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sábado, 29 de março de 2014

O BRASIL VAI IMPORTAR BANANAS


   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Os nossos telejornais, cá pra nós, infelizmente, quase que só dão notícias ruins. Vejo, nesta última semana de março, uma notícia que é bem típica do governo brasileiro: mexem no que não precisa ser mexido e nem tchum para o que precisa de atenção,  precisa de atitude, de providência. 

O Brasil vai importar banana do Equador, acreditam? Pois é. Deve ser a continuação daquela “política” generosa de nossos sábios governantes, de repassar recursos, seja de que maneira for, para os países vizinhos e/ou “parceiros”. É que nós podemos, porque há dinheiro sobrando e a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura, tudo está  falido no Brasil e não há porque investir em massa falida, não é mesmo? Então sobra dinheiro público, que vai para construir portos em outros países – os nossos não precisam de investimento, imaginem, por que precisariam? -, para refinarias de petróleo onde só se injeta recursos, sem que ela produza nada,  para importação de médicos que ganham uma décima parte – conforme a mídia divulgou – do que o governo brasileiro paga por cada um – o resto fica com o país exportador. E por aí afora...

É novidade a falta de banana no Brasil. O Estado de Santa Catarina é o maior produtor aqui do Sul, São Paulo é o maior produtor do sudeste e outras regiões pelo Brasil também produzem a fruta. A autorização de importação de banana do Equador faz  parte, mesmo, da distribuição de benesses a outros países, pelo visto.

A agricultura familiar vai ser, mais uma vez, prejudicada, desmontada. Como ficam os produtores de Corupá, no norte catarinense, por exemplo, onde centenas de famílias vivem da bananicultura? A banana do Equador vai chegar, provavelmente, mais barata do que a nativa é vendida por aqui. Sem a importação, já houve época em que os bananicultores de Corupá e região viram a sua produção apodrecer empilhadas nas estradas ao lado das culturas, por falta de preço. O que acontecerá agora? Mais uma ação para acabar com a agricultura no país, com o trabalho no campo?

 

quarta-feira, 26 de março de 2014

ÁGUA, CONDIÇÃO SINE QUA NON

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O dia 20 de março foi o dia do início do outono, dia 21 foi o dia internacional da poesia e o dia 22 foi o Dia Mundial/Internacional da Água, criado pela ONU em 1993, por indicação da ECO-92, realizada no Rio de Janeiro. Não vou continuar falando só das comemorações de cada dia, mas do Dia da Água não dá pra deixar passar em branco, até porque estamos enfrentando uma crise nos nossos mananciais de água, comprometidos com o clima quente e seco que está castigando nosso país, principalmente o sul e sudeste, nos últimos meses.

Como já disse em outras oportunidades, estamos cuidando muito mal do nosso planeta, do nosso meio-ambiente, do lugar em que vivemos. Estamos cuidando muito pouco ou quase nada da nossa água, nem diria só da água doce.
A água é vida, para nós, seres humanos. Se não houver água, nós não existiremos. E nós insistimos em poluir os rios e o mar, jogando lixo, desaguando esgoto, envenenando a nossa água.
Quando vamos aprender? Quando for tarde demais? Já não chega os tantos rios mortos que cortam as nossas cidades, alguns até escondidos em galerias, pois o ser humano sente vergonha do que faz, mas não se emenda.
A água de nossos rios está tão poluída que o tratamento pelo qual ela passa, para ir para nossas casas e podermos bebê-la, já quase não está conseguindo limpá-la, torná-la potável. Isso é muito grave. Já é temerário beber água da torneira.
Precisamos nos conscientizar de que, se inutilizarmos a água que ainda temos, ela não vai se filtrar sozinha para voltar para nós. A natureza é generosa, mas ela tem limites. E temos visto que ela se rebela, com tanto desrespeito, tanta irresponsabilidade.
Então, temos que nos unir em volta do planeta para proteger a água. Sem ela não há futuro. Mas isso todos nós sabemos. Então, por que não fazemos nada?

