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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

DIÁRIO DE CLASSE E A EDUCAÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


E a garotinha de Florianópolis que abriu uma página no Facebook, para falar do abandono de sua escola, no Santinho, ficou famosa não só no Brasil, mas pelo mundo. Esse é o grande exemplo de que não podemos esperar pelos outros, temos que meter a cara e fazer alguma coisa. Se ela tivesse ficado chorando as pitangas, por sofrer com uma escola sem manutenção, mal equipada e mal dirigida, poderia até ter desistido e mudado para outro estabelecimento. Mas ela teve coragem e denunciou, mostrou as mazelas, com fotos e filmes, comprovou o que estava errado e conseguiu ser ouvida e apoiada.

As escolas públicas de Santa Catarina, muitas delas, estão em péssimo estado, quase toda semana os jornais e a televisão mostram prédios sendo interditados, outros caindo aos pedaços, oferecendo risco de todo tipo as professores e alunos. Parece que o poder público não está muito preocupado com isso.

Paralelamente à explosão do Diário de Classe de Isadora, foi lançada a campanha “A Educação precisa de respostas”, nesse final de agosto, nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Autoridades dos dois estados e do Ministério da Educação estiveram reunidos para discutir, tomarem conhecimento e começarem a tomar providências para responder as muitas perguntas, solucionando os entraves.

Se todos nós fizéssemos a nossa parte, como fez Isadora, as coisas não estariam como estão, a educação brasileira não estaria no estado lastimável em que se encontra.



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

RECONSTRUIR A EDUCAÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Venho falando do abandono da educação brasileira há anos. Do ano passado para cá, intensifiquei o foco, escrevi vários artigos sobre o tema, porque a situação tem se agravado, não só pelo resultado constatado na aprendizagem dos estudantes, mas pelo estado cada vez mais precário das escolas públicas e do descaso para com os professores. Além disso, nos últimos anos foram feitas modificações no sistema de ensino – alfabetização, ensino da matemática, etc., que ao invés de melhorar a educação, prejudicaram ainda mais os estudantes do ensino fundamental, que estão chegando ao terceiro, quarto ano sem saber ler e escrever. E isso reflete nas etapas seguintes, é claro, no ensino médio e também no superior, pois se a base não é boa, todo o resto estará perdido.


A União e os Estados – o Ministério da Educação e as Secretarias de Educação – não estão dando a devida atenção à educação, não estão investindo na educação. Parecem não se dar conta de que um ensino de qualidade é condição sine qua non para que tenhamos, mais adiante, pessoas educadas e qualificadas para trabalhar e ter uma vida digna, para que tenhamos profissionais qualificados e dirigentes preparados, com um mínimo de cultura para desempenharem um bom governo à frente do país, dos estados,dos municípios, das grandes empresas.

Vendo e sentindo essa situação, evidenciada ainda mais com o resultado do Ideb, a sociedade gaúcha e catarinense está se mobilizando para identificar os problemas e encontrar soluções, chamando os gestores da educação – o MINC e as Secretarias de Estado da Educação – e os detentores do poder dos estados e municípios, para participar da discussão. Trata-se da campanha “A Educação precisa de respostas”, lançada neste final de agosto.

As primeiras perguntas já foram lançadas no primeiro debate realizado em Porto Alegre, quando o ministro Mercadante, da Educação, esteve presente. Ele próprio admitiu que o professor precisa ser melhor qualificado e mais valorizado. Admitiu, ainda, aquilo que temos repetido várias vezes: mais de um terço das crianças do inicio do primeiro grau, com oito anos, não aprenderam a ler e escrever, o que compromete, como já dissemos, toda a vida escolar.

Então ele concorda e sabe que o ensino fundamental e médio estão com a qualidade bem abaixo do necessário. Mas volta a insistir numa modificação no Ensino Médio que, ao invés de melhorar a qualidade, pode comprometer ainda mais. Ele quer que as treze disciplinas do Ensino Médio sejam aglutinadas em apenas quatro áreas, porque a excessiva quantidade delas estaria prejudicando o rendimento dos estudantes. Como já disse, isso é temerário, porque o que parece, na verdade, é que estão querendo diminuir o conteúdo curricular para que os estudantes possam tirar melhores notas no Enem e, por conseguinte, que a educação brasileira melhorou.

A mudança no Ensino Médio não será um tiro pelo culatra, como já foram outras “reformas” feitas no famigerado governo Lula? Essa é uma das muitas perguntas que também terão que ser respondidas.

A verdade é que, com o ensino deficiente, a qualificação para o trabalho e para o ensino superior estará prejudicada, como o próprio ministro conseguiu enxergar. E como isso é uma bola de neve, a formação de professores, como de outros profissionais, também não terá a qualidade desejada, pois o ensino superior é a última etapa da cadeia educacional.

