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sábado, 30 de abril de 2011

"TODOS PELA EDUCAÇÃO"

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/


Uma campanha de volorização dos professores foi lançada, no dia 12 de abril, pelo movimento “Todos pela Educação”. De lá para cá, a mobilização nas redes sociais tem aumentado e até a imprensa está comentando o tema.

A importância da campanha é primordial, num momento em que não dá pra esconder o sucateamento da educação brasileira. Os cursos superiores de licenciamento estão se esvaziando, porque não há motivação para que as pessoas estudem para serem professores, com a perspectiva sombria de salários baixos, escolas sem manutenção e sem equipamentos, falta de valorização enfim, por parte do poder público e até da sociedade.

O slogan da campanha é “Um bom professor, um bom começo”. Excelente slogan, o retrato da mais pura verdade, mas nos remete a uma pergunta mais intrigante: o professor não foi aluno dessa mesma escola ruim que estamos tentando melhorar? Para ser um bom professor, ele não deveria ter tido um bom começo?

Para se formar um bom professor, o estudante precisa ter um ótimo ensino fundamental, um bom ensino médio, um bom ensino superior. Se não tiver isso, se a qualildade do ensino obtida por ele no decorrer da sua formação não for boa, como poderá ser um bom professor? Porque o professor é fruto, é resultado da educação que o país oferece. E a educação que o Brasil oferece não é boa.

Há um desrespeito crescente para com os educadores e para com os estudantes. Não são dadas condições decentes para o desempenho da profissão de professor, nem condições condizentes para o estudante aprender, se formar.

O comando do país mudou (mudou?), o comando dos Estados também, na última virada de ano. O que estão fazendo a presidente e os governadores para melhorar a educação que fingimos não ver que está se encaminhando para a falência total?

Esperemos que eles tomem conhecimento da campanha e se unam a todos os brasileiros no sentido de resgatar o ensino de qualidade, para que tenhamos, daqui para a frente, estudantes mais aptos a se formarem bons profissionais. Não só na área da educação, onde são tão necessários, sem que tiremos a importância e o valor de tantos professores dedicados e abnegados atuando por esse Brasil afora, mas em toda e qualquer área.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

PEQUENAS TIRAGENS NA PONTO DA CULTURA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/  
Quero alertar as pessoas que pretendem imprimir seus livros em pequenas tiragens, encomendando mais exemplares conforme a demanda. Precisei contratar uma editora dessas que fazem pequenas tiragens, procurei na internet e achei, mas tive uma péssima experiência.

Mandei os arquivos em pdf de um livro infantil de uma amiga que estava com a segunda edição esgotada e a editora que o publicara não existia mais. Pedi um orçamento à Ponto da Cultura Editora, do Sr. Mario Stavolta, e ele me retornou com os preços. Então fiz modificações de última hora na última página do livro e na capa e enviei de novo para que fosse feita a impressão. Mas o editor, para minha surpresa, declarou que não poderia imprimir o livro com os arquivos em pdf que havia enviado, que precisava dos arquivos em jpg, porque havia ilustrações. Telefonei a ele e conjeturei que todo mundo faz a impressão com os arquivos em pdf, mas não adiantou, ele bateu o pé e tinha que ser em jpg. Enviei meus arquivos em pdf para um profissional de editoração gráfica e ele transformou os arquivos em jpg. Mandamos um linke ao editor para ele puxar os arquivos, mas ele se recusou a recebe-los no computador dele, porque “demoraria muito”.

Paguei uma remessa por sedex e mandei pelo correio.

Pedi que o sr. Stavolta conferisse para ver se era isso mesmo e ele confirmou, disse que imprimiu e que estava tudo certo. Então paguei metade do valor acertado e pedi que me enviasse uma prova.

Aí complicou ainda mais. O sr. Stavolta me mandou mensagem dizendo que a impressão, agora, não ficara boa, que as imagens em cores ficaram bem, mas os textos em preto ficaram borrados. Questionei-o quanto à mensagem que havia me enviado anteriormente, dizendo que estava tudo certo. Ele deu a desculpa que tinha impresso o livro em preto e branco, quando do recebimento dos arquivos, quando na verdade o livro é em cores.

A solução foi fazer novamente os textos do livro. Só que, a essa altura, ele já queria modificar o orçamento inicial e queria cobrar mais pelo livro. Disse a ele que ele não poderia mudar o orçamento no meio do serviço e alertei-o que estava com o registro de toda a “negociação” que tivéramos até então.

Ele finalmente me enviou a prova do livro. Só que ele usara não os arquivos em jpg que ele havia exigido e que eu tive que enviar por sedex e sim o primeiro dos arquivos que eu havia enviado. Ora, se ele exigiu que os arquivos fossem em jpg, eu não me preocupei com a possibilidade de ele viesse a usar o primeiro arquivo que era em pdf, uma vez que ele me garantira que não havia condições de fazer o livro com arquivos que não fossem jpg. Além disso, havia erro na capa, que ficou com uma tarja em branco do lado direito, que ele não cortou porque a capa estava desproporcional em relação ao miolo e se fizesse o acabamento cortaria parte útil das páginas internas.

Fiquei indignado com a incompetência do “editor” e liguei para ele perguntando porque exigira que transformássemos os arquivos de pdf para jpg, se ele não usara os arquivos que pediu, que a impressão estava errada porque fora feita com os primeiros arquivos enviados em pdf. Ele só me pediu que eu ficasse calmo, que aquilo não era nada, que não era para eu ficar nervoso como estava.

Depois mandou-me mensagem dizendo que “achara” os arquivos em jpg que ele exigira e que mandaria os livros com a impressão correta da última página.

Só que ele não envia os livros sem que se pague o saldo, a segunda metade. Mandou a conta, para que fizéssemos a tranferência para a conta dele, só que somava cinqüenta reais a mais do que era devido. Acrescentou, é claro, a despesa com remessa da prova e dos livros, mais os cinqüenta reais que extrapolavam o orçamento.

Retornei a mensagem mostrando os recibos dos pagamentos e provando que havia cinqüenta reais na conta que não devíamos. Ele acabou concordando e mandou os livros por PAC.

