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sexta-feira, 29 de junho de 2012

DINHEIRO PÚBLICO NO RALO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/    


Li nota na coluna em jornal catarinense sobre os muitos profissionais que prestaram serviço para o grupo de Paul McCartney, que esteve fazendo o show do ano aqui em Florianópolis, e até hoje estão esperando para receber. Tremendo calote. Mas o pior mesmo, é que o nosso Estado pagou aos organizadores, aos promotores que trouxeram o cantor para o show milionário por aqui, a bagatela de Oitocentos mil reais.


A título de que? Por que o Estado pagaria 800 mil reais por um show que não tinha nada a ver com o poder público, por um show pago pelos espectadores? Já não chegava a polícia militar que colocaram à disposição deles, para segurança do cantor e seu grupo, a despeito da segurança da cidade? Não era um espetáculo para o povo assistir de graça. Os ingressos eram pagos e bem pagos.

Que dinheiro público é esse que está sobrando em nosso Estado, enquanto a saúde está na UTI, não temos hospitais suficientes e mesmo os poucos que existem não tem equipamentos, não tem médicos? Há hospitais que tem equipamentos essenciais que estragam e não são mais consertados e que, por isso, pessoas têm operações importantes adiadas indefinidamente. Para isso não há recursos.

Por que não há dinheiro para contratar mais médicos, mais funcionários para os hospitais, para fazer reformas mais rápidas e decentes, para comprar equipamentos e treinar funcionários, mas para distribuir de mão beijada para quem não precisa há?

As escolas públicas são mostradas pelos jornais e pela televisão, todos os dias, caindo aos pedaços, literalmente, ameaçando cair em cima dos estudantes, sendo embargadas, sem que se faça reformas. Há escolas estaduais com mais de vinte anos que nunca foram reformadas. Falta escolas, falta equipamento nas escolas, falta reconhecimento aos professores que formam nossos cidadãos de amanhã, falta respeito à educação. Para isso não há dinheiro, mas para dar para um show de música que saiu muito caro para quem pode pagar a entrada e que não foi contratado pelo Estado, há.

A segurança parece não ter importância, igualmente. Não há policiais nas ruas, falta pessoal, mas não se contrata número suficiente de homens. No entanto, há policiais de sobra para colocar à disposição de stafs que nada têm a vr com a segurança pública. As delegacias e postos de polícia são fechados em todo lugar, a violência aumenta dia a dia, pois não há dinheiro para isso. Mas para pagar o show do Paul McCartney, para um show histórico em Florianópolis, tem. O que o Estado tinha com o show do cantor, para entregar dinheiro público?

Quem explica isso? Já vimos isso também em Florianópolis: o show de Natal de quase quatro milhões, com um famoso tenor, pago e não realizado, uma árvore de natal de quase quatro milhões, verba para o Dona Fashion - corre um processo na justiça - e assim por diante.

Senhor governador, onde está a prioridade às pessoas, tão propalada no seu programa de governo, quando era candidato? É essa a importância que as pessoas do seu Estado tem, nesse seu governo? A saúde, a educação, a cultura, a segurança, tudo está relegado à falência. Quando esse governo vai começar a funcionar?



quinta-feira, 28 de junho de 2012

POESIA NA RUA, DE NOVO, EM JOINVILLE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoeisaecia.xpg.com.br/


Recebi convite para participar da Manhã Cultural promovida pela Secretaria de Educação de Joinville da Coordenação de Bibliotecas daquele município, que acontecerá no dia 4 de julho, na Praça Lauro Muller. Haverá Varal Literário, leituras poéticas, contação de histórias na Biblioteca Móvel e apresentações musicais.

Ora, isso me lembra a Feira de Arte e Artesanato, que existiu até meados dos anos noventa, na Praça Nereu Ramos. O Grupo Literário A ILHA era presença obrigatória na feira. Os seus integrantes levavam o tanto de arte, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas, além de lançamentos de livros, e havia até quem comparecesse ao evento para ler e ouvir os novos poemas dos poetas da praça, como ficaram conhecidos os integrantes do grupo.

Então o convite me deixa muito feliz, embora eu não possa comparecer por compromisso anteriormente firmado, pois vejo que finalmente a poesia está voltando à rua em Joinville, coisa que não havia mais acontecido naquela cidade depois que o Grupo Literário A ILHA migrou para Florianópolis.

Congratulo-m e com a Confraria de Escritores, nova entidade que reúne os escritores da Manchester Catarinense, que está retomando as atividades literárias que o Grupo A ILHA fazia nos anos 80 e 90 naquela cidade.

O Grupo Literário A ILHA levou a poesia para a rua, para as festas, para as escolas, para os bares e até para os bancos de Joinville. É muito bom ver que a semente deixada pelo grupo germinou e aquelas atividades que trouxemos conosco voltaram a acontecer em Joinville.

Que prospere e se multiplique. A poesia é necessária. A literatura é necessária. Precisamos levá-las para a rua, ao encontro do leitor.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O HOMEM E O CÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/




Meu sobrinho me levou para ver “Madagascar 3”, hoje. Em 3D. Muito divertido. É bom a gente se desligar do mundo e rir desbragadamente, embora a vida continue aqui fora.

Quando saí do cinema, voltei a pé para casa. É necessário unir o útil ao agradável: preciso caminhar, então nada de ficar usando o carro para cima e para baixo. Vou a pé à academia, ao correio, ao supermercado, quando não tenho que carregar muita coisa, à banca para comprar jornal, etc. É bom para o meio ambiente e é bom para os meus joelhos, pois se eu caminhar, não corro o risco de engordar mais.

