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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"GURITA"

             
            
            Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Recebi “Gurita”, romance de Marcos Antonio Meira há meses, mas a correria não me deu tempo para pegá-lo e lê-lo com vagar: edição de livros, revisões, editoração de revistas, etc.

Quando conheci o autor, na entrega dos prêmios da Academia Catarinense de Letras, em dezembro, o livro já estava comigo. “Gurita” foi apontado como o melhor romance de 2011.

Neste carnaval, já que não viajei e não tenho mais pernas para usufruí-lo, comecei a ler “Gurita”, com tempo, calma e tranquilidade. De cara, gostei do fato de o autor ter escolhido como cenário o “nosso” bairro, Barreiros, o nosso mar, a nossa Grande Florianópolis. E fui gostando mais, quanto mais eu lia, pois ali estavam retratados costumes, sentimentos, maneira de viver da gente desta terra nos anos setenta e oitenta. E mais curioso, mais gostoso e interessante: a maneira de falar dos nativos desta região. O autor foi fiel, linguisticamente, ao jeito de falar único das pessoas da época, dos pescadores que ainda traziam consigo um pouco da herança açoriana que foi deixada pelos nossos colonizadores.

A luta pela vida e os dramas de uma gente simples, com detalhes de uma época que não vai muito longe, mas nos possibilita conhecer a cosmovisão, as emoções e os valores de personagens que poderiam ter realmente existido na nossa vizinhança.

Por falar em personagem, a literatura está presente em grande parte do romance e chega a ser quase uma delas. Um dos protagonistas, leitor inveterado, amante da literatura brasileira e portuguesa desde os clássicos, é quem faz com que os livros e a leitura estejam sempre presentes, a ponto de nos brindar com a transcrição de poemas de Cruz e Sousa e Fernando Pessoa e trechos de Machado de Assis. Aliás, isso evidencia o gosto pela leitura do autor, também pelo fato de citar, no romance, diversos grandes escritores e pensadores e até a Bíblia Sagrada.

Valeu a pena conhecer Gurita. Pela pedra em si, que passa a ser um marco para todos que lerem o romance, pela época que eu não vivi, aqui em Barreiros e na Grande Florianópolis – faz pouco mais de dez anos que moro aqui – e pelas ricas personagens do romance.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

TV PAGA E REPRISES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Até o dia 3 de março está aberta para consulta pública a Lei 12.485, da Ancine, que propõe mudanças na programação da TV paga, aumentando a quantidade obrigatória de produções brasileiras nos canais exibidos aqui no Brasil.

Pelo menos 3 horas e meia por semana da programação de todos os canais, no horário nobre, deverá ser de conteúdo nacional, de produções de origem brasileira.

Outros detalhes estão especificados na nova lei, como não considerar válidos programas de auditório, programas jornalísticos e programas esportivos para cumprir a cota de conteúdo nacional. E outros mais.

Uma operadora já está com uma grande campanha publicada em grandes revistas, jornais, etc., alertando os “clientes” que, se aprovada, a nova lei vai aumentar os preços de assinaturas.

Achei interessante que um dos itens do “alerta” diz que “De acordo com a Ancine, 10 por cento do conteúdo de pay-per-view deverá ser brasileiro e não poderá ser repetido por mais de uma semana.” A operadora, indignada, alega que a proposta é ilegal e que “impedir reprises restringe o seu (do cliente) acesso a obras brasileiras relevantes (?) como Tropa de Elite, Tropa de Elite 2, Central do Brasil, entre outros.”

Muito a propósito, pois nós, clientes da TV paga, pagamos para ver reprises. Filmes são reprisados exaustivamente, por anos, e ninguém faz nada. Isso sem contar outros programas. Mas o que mais reprisa na TV paga são filmes e séries. Há filmes que são reprisados quase todos os dias. Há filmes que são reprisados em canais diferentes. Já vi o mesmo filmes passando, ao mesmo tempo, em canais diferentes. Os filmes e seriados reprisam infindáveis vezes em um canal e de repente surge um canal “novo”, que vem com uma programação toda de reprises dos mesmos filmes que já foram reprisados e reprisados. E temos que pagar para ver reprises, pois às vezes – e isso não é raro - rodamos todos os canais de filmes e seriados e não conseguimos encontrar nada que já não tenhamos visto.

Já fui na Anatel denunciar isso, mas lá me disseram que não é com eles. Eles me indicaram o Procon, mas agora vejo que eu deveria ter falado com a Ancine.

Vamos ver se a nova lei faz alguma coisa por nós, obrigando a diminuir as reprises. Talvez, diminuindo as reprises, o número de canais também tenha que ser diminuído e a gente possa pagar menos, pois as operadoras baseiam seus preços na “grande quantidade” de canais que oferece.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PAZ PARA CRUZ E SOUSA

   Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

O Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, só foi inaugurado depois do aniversário de 2010, em Florianópolis. Os restos mortais do maior poeta catarinense, trazidos de Minas para o Rio em trem de carga e finalmente vindos para Santa Catarina em 2007, iriam de novo para a senzala, que o local onde foi construído o Memorial é justamente o lugar onde ficava a senzala do casarão que hoje é o Palácio Cruz e Sousa. Os ossos do grande mestre do Simbolismo ficaram esperando todo esse tempo – três anos – para voltar à senzala.


Pois a polêmica não acabou. O espaço é pequeno para se realizar ali atividades culturais, literárias, eventos com algum público. Quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, seria um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais. Mas a verdade é que o espaço é pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher reunião de pessoas.

Mais uma vez, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Promete espaço onde se poderia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não dá condições para isso.