Então, previno a quem esteja procurando esse tipo de serviço, que não vale a pena passar por tudo isso. E o livro nem ficou com uma apresentação muito boa. A impressão colorida ficou meio carregada, como se fosse feita com uma matriz de off set de má qualidade. Na verdade, a impressão dele é digital. Tenho toda a troca de mensagens e recibos para comprovar o que está exposto acima.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

"POLÍTICAS" CULTURAIS

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Gosto de ler publicações literárias e culturais - tento conseguir tudo o que é possível, para saber o que está acontecendo e o que se está produzindo. Existem, ainda, aqueles jornais “sérios”, como alguns suplementos com textos enormes e com vocabulário por demais rebuscado, hermético, feito para meia dúzia de “intelectuais”. Mas também há coisas boas, com textos objetivos, interessantes e claros. Um bom sinal é que os jornais diários, alguns dos grandes jornais por este Brasil afora, estão abrindo mais espaço para a cultura e, felizmente, para a literatura,em seus cadernos de variedades. Resenhas, novos livros, lançamentos, entrevistas com escritores da atualidade.
Dia destes, no meu garimpo pelos jornais, li um artigo sobre política cultural e tive que concordar com alguns pontos levantados pelo autor. Por exemplo: a cada novo governo que toma posse nos estados, no nosso e na maioria deles, faz-se planos e mais planos para a cultura. Os novos governantes reúnem o pessoal do meio, discute-se muito e chega-se à conclusão de que “desta vez vai funcionar”.

Já estamos no segundo trimestre do nosso novo governo, em nosso estado, e as coisas não foram muito diferentes: muito se fala em cultura, mas de concreto, nada ainda. Estamos esperando que o Jornal O Catarina, da Fundação Catarinense de Cultura, tenha uma periodicidade diferente daquela que teve nos últimos dois anos, de apenas uma edição por ano. Este ano o jornal ainda não saiu. O CIC – Centro Integrado de Cultura, onde funciona a FCC, o maior teatro da capital, e outras entidades culturais, está em reforma há dois anos e pouca coisa foi feita, apesar dos muitos milhões de dinheiro público gastos lá. Estamos esperando que a coisa ande e que responsabilidades sejam apuradas.
Contamos com nova edição do Prêmio Cruz e Sousa, também, e com o segundo Edital para compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais, prometido para o ano passado, mas que não saiu. Trata-se de uma lei que há quase vinte anos não vinha sendo cumprida e que teve, finalmente, um edital na gestão de Anita Pires. E mais integração da capital com a cultura de todo o Estado, mais atenção da Secretaria de Cultura e da FCC a todas as manifestações culturais catarinenses, de qualquer cidade catarinense. Será que as coisas andarão melhor, neste novo governo?

Na verdade, precisamos muito de uma política cultural que funcione, que contemple todas as modalidades de arte. Mas não basta que se estude, que se discuta, que se planeje, que se faça leis que não são cumpridas, que se prometa. Temos, em SC, boas iniciativas que funcionaram, como o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, que concede os maiores prêmios em dinheiro do país, além da publicação dos livros, para autores não só catarinenses, mas também a nível nacional.

Prêmios que poderiam ser menores, talvez, para que se pudesse viabilizar outros projetos, como o cumprimento da Lei Grando, por exemplo, que teve apenas um edital, entre outras coisas. Uma boa política cultural não seria dividir os recursos de maneira que mais projetos culturais fossem contemplados e que um público maior fosse agraciado, beneficiado?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

NOSSA CORA CORALINA

  Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

A antologia FIM DE NOITE, organizada a partir do programa radiofônico do mesmo nome e publicada no ano passado, vai para a segunda edição, em homenagem ao organizador da antologia e apresentador do programa que lhe deu origem, Sólon Schil, falecido no ano passado, e à poetisa Maria Ássima Fadel Dutra, uma das muitas ouvintes que enviavam poemas ao programa Fim de Noite, falecida em fins de 1998.
Maria Ássima Fadel Dutra – ou simplesmente Mariana, a Vó Mariana, a poetisa mais amada da poesia catarinense e mais atuante, também, a despeito dos seus mais de noventa anos de idade – ela nasceu em 22 de abril de 1905. Ela era a vó Mariana de quase todos os poetas e simpatizantes da poesia do norte catarinense. Publicou três livros: “Caminhantes da Minha Rua”, “Sonhar e Viver” e “Folhas ao Vento”.Participou de várias antologias e publicou seus poemas em jornais e revistas.
Mariana era, sem nenhum favor, a nossa Cora Coralina. Em cada lugar onde a poesia estiver presente, em cada reunião de poetas, sempre que um poema estiver sendo recriado – lido ou recitado, sabemos que lá estará ela, como sempre esteve nos Varais de Poesia, nos Recitais, nos lançamentos, nas palestras e encontros, poetisa mais assídua que muito poeta que não tinha um quarto da idade dela.
Mariana foi e continuará sendo o ícone maior da poesia de Santa Catarina: ela foi, por si só, um grande poema, talvez o mais bonito que já conhecemos.
Por tudo isso e muito mais, a idéia da homenagem “in memorian” é muito oportuna e não podemos deixar de aplaudi-la. De pé.
E para que se possa saber um pouquinho mais de Mariana, para que aqueles que não tiveram a felicidade de conhecê-la tenham como fazer uma idéia da beleza e da grandiosidade da poetisa e da pessoa, transcrevo dois poemas que fiz para ela, quando ainda podíamos desfrutar da sua companhia:


CANÇÃO PARA MARIANA

Alma branca, refletindo luz,/Como o branco dos cabelos,/Como a luz do seu sorriso/E a juventude do seu ser.Ela é Vó Mariana,/A poesia encarnada,/Verso de amor e ternura,/Um poema não escrito.Que idade tem Mariana?/A idade da poesia,/Da juventude da alma,/Que o tempo não modifica.Vó Mariana é assim:/Um carinho cativante,/A poetisa brilhante,/Perene como a poesia...

MENINA
Menina de cabelo branco,/nossa Cora-Coralina,/vem e ensina pra gente/o segredo da juventude./Será a poesia que brota/tão sensível de seus dedos?/Será essa luz nos olhos/a iluminar o futuro?/Será esse teu sorriso/a distribuir ternura?/Será a vida, enfim,/a lhe render homenagem?/O que será, Mariana,/esse segredo só teu,/da eterna juventude?
Se você leu até aqui e quiser ver fotos e mais detalhes de Mariana, acesse Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/Marianaescritcat.htm

terça-feira, 26 de abril de 2011

GOSTAR DE LER

Por Luiz Carlos Amorim – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Voltando ao assunto “Harry Potter como incentivador do gosto pela leitura em jovens de pouco idade”, vou falar do lado proibido dessa tendência. Vocês já vão entender o por quê “proibido”.
O ensino fundamental no Brasil tem, no seu conteúdo programático, a obrigatoriedade das aulas de leitura e literatura, dentro da disciplina de Língua Português – isto significa dar a conhecer os nossos autores clássicos, desde as primeiras produções de romance, por exemplo, em terras tupiniquins. E digo isso, porque os professores do primeiro e segundo graus, não raro, obrigam suas turmas a lerem José de Alencar, Machado de Assis e outros autores consagrados do passado, sob a condição da nota, que pode colocar em jogo o gosto pela leitura no futuro de leitores em formação.

