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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

DINHEIRO PÚBLICO PARA EVENTO PRIVADO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Vejo, no Twitter, notícia dando conta de que o Ministério Público de Santa Catarina abriu inquérito para apurar porque a Fundação Catarinense de Cultura repassou R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais!) para o Donna Fashion, evento de moda da iniciativa privada.


Pois saibam que não é a primeira vez que isso acontece. No ano passado, houve o repasse de verba de 300 mil reais, pela Secretaria de Cultura Catarinense, de verba que tinha sido solicitada pela Câmara Catarinense do Livro para a realização da Feira do Livro de Florianópolis e que, na verdade, apenas transitou pela CCL, indo para a realização do Donna Fashion, um evento de moda. A Câmara Catarinense de Cultura ficou apenas de patrocinadora no evento e nem conseguiu realizar algumas das sessões de autógrafos programadas pela própria organização do Donna Fashion, no espaço destinado para esse fim, que era tomado para transmissão de reportagens no horário dos lançamentos.

Falei, na época, com um integrante da diretoria, já que o presidente da casa não se encontrava na cidade, e ele me disse que a gestão anterior da CCL vinha requerendo, há coisa de três anos, junto ao Estado, verba para realizar a feira do livro de Florianópolis e junto com ela, no calçadão do Largo da Alfândega, o Donna Fashion. O presidente anterior da Câmara achava que o fato de trazer o evento de moda para a Feira do Livro atrairia mais público para a feira do livro.

Só que, depois de tanto tentar, o Estado concordou em atender o pedido, mas inverteu o projeto, como bem pudemos ver: a verba saiu, mas a Câmara, ao invés de acolher o Donna na sua Feira do Livro, apareceria, apenas, como patrocinadora do evento fashion. Quer dizer: o dinheiro pedido para a CCL realizar a feira teria sido revertido para o Donna, evento que nem estatal é. E pior, através da Câmara. Não é muito estranho?

E a Câmara do Livro precisa dar tratos à bola para conseguir recursos para a sua Feira Catarinense do Livro, que acontece no início e também no fim do ano.

Até hoje ninguém explicou isto para os cidadãos catarinenses. Afinal, o dinheiro em questão é dinheiro público. Porque a Câmara Catarinense do Livro patrocinaria um espetáculo de moda, se ela tem a Feira do Livro para realizar? Não deveria ser o contrário, a CCL recebendo patrocínio para a sua feira do livro? As últimas edições da Feira do Livro de Florianópolis têm sido bastante fracas, em decorrência justamente de falta de verba para custear atrações paralelas e o convite a grandes nomes da literatura. E recursos públicos foram repassados para um evento privado, usando a Câmara Catarinense do Livro para despistar.

Paralelamente, o CIC está com a reforma se arrastando há mais de dois anos, o maior teatro do Estado está fechado, sem que se estivesse mexendo em nada nele. E, no entanto, a Secretaria de Cultura dá 600 mil reais para um evento que nem ao menos estatal é.

A educação, a saúde, a segurança, a infraestrutura em todo o Estado estão falidos, mas o Estado dá dinheiro para um evento privado. Pela segunda vez, pelo menos até onde sabemos. Esperemos que o Ministério Público apure e exija de volta as verbas repassadas. Até agora, porque deve aparecer muita desculpa esfarrapada.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

NORMA, UM OLHAR SOBRE A ILHA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Norma Bruno é cronista, das boas. Eu a “conheci” no Coojornal do portal Rio Total, da minha amiga Irene Serra. Li, há algum tempo, a crônica da semana, gostei muito e fui procurar mais no arquivo dela. Gosto dos temas, gosto de vê-la falando de coisas da ilha, gosto de vê-la transcrever a fala do ilhéu, que ela usa também na narração, às vezes, como jeito seu de falar, o jeito de falar do nativo desta nossa tão bela Ilha de Santa Catarina, um registro linguístico fiel do manezinho.

Depois de ler a escritora, tive que me comunicar com ela, para dizer-lhe como fiquei feliz em descobrir a sua escritura tão gostosa de ler, de estilo elegante e aconchegante, e acabei indo conhecê-la pessoalmente. Encontrei uma criatura simpática e amável, entusiasta das coisas referentes à cultura e à leitura.

Conheci, então, o livro da autora, “A Minha Aldeia”. Uma leitura deliciosa, com muita sensibilidade e experiência de vida em textos com bom humor e muito amor por essa nossa terra, essa ilha para onde a gente vem e não que mais sair. O livro é da editora Papa-Livro, tem 172 páginas e vale a pena ser lido.
A escritora diz que gosta de coisas velhas e não se dá bem com tecnologia, mas colocou no ar, há poucos meses, um blog chamado O Espírito da Cidade, onde fala das coisas da Ilha de Santa Catarina, sua paixão maior. O endereço, para quem quiser conhecer as crônicas deliciosas a respeito das coisas da Ilha, um olhar carinhoso, com muita ternura e também com bom humor sobre o manezinho, seu espaço e seu tempo, é http://normabruno.wordpress.com/author/normabruno .

