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sábado, 30 de agosto de 2014

REFORMA ORTOGRÁFICA, DE NOVO?


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O último acordo ortográfico da língua portuguesa, que se arrasta por anos, teve  a sua vigência prorrogada pelo governo brasileiro de 2013 para 2016 – e já existe projeto de outra reforma na nossa língua portuguesa, essa com mudanças muito mais abrangentes do que a anterior.

O projeto, chamado “Simplificando a ortografia”, é do professor de língua portuguesa Ernani Pimentel e sugere alterações como o fim da letra H no início de palavras (“homem” e “hoje” viram “omem” e “oje”), o fim da junção CH (“chave” e “chuva”, viram “xave” e “xuva”) e o fim da letra S com som de Z (“precisar” e “casa” viram “precizar” e “caza”), entre outras. O  objetivo é tornar a linguagem escrita igual à falada.

Muito nobre a intenção do professor, seria muito mais simples termos a nossa língua escrita exatamente da forma como é falada, mas estamos passando pelas dificuldades de uma reforma agora, reforma essa proporcionalmente simples, se comparada com a proposta agora. E já está dando o maior trabalho para todos, seja na escola ou para quem escreve, profissionalmente ou não.

 O Acordo Ortográfico, que pretende ser comum a todos os países que falam o português e que já está sendo aplicado nas escolas e nas publicações brasileiras há alguns anos, era para vigir a partir do dia primeiro de janeiro de 2013, mas teve a sua vigência obrigatória adiada por mais três anos.

Livros didáticos e apostilas, usados em todas as escolas do país, tiveram que ser atualizados e reimpressos. Muita coisa foi para o lixo para ser substituída por novas versões atualizadas com a nova ortografia. Agora tudo vai ter que ser substituído novamente? Isso envolve dinheiro público, que poderia ser canalizado para outras necessidades da própria educação brasileira, que vem sendo sucateada sistematicamente. Será que não há nada mais importante para se pensar, para reformar, do que tumultuar o ensino e o uso da língua mãe?

Ou será que estão tentando “simplificar” a nossa língua justamente para disfarçar o sucateamento, por parte de nossos governantes, da educação brasileira, do ensino que está sendo praticado?

Os governantes que aí estão mudaram, recentemente, entre outras coisas, a idade de alfabetização de nossas crianças, que sempre aprenderam a ler e a escrever aos sete anos. Há alguns anos, a data de alfabetização dos pequenos mudou para oito anos. Claro, porque foram feitas muitas mudanças, nos últimos anos, no ensino do primeiro grau, e não foi para melhor. Não só na maneira de ensinar, mas no conteúdo curricular, também. De maneira que existem muitos estudantes no terceiro, quarto anos do ensino fundamental brasileiro que não sabem ler e escrever. Por causa disso, o governo brasileiro decidiu aumentar um ano no prazo para a alfabetização dos estudantes. Simples, não?    

Sem considerarmos a confusão que as mudanças causam na maioria dos cidadãos brasileiros. Já havia dificuldade para escrever corretamente. Agora, então, é que não se tem mais segurança de nada.

Felizmente, o projeto ainda não está na Comissão de Educação do Senado, ela será apresentada no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa que acontece em setembro, em Brasília. É um assunto que precisa ser pensado e discutido, com muita calma e serenidade, com objetividade, porque afinal, não saímos ainda de uma reforma e já estaríamos prestes a entrar em outra? O que diz disso a Academia Brasileira de Letras? E os outros países que falam a língua portuguesa, o que acharão disso?

Como disse Sérgio Nogueira, colunista de português, “A ‘simplificação’ me parece muito mais um empobrecimento, uma confissão de incapacidade: Fracassamos. Não conseguimos ensinar nem a nossa própria língua porque as regras são difíceis. Não será um acordo ortográfico que vai resolver nossos problemas com o analfabetismo”.