É bom frisar que a culpa não é dos autores de livros como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Iracema”, “O Guarani”, “A Moreninha”, “Escrava Isaura”, “O Cortiço” e tantos outros. É interessante que conheçamos as raízes da nossa literatura. A culpa é nossa, de pais e professores – sem generalizar, pois existem professores e escolas fazendo trabalho excelente e inovador nesse sentido - que não sabem (ou não podem, ou não querem) como incutir o gosto pela leitura nas crianças, pré-adolescentes e adolescentes.
Criança que não convive com livros em casa, desde cedo, e quando chega à escola é obrigada a ler livros sem ser cativada para isso, sem ter motivação para isso, não vai gostar de ler. Se não lhe passarmos a magia e o encantamento que estão contidos nos livros, o conhecimento e a diversão que podem ser encontrados neles, se não esclarecermos que eles, leitores, terão a criatividade e a imaginação aguçadas com eles, como esperar que gostem de livros? Se o os obrigarmos a ler livros que não tem muito a ver com eles, eles terão, isso sim, aversão a livros, como é comum acontecer.
Então, se livros como os de Harry Potter, Crônicas de Nárnia, O Senhor dos Anéis, Coração de Pedra, A Saga Cargtrofs, etc, dão o prazer da leitura aos pequenos leitores, porque não deixá-los ler esses livros, pra começar, - livros escolhidos por eles - e depois, quando já estiverem firmando o hábito de ler, apresentarmos os clássicos como José de Alencar, Bernardo Guimarães, Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Júlio Ribeiro e outros?
Mas antes de passarmos para os clássicos, deveríamos aproveitar o entusiasmo pela leitura das aventuras fantásticas para introduzir a leitura também fantástica maravilhosa de autores brasileiros. A começar por Lobato, que vai fundo na fantasia e na imaginação das crianças, criando uma boneca viva, uma espiga de milho que fala e que faz misérias, um Saci-Pererê (figura do folclore brasileiro), uma cuca (também do rico folclore brasileiro, conhecida por todos), que é a vila das histórias, e mais, muito mais.
Que criança não gostaria de voar nas asas da fantasia e da imaginação, quando da recriação da criatividade de nossos escritores? E são tantos, que nem me atrevo a enumerá-los.

Fica a idéia para discussão e para os condutores da educação em nosso Brasil – educação que precisa, mesmo, ser revista e repensada.

domingo, 24 de abril de 2011

BAILA FLORIPA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Acabei de voltar da última noite do Baila Floripa, mostra de dança de salão de Florianópolis. Dança é uma arte belíssima e dança de salão faz bem para o corpo, para o coração, para a alma. E poder ver dançarinos experientes subirem ao palco para mostrar as suas habilidades no diversos ritmos é um privilégio.

Esta décima edição do Baila Floripa esteve muito boa, mas senti falta dos comediantes que faziam a gente rir nos intervalos das últimas três edições. Acho que foi uma inovação implantada no Baila Floripa pelo Daniel, do Salão de Dança, quando ele era presidente da Acads, em 2008, com a apresentação do Luiz Negão, que também se apresentou em 2009, fazendo a gente dar boas gargalhadas. Em 2010, quando a gestão dele já havia acabado, ainda houve intervalo com stand up comedy, com uma comediante da qual infelizmente não lembro o nome, mas que também foi muito divertida.

Mas valeu pela dança. Notamos que este ano diminuiu o número de inscritos de fora de Floripa, o que é uma pena. Torcemos para que a mostra de dança de salão do Baila continue firme e forte, se possível com mais um dia de espetáculo, como era algumas edições atrás.

Agora vamos aguardar o Prêmio Desterro, Festival de Dança de Florianópolis, que nos trará, com certeza, outras grandes atrações.

sábado, 23 de abril de 2011

PCH, AINDA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Estive lendo a informação técnica 50/2010, que faz parte do processo FATMA DIV 107/CRN, para estudo de viabilidade da construção da PCH Corupá, sobre análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental e de documentos correlatos que foram entregues incompletos pela empresa autora do projeto. A Fatma, neste documento, faz solicitação de atendimento a dezenas de questões que não foram cumpridas – ou as informações não estava completas - no Estudo de Impacto Ambiental enviado pela empresa Corupá Energia, para obtenção da licença de construção.

São dezenas de quesitos pedidos para que o estudo de viabilidade ambiental da PCH Corupá seja apreciado, inclusive os questionamentos da comunidade corupaense na audiência pública feita do ano passado. Aliás, essa solicitação de complementação já foi feita à empresa em outubro de 2010, conforme data do próprio documento. A construtora da PCH declarou à imprensa que só agora vai contratar empresa especializada para atender às solicitações da Fatma.

Conforme solicitação da Associação de Desenvolvimento Sócio-Ambiental Corupaense, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, autarquia ligada ao Ministério do Meio Ambiente, também vai analisar o projeto para verificar a viabilidade ou não da construção da pequena hidrelétrica que entre outros impactos ambientais, coloca em risco a vazão da Cachoeira Bruaca, cartão postal de Corupá, vista quando se chega à cidade.

É interessante ver que várias entidades, inclusive a Fatma, que irá emitir parecer sobre a viabilidade da PCH, estão atentas para o cumprimento das exigências legais para avaliar a possibilidade ou não de construção de uma pequena hidrelétrica na pequena, pacata e linda Corupá, respeitando, inclusive, a vontade da comunidade. Responsabilidade e competência na condução do estudo do projeto são indispensáveis, para que se cheque a uma conclusão justa.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

AMIGOS EM QUINTANA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Ter amigos é uma das coisas mais importantes da vida. Tenho muitos amigos escritores, tenho amigos leitores, tenho amigos que leem pouco, mas até me leem. E muitos desses amigos gostam de Quintana, o menino Quintana, como eu.

Hoje recebi uma mensagem de uma grande amiga, Else Sant´Anna Brum, escritora e leitora, que está em Porto Alegre, neste feriadão de Páscoa, e encontrou o livro “Mario Quintana – 100 anos”, comprou um exemplar para ela e perguntou-me se eu já o tenho, pois se eu não tivesse, ela compraria um para mim também. Não é para eu ficar feliz?