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

IMPOSTO NOVO, JUSTIÇA COMPRADA, LEIS A GRANEL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Abro os jornais, hoje, e vejo matérias que evidenciam cada vez mais a impunidade contra a corrupção que reina neste país. Pra começar, um jornal daqui do Estado anuncia que a Justiça (grande justiça, essa nossa!) concede liminar para 14 aposentados da Assembleia Legislativa de SC, que foram convocados a voltar ao trabalho. Eles não precisam mais atender ao chamado da AL para voltar ao trabalho, depois de constatado que não tinham nenhum problema que justificasse suas aposentadorias, em perícia realizada recentemente. E vão continuar recebendo seus altos salários, pagos por nós. Não é uma beleza? A justiça passa a mão na cabeça de quem rouba descaradamente do Estado, ou seja, de nós.

Em outro jornal, de circulação nacional, a manchete decreta: “A saúde vai ter um novo imposto”. Quem diz é Ideli Salvati, ministra das relações institucionais, figura oriunda daqui do Estado. Ela afirma que vão, sim, ressuscitar a CPMF, com outro nome, é claro, mas ela vai voltar. É que o governo precisa de “fontes” de onde tirar o dinheiro para a Saúde, pois os impostos sem fim arrecadados não suprem essa necessidade. Então o governo precisa criar um novo imposto para “financiar” a Saúde. Financiar a saúde como a extinta CPMF fazia? Nenhum tostão do que foi arrecadado com aquela taxa foi para a Saúde. Por isso a Saúde brasileira está falida como está. E se criarem um novo imposto vai acontecer a mesma coisa. Vamos pagar mais impostos para encher os bolsos dos políticos. Infelizmente.

Então, crise iminente, dólar subindo, o que significa que o preço de tudo vai subir também, trazendo de volta a inflação e, para completar, mais impostos para pagarmos. Isso sem contar a sessão relâmpago da Comissão de Constituição e Justiça, que em três minutos aprovou 118 projetos, nas sexta, no último final de semana, com apenas dois deputados em plenário. Os outros assinaram o ponto e foram embora. Quer dizer: aprovaram tudo sem ler nada, nem devem saber o que aprovaram. Esses são os representantes do povo, que efetivamente o representa tão bem, defendendo seus interesses. Estamos cada vez melhor arranjados.

domingo, 25 de setembro de 2011

E-READERS & E-BOOKS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


A revolução histórica que começou a acontecer, há pouco tempo, no ato de ler, no conceito de livro que tínhamos até poucos anos atrás, com o advento do leitor eletrônico e do e-book, parece estar tomando rumo diferente.


O tradicional e primeiro leitor eletrônico, o Kindle, apareceu com a função de ser o aparelho para lermos livros eletrônicos, os e-books, surgidos pouco antes. Com tela fosca, que não emite brilho, ele é apropriado para ler grandes textos. E os livros eletrônicos começaram a ser pensados como um negócio viável, por parte de editoras e livrarias, pois se o e-reader esta começando a vender bem, os livros eletrônicos também serão mais e mais procurados. Até no Brasil, as grandes editoras se mobilizaram e já estão publicando títulos no novo formato, embora a oferta ainda seja reduzida.

Mas com o sucesso do Kindle, ainda que um pouco tímido, em proporção à venda de livros de papel, outros aparelhos começaram a surgir. Só que não eram aparelhos para serem usados exclusivamente como leitores de livros. Os novos aparelhos, já não mais apenas leitores eletrônicos, fazem de tudo, como se fossem um computador portátil e passaram a ser chamados de “tablets”. Eles não tem a tela que não emite brilho, suas telas são semelhantes as de um e-book e agregam múltiplas funções, como acesso a internet – por wi-fi ou 3G, correio eletrônico, games, fotos, filmes, assinatura de jornais e revistas, celular, etc. Existe, também, um número sem fim de aplicativos para tais aparelhos, para fazer muito mais, uns pagos, outros não.

Com o aparecimento do tablet mais popular, o da maçã, muitos outros, alguns até com mais funções, passaram a concorrer no promissor mercado: quase toda grande marca de eletrônicos está lançando o seu. O aparelho, maior que um smartphone e menor que um notebook passou a ser o sonho de consumo, inclusive dos brasileiros.

E muitos dos que compram um tablet, atualmente, nem lembram ou não se importam com o fato de eles serem, também, leitores eletrônicos. Há tanto para se fazer com eles, que ler livro pode ser a última função que muita gente pensaria para ele. E não é só por isso: o preço do e-book, no Brasil é, algumas vezes, parecido com o preço do livro impresso em papel, o que significa que é muito caro.