De pleno acordo. O que precisamos é de melhor manutenção e equipamentos apropriados nas escolas, melhor qualificação e pagamento digno aos professores, um conteúdo curricular planejado e eficiente para nossos estudantes.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

LIVRO NÃO SE JOGA FORA

    Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

O caso do diretor de uma escola em Santo Amaro da Imperatriz que descartou grande quantidade de livros para a reciclagem, resultou na exoneração do mesmo. Só que a história continua. Agora ele vem a público dizer que os livros para descarte era só uma parte do que foi levado, que uma outra parte não era para a reciclagem, que que esta outra parte foi levada sem autorização.

Ora, vamos esclarecer uma coisa: primeiro, nenhum livro deve ser entregue para reciclagem. Se não havia mais utilidade na escola, que chamassem o Floripa Letrada, que eles pegam e colocam nas estantes do terminais e alguém leva, alguém vai dar uma sobrevida para os livros. Não se joga livro fora. Eles poderiam ser encaminhados, também, para uma outra escola, que existem escolas de interior que não têm biblioteca e precisam de doações.

Segundo, o diretor diz que um funcionário da escola atendeu os recicladores que foram pegar os livros. Porque não impediu que levassem os livros “bons”?  Ninguém conferiu o que foi levado, eles poderiam ter levado tudo o que estava na sala, que ninguém conferiria o que estava saindo?

Livro didático é comprado com dinheiro público, com o nosso dinheiro, não pode ser jogado fora. Sinto muito, senhor diretor, mas o senhor , como educador que deveria ser, deveria saber disso.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A DANÇA DA TERRA DA GENTE


    Por Luiz Carlos Amorim – escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Agosto foi o mês do Festival de Dança de Florianópolis, o Prêmio Desterro, que neste ano teve cinco dias de apresentações no palco do Teatro do CIC e em alguns outros da capital catarinense. Cerca de mil bailarinos que vieram de vários estados brasileiros e de outros países, apresentaram coreografias nos gêneros balé clássico, contemporâneo, dança de salão contemporânea, dança de salão tradicional, danças populares, danças urbanas, jazz e sapateado.

Não poderia deixar de prestigiar o Festival de Dança de Florianópolis,  pois gosto demais de dança e gostei de quase tudo o que vi nessa quinta edição desse evento do gênero que deu um salto em qualidade e duração neste ano de 2014. Aliás, acho até que o festival precisa aumentar um ou dois dias, a julgar pela quantidade de trabalhos selecionados nesta edição.

As noites competitivas estenderam-se  por mais ou menos quatro horas, o que é muito tempo e acaba cansando os espectadores, que acabaram, muitos deles, saindo no meio dos espetáculos

Mas o nível da qualidade deste festival foi bastante alto. Tivemos muita coisa boa desfilando pelo palco do CIC e por outros palcos da cidade. O que me chamou a atenção, me impressionou pela qualidade do trabalho, foi a participação de Jaraguá do Sul e Guaramirim. Os trabalhos apresentados pelas duas cidades foram muito bons, notadamente do grupo de Guaramirim. Não vi as colocações dos grupos das duas cidades no ranking do festival, mas a verdade é que concorreram em igualdade de condições com os vários outros grupos. Estão colocando seus nomes cada vez mais alto no cenário da dança.

Parabéns aos organizadores do festival por mais esse espaço para a dança, que cresce a cada ano e aos bailarinos de todas as partes, operários abnegados e dedicados desta arte sublime do movimento, da poesia do corpo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

