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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

UM 'PUXADINHO' PARA CRUZ E SOUSA EM SC

 
      Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


O dia vinte e quatro de novembro marcou a passagem de mais um aniversário do nascimento do nosso grande poeta simbolista Cruz e Sousa, o maior poeta catarinense, conhecido no Brasil e no mundo. Mas ser o ícone do simbolismo brasileiro não significa que a sua vida foi fácil. Sofreu discriminação pela sua cor, não teve reconhecimento em vida e morreu jovem. Teve quatro filhos que morreram prematuramente, pela tuberculose, que também o matou e a sua mulher.

Os restos mortais do maior poeta catarinense, trazidos de Minas para o Rio em trem de carga e finalmente vindos para Santa Catarina em 2007, foram de novo para a senzala, que o local onde foi construído o “Memorial” Cruz e Sousa é justamente o lugar onde ficava a senzala do casarão que hoje é o Palácio Cruz e Sousa. Os ossos do grande mestre do Simbolismo ficaram esperando todo esse tempo – três anos, que o memorial, prometido pelo Estado para 2008, só foi inaugurado depois do aniversário do poeta de 2010 – para voltar à senzala.

E o tal Memorial, que deveria ser um lugar para receber público para reverenciar a memória do grande poeta, resultou num cubículo que nunca foi usado para nada, a não ser a inauguração.

Ontem, dia 27, estive numa seção da Academia Desterrense de Letras e um desabafo da acadêmica Telma Lúcia Farias me chamou a atenção. A seção solene era em homenagem a poeta maior Cruz e Sousa, pela passagem da data de seu aniversário, no dia 24, e a acadêmica pediu um aparte para lembrar que todos estavam fazendo homenagens ao nosso poeta, mas ninguém havia lembrado que os restos mortais dele foram trazidos para Santa Catarina e estavam esquecidos num “puxadinho” construído pelo Estado, nos fundos do Palácio Cruz e Sousa.

Achei muito oportuna a fala da acadêmica, porque tenho escrito diversas crônicas sobre o assunto, cobrando do Estado que resgate a dignidade de tão importante figura da cultura catarinense, construindo um Memorial à altura do grande nome que ele é. E é tempo, mais do que tempo de a Fundação Catarinense de Cultura deixar de prometer e fazer, efetivamente, alguma coisa. Se passarmos por lá, pelo “memorial”, no centro de Florianópolis, vamos constatar que ele está fechado e que ninguém está fazendo obra nenhuma no local, apesar de ter sido prometido pelo Estado, através da FCC, que os erros seriam corrigidos.

Precisamos nos unir para exigir que o Estado construa um Memorial condizente com a importância de Cruz e Sousa para a cultura do nosso Estado. Não é possível que o poeta que representa o simbolismo brasileiro, o maior poeta do Estado, continue a ser humilhado em sua própria terra. O correto, mesmo, seria fazer o Mausoléu para abrigar o poeta dentro do Palácio Cruz e Sousa.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A FEIRA DO LIVRO DE NATAL DA CAPITAL


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

No dia 25 de outubro, recebi convite, através do Facebook, para participar da 28ª. Feira do Livro de Florianópolis. Não respondi de imediato, porque precisava ver quais datas eu teria livre para agendar uma data e horário de lançamento no evento. Só no início de novembro, no dia 2, enviei e-mail para a Câmara Catarinense do Livro, perguntando a possibilidade de agendar um lançamento para o dia 13 de dezembro, as quinze ou dezesseis horas. Como passou-se mais de uma semana sem que obtivesse resposta, depois de duas semanas liguei para a CCL e a secretária me informou que não tinha tido condições de agendar ninguém, porque estavam com problemas quanto ao espaço da feria, no Largo da Alfândega, com a Prefeitura.

Comunicou-me ela que o espaço a ser cedido para a feira seria menor, pois a prefeitura não queria invadir o espaço dos feirantes e comunicaria assim que tivesse uma definição. Achei estranho, pois duas vezes por ano a feira é realizada no mesmo espaço e os feirantes são realocados para a praça ao lado, mas aguardei, pensando cá com meus botões que a Câmara já tem tanta dificuldade para realizar a feira do livro, agora teria mais um, que seria a diminuição do espaço.