Então o governo, a União, sabe o estado deplorável em que se encontra a educação brasileira. O que precisa fazer é responder todas as perguntas sobre os entraves que jogam a qualidade do nosso ensino cada vez mais para baixo e começar a investir para melhorar a qualificação de nossos professores – e de outros profissionais -, na melhoria das instalações das escolas públicas, assim como equipa-las adequadamente e pagar dignamente os professores.
Sempre defendi que os professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental devem ser os mais bem pagos – por isso devem ser altamente qualificados – pois a base de tudo é o começo, o inicio da jornada para aquisição de conhecimento, de educação e para a formação de caráter. Não que os outros professores não devam ser reconhecidos, mas se começarmos valorizando aqueles lá do inicio da cadeia, todos os outros serão, consequentemente, bem qualificados e bem pagos. Se o ensino tiver qualidade, os educadores formados com ele também terão qualidade.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

TARDE LITERÁRIA EM ASCURRA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br



Estive, no último sábado, dia 25, no Colégio São Paulo, de Ascurra, para a Tarde Literária, evento do qual fui o escritor convidado. Aliás, foi uma grande homenagem, na verdade, homenagem que eu estendo à todos os escritores catarinenses. Muita música, poesia, teatro – crônicas minhas foram dramatizadas por turmas de alunos, em performances emocionantes.

É muito gratificante e alentador ver uma instituição de ensino desempenhar com eficiência o seu papel de educar. Mais, ver superado, ampliado o seu trabalho, pois o Colégio São Paulo não transmite apenas conhecimento aos seus alunos, os seus educadores vão além, despertam a sensibilidade e o gosto pelas artes: música, literatura, teatro, declamação, artes plásticas.

Vendi muitos exemplares de livros meus, o que evidencia o gosto e o habito da leitura, incutido nos alunos. E mais, os professores e a direção do colégio idealizaram e vem realizando um evento que, além de possibilitar a integração autor-leitor, divulga os escritores catarinenses entre os leitores em formação.

Então agradeço a esses professores e educadores pelo seu importante papel na educação e na disseminação da cultura.

Ainda existem ilhas de educação de qualidade neste país. A educação brasileira tem esperança, se a cultura oficial se espelhar em exemplos como o trabalhado dos educadores do vale europeu brasileiro, como o trabalho da professora Mariza, em Joinville, de quem muito lembrei lá em Ascurra, pela semelhança do ensino de qualidade que ministram.

Só senti a falta dos escritores de Ibirama, Harry Wiese e Apolônia Gastaldi, que infelizmente não puderam comparecer. Foi uma tarde espetacular, quando a cultura, mais do que qualquer outra coisa, foi festejada e cultuada.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

NESTE SÁBADO, TARDE LITERÁRIA


                                Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Neste sábado, dia 25, estarei em Ascurra, no Colégio São Paulo, para participar da Tarde Literária, como escritor convidado. Haverá apresentações culturais, lançamento do Livro de Poemas dos alunos do segundo ano do Ensino Fundamental, Café Literário, recital, etc.

Haverá, também sessão de autógrafos do escritor catarinense convidado, no caso eu, com a oferta de livros como "Borboletas nos Jacatirões", "Nação Poesia", "Cocô de Passarinho" e o recém-saído do prelo, "O rio da minha cidade".
Essa é a quarta edição da Tarde Literária e outros escritores do Grupo Literário A ILHA já participaram do evento como escritores convidados: Urda Alice Klueger e Harry Wiese.

Uma excelente iniciativa da escola para efetivar a aproximação autor/leitor, pois o colégio trabalha a obra dos escritores em sala de aula e depois os convida para virem conversar com os estudantes.

Parabéns ao colégio pelo trabalho em prol da leitura e da divulgação do escritor catarinense.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

22 DE AGOSTO - DIA DO FOLCLORE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Se há uma coisa em que o Brasil é rico, é em folclore. E, como o folclore é um ramo da nossa cultura que não depende da dos governantes, ele se mantém, cultivado em pequenos grupos, pequenas comunidades, em escolas, igrejas, associações, etc.

O folclore brasileiro é rico e diversificado, porque resulta da mistura de vários povos – dos indígenas, que habitavam essas terras tupiniquins, dos luso-açorianos, dos italianos, dos alemães, dos poloneses, nossos colonizadores, principalmente aqui no sul e até do negro, o africano que foi trazido para cá contra a sua vontade.

Da miscigenação de nossos colonizadores e do índio, originário deste chão, temos um folclore riquíssimo, com figuras mitológicas que permeiam toda a cultura de nosso povo. Figuras essas como o Boitatá, o Caipora, o Lobisomem, a Mula-sem-cabeça, o Cuca, o Saci Pererê e outras mais. Isso sem falar da Bernunça, a baleia que foi incorporada com muito sucesso ao Boi de Mamão, tradicional em Florianópolis e região, e nas bruxas que povoaram a Ilha de Santa Catarina e parte do continente, mais uma característica da cultura açoriana.