Divulgou-se que a Fundação Catarinense de Cultura, que é quem administra o imóvel, vai reformar o Memorial, para torná-lo usável. A desculpa é que o referido está construído sobre local proibido, a Casa de Força do Palácio Cruz e Sousa. Levou tanto tempo, mais de três anos, desde a chegada dos restos mortais do poeta a Florianópolis, até que se inaugurasse o Memorial – pela metade, pois o projeto previa mais benfeitorias – e ninguém percebeu que estava sendo construído em lugar impróprio do jardim do Palácio, que era muito pequeno, que não seria possível realizar nenhum evento em espaço tão exíguo? Isso deve ser um capítulo desgarrado da reforma do Centro Integrado de Cultura, que já tem, também, mais de três anos, onde gastou-se milhões e mais milhões dos cofres públicos e até o início do ano, não havia sido feito praticamente nada. O maior teatro do Estado está fechado por anos sem que, até agora, estivesse sendo feito absolutamente nada nele.

As coisas precisam mudar. A cultura deve ser tratada com mais respeito, nossos valores culturais precisam ser reconhecidos e preservados. Afinal, é um pedaço da história do Brasil.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

LIVROS PARA SEMPRE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Estou lendo um romance – ótimo romance – e um dos personagens, apaixonado por literatura, leitor inveterado, faz uma afirmação que me chama muito a atenção: “Uma obra literária deve ser lida uma única vez”.


Não sei se a opinião é também do autor, mas respeito a opinião do personagem. O que não quer dizer que não tenho cá minhas convicções. Como já mencionei em uma crônica recente sobre estantes para livros, há muito livro que, realmente, basta ser lido uma vez. Depois de lido não há porque guardá-lo, temos mais é que passá-lo adiante – doar, emprestar, presentear - para que outros leitores possam apreciá-lo, talvez mais do que nós, até.

Mas há livros grandiosos, verdadeiras obras-primas que precisamos manter por perto, para que possamos voltar a eles, pois a cada nova leitura, a cada nova recriação, nos revelam novas descobertas. E não me refiro apenas a livros de poesia. Há romances, livros de contos e de crônicas, livros até de outros gêneros, os quais dão prazer de se ler de novo, possibilitam-nos recriá-los de uma maneira nova, descobrindo novos detalhes e novas nuances que enriquecem ainda mais a qualidade do texto, da trama, de tudo.

Não vou citar títulos de livros que tenho guardados comigo, porque são muitos e também porque a minha preferência pode não ser a mesma dos meus leitores. E isso é natural. Mas eu sou um daqueles leitores que de vez em quando volta a um livro já lido, como um livro de poemas de Quintana ou de Pessoa, por exemplo, nem que seja para ler só um ou dois poemas.

Há até quem diga, como a personagem do livro que estou lendo, que é perda de tempo ler de novo alguma coisa que já lemos. Mas a verdade é que o prazer de ler uma obra bem escrita e bem urdida é coisa para se degustar devagarinho e de novo. É claro que devagarinho é força de expressão, pois quando pegamos um bom livro lemos com sofreguidão, de um fôlego só, essa é que é a verdade.

Então, confesso mais uma vez: tenho uma grande estante de livros em meu escritório e de vez em quando retorno a algum deles.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

BIBLIOTECA FLUTUANTE

Por Luiz Carlos Amorim - editor e escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ 

Na crônica de ontem eu mencionei a Barca de Livros, aqui de Florianópolis, em comparação com um outro barco que vendia livros na Europa. Então resolvi voltar com o tema Barca do Livro, pois é uma grande iniciativa para levar o livro até o alcance do leitor. O livre acesso à leitura é de suma importância, seja onde for. Precisamos fazer chegar o livro até o leitor, precisamos colocar o livro na frente dos olhos do estudante dos primeiros anos do primeiro grau, leitores em formação, esteja ele onde estiver.

A Barca dos Livros é uma biblioteca flutuante que tem o objetivo de percorrer a borda da Lagoa da Conceição, na Ilha de Santa Catarina¸ levando o mundo da fantasia, da imaginação, da arte e do conhecimento a todas as localidades com acesso pelas águas da grande e paradisíaca lagoa.

E o projeto da Sociedade Amantes da Leitura tem uma sede em terra, pois um barco precisa de um porto onde ancorar, um ponto de partida e de chegada. Para isso, existe a Biblioteca Barca dos Livros, com um acervo de mais de cinco mil volumes. Além dos livros, quem for visitar a biblioteca encontrará lá, também, escritores, poetas, professores, contadores de histórias, declamadores.

O projeto já esteve a ponto de ser interrompido, por falta de verba - ele sobrevivia com doações da comunidade - mas a inscrição num destes editais de Cultura do Estado fez com que fosse contemplado, adquirindo fôlego para a sobrevida.

Ela me lembra outras do gênero, como a Biblioteca Itinerante em Joinville, instalada em um ônibus, que percorre os bairros da periferia da cidade, mais distantes, levando a leitura a quem tinha dificuldade para ter acesso ao livro.

Outra iniciativa singular e curiosa é o sebo ambulante de um amante de livros que pega um acervo considerável e eclético, arma uma barraca nas praias mais movimentadas e oferece leitura aos veranistas durante toda a estação de sol.

Existe também o projeto Troque Lixo Por Lixo, em Blumenau, outra espetacular iniciativa que arrecada material reciclável e entrega a escolas, que os vende. Os valores arrecadados são usados na compra de livros para as bibliotecas das escolas. O projeto é responsável, também, pela divulgação de autores locais.

Por certo existirão outras, e é bom que as divulguemos, pois podem servir de modelo, podem ser copiadas em outros pontos desse nosso imenso Brasil.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

BARCOS DE LIVROS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/  


Recentemente vi uma notícia sobre um barco antigo, construído em 1920 para o transporte de carvão, que se transformou, no ano passado, em livraria, ou sebo. Ele leva um acervo de livros de segunda mão para serem vendidos a preços baixos por cidades da Europa.

O barco-livraria, chamado de “Word on the Water” – A palavra sobre a água – oferece títulos da literatura clássica, livros sobre política, filosofia e para o público infantil.

Depois de mais algumas informações sobre o barco, a matéria termina com a pergunta: Você conhece alguma iniciativa deste tipo pelo Brasil?

