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domingo, 30 de novembro de 2014

LIVROS SEM CUSTO PARA O AUTOR CATARINENSE



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Uma lei que visa gerar oportunidade de publicação de obras para escritores catarinenses em geral, que não têm condições de custear a edição do próprio livro, que visa também fomentar ações de incentivo à cultura e à literatura foi aprovada pela Assembléia Legislativa e sancionada, vigorando desde 2009,
Trata-se do Programa 100 Cópias, Sem Custo, projeto que é muito bem recebido pela classe literária catarinense. O programa autoriza a Imprensa Oficial de Santa Catarina a publicar obras de autores catarinenses. Mas não é apenas e simplesmente isso. A primeira edição, os cem primeiros exemplares impressos de obra avaliada e aprovada sairão de graça para o autor. Cada escritor terá direito de imprimir gratuitamente as cem primeiras cópias do seu livro.
A avaliação do material enviado para a IOESC a fim de ser publicado será realizada por um Conselho Editorial vinculado à Secretaria de Administração do Estado, composto por representantes das secretarias de Administração, de Turismo, Cultura e Esportes, da Fundação Catarinense de Cultura e por um representante do Conselho Estadual de Cultura.
A idéia do projeto é ótima: dar oportunidades aos autores catarinenses que não conseguem editora para publicar suas obras, nem apoio cultural oficial ou de empresas privadas.
Felizmente, o programa não ficou só na intenção, ou apenas em uma única edição, como foi o caso da Lei Grando, que estabeleceu a compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais de Santa Catarina. Já foram publicados dezessete obras até 2013, segundo a Imprensa Oficial do Estado, e no último dia 20 de novembro foram lançados 13 livros de novos escritores catarinenses.
Menos mau que pelo menos esse programa que privilegia a cultura em nosso Estado venha sendo cumprido. Não ficou só na promessa. Nesse caso, o Estado está fazendo o seu trabalho.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A FLOR DA AVIDA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br


Estamos no final do ano, quando o jacatirão nativo floresce no norte do nosso Estado Catarina, manchando com ilhas vermelhas o verde das matas. Mas é só no norte, em Joinville, São Bento, Corupá, Jaraguá do Sul, Barra Velha, São Francisco e algumas outras cidades da região. A florescência do jacatirão começa no início de novembro, às vezes no final de outubro e vai até fevereiro. É arauto colorido da natureza, anunciando o verão, enfeitando o Natal e o ano novo. Em janeiro, ele começa a florescer no Paraná, em São Paulo e outros estados. E a festa das cores vai subindo, espetáculo ímpar da Mãe Natureza.

Pois na nossa região, de Itajaí para baixo, não temos o jacatirão nativo. Aqui só temos o manacá-da-serra, uma versão híbrida do jacatirão, para jardins, que floresce no inverno, em julho, e mais para o interior e para o sul do estado temos a quaresmeira, outro tipo de jacatirão que floresce na época da Páscoa. É a mesma flor, só que de tamanho menor e cor mais acentuada.

Então, eis que em pleno dezembro, vejo por aqui manacás-da-serra cheios de flores, como se fossem jacatirões nativos. E fico maravilhado com esses milagres da natureza, enchendo meus olhos com as flores de uma árvore que floresce em julho e que este ano nos dá uma segunda florada, em pleno verão, como se quisesse enfeitar a vinda do Menino Cristo como se fora o jacatirão do qual se origina.

É um privilégio ter flores de manacá-da-serra nesta época do ano, ter uma segunda florada do jacatirão de inverno, essa variedade que emerge espetacularmente fora da sua época brindando-nos com a beleza das cores das duas espécies irmãs.

Obrigado, Mãe Natureza. Obrigado por enfeitar com a flor do manacá-da-serra e do jacatirão nativo o nosso Natal e o nosso Ano Novo, tornando-os mais felizes. Obrigado por nos lembrar do nascimento do Menino que significa paz, harmonia e renovação.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

UM MEMORIAL DE VERDADE PARA CRUZ E SOUSA


    Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

No dia 24 de novembro deste ano de 2014, o maior poeta catarinense de todos os tempos, Cruz e Sousa, completaria 153 anos de nascimento. Para comemorar, a terra onde ele nasceu, Florianópolis (ou Desterro, à época do seu nascimento), não parece ter preparado muita coisa para comemorar. E deveria, para se desculpar pelo reconhecimento que o grande poeta não teve em vida. Mas nada será o bastante para apagar o abandono em que o poeta morreu.

