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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

NÓS E A NATUREZA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Começa mais um dia de sol, na Santa e bela Catarina, ainda que quente e com algumas nuvens rondando o horizonte, prenunciando a chuva do final do dia, que agora está vindo, depois de longa seca. Promete ser quente como quase todos desse verão, calor exagerado e cada vez aumentando mais. Tão quente que eu às vezes não consigo dormir, mesmo com ventiladores ou ar condicionado. Os reflexos do descaso de nós, seres humanos, para com a natureza, já se torna palpável, com o aumento da temperatura e suas consequências, como tempestades, tornados, enchentes, secas. Não cuidamos do nosso meio-ambiente e estamos pagando por isso. E a conta seja bem cara: além dos enormes prejuízos materiais, como a destruição de cidades, muitas vidas estão sendo perdidas.

Então começo a escrever essa crônica, para refletir sobre os resultados da falta de cuidado com o nosso planeta e tentar provocar atitudes que minimizem as consequências daqui pra frente. Já seria um passo muito importante cuidarmos da água, economizando-a, não jogarmos lixo e esgoto nos rios, pararmos de assassiná-los, que eles são vida, são a nossa vida. Mas há mais, há muita poluição que deveríamos repensar para diminuir, para que a nossa camada de ozônio não suma de vez, para que as calotas de gelo parem de derreter e não causem mais desequilíbrios no tempo e tragédias pelo mundo afora. Precisamos parar de ocupar áreas de risco e o poder público precisa fazer a sua parte, impedindo que se construa em solo que pode ser alcançado pela água da chuva ou que pode deslizar.

Dá pra dormir pensando nisso? E a culpa não é do calor, da chuva, da natureza, mas do que o causou. Pois é, apesar do sol brilhante em quase todos os dias de verão, o futuro não me parece tão promissor. Precisamos começar a fazer alguma coisa, começar de algum ponto, como separar o lixo reciclável, em nossas casas, por exemplo, diminuindo o volume dele nas cidades, que polui e ocupa áreas imensas. Usando a água com parcimônia, com racionalidade, para que ela não falte. Não jogando lixo em qualquer lugar, que ele entope os esgotos e causa enchentes, que por sua vez faz com pessoas percam tudo, até a vida, às vezes. São coisas simples, mas que dão resultado, são o começo da redenção. Não é tudo, mas há que se começar, para podermos cobrar de nossos representantes no poder, que façam a sua parte e realizem ações maiores, como impedir que grandes empresas lancem seus resíduos, seu lixo, quase sempre tóxico, nos rios, no mar e em locais perto das nossas casas, e não autorizar a ocupação de áreas de risco ou de preservação.

Apesar de tudo, do tempo desenfreado por culpa de nosso pouco caso com Mãe Natureza, ainda vivemos em um lugar abençoado.

Até quando?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A FIFA EM SANTA CATARINA


   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Vejo num jornal recente, a nota sobre a generosidade do governo de Santa Catarina, que pagou três milhões e novecentos mil reais para a realização do Congresso da Fifa em Florianópolis. Verdadeiramente vergonhoso.

A nota mostra a indignação do dirigente do Lions de Santa Catarina, que está construindo o Hospital de Olhos em Palhoça, e que para isso, conta com recursos próprios e contribuições da sociedade, pois o governo catarinense diz que não tem dinheiro. Mas não é só isso. Além de hospitais como o citado, há outros que precisam de dinheiro para serem ampliados ou reformados mas não são, porque “não há recursos”. As escolas estaduais continuam caindo aos pedaços – a televisão mostrou, no fim das férias escolares, muitas delas que nem tinham a obra de reforma começada, e as aulas estavam começando – por que não havia dinheiro? Ou porque a educação precisa continuar a ser sucateada, como o governo federal vem fazendo, há bastante tempo, quem sabe...

A segurança também precisa de investimento, pois falta policiamento nas ruas para combater as drogas, roubo, sequestros, assassinatos, etc.,  mas parece que também não há dinheiro para isso. Mas para gastar quase quatrocentos milhões com um congresso da Fifa, que só arrecada a grana dos países onde faz a copa, não investe um tostão e só faz exigências, aí tem dinheiro. Não é estranho?

