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domingo, 27 de janeiro de 2013

ORQUESTRAS



   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor –Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

No sábado, assisti aos Grandes Concertos, às 21h30min, no Festival de Música de Santa Catarina, em Jaraguá do Sul. Um espetáculo grandioso, com a apresentação de orquestras formados por alunos e professores. Aliás, sexta também foram apresentados números com orquestra, assim como no Memento Springmann do sábado, quando foram apresentadas músicas compostas especialmente para o festival.

Os Grandes Concertos de sábado nos brindaram com nada menos do que a Sinfonia número 4 em Mi Menor, de Brahms, e Concerto para violino e orquestra, de Samuel Barber.

Não consultei o programa e perdi um horário que só existe aos sábados, “Concertos de Sábado”. Uma pena, pois não pude apreciar a Sinfonia número 2, de Beethoven e o Octeto para Sopros, de Haydin. Na próxima semana, não perco.

Neste domingo, nos Grandes Concertos, a Banda Sinfônica do Femusc apresenta grandes peças de Alfred Reed, Alexander Arutiunian, Steven Reineke e Alan Gorb.

Os teatros do Scar tem ficado lotado todos os dias. Aliás, tem gente ficado no lado de fora, contrariando aquele mito de que o público em geral não gosta de música clássica.

sábado, 26 de janeiro de 2013

A CIDADE DA MÚSICA

 


 

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A sexta na cidade da música, Jaraguá do Sul, foi excelente. Às sete, no Momento Springmann, a música de Villa Lobos, mais uma vez, encantou a todos. Dessa vez foi o “Canto do Cisne Negro. O outro número da edição foi o grande Mozart, com “Quinteto para piano, oboé, clarineta, fagote e trompa”. Foi soberbo.

Logo depois, nos Grandes Concertos, mais uma ótima seleção: “Abertura As Hebridas”, de Mendelssohn e a Sinfonia n. 5 em Dó Sustenido menor”, de Mahler. A peça de Mendelssohn, embora curta, é de uma beleza infinita. A sinfonia de Mahler, uma obra de fôlego, de mais de uma hora de duração, espetacular. Quero aproveitar e externar a minha gratidão e admiração pelos músicas daquela orquestra formada por músicos que vieram de todo o Brasil e de outros países mostrar a sua música aqui em Jaraguá, para nós, que amamos o som divino do erudito. Eles tocaram quase uma hora e meia, estavam cansados, mas suas performance foi excepcional.

Um espetáculo à parte foi o Concertos para Famílias do sábado, ou “Zoológico Musical”, um espetáculo para se levar as crianças, pois na meia hora antes do concerto, os músicos ficam com seus instrumentos na plateia, para que os pequenos possam perguntar e mesmo tocar. É muito interessante e a criançada corresponde, participa, se encanta.

Espetacular mesmo foi o concerto que veio a seguir, com os estudantes e professores do Femusc, que intepretaram As Travessuras de Till Eulenspiegel, de Strauss, Sonhos de uma noite de Verão, de Mendelssohn e outras peças famosas, como Marcha Nupcial. Mas não era só o prazer de ouvir a boa música. O maestro argentino, Norberto Garcia, veio reger a orquestra caracterizado de astronauta e ele, alguns outros personagens e as músicas iam contando uma história, com muito humor, que encantou crianças e adultos.

Uma manhã memorável, no exato sentido da palavra. No próximo sábado teremos a continuação do Zoológico musical.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

SCHUBERT PARA TODOS


 
   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Minha segunda noite de Femusc foi ótima. Consegui ingressos, cheguei antes de começar o espetáculo e pude apreciar tudo o que os Grandes Concertos da quarta poderiam me oferecer.