Aliás, em Florianópolis a cultura teve mais influência açoriana, porque os luso-açorianos vieram direto para cá, para dar continuidade à colonização portuguesa. As manifestações folclóricas da capital e arredores, ainda hoje, privilegia danças e cantigas trazidas pelos imigrantes vindo dos Açores: a dança do Boi de Mamão, a dança do Pau de Fita e a Farra do Boi, que por lei, não deveria ser mais praticada.

As pedras na praia de Itaguaçu, na parte continental da capital, por exemplo, são a representação viva da lenda das bruxas da Ilha da Magia, conforme nos conta Franklin Cascaes, em dois livros de contos.



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

PROPAGANDA POLÍTICA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Amanhã começa a propaganda eleitoral na televisão. Ainda bem que é só na TV aberta, que eu assisto muito pouco, pois vai ficar insuportável. Já não dá pra aguentar os santinhos nos jornais, os out-doors e placas que começaram a aparecer pela cidade, os carros de som fazendo a maior poluição sonora, os santinhos, que começam a mandar pra gente, imagine isso também na televisão.

Até as redes sociais estão ficando impraticáveis. Eu e outras pessoas dentre os muitos amigos que tenho no Facebook já postamos vários avisos para as pessoas não façam propaganda eleitoral naquela rede. Mas não está adiantando. Já deletei dois cabos eleitorais e já apareceram outros dois que insistem e também serão defenestrados. Acho chato ter que fazer isso, mas já chega dessa política podre que está em todo lugar. Pedi várias vezes para deixarmos a propaganda política de lado ali, que talvez a plataforma mais apropriada seja o twitter.

Os espaços são democráticos, mas se a maioria não quer esse tipo de propaganda, que a minoria ache outro veículo. Existem muitos lugares onde a propaganda política não vai conseguir nenhum voto a favor do candidato, muito pelo contrário. Acaba-se adquirindo mais aversão pela coisa e a gente marca o nome do candidato para NÃO votar nele.

Aliás, votar é uma coisa quase impossível, pois está difícil encontrar um candidato decente. Aí alguém poderá dizer: mas é necessário conhecer os candidatos para poder escolher. Como escolher, se a gente só ouve mentiras, promessas que nunca serão cumpridas?

Precisamos renovar os agentes dessa política corrupta que aí está. Se não houver em quem votar, votemos nulo, para manifestar a nossa insatisfação, o nosso protesto contra a corrupção e impunidade que grassa nesse país.

domingo, 19 de agosto de 2012

O JULGAMENTO DO MENSALÃO. JULGAMENTO?

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


E o julgamento século, pra variar, está encaminhando para acabar em pizza, como tudo neste país. O mensalão, um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil, em todos os tempos, está em julgamento, mas não dá para esperar muito de todo esse circo que se formou, pois a própria justiça brasileira está falida, e não é de agora.

Os advogados dos acusados apresentam as desculpas mais deslavadas e os juízes parece que estão acatando. Não aceitaram, por exemplo, investigar o ex-presidente Lula. Acreditam, portanto, que ele não sabia do Mensalão. Parece brincadeira, mas é isso mesmo: Lula sai como inocente disso tudo, quando na verdade todos sabem que a história não é bem assim. Outros personagens atuantes no Mensalão, também foram “esquecidos”: Banco BMG, Daniel Dantas, Fernando Pimentel, Romero Jucá, etc.

Levou sete anos, desde que o Mensalão parou de funcionar (parou?), para acontecer o julgamento. E o que vemos é a justiça passando a mão na cabeça dos protagonistas do famigerado episódio de extrema vergonha e constrangimento para a nação.

Que justiça é essa, que não vê crime na intensa corrupção e impunidade que grassa no país? O resultado do julgamento não deve demorar muito. Mas já sabemos qual deve ser. A Olimpíada, barreira usada para desviar a atenção do julgamento, passou, mas as barbaridades continuam.

A impunidade continuará, indefinidamente? Vamos continuar aceitando que continuem promovendo a falência de nosso país? Estamos vendo a derrocada da saúde, da educação, da segurança, até da justiça neste Brasilzão de Deus (ou dos corruptos?). Isso precisa mudar.


sábado, 18 de agosto de 2012

O ANO DO BRASIL EM PORTUGAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Meu primeiro texto premiado foi sobre os laços que unem Brasil e Portugal. Tratava-se de um concurso de redação sobre o tema, de âmbito nacional, e em cada cidade era escolhido o melhor texto dos estudantes participantes. Não lembro direito, mas parece que entre os vencedores de cada cidade seriam escolhidos alguns para visitar a terrinha. Eu tirei o primeiro lugar da minha cidade e recebi o troféu – que não tenho mais, faz muito tempo e eu o perdi – em solenidade no cinema da cidade, uma honraria. Não é à toa que meus poetas preferidos, de há muito, são Quintana, Pessoa e Coralina.