 

sábado, 22 de março de 2014

ANIVERSÁRIO DA CAPITAL CATARINA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E a capital da nossa Santa e bela Catarina completa mais um aninho, neste 23 de março. Apenas duzentos e oitenta e oito aninhos, jovenzinha ainda. Há que comemorarmos o fato de se poder viver num dos lugares mais lindos do mundo, ainda que este paraíso esteja ameaçado pela falta de segurança, pela falta de estrutura, pela ganância imobiliária e pela ocupação indiscriminada do solo, por “políticos” que passam por ela apenas para usá-la como degrau.

As comemorações oficiais já foram mais entusiásticas, em outras épocas. Este ano Florianópolis comemora pouco e timidamente o seu aniversário – será porque estamos em ano eleitoral?
Florianópolis é mágica, não só pelo mito das bruxas, mas pelas suas belezas naturais. A capital catarinense tem dezenas de praias belíssimas, tanto na ilha quanto no continente: praias de águas mansas ou de mar agitado, de acesso fácil ou por meio de trilhas, com infra-estrutura ou semi-desertas. Tem a Lagoa da Conceição: “Num pedacinho de terra / beleza em par! / Jamais a natureza / reuniu tanta beleza / jamais algum poeta / teve tanto pra cantar!”, como já dizia Zininho, em seu “Rancho de Amor à Ilha”, hino oficial de Florianópolis. Tem também a Ponte Hercílio Luz, que apesar de não ser mais usada é o cartão postal da cidade, conhecido no mundo todo e tombada como patrimônio histórico e artístico. O poder público promete devolvê-la para uso até o final deste ano. Será?
Tem as rendeiras, tradicionais, que ainda fazem a renda de bilros, criando peças belíssimas. Tem a velha figueira, centenária, na Praça XV, a receber todos sob seus tantos longos braços, outro cartão postal. Tem os manezinhos, nativos da ilha, gente acolhedora e alegre que faz desta terra um lugar feliz. Infelizmente, a violência e a insegurança aumentam nesse pedaço de chão privilegiado.

Essa terra, abençoada por tanta beleza, cativa a gente de tal maneira, que uma vez aqui, é difícil ir embora, é difícil deixá-la.

Parabéns, Florianópolis, por mais um aniversário. Beijo o teu chão e desejo, veementemente, que a tua beleza maculada com a violência e a ganância, com desamor e desprezo pelo ser humano e pela natureza deixe de ser refém de criaturas indignas e de todos aqueles que a ferem, para que, num futuro próximo, possamos comemorar com mais alegria o seu aniversário.

 

segunda-feira, 17 de março de 2014

LENDO ESCRITORES PORTUGUESES NO BRASIL


     Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
Até pouco tempo atrás, eu só havia lido os autores portugueses mais populares, mas conhecidos de nós, brasileiros: Fernando Pessoa, Saramago e Camões. Pois estive algumas vezes em Portugal e lá encontrei livros de outros autores da terrinha maravilhosa, na casa da minha filha Daniela e de Pierre Aderne, o cantor-compositor-escritor-produtor-apresentador.

Encantei-me com Miguel Torga, ao ler pequenos trechos de um grande livro antigo dele ou sobre ele, na Quinta do Crasto, no Douro, em um jantar que nos fora oferecido lá.

Depois disso, ganhei alguns livros, outros comprei e comecei a ler escritores portugueses contemporâneos, como o Torga, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares e Walter Hugo Mãe, angolano que vive em Portugal. E que mergulho agradável nas letras portuguesas atuais, embora os autores conhecidos ainda sejam poucos e eu tenha lido apenas um livro de cada um deles, por enquanto.

Os livros, como já disse, foram comprados em Lisboa, foram publicados lá, consequentemente estão na língua portuguesa praticada em Portugal. Sabemos que a unificação do português, falado em vários países, não será uma realidade nem a curto nem a longo prazo, por mais que queiram alguns, mas as palavras desconhecidas que encontrei nos livros que li não dificultaram  a compreensão ou a recriação das belas obras.

De José Luís Peixoto, li “Dentro do Segredo”, uma viagem na Coreia do Norte. Num tom quase coloquial, o autor nos dá a oportunidade de conhecer um país tão fechado para o resto do mundo como aquele. Em seguida, com certeza, vou ler a prosa de ficção e a poesia do escritor.