Não fiquei no mezanino, fiquei na plateia bem pertinho do palco e gosto muito disso, pois posso ver a emoção e a energia fluindo nos olhos, nos rostos, nas mãos dos músicos tocando seus instrumentos e interpretando as obras de grandes compositores. O Grande Teatro do Scar realmente é um teatro muito bom e ajuda a gente a usufruir melhor da performance de músicos vindos de diferentes partes do Brasil e também de outros países. Porque música, além de tudo, é integração.

Nesta quarta tivemos, como primeiro número, harpa e violoncelo, numa performance muito boa .Em seguida, veio “Lâminas Líquidas”, executada em um instrumento de percussão bastante grande e do qual não sei o nome e que, sinceramente, não me agradou. Pareceu-me um laboratório, um experimento musical, que valeu pelo conhecimento da novidade. Não sou crítico musical, é bom que se diga, falo do festival como apreciador da boa música, como ouvinte, para divulgar um grande evento.

Depois foi a vez de “Peças de Fantasia – Op. 73”, de Schumann, com piano e oboé, e estava excelente. Mas o ponto alto da noite foi o “Quinteto A Truta”, para piano e cordas, de Schubert. Não medi o tempo, mas o concerto do quinteto levou mais ou menos meia hora e poderia durar mais, porque foi sublime. Schubert é um grande mestre da música erudita e não precisa de qualquer apresentação, e mais a magistral interpretação dos cinco músicos, foi um privilégio poder estar lá, para ver e ouvir essa divina combinação. Foram aplaudidos de pé, é claro, com toda a justiça.

Ontem comentei que as informações das apresentações da noite estavam sendo mostradas no telão no fundo do palco, nos intervalos dos números, e que isso era uma boa novidade, já que nos anos anteriores as telas eram muito pequenos e quase não dava pra ler. Só que hoje as informações do dia sobre quem se apresentava tocando o que só foram colocadas no telão no início do espetáculo. Uma pena.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

MEU PRIMEIRO DIA DE FEMUSC

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

No último domingo, começou o Femusc, em Jaraguá do Sul. O Festival da Música de Santa Catarina é o paraíso dos amantes da boa música e a cidade respira música todos os dias, o dia inteiro. Há concertos em vários pontos, de manhã, no começo da tarde, no meio da tarde, no final da tarde, de noite. Vem músico e ouvinte de todo o Brasil e até de outras partes do mundo, para usufruir desse privilégio único de ouvir música instrumental, notadamente a clássica.
Eu, infelizmente, por motivos alheios a minha vontade, não pude vir na segunda-feira para Jaraguá e na terça quase que não chego. Passei quase o dia inteiro na rua, pois o carro não colaborou. Mas cheguei, no final da tarde e fui direto ao Scar para pegar convites, mas para esta terça já não havia mais. Fui informado de que, se eu estivesse no teatro 10 minutos depois de o Grande Concerto começar, se houvesse lugar vago eu e quem estivesse lá esperando poderia entrar. Fui e esperei terminar o primeiro e segundo números para entrar, mas valeu a penas. Há que se esperar o intervalo para entrar e assim não atrapalhar o espetáculo. Está certo.
O que irritou foi uma senhora que também estava esperando, quando chegamos à porta da parte superior do teatro. Perguntei se não havia mais lugares, pois havia várias pessoas esperando e ela imediatamente fez um “psssss”, sem responder o que eu havia perguntado. Tudo bem que não fizéssemos barulho ali na porta do teatro, mas primeiro que estávamos do lado de fora e não dá pra ouvir nada lá dentro. Segundo que, se ela houvesse respondido, na primeira vez que perguntei, não precisaria ter feito “psss”, que ela fazia insistentemente, irritantemente, para qualquer um que abrisse a boca.
Mas entramos e o número seguinte foi excelente. O último, então, era “Quarteto n. 3 em Mi Bemol Maior”, de Tchaikovisky. Eu gosto muito de Tchaikovsky, sempre gostei, e o quarteto de cordas que estava tocando foi fenomenal. Pra variar, tive o azar de estar sentado perto de um casal que insistia em conversar durante a execução da belíssimapela do grande mestre. Sem contar que alguém, atrás de nós, fungava repeditamente. É uma pena que algumas pessoas não tenham um pouco de respeito por quem está ali para ouvir músicos excelentes, música de qualidade, coisa que só temos agora, nesta época, pois fora disso raramente há. É um privilégio poder ter a opotunidade de estar aqui em Jaraguá para assistir ao Femusc, então acho que se alguém não tem interesse suficiente na música que está sendo executada, deveria ficar em casa, para conversar livremente, ou ir a um barzinho, sei lá? Se não tivermos respeito em relação ao próximo, como esperarmos que tenham respeito conosco?
Mesmo com a conversa e os fungados zunindo nos nossos ouvidos – meu e das outras pessoas que estavam em volta – o concerto foi belíssimo. A performance do quarteto de cordas foi divina. Além disso, percebi, neste meu primeiro dia de Femusc, uma melhora na informação sobre quem está tocando o que no palco. Até o ano passado havia duas telas pequenas, uma em cada lado do palco, com informação em letras pequenas, que só podiam ser lidas por quem estava nas primeiras filas. Este ano as informações aparecem num telão no fundo do palco, visível para todo mundo nos intervalos dos números e as telas laterais não são tão pequenas quanto as do ano passado.
Quem venha mais Femusc, que venha mais música. Até o dia 2 de fevereiro tem mais. Graças a esses músicos maravilhosos que vem à Jaraguá do Sul e seus instrumentos fantásticos.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O VOCABULÁRIO COMUM DA LÍNGUA PORTUGUESA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br   