Já não basta todo o dinheiro público gasto na construção dos estádios pelo país, bilhões que deveriam ser  destinados à saúde, à educação, à segurança? Ainda temos que pagar pelo turismo que a os dirigentes da Fifa fazem pelo país, pelas mordomias que eles exigem?

Há pouco tempo atrás, o governo catarinensejá havia colocado dinheiro público no show de um beatle, na capital do Estado, promovido por empresa não estatal. O valor não chegou a um milhão de reais e já foi um gasto inadmissível, uma vez que o recurso era necessário em investimentos muito mais necessários à sociedade.

Agora, segundo o colunista, o dinheiro do contribuinte desperdiçado com a Fifa chega a quase quatro milhões. O que é isso, senhor governador? Como o senhor explica a saúde, a educação e a segurança em franca decadência, quase abandono, falência mesmo, e o governo gastando os parcos recursos dos cofres públicos em iniciativas privadas, nem sequer nacionais?  Isso sem contar o dinheiro pago pela propaganda mentirosa na TV, nos jornais e no rádio, sobre entrega e inauguração de obras que na verdade ainda não foram concluídas, como o binário da Vila Nova, em Joinville.

Que vergonha, não? É assim que quer se reeleger? Queimando o dinheiro dos nossos impostos que deveria ser gasto em favor do povo, para que as crianças possam ter aula, para que não tenham que ficar em casa porque as escolas não têm condições de recebê-los, para que os cidadãos não morram nas filas de hospitais porque não há leitos nem médicos, para que possamos sair à rua sem medo?

 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

LONGEVIDADE

 
 
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br                                                          

Como já escrevi em outras oportunidades, temos uma pinscher, a Pitucha, que acabou virando Xuxu e está com 19 anos, mas é como se fosse o nosso bebê. Ela está surda, cega e o olfato parece não funcionar quase nada. Xuxu conhece um pouco a nossa casa, mas mesmo assim fica esbarrando em tudo. Até machucou um dos olhos e está tomando remédios para combater a infecção.

Estamos colocando, inclusive, barreiras de espuma em redor das coisas, pela casa, para que ela não esbarre e não se machuque. Colocamos, também, almofadas em vários lugares, para que ela encontre sua caminha para deitar sem ter que procurar muito.

Xuxu fica bastante tempo deitada, quietinha, mas ultimamente tem estado mais alerta e tem caminhado mais. Então a gente fica atrás dela, inclusive tocando nela, pegando ela no colo – ela tem medo de cair – e fazendo carinho, para ela saber que não está sozinha. Às vezes ela fica meio perdida, sem saber para onde ir e a gente a leva para a almofada.

Para pedir comida, primeiro ela procura. Depois ela late e não para de latir até que a gente lhe dê alguma coisa para comer. Às vezes demora: há que se cozinhar alguma coisa que seja mole ou cortar em pedaços muito pequenos, pois ela quase não tem mais dentes. Alguns caíram e outros tiveram que ser arrancados por causa do tártaro. De uns dois ou três anos para cá não podemos mais levar para limpar o tártaro dos dentes, pois ela não suporta mais anestesia.

Tudo isso é muito triste e precisamos estar sempre com a Xuxu, pois ela precisa da gente agora mais do que nunca. Está muito velhinha e até para andar, às vezes, é difícil. Mas o que tem doído mais para nós, talvez, do que para ela, é o fato de que quando chegamos em casa, não tem mais aquela festa, aquela correria, as lambidas na cara, os pulos nas pernas, os latidos. Xuxu não ouve nada e não vê mais a gente, o olfato não mais nos denuncia. Então nós é que temos que procura-la e fazer um carinho. Não sabemos se ela sabe que somos nós a lhe acarinhar, mas achamos que sim.

Não viajamos mais para longe, pois não dá para levá-la, ela pode fazer xixi em qualquer lugar e na casa dos outros,  isso não é possível. Em casa, ela fazia cocô e xixi no banheiro, mas agora ela já não se localiza mais e faz onde estiver. Às vezes a casa cheira a xixi, por mais que se limpe, mas Xuxu já nos deu muitas alegrias, por muitos anos, com a sua companhia, então isso é o de menos.