Ontem, dia 26, falei de novo com a secretária da CCL e ela me confirmou  que, realmente, o espaço para a feira havia diminuído e que não haveria palco, nem espaço para lançamento de livros, nem espaço para os escritores locais. A feira seria só os estandes das livrarias. É um retrocesso, mas se a secretária está informando, é porque deve ser isso mesmo.

A Feira do Livro de Florianópolis vem diminuindo a cada ano, por falta de apoio tanto do Estado quanto do município. O evento vem sofrendo um processo de esvaziamento e, a continuar assim, no próximo ano não teremos feira do livro na capital.

Vou tentar fazer o lançamento do meu novo livro de contos de Natal no estande de uma editora, pois quero ver como é que fica a feira neste final de ano.

sábado, 23 de novembro de 2013

ENCONTRO DE ESCRITORES LUSO-BRASILEIROS


   Por Luiz Calos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O ano do Brasil em Portugal e vice-versa acabou, mas continua dando frutos. A integração Brasil-Portugal está mais fortalecida do que nunca e a iniciativa da Revista Lapa Legal, do Rio, da escritora Jô Ramos, com a colaboração da ZL Comunicações e da Pastelaria Studios, editora de Lisboa, promovendo o 1º. Encontro entre Escritores de Portugal e do Brasil, prova isso.

O evento estará reunindo escritores brasileiros e portugueses para debates, amostra da obra de autores dos dois países e exposição literária com a finalidade de divulgar a literatura dos dois países e aprofundar as ideias sobre o papel do escritor no mundo. Assim, a integração literária e cultural continuará a ser fortalecida, pois o congraçamento entre autores dos dois países irmãos ajudará a tornar a obra dos autores de um país mais conhecida no outro.

Será uma festa literária em Lisboa, abrindo o ano literário de 2014, e um reforço na parceria e discussão para melhorar a forma de divulgação do nosso trabalho em outros países. O encontro tem, também, o objetivo de valorizar mais o autor, a obra e o diálogo literário.

Temas como “Disseminação da literatura brasileira e portuguesa e o que temos que fazer para um intercâmbio mais eficaz entre os dois países”, “Como divulgar nossa  literatura em outros países” serão debatidos no Encontro de Escritores Portugueses e Brasileiros, que acontecerá em Lisboa, no dia 4 de janeiro de 2014, na Fábrica Braço de Prata.

Infelizmente não poderei estar presente, mas alguns volumes da minha obra estarão sendo levados pela organizadora.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

FEIRAS DO LIVRO PARA CRIANÇAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A propósito de algumas feiras do livro que estão acontecendo e acontecerão, ainda, neste final de ano, como a de Florianópolis, nunca é demais discutirmos sobre o reflexo delas na sociedade, notadamente sobre os leitores em formação.
A cada grande feira, como a de São Paulo, a do Rio, a de Porto Alegre, podemos constatar que crescem as opções referentes à Literatura Infantil. E a cada final de feira verifica-se que o gênero que mais vende é o da Literatura Infantil e Infanto-juvenil. Provavelmente porque os livros infantis são mais baratos. Pode ser.
As feiras e bienais do livro realmente tem privilegiado a literatura infantil e infanto-juvenil e é importante que isto aconteça, porque temos de dar prioridade ao leitor em formação. Precisamos oferecer cada vez mais livros para crianças, de todos os tamanhos, cores e formatos, de texturas e até mídias diferentes, avulsos, em pacotes ou pequenas coleções.
E os eventos literários como feiras, bienais e festivais literários têm oferecido quantidade e variedade no gênero infantil e infanto-juvenil, tanto os clássicos como a produção contemporânea, pois temos ótimos autores, além das produções importadas. Há livros de contos e fábulas do tamanho de um CD e há livros gigantes, do tamanho de um jornal. Há livros infantis para todos os gostos e bolsos.
E vendem, vendem muito. Eu, que não tenho mais filhos pequenos, compro livros infantis para dar de presente a sobrinhos e filhos de amigos. Vê-se, nas feiras e bienais, crianças em companhia da família, crianças levadas pelas escolas, até crianças muito pequenas, que provavelmente nem sabem ler ainda, com moedas e notas de um real escolhendo, elas mesmas, o livro que vão comprar. Até meninos de rua fazem-se presentes, contabilizando trocados para comprar o seu livro – o primeiro, talvez.
Sim, é verdade, os livros infantis vendem também porque são baratos. Mas quando do resultado final das feiras, o valor da venda desses livros é bastante expressivo em relação aos outros gêneros.E se o livro infantil pode ser vendido mais barato, por que os outros não podem? Reconheço que os livros infantis têm menor número de páginas, mas em contrapartida têm muito mais cores – isto significa mais impressões, maior custo. E sabemos que, por venderem mais, as tiragens são maiores, o que faz com que o preço da unidade possa ser menor.
Mas vemos, também que outros livros, de literatura clássica e contemporânea, são publicados em grandes tiragens para serem vendidos em bancas de jornais e revistas, por preços bem mais convidativos do que aqueles que são cobrados nas livrarias pelas edições “convencionais” das mesmas obras. Isto significa que há alternativas para colocar o livro – não só o infantil – ao alcance de todos os leitores.
Destacamos o quanto as grandes feiras (e por que não as pequenas?) de livros têm nas crianças, esses leitores em potencial, o seu principal alvo, porque é por eles que devemos começar, para que se leia mais neste país: precisamos colocar livros nas mãos das crianças, desde a mais tenra idade, para que elas aprendam a gostar de ler.

