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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DRUMMOND: 109 ANOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Neste dia 31 de outubro, o poeta Carlos Drummond de Andrade completaria 109 anos. Sendo ele um dos maiores poetas brasileiros, o país comemora lembrando o seu legado e lançando a ideia de criação do Dia de Drummond, o “Dia D”. Além disso, vasta programação em homenagem ao poeta está sendo levada a efeito em várias capitais e na sua terra natal. São recitais, filmes, saraus, programas de televisão, palestras sobre a vida e obra de Drummond.

O filme “Consideração do poema” reúne vários artistas brasileiros – cantores, atores, etc., declamando Drummond e falando a respeito dele. Outro filme, “No meio do Caminho”, mostra o poema mais famoso do autor sendo declamado em onze línguas diferentes.

Este cronista presta a sua pequena homenagem ao poeta, com o poema “Poesia no Céu”:


POESIA NO CÉU

(Luiz Carlos Amorim)

E agora, Drummond?
E agora, poeta?
Nós ficamos sem você.
Será mesmo, Carlos, será?
Se a poesia é você,
se você é a poesia
e a poesia não morre,
você está por aí, no ar,
no céu, no sol, nas estrelas,
num sorriso cristalino,
nas asas de um passarinho,
nas asas da liberdade.
Só foi voar mais alto, poeta,
tão alto quanto seus versos;
foi visitar Coralina,
tão viva nos seus poemas.
Feliz encontro, poeta,
da poesia com a poesia.
Matar saudades de Cora,
fazer poesia de meia.
Com certeza escreverão
poemas tantos, os dois
e os soprarão para nós,
na vinda das primaveras...

domingo, 30 de outubro de 2011

FALHA NO ENEM, DE NOVO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor e editor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


A torcida era para que, neste ano, o ENEM funcionasse, não é mesmo? Pois não funcionou. Para honrar a tradição de lambanças dos últimos anos, como 2009, quando vazou o conteúdo da prova e em 2010, quando houve erros de impressão, este ano vazou de novo parte das questões da prova e estão pedindo o seu cancelamento.

Que Ministério da Cultura é esse que não consegue assegurar o sigilo de uma prova? Aliás, fiquei sabendo que a culpa é do próprio Minc, que organiza as provas. Senão, vejamos: O Minc, responsável pelo Enem, faz um pré-teste, aplicando-o a cem mil alunos, para daí avaliar e escolher as questões definitivas. A coisa começa com questões formuladas por professores de cinquenta e nove universidades brasileiras, cerca de seis mil perguntas, que são revisadas e de onde sai o pré-teste. Então o MINC separa o joio do trigo e temos o Exame Nacional do Ensino Médio.

O interessante disso tudo é que o pré-teste é, na verdade, a abertura para que as pessoas envolvidas nessa “simulação”, inclusive os cem mil alunos, saibam o que pode cair no Enem. Os alunos que responderam a pré-prova podem copiar, podem lembrar de questões e anotá-las e passá-las adiante. Não é ingênuo pensar que isso não vai acontecer?

O que poderá acontecer no próximo ano?

sábado, 29 de outubro de 2011

DIA DO LIVRO RUIM PARA A LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Pois então hoje foi o Dia Nacional do Livro. Ontem ainda escrevi sobre o assunto, mas hoje leio nos jornais que não há muito o que comemorar aqui em Santa Catarina, pois as editoras que existem, ainda, lutam com o encalhe de edições inteiras. O índice de aceitação de uma obra, por aqui, é de um ou dois livros com boa venda ou venda razoável em cada dez. Aliás, foi mencionado, inclusive, que para conseguir que seja vendido, o livro precisa ser indicado para os vestibulares.

Essa coisa de os livros de autores catarinenses, de livros publicados aqui no Estado não venderem, já foi assunto de outra crônica, recentemente. É que os leitores catarinenses, que já não são tão numerosos quanto desejaríamos, preferem ler os best-sellers importados, via de regra. Nossos leitores não prestigiam os autores da terra, eles compram muito pouco os livros de seus conterrâneos. A não ser os catarinenses consagrados em nível nacional, os nomes locais que vendem são poucos.

Aliás, nem os próprios escritores prestigiam muito os seus pares. Então o livro catarinense precisa reconhecido pelos leitores, precisam ser adquiridos e lidos, sob pena de, em futuro próximo, não termos mais editoras. E olhem que temos obras de qualidade circulando.

Que esse Dia do Livro sirva para que nós todos, leitores e escritores, reflitamos sobre o futuro da literatura em nosso Estado. Se não houver leitores, os livros não serão mais publicados, pois as editoras não resistirão e cessarão suas atividades, como já vem acontecendo com algumas.

E o livro é o registro da nossa civilização, é a perenidade da palavra, não interessa se ele é tradicional, impresso em papel, ou eletrônico. Um livro fechado, não lido, não existe. O livro só existe quando é lido, quando é recriado pelo leitor.

De maneira que precisamos levar nosso livro até o leitor, precisamos levar nossa obra até o leitor em formação, que está nas escolas, para que tenhamos mais e bons leitores um pouco adiante. Para que possamos comemorar um bom Dia do Livro em anos próximos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

POSSE NA ACL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Acabo de chegar da Academia Catarinense de Letras, onde estive para a posse do novo acadêmico Oldemar Olsen Jr. Fui poucas vezes à ACL, gostava de ir lá fora de eventos, para encontrar o presidente Lauro Junkes, quando a sede era no CIC – Centro Integrado de Cultura.