“Novos Contos da Montanha” é o livro que li de Miguel Torga. Trata-se de um painel das almas da serra portuguesa, como o próprio autor diz. Que magnífico contador de histórias! Quanta singeleza, quanto lirismo, quanto conteúdo, quanta criatividade, nos contos desse grande escritor. Ele me lembrou um pouco o nosso querido Júlio de Queiroz, pois muitos de seus contos chegam ao desfecho com revelações impressionantes, surpreendendo sempre, nunca sendo óbvio.

De todos que li, Gonçalo foi o mais singular, um pouco difícil de digerir, mas sempre interessante. Preciso ler mais da obra dele.

E Walter Hugo Mãe, o angolano-português, também me impressionou, não só pelo domínio sereno e tranquilo da língua-mãe, mas pelo fôlego e pela excelência de sua criação, pela sensibilidade e profunda percepção do ser humano. Li “A Máquina de fazer Espanhóis”, o quarto e último volume da sua tetralogia que mostra o tempo da uma vida humana, desde a infância até a velhice. É claro que vou ler os primeiros três romances, até já os comprei.

Então se a literatura brasileira é boa, tem grandes autores, não é por acaso. É porque a literatura portuguesa é riquíssima em conteúdo, em estilo, em qualidade. Então os grandes escritores brasileiros têm a quem puxar.

sexta-feira, 14 de março de 2014

HOJE É O DIA NACIONAL DA POESIA


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br



Hoje, 14 de março, é o Dia Nacional da Poesia. No Brasil o dia da poesia é hoje, porque é o dia do aniversário de Castro Alves, um dos grandes poetas brasileiros. O Dia Internacional (ou Mundial) da Poesia, no entanto, é comemorado no dia 21 de março, por iniciativa da Unesco.

Então, vamos comemorar. Poesia é a língua universal do ser humano. Poesia é a linguagem do sentimento, da emoção. Minha homenagem, hoje, a todos os meus amigos poetas e minhas amigas poetisas, que são muitos, aos meus grandes poetas, como Quintana, Pessoa, Coralina e tantos outros grandes poetas de todo o mundo.
Poeta, esse ser estranho e singular, iluminado, que vê a vida com o coração e tenta passar essa visão a todos aqueles que tiverem sensibilidade para recriar a sua visão. Então quero enviar a minha homenagem a todos os bardos deste imenso Brasil e do mundo, pois é das penas deles que flui a emoção e o sentimento dessa arte que se chama literatura.

É o poeta que torna esse nosso mundo, tão belo e ao mesmo tempo tão conturbado, um pouco mais sensível, é ele que desnuda a alma para que a nossa alma seja menos dura, menos intolerante, mais solidária, mais humana.

É o poeta que nos leva a contemplar o amor, que nos leva a pensar a paz, que nos lembra de que somos irmãos gêmeos da natureza e por isso mesmo precisamos amá-la e respeitá-la, para que ela nos proteja e não nos desampare.

Precisamos comemorar esse dia lendo e produzindo versos, todos nós, pois o mundo atual, tão corrido e tão violento, precisa da singeleza e do lirismo da poesia. O ser humano precisa cultivar a poesia, para não se deixar endurecer ainda mais, para não deixar de ser gente.

Ao contrário do que alguns pensam, a poesia é necessária. Como deixar fluir a alma pelas pontas dos dedos, a não ser pela criação de um poema? A poesia é sentimento, é emoção, é alma, é coração. Como sermos humanos sem tudo isso?

A poesia é mágica, como já disse Quintana – e quem mais poderia dizê-lo? – como neste poema que toma a liberdade de transcrever:

”Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...”

Que mais posso eu dizer? Rendo a minha homenagem a você, poeta, que não deixa morrer a poesia que existe, ainda, em nossas vidas. E rendo minha homenagem a você, leitor, que não deixa morrer a poesia, recriando-a. E viva a poesia mundial, e viva Quintana, e viva nós, poetas e vivam todos os leitores.

quinta-feira, 13 de março de 2014

O FIM DA FEIRA DO LIVRO DE FLORIANÓPOLIS?