domingo, 17 de novembro de 2013

A GVT, SEUS SERVIÇOS E O ATENDIMENTO AOS CLIENTES


   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Sou cliente da GVT há mais de um ano e  até uns três ou quatro meses atrás, gostava muito do serviço: a velocidade da internet era boa, a televisão tinha os canais em HD com ótima qualidade e o telefone não incomodava.

Pois começou a complicar de uma maneira tal que quando não estamos com o telefone mudo, é a internet que vive oscilando, caindo mesmo, ou a televisão que trava ou oscila e a imagem começa a deteriorar e até cai. Ou  acontece tudo ao mesmo tempo.

Não bastasse isso, o atendimento da GVT, que era ótimo, ficou péssimo: não atendem no prazo regulamentar, quando atendem resolvem o problema na hora, mas em seguida o problema volta e ainda aparecem outros.  Ultimamente, eles nem sequer tem dado retorno. A ouvidoria manda uma mensagem com o protocolo, dizendo que em até dez dias para entram em contato, mas ninguém nem contata com a gente, por telefone ou mensagem, nem mandam técnico para visitar e resolver.

Meu telefone vive mais mudo do que funcionando. Agora mesmo, hoje e já há vários dias, pela quarta ou quinta vez, ele está mudo. E o problema não é aqui, pois ele fica períodos às vezes longo, de cerca de uma semana sem funcionar, ninguém vem aqui e de repente ele volta a funcionar.  Já aconteceu de eu fazer ocorrência e três dias depois, num domingo, o técnico da GVT estar na minha porta – e eu nem estava em casa. É que o telefone, naquela oportunidade, voltou a funcionar no dia seguinte. Quer dizer: quem mais, além de mim, deveria saber que meu telefone já estava funcionando? A GVT. E mandaram técnico. Quando preciso, mesmo, como agora, que o telefone está mudo há dias, ninguém aparece.

Em outra ocorrência, a respeito da oscilação da internet, o técnico veio, depois de eu falar com a Anatel, deu uma olhada em tudo, não mexeu em nada, disse que ia ver uma placa em algum lugar e que eu ficaria sem internet por quinze minutos. Voltaria a entrar em contato. Pois a internet não foi interrompida, naquele dia, nem o técnico voltou. No dia seguinte, um outro técnico apareceu, como se o primeiro não tivesse aparecido por aqui. Falei que já tinha estado aqui um técnico no dia anterior e ele ficou admirado, pois não havia nada registrado. E também não fez nada, porque ele era técnico de televisão e a meu problema era com a internet.

Um técnico que veio por uma ocorrência da TV, pois meu segundo ponto estava travando e caindo a todo instante, veio aqui, mexeu em tudo, trocou o moden, inclusive, mas depois que saiu o problema do travamento continuou, a internet começou a cair a todo instante, até a recepção de TV ficou prejudicada, pois a imagem passou a ter estrias até nos canais HD, o que não tinha acontecido até então. E os problemas continuam até hoje.