Escrevi, recentemente, um artigo sobre a prorrogação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, no Brasil, até concordando com o fato, mas porque não havia encontrado nenhuma evidência de que o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa estivesse sendo elaborado, já que ele era requisito imprescindível para que a reforma entre em vigor em todos os países envolvidos.
Então o artigo foi lido por pessoas especialistas no assunto, que estão envolvidas na elaboração do Vocabulário Comum e tive informações, a princípio, seguras. Foi uma agradável surpresa saber que o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa está, finalmente, sendo elaborado, os representantes dos países onde o português é falado estão se reunindo  para chegar a um vocabulário comum. Os trabalhos estão sendo coordenados pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa, da Comunidade dos Países da Portuguesa, “ com o objetivo de estabelecer regras de escrita comuns e não determinar uma língua comum, uma forma comum de se falar ou sequer uma forma gráfica igual para todas as palavras da língua portuguesa.“

Acho complicado afirmar “precisamos de um vocabulário comum a todos os países de língua portuguesa, mas não para determinar uma língua comum”, pois parece contradição; que o objetivo é “estabelecer regras de escrita comuns”, mas não “uma forma gráfica igual”, pois parece redundância. Mas creio que isso se refere ao fato de que várias palavras com mesmo som são escritas de maneira diferente, já que o “c” e “ss” têm o mesmo som, “z” e “s”, em alguns casos, também têm o mesmo som, etc.

Ou porque o acordo prevê, entre outras coisas, diferente do que acreditávamos: “BASE IV - DAS SEQUÊNCIAS CONSONÂNTICAS:
1º) O c, com valor de oclusiva velar, das sequências interiores cc (segundo c com valor de sibilante), cç e ct, e o p das sequências interiores pc (c com valor de sibilante), pç e pt, ora se conservam, ora se eliminam. Assim:

a) Conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da língua: compacto, convicção, convicto, ficção, friccionar, pacto, pictural; adepto, apto, díptico, erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto.
b) Eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua: ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo.

c) Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção.
d) Quando, nas sequências interiores mpc, mpç e mpt se eliminar o p de acordo com o determinado nos parágrafos precedentes, o m passa a n, escrevendose, respetivamente, nc, nç e nt: assumpcionista e assuncionista; assumpção e assunção; assumptível e assuntível; peremptório e perentório, sumptuoso e suntuoso, sumptuosidade e suntuosidade.”

