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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

HOJE É O DIA NACIONAL DO LIVRO



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br



Dia 29 de outubro é o Dia Nacional do Livro. Livro, este objeto mágico que pode trazer no seu interior um mundo de conhecimento, de fantasia, de imaginação. O guardião da história da humanidade, o registro de tudo o quanto o ser humano já fez neste mundão de Deus. O receptáculo de toda a inteligência do homem, até das teorias do que poderá vir a ser o futuro.

É bem verdade que ainda não é tão popular quanto deveria, pelo menos no Brasil, pois ainda é caro para uma grande parcela do nosso povo, mas para quem gosta de ler há alternativas como as bibliotecas municipais, escolares, de clubes e associações, os sebos, etc. Essas bibliotecas nem sempre terão os últimos lançamentos em seus acervos, mas sempre haverá algum bom título que não lemos. Assim como os sebos, que oferecem um sem número de opções a preços razoáveis.

Com o avanço da tecnologia digital, o e-book, ou livro eletrônico, e os leitores eletrônicos - e-readers - estão se popularizando cada vez mais e já há uma pequena legião de seguidores. Vivemos, na verdade, uma revolução cultural. Eles, os tablets e  e-readers (sim, eles ainda existem), que estão à disposição no mercado, inclusive no Brasil, já são o sonho de consumo de muita gente. Ainda que muitos daqueles que os adquirem acabem esquecendo da função de leitores digitais dos aparelhos, tantas são as opções que eles oferecem: jogos, filmes, internet, comunicação através de programas como skype, programas de relacionamento, etc.

De qualquer maneira, o livro impresso, de papel, o tradicional livro como o conhecemos até agora continuará por muito tempo ainda. E por mais que ele mude, ainda continuará a se chamar livro, o objetivo de perenizar e divulgar a cultura e o conhecimento será o mesmo. Certeza é que o livro de papel poderá conviver harmoniosamente com o livro eletrônico e vice-versa.

Com a tecnologia da informática a serviço da leitura, a tendência é que o hábito de ler se intensifique, até porque além do livro tradicional e do livro digital, temos ainda o áudiolivro, que possibilita que os deficientes visuais sejam, também, consumidores de literatura.

Então talvez devamos comemorar tanta tecnologia a serviço da leitura, mesmo considerando que o livro físico, aquele que podemos folhear, rabiscar e ler sem dependência de nenhuma fonte de energia, a não ser a nossa visão e a vontade de ler, não será extinto. Ao contrário, ele continuará firme, mesmo com todas as outras formas de leitura que existem ou que porventura poderão vir a existir.

De maneira que rendo minha homenagem a esse objeto tão importante para o progresso das civilizações em todo o mundo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O SUCESSO DE APOLÔNIA


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Acabo de ler mais dois livros da sempre renovada safra da escritora Apolônia Gastaldi, que já conta com vinte títulos em sua obra. Aliás, estamos falando de livros publicados, pois outros volumes estão no prelo. E é bom frisar que Apolônia é uma autora catarinense que tem os seus livros distribuídos por todo o Brasil, um sucesso editorial cada vez maior, evidenciando o talento da romancista, poetisa, cronista e excelente produtora de literatura infanto-juvenil.

Apolônia é uma das autoras catarinenses mais produtivas. Seus mais recentes romances são “Mistério do Monge” e “Magia de Íris”, publicados neste ano. Em 2013, publicou outros dois romances, “Sombras do Crime” e “Menina dos Olhos Verdes”. Em 2012 foram quatro obras: “Emoções” – poemas, os romances “Destino de Mulher”, “A Força do Berço V – Samir” – o último volume da saga e “Memórias” – contos. Mas não é o seu recorde: no ano de 2005, ela publicou oito livros: romances, poesia, literatura infanto-juvenil.

“Magia de Íris” é um livro que ensina como podemos mudar a vida de pessoas a nossa volta, se uma comunidade se unir neste objetivo. Não é à toa que a autora sugere, no final do livro, que se alguém quer saber como fazer para acolher e cuidar de crianças de rua, é só ler o livro.