A cobrança também apresentou problemas. Meu pacote de TV subiu duas vezes num intervalo de três meses e está sendo cobrado de mim um valor superior ao que consta do site da GVT, para o mesmo pacote que tenho. No mês de junho de 2013, eu estava pagando 129,00 pelo pacote Ultimate. No mês de julho, o preço foi reajustado para 134,75, que é o preço que a GVT está cobrando, inclusive é o preço que está no site. Minha cunhada tem o mesmo pacote e paga 134,75. Mas eu estou pagando, desde o mês  de agosto, 140,66, pelo mesmo pacote. Escrevi para a Ouvidoria, em 24.10.13, eles me mandaram o protocolo com a promessa que entrariam em contato, mas até hoje não recebi nenhuma manifestação.

Então o descaso da GVT para com os seus clientes – e não sou só eu, pois conheço outros, é constante. Minha cunhada ficou seis dias sem TV, até que ela entrou em contato com a Anatel e a GVT  se dignou a visitá-la, mas os dias sem o serviço não foram descontados na conta. A gente fica sem o serviço por dias a fio, mas somos cobrados pelo serviço integral.

É um desrespeito total. Estou denunciando aqui para desabafar e para que outros futuros clientes saibam o que vão enfrentar, porque venho tentando um melhor atendimento há meses, mas nas últimas ocorrências a GVT nem sequer ligou para mim, quem dirá mandar alguém para resolver. Se o serviço voltar ao que era, eu também volto a escrever aqui sobre a mudança para melhor e publicarei nos mesmos jornais, por todo o Brasil, onde este artigo sair.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

DELFINO, ÍCONE DA POESIA LÍRICA BRASILEIRA

 

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
    
Quem foi Luiz Delfino? Não, ele não foi, como muitos pensam, apenas um político que virou nome de rua. Ele foi e é, isto sim, o segundo maior poeta catarinense. Ele até foi senador, foi também médico, mas foi na literatura que se perpetuou, ficando atrás apenas de Cruz e Sousa.
Infelizmente, se fizemos uma enquete nas ruas de Florianópolis, sua cidade natal, pouquíssimos saberão dizer quem foi ele.
Delfino nasceu em 1834, na ainda Desterro. Morou na ilha até os 16 anos. Mudou-se, então, para o Rio de Janeiro, onde se formou em Medicina. Foi um dos mais importantes médicos da época. Casou-se com Maria Carolina Puga Garcia, com quem viveu até sua morte, em 1910.
Não publicou nenhum livro em vida, o que fez com que sua obra quase se perdesse no tempo. Sua poesia, de rima e métrica perfeitas, era publicada freqüentemente na maioria dos jornais e revistas da sua época, o que o fez conhecido e amado como poeta. Chegou a ser eleito, pelos próprios colegas escritores, em 1898, o "Príncipe dos Poetas Brasileiros". Foi chamado, também, de Victor Hugo brasileiro.
Sua obra é imensa - escreveu mais de cinco mil poemas - e foi publicada em 14 livros, por seu filho, Tomás Delfino, entre 1926 e 1943. A obra publicada, no entanto, soma apenas um mil e quatrocentos poemas. É que em 1968, foi leiloado tudo o que estava dentro de uma casa que pertenceu ao poeta, no Rio de Janeiro, casa esta que guardava boa parte dos seus originais. Quem comprou foi um americano, David T. Hoberly, que estuda literatura brasileira. A poesia inédita do poeta saiu do país e provavelmente nunca mais a veremos.
Sua poesia vai do romantismo ao parnasianismo, passando pelo simbolismo.
A perfeição na rima em métrica dá cadência e musicalidade à obra de Luiz Delfino.
O amor e a mulher eram seus temas preferidos. "Foi ele um verdadeiro obsessionado pelo mito da beleza, da sensualidade, da idealizada companhia feminina, cantando o amor com toda a sua força e com todas as suas formas de atração...", analisou Lauro Junkes.
E é justamente Lauro Junkes, que estudou a obra e a vida de Luiz Delfino, que organizou e publicou dois volumes - "Poesia Completa - Sonetos" e "Poesia Completa - Poemas Longos", totalizando mais de mil e trezentas páginas, reunindo toda a poesia conhecida do poeta, resgatada dos livros que o filho de Delfino editou.
Os livros foram publicados através da Academia Catarinense de Letras, resgatando um legado riquíssimo deixado por este grande poeta, marco das letras catarinenses.
Os dois livros - totalizando mil e quinhentos exemplares - foram distribuídos a todas as bibliotecas municipais e estaduais e escolas de segundo grau de Santa Catarina, para que o poeta tenha sua obra conhecida pelos leitores em formação e pelo público em geral. E o seu valor reconhecido.
Uma amostra da obra do poeta:

O AMOR

O amor!... Um sonho, um nome, uma quimera, / Uma sombra, um perfume, uma cintila, / Que pendura universos na pupila, / E eterniza numa alma a primavera; Que faz o ninho e dá meiguice à fera, / E humaniza o rochedo, e o bronze, e a argila, / Sem o afago do qual Deus se aniquila / Dentro da própria luminosa esfera.A música dos sóis, o ardor do verme, / O beijo louco da semente inerme, / Vulcão, que o vento arrasta em tênue pós:Curvas suaves, deslumbrantes seios / De vida e formas variegadas cheios. / É o amor em nós, e o amor fora de nós.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O DOM DA POESIA


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Em evento literário recente, um dos poetas, antes de dizer o seu poema, fez questão de falar com o público. E disse de sua incursão por uma escola, onde havia "ensinado" poesia aos estudantes. Mais adiante, outro acadêmico, no seu discurso, dizia, entre outras coisas, que "poesia e ensino se repelem, se excomungam".
Atentei para as duas afirmações contrárias, porque a segunda não foi proposital em oposição à primeira. O discurso do segundo poeta e acadêmico já estava escrito, quando o primeiro falou.
E a verdade é que o segundo tem razão. Poesia não se ensina. Poesia é um dom, é uma coisa nata, nós exteriorizamos ou não essa ânsia de transformar emoções, sensibilidade e lirismo em palavras. Poesia é alma, é coração. É claro que a prática - escrever, escrever muito e escrever sempre - e a leitura, fazem com que possamos consolidar nosso estilo, melhorar nosso fazer poético. Mas não devemos ter a pretensão de querer ensinar poesia. Até porque cada poeta tem a sua marca, a sua cosmovisão, o seu estilo. Podemos, sim, incentivar a produção, incutir o gosto pela leitura, fazer a poesia chegar a todos os olhos, ouvidos e corações, pois ela torna o ser humano mais humano.
Se "ensinássemos" alguém a escrever poesia, estaríamos transferindo a nossa maneira de sentir e ver o mundo para outra pessoa, estaríamos imprimindo nosso estilo na produção de outra pessoa, o que não é justo nem honesto. O que devemos fazer é incentivar aqueles que já descobriram que são poetas, apoiar, apreciar, avaliar e valorizar a sua poesia.
Porque ser poeta é ver através das coisas, é ver mais além, é ver o que os outros não veem. Ser poeta é olhar e ver, como já disse Cecília Meirelles. Ou somos poetas ou não somos. A poesia flui, não precisamos arrancá-la.
É claro que nem todos que pensam que escrevem poesia são poetas, mas isto é assunto para outra discussão. Acho que mais importante do que tentarmos arrancar um poema de quem não é poeta é mostrar a poesia a todos, em todos os lugares, levar a poesia de todos os modos possíveis - seja ela escrita em qualquer suporte ou declamada e gravada em qualquer mídia, para que quem não a conhece passe a conhecê-la e descubra se gosta dela ou não. Assim estaremos fazendo novos leitores e popularizando a poesia.

sábado, 9 de novembro de 2013

PORTUGAL, MEU AVOZINHO...


  

Eu noDouro, depois da vindima, no início do inverno passado.


 Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br



Não sei bem explicar, mas quando vejo fotos ou vídeos de Lisboa ou de qualquer outro lugar de Portugal, dá uma saudade tão grande daquela terra, que sinto o coração se apertar. Já visitei outros países, mas Portugal instalou-se no meu coração de uma maneira tal, que  transformou-se em inquilino vitalício.

Quando ouço um fado, então... Parece até que minha terra natal é Portugal. Não renego minha terra, em absoluto, mas acho que essa paixão não é de hoje, vem de bem longe no tempo. Eu ainda não tinha doze anos, quando aconteceu um concurso de redações, aqui no Brasil, sobre a afinidade Brasil-Portugal e, na minha cidade, Corupá, eu tirei o primeiro lugar, com direito a troféu e tudo.