Xuxu é o nosso bebê velhinho. Está indo embora, devagarinho. E a vida vai ficando mais triste.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O ANIVERSARIANTE JÚLIO DE QUEIROZ, ESCRITOR


         Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Conheci, há alguns anos, poucos anos, o escritor Júlio de Queiroz, por indicação da minha amiga Urda, de Blumenau, que gosta muito dele. E lamento que tenha sido há tão pouco tempo, pois ele é uma pessoa que deveríamos conhecer a vida inteira. Mas é alguém com quem é tão agradável conviver e ele cativa tanto as pessoas ao seu redor, que parece que o conhecemos há muito tempo.

Vim a conhecer Júlio por causa da literatura, arte que ele pratica com excelência. Ele é um dos escritores mais expressivos , mais importantes da nossa Santa e bela Catarina, embora não seja catarinense. Está há algumas décadas por aqui, produzindo a sua obra e encantando seus leitores e seus pares, então já está naturalizado.

Mandei, há algum tempo, a revista que publico, o Suplemento Literário A ILHA para ele e todos os imortais da Academia Catarinense de Letras e ele retornou, agradecendo e elogiando a publicação. Passamos a nos corresponder e tive o prazer de encontrá-lo na Academia, iniciando uma grande amizade.

Encontramo-nos, periodicamente – semanalmente, para dizer a verdade - para conversar. Ele nos conta, a mim e ao Jairo, sobre o making off das suas produções, por exemplo. E nós o agradecemos por partilhar sua experiência e seu conhecimento conosco.  Júlio tem uma cultura invejável e é uma delícia ouví-lo falar sobre qualquer assunto. Tem uma memória excepcional e uma história de vida fantástica, de experiências riquíssimas. Não há como não se encantar com a pessoa humana, com o escritor, com o intelectual.

Ele é poeta, acho que o maior poeta que temos por aqui. Sua poesia tem o ritmo da vida, é profunda e ao mesmo tempo tem uma leveza que nos faz querer ler mais e de novo. Seus  versos são consistentes e únicos.

Júlio também é contista, dos melhores, com peças belíssimas. Sua criatividade a toda prova tem uma originalidade indiscutível. Sua prosa é obra-prima, é leitura que dá prazer e nos ensina o que é literatura de verdade.

Júlio faz 88 anos neste dia 18 de fevereiro e eu lhe presto esta homenagem, por seu espírito jovem e seu coração menino, por ser essa criatura carismática e dinâmica que é,  sempre produzindo mais literatura de boa qualidade, sempre espalhando simpatia e generosidade por onde passa. Parabéns, Júlio, muitos anos de vida e muito mais de sua obra no futuro. Breve teremos o lançamento de mais um livro dele, para comemorarmos mais este ano de vida.

 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

FÉRIAS EM BUENOS AIRES


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Viajei para a Argentina e Uruguai, recentemente, num cruzeiro pela MSC. Não tinha feito, ainda, nenhum cruzeiro por essa companhia, então era meio que novidade. Sabia que o navio era maior do que aqueles com os quais eu já viajara, então era ver no que dava.

A primeira surpresa foi boa: no chek in, fiquei sabendo que a MSC fez up grade na nossa cabine: eu comprei uma cabine interna e a companhia mudou para externa com varanda. Uma beleza. Não disseram o porquê, mas também não interessava muito. Logo depois de conhecermos a cabine – espaçosa e confortável –, uma decepção. De nossas duas malas, apenas uma foi entregue no meio da tarde. E isso aconteceu com várias outras cabines. Conversamos com os entregadores e eles informaram que havia, ainda, muitas malas para entregar. Quase no final da tarde, falamos com a recepção, mas disseram que tínhamos que esperar. Já noite, fomos de novo à recepção e uma relações públicas do navio, Maria Elaine, nos atendeu, mas não deixou explicar que já tínhamos tentado ter notícias da mala durante toda a tarde e esperamos pacientemente até então. Desandou a falar e a se desculpar, dizendo que eram muitos hóspedes e que demorava para entregar. Respondi que, se o navio admite três mil e duzentos hóspedes, tinha que ter estrutura para atender a todos eles em tempo hábil. Já era hora do jantar e eu não recebera inda minha mala, para tomar banho e mudar de roupa. Falei que eu era jornalista e que ia escrever sobre o fato. A mala apareceu instantaneamente.