Lembrei disso quando soube, hoje, falando com minha filha que está em Lisboa, do Ano do Brasil em Portugal, lançado neste final de semana, no Rio de Janeiro. Os eventos começam no dia 7 de setembro deste ano e vão até o dia 10 de junho de 2012, dia de Portugal. Nos dez meses de programação estão previstos, nos dois países, eventos culturais e também encontros e atividades nas áreas de economia, educação, tecnologia, turismo e esporte.

Desde 16 de agosto, até 5 de outubro, artistas e produtores poderão se inscrever para participar do processo de construção da programação do Ano do Brasil em Portugal. Serão selecionadas 72 atrações musicais para compor a programação do Espaço Brasil, de janeiro a junho de 2013, através do Edital de Música Ano do Brasil em Portugal.

Há, também, o Edital de Chancela, pelo qual se pode inscrever atividades em outras modalidades de arte que não a música.

É uma ótima iniciativa de fortalecer a integração entre os dois países irmãos. Estou inclinado a inscrever algum projeto dentro da literatura, pois pretendo ir para Portugal ainda este ano. Não vejo a hora de voltar à terrinha, para ficar mais tempo e conhecer mais, porque há muito para se ver em Portugal.

E participar do Ano do Brasil por lá.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O MEC E A MUDANÇA NO ENSINO MÉDIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com


O MEC – Ministério da Educação – está querendo, e não é de hoje, “fundir” as atuais treze disciplinas do ensino médio em apenas quatro “áreas”: ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática. Só que não definem, não esclarecem quais as matérias entram em cada uma das “áreas”. Será que na miscelânea não vai sobrar nada? Justificam a mudança com a desculpa de que as matérias que compõe o currículo atualmente estão muito “fragmentadas”. Penso que se dessem mais atenção à educação nacional, se investissem mais, o ensino estaria muito melhor.


A verdade é que o projeto de mudança voltou à baila depois que saiu o resultado do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2011, nada bons, evidenciando a baixo nível da nossa educação pública. A mudança até poderia ser promissora, se tivéssemos um Ministério da Educação que funcionasse, que priorizasse o ensino no país. Mas ninguém acredita que a implantação do projeto seja pelo menos razoável, pois a educação brasileira está em franca decadência, para não dizer falência. Os professores não são bem pagos, nem sempre são qualificados, não são em número suficiente para atender o grande número de estudantes da escola pública, os espaços físicos nem sempre tem manutenção – existem escolas caindo aos pedaços, sendo até desativadas – e também falta equipamentos. Além disso, o tal projeto, segundo disse representante do MEC, necessitaria de período integral para ser eficaz. Se o país não dá conta de ensinar suas crianças em meio período, como vai conseguir em período integral? Seria muito bom, com certeza. Mas o “poder público” vai investir nisso? Até agora vem investindo cada vez menos.

Então a impressão que dá é que o ministro Mercandante – estamos bem, sai Haddad e entra Mercadante – quer “diminuir a dificuldade” de aprendizado dos estudantes do ensino médio e mascarar a falta de qualificação de alguns professores mal pagos e mal selecionados, para que seja feita uma boa prova do ENEM e, assim, os resultados passem a ser bons, e o governo possa gastar mais dinheiro em propaganda dizendo ao povo que a educação brasileira é modelo, que tudo vai bem e assim por diante.

O que precisamos é a valorização dos professores, mais qualificação, mais reconhecimento, mais respeito pela educação pelos donos do poder. Precisamos de mais escolas e mais professores, quando o que ocorre é o contrário: escolas sem condições de uso são parcialmente ou totalmente desativadas, obrigando as outras a diminuírem as horas de aula das turmas, pois não há outra alternativa senão aumentar os turnos, tendo que receber mais alunos.

Corremos o risco de, havendo mais essa mudança, termos um segundo grau reduzido a cursinho para fazer a prova do Enem. Precisamos nos mobilizar para que isso não aconteça.