Muito a propósito a pergunta, pois eu conheço, sim, uma iniciativa parecida, sim. A Barca dos Livros, que funciona na Lagoa da Conceição, aqui em Florianópolis, é uma livraria com sede em terra, mas que leva livros para serem emprestados para toda a população que vivem em volta da grande lagoa. É uma iniciativa particular que existe há alguns anos e vem conseguindo alguma ajuda oficial para não sofrer descontinuidade.

É através da Barca dos Livros que os moradores do entorno da Lagoa da Conceição, tanto as crianças como os adultos, podem ter material para leitura e outras atividades culturais, como contação de histórias, palestras com escritores, lançamentos de livros, etc.

Bom poder responder à pergunta da matéria e poder dizer que nós temos, sim, uma iniciativa parecida aqui na nossa comunidade.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

UM VARAL LITERÁRIO PARA O MUNDO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Quando recebi o convite da escritora e amiga Jacqueline Aisenman, catarinense de Laguna radicada em Genebra, para fazer o prefácio da segunda antologia Varal do Brasil, fiquei preocupado com a responsabilidade de tal tarefa. Mas em recebendo os originais que compõe a nova antologia, vi que meus receios eram infundados. A seleção de textos dos escritores que estão presentes em Varal da Poesia II são de tão boa qualidade, que me sinto muito à vontade para apreciar esta obra belíssima.

Até na apresentação do conteúdo do livro a organizadora foi original: nada de ordem alfabética, nada de biografias dos autores pendurados nos textos literários. A antologia foi dividida em capítulos e nos apresenta primeiramente os textos e em outro capítulo estão as informações sobre cada escritor que está presente nela. Uma disposição objetiva e agradável.

A obra é composta de poemas, crônicas, contos, alguns textos até mesclando um gênero com outro, abordando os mais variados temas: família, saudade, solidão, natureza, cidades, lugares, viagens, mulheres, o ato de escrever, de poetar, até o sexo está presente nesta obra. Mas adivinhem o assunto abordado por maior número de escritores e poetas?

Sim, claro, o amor. Como não poderia deixar de ser. O amor fraterno, o amor filial, o amor a Deus, o amor entre duas pessoas, todas as formas de conjugar o verbo amar. As mais diversas formas de amor em todas as maneiras possíveis de sentí-lo, de escrevê-lo, de registrá-lo, de provocar a sua recriação.

A sensibilidade, a criatividade, o lirismo, o uso da palavra para levar a emoção do autor até o leitor, transborda esse livro de sentimento e de vida. E a vida é assim mesmo e a literatura imita a vida. A verdade é que este livro reúne pedaços de vida de escritores talentosos que transformam a ficção em vida e transformam a vida em literatura, perpetuando nossos costumes e sensações dentro do tempo e do espaço.

Esse time de escritores presentes em Varal da Poesia II – alguns já estavam na primeira antologia – a julgar pela amostra que dão aqui neste volume, prometem muito para o futuro e alguns deles poderão ser os grandes nomes das nossas letras de amanhã. A coleção Varal da Poesia é um novo e atual painel da literatura brasileira, pois reúne autores de todo o país.

Vale a pena conhecer a lavra destes escritores brasileiros - e portugueses também - que se reúnem em Varal do Brasil II, pois essa é a nova safra de escritores do nosso tempo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ESTÁ VALENDO A FICHA LIMPA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


E a Lei da Ficha Limpa finalmente foi julgada constitucional pelo STJ. Como se ela não o fosse, desde o início. Mas a novela ainda não acabou. Além de ter sido protelada por demais, irresponsavelmente, a votação do STJ não coloca um ponto final e definitivo nesse episódio vergonhoso da justiça brasileira, que ainda fica com esclarecimentos pendentes. A Lei vale para as eleições deste ano, mas a OAB diz que cada caso será um caso e será analisado individualmente, devido à redação de certos trechos da mesma.

Há, por exemplo, a situação em que o candidato foi condenado antes da validade da lei. Não deveria haver dúvidas, mas há. E vai dar pano pra manga, infelizmente. Pra qualquer pessoa honesta, qualquer delito é delito, qualquer crime é crime, não depende de validade de lei para ser considerado ou não, para ter importância ou não. Se o político tem ficha suja, não interessa se ele foi condenado antes ou depois da lei. Ficha suja é ficha suja, e candidato que tem ficha suja não serve para ser eleito, não serve para representar o povo, senão vai dar no que está aí: uma epidemia de “representantes do povo” corruptos e impunes.

Para os “políticos”, principalmente os fichas sujas, qualquer brecha é motivo pra tentarem burlar a lei. Então, infelizmente, continuaremos a conviver com liminares de juízes validando inscrição e/ou eleição de fichas sujas, como tivemos o desprazer de ver até aqui. Deferidas, talvez, pelos juízes que votaram contra a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa, por exemplo.

É inaceitável votarmos em candidatos desonestos, por falta de gente que queira realmente trabalhar pelo povo. A grande maioria quer se eleger para ficar rico, pois sem roubar já ganham fortunas: grandes salários, vantagens para isso e para mais aquilo, ajuda de custo aqui, outra ali, etc., etc. E além de tudo que ganham - nenhum outro trabalhador honesto ganha tantas vantagens - ainda roubam. Nem todos? Esperemos que sim.

Quando é que vamos ter uma renovação no poder público? Será que agora, que a lei finalmente foi julgada constitucional, coisa que já deveria ter acontecido há muito tempo, as coisas mudarão? A justiça brasileira também anda bastante infectada de fichas sujas, pelo menos é o que tem deixado transparecer.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AS ESTANTES E OS LIVROS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Minha filha comentou comigo a respeito de matéria que leu sobre a inexistência de oferta de estantes para livros no comércio brasileiro. Uma pessoa reclamava que saiu à procura de uma, para organizar seus livros em casa, mas ninguém vende este tipo de móvel no Brasil. Quem quiser, tem que encomendar a sua a um fabricante de móveis. E rezar para que ela saia conforme a sua necessidade. Eu não li a matéria, mas achei muito interessante, apesar de ser uma constatação muito triste.