Já em “Mistério do Monge”, a autora se debruça sobre segredos e revelações de uma grande fortaleza secular transformada em mosteiro, onde monges viviam em isolamento, trabalhando e rezando.

A criatividade de Apolônia não tem limites e ela continua produzindo incansavelmente. É uma escritora que representa muito bem a literatura catarinense por todo o Brasil e até fora dele.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

UM DIA PARA CANTAR O POETA



 Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

E hoje é dia do poeta, esse ser estranho e singular, iluminado, que vê a vida com o coração e tenta passar essa visão a todos aqueles que tiverem sensibilidade para recriar a sua visão. Então quero enviar a minha homenagem a todos os bardos deste imenso Brasil e do mundo todo, pois é das penas deles que flui a emoção e o sentimento dessa arte que se chama literatura, que conta a história do ser humano neste planeta Terra.
 
É o poeta que torna esse nosso mundo, tão belo e ao mesmo tempo tão conturbado, um pouco mais sensível, é ele que desnuda a alma para que a nossa alma seja menos dura, menos intolerante, mais solidária, mais humana.

É o poeta que nos leva a contemplar o amor, que nos leva a pensar a paz, que nos lembra de que somos irmãos gêmeos da natureza e por isso mesmo precisamos amá-la e respeitá-la, para que ela nos proteja e não nos desampare.

Precisamos comemorar esse dia produzindo e lendo versos, todos nós, pois o mundo atual, tão corrido e tão violento, precisa da singeleza e do lirismo da poesia. O ser humano precisa cultivar a poesia, para não se deixar endurecer mais ainda, para não deixar de ser gente.

Ao contrário do que alguns pensam, a poesia é necessária. Como deixar fluir a alma através das pontas dos dedos, a não ser pela criação de um poema? A poesia é sentimento, é emoção, é alma, é coração. Como sermos humanos sem tudo isso?

A poesia é mágica, como já disse Quintana – e quem mais poderia dizê-lo? – como neste poema que toma a liberdade de transcrever:

”Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...”

Que mais posso eu dizer? Rendo a minha homenagem a você, poeta, que não deixa morrer a poesia que existe, ainda, em nossas vidas. E viva a poesia mundial, e viva Quintana, e viva nós, poetas.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

À MESTRA, COM CARINHO



Por Luiz Carlos Amorim (escritor –  Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Corupá é minha terra natal e gosto de voltar e passear por lá para rever pessoas e lugares. A cidade não mudou muito, continua tranquila e pacata, mas cresceu, sim. Está maior, mais próspera, mas  conserva suas melhores características. As pessoas, a grande maioria, já não as reconheço, assim como elas também não me reconheceriam.
Em minhas andanças por lá fui ao Grupo Escolar Teresa Ramos, onde estudei – o sobrenome continua igual, mas o nome mudou e a escola também. Hoje tem o triplo do tamanho, ou mais, mas continua sendo a escola estadual da cidade.
Preciso levar alguns livros novos meus que ainda não fazem parte do acervo da biblioteca da escola, pois acho que lá só devem estar uma meia dúzia dos 29 já publicados.
E preciso levar meu livro mais recente, “Histórias de Natal”, para a professora Elizabete Voltolini, minha primeira professora. Sempre levei meus livros para ela, mas faz tempo que não falo com ela.
Da última vez, quando levei “O Rio da Minha Cidade”, encontrei-a em sua casa, na pracinha do centro de Corupá, o mesmo sorriso meigo, o olhar terno, os traços suaves e delicados. O tempo passa e é implacável com todos nós, mas parece ter sido complacente com ela, pois seu rosto ainda conserva a beleza da professorinha de quarenta e tantos anos atrás, a voz doce e acalentadora e a alma límpida e transparente.
Que saudade, professora Elizabete! É sempre bom poder lhe ver de novo, falar consigo, beijar a sua mão. Vou lembrar sempre da primeira professora, que me ensinou a ler e me ensinou a escrever, que tinha o poder de ensinar com uma facilidade incrível, costurando os assuntos sempre com uma história, que ela também é ótima contadora de histórias. Didática aplicada, didática da mais alta qualidade, aplicada de maneira eficiente e eficaz.
Presto aqui um tributo a minha primeira professora, o símbolo do exercício de um ensino competente e de qualidade, que deve servir de modelo para todos nós. E homenageando a ela, homenageio, nesta passagem do Dia do Professor, todos os professores abnegados e dedicados que tocam, com esforço e pouca remuneração, a educação deste país, que se não fosse por eles não existiria mais.