O caminho não é longo, pouco mais de um quilômetro do shopping até em casa. Ainda perto do shopping – que a bem da verdade não fica no centrão da cidade, o movimento não é fraco mas também não é tão intenso – encontrei um cego e seu cão. O homem puxava um desses carrinhos de feira, com duas rodas, com uma mão e a outra segurava uma alça presa a um cão-guia, um belíssimo labrador. Um cão gordo, grande, mas triste, constatei.

Quando eles passaram por mim, eu estava subindo a calçada, que acabava de atravessar a rua. Eles estavam começando a atravessar. O homem dizia alguma coisa, consegui entender que ele pedia para o cão esperar e tentava contê-lo, mas o cão continuou a atravessar a rua, pois não vinha nenhum carro de nenhum dos lados.

Eu parei na esquina e fiquei prestando atenção, pois tenho uma admiração imensa por esses animais que dedicam a vida a servir seus donos e ele me pareceu tão solitário, tão melancólico...

Ao chegar à outra esquina, o homem cego começou a falar com o cachorro, mas eu não conseguia ouvir o que dizia. Ao mesmo tempo que falava com o cão, puxava-o pela alça, pois ele queria seguir reto em frente. Mas o homem queria que ele fosse pela rua transversal, penso que brigava com o cão, pois chegou a levantá-lo segurando a alça e o couro das costas, tentando mudá-lo de direção. Depois de discutir e puxar o cão para o outro lado, acabou seguindo-o na direção que ele tentara adotar desde o início.

Ainda bem que eu havia me divertido com o leão, a girafa, a hipopótama e a zebra, pois aquilo conseguiu acabar com qualquer riso, até com qualquer sorriso. Fiquei pensando que não havia uma boa integração entre o cão e o seu dono, poderia não haver uma relação de carinho do dono para com o seu guia. Espero que o cão não seja maltratado pelo dono, que aquele episódio do qual fui testemunha tenha sido só um percalço no caminho e que isso não seja comum. Espero.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

"O FUTURO QUE NÓS QUEREMOS"

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Eu não tinha muita esperança na Rio+20, que acabou de acontecer no Rio de Janeiro, reunindo Chefes de Estado de mais de cem países, para discutir a sustentabilidade do planeta e assim tentar salvar o meio ambiente de nós mesmos.


Pois não era para ter, infelizmente. O resultado dessa Rio+20 repete o fiasco da Rio92. Ela resumiu-se a muitas promessas para conter a destruição do meio ambiente, a diminuição da pobreza e das desigualdades no mundo, mas sem a definição de como serão conseguidos os recursos para isso, de parâmetros que apontassem de onde sairiam esses recursos para viabilizar o que está no documento firmado ao fim do encontro.

Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Aliás, mais detalhes importantes para colocar em prática e tornar mais eficiente e eficaz o “acordo” firmado entre os representantes de tantos países presentes no Rio foram deixados de lado. Os países ricos, por exemplo, trataram de jogar para escanteio alguns pontos importantes para o desenvolvimento da sustentabilidade, para que não tivessem que se enquadrar na “economia verde” prevista no documento “O futuro que nós queremos”. E assim continuarem a escalada de poluição e destruição.

"O que vemos aqui não é o mundo que queremos, é um mundo no qual as corporações poluidoras e aqueles que destroem o meio ambiente dominam", disse um ativista do Greenpeace Internacional.

As ameaças ao nosso meio ambiente são muitas: desertificação, esgotamento dos recursos pesqueiros, contaminação, desmatamento, extinção de milhares de espécies e aquecimento global, e todas elas são reconhecidas por todos, mas o resultado da Rio+20 parece não ser o enfrentamento desses desafios.

O evento é muito importante para o mundo, sim. Mas o documento resultante não evidencia vontade política de mudar o caos em que está se transformando o nosso mundo. E nossos políticos, aqueles que representam a população do mundo, tem o dever e a obrigação de cuidar das pessoas e do planeta, fazendo leis que protejam os dois e cuidando para que sejam cumpridas. Esses políticos, donos do poder, não estão fazendo o seu trabalho, o trabalho para o qual foram eleitos para fazer. E a Rio+20 deveria cobrar responsabilidades, no documento tirado.

Qual é, mesmo, o futuro que eles querem?


domingo, 24 de junho de 2012

AUDIOLIVROS NO BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Em recente crônica, falei sobre a adoção do audiolivro por muitos leitores sem problemas visuais. Pela comodidade de consumir literatura enquanto se faz coisas como dirigir, caminhar, etc., ouvir livros vai se tornando cada vez mais popular, pois tempo é uma coisa que não temos sobrando.

Não entrei em detalhes, mas a verdade é que esse é um nicho interessante para as grandes editoras, que já têm, a maioria delas, um departamento que cuida só de audiolivros, assim como algumas já estão se dedicando também ao livro eletrônico. Então estamos percebendo que é um grande negócio, pois mais e mais títulos estão sendo disponibilizados, novas editoras especializadas nesta modalidade de publicação estão surgindo e novos empregos, também, pois o uso da voz não é mais exclusivo do rádio, da televisão, das dublagens. A gravação de audiolivros está se tornando um grande filão para atores e locutores, que agora descobrem também um mercado em ascensão para a narração e interpretação vocal na literatura.

À primeira vista, pensamos logo que o audiolivro, obra literária gravada em CD deveria ser mais barata que o livro impresso, mas parece não ser bem assim. O fato de ser necessária uma ou mais pessoas para lerem a obra mantém o custo ou pode até tornar o preço dele maior do que o preço do livro tradicional de papel. Então o conforto de ouvir um livro enquanto fazemos exercícios físicos, enquanto viajamos, enquanto esperamos alguma coisa, tem o seu preço.

Pelo que pude observar, nos sites de vendas de livrarias que oferecem o audiolivro, não é muito fácil achar títulos que custem menos de vinte reais. A média é de vinte a quarenta, mas há livros mais caros, como os há na apresentação impressa.