Estive, também, na posse da Urda. Alguns acadêmicos eu já conhecia, como o Pinheiro Neto, o Flávio José Cardozo, o professor Celestino Sachet, Francisco José Pereira, Artêmio Zanon, Urda Alice Klueger, Iaponan Soares e o próprio Olsen. E tive o prazer de conhecer outros, como o grande Júlio de Queiroz, também Mário Pereira, Jair Francisco Hamms e outros. Foi muito bom voltar àquela casa.

Mas a posse do Olsen, foi muito interessante, primeiro porque o apresentador do novo imortal dissecou a vida dele desde antes de ele nascer. Segundo, pelo próprio discurso de posse dele. A irreverência, o bom humor, a liberdade de expressão estiveram presentes a partir do momento que ele deixou pra traz os itens protocolares. O discurso propriamente dito deve ter levado uns vinte minutos, mas não vi ninguém que não estivesse atento, o tempo todo, naquilo que ele estava dizendo. Um discurso eclético, falando dele mesmo e de como ele se situa na literatura e como a literatura se situa no nosso meio. Falando, portanto, de tudo um pouco. E bem.

Valeu a pena. Parabéns, Olsen, parabéns Academia Catarinense de Letras. Olsen é arrojado, irreverente, sem papas na língua. Amilcar, que acaba de ser eleito mas não tomou posse ainda, também é um pouco assim. A ACL nunca mais será a mesma.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

OS ATLETAS DO PAN

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Numa outra crônica, de dias anteriores, comentava eu a frustração de saber que os atletas que participam de campeonatos mundiais, Jogos Panamericanos e Olimpíadas se preparam o ano inteiro, dia após dia, o dia inteiro e, na hora de apresentar o resultado do seu trabalho, acontece uma queda. Por nervosismo, ansiedade, medo de errar, ou por algum outro motivo, um deslize faz perder pontos e o sonho do pódio se vai. Dói na gente ver isso, sabendo da dedicação integral de cada um deles.

Então começou os Jogos Panamericanos do México, a Olimpíada das Américas. E nessas duas semanas, apesar de um dia como ontem, em que quase tudo deu errado para o Brasil – houve quedas das nossas atletas da ginástica artística, bolas não entravam nem por decreto no vôlei, também no entravam no gol, e por aí afora, fazendo com que perdêssemos várias medalhas de ouro - que a serenidade e a segurança trazem a vitória, que aqueles que também ralaram para se preparar e tiveram a sorte de não errar, nos fazem vibrar, nos trazem alegria como se fôssemos nós que estivéssemos lá, competindo e vencendo.

As dezenas de medalhas de ouro que nossos atletas já ganharam até hoje enchem o coração da gente de felicidade. Ver que todo o esforço da preparação para o Pan resultou em vitória é emocionante, é glorioso. Para um país que apoia muito pouco o esporte, como o Brasil, o resultado tem sido muito bom.

E não é gratificante ver apenas o sucesso dos nossos atletas. Cada um que ganha uma medalha, seja ela de ouro, de prata ou de bronze, é a coroação da força de vontade, da determinação, do amor pelo que se faz, não importa a nacionalidade.

A superação dessa gente que se sacrifica para nos dar um bom espetáculo e para ganhar a sua medalha de mérito é um exemplo para todos nós.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"ENSINAR" POESIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Em evento literário recente, um dos poetas, antes de dizer o seu poema, fez questão de falar com o público. E disse de sua incursão por uma escola, onde havia “ensinado” poesia aos estudantes. Mais adiante, outro acadêmico, no seu discurso, dizia, entre outras coisas, que “poesia e ensino se repelem, se excomungam”.


Atentei para as duas afirmações contrárias, porque a segunda não foi proposital em oposição à primeira. O discurso do segundo poeta e acadêmico já estava escrito, quando o primeiro falou.

E a verdade é que o segundo tem razão. Poesia não se ensina. Poesia é um dom, é uma coisa nata, nós exteriorizamos ou não essa ânsia de transformar emoções, sensibilidade e lirismo em palavras. Poesia é alma, é coração. É claro que a prática – escrever, escrever muito e escrever sempre – e a leitura, fazem com que possamos consolidar nosso estilo, melhorar nosso fazer poético. Mas não devemos ter a pretensão de querer ensinar poesia. Até porque cada poeta tem a sua marca, a sua cosmovisão, o seu estilo. Podemos, sim, incentivar a produção, incutir o gosto pela leitura, fazer a poesia chegar a todos os olhos, ouvidos e corações, pois ela torna o ser humano mais humano.

Se “ensinássemos” alguém a escrever poesia, estaríamos transferindo a nossa maneira de sentir e ver o mundo para outra pessoa, estaríamos imprimindo nosso estilo na produção de outra pessoa, o que não é justo nem honesto. O que devemos fazer é incentivar aqueles que já descobriram que são poetas, apoiar, apreciar, avaliar e valorizar a sua poesia.

Porque ser poeta é ver através das coisas, é ver mais além, é ver o que os outros não veem. Ser poeta é olhar e ver, como já disse Cecília Meirelles. Ou somos poetas ou não somos. A poesia flui, não precisamos arrancá-la.