Vale acrescentar, também considerando o que esclarece a transcrição acima, que a imprensa em Portugal vem seguindo, na sua maioria, o Acordo Ortográfico, assim como a televisão, o sistema de ensino, instituições e empresas privadas, conforme informação de pessoas residentes em Portugal.

De maneira que é razoável a justificativa da propositora da prorrogação do Acordo Ortográfico no Brasil, Ana Amélia Lemos, para o início de 2016, para se alinhar ao prazo de validação em Portugual.

 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O ESTADO DA EDUCAÇÃO E DA SAÚDE EM SC


   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O Estado parece não estar dando muita importância à falência da saúde e da educação catarinenses. Primeiro foi a denúncia do caos que vem reinando nos nossos hospitais, notadamente no Instituto de Cardiologia. Falta de médicos, pessoas internadas nos corredores, sentadas em cadeiras, esperando por cirurgias. Coisa comum em outros hospitais, como Celso Ramos, Hospital Regional e tantos outros. Mas isso não é de agora e o Estado não tem tomado providências, apesar de integrantes do grupo que administra a saúde estadual terem declarado que tudo estava sendo providenciado e regularizado. Aliás, seria hilário se não fosse trágico: num dos primeiros dias após a denúncia, um dos responsáveis pela saúde declarou que 200 profissionais seriam deslocados do Hospital Regional – foram contratados durante a greve do setor e estariam sobrando – para o Instituto de Cardiologia. No segundo dia, já dizia que seriam 180 os funcionários enviados; num terceiro dia baixou para cento e quarenta. Não sei se já enviaram os “excedentes” para o Instituto, mas espero que sim, pois se demorar um pouquinho mais, só irão uns dois ou três. E olhe lá.

Agora é a educação. A TV mostrou, de novo, as escolas estaduais sucateadas, caindo aos pedaços, interditadas com o promessa do Estado de que seriam reformadas durante o período de férias escolares. Já estamos quase no fim de janeiro, falta menos de um mês para iniciar o ano letivo e muitas crianças não terão onde estudar, pois o governo nem sequer iniciou as reformas. Isso documentado, mostrado ao vivo e a cores. As escolas estão fechadas, nenhum obra está sendo feita, nada foi sequer começado.

Para onde irão as crianças que estão matriculadas nessas tantas escolas? O que o Estado está esperando para fazer a manutenção de escolas que não têm a mínima condição de receber os estudantes? Vai diminui ainda mais o horário dos turnos, para continuar empurrando com a barriga e colaborar mais um pouquinho para a derrocada total do ensino fundamental e médio?

Que governo é esse, que não está nem um pouquinho preocupado com a educação, com a saúde, com a segurança em nosso Estado, que não esta fazendo o seu trabalho, qual seja o de garantir o bom funcionamento de escolas, hospitais, etc?

Alguém precisa lembrar os excelsos governantes de Santa Catarina que está na hora de parar de falar e começar a fazer o seu trabalho. Vejo propagandas do governo na televisão, nos jornais, gabando-se de obras em vários setores, por todo o Estado. Porque não pegam o dinheiro usado para produzir e veicular essa publicidade – que é bastante dinheiro, diga-se de passagem – e usam para reformar escolas, hospitais, pagar médicos e professores?

Chega de descaso e mentiras. É hora de trabalhar, de empregar bem o dinheiro público, usá-lo como deve ser usado. Porque dinheiro público é dinheiro pago pelos cidadãos catarinenses em forma de impostos. E temos direito ao retorno. O Estado tem o dever de prover a educação, a saúde, a segurança, etc. Não pense os senhores políticos que governam este Estado que o povo ainda acredita no que dizem. É preciso agir, fazer o seu trabalho. De maneira correta e honesta.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O VALE CULTURA NAS PEQUENAS CIDADES


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

O Vale Cultura, instituído pelo governo brasileiro, foi sancionado pela presidente em dezembro e será regulamentado brevemente. Como já disse em outra crônica, o Ministério da Cultura está aceitando sugestões, opiniões, etc., para decidir o que, exatamente, será pago com o cartão, pelos beneficiários do mesmo.