terça-feira, 14 de agosto de 2012

LETRAMENTO

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Leio a pesquisa dos alunos do Curso de Letras da Faculdade de Jaraguá do Sul, sobre a análise de desempenho em práticas sociais de leitura e escrita, por alunos em fase de conclusão do Ensino Médio do Centro de Educação de Jovens e Adultos e percebo a importância de se avaliar e mensurar a eficiência da educação que estamos oferecendo aos nossos estudantes, desde a idade mais tenra até a preparação para o Vestibular.A pesquisa é um estudo sério e consciente, com perguntas simples dirigidas aos estudantes, para que se possa determinar o nível de "letramento" do jovem e do adulto de uma cidade que poderia, por amostragem, espelhar uma tendência brasileira. Vale esclarecer "nível de letramento", conforme mencionado na pesquisa: se o estudante está apenas alfabetizado ou se ele sabe utilizar a leitura na vida prática, decodificando e interpretando de maneira correta o que lê, sabendo comunicar-se efetivamente.Apesar dos conteúdos programáticos das escolas privilegiarem um equilíbrio pelo menos teórico do ensino da língua com a prática da escrita e da leitura, a pesquisa mostra que os estudantes, um índice significativo deles, já no nível médio, ainda têm dificuldades com interpretação de textos e, paralelamente, com o registro de idéias.Parte dos alunos entrevistados da mostra aleatória declararam ler livros, revistas e jornais, mas as respostas se conflitaram, pairando dúvidas sobre se realmente liam o que foi afirmado. Cai em evidência, mais uma vez, aquilo que suspeitamos cada vez que falamos de leitura: a escola, de um ponto de vista global, não está incentivando a formação de leitores. Falamos já em outras oportunidades, da prática contraproducente de obrigar os alunos a lerem determinados livros, por parte de professores de língua e literatura, o que causa prevenção ao invés de propiciar a criação do hábito e gosto pela leitura.E a pesquisa nos mostra que não é só isso. Os estudantes não sabem ler documentos simples, presentes no cotidiano de pessoas comuns, como formulários, mensagens, avisos, etc.Outro fato importante levantado pela pesquisa, que corrobora o que se constatou a respeito da falta de habilidade de leitura dos alunos, incompatível com suas idades, é que a escola privilegia o ensino da escrita, relegando a leitura a segundo plano.A escola precisa ensinar o aluno a ler e precisa incentivá-lo se “tornar-se um leitor competente e autônomo dos vários gêneros de discurso, do cotidiano ou não, que fazem parte da cultura letrada contemporânea”. Assim, os leitores em formação, incentivados desde o início do primeiro grau, tornar-se-ão leitores efetivos. A escola precisa trabalhar o letramento do estudante com mais dedicação, para que tenhamos mais leitores eficientes e efetivos e que dominem uma escrita mais clara, objetiva e correta. E quando digo “escola”, quero dizer que os mantenedores da escola precisam pagar melhor os professores, para que eles sejam melhor qualificados e tenham motivação para fazer um bom trabalho.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A SERRA GAÚCHA E O INVERNO



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


O último final de semana foi bastante quente – trinta graus, vejam vocês – na serra gaúcha. Apesar de estarmos em pleno inverno. Mas foi muito bom passear por Nova Petrópolis. Primeiro, a viagem foi ótima, pois desta vez não fomos por Lages, Vacaria, 116. Fomos pela 101 e depois pela Rota do Sol. A 101 está mais tranquila, embora haja trechos que não estão duplicados, mas é uma viagem muito bonita. Passar por Laguna e outras cidades que ficam no caminho é muito bom. Laguna me lembra um pouco São Francisco do Sul, onde vivi por pelo menos uma década.

Mas voltando à Nova Petrópolis, tá certo que a temperatura estava elevada, não fazia frio nem à noite. Mas quem disse que não há flores no inverno? Quem disse que a época de flores é a primavera? Pois a serra, ou as cidades da serra gaúcha estão esbanjando cor e beleza em todo lugar, apesar de já ter dado geada por lá. E da braba, de dias a fio, tanto que as bananeiras estão todas queimadas, sequinhas sequinhas. É uma profusão de cores sem fim: amores perfeitos, boca de leão, e uma infinidade de outras flores pequenas enfeitando as cidades, além de manacás-da-serra (o jacatirão de inverno), pessegueiros em flor, cerejeiras japonesas, paineiras, ipês, etc. Sem contar que colhemos - e comemos direto do pé - laranjas, tangerinas, ponkãs - doces como mel.

E no meio de tanta beleza, o que mais? O Festival do Folclore, que terminou no domingo em Nova, e que trouxe bailarinos da várias partes do Brasil e de vários países para dançar no palco da rua coberta da belíssima praça da cidade. Foram mais de duas semanas de apresentações, uma mais bonita e interessante do que a outra. E de graça, para os habitantes da região e para os turistas que visitam a cidade. A praça ficava completamente tomada para assistir aos espetáculos.

Eu penso que o Festival do Folclore devia se chamar, na verdade, Festiva de Dança Folclórica, pois ele é um grande e verdadeiro festival de dança e, apesar de ter Nova Petrópolis como sede, ele já está alcançando as cidades próximas, levando espetáculos para cada uma delas.

De maneira que foi muito bom passear, de novo, por essa região belíssima. Ainda mais com a excelente acolhida de nossos anfitriões, o sogro João Pereira e dona Diva.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

CANÇÃO DE AMOR


Luiz Carlos Amorim

Vem, pai,

senta-te à soleira

do meu coração

e me conta

uma história de vida.



Encosta a tua cabeça

num pedacinho da minha alma

e me canta

uma canção de ninar.



Depois, diga-me, por favor,

um poema de amor,

um daqueles

que quase ninguém disse,

e só você pode me dizer...







quarta-feira, 8 de agosto de 2012

UMA SECRETARIA DE CULTURA PARA SC

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br 


Para compensar a má notícia que leio hoje no jornal, de que a biblioteca que foi montada no Hospital Universitária, pela enfermeira Eva Seitz, batizada de Sala de Leitura Salim Miguel, foi fechada, porque a sua criadora vai ficar fora do hospital por seis meses, encontro uma outra notícia na área da literatura.