ELEIÇÃO E VOTO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Começou o horário político no rádio e na televisão. Eu não gosto muito de falar em eleição, porque nem sempre há candidatos suficientes em quem se possa votar, mas li uma cartinha num jornal, a respeito, e achei muito interessante: “o horário político está de volta e os candidatos vão fazer, de novo, meu ouvido de penico. Mas eles terão o troco no dia da eleição.” Não é legal? O eleitor sabe que os políticos que querem se aboletar nos mandatos de quatro anos, que aproveitar a “boquinha”, vão prometer mundos e fundos sem a mínima intenção de cumprir, vão reivindicar para si inúmeras “realizações”, vão mostrar, alguns deles, uma baita ficha limpa que não existe e esconderão a sete chaves a enorme ficha suja, essa sim de verdade. Vão tentar convencer de que são a obra-prima da natureza. Mas ele, o eleitor, vai fazer valer o seu direito de escolha e seleção e quando chegar o dia da eleição, não votará em nenhum deles. Se não houver nenhum candidato que mereça o seu volto, votará nulo.
Isso me fez lembrar, também, que na semana passada caminhava eu pelo centro, quando passei por duas senhoras que conversavam sobre a eleição. “Pois não é tudo uma cambada de corrupto? E a gente tem que votar neles!”, diziam elas. Eu não as conhecia, mas não me contive e postei-me ao lado delas, me metendo na conversa: As senhoras não são obrigadas a votar em ninguém. Se sabemos que os candidatos disponíveis não são bons, não são o que queremos para representar-nos, então não devemos votar neles. Se não houver ninguém em quem possamos votar, a única saída e anular o voto, pois só assim ele não vai valer pra ninguém e servirá de protesto para saberem que não estamos satisfeitos com o que está aí. Não existe aquela história de que precisamos voltar em alguém de qualquer jeito, para não “desperdiçar” o voto. Desperdiçar é votar em quem não merece.
Elas olharam pra mim, balançaram a cabeça e concordaram. E eu segui o meu caminho, de alma lavada. As pessoas, todas, deveriam saber como funciona o sistema eleitoral. Mas não é interessante para os políticos, não é?
(Artigo publicado hoje no Diário Catarinense, sob o título "Horário Político")

terça-feira, 12 de agosto de 2014

COMO DIZER ADEUS?


      Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Nossa pinscher Pituxa, a Xuxu, completa vinte primaveras neste ano de 2014. Está muito, muito velhinha, como é de esperar: cega, surda, sem faro, come pouco e quase não se aguenta em pé, pois está muito magra, não tem mais músculos. O bebê da casa está velhinho, muito velhinho, pra lá de idoso.

Tentamos dar-lhe alguma qualidade de vida, colocando tapumes de espuma por toda a casa, para ele não bater nas coisas, cortamos a comida em pedaços bem pequenos, pois ela tem poucos dentes e tem tártaro, que não conseguimos mais tirar porque ela não suporta mais anestesia.  Colocamos almofadas e mantas em quase todos os cômodos da casa para ela deitar e dormir, mas corta o coração vê-la cambalear, quase não conseguindo mais andar.

Xuxu tosse, espirra, às vezes cai, porque já é difícil para ela equilibrar-se e o chão ainda é liso. Aquelas sacudidas que todo cachorro dá, ela quase não pode mais fazer. Não sai mais para tomar sol lá fora, como fazia antes, todos os dias. Não vai mais esperar-nos lá na porta da garagem, quando saímos, como sempre fazia, mesmo depois de ficar cega.

Nossa bebê está indo embora, aos poucos, e isso dá uma tristeza muito grande. Fico pensando se ele não está sofrendo, se não é crueldade deixá-la assim, a vida  se esvaindo devagarinho, a gente assistindo o seu fim, sem poder fazer nada além de levá-la ao veterinário, para dar-lhe remédio e esperar que melhore.

Que mais podemos fazer, além de lhe dar carinho e tentar dar algum conforto? Não consigo pensar em sacrificar uma criaturinha que nos acompanhou por tanto tempo, que nos amou por toda a sua vida.  Mas também não podemos deixá-la sofrer, indefinidamente. Podemos e devemos cuidar dela como até agora, que ela merece. Como saber se isso é bom para ela, continuar aqui, com tanta dificuldade?