É claro que nem todos que pensam que escrevem poesia são poetas, mas isto é assunto para outra discussão. Acho que mais importante do que tentarmos arrancar um poema de quem não é poeta é mostrar a poesia a todos, em todos os lugares, levar a poesia de todos os modos possíveis – seja ela escrita em qualquer suporte ou declamada e gravada em qualquer mídia, para que quem não a conhece passe a conhecê-la e descubra se gosta dela ou não. Assim estaremos fazendo novos leitores e popularizando a poesia.

domingo, 23 de outubro de 2011

SARAU DE POESIA EM SÃO JOSÉ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Aconteceu, no último sábado, no Teatro Adolpho Melo, em São José, A Noite Poética Josefense, um sarau de poesia em homenagem ao Dia do Poeta, que ocorreu no dia 20 de outubro. Além de declamação e leitura de poemas, houve também apresentação de dança de salão, pela Academia Ateliê de Dança e canto, inclusive de quatro belíssimas peças, pelo Coral do Hospital Florianópolis, que eu diria ter sido o destaque da noite.

Uma combinação muito feliz, juntar poesia com dança e com canto. Uma noite belíssima, Idealizada pela Fundação Municipal de Cultura e Turismo de São José e da poetisa e jornalista Hiamir Polli.

O teatro do Centro Histórico de São José estava lotado de poetas, escritores e simpatizantes de literatura, que aplaudiram entusiasticamente todas as apresentações. Fazia tempo que eu não via um sarau animado e interessante como essa noite poética em São José.

Segundo soube, esta foi a primeira edição e outras virão. E é muito bom saber disso, pois a poesia precisa der disseminada, cada vez mais, a poesia precisa ser dita e ouvida. E saraus como este celebram a poesia e a divulgam, para que mais pessoas descubram que gostam dela e passem a lê-la mais.

Como o evento foi uma homenagem pela passagem do Dia do Poeta, todas as Academias, Grupos e Associações Literários da Grande Florianópolis foram homenageados. Gostei de tudo e espero que o evento continue, pois precisamos, cada vez mais, popularizar a poesia. Mas fiquei um pouquinho triste porque o Grupo Literário A ILHA, há onze anos na Grande Florianópolis, mais exatamente em São José, do alto dos seus 31 anos de atividades em prol da literatura catarinense, não foi lembrado. Uma pena.

Parabéns a poetisa Hiamir e à dona Rosinha, da Fundação de Cultura de São José, pela realização de tão importante evento para a nossa poesia. Foi muito interessante o convite da organizadora, hoje pela manhã, para o evento, pois coincidiu com a saída do prelo da segunda edição da minha antologia poética “Nação Poesia”.

sábado, 22 de outubro de 2011

SABORES DE CORUPÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Corupá, a Cidade das Cachoeiras, o Vale das Águas encravado ao pé da Serra do mar, não é privilegiado apenas por suas belezas naturais. A pequena cidade, ainda um paraíso para se viver, não tem só as suas dezenas de quedas d´água, seus rios e montanhas, uma geografia das mais belas. Corupá tem sabores que só encontramos lá, naquela terra abençoada.

Não sei nem por onde começar. Acho que as passas de bananas, a popular banana seca, representa bem o que quero dizer, pois Corupá é a capital catarinense da banana. As passas de bananas produzidas lá são as melhores que conheço. E olhe que já experimentei muitas.

O Vale das Águas, apesar da grande vocação turística, é uma cidade primordialmente agrícola. Lá ainda se pode colher muita laranja, muita tangerina, além de xinxins, ponkans e limões. E a tangerina e a laranja, no seu tempo de maturação, são deliciosas e emprestam um matiz dourado aos morros do interior, evidenciando o quanto é rica aquela terra.

Ainda encontramos, em docerias da cidade, tortas de ricota da melhor qualidade. Mas não dá pra esquecer a torta de ricota (quando eu era menino, dizia-se torta de queijo branco ou requeijão) da saudosa dona Helena Thieme. Era uma delícia, era tradicional, era feita sempre da mesma maneira e tinha sempre o mesmo sabor. Acho que a receita se perdeu. Ou foi a mão de quem fazia?

Em Corupá também se faz um queijo de porco que não tem igual em nenhum outro lugar. O que é queijo de porco? Vou tentar explicar: todos os miúdos do porco – fígado, coração, rim, etc., mais pedaços de carne, são temperados e cozidos. Depois coloca-se em formas, conforme o formato que se queira, redondo, quadrado – e deixa-se esfriar. A parte líquida do cozido fica firme como um gelatina e dá pra cortar o “queijo” em pedaços. É muito bom. É calórico, como tudo que é bom, mas vale a pena. O pão de milho que se faz na zona rural de Corupá também é inigualável. E as carás, os lambaris e cascudos que a gente pescava na Cidade das Cachoeiras também eram fantásticos. Será que ainda os há?

Os biscoitos de melado (de Natal) que são feitos em Corupá são os melhores de que tenho notícia. Eles são escurinhos, crocantes e coloridos. E são de melado mesmo.

Aipim com bacon também é uma coisa das mais saborosas que a gente pode comer em qualquer restaurante da cidade. E há muito mais. Mas voltar a Corupá é o mais gostoso, tem gosto de infância.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

POETAS MENINOS



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/  

Hoje recebi uma carta do escritor e amigo Celestino Sachet, um dos baluartes da Literatura Catarinense. Eu havia lhe enviado, recentemente, um exemplar da segunda edição da minha antologia poética “Nação Poesia” e ele leu, apreciou e me enviou a mensagem mais bonita que eu poderia receber, um testemunho espontâneo que me deixou atônito, tive que ler duas vezes para ver que era para mim. E não posso deixar de dividir isso com todos vocês, antes de colocar na contracapa do próprio livro, em uma próxima edição:

“Meu poeta-menino, irmão gêmeo do menino-poeta. Na manhã de um domingo friorento e chuvoso, percorri teu livro com ganas de curtir poesia. E me dei bem!