O presidente da Academia Catarinense de Letras, escritor Péricles Prade, que foi reeleito recentemente, fala de seus planos de abrir mais a entidade para a comunidade. Nos planos para a sua nova gestão frente à casa, estão cursos e oficinas de literatura abertos ao público em geral, um concurso para publicação de obras inéditas, que deve ser lançado ainda este ano, além de exibição de filmes expressionistas e uma exposição em homenagem a Sérgio Bonson, chargista do antigo jornal O Estado.

Ele defende, ainda, mais do que ninguém, a criação de uma Secretaria de Estado exclusivamente para a Cultura, pois o modelo atual, com apenas uma secretaria que responde pela cultura, pelo turismo e pelo esporte. O que faz com que a cultura fique em último plano, com o Estado deixando de valorizar o que é nosso.

Ele reivindica, como também temos feito insistentemente, mais apoio do Estado à cultura, à literatura. A cultura, em Santa Catarina, atualmente se resume na atuação da Fundação Catarinense de Cultura, que também não tem funcionado nada bem nos últimos tempos. A sua sede, o Centro Integrado de Cultura, por exemplo, esteve fechada por três anos, em razão de uma reforma que só consumiu dinheiro público, mas não andava. Hoje a tal reforma parece que está caminhando – prometeram a entrega do Teatro do CIC, que ficou fechado por mais de dois anos sem que estivessem fazendo nada nele, para setembro – embora ainda vá devagar, pois já temos mais de um ano e meio do novo governo e neste período um pouco mais já poderia ter sido realizado.

Então a Academia Catarinense de Letras está, mais do que nunca, engajada nessa luta de se conseguir uma Secretaria só para a Cultura, para que se cuide melhor daquilo que é a maior riqueza de um povo. Para que não se dê importância apenas à outras artes – dança, cinema, música, artes plásticas – mas se dê valor também à literatura.

A literatura anda tão abandonada que o Concurso Cruz e Sousa está esquecido, teve uma edição há alguns anos, depois de um longo e tenebroso inverno e voltou, infelizmente, ao ostracismo. A Lei Grando, que instituiu a compra de livros de escritores catarinenses para serem distribuídos às bibliotecas municipais de todo Estado, foi cumprida uma única vez, com um edital lançado há quase três anos atrás. E olhem que a lei tem quase vinte anos.

Então saber que a Academia Catarinense de Letras está sendo aberta ao público, com atividades para integrar a comunidade, é muito alvissareiro. Além de insistir na criação da Secretaria de Estado da Cultura, claro.

Precisamos, nós escritores e agentes de cultura, nos unirmos em torno disso. A nossa cultura merece mais respeito e reconhecimento.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

MAIS BIBLIOTECAS PÚBLICAS PARA FLORIANÓPLIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Hoje recebi uma mensagem com pedido para que eu aderisse a um abaixo-assinado solicitando que o poder público implante a Rede municipal de Bibliotecas Públicas em Florianópolis. É claro que assinei, pois temos uma biblioteca municipal, que fica no Estreito.

Penso que devemos, sim, nos mobilizar, pois parece que os políticos que regem os destinos da cidade (e do Estado, também) dão muito pouco valor à cultura. No âmbito municipal, apenas uma biblioteca numa capital com quase meio milhão de habitantes. A Biblioteca Estadual já correu o risco de fechar suas portas, no governo anterior. Ainda no âmbito estadual, não existe uma Secretaria de Cultura. A cultura está encalhada na Secretaria de Esporte e Turismo, que também é de Cultura. A Fundação Catarinense de Cultura tem trocado muito de administrador ultimamente e as reformas que começaram por lá há mais de três anos tem absorvido muito dinheiro público, mas só agora é que algumas coisas estão voltando a funcionar. O teatro do CIC ficou fechado mais de dois anos, sem que nada estivesse sendo feito nele.

Então percebe-se que nem o Estado, nem o município dão importância à cultura. E deveriam. O município de Florianópolis gastou, há poucos anos, quase quatro milhões de reais num show com um grande astro da música erudita internacional, que nunca aconteceu. Nem o dinheiro foi devolvido. Gastaram também quase o mesmo valor numa árvore de Natal, acreditem se quiser. Essa é a cultura com a qual gastam o dinheiro público. Precisamos prestar atenção nas próximas eleições, para os planos de governo dos candidatos. O que eles pretendem fazer em favor da cultura na capital? É preciso que se considere isso, também.