Aliás, nenhuma homenagem que fosse feita poderia ter lugar no Memorial que leva o nome do poeta, inaugurado em 2010, com atraso, ao lado do Palácio Cruz e Sousa, onde estão depositados os restos mortais dele. O local, que foi feito para abrigar eventos culturais, além de não ser apropriado para receber público, porque é muito pequeno, está deteriorado, pois ficou fechado desde a sua criação. Foi interditado pelo Deinfra, inclusive, por problemas estruturais.
No início deste ano, o Secretário de Turismo, Esporte e Cultura do Estado prometeu, como tem sido prometido todo ano, que a reforma do Memorial Cruz e Sousa seria entregue a tempo de comemorar mais um aniversário do poeta. E outra vez a promessa não foi cumprida, pois o Palácio Cruz e Sousa está em obras, mas o Memorial está como sempre esteve, abandonado e fechado.
O descaso para com os restos mortais do Cisne Negro é gritante. O Estado de Santa Catarina fez questão de reivindicar os despojos do poeta que é o maior patrimônio cultural dos catarinenses, para colocá-lo em um Memorial, que seria construído anexo ao Palácio Cruz e Sousa. A urna com os restos mortais do poeta chegou, mas o tal Memorial demorou mais de dois anos para ser inaugurado. O Estado prometeu um Memorial amplo, com espaço para eventos culturais, mas o seu espaço era tão exíguo que não era possível realizar, absolutamente, nenhuma reunião ali.

Pior: descobriram, depois de todo o tempo que demorou para construir o Memorial, que ele estava em cima da casa de força do Palácio Cruz e Sousa, onde não deveria ter sido construído nenhuma benfeitoria. E o Memorial ficou abandonado, deteriorando no tempo, interditado. Agora esperamos pela ação dos setores competentes (competentes?) do Estado, no sentido de reconstruir o jazigo do grande poeta, de uma vez por todas, com as especificações iniciais, com espaço para eventos, biblioteca, etc., para que possamos, enfim, honrá-lo como ele merece e ele possa, finalmente, descansar em paz.
As promessas se sucedem, mas mais um aniversário do poeta passa sem que o Memorial tenha sido reformado. Que Estado é esse, que não respeita a sua cultura, não honra seus grandes nomes, como o nosso poeta maior Cruz e Sousa, que representa Santa Catarina e o país pela sua arte?
Nosso respeito e nossa admiração por você, grande poeta. Feliz aniversário. De presente, meu poema em sua homenagem: SAUDADE: A poesia Catarina / tem um nome: / Cruz e Sousa. / A nossa poesia tem cor: / tem a cor da sua pele, / a cor alva dos seus dentes, / tem a cor do seu olhar, / tem a cor da sua alma, / a cor do seu coração; / tem todas as cores. / A poesia tem idade, / a idade da saudade: / mais de século e meio / de saudade do poeta.

sábado, 22 de novembro de 2014

SEM RIOS, SEM ÁGUA, SEM VIDA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

24 de novembro é o Dia do Rio. Nada tão oportuno. Este é um dia que deveria ser mais divulgado, para lembrarmos que precisamos proteger nossos rios, ao invés de poluí-los, de envenená-los, de matá-los.
Já existem muitos rios mortos por esse mundo afora, como o Cachoeira, de Joinville. E há urgência não só em cuidar dos rios que ainda estão vivos, mas também em limpar os rios mortos, fazê-los renascer. Porque os rios é que fornecem a água para as nossas cidades, para as nossas casas. Se destruirmos os rios, ficaremos sem água. E sem água potável, não há vida para nós, seres humanos, nem para o imenso reino animal e vegetal deste nosso mundo.
Então precisamos parar de jogar lixo nos rios, precisamos parar de jogar esgoto nos rios, tanto doméstico quanto industrial. Vemos esgotos de prédios e de indústrias desembocando nos nossos rios e ninguém faz nada. Nem nós, que deveríamos exigir que fossem tomadas providências, nem o poder público, que deveria coibir tais práticas.
E não é só isso que mata nossos rios. O agrotóxico usado na agricultura escorre para os rios e os contamina. A criação de animais, da agropecuária, quando não trata os rejeitos adequadamente, também contamina os rios, pois tudo acaba sempre escorrendo para um deles.
Mesmo o lixo comum, que acumulamos todo dia, jogados no rio, ou no riacho, acabam colaborando para matar um pouquinho nossos rios.
Há que reflitamos sobre o tratamento que damos aos nossos rios, melhor dizendo, nosso descaso e desrespeito. Se não nos conscientizarmos urgentemente de que devemos preservar nossos rios, não teremos mais água amanhã. O tempo está correndo e temos pouco tempo. Nossos rios pedem socorro. E eles são o nosso socorro. Sem eles não vivemos. Sem água não vivemos. Então eles precisam viver. Precisamos de rios vivos para podermos viver. O futuro sem água não existe.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