Ao contrário do que poderíamos pensar, há muitas editoras oferecendo o produto. Editoras conhecidas pelo formato tradicional, como a Saraiva, como a Casa Publicadora e outras. E editoras especializadas no audiolivro, como Universidade Falada, Plugme, Audiolivro, Livro Falante, Nossa Cultura, Livro Sonoro, Universo dos Livros, Audiojus, que oferecem seus livros em sites como da Saraiva, do Submarino, da Americanas, etc.

Não encontramos, é claro, todos os títulos publicados em papel ou e-book também em audiolivro. Mas já temos uma boa oferta. Os clássicos brasileiros e portugueses, como José de Alencar, Visconde de Taunay, Aluízio de Azevedo, Manuel Antonio de Almeida, Eça de Queiroz, Machado de Assis e outros podem ser encontrados em alto e bom som. Assim como alguns clássicos universais, como Hemingway, Tolstói, Dostoievski, Cervantes, Júlio Verne e outros. Autores contemporâneos como Moacyr Scliar, Lya Luft, Laurentino Gomes, Marilia Gabriela, Jorge Amado, Talita Rebouças, Rubens Paiva, Luiz Fernando Veríssimo e Clarice Lispector, por que não? Além de alguns outros, é claro.

Alguns best Sellers podem ser encontrados no formato de áudio, como “A Cidade do Sol”, por exemplo. Vimos que os livros técnicos, de autoajuda, religiosos e romances são os mais numerosos, mas também há os livros didáticos, de história, infantis e pouca coisa, muito pouca coisa mesmo de poesia.

Há, também, audiolivros gratuitos, na rede, como os oferecidos pela Editora Universidade Falada, por exemplo. Ela disponibiliza download a custo zero de clássicos como obras de Machado de Assis, Aluizio de Azevedo, Casimiro de Abreu e outros.

Nos Estados Unidos, desde a década passada o audiolivro é um sucesso. No Brasil, está começando a cair no gosto de alguns leitores. A tendência é crescer essa preferência, já que a falta de tempo é um mal crônico e o audiolivro vem trazer a oportunidade de dividirmos o tempo que teríamos para ouvir música com a literatura.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

LIVROS PARA SE OUVIR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Parece que não é só o e-book – o livro eletrônico ou digital – que está começando a cair no gosto de alguns dos proprietários de tablets. Aliás, não só de tablets, pois o e-book pode ser lido também em computadores e smartfones. Mas, como dizia, a revolução na maneira de se ler um livro não se deve mais apenas a essa novidade tecnológica.

O audiolivro também parece estar ganhando adesão, pois não só os deficientes visuais, para quem eles eram feitos, o estão utilizando. As pessoas com boa visão também estão usando o audiolivro, porque na correria do dia a dia de cada um acaba sobrando pouco tempo para parar e ler um livro, seja do tradicional de papel ou o eletrônico. Então as pessoas com menos tempo para ler copiam um audiolivro para um mp3, mp4, etc., aqueles quase pen-drives com fones de ouvido e saem para caminhar, para andar de carro, para fazer mil coisas. Enquanto fazem alguma atividade, ao invés de ouvir música, ouvem um romance, ouvem poesia, contos, crônicas, sei lá.

É muito interessante e realmente racionaliza o nosso tempo. Mas sempre tem um senão, e me vem à mente o fato de que o brasileiro, em geral, tem dificuldade para escrever. Claro, se lemos pouco, então temos dificuldade para escrever. Se, mesmo consumindo bons livros através dos audiolivros, apenas ouvindo, sem precisar ler as palavras, sem precisar ver como elas são escritas, será que a dificuldade para escrever corretamente não vai aumentar?

O bom dos livros é que, além de adquirir conhecimento, além de viajar guiado pela imaginação e criatividade do autor, o leitor visualiza a grafia das palavras e isso o ajuda a escrever com correção. Em apenas ouvindo, esse contato visual com as palavras não acontecerá.

Esperemos que as pessoas com boa visão que optarem pelos audiolivros, não se restrinjam a eles, que continuem lendo o livro tradicional, de papel, sempre que puderem, ou mesmo o livro eletrônico. Que leiam muito sempre e que escrevam, também, pois a vida exije que saibamos nos expressar por escrito. Com correção, para que a nossa mensagem não seja truncada.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

TENOLOGIA DA INFORMAÇÃO E LITERATURA

Eu e Fabiana, a idealizadora do LITERANOITE.

Excelente o recital de poemas meus por um grupo de atores locais.


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Acabo de chegar da sétima edição do LITERANOITE, da qual fui o escritor convidado. Foi muito, muito bom. Um auditório lotado, uma platéia maravilhosa. Como eu disse, anteriormente, conversar sobre leitura, literatura, livros com gente que gosta de ler é uma beleza. Foi um privilégio e uma honra estar lá, compartilhar com todo aquele público idéias e conceitos sobre literatura. Agradeço à Fabiana, idealizadora do projeto, também escritora, que é uma batalhadora e impulsionadora da cultura em São José. Se a cidade tem iniciativas culturais, se a cultura é bem tratada no município, é graças a ela. Meus agradecimentos a toda a equipe da Fundação Cultural de São José, estendidas à Secretária de Cultura, que estava presente.

Não sou um brilhante orador, prefiro mais escrever do que falar. Mas foi um prazer conversar com todas aquelas pessoas que compareceram ao LITERANOITE. Acho que nem sempre respondi na totalidade os questionamentos da platéia, pois às vezes a gente começa a falar sobre um assunto, aborda um determinado ponto e no fim acaba se desviando da proposição inicial. Isso aconteceu na última pergunta que me foi feita, a dicotomia “Literatura como criação de arte usando a palavra, a imaginação e a leitura e a escrita através das novas mídias, novas tecnologias que facilitam a comunicação”. Penso que acabei não chegando ao fim do raciocínio. Então aproveito a deixa como assunto da crônica de hoje.