Teu “Nação Poesia”, a partir da capa, é um primor. Na sequência em que fui namorando teus versos, descobri que você é um poeta com todas as letras da linguística e com todas as artes de teoria da literatura. Já me explico.

O teu poema é uma síntese moderna do Olavo Bilac, no “Profissão de Fé”, quando sugere “Torça, aprimora, alteia, lima / A frase; e, enfim, / No verso de ouro engasta a rima, / Como um rubim.”

A grande maioria de teus poemas tem este final de ouro. Tomo como modelo o poema “Poeta”. Dentro dos últimos cinco versos, veja a força que explode em “que me divido / em mais eus”.

Mas você é também Drummond, quando desafia – “Penetra surdamente no reino das palavras”. Só que você corrige Drummond e penetra “meninamente” na magia das palavras. Toda a sua (tua) poemática é de menino – Natal – passarinho – árvore – jacatirão.

Ah, seu bandido! Essas histórias de menino fazem saltar lágrimas no leitor. Um abraço de admiração do menino que continuo sendo.”


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ALIMENTOS TRANSGÊNICOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Recebi, hoje, 18 de outubro, uma mensagem da Monsanto, questionando o artigo “Estão fechando o olho do consumidor”. No artigo eu mencionava a cartilha “O Olho do Consumidor”, publicada pelo Ministério da Agricultura em 2009. Ela deveria ter sido distribuída a toda a população brasileira com o objetivo de padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, esclarecendo o consumidor para que ele saiba escolher alimentos não contaminados e não modificados geneticamente. E passei adiante notícia de que os 620.000 (seiscentos e vinte mil) livretos impressos não foram distribuídos á população, porque a multinacional produtora de sementes transgênicas Monsanto havia entrado com um mandado de segurança, conseguindo uma liminar na justiça que impediu que a publicação chegasse até o público.

Pois a mensagem afirma que “não procedem os boatos de que a Monsanto teria entrado como uma ação judicial contra uma campanha educativa coordenada pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) sobre os benefícios de alimentos livres de agrotóxicos. Que “conforme publicado no jornal Correio do Povo (RS), em 4 de agosto de 2009, por meio de assessores, o coordenador de Agroecologia, Rogério Dias, informou que não houve notificação ou comunicado contrário à campanha.”

E pediram para eu informar isso aos meus leitores. Pois aí está. Só que eu esperava que o Ministério da Agricultura se pronunciasse, dizendo se houve ou não houve a tal liminar. Porque o tal de Rogério Dias, que eu não sei quem é, dizendo que não houve notificação contra a campanha, não me diz nada. Ele fala pelo Ministério?

A verdade é que continuo tentando esclarecer o cidadão comum sobre o perigo do alimento transgênico. Tenha ou não existido a mão da Monsanto na distribuição ineficiente do livreto que tentava colocar alguma luz sobre o assunto. A verdade é que não conheço ninguém, nem amigos, nem pessoas da família – e olhe que minha família é enorme, tenho parentes em todos os estados do Sul e Sudeste – que tenham recebido a tal cartilha. Mas o tal de Rogério Dias teria afirmado que mais da metade da publicação já teria sido distribuída. Isso em 2009.

Transcrevo parte do artigo para aqueles que não sabem, ainda, o que são os trangênicos:

Nós sabemos que as frutas, legumes, verduras, sementes e toda sorte de alimento vegetal tem uma carga enorme de agrotóxicos: o Brasil é o país que aplica a maior quantidade de veneno nas plantas. Não sabemos, isto sim, o que é alimento transgênico, pois parece que não há nenhum interesse esclarecer a população.

Pois produtos transgênicos – ou Organismos Geneticamente Modificados – são organismos a cujas células foram adicionadas células de outros seres vivos, para que se tornem mais resistentes a pragas de insetos e para que se conservem mais facilmente. Acontece que experiências demonstram que a toxina BT do milho, por exemplo, polui os solos durante vários anos, e que as plantas geneticamente modificadas matam os insetos que as comem, e também matam as joaninhas que depois comeriam os insetos. Consequentemente, os ecossistemas ficam desestabilizados, pois o cultivo de plantas transgênicas pode, também, matar populações benéficas como abelhas, minhocas e outros animais e espécies de plantas.

Então, como vimos, uma técnica muito utilizada é a introdução de gene inseticida em plantas. Desta forma consegue-se que a própria planta possa produzir resistências a determinadas doenças da lavoura. Mas mata outros seres vivos também. E se mata insetos, para o ser humano não há prejuízo nenhum?

Não existem estudos, ainda sobre o efeito dos alimentos transgênicos no ser humano. E, no entanto, eles estão sendo cada vez mais produzidos.

O Brasil, infelizmente, vai na contramão do instinto de preservação do ser humano e, além de não proibir a produção de transgênicos até que tenham sido feitos estudos suficientes para que se saiba se eles podem ser consumidos pelo homem sem problemas, ainda impede que a população seja esclarecida sobre como escolher a sua alimentação, beneficiando uma grande empresa multinacional que vende sementes transgênicas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

COPA, FIFA, IMPOSTOS...

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Voltando a falar da Copa, o leitor lembra que abordei recentemente o assunto aqui. Indignei-me com o fato de a Fifa querer dobrar o preço dos ingressos para a Copa no Brasil, porque aqui há uma lei que concede meia entrada para estudantes. Dona Fifa teme ficar no “prejuízo”, mesmo não investindo em nada, vindo só pra pegar a féria. Os estádios, a infraestrutura, quem paga somos nós, que arcamos com a maior carga de impostos do mundo.