Isso talvez modifique um pouco aquela previsão precipitada de que o livro impresso estaria acabado, que não resistiria por muito tempo, com a adesão cada vez maior ao leitor eletrônico. Parece que, como vínhamos dizendo desde o início, o livro tradicional não só poderá conviver harmonicamente com o livro eletrônico, se for o caso, como poderá manter a hegemonia por um bom tempo, ainda.

sábado, 24 de setembro de 2011

A LITERATURA INFANTIL E AS FÁBULAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Ao ler um artigo de escritor brasileiro execrando as mudanças feitas nas músicas infantis – aquelas letras como “atirei o pau no gato”, por exemplo, lembrei-me de outro artigo sobre literatura infantil que, apesar de ver o tema por um ângulo apenas, teve a minha adesão, ainda que apenas pelo que foi lembrado, pois alguma coisa importante deixou de ser colocado.
O enfoque do texto recaía sobre as fábulas e os contos infantis clássicos, como "Branca de Neve e os Sete Anões", "O Gato de Botas", "Joãozinho e Maria", "Barba Azul", os contos das mil e uma noites, etc. O artigo chama a atenção sobre o fato de tais histórias ensinarem às crianças a mentira, a vingança, a trapaça, a deslealdade, o oportunismo, a hipocrisia, a corrupção, a inveja e outros vícios e defeitos execráveis do ser humano que os infantes podem levar para a idade adulta, pois eles são uma esponja que absorvem tudo, um disco rígido vazio pronto a gravar qualquer informação.

Vou transcrever um dos exemplos dado pelo artigo para melhor compreensão: "A madrasta de Branca de Neve detesta a enteada, que é mais bonita do que ela. Manda, então, matá-la - isso mesmo, matá-la - por inveja. Não sendo obedecida na sua ordem, ela mesma, disfarçada em vendedora de maçãs, envenena-a."

O autor do texto, Carlos A. Vieira, defende uma revisão nessa literatura infantil, porque da maneira como é apresentada, não serve para a criança. Não são as fábulas histórias escritas para servirem de veículo de lições de moral e, consequentemente, ensinar algo bom e construtivo para ser utilizado na vida, para se crescer como ser humano?

O que discordei no texto foi a ausência de menção à literatura infantil brasileira, aquela produzida por Monteiro Lobato e, depois dele, por tantos outros bons autores. O articulista falou apenas da literatura infantil importada, com todas as suas más influências, quando temos no Brasil uma produção considerável e grande parte dela de boa qualidade. Verdade que existem os textos rebuscados, destoando da linguagem que se deve usar quando se escreve para criança, mas a maioria deles passa uma boa mensagem, em boas histórias com personagens originais e interessantes.

Tanto que a literatura infantil é o gênero mais vendido atualmente em nossas livrarias, em feiras e bienais e até em bancas de jornais. Isso é facilmente comprovável em pesquisas e estatísticas de livrarias, editoras e livreiros,publicadas em grandes revistas semanais.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

DE NOVO, PRIMAVERA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/       


E a primavera chegou. Esta manhã ela veio, devagarinho, tímida, com frio, desacompanhada do sol. Mas veio. O dia ficou cinza, parece que o inverno não gostou nada de dar seu lugar à esperada primavera e recusou-se a ir embora. Mas ele vai, ah, se vai.

Vi a primavera no meu jardim, onde tudo está florescendo. Os pés de araçás, os cravos, os ibiscos, as orquídeas, aquelas de caules longos. Um dos meus pés de jacatirão abriu um botão temporão, vejam só, agora, quase no fim de setembro, só pra homenagear a recém-chegada primavera. Até os pés de cebolinha floresceram suas flores roxas, o morango, o manjericão.

Nas ruas, ainda floresce o ipê. Tudo vai florescer, daqui por diante. A vida vai florescer. Tudo terá mais cor, pois o sol voltará e as pessoas deixarão florescer os sorrisos.

A estação mais bonita do ano chegou. Tudo brotará, com viço, até a alegria no coração das pessoas. O verde ficará mais verde, toda cor ficará mais colorida. Toda árvore, da maior a mais simples, toda planta prestará seu tributo à Mãe Natureza, desabrochando suas flores.

É tempo de primavera, tempo de recomeçar, de renascer, tempo de brotar para a vida. É tempo de festa, pois a primavera chegou.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"NO OUTRO LADO DO MAR"

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Tenho o prazer de apresentar uma nova escritora catarinense, uma romancista que já estreia no gênero com uma boa história, bem contada, bem urdida. Imaginação a serviço da criatividade, como deve ser, mesclando cenários verdadeiros e os sentimentos humanos mais autênticos.

O romance é “No outro lado do Mar”, da blumenauense Karine Alves Ribeiro. Eu diria que é um romance romântico e de aventura, mas não gosto de rotular assim uma obra que deve ser lida por todos nós, que gostamos da boa leitura e não é só isso que a literatura de Karine nos dá. Mas é romântico, porque trata de relacionamento de pais e filhos, de um homem e de uma mulher atraídos de pontos distintos e longínquos do globo terrestre, de família, de relação de amizade e de trabalho. E de aventura, porque a autora narra com muita propriedade caças a baleias, nos mares da Noruega, enfrentamento de grandes tempestades em alto mar, ataques piratas, etc.