A literatura pode recriar a nossa realidade – e ela o faz – mas o escritor retrata, quando escreve, o seu tempo e o seu espaço, com imaginação, criatividade, sensibilidade. Com conteúdo que pode nos levar a refletir ou simplesmente viajar no encantamento, na magia da construção de personagens, situações, lugares, etc.


O advento da internet, através dos telefones multimídia, dos computadores cada vez modernos, mais rápidos e inteligentes, dos tablets, nos dão acesso a tudo, desde a comunicação instantânea com qualquer lugar do mundo até os conteúdos mais fantásticos e mais absurdos e inconvenientes. E isso acaba por ocupar grande parte do nosso tempo. E é durante esse tempo usado com toda a tecnologia desse novo tempo que lemos, escrevemos – de qualquer maneira, abreviando e usando dialetos inventados para acelerar a comunicação -, falamos, ouvimos, assistimos vídeos sobre as coisas mais inusitadas, jogamos e conversamos nos programas de relacionamentos, bate-papos online, etc.

Somos seduzidos pelas tantas tecnologias que se aperfeiçoam a cada dia e acabamos deixando que elas monopolizem nosso tempo, não nos permitindo que pratiquemos a leitura de bons livros, que usufruamos da boa literatura. E viajar nas asas da imaginação, recriar a inventividade e a criatividade de bons autores ajuda-nos a enriquecer as nossas vidas, pois faz-nos exercitar a nossa capacidade cognitiva. Literatura é, na verdade, conhecimento, descobrimento, emoção, libertação.

Então, todo esse caos tecnológico pode, sim, desviar as pessoas da boa leitura. No entanto, se soubermos usar todos esses recursos, todas as mídias que temos ao nosso dispor, podemos transformá-los em incentivo à leitura, em estímulo à procura de bons livros, de bons textos, de boas obras.

Há muita coisa na grande rede que é a internet, muita coisa ruim e muita coisa boa. Basta sabermos escolher, sabermos selecionar. E há que ensinemos aos nossos leitores em formação a encontrar as boas opções de leitura, de conhecimento, de bons ensinamentos. Há grande disponibilidade de livros em versões integrais para baixarmos na grande rede. Os clássicos estão quase todos lá, muitas obras de autores contemporâneos também. A obra de grandes mestres da literatura e a obra de novos escritores podem ser encontradas da mesma maneira. Existem trechos que estão lá apenas de amostras, que servem para conhecermos um pouco de algumas obras e, se interessar, procurarmos ler o texto integral.

De maneira que os dois extremos se aproximam, podem conviver harmoniosamente. Podemos chegar até a boa literatura através das tecnologias que ameaçam dominar a nossa atenção. Como tudo nesta vida, há que se saber usar para tirar bom proveito.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

QUINTA, DIA DE LITERANOITE



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Nesta quinta, estarei participando do LITERANOITE, projeto da Fundação Cultural de São José que aproxima os autores dos leitores. Esta é a sétima edição, e vários escritores catarinenses já foram convidados do evento.

Para mim é muito importante ser o convidado desta edição, bem no mês de junho, quando o Grupo Literário A ILHA faz aniversário e completa 32 anos de atividades. É como se estivéssemos comemorando o aniversário do grupo e da revista Suplemento Literário A ILHA, pois falar de livro, de leitura, de literatura para uma platéia de leitores é uma comemoração.

Está de parabéns a Fabiana Kretzer e toda a equipe da Fundação Cultural de São José, por essa contribuição grandiosa no sentido de incentivar a leitura, de incutir o gosto pela leitura. Leitura é caminho de mão única para o conhecimento.

terça-feira, 19 de junho de 2012

EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E LEITURA

Mariza com Amorim e Gelbcke, dois dos muitos autores que ela levou para a sala de aula


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Dia desses, estava num grupo de pessoas falando sobre livros, leitura e leitores e em se falando disso, a realidade indisfarçável não pode deixar de vir à tona: lê-se muito pouco no Brasil. O brasileiro lê pouco. Aliás, até fora do Brasil o brasileiro lê pouco. Nossa amiga batalhadora das letras, catarinense radicada na Suiça, Jacqueline Aisenman, com o sucesso da sua revista literária eletrônica Varal do Brasil, mais as antologias, que divulgam a literatura brasileira pelo mundo afora, resolveu abrir um livraria com títulos em português em Genebra. Uma livraria com livros de autores brasileiros, primordialmente, para leitores brasileiros, para a colônia brasileira que, como Jacqueline, vive na Suiça. Pois teve que fechar depois de alguns meses, pois os brasileiros que vivem lá também não compram livros.

Então há que se fazer a pergunta que não quer calar: o que é preciso para incentivar o hábito da leitura, para fazer com que o brasileiro leia mais, que se interesse mais pela literatura? O consenso foi que o preço do livro, a falta de bibliotecas, o pequeno número de livrarias existentes no Brasil não são, exatamente e exclusivamente, os culpados disso. A educação em nosso país é que é deficiente, não está fazendo o seu papel como deveria.

A educação brasileira está num processo crescente de deteriorização: o sistema de ensino sofreu mudanças, nos últimos anos, que ao invés de melhorar o aprendizado do primeiro e segundo graus, complicaram métodos que estava funcionando até então. A alfabetização, no primeiro grau, no sistema antigo, possibilitava que os alunos aprendessem a ler e escrever no primeiro ano. Hoje, com alterações equivocadas, existem crianças no terceiro ano – considerando-se que foi aumentado um ano do ensino fundamental, com a inclusão do pré – e até no quarto que não conseguem dominar, ainda, a leitura e a escrita. Os professores são mal pagos, falta treinamento, qualificação, as escolas não são equipadas com o mínimo necessário, muitas vezes, para os professores trabalharem, faltam escolas e das escolas existentes algumas estão caindo aos pedaços. Falamos da escola pública, mas o rendimento da escola particular também não é dos melhores.