E não é só isso. Dona Fifa também quer que o Brasil autorize a venda de bebidas alcoólicas dentro e fora dos estádios, durante os jogos. Não é legal? Alguém talvez já tenha percebido que a Copa é realizada sempre em países diferentes e em ascensão, por escolha da Fifa, que não arca com nada para a concretização do grande evento, apenas exige e arrecada os resultados. Fácil, não é?

Pois o Brasil já está bem arranjado por ter sido escolhido. Porque ser escolhido para sediar a Capa não é privilégio, é dispêndio, é gastar para construir estádios pelo país inteiro. E também com infraestrutura, só que esta fica para nós, que pagamos a conta. Os estádios vão de mão beijada para os clubes.

Então, acabei ligando uma coisa com outra coisa. Fiquei matutando cá com meus botões, que levantaram a vontade “política” de ressuscitar a CPMF – ou seja lá que nome deem ao imposto – logo que as coisas da Copa começaram a atrasar, a apertar. Já sabemos que para a Saúde, o dinheiro de um novo imposto não vai, como já vimos em edições anteriores. Acho que estão mesmo é tentando arrecadar fundos para a Copa. Não é de se duvidar nada disso. Usa-se um pouco nas obras para a Copa, outro tanto nos “desvios”... Afinal, como está tudo atrasado, não precisa de licitação...

sábado, 15 de outubro de 2011

O DIA DO PROFESSOR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


De sorte que hoje é o dia do professor. Sorte? Verdadeiramente não sei. Primeiro, que não recebi nenhum cumprimento hoje, porque não estou na ativa. Segundo, que o professor é um profissional muito pouco valorizado, pouco respeitado, mesmo. É o professor que forma o adulto de amanhã – com a ajuda da família, que já deveria ter começado e dado um bom encaminhamento na educação das suas crianças – mas não ganha um salário condizente com a sua missão e com a sua dedicação. Não só na escola pública, como na particular também. Na rede pública o problema é bem maior, porque além de ter remuneração insuficiente, não há equipamento para trabalhar e as escolas estaduais, geralmente, tem péssima manutenção.

Então quero render minha homenagem aos professores, todos os professores, por este trabalho tão importante que é passar conhecimento as nossas crianças, para que sejam pessoas educadas e instruídas amanhã, quando estarão no mercado de trabalho e à frente dos destinos de nossa nação.

Tenho amigos que são professores e professoras dedicados e abnegados, verdadeiros heróis da educação, fazendo um trabalho excepcional, apesar de mudanças em nosso sistema de ensino que, ao invés de melhorar, tende a tornar o trabalho deles ainda mais difícil.

Vejo-os fazendo trabalho pioneiro no sentido de levar a leitura e a literatura até nossos leitores em formação, mesmo que o conteúdo programático não privilegie essa aproximação autor/leitor.

Parabenizo, então todos os professores, ainda que não sejam reconhecidos como deveriam ser.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

QUE PAÍS É ESSE?

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Nunca gostei muito do Dinho, vocalista da banda Capital Inicial. Não gostava dele como cantor, mas depois da “homenagem” que ele fez ao Sarney, no Rock in Rio, dedicando a música “Que país é esse” ao dito cujo, fiquei fã dele. Como cantor, continuo não gostando, mas passei a gostar da pessoa, do cidadão.

Porque ele fez o que todo o Brasil quer fazer, dizer ao Sarney que não concordamos com a desfaçatez dele, com a cara de pau que ele tem, de usar o poder para favorecimento próprio e de seus apadrinhados. Abominamos o fato de ele fazer todas as falcatruas que já fez e continuar no poder, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

E ele respondeu ao Dinho, arvorando-se de dono do Rock in Rio e de ter alavancado a carreira do pai do cantor. A verdade é que Sarney não vai criar vergonha na cara e, como os seus pares que estão no comando deste país o protegem, passam a mão na sua cabeça, ele vai continuar aí, como exemplo para outros “políticos” corruptos, que aprendem rapidinho.

Infelizmente este é o Brasil que nós, eleitores e cidadãos, aceitamos. Nós votamos nessas figuras que aí estão. Está na hora de nós, eleitores, sabermos que assim como colocamos esse bando de políticos corruptos no poder, também podemos tirar. É nos conscientizarmos de que podemos e começarmos a fazer alguma coisa.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A LITERATURA E O ENEM

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


O Enem – Exame Nacional do Ensino Médio, que está se transformando no substituto do vestibular, valendo já para várias universidades, dá muito pouca importância à literatura. Dá pra contar nos dedos os escritores brasileiros consagrados contemporâneos e/ou clássicos que foram mencionados em questões do Enem, incluindo-se aquelas em que eles são citados, mas a pergunta não se refere à literatura.


Segundo a matéria, que listou os gêneros literários já abordados, histórias em quadrinhos foram mais lembradas para questionar os estudantes do que autores de crônica, de romance, de conto, etc. Para se ter uma idéia, autores como Euclides da Cunha, José de Alencar, Quintana, Coralina e outros, nunca foram abordados.

Que prova é essa que não quer saber se os estudantes leram algum clássico da nossa literatura, se conhecem os nossos mais importantes escritores contemporâneos? Que quer saber se os estudantes leram Garfield, Mafalda, Hagar, personagens de quadrinhos que nem de autores nacionais são?

