou chegando da Serra Gaúcha, onde já tinha visto algumas quaresmeiras (jacatirão que floresce na quaresma, com flores que tem pétalas menores mas mais coloridas), mas o espetáculo maior vi quando já vinha chegando na Grande Florianópolis, em Rancho Queimado.
A mata está coalhada de manchas vermelhas, mistura de tons das flores do jacatirão dessa época, a quaresmeira. Eu não estava dirigindo, estava de carona, então pude prestar bem atenção, olhar tudo, e meus olhos estão repletos das cores dessa árvore tão generosa que a Mãe Natureza nos dá, colorindo o mundo em dezembro, quando do nascimento do Menino que renasce todos os anos para nós, seres humanos, e volta a enfeitar tudo até a Páscoa, quando aquele mesmo Menino sobe aos céus.
Meus olhos míopes se alimentam da cor do jacatirão no outono, com a quaresmeira, no inverno, com o manacá-da-serra, tipo de jacatirão de jardim, semelhante ao nativo e no verão, com o jacatirão verdadeiro, que nasce livre nas matas, nas encostas, nos caminhos. Minha alma se alimenta da imagem dessas árvores que representam a natureza como um todo, que nos oferecem beleza como se quisessem dizer-nos: o mundo ainda é bonito, o meio ambiente merece ser bem cuidado para que continue assim.
Se não cuidarmos da natureza, do meio ambiente, que será de nosso planeta azul, que está cada vez mais deixando de ser azul? Que será de nós, seres humanos? Que será de mim, sem as flores dos jacatirões, sinal de vida, ainda?

domingo, 6 de março de 2011

O PEDÁGIO NO RIO GRANDO DO SUL, DE NOVO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Estou no Rio Grande do Sul, essa terra bonita e hospitaleira. Mas, como já disse em outras oportunidades, fico indignado com o pedágio que cobram na BR 116, quatro deles, no caminho até Nova Petrópolis, a seis reais cada. E a estrada nem é tudo aquilo, não é duplicada, não faz jus, absolutamente, ao preço escorchante que se paga.
Hoje, no entanto, fiquei ainda mais indignado, pois fomos passear em Gramado e Canela, e num trajeto de 35 quilômetros, pagamos pedágio de sete reais e vinte centavos na ida e na volta. No mesmo dia, na mesma tarde, a gente paga o pedágio quando chega à cidade e na volta, poucas horas depois, paga de novo. Não é um absurdo?
Eu nem me preocupei, guardei o recibo da ida, achando que era só apresentá-lo, comprovar que havíamos pago, já, um pedágio no dia e isso daria passe livre de volta.
Mas não, a moça do pedágio explicou-me que só se eu entrasse de novo na cidade no mesmo dia, só se passasse de novo na praça no mesmo dia é que eu apresentaria o recibo e não pagaria mais.
A estrada não é ruim, é até razoável, mas não é duplicada. Onde estão os políticos, o Estado, os municípios, que não vêem essa fome voraz de explorar o turista?
Por que ninguém faz alguma coisa no sentido de fiscalizar o que é feito com todo esse dinheiro, por que não se faz uma auditoria, um estudo, para se ver que é roubo cobrar sete reais e vinte centavos do turista que visita Canela e Gramado?
Já é tempo, mais do que tempo de alguém fazer alguma coisa, de verificar todos esses pedágios milionários que são cobrados no Rio Grande do Sul.

sexta-feira, 4 de março de 2011

UMA FLORIPA NÃO TÃO LETRADA ASSIM

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Como disse numa crônica anterior, fiz um expurgo na minha biblioteca para doar um pouco de livros para o projeto Floripa Letrada, que disponibiliza material para leitura em estantes nos terminais de ônibus de Florianópolis.
O Projeto é iniciativa da Secretaria de Educação de Florianópolis e foi muito bem-vindo, pois coloca livros ao alcance do leitor, de forma gratuita, incentivando assim o hábito da leitura.
Pois eu sempre elogiei a ideia, pois reputo da maior importância qualquer iniciativa que promova o acesso à leitura, e quis colaborar. Juntei cento e tantos livros que eu já havia lido, outros meus, outros que eu tinha em duplicata, todos em excelente estado, e liguei para o número que a secretaria divulgou para que quem quiser doar os chame para pegar, se não for apenas um ou dois livros, é claro. No site da Secretaria de Educação da Capital está registrado: Quem quiser fazer doação para o Floripa Letrada, pode entrar em contato pelo telefone 3251-6100. São aceitos livros de romance, conto, poesia, ficção, auto-ajuda, crônica, aventura e biográfico. As revistas podem ser as mais diversas, como as de cultura, ciência, música e variedade.
Só que eu havia ligado nos primeiros dias de fevereiro, e esperei até o começo desta semana sem que ninguém aparecesse, então liguei de volta. A pessoa que me atendeu passou a ligação e depois de um pouco de espera, desligaram o telefone. Liguei de novo, expliquei que já havia ligado e que desligaram na minha cara. Passaram-me para uma pessoa para a qual expliquei toda a história e ela me disse que a secretaria não tinha carro para buscar os livros. Eu respondi que então ia doá-los para outra instituição, no que a interlocutora foi rápida em concordar: pode fazer isso. Então eu fiquei indignado, pois sempre divulguei o projeto Floripa Letrada e queria participar dele, disse que era jornalista e que ia escrever o que ela estava me dizendo. Então a moça chamou outra pessoa, que anotou de novo meu endereço e disse que ia providenciar para que viessem buscar os livros assim que conseguisse um carro para isso.
Ora, a Secretaria da Educação da Capital lança um projeto e se oferece para pegar as doações de colaboradores voluntários e depois, na prática, só anota os endereços e não vai pegar os livros? A secretaria não ter carro para ir pegar uma doação parece piada.
Só sei que hoje, um mês depois de contatar com a secretaria e de eles se comprometerem a pegar os cento e tantos livros, finalmente os estagiários e funcionários do programa foram enviados para recolher a doação. E mesmo assim, vieram porque eu disse que sou jornalista e que iria escrever a respeito. Não faço a menor ideia de quando os outros doadores que contataram com eles vão receber a visita.
Não posso deixar de registrar, aqui, depois desse desabafo, a dedicação da Secretária adjunta da Educação de Florianópolis, dona Sydneia Gaspar de Oliveira, idealizadora do projeto, que faz de tudo para mantê-lo funcionando, indo ela mesma, inclusive, não raro, abastecer as estantes nos terminais. Se dependesse dela, haveria, sim, condução para pegar com rapidez os livros oferecidos em doação.
Esperemos que a cultura do município de Florianópolis, assim como do Estado, sejam cuidadas com mais carinho.