Constata-se, não é de hoje, que a educação, neste nosso Brasil, está caminhando para a falência, infelizmente. E não está se fazendo muita coisa para mudar isso. Se a escola não melhorar, se a educação não tiver mais qualidade, essa lacuna que é a falta de tempo, a impossibilidade de incluir aulas de leitura e interpretação no conteúdo programático, para incutir o gosto pela literatura em nossos leitores em formação continuará.

E nossas crianças, nossos estudantes crescerão sem estímulo para a leitura, crescerão sem gostar de ler e, além de não comprar livros, entrarão na vida adulta e enfrentarão o mercado de trabalho sem qualificação para conseguirem um bom emprego. E, consequentemente, não terão uma boa renda, o que os impedirá de comprar bons livros.

É uma bola de neve: se os pequenos leitores em potencial não aprenderem a gostar de ler, não terão muito gosto pelo estudo, pois estudar significa ler, o que significa também que terão que trabalhar mais e ganharão menos, tendo menos tempo e dinheiro para boas leituras. E não saberão nem aproveitar oportunidades mais baratas, como as bibliotecas e sebos que existem. E os filhos deles terão o mesmo destino, pois em casa que não tem livro, crianças não poderá gostar de livros, pois não se gosta de uma coisa que não se conhece. E a bola de neve continuará rolando.

Não é uma nova descoberta, mas a verdade é que precisamos de mais atenção e mais dedicação do poder público pela educação, para que ela seja recuperada. Se não tivermos uma educação decente, nossas crianças não serão adultos que gostarão de ler e a maldição, aquela que reza que “brasileiro não lê”, continuará a rondar nosso país. De maneira que a solução para que se leia mais é, mais do que tudo, uma educação de qualidade. Precisamos cobrar isso de nossos governantes. Antes que seja tarde demais. Existem professores dedicados e abnegados, em nossas escolas públicas, que apesar das dificuldades e do pouco reconhecimento, são exemplos, ao mostrar como fazer para que nossas crianças gostem de ler. Como a professora Mariza Schiochet, em Joinville.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

JACARANDÁS E JACATIRÕES

        

Daniela na rua dos jacarandás, em Lisboa      
                                                               
                                 Meu pé de jacatirão


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Descobri que minha amiga Mary Bastian, escritora gaúcha radicada em Joinville, é apaixonada por jacarandás floridos. E sabem como? Porque o Pierre Aderne, cantor e compositor francês radicado em Lisboa, postou uma foto de um enorme jacarandá português florido no Facebook. Vocês já devem tê-lo ouvido, pois a música “Fado dos Barcos”, cantada por ele com a participação de Cuca Roseira, foi um dos temas da novela “Aquele Beijo”. Pois ele postou uma foto, eu vi, a Mary viu e comentamos. Depois ele postou outras – há uma rua em Lisboa cheia de jacarandás – e por último uma foto da minha filhota Daniela, bailarina que está fazendo mestrado na área em Portugal. E o intercâmbio de admiração pelos jacarandás rendeu até um poema do Pierre, depois que sugerimos, na rede, que eu era o jacatirão e a Mary era o jacarandá.

Foi inevitável comparar as flores do jacarandá florido com os pés de jacatirão pejado de flores, pois eu fissurado por eles – nessa época estão floridos os manacás-da-serra, variedade de jacatirão de jardim, que florescem no inverno. E o poema é esse: “jacatirão e jacarandá / vão juntos de mãos dadas pintando a rua / da cor do jamelão, / um vai colorindo o sol e o outro tinjindo a lua... / jacarandá e jacatirao / pintores de mãos e almas cheias / ... fazem o menino cantar como passarinho / e a menina feito sereia / jacatirão e jacarandá / soprem o inverno / pra logo logo a primavera chegar”.

De maneira que o Pierre, com a sensibilidade do poeta que ele é, juntou duas árvores fantásticas, belíssimas e as paixões de dois poetas que cruzaram com ele num “lugar” que não era próprio para “provocar” a poesia, mas agora é.

E eu descobri que também gosto dos jacarandás, como gosto de outras grandes árvores que florescem espetacularmente pela natureza deste planeta azul que insistimos em tornar cinza: jacatirões, flamboiãs, ipês, paineiras, etc., etc.

Mary me mostrou a Rua Gonçalo Carvalho, em Porto Alegre, consagrada como “a rua mais bonita do mundo”, justamente porque é coberta de jacarandás. Nesta época do ano, a rua está esplendorosa, com as árvores cheias de flores e chão coberto de cores. Não é para se apaixonar?

Pena que aqui em Santa Catarina quase não temos jacarandás. Ainda bem que temos jacatirões. No inverno, no outono e no verão. Ainda bem.

sábado, 16 de junho de 2012

O DESCASO À VIDA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Eu não gosto de novela, mas quando posso, vejo “Que Rei Sou Eu”, reapresentada pelo Canal Viva. Cheguei a escrever uma crônica, constatando que o folhetim está mais atual do que nunca, nesses tempos de corrupção e impunidade no Brasil. Pois volto a lembrar da tal novela, quando vejo notícias sobre a mobilização do Vale do Itajaí, aqui em Santa Catarina, frente a um surto de Gripe A.

Já são centenas de casos da doença em nosso Estado, a maioria no Vale do Itajaí. Já morreram vinte e duas pessoas, todas ou quase todas com idade fora das faixas etárias determinadas pelo Ministério da Saúde para receber a vacina. Como já se configura um surto da doença, Blumenau, Itajaí e outras cidades do Vale solicitaram ao Ministério da Saúde que enviasse estoque para vacinar todos os habitantes da região, indistintamente.