A arte e cultura será o prato principal, mas as pequenas cidades brasileiras, que são a grande maioria, sem sombra de dúvida, não têm cinema, teatro, museus, academias de dança, nem biblioteca ou livraria.

Então onde o povo das cidades interioranas usarão seu cartão? Se o Vale vingar, fico imaginando que o produto cultural que pode ser o mais fácil de adquirir pelos beneficiários das pequenas cidades é o livro, pois ele pode ser comprado pela internet e entregue pelo correio.

Isso é ótimo, mas implica em outras providências. Se o Vale pode possibilitar que se venda mais livros aos brasileiros, precisamos de mais leitores, precisamos incentivar o gosto pelo leitura, precisamos incutir o hábito de ler.

Precisamos resgatar a educação, resgatar a qualidade do ensino de primeiro e segundo graus, para que a leitura mereça mais espaço na sala de aula. O ensino público precisa ser valorizado: as escolas têm de contar com manutenção constante, os professores têm que ser melhor qualificados, pois com o declínio da educação brasileira as faculdades também acabaram sendo afetadas e os profissionais que estão sendo colocados no mercado não estão tão bem preparados como deviam para desempenhar suas profissões aqui fora, no mundo real, seja qual for o ramo. E o professor precisa ser mais bem remunerado, para que tenha motivação e ânimo para transmitir conhecimento aos nossos leitores em formação.

Então precisamos que a escola faça com que as nossas crianças aprendam a ler e a escrever com efetividade, que dê aos leitores em formação a oportunidade de conhecer a boa literatura, para que possam gostar dela e passem a ter o hábito de ler. E quando falo em “boa leitura”, não quero me referir apenas aos clássicos da literatura. Refiro-me, também, às obras e autores contemporâneos, inclusive os regionais.

De maneira que, como disse o Ministério da Cultura, o Vale Cultura pode ser bom para todo mundo, mas para que se venda mais livros, citando apenas uma das artes contempladas no projeto, é preciso que tenhamos mais leitores.

E para que se consuma os outros gêneros de arte e de cultura, há que haver a oferta deles em todas as cidades. Senão, os maiores beneficiados, como sempre, serão os habitantes dos grandes centros.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

VALE CULTURA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Tenho lido notícias sobre o Vale Cultura e não posso negar que a ideia é boa. A verdade é que tanta coisa já foi prometida e transformada em lei pelos nossos governantes, mas na prática a realidade foi outra, que me perdoem os otimistas, mas só acredito vendo a coisa funcionar.


O Vale Cultura foi sancionado pela Presidente Dilma no dia 27 de dezembro de 2012, e concede um benefício de R$ 50 mensais aos trabalhadores que recebam até cinco salários mínimos por mês, para acessar (pagar) serviços e produtos culturais nas áreas de Artes Visuais, Artes Cênicas, Audiovisual, Literatura, Humanidades e Informação, Música e Patrimônio Cultural.

Será disponibilizado por meio magnético e não será permitida a troca do vale por dinheiro. Os trabalhadores que aderirem ao programa terão um desconto máximo de 10% do valor do vale sobre seus salários. Quer dizer: o “benefício” não é de graça. E entre os pontos que devem ser esclarecidos com a regulamentação está a definição concreta de serviços e produtos culturais que o trabalhador poderá consumir com o Vale Cultura.

Além do fato de, na prática, o cidadão ter que pagar uma parte do Vale – coisa que o poder público deveria proporcionar ao povo, sim, mas custeado integralmente pela enorme carga de impostos que pagamos – vem à tona o fato de que, a princípio, só os moradores de médias e grandes cidades terão como usar o cartão, pois a grande maioria das cidades brasileiras são pequenas e interioranas e muitas, mas muitas delas mesmo, não tem cinema, biblioteca pública, museus, mostras artísticas, teatro, nem mesmo livrarias.