Com uma linguagem fluida e objetiva, sem rebuscamentos inúteis, ela nos conduz pelos cenários da Noruega e de Santa Catarina, onde circulam os personagens principais da sua obra, com seus dramas pessoas, seus fracassos e vitórias, seus erros e acertos. Além de nos brindar com um bom enredo e personagens interessantes, Karine ainda divulga as belezas da costa catarinense.

“No outro do mar” é uma ótima amostra do potencial dessa escritora que vem até nós com seu primeiro livro. Ainda ouviremos muito o nome dessa autora, que deverá representar muito bem as letras catarinenses.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A BANDA ESTREITA DA INTERNET

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Internet é um negócio complicado, não só na sua democracia, que possibilita que se publique qualquer coisa, mas principalmente pelo serviço em si. O consumidor assina um provedor de sinal, normalmente de banda larga, paga caro por ele, mas o fornecedor só garante dez por cento do que foi contratado. Se eu assinar 1 mega de velocidade, só tenho garantia de fornecimento de 100 k. O resto, se houver, é lucro. Se eu assinar 10 megas de velocidade, tenho a garantia de 1 mega e assim por diante. Isso, sacramentado em contrato.

Parece piada, coisa de Brasil, mesmo. O vendedor nos diz, na cara dura, que eu pago por dez, mas só me dá um e fica por isto mesmo. Isso, sem contar a “fidelidade”, uma cláusula do contrato que diz que se, em um ano ou dezoito meses eu quiser parar de receber o serviço, tenho que pagar tantos meses de multa, mais isso, mais aquilo. Sem contar, também, que a gente fica, às vezes, dias sem internet, mas a fatura vem com o valor integral para a gente pagar.

Então, a Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações – que é quem regulamenta e fiscaliza o fornecimento de internet, resolveu fazer uma consulta pública para mudar um pouco essa falta de respeito para com o consumidor. Querem estabelecer critérios para medição da qualidade da banda larga oferecida pelas operadoras.

No documento que a Anatel colocou para ser votado, ela determinaria que as empresas seriam obrigadas a garantir uma média mensal de 60 % (sessenta por cento) da velocidade comprada pelo consumidor. Essa porcentagem aumentaria para 70% no segundo ano de contrato e para 80% no terceiro ano. A consulta terminou no dia 16 de setembro e a Anatel analisará o resultado, com prazo até o dia 31 de outubro para apresentar a nova regulamentação.

As operadoras, é claro, já berraram, alegando que o método de avaliação da Anatel faz a medição a partir da velocidade que chega para o usuário, quando deveria medir a partir das redes do provedor. Como eu disse acima, parece piada, medir no provedor e não na chegada do sinal ao usuário, que é quem paga.

Vamos ver no que dá. A coisa toda é para melhorar para os usuários. Mas será que as operadoras deixarão? Atualmente, com o que um usuário paga, eles podem fornecer internet para dez. Não é cômodo?

domingo, 18 de setembro de 2011

DANÇA, PARA EMBELEZAR A VIDA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Estive viajando durante a semana, mas voltei a tempo de ver os espetáculos de dança apresentados pela Academia Ateliê da Dança, no Teatro Adolpho Mello, no Centro Histórico de São José.

Os dois espetáculos de dança apresentados fizeram parte da Semana Cultural em homenagem ao aniversário do Teatro Adolpho Mello, um dos mais antigos do Estado.

No sábado, vimos “O Brasil que Dança”, onde foi mostrado o melhor da Dança de Salão. Melhor mesmo, pois os números apresentados foram excepcionalmente bem coreografados e muito bem executados pelos professores e bolsistas da academia. Bolero, samba, forró e outros ritmos apresentados com pitadas de bom humor costurando tudo, a presença do curso de teatro que o Ateliê da Dança oferece. Duas seções com casa lotada e platéia satisfeitíssima.

Hoje, o segundo espetáculo era de Dança do Ventre, com o sugestivo título de “Mulher, escuta o Chamado”. Como a própria divulgação dizia, uma viagem pelas danças orientais Árabes, realizada pelo Grupo Maktub, sob direção da professora e bailarina Renata Verani e de Roga Rodrigues, que também dançaram. E como dançaram!

Eu gosto muito de dança e nunca desgostei da dança do ventre, mas para mim, era um gênero para ser visto num contexto com outros gêneros. Ledo engano. O espetáculo de dança do ventre que teve quase uma hora de duração, sem intervalos, prendeu a atenção do público do começo ao fim. Todos estavam atentos e embevecidos com o que acontecia no palco. A criatividade e originalidade da coreógrafa e diretora do grupo, a professora Renata Verani, que contou uma história com o espetáculo, costurando todos os números magistralmente, constituiu um atrativo à parte, além da deliciosa interpretação das bailarinas e do bailarino.