domingo, 12 de outubro de 2014

PÓS-ELEIÇÕES


              Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Passadas as eleições, vimos resultados esperados, mas nem por todos desejados. Candidatos ficha suja eleitos, grandes abstenções, número expressivo de votos nulos e brancos. Em vista disso,  os comentaristas de plantão perguntam, atônitos: porque os eleitores estão se negando a votar em qualquer candidato a alguns cargos, mesmo indo às urnas? Não se pode abdicar do direito de escolher os políticos que vão estar no poder, a responsabilidade é do eleitor por aqueles que ele elege. É preciso votar em alguém. É? Com os candidatos que temos? Mas votamos mesmo assim. A verdade é que merecemos o estado de coisas lastimável que temos grassando na administração pública, no poder público, porque não sabemos votar, não pesquisamos a vida do candidato em quem votamos. Se soubermos avaliar, quem sabe não encontramos um candidato decente? E se não encontrar, há que não se votar em ninguém, sim, para que se saiba que não estamos de acordo com o que está rolando.

Tanto é verdade, que este ano, juntando as abstenções, os votos nulos e os votos em branco, este índice chegou a trinta por cento – mais de 38 milhões de eleitores que resolveram mostrar sua indignação não votando em nenhum dos candidatos oferecidos. E deu resultado, o fato chamou a atenção da mídia e nos dias após as eleições os jornais, a televisão, a internet, estão discutindo este “fenômeno”. E tem que ser discutido, porque essa é a manifestação do  eleitor para que os “políticos” saibam que não estamos satisfeitos com a corrupção e impunidade que aumenta cada vez mais, com os fichas-sujas que no empurram goela abaixo.

É óbvio que se eleitor não votou, é porque não tinha nenhum candidato que o representasse. Os conhecidos, mais “populares”, já sabemos muito sobre eles, então o eleitor consciente não tem como lhes dar mais um voto de confiança, pois eles não são dignos de mais nenhuma confiança. Os novos, que poderiam oxigenar, quem sabe, a “política” que está aí, não têm os nomes conhecidos, pouco se ouviu sobre eles e os segundos do horário político não os dá a conhecer, mesmo que a propaganda fosse palatável. Então considerando “que eles não têm chance” perante os “maiores”, o eleitor acaba achando que é melhor não “desperdiçar” o voto.

Isso sem considerar que  a famigerada propaganda eleitoral dá quantidades de tempo diferente, conforme o tamanho do partido e das coligações. Então um candidato tem muito tempo,  enquanto o outro tem quase nenhum. E há ainda as bolsas isto e bolsa aquilo que garantem votos para uns e outros, queiramos nós ou não.

Votamos pelo simples fato de termos que votar, sem nos importarmos com o que aquele candidato que escolhemos vai fazer em nosso nome, ou vai deixar de fazer. E ele está lá porque o colocamos lá, está lá para trabalhar por nós e para nós, afinal, somos nós que os pagamos. Pagamos inclusive todos os valores que são “desviados”.

É premente que a educação do povo brasileiro seja resgatada, pois sem isso não há como esperar que o panorama seja melhor. Sem educação, sem instrução, sem cultura, um povo não sabe a importância de escolher seus representantes no poder, não sabe como avaliar as pessoas que colocará na administração pública,  nos destinos da nação e da sua própria vida. Um povo sem educação não sabe votar e não sabe exercitar seus direitos e deveres.

sábado, 11 de outubro de 2014

SINÔNIMO DE CRIANÇA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


E chegou a primavera, e veio outubro e está aí o dia da criança. Primavera, tempo de renovação, de vida que desabrocha, de esperança de tempos melhores. Isso tudo não e sinônimo de criança? A criança é a única esperança de que o ser humano tem de ser melhor, ter um mundo sem violência, com mais saúde, educação e meio ambiente preservado, de aprendermos a cuidar melhor da natureza, para que haja uma perspectiva de futuro. E o mundo precisa de muitos e muitos meninos para ensinarem aos homens que podemos e devemos salvar a natureza... Se os adultos de hoje souberem cuidar de nossos meninos e meninas, proporcionando uma educação decente e uma vida digna, com bons exemplos – nada a ver com o que vemos, hoje, em nossa sociedade, em nossa “política” – as nossas crianças terão perspectiva de poder lutar por um mundo melhor amanhã. Mas temos que começar agora.