Porque o fato de não haver estantes à venda, significa que não há demanda, não há procura, significa que há muito pouca gente que tem tantos livros em casa a ponto de precisar comprar estantes específicas para eles. E eu já comprovei isso, pois quando me mudei a última vez, tive que chamar um fabricante de móveis para ver se ele poderia fazer uma estante para minhas centenas de livros. E ele a fez, felizmente, do jeito que eu queria, adequando-a ao espaço que eu dispunha.

Fora do Brasil, grandes lojas oferecem centenas de modelos diferentes de estantes. Mais uma vez se comprova que, infelizmente, no Brasil se lê muito pouco. Cada vez parece que se lê menos, inversamente ao que se espera.

É verdade que há livros que a gente lê uma vez e está lido, a gente pode passá-los pra frente: doar a uma escola, a uma biblioteca ou a uma dessas excelentes iniciativas que recolhem livros em doação para disponibilizá-los a outros leitores mais adiante.

Mas há livros que a gente lê e quer guardar, para voltar a eles mais adiante, de tão bons. Então as estantes revelam-se necessárias, para não guardarmos volumes importantes dentro de armários, o que pode resultar na perda dos mesmos, por umidade, por invasão de traças, etc.

Infelizmente a cultura de um país pode ser medida, também, pela falta de oferta e de procura de estantes. Uma pena que o Brasil seja um desses países.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

EU, CORUPÁ E A MÚSICA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


O Festival de Música de Santa Catarina, realizado em Jaraguá por duas semanas e meia, no final de janeiro e início de março, me lembraram porque gosto tanto de música clássica. Não pude ficar para ver todo o festival, assisti só à primeira semana, mas valeu a pena porque é um oportunidade única de se ouvir a boa música várias vezes ao dia e de graça.

Uma vez em Jaraguá, é claro que dei um pulo em Corupá, a minha Cidade das Cachoeiras, e não pude deixar de ligar o motivo pelo qual estava em Jaraguá com a minha terra natal. Ainda adolescente, fui aprender datilografia no Colégio São José, a segunda escola no centro da cidade naquela época, comandada por freiras. Naquele tempo não havia computador, então a gente precisava aprender a usar máquinas de escrever e, durante as aulas, as freiras rodavam discos de música clássica, para a gente ouvir enquanto praticava.

Então ouvíamos Mozart, Beethoven e, principalmente, Strauss. Lembro bem de Strauss porque acabei pedindo um disco dele emprestado para a freira e eu o ouvi dezenas de vezes. Dentre as centenas de CDs que tenho de música clássica, tenho também aquele, pois comprei o disco, mais tarde, já adulto, e o digitalizei. Trata-se de “Strauss Waltzes”, com a orquestra de Mantovani.

No início dos anos setenta, antes de deixar Corupá, Waldo de Los Rios gravou a Sinfonia n.40 de Mozart e foi sucesso de venda e execução em todo o mundo, um sinal de popularização da música erudita, uma mostra de que o grande público também poderia gostar da boa música. E me fez ver que não era nada fora do comum , tão jovem, gostar tanto daquele tipo de música.

E o Festival de Música de Santa Catarina prova que a história de que as pessoas, em geral, não gostam de música clássica, é mito. Os teatros do SCAR, em Jaraguá, e os outros palcos de várias cidades do norte catarinense estiveram lotados durante todo o decorrer do festival, assim como os palcos em vários pontos da cidade sede do Femus sempre atraíram enormes públicos.

De maneira que o berço da minha paixão pela música clássica também foi Corupá, a Vale das Águas aos pés da Serra do Mar. Obrigado às freiras do Colégio São José por me apresentarem a música de Strauss.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

VIDA LONGA AOS PREMIOS CIDADE DE MANAUS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Há um concurso literário no Amazonas, chamado Prêmios Cidade de Manaus, que é, provavelmente, o maior do país. Os prêmios são atribuídos às seguintes categorias, no âmbito nacional: melhor romance ou novela; melhor livro de contos; melhor livro de poesia; melhor livro de crônicas; melhor texto teatral para adultos; melhor texto de teatro infantil; melhor livro de ensaio socioeconômico; melhor ensaio sobre tradições populares (folclore); melhor ensaio histórico; melhor ensaio sobre literatura (Letras); melhor ensaio sobre cinema; melhor livro de memória; melhor texto de jornalismo literário; melhor livro de Literatura Infantil. Há também prêmios para vencedores estaduais. Os prêmios, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) são conferidos a cada uma das categorias acima citadas, ficando, ainda, as obras premiadas inscritas no programa editorial do Conselho Municipal de Cultura para publicação, até a concessão da premiação subsequente.

Em 2009, houve inscrição, mas não houve apuração do resultado. Em 2010 não houve edição do concurso, mas em 2011 ele voltou, em sua quarta edição.

Pois fiquei sabendo, de fonte de dentro da organização, que o edital para a edição 2012 ainda não saiu, porque a Prefeitura de Manaus está pretendendo que os Prêmios Cidade de Manaus passe a se somente regional, isto é: seria aberto apenas para escritores do Amazonas.

Esperamos que isso não aconteça, pois o maior concurso literário do país não pode acabar assim. Que o bom senso prevaleça e que os organizadores percebam que o seu Estado está dando um exemplo de valorização da cultura mantendo o âmbito nacional do seu concurso. Muitos talentos literários vieram à tona graças aos Prêmios Cidade de Manaus, apenas nas quatro edições do concurso até agora. Não é hora de acabar com alguma coisa que dá reconhecimento a bons escritores, é hora de incrementar e crescer, isto sim.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

CALÇADAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



A cidade de São Paulo multará os donos dos imóveis que não cuidarem de suas calçadas. É lei. São multas rigorosas para aqueles que não fizerem a manutenção das calçadas de seus imóveis. Serão trezentos reais por metro linear em caso de calçada inexistente ou em mau estado de conservação. Se a prefeitura necessitar refazer ou reparar serviços executados clandestinamente o infrator além da multa correspondente responderá pelo preço do reparo.