É muito difícil. Xuxu é parte da família, não dá para vê-la sofrendo e também não queremos vê-la partir, ainda mais por iniciativa nossa.

Foi muito duro perder Dona Menina, a mãe dela, que morreu com doze anos, serenamente, sem sofrimento. Um dia ela amanheceu cavando um buraco no jardim, embaixo de algumas plantas, nós brigamos com ela e ela foi para debaixo da nossa cama. Fomos tirá-la de lá e ela já estava indo. Quando chegamos ao veterinário ela se foi de vez.

E Xuxu? Será mais dolorido ainda, tanto para ela quanto para nós? Como nos prepararmos para perder um ente querido?
 
Nota: Esta crônica foi escrita há uma semana. Xuxu se foi nesta madrugada. Foi uma vida inteirinha - vinte anos - em nossa companhia. E ela continuará conosco, para sempre.

sábado, 9 de agosto de 2014

DIA DOS PAIS INVERTIDO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Nesse Dia dos Pais quero inverter a ordem das coisas e homenagear minha filharada. Quero agradecer-lhes, minhas filhas, nesse dia e em todos os outros, pelo privilégio e pela honra que Deus me deu de ser o pai de vocês. E agradecer a sua mãe, também, por ter me dado vocês, nosso maior tesouro. Quero dizer-lhes que eu só tive a exata noção do que é ser um ser humano completo e feliz depois que vocês chegaram. Que os filhos dão um objetivo maior à vida da gente, que depois que eles chegam, a gente tem uma razão maior para viver. Que muito do que aprendi na minha trajetória por este mundo de Deus, até aqui, foram vocês que me ensinaram. Não trocaria o orgulho de ser pai de vocês por absolutamente nada neste mundo.

Vocês cresceram e cada uma está trilhando o seu próprio caminho e eu fico aqui torcendo pelo sucesso de vocês. E tenho certeza de que Ele estará sempre presente em suas vidas, porque sei da educação que tiveram. Sinto falta de vocês – filhos são sempre crianças, não importa a idade que tenham – pois nossa casa parece insistir em me lembrar que está faltando alguém. Mas aí eu penso que é assim mesmo, que pais são aqueles seres que ficam aumentando a casa até que, quando ela está pronta, do tamanho ideal – grande demais -, os filhos começam a sair do ninho para terem as suas próprias casas. É a ordem natural das coisas.

Então o meu beijo e o meu abraço a vocês, sempre, pois vocês são o maior presente que eu poderia desejar. E me sinto abraçado, beijado, amado, mesmo que vocês, a minha filharada, não possam estar aqui, pois tenho, na memória, muitas pastas com uma quantidade enorme de arquivos cheios de abraços, beijos –melados, lambuzados, molhados, alguns deles, dos quais gosto tanto quando dos outros – e faço uma releitura deles, desde a mais remota infância de vocês até recentemente, quando a juventude plena e a vida adulta lhes chegou e a vida lhes mostrou seus próprios caminhos.

E enquanto não posso abraçar vocês, abraço a sua alma, o seu espírito, e mato um pouco da saudade.

Feliz Dia dos Pais e feliz Dia dos Filhos, minhas filhas. O meu é feliz porque eu tenho vocês.
(Artigo publicado nos jornais A Noticia, Jornal da Manhã, Notisul, Folha do Estado, de Cuiabá, O Estado de Fortaleza, Jornal do Vale e outros.)

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

PRECISAMOS DE MAIS SAÚDE PARA O BRASIL


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


E neste dia 5 de agosto deveríamos comemorar o Dia Nacional da Saúde. Na verdade, não temos muito o que comemorar, porque a saúde pública brasileira está um caos, as pessoas que dependem do SUS esperam meses, anos, por uma consulta, faltam médicos, faltam leitos, funcionários e equipamentos nos hospitais, faltam hospitais, há pessoas morrendo nas filas de emergências e postos de atendimento. Apesar de nosso ex-presidente alardear aos quatro ventos que a saúde pública de nosso país é modelo, que funciona às mil maravilhas.