Que Ministério da Cultura é esse, que formula provas para nossos estudantes de segundo grau, provas essas que valem por um vestibular, mas não cobra o conteúdo que eles deveriam ter tido em suas escolas?

Isso, mais os escândalos que tem permeado a atuação pífia do Minc em edições anteriores do Enem, evidenciam bem o descaso com a educação neste nosso Brasil de corrupções e impunidades. Provas que deveriam avaliar a qualidade de nossas escolas e que agora estão se encaminhando para tomar o lugar do vestibular, parecem ser feitas por qualquer um, sem nenhum conhecimento ou preparo para tal.

Com o abandono de nossas escolas e com uma prova que não tem condições de avaliar nada, agora com status de passaporte para a universidade, como esperar que nossos jovens cheguem ao ensino superior com com condições de acompanharem os estudos e se formarem bons profissionais?

Gastam quantidades enormes de dinheiro público para aplicar a prova do Enem, uma prova com o cuidado muito aquém do que realmente merece, considerando-se as usas finalidades, mas não há dinheiro para pagar melhor professores, para fazer manutenção nas escolas que caem aos pedaços, para equipar essas mesmas escolas públicas.

Vai ver que é porque pagamos muito pouco impostos. A quantidade escorchante de impostos que pagamos não chega para financiar a educação, a saúde, a segurança e ainda disponibilizar recursos para a roubalheira de nossos políticos. O último item tem prioridade, não é?

domingo, 9 de outubro de 2011

O CONTRIBUINTE E A COPA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

A Copa do Mundo, aquele que vai ser realizada no Brasil, continua rendendo desastres. Além dos atrasos da infraestrutura para o evento, além do Estado estar arcando com o custo das construções de estádios para acolherem os jogos, a novidade mais recente é que a Fifa não gostou do fato de, no Brasil, haver uma lei que garante meia entrada para estudantes e idosos. Alega que vai ter prejuízo com isso, que não vão arrecadar o que esperavam. Ameaçam, até dobrar o preço dos ingressos.

Em vista disso, um gaiato, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, sugeriu que o poder público banque a diferença, para que a dona Fifa não tenha prejuízo. Não é hilário? O contribuinte já está sendo sacrificado, pois o dinheiro que está sendo gasto para construir os estádios para a Copa é o mesmo dinheiro juntado às custas de impostos escorchantes que ele paga e que deveria ser usado na saúde, na educação, na segurança, que estão falidos. No entanto o senhor prefeito do Rio quer que nós paguemos rios de dinheiro para a Fifa, para que “ela não ganhe menos do que está acostumada a ganhar”.

Parece brincadeira. Se o país não tem condições de sediar um evento como a Copa, porque se candidatou?

sábado, 8 de outubro de 2011

"O POVO VENCEU" - É DEBOCHE?

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


A novela do julgamento do prefeito itinerante de Florianópolis acabou, esta semana, com o TSE inocentando Dário Berger quanto a ter contrariado a lei eleitoral, a qual reza que o candidato não pode concorrer e se eleger prefeito mais de duas vezes seguidas. O prefeito de Florianópolis elegeu-se quatro vezes, uma atrás da outra. E foi absolvido, apesar de outros oito prefeitos, na mesma situação, terem perdido o cargo e elegibilidade.

Nem a justiça é confiável neste país. Para tudo há dois pesos e duas medidas. Mas o pior, mesmo, foi abrir os jornais, no dia seguinte ao “julgamento” do TSE e ver foto de página inteira do prefeito devagar da capital, com a manchete: “O povo venceu. De novo.” (Cá pra nós, quem será que pagou a publicação de tais páginas inteiras?)

Não é deboche? Se não é, parece. O povo não venceu nada, o povo só perdeu, nesses anos todos em que Dário é prefeito da capital. Principalmente nesse segundo mandato, quando a cidade está completamente abandonada, jogada ao léu, como bem disse Guga, sem segurança, sem mobilidade, sem infraestrutura. O povo queria, isso sim, que ele saísse da prefeitura, de uma vez por todas, para ver se essa cidade melhora.

Infelizmente uma maioria que acreditou que ele, Dário, poderia melhorar no segundo mandato e votou nele, agora serve de pretexto para que ele se vanglorie de ter permanecido no cargo.

A cidade está aí, do jeito que está, para comprovar a incompetência do prefeito itinerante. Ele simplesmente abandonou a cidade. Agora vem com a história de que vai agilizar e inaugurar uma obra por semana. Claro, vai correr e inaugurar um monte obras começadas e mal acabadas, ou não acabadas, como já fez outras vezes, para ver se consegue se eleger governador. Vai usar o tempo que resta como prefeito para fazer campanha, como bem disse o cronista maior Sérgio da Costa Ramos, na quinta.

Vamos ver o quanto ele vai conseguir enganar os pobres eleitores que deram a ele a responsabilidade de pelo menos manter a cidade funcionando direito, que é o mínimo que se espera. O que não foi feito.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A INSEGURANÇA EM FLORIANÓPOLIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
(Extraído da página de Opinião do Diário Catarinense de domingo, dia 9 de outubro)



O fato de o Guga, o nosso manezinho mais ilustre, ter peitado o desabafo, pedindo um basta na insegurança do nosso paraíso perdido, é um primeiro passo importantíssimo para que se tome, finalmente, alguma providência.

Nossa capital, assim como toda a Grande Florianópolis, precisa de mais atenção de seus governantes, que estiveram, até aqui, mais preocupados com problemas pessoais do que com a melhoria da segurança e de outros itens primordiais para a população, como transporte, mobilidade, educação, saúde, etc.