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Nesta quarta-feira tive o desprazer de ver matéria sobre a Feira Catarinense do Livro, realizada em Florianópolis há 3 anos: há a possibilidade de que a feira não aconteça este ano, porque o espaço onde as feiras do livro – Feira Catarinense do Livro e a tradicional Feira do Livro de Florianópolis - têm sido realizadas, nos últimos anos, não pode mais ser cedido pela prefeitura da capital, conforme a Superintendência do IPHAN em Santa Catarina. A desculpa é que a feirinha de hortifrúti, que é realizada ao lado do mercado, não pode ser retirada dali por 9 dias. Também porque o Iphan proibiu, a partir de 2012, que fossem realizados eventos de comercialização de produtos na frente do prédio da Alfândega, porque ela é considerada patrimônio histórico do Estado. Ora, a feirinha já se deslocou, em outras épocas, para vários lugares, além da praça do chafariz em frente à Alfândega -,inclusive aquele espaço em frente ao terminal Florianópolis, que poderia ser usado de novo, porque é um espaço morto. Mas há outros espaços. Já a feira do livro precisa de um espaço como o Largo da Alfândega, que fica bem dentro do fluxo de público, entre o centro da capital e os terminais de ônibus. E incentivar  a leitura é tudo o que precisamos, atualmente.
É bom não esquecer que a Feira do Livro de Florianópolis é realizada no Largo da Alfândega há 13 anos. E, segundo a Câmara Catarinense do Livro, realizadora das feiras do livro, “O IPHAN não autorizou a ocupação do espaço, por solicitação da SESP - Secretaria de Serviços Público de Florianópolis.”
No final do ano passado, a feira já sofreu restrições, teve que ser reduzida à metade, mas ficou lá, no espaço de sempre, lado a lado com os feirantes de hortifrúti. Está faltando boa vontade do poder público, e não é de agora. O desmonte da feira do livro já vem de muito antes da proibição do Iphan. Já faz uns bons anos que a feira é simplesmente um local para venda de livros, sem nenhuma outra atração, sem nem espaço, mais, para os escritores da terra. Simplesmente porque não há apoio nem do município, nem do Estado, nem da União. Outras feiras pelo Estado, como a de Joinville e de Jaraguá do Sul, entre outras, tem crescido espetacularmente, enquanto que as de Floripa só tem diminuído.
Escrevi artigo sobre a falta de apoio da feira do livro da capital quando da edição do final do ano passado e um dos parágrafos finais era o seguinte: A Feira do Livro de Florianópolis vem diminuindo a cada ano, por falta de apoio tanto do Estado quanto do município. O evento vem sofrendo um processo de esvaziamento e, a continuar assim, no próximo ano não teremos feira do livro na capital.” Infelizmente, parece que o que disse está se cumprindo.
Espero que a Prefeitura da Capital e o Estado lutem e intercedam junto ao Iphan para que a cultura catarinense pare de ser tão desprezada, não fique mais no abandono em que se encontra até aqui. É preciso que a Câmara Catarinense do Livro conte, como já disse, com o apoio do município, do Estado, da União e da iniciativa privada para que possa realizar uma feira do livro à altura de uma capital. É preciso que o poder público dê mais valor à cultura.

 

quarta-feira, 12 de março de 2014

A PRACINHA DE CORUPÁ

 
    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Vou pelo menos uma vez por mês a Corupá, minha cidade das cachoeiras, no pé da Serra do Mar. Na verdade vou a Joinville, Jaraguá, São Francisco, mas é claro que, estando por perto, não posso deixar de visitar a terrinha. Gosto de comprar alguns produtos de lá que são os melhores, como os biscoitos de melado, as cucas alemãs, a linguiça Blumenau, a geleia ou queijo de porco, o melado, etc. Gosto de rever lugares, pessoas, revisitar lembranças. Meu irmão mora lá, além de tios e primos.

E tenho percebido que há mais ou menos um ano demoliram a pracinha do centro da cidade, a pracinha que existe desde sempre, para mim, pois nasci em Corupá. Era uma pracinha comum, mas era singela, era a pracinha da minha cidade. Eu até concordo que o Prefeito queira modernizar a cidade, destruindo a antiga pracinha para em seu lugar construir alguma coisa mais vistosa, mais atual.