Há vários livros do Mestre Quintana que eu ainda não tenho, mas através de amigos fantásticos como dona Else, vou avançando com a minha coleção.

Senão vejamos: no ano passado, ganhei uma cópia do livro “Só Meu”, do poeta maior, através da professora Mariza Schiochet, conterrânea que leciona em Joinville. O livro é uma seleção de poemas e trechos de textos direcionados para crianças, resultando em uma bela obra infantil e infanto-juvenil. Foi publicado após a morte do poeta.

O livro bilíngüe “Poesie di Mario Quintana”, com seleção de poemas de Quintana no original em português e traduzidos para o italiano, por Pierino Bonifazio, eu ganhei de presente de aniversário, há uns dois anos, de Maria de Fátima Barreto Michels, a Fátima de Laguna, grande admiradora do poeta passarinho. Foi ela que me convidou para que fôssemos parceiros na edição da revista Mirandum, da Confraria de Quintana, fundada por ela.

E mais para trás, em 2006, ano do centenário do nascimento de Quintana, eu ganhei o derradeiro livro do poeta, o último, publicado no ano da morte dele, no Relatório Anual do Banco do Brasil: “ÁGUA”, edição trilingue (português, inglês e espanhol) de poemas sobre o tema título, localizando-os em várias partes do Brasil. Em Santa Catarina, ele focalizou a Ponte de Blumenau e as Fortalezas da Ilha de Santa Catarina.

Da amiga Mary Bastian, escritora de Porto, da Porto de Quintana, radicada atualmente em Joinville, ganhei vários suplementos com entrevistas, artigos, resenhas e poemas do nosso poeta favorito.

Então, amigos são valiosos, são grandes tesouros que a gente tem, não só pela amizade, pelo convívio, pela presença, mas também pelo amor à arte em comum, no caso a literatura.

Obrigado, amigos, por me dar de presente o talento, a sensibilidade, a alma do grande construtor de emoções que foi e continua sendo Quintana. No dia 5 de maio próximo faz dezessete anos que o poeta foi povoar o céu com mais poesia, junto com Coralina, com Drummondd, com Pessoa. Dezessete anos de saudade, mas a poesia e a prosa dele conseguem trazê-lo para perto de nós, para dentro do coração de cada um de nós.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ESCOLA PÚBLICA E UNIVERSIDADE PÚBLICA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Falou-se muito, recentemente, no gasto astronômico da verba para a educação no ensino universitário, em detrimento do ensino fundamental. O MEC destina quase a totalidade dos recursos destinados à educação no ensino superior e quase nada no ensino de base. Não vou citar porcentagens, nem nomes de pesquisadores ou de revistas que publicaram as denúncias, pois é lastimável comprovar uma constatação que não é de hoje.


O governo usa o dinheiro público para beneficiar estudantes universitários que poderiam pagar, enquanto aqueles que não podem pagar ficam de fora. Ah, diriam alguns, mas porque aqueles que não podem pagar não passam no vestibular da universidade pública? Ora, porque esses não podem pagar ensino fundamental e de segundo grau em escolas particulares, nem cursinhos pré-vestibulares. E justamente o ensino fundamental e também o de segundo grau, relegados a último plano, é que estão sucateados, não dando base para os alunos que saem deles para fazer um bom vestibular ou um bom Enem (argh!).

As escolas públicas, além de pagarem pouco aos professores, estão mal equipadas, sem manutenção, sem segurança, sem qualidade de ensino. Não é via de regra, mas grande parte dela está nessas condições. Então os alunos que saem dela e não logram êxito nos testes para adentrar a universidade pública, acabam dando lugar àqueles estudantes que podem pagar escola particular e que poderiam pagar, também, o ensino superior.

Há quem defenda a cobrança da universidade pública. Se considerarmos que a grande maioria que estuda lá pode pagar, isso seria justo. Mas o que aqueles menos favorecidos que querem e precisam estudar esperam, é que a educação brasileira mude e seja mais coerente, mais justa na distribuição dos recursos que, na verdade, saem não só do bolso do aluno da escola particular, mas também de todos os outros, porque todos pagamos impostos. É preciso que a qualidade da escola pública melhore, que se dê mais qualidade a ela, que ela seja melhor equipada, que se pague melhor os professores e que eles sejam qualificados, para que os estudantes que saem dela possam ter acesso à universidade pública.

terça-feira, 19 de abril de 2011

IRMÃO ÍNDIO

Luiz Carlos Amorim


Cadê teu espaço
tua terra?
Onde está a tua liberdade?
O homem branco veio,
invadiu teu chão, tua casa,
ensinou a mentira,
descaracterizou o teu povo,
desmanchou a sociedade perfeita
que a tua gente tinha...

Marginalizaram-te,
Índio irmão,
Tu, o brasileiro legítimo,
único dono destas terras
tupiniquins...


Estão te exterminando,
Índio Irmão,
e não te deixarão, jamais,
voltar a ser o que foste...
Tiraram-te a Pátria,
expulsaram-te da terra,
apressaram o teu fim...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

REUNIÃO DE ESCRITORES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Joinville tentou reunir, no último sábado, dia 16, na Biblioteca Municipal, todos os “literatos” da cidade, como mencionou o jornal A Notícia, para formar a Confraria dos Escritores. A ideia é ótima, pois depois do Grupo Literário A ILHA, que atuou nos anos 80 e 90 na cidade, como a única entidade que dava assistência, orientação e guarida aos escritores da região, apenas um grupo existiu e mesmo assim atuou por poucos anos.

Dos 64 convidados, poucos compareceram, conforme a matéria da Notícia de hoje, e dentre eles vários são integrantes do Grupo Literário A ILHA, que foram prestigiar a boa nova que pode dar apoio aos autores joinvillenses: Else Sant´Anna Brum, Célia Biscaia Veiga, Rosângela Borges. Eu não pude comparecer, por compromissos aqui, mas fui bem representado.

A matéria da notícia menciona o último grupo que atuou em Joinville, mas infelizmente não fez menção às atividades do Grupo Literário A ILHA, que desenvolveu atividades durante quase vinte anos na cidade, no sentido de reunir os escritores da cidade e divulgar a literatura, popularizando a poesia, levando-a à praça, às festas, às casas de eventos culturais como Museu de Arte, Museu de Sambaqui, Casa da Cultura e outras.