É necessário, portanto, que se cobre mais bibliotecas públicas na capital. Unamo-nos para que a Rede de Bibliotecas Públicas em Florianópolis torne-se realidade, com bibliotecas que contemplem, no mínimo, as seguintes qualidades: a) estar a uma distância não superior a três quilômetros das residências do bairro; b) ter equipe profissional em padrões recomendados pela UNESCO; c) contar com edifícios - tecnologia - ambiente e atividades compatíveis com públicos de todas as idades.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

DE CULTURA E DE JACATIRÃO



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Chegou-me, hoje, pelo correio, exemplar do jornal Folha do Meio Ambiente, publicado em Brasília, com um belíssimo presente: uma crônica do escritor joinvillense Jurandir Schmidt. Poeta e cronista dos melhores, ele é colaborador daquele jornal há muito tempo, preocupado que é com o meio ambiente e a ecologia.


E sabedor da minha preferência pelos jacatirões, Jurandir me dedica uma crônica belíssima, que na verdade eu nem sei se mereço. Fico muito honrado e feliz por uma homenagem tão bonita, vindo de um escritor que começou conosco nas lides literárias, em Joinville, participando do Grupo Literário A ILHA e publicando, ele próprio, revistas de poesia, e que hoje é um nome importante nas nossas letras, publicando seu trabalho em jornais e revistas de outros estados. Ele é o cantor do homem da terra, do campo, do verde e da manutenção do meio ambiente. Seu brado tem ecoado por todo o Brasil e muitos têm se unido a ele, em uníssono, por um mundo melhor, por um futuro mais humano e feliz.

Agradeço ao poeta pela deferência e compartilho com ele a minha paixão pelo verde, a minha admiração pela flor do jacatirão, o amor pela natureza.

Clique na imagem acima para ler a crônica do Jurandir.

domingo, 5 de agosto de 2012

OLIMPÍADAS, MENSALÃO, FUNK...

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Eu não ia tocar nesses assuntos, mas hoje não dá pra segurar. É muita coisa junta. Tá todo mundo acompanhando a Olimpíada? Pois então. O Brasil perde uma competição atrás da outra. O primeiro dia em Londres foi uma beleza, uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze. Mas já estamos caminhando para o final do evento e as medalhas custam cada vez mais a aparecer. Apareceram mais algumas de bronze – e não estou desdenhando, pois elas também são importantes – mas as chances de ouro e prata vão se desfazendo uma após a outra. Vamos ver se as coisas melhoram durante a semana. Deus queira.

Não culpo os atletas, não, eles são uns heróis, mesmo aqueles que não ganharam nenhuma medalha. O poder público devia apoiar mais essa gente dedicada, esforçada, para que pudessem representar melhor o país. Não adianta a dona Dilma viajar para Londres para posar ao lado dos atletas, isso não dá a eles a perspectiva de competir em condições de igualdade com os concorrentes de países que dão infraestrutura para que aqueles que vão representar os seus nomes treinem dignamente.

Outra coisa que vi, mas não sei até que ponto foi acertado, foi a Dança dos Famosos. Sim, eu vejo a Dança dos Famosos, quando tem, porque é a única coisa que dá pra ver no domingo, na TV aberta. Deixei a Olimpíada de lado, um pouco, cansei de ver o Brasil perder tanto, e fui ver um pouco de dança, da qual gosto muito. Hoje o ritmo escolhido foi funk. Todos acharam o máximo, trazer o funk, uma dança com um certo estigma, para a televisão, num programa que adentra a casa de quase todas as pessoas por este país. Quando disse “um certo estigma”, acho que todo mundo entendeu: as letras das músicas, muitas delas, são de um mau gosto tremendo. A dança é muito “sexy” ou “erótica”, como diriam alguns. Mas o que pode não ter pegado bem foi obrigar atores e atrizes famosos a dançar o funk. Deu pra perceber, assistindo o programa, que pelo menos uma das atrizes, uma das famosas do programa ficou com vergonha de ter que dançar aquilo.

Talvez seja preconceito de minha parte, mas não sei até que ponto popularizar ainda mais esse tipo de música e de dança pode ser bom. Vamos ver o que a opinião pública vai dizer.

E pra terminar, todos vocês, caros leitores, perceberam que o tão decantado e esperado julgamento do Mensalão foi programado para acontecer exatamente depois de começadas as Olimpíadas, quando não se fala e não se vê outra coisa. Coincidência, não?

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

TORRADA É COR?

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Na minha última aula de dança antes de machucar meu pé – eu faço aulas de dança, sim, apesar de ser um péssimo dançarino – chegamos à academia, que foi pintada, por isso estávamos fazendo aula em outra sala que não a nossa, e soubemos que voltaríamos ao espaço que tínhamos antes.

Ao entrarmos na sala, verificamos a pintura nova e, além do branco das paredes maiores, percebemos alguns detalhes numa cor que oscilava entre o salmão e o pêssego. Perguntei a Renata, nossa dedicada e paciente professora, se aquela cor era salmão, pêssego, ou que outra cor poderia ser. Ela respondeu prontamente:

- Torrada!

- Torrada? – perguntei eu, pois ficamos todos sem entender. Você deve querer dizer queima. Queima de estoque. Você comprou em uma liquidação?