Mas faz muito tempo que a antiga pracinha sumiu, um tapume foi erguido em volta do local e não se sabe o que está acontecendo, não se sabe quando os tapumes vão ser removidos para que conheçamos a nova praça. Já passei por lá em dia de semana e não havia ninguém trabalhando. Parecia a Ponte Hercílio Luz em Floripa.

Quando será a inauguração da nova praça? Há um cronograma, há uma previsão de conclusão? Soube de boatos acerca da entrega no próximo aniversário da cidade. Isso é em meados do ano. Mas já houveram os mesmos boatos no ano passado e nada aconteceu.

Sr. Prefeito, Corupá não é uma cidade tão pobre assim que não possa arcar com uma obra como essa. Sei que estão sendo realizadas outras obras, mas a pracinha está escondida há muito tempo. Já se passou um ano, quanto tempo mais teremos que esperar? Corupá está crescendo, a economia não se resume mais somente à agricultura, a indústria e o comércio também geram bons impostos, além do aumento da população. Queremos nosso cartão postal de volta.

segunda-feira, 10 de março de 2014

LANÇAMENTO DO SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA NA FEIRA DO LIVRO DO SHOPPING ITAGUAÇU


 
     Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Neste dia 12 de março, as 15 horas, terei uma tarde de autógrafos na Feira do Livro do Shopping Itaguaçu, em São José, com o lançamento da edição de março da revista SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA, do Grupo Literário A ILHA, prestes a completar 34 anos de atividades literárias e culturais, e dos livros NAÇÃO POESIA - antologia poética e O RIO DA MINHA CIDADE - crônicas, Menção Honrosa nos Prêmios Literários Cidade de Manaus.

Sobre o livro NAÇÃO POESIA, o professor Celestino Sachet comentou: “Meu poeta-menino, irmão gêmeo do menino-poeta. Na manhã de um domingo friorento e chuvoso, percorri teu livro com ganas de curtir poesia. E me dei bem!
Teu “Nação Poesia”, a partir da capa, é um primor. Na sequência em que fui namorando teus versos, descobri que você é um poeta com todas as letras da linguística e com todas as artes de teoria da literatura. Já me explico:O teu poema é uma síntese moderna do Olavo Bilac, no “Profissão de Fé”, quando sugere “Torça, aprimora, alteia, lima / A frase; e, enfim, / No verso de ouro engasta a rima, / Como um rubim.” A grande maioria de teus poemas tem este final de ouro. Tomo como modelo o poema “Poeta”. Dentro dos últimos cinco versos, veja a força que explode em “que me divido / em mais eus”.
Mas você é também Drummond, quando desafia – “Penetra surdamente no reino das palavras”. Só que você corrige Drummond e penetra “meninamente” na magia das palavras. Toda a sua (tua) poemática é de menino – Natal – passarinho – árvore – jacatirão."

Todos estão convidados, leitores e escritores. Apareçam por lá. A Feira do Livro do Shopping Itaguaçu está oferecendo uma gama enorme de opções de leitura. A organização é da Editora e Distribuidora Papa Livro, que tem levado o livro a vários shoppings, por enquanto em São José, mas deve abranger toda a Grande Florianópolis.

sábado, 8 de março de 2014

A LITERATURA PORTUGUESA E O ACORDO ORTOGRÁFICO


     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Um artigo, muito interessante, sobre o fato de o Acordo Ortográfico e a Unificação da Língua Portuguesa não ter melhorado o acesso do livro português no mercado brasileiro, me chama muito a atenção:Ao estabelecer uma ortografia unificada, o acordo ortográfico (AO) iria facilitar a circulação do livro português no Brasil. Este foi, entre muito outros, um dos argumentos brandidos em favor da sua aplicação. Agora que, tanto em Portugal como no Brasil, boa parte das editoras adoptaram o acordo, essa promessa começa já a concretizar-se? A resposta parece ser negativa.” O texto é de origem portuguesa, está num apanhado de clips sobre livro e literatura, mas não identifica o órgão publicador.

Uma afirmação de Pedro Benard da Costa, da legendadora portuguesa Cinemateca, fecha o texto – que não é pequeno, com depoimentos de editores e livreiros portugueses: "A construção gramatical é completamente diferente e há muitas palavras que não têm o mesmo sentido cá e lá."