Para regulamentar o Vale Cultura, a Ministra da Cultura foi à público, no último dia 9 de janeiro, para pedir a opinião, sugestões, críticas do cidadão, dos brasileiros que serão “beneficiados” com a novidade. Esse capítulo eu também já vi: A reforma de Lei de Direito Autoral também foi aberta à sugestões e opiniões, mas deu em nada. A tal reforma está na estaca zero até hoje, depois de anos de discussão.

O governo, é claro, está exultando com a injeção de 7 bilhões e tanto no mercado. Se possibilitar, realmente, escoar a produção artística e cultural em todos os lugares, ótimo, que a cultura está, até aqui, relegada a último plano pelo poder público. Mesmo à custa do trabalhador, que terá que pagar uma parte do benefício, a arte e a cultura terão um alento. Como eu disse, só acredito vendo. E espero poder ver isso funcionando.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

DIA DO LEITOR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br 


Hoje é o dia Nacional do Leitor. Eu nem sabia que existia este dia, mas gosto da ideia, pois é mais um dia no qual podemos aproveitar para refletir sobre o acesso à leitura por parte de todas as camadas da população.

Infelizmente, o número de leitores parece não ter a tendência de crescer, a julgar pela qualidade do nosso ensino, da nossa educação, que vem proporcionando cada vez menos que os leitores em formação saiam dos primeiros anos do primeiro grau gostando de ler. Pior, os estudantes do ensino fundamental estão chegando ao terceiro, quarto ano sem saber, efetivamente, ler e escrever. Nossas escolas públicas estão, literalmente caindo aos pedaços, os professores não são qualificados como deveriam e não são pagos condignamente e as próprias modificações que o poder público faz na educação – como mudar a maneira de alfabetizar as crianças, aumentar o prazo para que as crianças sejam alfabetizadas, tentando legalizar a falência do ensino, e transformar as 13 ou mais disciplinas do ensino fundamental e médio em apenas quatro áreas, numa óbvia tentativa de diminuir o conteúdo curricular, diminuindo ainda mais a qualidade que já era ruim.

Então nossos leitores em formação não são levados, infelizmente, a ter o hábito e o gosto pela leitura, com algumas exceções, pois conheço professores que fazem um trabalho excepcional neste sentido. A qualidade da educação brasileira tem que mudar, tem se elevar, o ensino fundamental e médio tem que ser olhada com mais carinho, com mais dedicação, com mais responsabilidade pelos nossos governantes, que parecem querer que o povo seja mais ignorante, para que não reivindiquem seus direitos.

A leitura abre as portas do conhecimento, da imaginação, da criatividade. A leitura abre as portas para o nosso futuro. Precisamos trabalhar para que mais e mais brasileiros tenham acesso ao livro, não só no sentido de fazer com que eles adquiram a capacidade e o gosto pela leitura, mas que possam comprar livros, esse produto que ainda é caro para a maior parte da população, ainda que usufrua de algumas isenções.

Você, que pode comprar livros, não os deixe guardados em prateleiras ou gavetas. Troque-os, doe-os, empreste-os. É assim, também dessa maneira, que podemos fazer a nossa parte e colaborar para que aumente o número de leitores neste nosso imenso Brasil. Se cada um de nós fizer um pouquinho, o resultado geral pode ser bem animador.



domingo, 6 de janeiro de 2013

PLÁGIO CONSENTIDO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br



Vejam vocês, plágio não é mais plágio. Vocês sabiam? Dois autores de grandes sucessos literários contemporâneos, ela alemã e ele francês, usaram trechos de outras fontes, como Wikipédia e blogs da internet, em suas obras. E isso não configurou plágio, eles classificaram como “estilo” e chamaram as cópias de “mix”. E os livros continuam vendendo.