O Varal da Poesia, o Recital de Poemas, a revista Suplemento Lilterário A ILHA – que existe e está completando 31 anos de circulação -, os lançamentos de livros, encontros de escritores, etc., são algumas das atividades que integravam os escritores à cultura da cidade, evidenciando o importante papel deles como formadores de opinião e cultores da palavra.

Esperemos que a nova Confraria venha a fazer um trabalho que supra a lacuna que ficou com a tranferência do Grupo A ILHA para Florianópolis.

domingo, 17 de abril de 2011

O "INTERNETÊS" NA ESCOLA

          Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Vi, recentemente, na tv, um trecho de entrevista com um professor de português, até bastante conhecido por suas publicações sobre o bom uso da língua. No trecho que vi – infelizmente peguei só o final – o entrevistador dizia a ele que estavam querendo incluir nas aulas de português o estudo do “internetês” – aquele “dialeto” que os jovens usam em redes sociais, no MSN, nos celulares, chats, etc., tudo abreviado de maneira que, às vezes, só eles entendem.

E o professor respondeu que espera que isto não seja verdade, pois os estudantes já têm muita dificuldade com o uso da língua portuguesa como ela deveria ser falada e escrita, imaginem se institucionalizarmos o “internetês”, o completo abandono da gramática, levando essa liberalidade para a escola?

Pois é. O conteúdo programático das nossas escolas de primeiro e segundo grau já não contempla as aulas de português com horas-aulas suficientes para ensinar a gramática e os professores ainda precisam embutir aí aulas de literatura e leitura. Então todo o trabalho – bom trabalho feito por alguns professores da escola pública – pode ser tolhido e jogado por terra com a abordagem de um modismo que ao invés de ajudar o ensino e o uso da língua, vai fazer justamente o contrário?

É até natural que nossos jovens criem e usem uma linguagem própria deles para facilitar a interatividade com o uso de tantas novas tecnologias na comunicação virtual, afinal a gíria existe ha muito tempo, é um recurso linguistico válido. Mas isso não justifica que se leve uma sublinguagem para a sala de aula, que se legalize uma forma de desestruturar as regras de bem escrever o português.

Se misturarmos as coisas mais do elas já estão misturadas, aí sim a língua portuguesa corre o risco de ficar muito mais comprometida e mudanças na ortografia, como a que tivemos recentemente, terão ainda menor importância ou necessidade do que na verdade já teve.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

TRANSPORTE COLETIVO E EDUCAÇÃO

     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/  


O prefeito da capital e o novo governador do Estado estão cada vez melhores. O governador quer porque quer dar uma escola estadual para os deputados aumentarem ainda mais as despesas de manutenção e pessoal fora do elefante branco que é a Assembleia. Em detrimento da educação, que já é um caos. Ninguém sabia de nada, ninguém consultou ninguém, o governador caneteou e até a própria assembléia (assim, minúscula mesmo) manifestou-se disposta a devolver o presente. Não é uma beleza?

O prefeito da capital autorizou aumento da tarifa do transporte coletivo, de novo, e rapidinho ela passa a valer neste domingo. Isso, logo depois de algumas empresas extinguirem algumas linhas e diminuir horários de outras, entupindo ainda mais as que ficaram, nos horários de pico e até fora deles. Quer dizer: diminuem os gastos e aumentam a passagem. Não é uma beleza? Isso sem contar que as empresas em Florianópolis ganham um “subsídio” de um milhão de reais da Prefeitura Municipal, todos os meses – isso não sou eu que estou dizendo, a imprensa divulgou mais de uma vez. E de onde sai esse dinheiro? Do bolso do contribuinte, é lógico, o que significa que ela paga duas vezes a mesma passagem. E sem contar, ainda, que as passagens daqui da capital são as mais caras do Brasil. Com ônibus ruins, sujos e menos deles circulando do que é necessário.

Mas o senhor prefeito, vereadores, etc. não andam de ônibus, não é?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

AS EDITORAS E OS NOVOS ESCRITORES

       Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/   


O escritor novo ou iniciante é obrigado a ser o editor da própria obra. Não existe consenso sobre a decisão de publicar escritores inéditos por parte das editoras: algumas poucas se dispõem a fazê-lo, outras não. A seleção é muito rígida e leva em conta os modismos do mercado. A editora recebe os originais de escritores novos e encaminha ao departamento editorial, que determina um prazo de, em média, três meses para análise. O “conselho editorial” ou equivalente dá uma olhada no original e só nesta olhada já são eliminadas a maioria das obras recebidas. Se, porventura, houver interesse, a editora faz uma oferta para compra dos direitos autorais e se encarrega de todo o processo até que o livro chegue às lojas. Se bem que isso é o que deveria acontecer, porque o que acontece, na verdade, se uma editora se propõe a publicar um livro de autor desconhecido, é pagar a parte dele, os dez por cento a que ele tem direito, em livros. E o autor que venda os livros para transformá-los em dinheiro.
Uma grande editora do eixo Rio-São Paulo recebe uma média de 50 originais por mês, mas só um ou dois são publicados por ano: significa que apenas 0,3 por cento dos iniciantes têm alguma chance com a editora.

Já outra diz que selecionou um original de estreante em 20 anos. A sucessora do Círculo do Livro recebe os originais de novos escritores e se o trabalho for realmente bom, compra os direitos autorias e se responsabiliza pela edição. Mas os “bons” são poucos: 99 por cento dos textos recebidos são descartados por erros gramaticais ou por estarem manuscritos.
Uma história razoável, um bom texto e conhecer as pessoas certas no meio editoral são itens imprescindíveis para persistir na idéia de publicar seu primeiro livro. Projetos debaixo do braço, lista de endereços e sorte também são um começo - bem menos promissor. Um pouco de cada um dos dois caminhos talvez tenha trilhado este articulista, que publicou um livro pela editora Lunardelli, de Florianópolis, numa co-edição com uma prefeitura, graças ao interesse de um prefeito pela cultura da sua cidade – falo do Dr. José Schmit, de São Francisco do Sul – e outros três, um em âmbito nacional e os outros no exterior.
A oportunidade depende também, um pouco, do gênero que o autor escreve. Se o gênero do iniciante for romance e o seu trabalho for muito bom, ele precisa, antes de tudo, de sorte para que alguém leia o seu original. Há uma editora, aqui em Santa Catarina, de propriedade de uma escritora, amiga nossa, que pelo menos propicia a oportunidade de ter o seu original lido e avaliado. Bons títulos têm sido publicados, ainda que com dificuldade. Mas há empenho, por parte da editora, na distribuição, para que o livro possa vender.