O tema do concurso era “Portugal, Meu Avozinho”, e então, sem nem mesmo conhecer nada da terrinha, a não ser o que nos contavam os livros de história, eu consegui  escrever algo que definia essa “saudade antecipada”. Estava escrito que eu faria muitas vezes a travessia do Atlântico para me encantar, cada vez mais, com aquele pequeno grande país. Na verdade, encantei-me com tudo: com as gentes, com os lugares, como o Douro, como Lisboa, Porto, etc., com os vinhos, com a comida, com os cheiros, com as paisagens, com tanto mais...

Não é só a língua que temos em comum, é a simpatia do povo, é a cultura, são os costumes, são tantas coisas. Portugal tem os lugares mais lindos do mundo, tem as vinhas, que depois da vindima, ficam com as folhas de tantas cores, um colorido natural e fantástico que vai do verde até o marrom, passando pelo alaranjado, o vermelho, uma beleza. Tem o Rio Douro, tem o Rio Tejo, tem a arquitetura tão sua característica, tem o pastel de Belém, tem o vinho do Porto, o vinho Madeira, o vinho Verde, tem todos os vinhos. Tem o queijo de ovelha da Serra da Estrela, que só tem lá, tem bacalhau, tem o presunto pata negra, tem o fado, tem uma literatura contemporânea da melhor qualidade ...

Portugal tem as cidades históricas, os castelos, o Oceanário...  Mas tem muito mais do que isso. Ainda tenho que voltar lá muitas vezes, pois tudo o que conheço é muito pouco e tenho muito a descobrir, adiante, sobre essa terra fantástica. Acho que ainda vou morar lá.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

ENCONTRO DE ESCRITORES EM JOINVILLE

      Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
 
Depois de mais de vinte anos da realização de um encontro de escritores catarinenses em Joinville, um novo encontro acontece neste dia 9 de outubro na cidade da dança e das flores. Em 18 de outubro de 1991, o Grupo Literário A ILHA promoveu em Joinville o Encontro do Escritor Catarinense, reunindo escritores de vários pontos do Estado, como Blumenau, Florianópolis, São Francisco do Sul, etc. Antes ainda, em 27 de novembro de 1981, o mesmo Grupo Literário A ILHA, ainda com sede em São Francisco, onde foi fundado, realizava o seu primeiro encontro de escritores, possibilitando o congraçamento de autores da ilha, de Joinville e de Florianópolis, como Silveira de Souza, Glauco R. Correa, Pinheiro Neto e outros.
Depois que o Grupo A ILHA mudou sua sede para Florianópolis, no final do século passado, a literatura perdeu um pouco da sua força em Joinville, apesar do aparecimento de outros grupos. Com o aparecimento, nesta nova década, da Confraria das Letras, a literatura passou a ser cultivada com mais dinamismo e arrojo e recuperou o seu status. Os escritores da região se uniram, novamente, e a sua literatura ganha cada vez mais força.
O 1º Encontro Catarinense de Escritores da Confraria das Letras de Joinville reunirá mais de uma centena de escritores da região, além de escritores que virão de outras cidades do Estado. E contará, também, com a presença de Gilberto Mendonça Teles, escritor de renome nacional, para uma palestra que, certamente, agradará escritores e leitores.
Eu fui convidado para participar deste grande evento literário, mas infelizmente não poderei comparecer, por motivo de força maior. Mas estarei bem representado, pois outros escritores do Grupo Literário A ILHA também foram convidados e estarão participando de mesa de debates, como Urda Alice Klueger e Júlio de Queiroz. Ela, a grande romancista catarinense e ele, o grande poeta da capital, além de grande contista.
Jonville estava precisando de um evento literário dessa magnitude. Parabéns à Confraria das Letras, que chegou para dar vez e voz ao escritor não só da Grande Joinville, mas aos escritores de toda Santa Catarina. Escritores organizados, literatura cada vez mais forte e melhor e mais leitores conquistados. E o objetivo maior é o incentivo à leitura, o acesso à leitura, o hábito da leitura.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

UM NOVO ROMANCE DE APOLÔNIA




    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Apolônia Gastaldi é uma das escritoras catarinenses que mais produz, atualmente. Chega,agora, ao vigésimo livro publicado, além de outros inéditos, que em breve estarão também impressos. Só este ano, ela já publicou os romances “Menina dos Olhos Verdes” e “Sombras do Crime”.