Eu sempre usei trechos que não eram meus, em meus textos, entre aspas e com identificação do autor. Um exemplo recente é uma pesquisa que fiz sobre Fernando Pessoa e que coloquei no meu blog, mas não assinei.

Agora, juntar trechos daqui e dali, fazer uma colcha de retalhos sem dar crédito ao autor nem citar a fonte, passou a ser normal. É este o futuro da criação literária? Juntar pedaços de obras já existentes e montar uma nova? É pra este fim de túnel sem luz que caminha a literatura?

Sabemos que muito do que se produz no campo da literatura pelo mundo afora não tem qualidade para se transformar em sucesso, que a criatividade e a criação são dons de uns poucos, mas não é por isso que vamos ter passe livre para montar frankesteins literários.

Esperemos que a moda não pegue, embora alguns desses plágios já tenham feito muito sucesso, vendendo centenas de milhares de exemplares, como os dois romancistas do início do texto.

A originalidade é tudo. Não podemos nos apoderar impunemente da obra intelectual de quem quer que seja, isso é propriedade intransferível. Copiar a produção, o pensamento, a obra de outra pessoa e assinar embaixo como se nossa fosse, é roubo. E roubo é crime.



sábado, 5 de janeiro de 2013

CRIME CONTRA A SAÚDE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


A história escabrosa de milhares de latas de leites em pó especiais para crianças carentes, esquecidas em galpão da Secretaria de Saúde de São José, não pode ficar impune. A grande quantidade de leite que deveria ter sido distribuída para crianças de um programa social da Prefeitura Municipal de São José e que venceu no estoque, comprada com dinheiro público, é um crime que precisa ser apurado. Por que o leite não foi distribuído em tempo hábil, para quem precisava dele? Por que há leite vencido há mais de dois anos? Quem era o responsável pela distribuição? Quem deveria ter fiscalizado essa distribuição?

Mudou o governo municipal, mas isso não quer dizer que o governo anterior não possa ser responsabilizado. Ele tem que ser chamado às falas, sim, para explicar e resolver o problema. O dinheiro público gasto com o leite precisa ser recuperado e há, ainda, o prejuízo das crianças que ficaram sem a alimentação a que tinham direito.

E não me venham com aquela desculpa esfarrapada de que o fornecedor entregou o leite nove meses antes de vencer. Em nove meses dava para distribuir o leite, com toda a certeza. Isso foi negligência, crime, e como tal deve ser tratado.

Repito: não é só o dinheiro público que tem que ser devolvido aos cofres públicos. Os responsáveis têm que ser denunciados e punidos. Acho engraçado que nas matérias que têm sido feitas denunciando o caso, não se fala no governo anterior de São José. As “autoridades” responsáveis, estejam ou não no poder hoje, têm que ser chamadas e punidas.

Não dá para aceitar uma coisa dessas. Quando acontecia com donativos, que ficavam apodrecendo em galpões e depois jogados fora, nada aconteceu. E aquilo já era crime. O que dizer de alimento comprado com dinheiro público e que não chegou às mãos de quem precisava e tinha direito a ele, por culpa da negligência e incompetência de “adminstradores”?



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

PLÁGIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br 


Há muito tempo, desde que comecei a escrever, que faço palestras em escolas ou entidades culturais e tenho feito parte de corpos de jurados de concursos literários e seleção de textos para publicação. Já me aconteceu de encontrar textos - principalmente poemas - de autores consagrados, como Drummond, Vinícius, Cecília Meirelles e outros, assinados por alunos de primeiro ou segundo graus ou “poetas” novos. Encontrei até poemas meus, em versão integral, assinados por outra pessoa, copiados e assumidos por quem os enviou.