Não queria dar brinquedos de presente, apenas, para as crianças, no seu dia. Queria poder dar, para as crianças de hoje e de amanhã, rios vivos, limpos e claros, ar puro, alimento sem contaminação de agrotóxicos e produtos químicos, estações definidas, climas amenos, natureza preservada.

No entanto, não posso evitar que nossas crianças vejam desastres ecológicos por desrespeito à natureza, violência e falta de moral, falta de humanidade e de consciência, decorrentes da ganância, da falta de responsabilidade e de respeito ao ser humano e ao planeta em que vivemos e da miséria.

Os adultos, todos, até os donos do poder – principalmente eles, talvez – deviam ser mais crianças, para serem mais honestos, mais responsáveis, mais humanos. E quanto às crianças, se eu pudesse dar-lhes um conselho, pediria que crescessem, sim, mas que não se transformassem em “gente grande”: que fossem apenas GENTE. E que nunca, jamais, deixassem morrer a criança dentro de seus corações, seja qual for a idade que tenham.

Pois é da criança que emana a vida, alento, felicidade, poesia. É isto que brota de mãos pequeninas e faísca de olhos de luz de pequeninos seres que chegam a este mundo que temos o dever de tornar melhor para que eles tenham um futuro melhor que o nosso.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

FAZENDO A DIFERENÇA NO NOSSO FUTURO


          Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br                 

Esta semana recebi um pedido de entrevista dos alunos da professora Mariza, de Joinville. Eles me pediram, em uma das questões, um conselho para os estudantes, no que diz respeito à leitura e educação. Eu respondi que deveriam ler muito e escrever também, mas sobretudo, aproveitassem ao máximo a professora que eles têm, uma pessoa dedicada que lhes incutiu o gosto pela literatura e desenvolveu neles a criatividade e capacidade de realização.

Ao receber a mensagem da professora Edna, de Minas, falando de seus alunos e da sua luta para o mesmo objetivo da professora Mariza, de Joinville, não pude deixar de perceber as semelhanças e, principalmente, como temos bons professores por esse Brasil afora.

Disse-me a professora Edna que um de seus alunos lhe perguntou, outro dia, a propósito do empenho dela em fazê-los gostar de leitura: “Porque a senhora não desiste de nós?” A resposta da professora: “Jamais, se posso fazer diferença em sua vida. Se tento chama-los para o mundo dos livros é porque acredito que vocês são capazes.”

E ela não desiste mesmo, assim como a professora Mariza em Joinville. Além do trabalho na sala aula, a professora Edna sai à rua para angariar livros para oferecer aos alunos, para formar novas bibliotecas na comunidade, para ampliar a biblioteca da escola, para colocar livros não só nas mãos dos estudantes, mas também nas mãos de todos os integrantes das suas famílias.

Quando digo, indignado, que estão desconstruindo a educação brasileira, que estão falindo os nossos sistemas de ensino, não falo de professores como dona Edna e a minha conterrânea Mariza, mulheres lutadores e valentes, com uma garra inesgotável, que agregam valor a essa profissão tão importante para o nosso futuro. Eu me atrevo a afirmar, inclusive, que é a profissão mais importante que há, porque é o professor que forma o cidadão que vai exercer todas as outras profissões pela vida afora, inclusive a de novos mestres.

Professora Edna, obrigado por não desistir de seus alunos. Professora Mariza, também. Meu tributo de respeito e admiração a vocês e a tantos outros professores do seu calibre, que honram a missão de transmitir conhecimento aos nossos filhos, para que eles sejam adultos educados e capazes no futuro e possam dirigir este nosso Brasil com mais honestidade e consciência.