Pois venho escrevendo sobre isso há anos, ponderando que o Acordo Ortográfico não significa que haverá, automaticamente, uma unificação da língua portuguesa em todos os países onde ela é falada. Existem muitas palavras que têm significado diferente aqui e em Portugal, por exemplo, mas é possível que isso aconteça na comparação com outros países, como Cabo Verde, Angola, etc. Lá fora existem muitas palavras que são não usadas aqui e vice-versa. Uma alteração quase que exclusivamente de acentuação não resolveria as diferenças de significação, o que não inviabiliza a leitura dos livros portugueses no Brasil. O que incomoda é a pretensão de alguns dos promotores do acordo em querer que o português seja exatamente o mesmo, independente do país onde ele é falado. Se até dentro do mesmo país, há diferenças na maneira de falar o português – isso acontece no Brasil -, como esperar que a língua seja a mesma em vários países onde ela é a língua oficial, tão distantes uns dos outros? A linguística existe e vai continuar existindo sempre, não há como ser diferente.

Tenho lido vários autores portugueses, como José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Miguel Torga, Saramago e o angolano Valter Hugo Mãe, angolano que vive em Portugal, e não tenho tido dificuldade na compreensão dos textos, apesar de serem livros publicados em Portugal e, por isso, conter palavras desconhecidas. O contexto permite que se entenda perfeitamente o assunto. Não tenho dicionário português que não seja o nosso aqui do Brasil, mas posso pesquisar na internet, se for o caso.

Aliás, como já sabemos através dos clássicos portugueses mais conhecidos no Brasil, Pessoa e Camões, a literatura portuguesa é rica e de qualidade. Quem conhece os autores citados acima sabe do que estou falando, pois são autores consagrados em Portugal, com obra extensa e largamente premiada. Vale a pena conhecer. O português não é exatamente o mesmo que o nosso, há diferenças, sim, mas não há necessidade de tradução para publicação da obra de autores portugueses aqui, porque a compreensão é completamente possível.


terça-feira, 4 de março de 2014

BIBLIOTECAS FECHADAS


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A propósito do artigo “As Bibliotecas prometidas”, sobre a falta de bibliotecas em muitas escolas públicas e mais uma promessa do poder público de resolver o problema, chamou-me a atenção o texto de Galeno Amorim, a respeito do não zeramento do número de municípios brasileiros sem bibliotecas. A minha ênfase foi sobre as bibliotecas escolares, mas uma cidade sem biblioteca, por menor que seja, é uma situação inaceitável.

Galeno foi presidente da Fundação Biblioteca Nacional e, segundo ele, quando deixou a casa, no ano passado, estavam sendo entregues os últimos kits para montagem de biblioteca aos municípios que ainda não as tinham. O principal vem agora: centenas de municípios que receberam os kits ainda não tinham aberto as suas bibliotecas. A justificativa, conforme o  texto: “para muitos prefeitos manter uma biblioteca aberta dá um trabalhão danado, por menos que façam. Sendo assim, justificam esses, melhor nem abrir...”

Dá pra acreditar? Dá trabalho promover cultura e educação, não há verba, não há pessoal, não há espaço. Conheço essa história de cor. Nosso grupo literário, que existe há quase 34 anos, nunca conseguiu um espaço para reuniões e estudo, por todas as cidades onde teve sua sede. Fazíamos o atendimento de escritores iniciantes que procuravam a Casa da Cultura, em Joinville, por exemplo, a qual por sua vez, mandava as pessoas para nós. Mesmo assim não conseguíamos espaço.

 Então, não duvido da veracidade do fato. Mas o mais grave é que para outras finalidades bem menos importantes, quase sempre, há verba, como carnaval, como a farra da Fifa, em Florianópolis, que teve o “patrocinío” do governo do  Estado, etc., etc.

Mas tem mais no texto lido, igualmente terrível: a notícia de que muitos municípios acabam fechando suas bibliotecas. Sim, bibliotecas vêm sendo fechadas, sistematicamente. Por falta de leitores, dizem. Sinal de que o descaso com a educação brasileira está dando frutos. Mas, a bem da verdade, o motivo principal do fechamento de bibliotecas é que o poder público acaba cortando os pagamentos de tudo o que é necessário para a manutenção dos espaços, até que eles tenham que ser fechados, por não ter mais condições de receber ninguém.