Essa é outra lei que deveria ser copiada por aí. Aqui em Florianópolis, por exemplo, há muita calçada em péssimo estado, outras feitas de maneiras inaceitáveis, há lugares onde elas não existem, inclusive. É um perigo a gente caminhar, porque há degraus, há buracos, há inclinações, há de tudo.

Ninguém parece fiscalizar a construção das calçadas ou sua manutenção. Sem contar que os veículos estacionam em cima delas, ajudando a danificá-las ainda mais e tolhendo o direito de ir e vir do pedestre, não raro fazendo-o andar dentro da pista de rolagem.

Estabelecimentos comerciais fazem estacionamentos demarcados em cima das calçadas, de maneira que, com os veículos estacionados, também não sobre espaço para o pedestre.

Está na hora de tomarem providências também por aqui.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

ALGUMA FELICIDADE, APESAR DE TUDO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Às vezes, sinto-me um pouco culpado por ter a felicidade de poder olhar nossa Xuxu deitadinha em sua manta, dormindo serena, sem sentir dor, sem se lamentar por quase não enxergar, por ouvir muito, muito pouco, por quase não ter mais faro.

O mundo lá fora anda conturbado, mas nossa pinscher de dezessete anos – quase cem anos em idade de humano – é um bálsamo que ajuda a curar as feridas e traz ternura aos nossos corações. Nossas filhas já estão adultas, têm a sua própria vida, já saíram do ninho, mas Xuxu continua aqui, a nossa eterna criança.

É curioso que, nessa história dos filhotes que deixam o ninho, Xuxu também sente a falta deles, como se fossem os filhotes dela. Minha filha Daniela está em Lisboa, fazendo um Mestrado, mas Fernanda está mais perto, em Ribeirão Preto, onde mora com o marido. Então é mais fácil nos visitarmos, ainda que não muito frequentemente. Ela, Fernanda, veio passar o carnaval aqui e Xuxu fez a maior festa ao vê-la chegar. Não desgrudou mais dela e, quando ela saiu, ficou dormindo enrolada em uma manta da filha.

É uma coisa de química, de alma, sei lá, porque mesmo enxergando muito pouco, não sentindo cheiros e ouvindo quase nada, Xuxu reconheceu Fernanda imediatamente. É uma coisa que não dá para explicar, é apenas para se aceitar.

Xuxu esteve muito doente, recentemente, pensamos até que a filhota não ia mais encontrá-la quando chegasse. Mas ela foi medicada e está comendo bem de novo, está se recuperando e os analgésicos não deixam que ela sinta dor. É bem verdade que é difícil enganá-la, escondendo o remédio na comida, mas até agora estávamos conseguindo que ela comesse. Hoje ela recusou a comida com remédio. Vamos ver como é que fica. Porque é muito triste ter que segurá-la para colocar o remédio na sua boca e fazê-la engolir. Ela é muito forte, apesar da idade e, às vezes, uma pessoa só não consegue segurá-la.

A verdade é que o veterinário nos disse que não é recomendável segurá-la com força, porque podemos quebrar algum osso dela, pois ela tem reabsorção óssea. De maneira é preciso deixá-la com muita fome para ela aceitar a comida com o remédio misturado, pois ela deve perceber o gosto diferente, não muito agradável. E é tão importante que ela coma, quanto que tome os remédios, para ficar bem e para sair latindo pela casa, como se tivesse apenas quatro ou cinco anos.

Xuxu está velhinha, velhinha, mas ainda é a nossa bebê. Somos privilegiados por tê-la conosco, ainda, e isso nos faz feliz. Mais felizes ainda por ter nossa filharada por perto, ainda que esporadicamente.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SOL E CHUVA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Finalmente choveu um pouquinho por aqui. O sol deste verão está muito forte e tem chovido pouco. As temperaturas têm passado de trinta e se aproximado dos quarenta. E a sensação térmica já superou os quarenta.

É um verão muito quente. No dias que não chove, tenho que molhar as plantas em meu jardim, até duas vezes por dia. Plantas resistentes como morango murcham e começam a morrer sob o sol inclemente. Os pés de manjericão ficam ressecados, as folhas param de crescer e ficam secas. Não dá para plantar uma verdura, nesta época, porque não vinga.

Isto me faz pensar na estiagem no oeste do Estado, que vem durando várias semanas, meses até. A televisão mostra plantações de milho secando, com as socas sem poder se desenvolver, safras inteirinhas perdidas. Isso sem falar em tantas outras culturas.

Seca que fatalmente está impactando a economia, pois as verduras, frutas e grãos estão com a oferta prejudicada e a situação pode se agravar ainda mais se o tempo não mudar no oeste catarinense.

Na verdade é irônico, pois aqui no litoral as enchentes se sucedem, ontem foi em Blumenau e hoje a maré com a chuva inundou Joinville. De um lado chuva demais e de outro nada de chuva.

Meu pequeno jardim eu posso regar, pois o gasto de água é pouco e não têm faltado água nas nossas torneiras, pelo menos por enquanto. Mas as grandes culturas não podem ser regadas se não há água disponível para fazer isso.

Será que isso tem a ver com o nosso cuidado com o meio ambiente?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A FALÊNCIA DA EDUCAÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/


Início de ano, além de ter que comprar material escolar, uniforme, etc., para os seus filhos, os pais têm mais uma grande preocupação. Não bastasse a maratona e a despesa para preparar os filhos para irem para a escola, eles tem que brigar, primeiro, para conseguir uma vaga para seus filhos numa escola pública.

O estado de algumas escolas estaduais aqui no Estado – não sei se esse problema acontece só aqui – é precário, lastimável, impraticável. Existem algumas escolas que estão literalmente destruídas, a ponto de serem interditadas pelas autoridades competentes. Não oferecem um mínimo de segurança para alunos e professores, nenhuma condição, tanto em se tratando de espaço físico como de aparelhamento.