Pois o Ministério da Saúde negou, com a desculpa de que “a vacinação contra a H1N1 é para prevenir, apenas, não para bloquear surto instalado”. Eles vão mandar medicamentos apenas para tratar a doença, não para evitar. Tudo bem, mandar o medicamento está correto, as pessoas que já estão infectadas precisam deles, mas quem não tem a doença está condenado a contraí-la, para então ter um tratamento? Isso se os medicamentos vierem em quantidade necessária.

Que Ministério da Saúde é esse, que condena os cidadãos que ainda não foram vítimas do surto a não se imunizarem, a ficarem sujeitos a contrair a doença? Pode até haver um período, depois de tomada a vacina, para que ela faça efeito, mas depois deste prazo, quem a tomou terá muito menos chance de ser vítima da gripe temerária. Por que, então, não tentar evitar que um número maior de pessoas caia vítima do mal que pode levar à morte, como está acontecendo?

Isso é bem típico de uma situação que ocorreria no Reino de Avilã, não é não? Os “conselheiros” da “Rainha” prefeririam negar a vacinação ao povo, para então, depois, vendê-la bem caro e assim terem lucros vultosos. Aqui, parece que estão economizando a vacina para não ter que produzir mais, para não "onerar" os cofres públicos, ou então para o povo ir às clínicas pagar bem caro para serem imunizados.

Tão zelosos, nossos “conselheiros”, com o suado dinheiro que é arrancado do povo na forma de impostos quase que mais caros do mundo: o brasileiro trabalha quase meio ano só para pagar impostos ao governo, mas não vê retorno. A saúde, a educação, a segurança, a justiça, tudo está indo à falência. E a corrupção, a impunidade, a banalização da violência, da falta de honestidade são lugares comuns.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

LITERANOITE DE JUNHO DIA 21

  

                 Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Acontecerá neste dia 21 de junho a sétima edição do LITERANOITE, projeto cultural da Fundação de Cultura de São José, as 19h30min e recebe este escriba, coordenador do Grupo Literário A ILHA e membro da Academia Sul Brasileira de Letras. Estaremos lá para falar de livros, leitura e literatura, principalmente daquela que está sendo praticada em nosso Estado.
A iniciativa da Fundação Cultural em trazer escritores catarinenses para conversar com o público leitor e leitores em formação de São José é meritória. Já participaram do projeto escritores como Urda Alice Klueger, também do Grupo Literário A ILHA, Salim Miguel e outros autores catarinenses.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

GOVERNO DE SC: COMO FOI, COMO SERÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


O governador falou, hoje, em um de nossos jornais, sobre os seus dezoito meses de governo e o que vai ser feito daqui em diante. O balanço não é lá essas coisas. A saúde está um caos total, a educação também, a segurança, nem se fala. E tem mais.

Mas o governador fala em economia, reduzir gastos. Ele já falou isso, há algum tempo atrás, mas não vimos nenhuma economia. Aliás, ele fez economia, sim, não gastando com cultura, com saúde, com segurança, com educação. Então ele promete, mais uma vez, reduzir a máquina administrativa, melhorar a saúde, mudando a forma de contrato dos médicos, dar atribuições às famigeradas Secretarias Regionais, que até agora foram apenas e tão somente cabide de empregos. Já vimos essas promessas, como já disse. Será que agora serão cumpridas?

Sobre a Secretaria de Cultura e Turismo, que requer a nomeação de um secretário, ele mencionou que não convidou o atual vice-prefeito de Florianópolis para o cargo. Disse que não está tratando desse assunto. Aliás, ele parece muito despreocupado com a cultura catarinense, neste ano e meio de governo. E citar o vice-prefeito da capital como candidato à vaga de secretário não é nada bom. O que entende de cultura o tal vice-prefeito? Aliás, ele já deu mostra de grande incompetência como vice-prefeito e secretário de transportes e, além do mais, ele está pretendendo se candidatar a prefeito. Tomara que se candidate, para que não corramos o risco de que ele seja nomeado para a Secretaria de Cultura e Turismo. Ele não vai ser eleito prefeito mesmo...

A propósito, por falar na Secretaria de Cultura e Turismo, já aconteceram até manifestações públicas de segmentos da sociedade, pedindo ao governo o desmembramento dessa secretaria. A cultura precisa ter uma secretaria só para ela. Mas o governador não fala nada a respeito.

Será que haverá alguma mudança, para melhor, nesse governo catarinense?



terça-feira, 12 de junho de 2012

RIO MAIS VINTE,MAIS QUARENTA...

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/  


Em 92, os representantes de vários países se reuniram no Rio para falar do meio ambiente, de justiça social, do empobrecimento do mundo, da sustentabilidade do planeta. De lá para cá, muito se falou sobre esses assuntos, mas a verdade é que pouco se fez. É claro que o pouco que foi feito é importante, mas o meio ambiente continua a ser degradado, o planeta continua a ser cada vez mais poluído e cada vez mais sujeito à intempéries, a natureza continua a ser desrespeitada.


A justiça social se distancia mais e mais dos cidadãos e a pobreza aumenta, enquanto a riqueza vai para as mãos de poucos. Então, o que se espera desta Rio+20 que vai acontecer daqui a poucos dias é que atitudes em favor do lugar onde vivemos sejam colocadas em prática, decisões sejam tomadas e executadas e boas ideias sejam aplicadas no sentido de modificar o cenário mundial atual.

Não adianta falarmos bonito e na prática, não acontecer nenhuma mudança. Nossos políticos devem participar dessa discussão, porque eles, que legislam, devem tomar conhecimento da situação atual do nosso meio ambiente, de nossas gentes, do planeta Terra, para que façam o seu trabalho de maneira objetiva e efetiva. Digo tomar conhecimento, porque eles estão sempre muito bem, com todo o dinheiro público que corre em suas mãos, não fazem questão de se incomodar com a situação do povo, a situação do nosso planeta.