Sem contar que a saúde do planeta também anda na UTI, por conta dos maus cuidados do próprio ser humano que vive nele. E a natureza está se rebelando, está dando o troco por tanto descaso, como temos visto ultimamente, no Brasil e em outros países.

 Infelizmente, tenho que ser realista. Gostaria de constatar que estou simplesmente exagerando, mas todos sabemos que não é assim.

Quando falamos de saúde, devemos pensar na saúde do ser humano e na saúde do Planeta Terra, na saúde do nosso meio ambiente. E todos sabemos que a saúde de todos os três não anda boa, faz muito tempo. Não cuidamos da natureza, não respeitamos a natureza como ela merece ser respeitada e ela não aceita desaforo. Dá o troco. Então, se a saúde da Mãe Natureza não vai bem, a nossa também não, consequentemente. E a culpa é nossa.

Não cuidamos do lugar onde vivemos, fragilizamos a saúde do planeta, envenenamos o ar, a água, a terra. O resultado é a nossa saúde fragilizada. Precisamos devolver a saúde ao meio ambiente, ao planeta, para restabelecer a nossa própria saúde. Com muita urgência. Porque o tempo está se esvaindo.
(Artigo publicado hoje no Diário Catarinense)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A CAPITAL MUNDIAL DA DANÇA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Com o frio ornado de flores de jacatirão (manacá-da-serra) e azaleias, quem sabe de ipês, acaba o Festival de Dança em Joinville, o maior do gênero no mundo. Pude  encher a vista com a beleza da dança na Cidade das Flores.
Quando o Festival de Dança começou em Joinville, eu já morava lá e assisti todas as edições, desde a primeira, enquanto estava na Manchester. Começou no Teatro Harmonia Lyra – eu me lembro que assisti de pé a primeira noite do primeiro ano -, depois passou para o Ginásio Ivan Rodrigues, onde ficou por vários anos, até o Centreventos ficar pronto e o grande evento passou a ter um lugar maior.
A dança é uma das artes mais sublimes, pois aliada à música, impressiona todos os nossos sentidos. E o Festival de Dança de Joinville espalha essa beleza, esse movimento, essa plástica e seus sons por toda a cidade, não se restringindo apenas ao Centreventos, à mostra competitiva. A dança esteve nas praças, nos shoppings, nas escolas, nos bairros, nas fábricas, nos hospitais, em todo lugar.
E nos anos 80 e 90, quando ainda existia a Feira de Arte em Joinville, aliávamos a beleza da dança à poesia, levando o Varal da Poesia à praça Nereu Ramos, que tinha um palco fixo (o popular “palco da liberdade”), onde eram apresentados os grupos e suas coreografias que haviam participado da mostra competitiva.
Os “poetas da praça”, integrantes do Grupo Literário A ILHA, produziam e colocavam em cartazes que eram presos a fios esticados perto do palco, dezenas de poemas cantando a dança e os bailarinos que vinham de todos os pontos do país e do exterior para exercitar na Cidade dos Príncipes a mágica poesia do corpo.
Além dos poemas como “Qual grande caixa de música , /a cidade, de sons e cores, / é, também,um grande palco: / a emoção, bailarina, / vibra dentro de todos / e a música é poesia / na ponta das sapatilhas...” ou “A música, / poesia do som, / embala a emoção, /aguça os sentidos, / transborda o coração, / explode por todos os poros / e faz-se movimento, / dança e enlevo...” e muitos outros, que eram exibidos no Varal e distribuídos em sanfonas poéticas, colocávamos na ruas de Joinville out-doors com trechos de poemas, homenageando a dança e os bailarinos.
O Festival continua, cada vez maior, mas falta um pouquinho da poesia que existia naqueles tempos de outros festivais ainda vivos na lembrança