No mais, a viagem foi boa. Tive outro mau atendimento na recepção, por uma recepcionista que me xingou em inglês, achando que eu não falava ou entendia o idioma, e eu entendi. Não encrenquei, apenas fiz que ela soubesse que eu entendera e ela mudou o comportamento.

O navio era bastante grande, muito bonito e espaçoso – tem apenas três anos – mas a impressão que ficou é que a tripulação que estava ali fazia aquele trabalho pela primeira vez. No restaurante self service faltava café em todas as máquinas ao mesmo tempo, na gôndola de frios sumiam todos os frios e ficava só a mortadela, leite quente quase não havia, etc. No restaurante a la carte, no último dia, no almoço, passamos duas horas, desde que entramos até sair.

Mas os dois dias em Buenos Aires valeram por toda a viagem, pelo show de tango. Compramos os ingressos já no navio para o show Esquina Carlos Gardel e o espetáculo valeu cada centavo. As músicas, a dança, até o jantar estava bom.  Valeu muito a pena. Já tínhamos estado na Argentina anteriormente, mas não tínhamos visto nenhum show de tanto. O que vimos é fabuloso, foram duas horas que passaram num estalar de dedos. Mas sabemos que os outros também são muito bons.

Em Buenos Aires tivemos problemas com um ônibus no qual embarcamos para um city tour. O ônibus não tinha ar condicionado e estava um calor de mais ou menos quarenta graus, além de não ter guia e não pararem nos pontos turísticos. Fizemos o motorista parar e exigimos um ônibus com ar ou vans com ar, além de um guia. Conseguimos e terminamos o passeio.

Não visitamos o Jardim Japonês e o Zoológico, desta vez, mas como já estivéramos lá, em outra oportunidade, tudo bem. Fizemos compras na Florida, pois os preços lá estão muito bons.

Foi uma boa semana de férias.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

FEVEREIRO TEM CAMBUCÁ


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor e editor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Volto a falar do enorme e único pé de cambucá que conheci quando menino, em Corupá, e que povoou toda a minha vida. Nunca esqueci dele. E ainda não vi outra árvore como aquela, no decorrer de todos esses anos.
O pé de cambucá é um marco na minha infância, pois sempre esperei encontrar uma outra árvore com aquela fruta de sabor único, de textura única, que se parece um pouco com pêssego, mas é só um pouco e só na aparência. Pensei nunca mais encontrar um cambucazeiro, parecia que eles se escondiam de mim, ou pior – pensei que eles talvez não existem mais, por aqui.
Mas eu nunca esqueci aquela árvore majestosa, enorme cambucazeiro com uns dez metros de altura. Ela ficava na casa de um vizinho, na Plantagem, e nós íamos lá, quando os cambucás estavam maduros, pedir para subir e comer alguns. E os vizinhos deixavam e a gente subia e subia naquela árvore gigantesca e apanhava os frutos amarelos e duros por fora, mas suculentos por dentro, com uma semente dura e lisa, talvez do tamanho de uma semente de pêssego. O tamanho da fruta também regulava com o tamanho de um pêssego grande, só que era redonda. A polpa não tinha separação da casca, então a gente abria a fruta com os dentes, tirava a semente e comia a parte macia até chegar na parte mais resistente.
O pé de cambucá deve ser parente da jabuticabeira, pois as flores e os frutos dão direto no tronco e nos galhos, e o sabor é até um pouquinho parecido, mas é característico, só dele, porque é agridoce, ácido, incomparável.
Andei procurando, numa das minhas idas a Corupá e encontrei um pé de cambucá, ainda que bem jovem, na casa de uma tia minha, vejam vocês. E também encontrei um cambucazeiro já bem grandinho, na casa do meu amigo escritor Flávio José Cardozo, em Santo Antonio de Lisboa, na Ilha. Há uns dois ou três anos fui à casa dele quando os cambucás estavam maduros e ele me presenteou com vários frutos maduros. Neste verão, em fevereiro, irei visitá-lo, para subir naquele belo pé de cambucá e poder brincar de ser menino de novo. E voltar a sentir na boca o sabor da infância.