Parabéns ao todos, inclusive nós, espectadores, mas principalmente aos bailarinos e produtores do espetáculo. Imperdível.

sábado, 17 de setembro de 2011

VOLTANDO de RIBEIRÃO PRETO

Por Luiz Carlos Amorim – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Me perdoem os leitores do blog, mas andei viajando nestes últimos dias e não deu tempo de escrever. Estive em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, visitando minha filha que mora lá.

Foi bom conhecer duas grandes cidades paulistas, Campinas e Ribeirão Preto. São cidades bonitas, de gente simpática e acolhedora, principalmente a segunda, onde fiquei três dias,apesar do calor que faz em pleno inverno, da terra vermelha que gruda na gente e da fuligem da queima das plantações de cana de açúcar.

Fui convidado para a inauguração do restaurante Essence, dos chefs franceses Romain e Sidnei. Uma casa única como não havia antes na região. Um restaurante genuinamente francês, um ambiente fino e elegante, com gastronomia e bebidas internacionais. Ribeirão Preto tem, agora, um restaurante classe A.

Lembrei-me do Congresso de Escritores de UBE-SP, que acontecerá em Ribeirão Preto em novembro, mas não sei se terei coragem de ir, pois se agora, que é inverno, já está quente como está, eu não imagino como será o verão.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

LEI DA MORDAÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


O Dia Nacional da Imprensa é comemorado, desde 1999, no dia primeiro de junho. Antes disso, a data era comemorada no dia 10 de setembro, a data que marcou o início da circulação, no Brasil, do jornal A Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808.

Acontece que o jornal Correio Braziliense teria começado a circular no mesmo ano, mas três meses antes do outro. De maneira que acharam por bem mudar a data, não só por isso, mas também porque o Correio era um jornal livre, sem o controle da Coroa Portuguesa, como era a Gazeta.

Como o dez de setembro coincidiu com a tentativa, por porte do PT, de amordaçar a imprensa brasileira, aproveitamos a data, que se oferece bem oportuna para falar do assunto.

A criação de uma lei para controlar a mídia está entre os temas mais polêmicos do texto-base de Resolução Política aprovado no dia 3 de setembro, no Congresso do PT, em Brasília. No documento, o partido afirma que não há uma lei que regule a imprensa brasileira e tomam para si o encargo de criá-la.

Querem criar mecanismos para cercear a informação ao cidadão brasileiro, calar a boca dos jornalistas, evitar as denúncias contra políticos, esconder a podridão da “política” brasileira amparados em lei.

Não é uma beleza? Há pouco tempo houve um projeto de lei que livrava qualquer político de ser processado. Não sei o que resultou da tentativa, não deve ter dado certo, porque voltam a atacar.

Agora querem calar a boca da imprensa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

ESTRADAS SEM MANUTENÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Está certo que choveu muito, mas a BR 101 está muito esburacada. E já estava antes da chuva. Viajei, de novo, para o norte do Estado e fiquei pasmo com o estado da estrada, que é pedagiada.

Há buracos, crateras, em todo o trajeto, tanto na ida quanto na volta. Vi apenas uma equipe da concessionária tapando buracos. E daquela maneira porca, derramando asfalto nos buracos com uma pá e depois batendo em cima, para “compactar”. É o que resulta naqueles tantos montículos no meio da estrada, aqueles calombos que não deveriam existir, assim como não deveriam existir os buracos, pois paga-se pedágio ao logo de toda a BR 101.

Pergunto, pela terceira vez: quem deve fiscalizar a concessionária, cobrar dela o cumprimento do contrato, a execução das obras necessárias na estrada? É uma vergonha trafegar numa estrada toda pedagiada e ao mesmo tempo toda esburacada. Para que pagamos pedágio?

Não é à toa que foram denunciados tantos escândalos no Ministério dos Transportes e no Dnit. O que não os exime de tomarem providências para que a manutenção da 101 seja feita, pois o dinheiro do pedágio, que não é pouco, está entrando diariamente, não sabemos para quem, porque não está sendo aplicado na estrada.

Precisamos nos mobilizar para cobrar, também, mais essa falta de respeito para conosco. Os protestos contra a corrupção já começaram, em alguns lugares um pouco timidamente, mas aconteceram por todo o Brasil. Tomara que não parem. Precisamos nos indignar, protestar, não aceitar o que os corruptos nos impõe.

sábado, 10 de setembro de 2011

HOJE EU VI O SOL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


A chuva deu uma trégua desde ontem e hoje o sol brilhou, lindão. Foi muito sair de casa e sentir o calor na pele, ao invés do vento e da chuva fria. O céu de brigadeiro retornou, um milagre iluminado, depois de tanta água.

Depois de tantos e tantos dias de chuva, poder ver o sol lançando seus raios de luz e calor sobre nós, filhos da terra, é um privilégio que só então podemos avaliar. É a vida adquirindo cor e brilho, novamente, é vontade de viver, de sair e comemorar o dia fantástico.

Mas nem para todo mundo o sol pode mudar uma situação desesperadora. Há muita gente que ainda está fora de casa, não pode voltar ou porque a casa foi levada pela água ou por algum deslizamento, ou porque a casa está com água pela metade ou até mais.