Não vemos um policial nas ruas, qualquer que seja o horário. Nem a guarda municipal, que deveria ou poderia cuidar do trânsito caótico, a gente vê.

Existem, infelizmente e inexplicavelmente, delegacias e postos de polícias desativados. Com tão reduzido número de policiais, parte deles vai ser desviado para cuidar do entorno da Assembléia Legislativa, como vimos em matéria recente em nossos jornais.

Falta boa vontade, falta vontade política para resolver o problema de segurança. Falta respeito aos cidadãos que pagam imposto para suprir os cofres públicos, que deveriam financiar benefícios à população e não abandono, descaso, corrupção.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

AS CANÇÕES DO FOLCLORE INFANTIL BRASILEIRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



As fábulas infantis já foram assunto de uma crônica anterior, por se tratarem de histórias que, em muitos casos, não poderiam ser indicadas para crianças. Por quê? Porque envolvem violência, maldade, desvios de personalidade, etc. Coisas que são empurradas para os pequenos desde muito novos, quando ainda nem sabem ler, através das “historinhas” que lhes contamos ou lemos.

Lembrei-me disso quando fui selecionar algumas cantigas infantis tradicionais para gravar para meus sobrinhos de dois a sete anos.

Algumas delas, como os contos “inocentes” que contamos para as nossas crianças, sugerem tragédias resultantes de violência gratuita. Como em “O Cravo brigou com a rosa / Debaixo de uma sacada. / O cravo saiu ferido / E a rosa despedaçada.” Ou como em “Atirei o pau no gato / mas o gato não morreu, / Dona Chica admirou-se / do berro que o gato deu.” Ou ainda em ”João Cururu / detrás do murundu / levai este menino / pra comer com angu.” E outras mais por aí afora. Existem outras, mas essas valem como exemplo.

Não nego que as músicas são gostosas, são melodias alegres e contagiantes, mas as letras deixam a desejar. Sei que vai haver quem diga que as crianças, tão pequenas, não prestam atenção às letras. Mas crianças, desde bebês, são esponjas que absorvem tudo, que aprendem com uma facilidade e uma rapidez incríveis.

O que podemos fazer é adaptar as letras, contar alguma coisa que não desperte medo nas nossas crianças nem banalize a violência. Sei, não se pode mexer na obra de outrem, é verdade. Mas a maioria destas músicas pertencem ao folclore brasileiro infantil, então já existe variação de região para região na mesma música.

E as modificações para as canções “politicamente incorretas” já aparecem, com as inovações implantadas nas conhecidas canções infantis por professores e educadores aqui de Florianópolis. Vi, há pouco tempo, uma matéria que mostrava educadores de pré-escola, cantando com suas crianças aquelas mesmas famosas canções infantis que mencionamos acima pelo conteúdo aparentemente inocente, embora tendendo à violência, mas com letra reescritas, repensadas. Politicamente corretas, como disseram, termo que eu nem considero muito simpático, embora talvez seja apropriado.

"Atirei o pau no gato" ficou mais ou menos assim: "Não atirei o pau no gato / porque isso não se faz / O gatinho é nosso amigo / Não devemos maltratar os animais / Jamais!" E "O cravo brigou com a rosa..." está sendo cantado assim: "A rosa deu um remédio / e o cravo logo sarou / O cravo foi levantado / E a rosa o abraçou." Não ficou melhor? Transmite uma mensagem positiva e a música continua gostosa e vibrante.

O "boi da cara preta" virou "boi do Piauí" e por aí vai. As crianças gostaram, pois perguntadas pela reportagem, disseram que preferiam as novas versões, como "NÃO atire o pau no gato" e explicaram o porquê.

Não se trata de incentivar o plágio, coisa que combatemos com veemência, mas esse cancioneiro popular é de domínio público, não tem autoria definida ou declarada, por isso as adaptações vão acontecendo com o passar do tempo e em diferentes regiões.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

NOVO VOLUME DA COLEÇÃO LETRA VIVA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


A coleção Letra Viva, lançada em comemoração ao trigésimo aniversário do Grupo Literário A ILHA, com quatro volumes, está apresentando um quinto volume, o livro “Vida”, com crônicas da premiada escritora mineira Erna Pidner. Ela viveu muitos anos em Santa Catarina, até os anos noventa. Em Joinville, participou do Grupo Literário A ILHA durante quase toda a atuação dos “poetas da praça” naquela cidade. Continua fazendo parte do grupo, agora de volta à sua terra, Ipatinga, em Minas Gerais.

Em Joinville, Erna já havia publicado um opúsculo de poesia, “Falando aos Corações”. Curiosamente, ela teve dois livros publicados em Minas, depois que voltou para lá, mas todos os dois de crônicas e todos os dois vencedores do Prêmio Carlos Drummond de Andrade. Então a Coleção Letra Viva, de livros de crônica, não poderia deixar de ter um volume com esta importante escritora.

De maneira que aí está o livro “Vida”, com a produção mais recente desta poeta que também é cronista – e das boas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A VALORIZAÇÃO DA LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



A lei que regula a compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais em todo o Estado, foi cumprida uma única vez, desde a sua homologação, em 27 de julho de 1992, em 2009. Apesar de cobrado sobre o descaso à lei, o governo apenas vai empurrando a solução para mais tarde, evidenciando a falta de vontade de cumprir o que ele mesmo estipulou.