E o pior é que elas estão lá, fechadas, sem que o Estado tenha aproveitado o período de férias para fazer reformas, ou pelo menos começar. Outras até estão em reformas, mas os alunos não podem usar as dependências ou parte delas. De maneira que existem crianças que terão dificuldades em se matricular para este ano letivo, na rede pública estadual, porque a escola em que estudavam pode não estar disponível, ou só parte dela pode estar funcionando.

O Secretário da Educação do nosso Estado acaba de sair do cargo, não lembro porque, mas o que marcou a sua saída foi o seu cinismo em afirmar “que saía com a cabeça erguida, com o dever cumprido”. Então as escolas que estão caindo aos pedaços, pelo Estado, sem condições de receber os alunos neste início de ano letivo não contam? Não têm a menor importância?

Isso denota bem o valor que nossas autoridades dão à educação. Não é à toa que a educação está cada vez pior. É por essas e por outras tantas coisas que o ensino tem perdido qualidade, ano após ano. Já não é tempo de se fazer alguma coisa, impedir a falência total do ensino fundamental e médio, que redunda, fatalmente, na falência também no ensino superior, resultando em profissionais cada vez menos qualificados no mercado de trabalho?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ESCOLAS PÚBLICAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/


O ano letivo das escolas públicas e particulares começa neste início de fevereiro, antes do carnaval, o que não dá pra entender muito bem, pois as crianças têm dois ou três dias de aula e em seguida ficam em casa quase uma semana, tendo que recomeçar tudo de novo na semana seguinte.

O problema é que algumas escolas estaduais estão impraticáveis, como já falamos em crônicas anteriores. Existem escolas caindo aos pedaços, literalmente, sem condições de receber os estudantes, desde o ano passado. E algumas delas nem sequer foram contempladas com o começo de uma reforma. O período de férias não foi aproveitado para recuperá-las para que pudessem receber os alunos deste ano.

A televisão e os jornais mostraram escolas com paredes rachadas, teto caindo, telhado ameaçando cair, instalação hidráulica inoperante, instalação elétrica inacreditável oferecendo risco aos estudantes, e por aí afora. Falta de equipamento em sala de aula nem é bom falar, pois falta o básico que é a sala de aula.

O secretário da educação do Estado foi entrevistado na televisão e, além de não responder as perguntas que lhe foram feitas, afirmou que “a escola não é só espaço físico, que a escola é também recursos humanos, e a secretaria estava preparando os professores para receberem os alunos. Receber os alunos onde, se há escolas que não têm condição de ser usadas?

Argumentou que a maioria das escolas está em bom estado, que o percentual de escolas em péssimo estado – leia-se abandonadas – é mínimo, coisa de 2 ou 3 por cento pelo Estado. Como se fosse normal algumas cidades catarinenses ter escolas destruídas onde não há condição de ser ministrada qualquer aula. Mas como bem questionou uma entrevistadora, todos os alunos, todos os pais de todos os alunos pagam impostos e todos têm direito a um lugar decente para estudar.

Interessante que dinheiro para outras coisas o Estado providencia rapidinho. Como recursos para fazer reformas suntuosas em repartições públicas como Assembléias, por exemplo, entre outras.

A educação catarinense precisa de socorro, da atenção que ela merece, senhor governador.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

BRIGA DE FOICE

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Acabo de ler o novo livro de minicontos (ou minicrônicas?) de Jacqueline Aisenman, que está indo para o prelo e, como eu previa, é mais uma obra prima da autora. Os minicontos com as máximas nos pés das páginas fazem de Briga de Foice, um livro original, diferente, atrativo. 
Eu já dizia, quando me encontrei com a escritora a primeira vez, que seu livro de textos curtos era uma coisa nova, que devia tentar uma editora maior, de distribuição nacional. Pois olha o que resultou de Lata de Conserva: escolhido o melhor livro de contos de 2011. Eu tinha razão. 
O novo livro de jacqueline segue no mesmo caminho, mostra uma literatura ainda mais apurada, mais aguçada e sei que fará tanto ou mais sucesso que o anterior. Ele é dinâmico, não conta histórias comuns nem de maneira comum. Ele é singular e o novo sempre desperta a curiosidade, sempre chama a atenção. É uma obra para fazer sucesso.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

VARAL DO BRASIL 2

Por Luiz Carlos Amorim e Jacqueline Aisenman



O livro Varal Antológico II já está tomando forma. Textos reunidos, de autores de vários pontos do Brasil e também de Portugal, além de brasileiros radicados em outros países, dão a oportunidade de vislumbrar a paisagem de um novo panorama literário formado por várias mentes e corações unidos em muitas páginas e com um só propósito: dar o melhor ao leitor!

A editora da antologia, Jacqueline Aisenman, chega ao Brasil no dia 05 de março e desembarca em Salvador, onde encontrará vários autores, mas, principalmente, um dos coautores convidados, o escritor Valdeck Almeida de Jesus, para juntos combinarem o lançamento naquela belíssima cidade, provavelmente para o dia 25 de maio, mas ainda a confirmar.

O livro também será lançado no segundo semestre deste ano na Suíça e para isto ainda será escolhida a cidade e o mês que forem mais convenientes.
Tenho a honra de ter sido convidado para ser o apresentador do livro e estou escrevendo o prefácio para enviar à editora. Uma prévia já está aqui no blog, mas não é o texto definitivo.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

ESTUDOS & ESTUDOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

A ponte Hercílio Luz, o cartão postal da capital está em reforma há anos. Acho que ela é a galinha de ovos de ouro de uns e outros: já foram gostos milhões e mais milhões de reais e a ponte nunca fica pronta. Parece que nunca ficará.