É lamentável que alguns de nossos prefeitos deem tão pouca importância ao valor da educação de seus eleitores. E o pior é que não são só os prefeitos.

domingo, 2 de março de 2014

AS BIBLIOTECAS PROMETIDAS

 
     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Muitas promessas, leis até, já foram feitas, para que uma biblioteca em cada escola brasileira seja realidade, mas a verdade é que essa esperança de alunos e professores nunca se concretizou. Volta e meia, desde o governo Lula e quase que de ano em ano, o governo anuncia que vai zerar o déficit de bibliotecas nas escolas, que não haverá no Brasil escola sem biblioteca.
Na verdade, parece que não há muito interesse do poder público em investir em bibliotecas escolares e públicas,  o que diminui o acesso à leitura da população que não tem recurso para adquirir livros. Um estudo feito pouco antes de iniciarem as aulas prova isso: em cada três escolas, duas não têm biblioteca, laboratório nem sala de informática.
Conforme divulgado pela mídia, a infraestrutura de mais de cento e cinquenta e sete mil escolas públicas foi avaliada, recentemente, por um estudo do Movimento Todos pela Educação: 62% das escolas municipais têm apenas os serviços essenciais como água, energia e saneamento. Apenas 34% das escolas analisadas têm infraestrutura avançada – com laboratórios, bibliotecas, áreas de lazer e acesso à internet.
Para cobrar o cumprimento de promessas feitas, o Instituto Ecofuturo está liderando a Campanha “Eu Quero Minha Biblioteca”, que busca a efetividade da Lei 12.244/2010, que diz que “até 2020 todas as instituições e ensino público brasileiras – e privadas – terão uma biblioteca. A campanha conta com o apoio da Academia Brasileira de Letras, Conselho Federal de Biblioteconomia, Fundação Nacional do Livro Infantil, Instituto de Corresponsabilidade pela Educação, Movimento por um Brasil Literário, Todos pela Educação e outras empresas.
Para uma promessa semelhante, que já havia sido feita há bastante tempo, prevendo que em 2006 não haveria mais cidade brasileira sem biblioteca pública, prometer de novo, com tão largo prazo, há que haver cobrança, mesmo, há que se unir a sociedade para exigir o seu cumprimento.
Até porque, apesar dessa lei 12.244 ter sido sancionada em 2010, no dia 10 de setembro de 2013, cinco meses atrás, foi noticiado na imprensa brasileira que “A Comissão de Educação do Senado confirmou a aprovação do projeto de lei que estabelece que todas as escolas públicas brasileiras que oferecem ensino básico, terão que criar e manter bibliotecas abertas para os alunos e professores. Uma das mudanças, feitas pelo relator da matéria, alterou o prazo para que as instituições se adaptem à nova regra, que passou a ser de três anos a partir da publicação da lei. Na sessão do dia 10, o colegiado decidiu acatar as mudanças que incluem também a previsão de contratação de bibliotecários para atuar nesses espaços e atender a alunos e profissionais de ensino. Como passou por alterações, o projeto, que já havia sido aprovado pelos deputados, voltará a ser analisado na Câmara para nova votação. Se aprovado, o texto segue para sanção do Executivo e passa a valer como lei.” O que não foi esclarecidoé com quais recursos essas bibliotecas seriam criadas.

Aparentemente, estariam trabalhando para aprovar uma lei que já existe, mas na verdade o governo está, com essas mudanças, tentando se eximir da responsabilidade. Isso é bem coisa de políticos incompetentes e de um país que não sabe e não quer resgatar a sua educação. Hoje não se fala mais no tal projeto de lei, será que foi aprovado? Esperemos que pelo menos a lei 12.244 seja cumprida, pois segundo o movimento Todos pela Educação, 33,7% das escolas públicas do país não têm bibliotecas. E precisamos de bibliotecas, precisamos de livros, precisamos incutir o hábito da leitura. E sem bibliotecas públicas e escolares, isso fica bem difícil, ainda mais com o sucateamento da educação que todos estamos vendo em nosso país