No caso dos estudantes, pode ser inocência, falta de esclarecimento, ingenuidade. Talvez achem que podem copiar o texto ou poema, colocando o próprio nome, como se isso indicasse apenas quem está enviando. A verdade é que isso é plágio, é crime. Não podemos assinar nada que não seja de nossa autoria. Podemos até citar, em nosso texto, trecho de autoria de outrem, desde que o coloquemos entre aspas e desde que revelemos o autor e a fonte. Copiar um texto de alguém e omitir o nome do autor já é grave, imagine apropriar-se da obra, assinando como se a tivesse criado.

Nós, professores, precisamos enfatizar aos nossos alunos de primeiro grau - e de segundo também – que não podemos nos apropriar da obra alheia, porque isso é roubo e podemos ser processados por isso e sofrer penalidades.

Não se pode, simplesmente, copiar alguma coisa de onde quer que seja, sem que copiemos também o nome do autor e, de preferência, sem deixar de citar o lugar de onde a copiamos. Seja de livro, de jornal, de revista, da internet, de qualquer lugar. E se não houver registro do nome do autor, isso não quer dizer que podemos nos apoderar do texto. Devemos colocar a fonte e citar que não havia anotação da autoria.

Sabemos que o plágio verdadeiro, proposital, de má fé grassa por aí – que há “escritor” que copia a obra de outrem e a passa adiante com se fosse sua. Eles precisam ser denunciados para que sejam brecados, punidos e para que essa atitude criminosa não seja, cada vez mais, banalizada. Para que não pareça natural aos nossos leitores em formação e escritores em potencial. Para que eles exerçam e valorizem a sua criatividade e respeitem a propriedade alheia.

O engraçado que, atualmente, já não existe só o plágio como conhecíamos até agora. Existe um outro, que não prejudica apenas o autor da obra, prejudica também o leitor, que confuso, acaba comprando um livro por outro. É famigerado “gato por lebre”, quando os editores publicam um volume com título e capa parecidos com um best-seller e o leitor é induzido a comprar, pensando que é o sucesso literário da hora.

Essa prática tem se tornado comum e não raro há um “clone” para obras de sucesso, como no caso dos livros de Don Brown, por exemplo. Aconteceu com muitos outros, mas os que estão nas livrarias atualmente são livros tentando vender no rastro de obras como “A Cabana”, “2012”, “Crepúsculo” e outros títulos.

É muito comum acontecer com pessoas que querem dar livro de presente, que tentam saber da preferência do amigo ou parente a ser presenteado e vão comprar, mas se não conhecerem bem a obra podem levar o item errado. Se acontecer com você, devolva. Mesmo que precise pagar a diferença, leve o original.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

PAZ

HOje é o Dia Mundial da Paz. Precisamos refletir sobre o assunto. Muito.


A PAZ QUE EU QUERO

 

  Por Luiz Carlos Amorim


Pra que a guerra?
Pra que revolta,
ódio, dor, ganância?
Eu quero a paz,
serenidade, amor,
quero asas povoando o céu...
Quero crianças correndo em meu caminho,
quero ouvir risos em todos os lugares,
quero sorrisos no rosto do irmão...
A paz, ah, a paz...
Não vá embora, amiga escorraçada.
Fica um pouquinho mais...
Inda há crianças por aqui,
anjos pequeninos,
brancos, negros, amarelos, pardos,
anjos que te têm nas asas,
como pássaros em liberdade
andando pelo chão
para depois voar...
Vem que eu te quero, paz.
Não deixe que eu morra pelo ódio,
não importa quando eu vá.
Quero morrer com uma flor na mão,
na outra mão um toque de criança
e nos olhos um sorriso teu...
Sorriso de vitória por estar aqui,
amiga paz, até que eu vá
e até depois que eu tenha ido...
Pois há de haver,
mesmo que eu não esteja mais aqui,
pássaros no céu, crianças pelo chão,
flores a desabrochar e corações abertos.
Paz, teu tempo é sempre,
teu lugar é
aqui!