Na semana passada, o poder público declarou, para jornais, televisão, etc., que um estudo estava sendo feito para que se saiba como ela pode ser reaproveitada: será reaberta para o fluxo de veículos ou só para pedestres? O metrô de superfície acabou de ser descartado, o custo seria muito alto.

O que assusta é o valor declarado para que o tal estudo seja feito: seis milhões de reais! Não é um absurdo? Apenas o estudo para saber como utilizar a ponte vai desfalcar os cofres públicos em seis milhões de reais.

Paralelamente, a quarta ponte ligando a Ilha ao continente teve a licitação suspensa porque o valor orçado estaria muito alto.

Vão estudar o caso para que mais essa obra não seja superfaturada. Esperemos que esse “estudo” não custe mais alguns milhões aos cofres públicos.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

VARAL DE ESCRITORES E POETAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Quando recebi o convite da escritora e amiga Jacqueline Aisenman, catarinense de Laguna radicada em Genebra, para fazer o prefácio da segunda antologia Varal do Brasil, fiquei preocupado com a responsabilidade de tal tarefa. Mas em recebendo os originais que compõe a nova antologia, vi que meus receios eram infundados. A seleção de textos dos escritores que estão presentes em Varal da Poesia II são de tão boa qualidade, que me sinto muito à vontade para falar deles.

São poemas, crônicas, contos, alguns textos até mesclando um gênero com outro, abordando os mais variados temas: família, saudade, solidão, natureza, cidades, lugares, viagens, mulheres, o ato de escrever, de poetar, até o sexo está presente nesta obra. Mas adivinhem o assunto abordado por maior número de escritores e poetas?

Sim, claro, o amor. Como não poderia deixar de ser. O amor fraterno, o amor filial, o amor paterno, o amor a Deus, o amor entre duas pessoas. As diversas formas de amor nas diversas formas de sentí-lo, de escreve-lo, de registrá-lo.

Entre tantas peças literárias de tão boa qualidade, algumas se destacaram, me tocaram um pouco mais, como “O Anúncio”, de Izabelle Valladares. Fico com uma certa inveja de não ter escrito um texto como esse. “O Grito”, de Ironi Lírio dá voz a um pássaro preso, o poema que todos devemos ler. “O Menino do Cachecol Vermelho” é a história de uma criança vítima da decomposição da família que o consumo e o tráfico de drogas provoca. Ele só tem o cachecol que significa a esperança de reencontrar a família. “Quem és tu, Poeta”, de Valdeck Almeida de Jesus, poema onde o autor pergunta e responde o que é ou quem é o poeta. “Sem Título”, de Flávia Menegaz, começa com o verso “Tire suas expectativas das minhas palavras pois já sou quase outono”. É preciso dizer mais? É preciso ler o poema inteiro.

“Pintura Ingênua”, de Jacqueline Aisenman, é um poema em prosa para um pai. Que sensibilidade, que sentimento aguçado, quanta emoção para falar de seu pai. Já li muita coisa de Jacqueline e sei que ela é ótima cronista, ótima contista, ótima poetisa. Mas o coração e a alma dela estão neste poema, como não aprecia-lo? “Meu pai via com os olhos e falava tão belo palavras que não buscava, elas vinham de dentro dele, jorravam felizes de o ter, e sua voz tão bonita, como aquele que as diz... elas o tinham escolhido as palavras que vinham dele.

E estas mesmas palavras escorriam pelas mãos e se transformavam em letras que podiam falar de bons sentimentos ou de destruição.Ele não escolhia. Elas escolhiam por ele a hora

de ser o que queriam ser.

Meu pai ria pouco, mas quando ria, ria feliz e ria alto e até gargalhava. Podia rir dos gibis, das piadas, de estar feliz, do alheio, ele ria. Ria muito em momentos raros.”

E muito mais daquele pai revela o poema em prosa de Jaqueline. Diferente do meu texto, no qual falo de um pai diferente do dela, infelizmente: “É dolorido não poder lembrar um carinho, um abraço, um sorriso especialmente dado pra mim. Como já disse, os tempos eram outros, a maneira de demonstrar afeição talvez fosse diferente, mas não poderia ser tão diferente a ponto de não chegarmos a reconhecê-la. Será que havia medo em demonstrar sentimentos?

É possível que eu esteja sendo egoísta, mas para que não se repita mais o meu erro, conclamo todos os filhos – e todos nós somos – a dar um pouco mais de atenção e carinho a seus pais, mesmo que eles relutem em receber. E a todos os pais, também, a perceber o carinho vindo dos filhos e, principalmente, conclamo-os a retribuir, por mais sutil que isso tenha que ser.

Acho que gostaria de ter um dia, apenas mais um dia para mim e meu pai, para que pudéssemos preencher esse vazio, essa falta de alguma coisa que poderia ter sido, mas não foi, poderia ter existido, mas não existiu, poderia ter acontecido, mas não aconteceu. Essa sensação de amor contido, desperdiçado, perdido.Sinto saudade de ter saudade de meu pai."

Não é uma diferença bastante grande? Mas a vida é assim mesmo e a literatura imita a vida.

A verdade é que este livro reúne pedaços de vida de escritores talentosos que transformam a ficção em vida e transformam a vida em literatura, perpetuando nosso tempo e nosso espaço.

Vale a pena conhecer a lavra destes escritores brasileiros e portugueses que se reúnem em Varal do Brasil II, pois essa é a nova safra de escritores do nosso tempo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CRUZ E SOUSA & CASCAES

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Já falei aqui, várias vezes, do Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, mas que só foi inaugurado depois do aniversário de 2010, aqui em Florianópolis. Pois a polêmica não acabou. O espaço é pequeno para se realizar ali atividades culturais, literárias, eventos com algum público. Quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, seria um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais. Mas a verdade é que o espaço é pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher reunião de pessoas.


Eu estive lá para comprovar o fato. Mais uma vez, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Promete espaço onde se poderia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não dá condições para isso.