A coisa mais importante que a Rio+20 poderia fazer é cobrar dos nossos governantes, de todos os governantes do mundo, que façam o seu trabalho, qual seja: cuidar das pessoas e do lugar onde vivemos, fazendo tudo o que for preciso para evitar que se destrua tudo como vem acontecendo.

Sei que as coisas não vão se resolver de uma hora para outra, como que por encanto, mas também não pode ficar tudo no falatório, em acordos e tratados que não são cumpridos, ou quando são levados a efeito, é por uma minoria e parcialmente. Há que haver vontade política para colocar em prática ações que realmente previnam tragédias maiores do que as que vem acontecendo. A humanidade depende disso.

Se o ser humano não tomar providências de imediato para proteger o meio ambiente, a natureza, o lugar que nos foi dado para viver, nossa velha e cansada Terra não aguentará por muito tempo. É preciso agir. É preciso fazer. Falar, só, não adianta.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O NOSSO REINO DE AVILÃ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiasecia.xpg.com.br/


A novela “Que Rei Sou Eu”, da Globo, está sendo reprisada pelo Canal Viva. Cá pra nós, acho que nunca houve uma novela tão atual na televisão brasileira. “Que Rei Sou Eu” foi gravada e apresentada a primeira vez em 1989, mas espelha exatamente o Brasil que vivemos hoje: corrupção e impunidade na administração pública, roubalheira escancarada, violência, saúde e educação, segurança e justiça relegados à falência.

Seria engraçado se não fosse trágico, mas o Reino de Avilã, que já retratava o Brasil, na época, encaixa-se ainda melhor hoje, na realidade de nosso país. Até a presidência do país está com uma mulher, tal qual Avilã, onde uma rainha está no poder.

Os conselheiros da rainha se parecem um pouco (muito pouco, não é?) com os ministros de hoje. O “desvio” dos cofres públicos pelos conselheiros e seus apadrinhados retratam exatamente o que acontece entre os nossos “políticos” e detentores de altos cargos, que se locupletam com o dinheiro público e nunca devolvem nada, nunca são punidos. A carga excessiva de impostos cobrados do povo, para que os conselheiros tenham mais dinheiro para gastar é muito parecida com o que o povo brasileiro tem que suportar.

Então, apesar de ter sido escrita e apresentada há tanto tempo, a novela/sátira do Brasil daquela época continua mais atual do que nunca. Infelizmente.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

VÔNGOLE, O NOSSO BERBIGÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Acabo de ver o programa Globo Mar - lá de vez em quando aparece um programa bom que a gente poder ver – e fiquei confuso ao mostrarem as pessoas catando vôngoles na beira do mar. Confuso, porque reconheci o molusco, que nada mais é do que o nosso berbigão.

Então fiquei pensando, cá com meus botões, que o que as pessoas pagam caro para comer em restaurantes finos, por aí afora, nós, aqui na Ilha e em outros pontos da Santa e bela Catarina comemos comumente. Todos, de uma maneira geral, catam e comem ou apenas comem berbigões. É só ir no mercado municipal que a gente encontra os vôngoles, ou berbigões, para nós. E além de fazer aquele ensopadinho delicioso, além do molho para servir com peixe ou com massas, dá pra fazer uma omelete fabulosa. Além de muitos outros pratos, é claro.

Pois então, manezinhos e catarinas, fiquemos sabendo, pois, que comemos vôngole há muitos e muitos anos e nem sabíamos que o nosso berbigão é comida final. Na verdade, é uma herança açoriana. Os colonizadores açorianos, quando chegaram, aplicaram ao molusco que era e ainda é abundante por aqui o nome que já conheciam, e desde lá o vôngole, em Floripa e região se chama berbigão.

Isso me lembra da cambira, que é tainha salgada seca. Os nativos da ilha e do continente não chamam a cambira de cambira. Para todos é peixe seco. E na verdade o único peixe que tem nome específico, depois de escalado, salgado e seco é a tainha: cambira. Tanto que no dicionário, cambira é sinônimo de tainha.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

JARDIM SEM JACATIRÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Hoje foi o dia mais frio do ano, até aqui. De manhã tivemos um pouco de sol, mas a tarde ficou cinzenta, além de fria. E eu fiquei um pouco triste, não pela tarde cinzenta e fria, mas porque verifiquei que meu pé de manacá-da-serra, o jacatirão de inverno que tenho em meu jardim não se recuperou do verão inclemente. A seca o prejudicou – e muito -, pois suas folhas estão pequenas e queimadas nas pontas e os botões, muitos mas pequenos, quase não conseguem se abrir e os que abrem mostram pétalas pequenas e malformadas.

O sol bateu nele com muita força, durante todos os meses do verão. Mesmo que eu tenha tentado amenizar o problema, molhando-o à noite, a estação foi muito dura. E agora o inverno vai me encontrar com um jardim sem flores de jacatirão. Os pés de araçá estão viçosos, o pé de hibisco está cheio de flores, até os pés de morango conseguiram se recuperar.

Mas meu pé de manacá-da-serra está muito abatido, subnutrido, carregado de botões que quase não conseguem se desenvolver. Preciso cuidar melhor dele, para que no próximo inverno ele possa florescer dignamente, lindamente de novo.

domingo, 3 de junho de 2012

EU E OS GATOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Gosto de animais. Gosto de quase todos os animais, mas não gosto de gatos. Adoro cachorros, mas não gosto de gatos. São muito bonitinhos, muito engraçadinhos, mas são também muito independentes. Quem tem um gato não tem controle nenhum sobre ele. Ele vai aonde quiser, pois ele sobe em muros, paredes, o que for, tenha a altura que tiver. O dono do gato não pode restringir a área de atuação dele, pois ele pode ir onde quiser.