Viajando para o norte do Estado, hoje no começo da tarde – Jaraguá, Joinville, Corupá – passando por Itajaí, vimos muitas casas ainda dentro da água, algumas com água até quase o telhado. Para muitos cidadãos de várias cidades catarinenses, a volta à rotina não será fácil, pois alguns perderam tudo o que havia dentro de casa e outros perderam até a casa. E há, ainda, quem não tenha mais nem o terreno, que deslizou encosta abaixo e não existe mais.

Então fico feliz com o sol que brilho sobre nosso Estado, hoje, mas ao mesmo tempo sinto o coração apertado por aqueles que não podem voltar para casa. Que a solidariedade de nós outros, que não fomos atingidos, chegue com rapidez até aqueles que precisam de ajuda para tocar a vida, para seguir em frente.

É só a solidariedade que pode amenizar a perda e a dor de tantos irmãos espalhados por tantas cidades atingidos na nossa sofrida Santa Catarina, Santa e bela, mas que teve a sua beleza atingida pelas águas, atingindo também quem vive aqui.

Que a força deste povo forte consiga reconquistar o que perderam e que o poder público faça a sua parte, redirecionando recursos para reconstruir as áreas públicas e as casas daqueles que perderam tudo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

FAZENDO NOVOS LEITORES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Sempre defendi que precisamos lançar mão de toda e qualquer alternativa para difundir o hábito da leitura. E penso que não é só a escola que tem a responsabilidade de ensinar os leitores em formação a ter gosto pela leitura. A família também tem papel muitíssimo importante nesse sentido, pois o exemplo dos pais, principalmente, quase sempre é seguido pelos filhos. O livro em casa, o livro nas mãos dos pais, o livro perto da criança, ao redor da criança, como caminho para levar a criança a ter curiosidade pelo seu conteúdo e gostar de ler já foi assunto de outra crônica nossa.

Mas não é só isso. Muitos adultos não gostam de ler. Talvez por terem parado de estudar, ou porque foram obrigados a ler algum livro a contragosto quando muito jovens ou por nunca terem tido oportunidade, por qualquer razão, de conhecer algum gênero literário. Nesse caso, a empresa onde esse adulto trabalha pode ajudar, de várias maneiras. Ministrando cursos de aperfeiçoamento profissional, oferecendo bibliotecas e divulgando os títulos disponíveis, dando incentivo a talentos artísticos da casa, propiciando a volta aos estudos

A propósito disso, lembro que tive um bom exemplo na empresa onde trabalhava. Para comemorar o aniversário, além do Baile de confraternização, foi instituído uma semana de exibição de obras da “prata da casa”. Os produtores de qualquer tipo de arte – música, literatura, artes plásticas, teatro, fotografia, poderiam mostrar o seu trabalho. Eu, claro, levei poemas, um em cada folha, com letras maiores, que foram colocados em um tipo de galeria, junto com poemas de outros funcionários, pinturas, desenhos, etc, ao longo das paredes, pelos corredores.

O que me surpreendeu, em primeiro lugar, foi o fato saber que pessoas que eu nem imaginava, escreviam e escreviam bem. Em segundo lugar, muita gente que eu não esperava que gostasse do gênero, veio falar comigo a respeito dos poemas expostos, provando que os leram e afirmando que gostaram. Fiquei feliz, não só porque meu trabalho os atingiu, mas porque consegui fazer novos leitores para um gênero quase maldito.

E resolvi escrever essa crônica por um fato que se me revelou curioso. Algumas colegas de trabalho, estudantes, sabendo do lançamento dos meus livros na Feira do Livro de Florianópolis e lendo meus poemas nos corredores da nossa empresa, pediram-me que lhes trouxesse pelo menos um de meus livros. Para uma delas, dei o livro “A Cor do Sol” – poemas, que não é o mais recente, mas é um livro do qual gosto, particularmente.

No dia seguinte, uma delas contava para todos do ambiente de trabalho, que na volta para casa, no dia anterior, ela começara a ler o livro no ônibus e quando se deu conta havia passado do ponto. Segundo ela, empolgou-se na leitura, ligou-se tanto nos poemas que acabou tendo que andar, pois desceu alguns pontos além do seu.

É muito gratificante ter esse feed back do leitor, saber que a nossa maneira de ver a vida, o mundo, está se identificando com o leitor, que a sua mensagem está chegando, que o objetivo está sendo alcançado.

Uma situação como essa, acontecida com alguém que dizia odiar ler, é muito significativa. Às vezes é muito bom saber que estamos no caminho certo. Que a nossa emoção está chegando ao coração de alguém.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

FINALMENTE, MANIFESTAÇÕES CONTRA A CORRUPÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://luizcarlosamorim.blogspot.com/ 

Recentemente, escrevi a respeito da passividade do povo brasileiro, que faz manifestações sobre qualquer coisa, mas não se manifesta contra a corrupção e a impunidade cada vez maiores e mais declaradas na “política” brasileira, nos poderes públicos.