- Não, o nome da cor é Torrada.

A brincadeira virou piada. Aliás, não era brincadeira. Renata jurava de pé junto que a cor, conforme constava da lata da tinta, era Torrada.

- Renata, está mais para torrada com patê de salmão, ou torrada com salmão defumado. Mas torrada, só, não dá.

Renata, no entanto, não arredou pé. Nem eu, nem ninguém ali, jamais vimos uma torrada daquela cor, meio alaranjada, meio avermelhada, mais para o pêssego e salmão, mesmo. Mas como disse a esposa do Seu Airton, dona Eli, uma senhorinha amabilíssima, um doce de criatura, estão rebatizando todas as cores com uns nomes meio esquisitos, então...

Mas que não tinha cor de torrada, não tinha. E a discussão durou bem uns dez minutos até que começássemos a dançar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

VENDA E ENTREGA DE PRODUTO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiasecia.xpg.com.br


A novela das operadoras de celular, já velha, com muitos capítulos emocionantes já exibidos, nos presenteia com uma nova reviravolta em sua trama. Dona Anatel proibiu quase todas as operadoras de vender novos chips para celulares em vários pontos do país – umas em alguns estados, outras em outros – até apresentarem planos para melhorar o produto entregue aos clientes, assim como o atendimento pós venda. Aqui em Santa Catarina a coisa foi meio estranha, pois as piores operadoras são a Tim e a Oi, mas quem teve as vendas interditadas foi a Claro.

Pelo visto as tais operadoras já apresentaram os planos de melhorias para colocar em prática, pois a Anatel anunciou, hoje, que elas voltam a operar normalmente com venda a partir de segunda. Espera-se que as coisas mudem, já que as operadoras de telefonia são as campeãs de reclamação no Procon e na própria Anatel.

A Anatel deveria fazer a mesma coisa com as operadoras de Internet. Os provedores começam a operar, montam seus servidores para uma determinada quantidade de clientes. Acontece que eles vão vendendo novas contas, o número de clientes vai aumentando, ultrapassa o quantidade que os servidores suportam e essa base de operação/distribuição não é ampliada. E o cliente se vê às voltas com a diminuição da sua velocidade contratada e não adianta reclamar que os problemas só aumentam.

De maneira que a dona Anatel, responsável por fiscalizar a telefonia, a TV paga e a internet, deveria fazer o que fez com a telefonia: se o provedor ultrapassou a quantidade de clientes que a sua base suporta, não deveria mais vender novas contas, até adequar seus servidores.

Quem sabe poderíamos ter uma internet coerente com o que contratamos.

SAUDADES DA ESCOLA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Com a crise na educação brasileira, com o sistema de ensino cada vez mais deficiente – não por culpa dos professores, é bom que se frise, mas sim pelo descaso dos donos do poder – volto a lembrar da minha primeira professorinha, dona Elizabete Voltolini, uma professora com P maiúsculo.


A professorinha que ensinava os pequenos estudantes da escola estadual da pequena Corupá a ler e a escrever, tinha uma didática perfeita, eficiente e eficaz. Naquele tempo não havia jardim de infância, pré-escolar, nada disso. As crianças entravam direto no primeiro ano do primeiro grau, que naquela época, nos anos sessenta, chamava-se Primário (os quatro primeiros anos escolares) e os alunos da professora Elizabete saíam dali para o segundo ano já sabendo ler e escrever.

Já devo ter mencionado isso em outra oportunidade, mas ela tinha uma característica toda própria, que agradava muito a todos nós, alunos, que era começar a contar uma fábula, uma história, um conto, no início da aula e, com isso, ela costurava todas as matérias, passando de uma atividade a outra sem que a gente nem percebesse. Uma habilidade excepcional de prender a atenção dos alunos, conseguindo assim ensinar-lhes sem nenhuma dificuldade.

Outra coisa era o capricho no caderno de tarefas, onde ela montava toda a aula a ser dada, cuidadosamente preparado, inclusive com ilustrações que ela própria fazia com lápis de cor. Eu gostava demais dos pés de taboa e suas flores marrons que ela desenhava magistralmente.

Não sei quanto era pago para a professora nos ensinar com toda aquela dedicação, mas não acho que fosse muito. O que não a impedia de fazer um trabalho da melhor qualidade. Hoje a educação já não tem a excelência que a professora Elizabete emprestava ao ensino público. Hoje nem todos os professores são qualificados como ela, embora a preparação deles devesse ser melhor, agora, pois seria normal esperar uma evolução. As escolas públicas estão caindo aos pedaços, não têm os equipamentos necessários para os professores desenvolverem o seu trabalho, professores esses que precisam brigar por salários dignos, embora haja leis específicas para tal, que não são cumpridas.

Saudades da nossa escola, das suas aulas, professora Elizabete. Saudades da educação que a senhora tão bem praticava naqueles tempos. Bons tempos.