Gênero como poesia, ainda mais sendo de autor novo, não vende, segundo as editoras. Livro de poesia, para as grandes editoras – e para as pequenas, também, infelizmente – tem que ser de autor de renome. O que é, no mínimo, questionável, pois as edições próprias, de autores que ainda não publicaram por editora, de mil ou dois mil exemplares, vendem em pouco tempo, ainda que se restrinja ao regionalismo e com um tipo de distribuição diferente: o autor leva seu livro de porta em porta, oferece sua obra em vários locais diferentes: bares, praças, escolas, etc, e consegue vendê-lo.

O problema, talvez, talvez seja a falta de divulgação efetiva de livros de novos autores. O marketing têm de ser bom, como aquele que é feito para os enlatados que vendem muito bem no Brasil. A verdade é que a produção de poesia é muito grande e a internet facilita que ela seja publicada no meio virtual, então há muita oferta gratuita desse gênero. Nem tudo é bom, mas há boas surpresas.
Mas, como para os livreiros e editoras o livro é apenas um produto, eles não querem arriscar e preferem vender obra conhecida ou de autor conhecido. Uma pena, pois obras muito boas ficam relegadas ao regionalismo e à massificação da internet.

terça-feira, 12 de abril de 2011

QUE VENHA O INVERNO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Ontem falei do friozinho que vem chegando de mansinho, devagar. Mas o calor continuou hoje, e parece que o verão não se deu por vencido e reinou com força total. Apesar da previsão de tempo ruim, tivemos sol como em quase todos os últimos dias – só fica nublado ou chuvoso, nos últimos tempos, nos finais de semana, para desespero de muitos – e meus pés de araçá carregados ficam amarelinhos. Tenho comido muito araçá madurinho, madurinho, muito doces por causa do sol. E, além do sabor inconfundível e intransferível dos araçás, fico feliz de poder colher frutas tantas de minhas árvores anãs – acho que não chegam a um metro de altura – plantadas em meu pequeno jardim, único lugar com terra à vista em minha casa.

É claro que, apesar de pequeno, tem muito mais coisa plantada nele, destaque para meu pé de manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, carregadinho de botões, anúncio de que o inverno está próximo.

E, voltando a falar de inverno, esqueci de falar, na crônica de ontem, da tainha. Aqui neste litoral da Santa e bela Catarina, inverno é sinônimo de tainha. A safra pode ser fraca, mas a tainha não pode faltar. Tainha é o inverno aqui na grande Florianópolis.

Então estamos conversados: vai começar a florescer o manacá-da-serra, o jacatirão do frio, e está chegando a tainha, para comemorarmos o inverno. Tainha recheada com ova e camarão, tainha frita, caldo de tainha, cambira (tainha escalada e seca), hum... Não é, Fátima de Laguna e Antonio?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

OUTONO E FRIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


E o friozinho chegou. Apesar das chuvas, que continuam a cair em quantidades bem maiores do que as esperadas, causando destruição e fazendo desabrigados, situação que se agrava bem mais com a iminência do inverno, o outono está aí.

Gosto um pouco do frio, mas espero que ele venha e a chuva diminua, para que não traga mais sofrimento às pessoas que já sofreram tanto com tempestades, ventos, granizos.

Um sinal a mais da proximidade do inverno eu descobri hoje em meu jardim: um de meus pés de jacatirão está cheios de botões. Meu pé de manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, vai florescer lindamente lá por junho e julho, enfeitando de flores o nosso frio. É bem verdade que se chover demais, as flores caem mais cedo e o espetáculo de cores do inverno será mais curto.

Inverno é o tempo em que a gente se aproxima mais das outras pessoas, é o tempo que faz com que nos reunamos mais. Qualquer motivo é pretexto para um café bem quente com pão de queijo também quentinho, feito na hora, uma boa sopa escaldante, um caldo de peixe, um bom vinho, um bom filme, em companhia dos amigos. Um bom livro também é uma boa pedida.

Então espero esse inverno como nenhum outro, para saber o quanto a natureza está zangada conosco pelo nosso descaso para com ela, com o meio ambiente, com este planeta onde vivemos. Para saber se teremos apenas o tempo frio que nos aproximará uns dos outros ou se sentiremos, ainda mais, a força da natureza. Espero que consigamos nos redimir, pelo menos em parte, para reverter essa trajetória crescente de tragédias naturais que vem ocorrendo pelo mundo, inclusive no Brasil.

domingo, 10 de abril de 2011

PREÇOS & PREÇOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


No domingo passado, de passagem por Joinville, fui fazer compras no supermercado Big perto do Centreventos, e fiquei indignado com a descoberta de que o registro do preço de pelo menos uma mercadoria no cupom fiscal, era diferente do real. Eu tenho experiências ruins de compras no Big, então procuro olhar o que é registrada na hora de pagar. Comprei, entre outras coisas, um jornal A Notícia, e fiquei surpreso ao ver no cupom o preço cobrado: três reais e quarenta e sete centavos. O jornal A Notícia de domingo custa três reais.

O agravante é que as outras mercadorias daquele supermercado não trazem o preço em cada unidade. O preço está na prateleira. Então não dá pra saber se não pagamos preços diferentes daqueles que estão afixados pela loja, uma vez que o que temos nas sacolas não traz etiqueta para podermos conferir.

Não há lei que obriga o comerciante a colocar preço em todos os produtos em oferta?

Fica o alerta para os clientes: confrontem os preços estipulados com o que foi cobrado e exijam que os preços sejam colocados em cada unidade.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A SAÚDE DO MUNDO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


E ontem, dia 7 de abril, transcorreu o Dia Mundial da Saúde. Não temos muito o que comemorar, porque a saúde pública brasileira está um caos, as pessoas que dependem do SUS esperam meses, anos, por uma consulta, faltam médicos, faltam leitos, funcionários e equipamentos nos hospitais, faltam hospitais, há pessoas morrendo nas filas de emergências e postos de atendimento. Apesar de nosso ex-presidente alardear aos quatro ventos que a saúde pública de nosso país é modelo, que funciona às mil maravilhas.

Sem contar que a saúde do planeta também anda na UTI, por conta dos maus cuidados do próprio ser humano que vive nele. E a natureza está se rebelando, está dando o troco por tanto descaso, como temos visto ultimamente, no Brasil e em outros países.