Como disse a professora Edna, com muita propriedade, “se tiver um só de meus alunos  que se tornar leitor até o final do ano, com certeza a minha missão terá sido cumprida. Não vamos esperar que o Brasil mude apenas com as promessas dos políticos, porque essas podem demorar muito, se é que vão acontecer. Mas se posso mudar o mundo que me cerca, com certeza eu o farei.” Parabéns, professora. Com certeza, as coisas começam a mudar assim. Com alguém corajoso e dedicado fazendo alguma coisa ao s eu redor. Mas não esqueçamos, nós, pais dos estudantes, de cobrar de nossos governantes melhores condições de trabalho para nossos professores, um pagamento decente, condizente com a importância da profissão, qualificação sempre sendo atualizada. Nossos mestres merecem que cuidemos dele com a mesma dedicação que eles cuidam de nossos filhos.

E não esqueçamos, também, de incutirmos o respeito e reconhecimento de nossos filhos por seus mestres. Eles precisam saber valorizar a importância que o professor tem em nossas vidas, em nosso futuro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

NINHO VAZIO, PRIMAVERA, DIA DA CRIANÇA...


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor, revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Hoje, um dia qualquer na Semana da Criança, estava eu fotografando meus hibiscos no meu jardim/horta - que estamos na primavera e minhas flores estão lindas e coloridas - e lembrei da minha cadela Pituxa, a nossa Xuxu, que se foi no dia seguinte ao Dia dos Pais deste ano de 2014, com quase vinte anos. Ela sempre estava atrás de mim, ou de minha mulher, mesmo estando cega e surda. Minhas filhas já estão adultas, não estão mais em casa, então Xuxu era a nossa bebê. Ela era uma pinscher mestiça - tinha as pernas não tão compridas como as de um pinscher puro e as orelhas talvez um pouco mais alertas, um pouquinho maiores, sei lá.

Estava velhinha, muito velhinha e mesmo assim era a criança da casa. Seus dentes estavam caindo, já não podia comer nada sólido, não ouvia nada e não enxergava nada, vivia batendo nas paredes e portas - tinha catarata nos olhos. Uma madrugada, faz algum tempo, ao ouvir barulhos como se houvesse alguém dentro de casa, percebemos que era Xuxu esbarrando nas coisas. Ela ia fazer xixi no banheiro e ia tomar água na cozinha e dava cabeçada em tudo. Decidimos deixar a luz do corredor acesa, o que não resolvia nada para ela, pois não enxergava. Servia para a gente ver onde ela estava.

Xuxu era a criança que não tínhamos mais e precisava de muitos cuidados. Não podia comer qualquer coisa, pois seu fígado não estava muito forte, volta e meia precisava tomar remédio.

Quando sua barriguinha começava a fazer barulho, tínhamos que dar remédio, pois ela ficava um, dois dias sem comer nada e então emagrecia muito.

Como eu disse lá em cima, ela andava atrás de mim para que eu deitasse no sofá e ela pudesse deitar nas minhas costelas e dormir. Ou esperava que pelo menos eu ou outro membro da família sentasse no sofá para que ela se aninhasse encostadinha na gente e pudesse dormir um pouquinho.

Não tínhamos nenhum presente para ela, no Dia da Criança, a não ser carinho. E apesar dos seus quase vinte anos, nossa menina velhinha era muito forte e valente e não era fácil imobiliza-la para administrar-lhe qualquer medicamento, coisa que ela detestava.

Então as cores da primavera e o Dia da Criança me dão conta de que minha filharada criou asas, não compro mais brinquedos para elas neste dia, só dá para desejar-lhes uma feliz vida, mandar um beijo, sentir saudades. Apesar de adultas, elas continuam sendo as nossas meninas, mas estão seguindo o seu caminho. Fernanda, a fisioterapeuta casou e está morando longe, em Ribeirão Preto, com o marido, e breve vai para mais longe ainda. Daniela, a bailarina, foi estudar em Portugal, fez um mestrado na área de dança e ficou morando em Lisboa. E a criança que ficou tanto tempo conosco foi Xuxu, mas também se foi. Às vezes ficava muito doentinha,  então não dormia, pois ficava a noite inteira tentando fazer um ninho em uma manta, choramingando, muito estressada. Agora o ninho está vazio.