A União Brasileira de Escritores, enquanto presidida pelo escritor Enéas Athanázio, questionou formalmente o Estado, mas a desculpa, a mesma de sempre, foi de que não havia verba para tal investimento. E a promessa de que num próximo orçamento a lei seria lembrada foi cumprida, mas apenas uma única vez, na gestão de Anita Pires à frente da Fundação Catarinense de Cultura.

Não é de hoje que a classe tenta apoio oficial à literatura regional. Várias cartas foram tiradas em congressos e encontros de escritores aqui em Santa Catarina, por exemplo, que se sucederam ano após ano, enumerando reivindicações que não foram atendidas e pouco ou nada mudou.

Sempre em defesa do princípio da liberdade de expressão, sem qualquer forma de restrição, para que não haja atrelamento, para que não se cobre “literatura” de encomenda, em troca de algum benefício, pediu-se e pede-se a valorização da obra literária; o estudo da literatura local no primeiro e segundo graus, paralelo ao estudo da literatura brasileira, estimulando a integração autor/escola e escritor/leitor, com a presença dos produtores literários nas salas de aula para o debate e divulgação de suas obras; no caso de nosso Estado, a ação da Comissão Catarinense do Livro, no sentido de viabilizar a lei 8759, comprando, publicando e distribuindo a obra de autores catarinenses.

E quando se diz autores catarinenses, não se quer dizer este ou aquele figurão,  integrante da “panelinha” de sempre, que têm seus livros publicados apenas para engordar currículos – livros às vezes sem nenhum valor literário, que acabam encalhados em porões de repartições públicas.

Falamos daqueles escritores que estão atuando, produzindo, publicando seus livros não raro às próprias custas, promovendo e agitando a cultura e as letras, projetando o estado por todo o Brasil, ao colaborar com jornais, revistas e sites por todo o país e até no exterior.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

AGORA, APENAS TABLETS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Os leitores do blog lembram que no dia 25 de setembro, falei de leitores eletrônicos e tablets, estabelecendo a diferença que havia entre eles? O Kindle, até então, era essencialmente e especificamente leitor eletrônico – e-reader – e os outros, que apareceram depois dele, fazendo enorme sucesso, como o I-pad e seus diversos similares, eram os tablets, aparelhos multimídia que fazem de tudo e que são, na verdade, computadores mais portáteis do que os notebooks.

Nos tablets, o usuário pode tirar fotos, fazer filmes, baixar e ver filmes ou vê-los on-line, navegar na internet, usar o correio eletrônico, ouvir música, até digitar textos e fazer planilhas, jogar games, assinar jornais e revistas e até ler livros. No Kindle, o usuário só podia ler livros e ler revistas e jornais, pois ele era apropriado para isso, já que tinha tela fosca, sem brilho, o que não prejudicava os olhos humanos.

Pois bem, a Amazon, dona do Kindle, acaba de lançar uma nova versão do seu aparelho, o Kindle Fire, que não é mais apenas leitor de livros, revistas e jornais. Agora ele tem as mesmas demais funções do I-pad e seus concorrentes, passando a ser, também, um tablet. De maneira que, agora, existem apenas tablets. Até a semana passada, tínhamos que ter em mente que existiam e-readers – leitores eletrônicos para e-books e jornais e revistas eletrônicos e tablets.

Hoje, já não existe mais a diferença. O Kindle, que era especificamente leitor eletrônico, agora é concorrente dos diversos tablets que fazem sucesso no mundo inteiro.

O irônico é que, como disse na outra crônica, há tanto o que se fazer com um tablet, que muitos usuários dele nem se lembram que ele é, também, leitor de livros em versão digital.

sábado, 1 de outubro de 2011

SAÚDE PÚBLICA E SAÚDE PRIVADA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


A Saúde, no Brasil, está falida, assim como a Educação, a Segurança, a Justiça, condenada à “falta de fonte de recursos”, como entoa a nossa presidente. Para tudo há dinheiro, para os políticos “desviarem”, para construir grandes estádios que depois reverterão graciosamente para os clubes, mas para a Saúde, não. E não é só a Saúde Pública. Quem depende do INSS está condenado a esperar em filas intermináveis, em portas de hospitais, pior, condenado a morrer esperando ser atendido.

Mas quem tem plano privado de saúde não fica muito atrás. O cidadão brasileiro vê-se obrigado a pagar um plano de saúde particular e o faz, quando pode, para não ficar sem assistência. Só que conseguir uma consulta através de plano de saúde contratado, qualquer que seja ele – alguns são piores, outros nem tanto - está cada vez mais difícil, cada vez mais parecido com as consultas do SUS. Os médicos que a gente procura não são mais credenciados e, quando a gente encontra um da especialidade que se precisa que é credenciado, a consulta é marcada para meses depois. Tem-se que esperar quase como se fosse consulta do SUS.

E não é de graça, nós pagamos e bem caro pelos planos de saúde privados. Aliás, paga-se o plano e ainda uma parte de cada consulta, uma parte dos exames que temos que fazer e assim por diante. Pagamos, pagamos, pagamos, mas o retorno sempre é difícil.

Os planos de saúde têm poucos médicos – por mais que apresentem listas e mais listas deles – e eles atendem o usuário de convênio apenas por pequenos períodos dentro dos seus horários de consulta. Se pagarmos consulta particular, é pra já. Os hospitais estão sempre cheios, ou em reforma, além de nunca terem médicos suficientes.

Então, nem pagando temos uma Saúde decente neste país. Os poderes públicos, que não proporcionam uma Saúde Pública decente, poderiam ao menos fiscalizar os planos de saúde privados para que eles prestem um serviço honesto, condizente com o que é pago.