Pois então vejo, nos jornais, grupos se organizando para protestar contra a corrupção. Aqui em Florianópolis o dia 7 de setembro foi o Feriado contra a corrupção, assim como em várias outras partes do Estado e do país. O estopim foi a absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz e a indignação é geral, houve manifestações bastante significativas em vários lugares, apesar do mau tempo, pelo menos aqui no sul.

Já não era sem tempo. Os escândalos explodem todo dia, são tão freqüentes que ninguém mais dá importância. Mas o fato de a maioria dos deputados fazer vistas grossas para o recebimento de propina, pela deputada, documentado e exibido largamente por fotos e filmes em jornais e na televisão, foi a gota d´água, pois inocentá-la com prova tão contundente, evidencia que todos eles tem rabo preso. Se estão protegendo um dos seus pares, é porque têm culpa no cartório e precisam da solidariedade de todo a classe, para quando chegar a sua vez de ter seus “desvios” denunciados.

Deram atestado de que são corruptos, sim, admitiram que também têm seus podres e querem garantir a “cobertura” quando tiverem que se defender.

Parece que a “faxina” já deu o que tinha que dar. Continua tudo como dantes, no quartel de Abrantes. Ou será que a presidente tentará continuar a limpeza? Como eu já disse, Dilma declarou, em alto e bom som que a faxina que quer fazer é na pobreza. Pois acabar com a pobreza significa extirpar os políticos corruptos que gastam o dinheiro público que deveria ser usado na saúde, na educação, na infraestrutura, na segurança, etc. Se não houver corruptos exaurindo os cofres públicos, haverá recursos para beneficiar o cidadão brasileiro, como deve ser. Haverá emprego, haverá hospitais, médicos, equipamentos, escolas com manutenção, professores bem pagos, policiais em número suficiente em nossas cidades, ganhando o suficiente, para que tenhamos segurança de fato. E por aí afora.

Quem sabe agora, com essas manifestações, o cidadão brasileiro acabe se indignando com a roubalheira que grassa em nosso país e faça ouvir a sua voz?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CEMITÉRIO DE BALEIAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Uma baleia franca está morrendo aqui no nosso litoral. Não é a primeira. Ainda este ano já morreram outras duas. As baleias mães vêm ter seus filhotes aqui neste mar abençoado da Santa e bela Catarina, mas se não são elas, são os filhotes que encalham na areia e acabam morrendo, porque não se consegue salvá-las.

E isso acontece todo ano. Ano após ano, baleias morrem no litoral catarinense. Inda há pouco, vi reportagem na TV que mostrava uma delas agonizando enterrada na areia e pessoas pedindo a ajuda de grandes barcos para tentar arrancar o animal da morte.

Isso vem acontecendo não é de agora, sabemos que vai continuar acontecendo. O Estado, a marinha, sei lá mais quem já não deveriam ter providenciado tecnologia, equipamento para salvar as baleias? Por que ficamos assistindo a morte do majestoso animal, ficamos esperando que alguém traga a solução para salvá-lo e não temos nenhum recurso para ajudá-lo?

Pobres baleias indefesas. Tão grandes, mas gigantes indefesos. Se pudéssemos dizer às baleias francas que não venham mais para o nosso litoral, se elas entendessem que os humanos, principalmente quando detém o poder nas mãos são egoístas, não querem saber de nada que não beneficie a eles...

Nossos políticos não se preocupam nem em resgatar a saúde, a educação brasileira, o ensino falido, que dirá salvar baleias indefesas, salvar a natureza.

Mas é o ciclo natural da vida, é a época da natalidade para as baleias francas e nossas águas não são tão frias para elas. E acabam se transformando em armadilhas que lhes ceifam a vida. Morrem devagarinho, afundando na areia da praia, agonizam aos pouquinhos...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

FALTA DINHEIRO PARA A SAÚDE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Com tanta roubalheira, tanto escândalo de corrupção, com tanto “desvio” de dinheiro público, os nossos “governantes” vem de novo com a história de que não há verba para a saúde, que é preciso arranjar uma fonte de recursos, porque não tem de onde tirar. Um político descarado chegou até a dizer que foi um desastre terem acabado com a CPMF, que é por isso que a saúde está neste caos que está.

Ora, a CPMF nunca foi usada para a saúde, apesar de ter sido criada para esse fim. No tempo que se cobrava a CPMF a saúde já estava falida neste país, as pessoas já morriam nas portas de hospitais sem atendimento, já passavam meses, às vezes anos esperando chegar o dia da consulta, que não raro era remarcada sem nenhuma justificativa. Não havia médicos suficientes, faltavam funcionários nos hospitais, que careciam de equipamentos, de remédios, etc. Como hoje.

Então não venham me dizer que a culpa de a saúde estar no estado que está é porque a famigerada CPMF foi suspensa. E se conseguirem ressuscitá-la, continuará não revertendo em prol da saúde e enchendo os bolsos de políticos corruptos de plantão.