Então, feliz dia da Criança para você, Xuxu, onde quer que esteja, certamente no céu dos cachorros, que deve haver um. Feliz primavera e obrigado por ter sido a nossa criança. Feliz Dia da Criança para todos os filhos do mundo, independente da idade que tenha. Feliz Dia da Criança para as minhas meninas, com um abraço bem apertado que eu envio daqui e que o espaço e o tempo devem se encarregar de fazer chegar até elas, pejado de carinho e de saudade.

sábado, 4 de outubro de 2014

OS CANDIDATOS A GOVERNADOR E A CULTURA CATARINENSE


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Os jornais Diário Catarinense, A Notícia e Santa deste primeiro dia de outubro trouxeram as intenções de candidatos a governador do Estado de Santa Catarina no que se refere à Cultura. Aliás, bem a propósito, pois os candidatos não previam a existência da cultura em suas promessas de campanha. Foi preciso arrancar a fórceps alguma palavra deles sobre o que pretendem fazer n este setor tão relegado a último plano nos quatro anos do atual governo.
Já estamos no final do governo de Raimundo Colombo e as coisas praticamente não mudaram, no que diz respeito à educação, à saúde, à segurança, à cultura. Ao invés de melhorar, tudo piorou.
Muito se fala em cultura, por exemplo, mas de concreto, quase nada foi feito. Cadê uma política cultural estável, funcional, que contemple todo o Estado, coisa que está faltando de há muito tempo? O CIC - Centro Integrado de Cultura,onde funciona a Fundação catarinense de Cultura, o Teatro Ademir Rosa e outras entidades culturais catarinenses, teve a reforma concluída, finalmente, passados vários anos e gastos muitos milhões de reais dos cofres públicos, mas logo em seguida foi interditado, pelo não cumprimento de vários itens de segurança. Recentemente veio à tona a denúncia de que vários itens importantes estavam sendo deteriorados em salas onde chovia dentro, a despeito da reforma. Estamos esperando, ainda, que responsabilidades sejam apuradas por tanta irresponsabilidade e com tanto dinheiro dispendido.
É preciso dar continuidade ao Prêmio Cruz e Sousa, também, e ao Edital para compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais. Trata-se, este último, de uma lei que há quase vinte anos não vinha sendo cumprida e que teve, finalmente, um edital na gestão de Anita Pires. Precisamos de bibliotecários nas escolas públicas, coisa que o Estado não tem suprido como deveria. Aliás, falta professores, falta equipamento, falta manutenção, falta salário, falta tudo para a educação catarinense. E falta integração da capital com a cultura de todo o Estado, mais atenção da Secretaria de Cultura e da FCC a todas as manifestações culturais catarinenses, de qualquer cidade catarinense. Esperávamos que as coisas andassem melhor, neste  governo que está para terminar, mas não melhorou nada, pelo contrário.
O que ainda há deve-se a abnegados escritores e agitadores culturais que, tirando água de pedra, realizam eventos culturais sem o apoio do Estado.
Na verdade, precisamos muito de uma política cultural que funcione, que contemple todas as modalidades de arte. Mas não basta que se estude, que se discuta, que se planeje, que se faça leis que não são cumpridas, que se prometa, apenas. Temos, em SC, boas iniciativas que funcionaram, como o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, que concedeu os maiores prêmios em dinheiro do país, além da publicação dos livros, para autores não só catarinenses, mas também a nível nacional.
Então é preciso cobrar dos candidatos, desde já, o que será feito para resgatar a nossa cultura. Pra começar, o atual governador, que é candidato a mais um mandato, não aceitou o convite para a sabatina sobre o futuro da cultura catarinense.
Bopré e Vignatti foram favoráveis a que haja uma secretaria exclusiva para a Cultura. Atualmente a cultura divide uma secretaria com o turismo e o esporte. Bauer fugiu da pergunta e não se comprometeu nesse sentido.
A lei Grando, que citamos acima, foi lembrada pelo candidato Bopré, que se comprometeu a cumpri-la. Já Vignatti prometeu edital específico para o livro, o que seria uma coisa muito boa para os escritores catarinenses. Bauer prometeu priorizar as bibliotecas públicas e valorizar o escritor catarinense, o que é meio genérico, mas cobraremos dele se for eleito.
Sobre política pública cultural, Bopré diz que ela tem que valorizar a cultura do povo. Afirma que cultura e educação são investimentos fundamentais. Coisa que o candidato vencedor deverá colocar em prática. Vignatti disse que não temo investimento específico na cultura. Verdade. Mas não disse o que fará, se for eleito. Neste quesito Bauer diz que é importante que o governo destine recursos para a cultura. Sabemos que é importante, importantíssimo. Mas é preciso que isso seja feito e não apenas falado.
Falaram ainda da necessidade de realizar o Edital Elisabete Anderle anualmente e do apoio à criação da Faculdade de Dança pela Udesc, da popularização da música local, das leis de incentivo, do apoio a entidades de artes plásticas, do fomento ao cinema e da urgência em dialogar com o setor artístico e cultural para definir políticas, metas e prioridades para tocar a cultura em Santa Catarina.
Uma pena que Colombo não participou da sabatina, pois como teve quatro anos para melhorar o setor cultural no Estado e não o fez, seria interessante saber o que ele pretende fazer nos próximos quatro anos, caso seja reeleito. Esperemos, caso ele seja reeleito, que não repita o que fez no primeiro mandato.