quarta-feira, 2 de março de 2011

UMA ILHA ESPAÇOSA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
O Suplemento Literário A ILHA chega a sua edição de número 116. Na próxima, estaremos completando trinta e um anos de atividades, de existência e resistência.
E a comemoração será antecipada, em maio, no lançamento da antologia do Varal do Brasil, da nossa amiga Jacqueline, escritora brasileira que mora na Suiça. E além da participação na antologia de escritores do Grupo Literário A ILHA, estamos estudando a possibilidade de publicar, também, uma edição especial da revista Mirandum, da Confraria de Quintana.
Então, apesar da falta de reconhecimento do trabalho em prol da divulgação da literatura catarinense, aqui no Estado, seguimos em frente, sempre ampliando os espaços para que a produção dos novos chegue até o leitor.
Na nova edição do Suplemento, por exemplo, publicamos meia dúzia de escritores, catarinenses ou não, novos ou não, que não haviam publicado ainda neste espaço.
O portal Prosa, Poesia & Cia., do Grupo Literário A ILHA, também publica sempre mais escritores e sempre mais novos. As antologias O TEMA DO POEMA, TODOS OS POETAS, FEIRA DE CONTOS E CRÔNICA DA SEMANA, além da revista eletrônica Literarte, estão publicando mais autores.
Então, a partir de amanhã estará no ar, no portal Prosa, Poesia & Cia., do Grupo Literário A ILHA, em Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br , a nova edição do Suplemento Literário A ILHA, com muita poesia, com crônicas e ínformação literária.

terça-feira, 1 de março de 2011

O CONTO MAIS VIVO TORNA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Leio, numa dessas grandes revistas semanais de informação, que o conto, a história curta, volta à cena, depois de permanecer no limbo por mais de duas décadas: passa a ser respeitado e publicado por várias editoras e se transforma no ponto de partida para os novos escritores, aspirantes a autores de romances, novelas, etc.

Não há dúvida que é ótimo o assunto ter merecido atenção e destaque num veículo de tão grande alcance. É muito importante registrar o fato para que todos tomem conhecimento daquilo que o mercado editorial está vivenciando. Particularmente, não vejo o conto como um gênero literário que estivesse em vias de extinção, como a matéria sugere. Sei que sempre foi difícil conseguir uma editora que publicasse um livro de contos, principalmente de autor novo. E a dificuldade também existe e existiu desde há muito tempo para livro de poemas e de crônicas. Mas sei também que as edições próprias ou alternativas se sucederam neste período considerado de decadência do gênero e através delas bons contistas se revelaram e se projetaram. Em Santa Catarina, um bom exemplo disso é Enéas Athanázio, que publicou vários livros de contos, muitos deles as suas próprias expensas, sendo reconhecido como um dos melhores contistas do estado não só aqui, mas por quase toda a comunidade literária do país. E há outros exemplos de sucesso, pelo menos por aqui, na escritura de contos, como Francisco José Pereira. Então, depois de ser relegado a gênero "maldito", por carregar o estigma de "não vender", o conto está aí, mais forte do que nunca, alavancando vendas, como é o caso da coletânea "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", que vendeu mais de cem mil exemplares, e também servindo de laboratório para renovação da nossa literatura.

A matéria traz depoimentos de editores e escritores que reconhecem que, apesar de ser mais publicado atualmente, o conto ainda vende pouco. Todos sabemos disso e sabemos também que a causa disso não é só a grande quantidade de oferta para poucos leitores. A qualidade de boa parte do que é publicado não anima o leitor a investir na sua leitura.

O fato é que o conto está resgatando o seu valor e as editoras estão percebendo que ele é um gênero que também pode fazer bonito no concorrido mercado editorial.

Como já disse em outro artigo sobre conto, ele é objetivo, linear, atual. É história curta, rápida, de linguagem quase telegráfica, com apenas um núcleo, com apenas uma unidade dramática e de ação, onde o bom autor vai até o ápice de uma situação.

É um gênero rico e relevante - é a matriz do romance e da novela - porque além de retratar costumes e modo de vida de uma sociedade em um determinado espaço e um determinado tempo, cumpre a função de mudar o comportamento do leitor, criticando, denunciando, sugerindo soluções e chamando a atenção para seus problema s e potencialidades, através de personagens e situações.