Então o gato entra na sua casa, se você deixar qualquer fresta onde quer que seja, a qualquer hora, esteja você em casa ou não. Principalmente quando você não está. De noite, ou a qualquer hora, também, ele anda no seu telhado, no seu sótão, faz barulho e não deixa você dormir. Faz xixi, cocô, vomita na sua casa, no seu jardim, na sua calçada. Faz uma arruaça de madrugada, uma miação horrorosa quando está namorando ou se estranhando com outro gato. Fica rondando a sua casa para provocar o seu cachorro, pois sabe que ele não o alcançará, já que pode andar por qualquer lugar e se safar.

Por tudo isso e algumas coisitas mais, não gosto de gatos. Minha parede de extrema com o vizinho e os muros da frente e do lado direito vivem sujas. Os gatos dos vizinhos adoram passar pelo meu jardim quando saem de casa ou quando voltam para casa e deixam os rastros em toda a extensão da parede e muros. Eu vivo lavando e pintando tudo, mas não adianta. Interessante que quase não há área de terra, é tudo calçada ou brita, mas as patas dos abençoados gatos deixam marcas de barro, de lama, emporcalhando tudo. O pior é que mesmo lavando com água sanitária as manchas não saem, tenho que pintar de tempos em tempos.

Os passarinhos que vêm cantar no meu jardim, nas calhas da casa, no telhado, na calçada, às vezes fazem cocô na grade e escorre pelo muro. Mas eu não ligo, vou lá e limpo, sem reclamar, por que eles me dão muito em troca: a sua beleza, o seu canto, a sua companhia. Mas o gato não dá nada, ele só suja tudo e faz barulho, sempre sons nada agradáveis.

Outro dia, fomos ao escritório, no segundo andar, e havia uma meia dúzia de gatos jovens na sacada e no telhado, um já havia entrado. Em outras noites, ao ouvir barulho estranho no telhado, tenho encontrado gatos adultos passeando no telhado. Eles vem através do muro ou pelo telhado.

Não gosto de gatos. Respeito o fato de tantas pessoas gostarem deles, mas não gosto de gatos. Prefiro cães, mil vezes cães. Ou tartarugas, cacatuas, papagaios, coelhos, etc. Todos são controláveis. Menos o gato.







sábado, 2 de junho de 2012

32 ANOS DE TRAJETÓRIA

                    

   Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

E é junho, mês do aniversário do Grupo Literário A ILHA e da nossa revista Suplemento Literário A ILHA. A edição de número 121, de junho, já está circulando e entra no ar daqui a pouco, no portal PROSA, POESIA & CIA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ . Na capa desta edição, quase todos os escritores que passaram ou que ainda são integrantes do grupo. São 32 anos de trajetória, divulgando no Brasil e no exterior a literatura de escritores catarinenses e brasileiros.


Para comemorar, esta edição do Suplemento Literário A ILHA vem recheado de muita prosa e muita poesia e notícias de eventos que homenageiam data tão importante para a literatura catarinense: a Noite Poética Josefense, o lançamento, no Brasil, da antologia Varal do Brasil, que conta com o prefácio do coordenador do grupo mais perene do gênero, do aniversário da Academia Desterrense de Letras, que homenageou o poeta e prosador Júlio de Queiroz e a nova edição do LITERANOITE, evento literário promovido pela Fundação de Cultura de São José, no Teatro Adolpho Melo, em 21 de junho, com este cronista que vos escreve.

E mais: estaremos lançando mais um volume da coleção Letra Viva, com crônicas de uma das escritoras do grupo e também o livro de crônicas "O Rio da Minha Cidade", de autoria deste editor, que recebeu Menção Honrosa dos Prêmios Literários Cidade de Manaus, em 2011.

Também inauguramos páginas de literatura infantil, na nossa revista, pois afinal o Suplemento Literário A ILHA é lido e estudado em várias escolas de primeiro grau. Há que se contemplar nossos leitores em formação.



sexta-feira, 1 de junho de 2012

POEMAS SONOROS EM CD


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Ganhei um grande presente da minha grande amiga Professora Mariza Schiochet, de Joinville. Aliás, ela reside em Joinville, com a família, mas é de Corupá, como eu. O presente é o CD POEMA SONORO, do grupo do mesmo nome.

É realmente um grande presente, pois é poesia cantada, poesia musicada, uma maneira de tornar a poesia ainda mais popular. O grupo de Joinville seleciona poemas de poetas catarinenses e os próprios integrantes, alguns deles, principalmente Marco Aurélio, como percebo no CD, compõe as músicas. Então esse grupo canta os poemas musicados, para o público, em espetáculo e, agora, na gravação que está disponível. Através deles, a poesia tornou-se som no ouvido e no coração das pessoas. Se um varal com poemas expostos ao vento já chama a atenção e conquista leitores, imagine a poesia transformada em música.

O CD foi viabilizado pelo Simdec e é um casamento perfeito de música e literatura: junto com o disco, vem um livro, que faz as vezes de capa. Neste livreto há muitas fotos dos componentes do grupo POEMA SONORO e dos poetas selecionados e todos os poemas cantados, além de informações técnicas e sobre o Sistema Braile, porque o CD também tem encarte em braile, quando é vendido para pessoa que precisa deste recurso.

Acho que o Simdec já financiou, através dos seus editais anuais, muita obra artística e intelectual, mas essa é uma das melhores coisas que já viabilizou. Divulgar a poesia a poesia de poetas da terra, popularizar a poesia, fazer com que mais pessoas gostem dela é uma iniciativa meritória.

Obrigado, Mariza, agradeço imensamente pelo belo presente.