Soube que a Fundação Catarinense de Cultura, que é quem administra o imóvel, vai reformar o Memorial, para torná-lo usável. A desculpa é que o referido está construído sobre a Casa de Força do Palácio Cruz e Sousa. Levou tanto tempo, mais de dois anos, desde a chegada dos restos mortais do poeta até que se inaugurasse o Memorial – pela metade, pois o projeto previa mais benfeitorias – e ninguém percebeu que estava sendo construído em lugar impróprio do jardim do Palácio, que era muito pequeno, que não seria possível realizar nenhum evento em espaço tão exíguo? Isso deve ser um capítulo desgarrado da reforma do CIC, que já tem três anos, gastou-se milhões e mais milhões dos cofres públicos e até o início do ano, não havia sido feito praticamente nada. O maior teatro do Estado está fechado por anos sem que, até agora, estivesse sendo feito absolutamente nada nele. As coisas precisam mudar por aqui.

Por outro lado, andei procurando, por vários dias, em quase todas as livrarias, o livro “O Fantástico na Ilha de Santa Catarina”, de Franklin Cascaes. Em algumas delas me disseram que faz algum tempo que não têm nada do autor, que as edições de seus livros estão esgotadas.

Não desisti e continuei procurando, até que em uma delas me disseram que havia, ainda, um exemplar da segunda edição de “O Fantástico na Ilha de Santa Catarina”. Esperei quase meia hora pela procura, achei que iam chegar à conclusão que o estoque estava errado e ali também o livro estava esgotado. Mas finalmente encontraram e eu comprei o último exemplar. Fiquei feliz, pois foi minha filha que está morando em Lisboa, fazendo um mestrado, que pediu.

Como é que um autor, um artista da importância de Cascaes, que já esgotou várias edições de seus dois livros, não tem a sua obra em todas as livrarias da cidade? Um artista da terra, que deve ser valorizado, não pode deixar de estar nas prateleiras de toda e qualquer livraria da Ilha e da Grande Florianópolis.

Franklin Cascaes dedicou sua vida ao estudo da cultura açoriana em Santa Catarina, notadamente em Florianópolis, incluindo aspectos folclóricos, culturais, suas lendas e superstições, registrando as histórias que ouvia do jeito que o ilhéu falava.

Tomara que novas edições dos livros de Cascaes sejam feitas, pois um escritor e artista do seu quilate merece ter a sua obra disponível. O centenário do nascimento do artista já vai longe, ocorreu em 2008, mas temos que comemorar a sua obra sempre.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL, A POLÊMICA DA HORA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Volto ao assunto das sacolas plásticas biodegradáveis, que foram adotadas em São Paulo. É que a corrente contrária, que afirma não ser o plástico biodegradável nada daquilo que se apregoa, que não beneficia o meio ambiente, que não é melhor do que o plástico comum, levantou a voz, liderada pelos fabricantes dos famigerados sacos plásticos.


Até aí, tudo bem, é até compreensível que os fabricantes de quantidades astronômicos de sacolas plásticas que são usadas em todo o país em supermercados, lojas, mercados, feiras, etc., defendam o seu produto. O que não invalida o fato de que o plástico comum demora cem anos para ser degradado e o biodegradável pode levar apenas meses. Então,há que se saber mais sobre os plásticos biodegradáveis.

O que eu não gostei, na verdade, foi ver, no domingo passado, na televisão, um especialista no assunto dizer que o plástico biodegradável – as sacolas que os supermercados de São Paulo estão vendendo para os clientes, desde o início de fevereiro – só degrada no curto prazo prometido se for tratado em compostagem. Ora, o problema da sacola, na verdade, não é se ela é reaproveitável ou não. O problema é que nós a usamos para acomodar o lixo doméstico que vai ser levado para aterros sanitários (?), e todo aquele plástico comum fica lá amontoado, sem se decompor, fazendo as camadas de lixo deslizarem, com a possibilidade de provocar tragédias como a que aconteceu em Ilha Grande. Então o plástico biodegradável não deveria se decompor nos lixões?

Foi então que tomei conhecimento de que há dois tipos de plástico biodegradável, segundo o Instituto Ideais: hidrobiodegradável e oxibiodegradável. O primeiro, é aquele que precisa de ambiente ideal e específico para se degradar rapidamente, ou seja, a compostagem, além de produzir efeito estufa. De outra maneira, ele se comportaria como plástico comum. E este parece ser o plástico biodegradável que estão usando para as famosas sacolinhas vendidas em São Paulo.

Já o plástico oxibiodegradável não precisa de ambiente específico para se decompor, ele some na natureza em tempo reduzido e sem efeitos colaterais, em qualquer ambiente. Seria, então, o ideal para usarmos em tantas embalagens quanto possível.

Outra coisa que vem sendo levantada, com razão, é o fato de que não são só as sacolas que a gente usa a todo instante que são feitas de plástico. Há uma gama imensa de embalagens de produtos secos e molhados que são confeccionadas com plástico comum. Sei que precisamos começar por algum ponto, e acho ótimo que tenhamos começado, finalmente, pelas sacolas plásticas. Mas não podemos ficar apenas nas sacolas. Há muito mais feito de plástico: embalagens de refrigerantes, de iogurtes, de toda sorte de produtos alimentícios secos ou não, quase todo produto que se compra vem envolto em plástico, seja uma peça para o carro, um eletrodoméstico, um brinquedo, tudo. E isso tudo leva um século para se decompor, a exemplo das sacolas de supermercado.

Então, se não for possível substituir todas as embalagens de plástico comum - e parece que tudo é embalado com plástico - o que precisamos é nos educar no sentido de separar todo esse plástico para ser reciclado, de maneira que não vá parar nos aterros sanitários, nos esgotos, nos rios, no mar, etc. E urgente, porque o meio ambiente já não aguenta tanto plástico. Pelo prazo que ele precisa para se degradar, os primeiros produtos feitos de plástico, aqueles do início do uso do plástico ainda não começaram a se decompor. Já imaginaram quanto plástico está acumulado na natureza?