Que história é essa de que não há recursos para a saúde? Como é que há lugar para tudo no orçamento da União e não há verba para a saúde? Somos o povo que mais paga imposto, o país que tem batido recordes na arrecadação, como é que a saúde não é uma das prioridades no orçamento?

Dinheiro público para ser “desviado” há bastante, mas para a saúde não há de onde tirar. O que falta não é dinheiro, é vergonha na cara de nossos “políticos”. Precisamos aprender a votar para renovar nossos representantes no poder público e tentar acabar com a corrupção e com a impunidade.

domingo, 4 de setembro de 2011

OS POETAS ESTÃO LENDO POESIA?

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



No primeiro dia da Bienal do Rio deste 2011, vejo uma entrevista com poetas da nova geração e da geração anterior, e uma coisa que uma poetisa disse coincidiu com o que eu havia dito numa crônica recente.

Dizia ela, comentando sobre o fato de poesia vender pouco, de não ser publicada pelos editores das grandes editoras que, apesar disso, é um dos gêneros mais praticados. Escreve-se muita poesia. E dizia ela que se a imensa quantidade de poetas desse imenso Brasil lessem poesia, além de escrevê-la, se comprassem livros de poesia, edições inteiras de livros desse gênero seriam esgotadas em pouquíssimo tempo. E a poesia não teria, como tem, esse estigma de maldição.

Pois eu dizia, na minha crônica, que os escritores daqui da terrinha não lêem os seus pares, não vão a lançamentos de livros de seus pares, não compram os livros de seus pares. Por isso me identifiquei tanto com a poetisa que teve a coragem de dizer, em rede nacional, que os poetas deveriam ler mais poesia, que poetas deveriam ser mais poetas.

Poesia é gênero literário mais praticado e não é de hoje. Com o advento da internet, com a democracia que ela representa na publicação da poesia que produzimos, passou-se a escrever ainda mais. É evidente que nem tudo tem qualidade, mas essa é outra história.

O fato é que existe uma quantidade muito grande de poetas, em todo lugar há poetas, quase todo mundo escreve “poemas”. Mas nem todos lêem poesia. Até por isso, talvez, a pouca qualidade de boa parte do que se produz.

Se prestigiássemos uns aos outros, indo a lançamentos, comprando livros, as publicações de poesia realmente venderiam muito mais. Mas não é só pelo fato de vender mais livros, pura e simplesmente, se bem que isso já conferiria mais respeito ao gênero. A verdade é que precisamos ler mais, ler muito. Se somos poetas, se gostamos de poesia a ponto de produzi-la, então temos que ler muita poesia.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A FAXINA DA POBREZA, SEGUNDO A PRESIDENTE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Quem estava apostando na “faxina” da presidente, pode estar um tanto quanto frustrado, pois ela veio a público para dizer que a faxina que quer fazer é pobreza. E está passando a mão na cabeça de alguns corruptos de plantão que estávamos esperando que ela demitisse.


Ora, faxina na pobreza – ou na miséria, como queira – é ótimo para todos. Ou será que ela não está percebendo o que está dizendo? Se ela varrer os corruptos, fichas sujas, a roubalheira diminuirá e os cofres públicos não serão esvaziados, aí então permanecendo os recursos – provenientes dos altos impostos que pagamos - para a saúde, educação, segurança, infraestrutura.

Hoje, com a corrupção e a impunidade grassando na “política”, a educação está falida – a escola pública paga pouco para os professores, não há manutenção nos prédios escolares e também não há equipamentos e, assim, muitos dos alunos do primeiro e segundo graus têm menos da metade do conteúdo programático repassado a eles; saúde é coisa de rico – ou de políticos, para quem pagamos planos faraônicos -, pois os hospitais também estão desequipados, faltam funcionários, não têm médicos suficientes, atendem mal e as pessoas literalmente morrem na porta, sem atendimento; os policiais também ganham pouco, não existem em número suficiente e a criminalidade vai aumentando substancialmente: os assaltos, raptos, roubos, etc. são cada dia mais numerosos.

Então, senhora presidente, a senhora está certa: para faxinar a pobreza, é preciso acabar com os corruptos e fichas sujas. Se eles não estiverem de plantão, “desviando” o dinheiro público, haverá recursos para tudo isso. E o povo terá emprego, terá uma educação decente, terá saneamento, terá serviço de saúde, terá segurança. Os pobres deixarão de ser pobres.

E por falar em ficha suja, a notícia que se tem, hoje, da lei da ficha limpa é que ela provavelmente não vai valer nem em 2012, nem nunca. Coisas da nossa justiça e dos “políticos” que legislam em causa própria. Infelizmente a justiça está falida neste nosso Brasil, está sendo manipulada e negociada, e não é porque os juízes ganham pouco, não. Eles ganham muito bem. Pois não acabaram de ganhar a briga com a presidente que não queria fazer o provimento do aumento milionário para eles no próximo ano, no orçamento da União, para diminuir as despesas? É que eles ganham tão pouquinho, pobrezinhos...