 (Artigo publicado no Diário da Manhã de 05.10.14)

O CIDADÃO E A POLÍTICA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Não gosto de política, porque o que rola por aí não é política de verdade, é politicagem,  mas seja o que for, ela influi diretamente na minha vida e na vida de todos os cidadãos, então não posso ficar alheio a ela. Ouço pessoas dizendo que não querem saber de política, que não adianta muito votar nesse ou naquele candidato porque são todos iguais. Ou então vejo algumas pessoas aceitando algum benefício em troca do voto, favorecendo a entrada no poder público de candidatos que, comprando votos, mostram bem a que vem.

Pois todos deveríamos prestar muita atenção na política, mesmo que seja a politicagem que grassa em nosso meio, principalmente por causa disso, pois ela afeta, e muito, a vida de cada um de nós. Devemos, sim, procurar saber tudo o que for possível sobre os candidatos, antes de uma eleição. O que não devemos é acreditar em todas as suas promessas e mentiras. E se não houver em quem votar, podemos anular o voto, que é a única maneira de manifestar nosso descontentamento e indignação com o estado de coisas que se arrasta de há tanto tempo.

Precisamos saber votar e precisamos saber cobrar trabalho daqueles em quem votamos, pois eles são pagos por nós e estão a nosso serviço. São os representantes que elegemos para dirigir nossas cidades, nossos Estados e nosso país, que administrarão a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura. São os vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidente que vão dirigir nossos destinos. São eles que, uma vez colocados no poder legislativo pelo nosso voto, aprovarão leis que nos prejudicarão e deixarão de aprovar leis que beneficiariam a sociedade como um todo. São eles que, céleres, legislarão em causa própria. Isso tudo sem falar da corrupção e da impunidade que dilapidam o dinheiro público e impedem que os recursos formados pela grande quantidade de impostos que pagamos sejam aplicados em mais obras. Há que saibamos, mais do nunca, para o nosso próprio bem, em quem estamos votando.

Então a política influi em tudo na vida de cada cidadão. Todos precisamos estar atentos tanto quando formos votar, quanto depois das eleições, quando nossos “representantes” estiverem “trabalhando” para o povo. Porque eles estão lá, ganhando seus altos salários que eles mesmos estipularam, para servir o povo. O povo é quem paga seus salários milionários e os recursos que são “desviados” e que nunca são devolvidos aos cofres públicos.

A política está presente em tudo, favorecendo ou prejudicando a vida de cada cidadão. Há que nos conscientizarmos disso, para que não nos iludamos, achando que o que está acontecendo não tem nada a ver conosco.