Estou sendo pessimista? Infelizmente não, estou sendo apenas realista. Gostaria de constatar que estou simplesmente exagerando, mas todos sabemos que não é assim.

Quando falamos de saúde, devemos pensar na saúde do ser humano e na saúde do Planeta Terra, na saúde do nosso meio ambiente. E todos sabemos que a saúde de todos os três não anda boa, faz muito tempo. Não cuidamos da natureza, não respeitamos a natureza como ela merece ser respeitada e ela não aceita desaforo. Dá o troco. Então, se a saúde da Mãe Natureza não vai bem, a nossa também não, consequentemente. E a culpa é nossa.

Não cuidamos do lugar onde vivemos, fragilizamos a saúde do planeta, envenenamos o ar, a água, a terra. O resultado é a nossa saúde fragilizada. Precisamos devolver a saúde ao meio ambiente, ao planeta, para restabelecer a nossa própria saúde. Com muita urgência. Porque o tempo está se esvaindo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CÉU DE BRIGADEIRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


O céu de brigadeiro de hoje, o sol quente e brilhante de início de outono estão belíssimos hoje. Apesar de ter havido muitas tempestades com enchentes e tragédias tantas em vários estados nos últimos tempos – ontem mesmo houve chuva, vento e granizo em cidades do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina – o tempo dá uma trégua e o mundo fica bonito outra vez. A passarinhada vem cantar a minha porta, entra na minha cozinha e vem me dizer que a natureza ainda acredita em nós, seres humanos, que talvez ainda possamos nos redimir.

E a imagem do céu azul invade os meus olhos e minha alma capta esse quadro de beleza ímpar para que, mesmo que mais para frente haja nuvens e vento, eu possa ter a paz e a serenidade gravados em meu coração. Para poder enfrentar a diversidade que eu mesmo provoquei.

Hoje o dia foi lindo, mas não posso me enganar e achar que daqui para a frente tudo será claro e azul, que os erros que cometemos até aqui não comprometerão nosso futuro. Preciso aproveitar os bons dias para refletir minhas ações e procurar mudar meu comportamento, no sentido de não agredir o meio ambiente, de não poluir a natureza.

Porque o tempo está furioso com o descaso de nós, filhos da Terra, que renegamos a Mãe Natureza e estamos destruindo o planeta. As amostras da indignação de uma força maior que rege os destinos de tudo já são bem visíveis. Saberemos entender a tempo de reverter o processo?

Queria poder apenas cantar a beleza do dia, sem me lembrar que em outros lugares o dia foi bem diferente, com pessoas desabrigadas, casas destruídas, pessoas mortas. Mas por mais que eu não tenha sido atingido por vento, chuvas torrenciais que provocam enchentes e deslizamentos, raios e trovoadas, a dor daqueles que passaram e estão passando por tudo isso dói em mim também.

Quisera poder dar àquelas pessoas atingidas pelo mau tempo um pedacinho do meu céu azul, para amenizar a dor de suas perdas, para dar-lhes esperança no amanhã. Então divido o céu de brigadeiro e a responsabilidade de cuidar melhor do lugar onde vivemos, para que a natureza volte a se tranqüilizar e não precise mais se indignar conosco.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O CONTEÚDO DOS LIVROS INFANTIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

É cada vez maior a quantidade de livros infantis que vem sendo publicados. Não é de hoje que o gênero mais vendido em feiras e bienais – e nas livrarias, também - é o infanto-juvenil e isso dá incentivo às editoras, grandes ou pequenas, a investirem mais no gênero. É importante que haja quantidade e variedade deste gênero destinado aos leitores em formação, pois é só oferecendo livros, colocando livros nas mãos e diante dos olhos de nossas crianças que teremos mais leitores amanhã.
Mas será que o conteúdo desses livros, apesar da quase sempre esmerada apresentação gráfica, às vezes até luxuosa, tem consistência literária?
Não vamos aqui falar dos antigos e tradicionais contos de fadas, as clássicas fábulas, lidos de geração a geração há mais de uma centena de anos, publicados em incontáveis edições, das mais sofisticadas às mais baratas. Já nos ocupamos deles em outra crônica e não são eles os melhores conteúdos literários. Muitas daquelas fábulas não são nem politicamente nem educacionalmente corretas.
Vamos focalizar a literatura infanto-juvenil brasileira, tão fecunda e tão promissora: uma boa parte do muito que se tem publicado para o público infantil no Brasil é de grande qualidade literária, com excelente conteúdo. Existem, sim, aqueles livros com brilhante apresentação, com visual esmerado, mas com conteúdo que não acompanha a beleza das ilustrações e edição apurada: o apelo maior é mesmo para as cores e desenhos.
Mas há muitas edições infantis e infanto-juvenis que primam pelo conteúdo, tanto que às vezes podem prescindir da arte plástica, das ilustrações. E outras em que a qualidade literária acompanha a excelente apresentação gráfica, equiparando-se e complementando-se texto e ilustração.
Desde Monteiro Lobato temos tido, cada vez mais, bons autores de literatura infantil e infanto-juvenil em nosso país. Nomes conhecidos e consagrados em todo o Brasil e nomes com grande popularidade em seus estados, como é o caso de Santa Catarina, que tem dezenas de ótimos escritores de textos para crianças, alguns com projeção nacional.
Temos que prestigiar os nosso produtores de textos infantis e infanto-juvenis e comprar menos as fábulas importadas, que já não pagam mais direitos autorais e são vendidas a preços muito baixos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

LIVROS QUE VÃO E NÃO VOLTAM

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Já falei aqui sobre o Floripa Letrada, projeto da Secretaria de Educação da Prefeitura de Florianópolis que disponibiliza livros em alguns dos terminais de ônibus urbanos. A iniciativa, que tem o nobre objetivo de incentivar a leitura, aceita doações e eu me propus colaborar, então telefonei para o número indicado nas próprias estantes do projeto, onde também consta que eles vem apanhar os livros. Dei o endereço e esperei um mês. Então telefonei novamente e na Secretaria de Educação me disseram que não havia carros para pegar os cento e tanto livros, que eu poderia doar para outra entidade. Indignei-me e disse que ia escrever a respeito, que me propus a colaborar com o projeto e se a prefeitura promete pegar os livros precisa cumprir. Então passaram a ligação para outra pessoa, que pegou de novo meu endereço e prometeu que viriam buscar meus livros.

Passados alguns dias, como não apareceram liguei de novo. Então dois dias depois apareceram umas quatro pessoas do departamento da secretaria que fazem parte do projeto e pegaram os livros que havia separado.