A mais recente obra publicada é “Sombras do crime”, romance ambientado no interior, cenário para as desventuras do protagonista, Fausto. O clima de violência, inusitado no cenário pacato e tranquilo do campo, evidencia a culpa do vilão da história. Escorraçado, ele dá uma guinada na sua vida, com muito esforço e abnegação. É preciso ler o romance de Apolônia para saber qual é o destino do personagem.

Já em “Menina dos Olhos Verdes”, Apolônia abandonara o enredo tradicional e assumiu a prerrogativa de que nem sempre o autor é obrigado a fazer seus personagens sofrerem até chegar a um final feliz. Nesse novo romance, ela dá uma virada total na vida do protagonista.

Quando o leitor acha que a trama está indo por um caminho, tudo muda e ele é surpreendido com novo destino das personagens.  Apolônia é um ótima contadora de histórias e o fato de usar um tom coloquial, com vocabulário bem aproximado do que seria a realidade das personagens, naquele espaço e naquele tempo, faz com que o seu romance tenha certa verossimilhança, apesar do toque de fantástico-maravilhoso.

Apolônia é uma operária das letras e sua disposição para o trabalho é infinita. Ela já é autora de clássicos da literatura catarinense, como “Barra do Cocho”, e muito mais ainda deve vir por aí.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SOLIDARIEDADE CULTURAL



    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiacia.xpg.com.br


Um dos meus assuntos favoritos – ou recorrentes? – é a iniciativa, sempre inovadora e quase sempre original  de pessoas ou grupos, no sentido de incentivar o hábito da leitura, possibilitando o acesso ao livro.

Pois a professora Edna, de Divinópolis, em Minas Gerais, é uma dessas pessoas dedicadas e abnegadas, que investe tudo na educação, numa escola melhor, e vive tendo ideias boas, que transforma em projetos, realizando-os com sucesso, para benefício dos seus alunos.

Ela passou, como sempre, pelo meu blog e leu a crônica sobre livros, leitura e bibliotecas e não pode deixar de comentar como o livro é importante para ela e para todos nós. Ela tem vários alunos que não tinham nenhum contato com esse receptáculo de conhecimento, magia e encantamento, nem a responsabilidade ou curiosidade de conhecê-lo e agora, depois de um trabalho incessante, a professora pode dizer que a recompensa chegou. Principalmente quando seus pupilos leem e comentam com entusiasmo as leituras feitas. É muito prazeroso, para ela, ver este processo acontecendo.

Recentemente, diz a professora, lembrei, na sala de aula, do que dissemos acima sobre a leitura. Tenho um aluno muito engraçado, chamado Sérgio. No início do ano pedia-lhe para ir a biblioteca e ele dizia: “Ah, não, professora, eu não gosto de ler e nem sei que livro pegar.” Percebi que o trabalho seria mais difícil do que imaginava. Então ia à biblioteca, lia muitos livros para chegar na sala de aula e dar boas referências de obras e de autores e, assim, o tempo foi passando e a fala do Sérgio hoje é diferente. Há poucos dias estava corrigindo exercícios e percebi que o mesmo estava quietinho na carteira, deliciando-se com a leitura de um livro, quando falei algo e ele disse: “Ah, não, professora, a leitura está tão boa, deixe eu continuar, por favor.” E neste momento tive a sensação de missão cumprida em relação à fusão da leitura na sala de aula, na vida dos alunos e principalmente na minha vida. E este é apenas um dos relatos no meio de tantos.

Professora Edna acha muito bom trabalhar, com eles, atividades relacionadas ao livro literário. O projeto Histórias Viajantes está a todo vapor, mas ela precisa, ainda, sensibilizar muito mais pessoas para ajudarem nesta causa. Já arrecadou mais de 500 livros, mas a necessidade ainda é grande e o projeto precisa de muitos exemplares, pois são muitos lugares e pessoas a ajudar, a aproximar dos livros.


Então eu conclamo a quem tiver livros que já leu e pode doar, que os envie à professora, para que ela continue a brilhante missão de fazer com que as pessoas gostem de ler e tenham, efetivamente, livros para ler. O endereço para a remessa de obras literárias, inclusive infanto-juvenis, é: Professora Edna Cristina Matos, Rua Paulo Ferreira da Silva, 60 – Santa Rosa – 35500-497 – Divinópolis – MG.

Isso é solidariedade cultural. É dar condições a quem quer realizar alguma coisa de bom em favor de nossos filhos, em favor de um futuro melhor para todos.