Só que, passadas duas ou três semanas, ligaram da Secretaria de Educação aqui para minha casa perguntando se poderiam passar para pegar os livros que ofereci. Expliquei que já haviam levado. Passou mais uma semana e ligaram de novo de lá, perguntando de novo se eu estaria em casa para eles pegarem os livros.

Então pergunto: não há controle sobre o que é doado para o projeto? Eles vem pegar os livros que a gente oferece, mas não é registrado em nenhum lugar que receberam uma doação de cerca de cento e cinqüenta livros, recolhidos tal dia, em tal endereço? E mais: a secretaria arranjou um carro para pegar os meus livros porque eu disse que era jornalista. E as outras pessoas que haviam ligado oferecendo doação só começaram a ser atendidas semanas depois?

Outro detalhe sobre o projeto, que reflete a pouca educação que nós, cidadãos, temos com relação à cultura: o projeto disponibiliza os livros a título de empréstimo, ainda que sem registro de quem leva e do que leva. O contrato implícito entre quem leva e quem coloca à disposição, é de que as pessoas podem levar os livros, mas depois de lidos eles teriam que ser devolvidos à estante para que outras pessoas pudessem levá-los para ler e assim por diante. Infelizmente os livros, na sua grande maioria, só saem das estantes do Floripa Letrada, dificilmente voltam.

E pior: na semana passada, conversando com uma dona de um sebo da capital, soube que algumas pessoas já foram oferecer a ela, para venda, livros do projeto. Lamentável que isso esteja acontecendo, que pessoas peguem livros do Floripa Letrada para vender. Já vi pessoas pegarem vários livros de uma vez, na estante do projeto, mas preferi pensar que era para ler. Depois que soube da venda dos livros saídos dali, percebi que nem sempre isso é verdade.

É uma pena. Quem sabe, já que há vários funcionários da secretaria envolvidos com o projeto, como vi quando vieram a minha casa, será que não poderia haver alguém para controlar esses empréstimos nas estantes?

domingo, 3 de abril de 2011

A OITAVA FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Pois então. Como acabo de dizer, acabo de chegar do norte do Estado, onde participei da Feira do Livro de Joinville, com o lançamento da segunda edição do meu livro “Terra: planeta em extinção”. A sessão de autógrafos foi ótima, muito mais do que o esperado, pois chovia muito em Joinville, naquela tarde. Foi muito bom, havia várias pessoas esperando: estudantes, escritores amigos, leitoresl. Não poderia ser melhor. Revi amigos, conheci leitores, encontrei muita gente. É bom voltar às origens. Encontrei muita gente querida que eu queria mesmo rever.

A feira mudou de lugar, agora está no Expocentro ao lado do Centreventos, onde se faz o Festival de Dança. É um ótimo lugar, bem amplo e a feira ficou bem distribuída, com os stande de livrarias, editoras e de sebos, um palco com auditório bem amplo, no meio do espaço, com mais de cem cadeiras e outro auditório em um dos lados, separado, maior ainda, onde escritores famosos como o Andre´Trigueiro fizeram ou vão fazer sua palestra até o dia 10, quando se encerra o grande evento literário, o maior do Estado se considerarmos o tamanho e as personalidades que participam dele. Trigueiro fez longa palestra na tarde de sábado, autografou seus livros e fez o maior sucesso. A oficina com Antonio Torres foi no Centreventos, mas eu não pude participar porque transcorreu no mesmo tempo do meu lançamento. Cheguei as três da tarde e saí as seis e foi muito gratificante. Depois da oficina houve um encontro de escritores, mas também não pude participar, o que foi uma pena.

Foi importante ver o respaldo que a feira de Joinville vem tendo, com realização a cargo de setores da Prefeitura Municipal da cidade, como a Fundação Cultural da cidade, do SIMDEC – Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura, de Secretaria de Educação e do Instituto Feira do Livro, do apoio da Fundema, Santander, Sesc e AN Escola, e do patrocínio da Companhia Águas de Joinville. Precisávamos de respaldo assim aqui em Florianópolis, para as feiras de livro da capital, que andam meio fraquinhas, por falta de recursos da Câmara Catarinense do Livro e por falta de repasse de verbas do Estado e/ou do município.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

CRÔNICA E SUSTENTABILIDADE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

A feira do livro de Joinville traz novidade, este ano, além das personalidades literárias de renome nacional: mudou de local, agora acontece no Expocentro Edmundo Dobrava, ao lado do Centreventos. Estou ansioso para ver como se desenrolará a feira no novo local, depois de ter todas as edições anteriores na Praça Nereu Ramos, tradicional local para eventos culturais desde os anos setenta.
Era lá que acontecia a Feira de Arte e Artesanato nos anos setenta e oitenta e onde nós, do Grupo Literário A ILHA, levávamos o Varal da Poesia e o Recital de Poemas. Então será curioso ver essa nova fase da feira do livro de Joinville, essa feira que tem crescido tanto, a ponto de ser , talvez, a mais importante do Estado. Maior e melhor do que a de Florianópolis.
O Grupo Literário A ILHA, quase completando 31 anos de existência e tendo desenvolvido suas atividades em Joinville por quase vinte, não poderia deixar de participar de projeto tão ambicioso. Estarei lá amanhã, sábado, as 15 horas, para o lançamento do meu livro “TERRA: PLANETA EM EXTINÇÃO”, seleção de crônicas publicadas em diversos jornais espalhados por todo o Brasil, incluindo aí A Notícia. O livro se enquadra bem no tema da feira deste ano, “Educação, Cultura e Sustentabilidade”.
O tema, segundo a organizadora do evento, dona Sueli Brandão, pretende colocar em discussão de que forma a educação e a cultura podem contribuir na sustentabilidade do planeta. E isso é o que muitas das crônicas do livro “TERRA: PLANETA EM EXTINÇÃO” propõe, por isso é uma obra tão afim com essa filosofia.
Terei o maior prazer em receber você, leitor deste espaço do Jornal A Notícia, para conhecê-lo e para que conheça mais crônicas minhas além daquelas publicadas aqui. Estarei relançando, também, meu livro “APHRODITE E AS CEREJEIRAS JAPONESAS”, que também é composto de textos publicados aqui e em jornais de todos os estados brasileiros.
Cuidar de nosso planeta, usar a literatura para educar-nos no sentido de preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, para que tenhamos perspectiva de futuro, é o que muitos dos textos dos dois livros sugere. Porque precisamos refletir sobre isso sempre e agir, e a função da literatura é provocar isso.