JACATIRÃO E RENOVAÇÃO



      

                  Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
 
A primavera está quase no fim e o verão vai chegando, inclemente. O calor está aumentando, as chuvas está rareando, mas não pense que por causa do fim da primavera, as flores acabam: o jacatirão nativo já explodiu em cores. Fui, no último final de semana, para o norte do Estado e vi as matas à beira das rodovias em Joinville, São Francisco, Joinville, Corupá, Jaraguá do Sul, ponteadas por várias ilhas de vermelho. São os pés de jacatirão nativo, que começaram a florescer no início deste mês de novembro e vão até janeiro, quiçá fevereiro, espalhando matizes de vermelho e roxo por todos os caminhos, por encostas e montanhas desta terra abençoada da nossa Santa e bela Catarina.
É a natureza anunciando o verão, enfeitando nossos dias mais quentes e avisando que o Natal e o Ano Novo estão próximos. Que a festa maior da cristandade está chegando, que um Menino mágico vai nascer para nós mais uma vez e, por isso ela, a natureza, começa a festejar bem cedo, para que não esqueçamos de festejar também. Para que não esqueçamos de dar as boas vindas ao Menino que vem para o nosso renascimento.
A simplicidade e singeleza do jacatirão, que traduz toda a natureza que nos cerca, não lhe tiram a beleza e a importância de ser ele o arauto do Menino de Belém, que nos dá o supremo privilégio de nascer em nossos corações em mais este Natal.
Algumas pessoas, cegas de coração, olham mas não veem o jacatirão florido, a sua belíssima florescência. E é preciso olhar e ver. Nossos olhos, perdidos no dia a dia corrido e estressante, não conseguem ver mais beleza. E ela existe neste nosso planetinha azul que insistimos em desrespeitar, não cuidando direito dele. O jacatirão nativo é um grande exemplo, florescendo sem exigir nada em troca, a não ser um relance de nossos olhos.
Outras flores, apesar do calor escaldante que está chegando, também fazem companhia ao humilde e ao mesmo tempo majestoso jacatirão, nesta época do ano: o flamboiã, por  exemplo, buquês vermelhos colorindo nossos jardins e nossas praças. Então, unamo-nos a Mãe Natureza para prestar nosso tributo ao Menino que chega. Mais uma vez.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ESCRITORES E LEITORES CATARINENSES


   
     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br    
 
Há algumas semanas, li uma crônica a respeito da ausência de livros de escritores catarinenses nas livrarias de Santa Catarina, na coluna de Moacir Pereira. Achei muito a propósito a constatação do escritor e colunista, ao procurar, em grandes livrarias do centro da capital catarinense e no aeroporto, livros de escritores da terra e não encontrar.
Eu tenho um livro meu, publicado pela Hemisfério Sul, na Catarinense e na Saraiva, mas sei que é muito difícil fazer com que nosso livro tenha alguma visibilidade nas nossas livrarias. Já procuraram meu livro, aqui na capital, e não encontraram. Os livros de autores da terra, a não ser os consagrados, ficam no estoque, bem guardados e muito pouco visíveis.
Já no Rio Grande do Sul, para onde o colunista que abordou o assunto viajou, os escritores gaúchos são privilegiados, estão bem à mostra tanto nas livrarias como no aeroporto da capital, evidenciando a valorização que lhes é conferida. Não é à toa que a Feira do Livro de Porto Alegre é a mais tradicional do país e é esperada e amada por toda a população, é um evento que orgulha todo o povo daquele Estado.
Mas não sei se a culpa da falta de visibilidade das obras de nossos escritores nas livrarias catarinenses é só das livrarias. Não estou querendo desculpar os livreiros por não deixar nossos livros à vista, mas a verdade é que o leitor catarinense não procura o autor catarinense, prefere os best sellers estrangeiros, e por isso as obras de nossos escritores acabam saindo de vista para dar lugar a livros que vendem. Quer dizer, é um círculo vicioso: se os livros de autores locais não são procurados, cedem lugar aos campeões de venda, que nem precisam ficar à mostra porque vendem de qualquer maneira, mas comércio é comércio e os produtos top de linha tem que estar à frente.
E não é só o leitor que não dá muita importância aos seus escritores, não. Nem todo escritor  faz o seu papel para mudar isso. Nós, escritores, precisamos ir às escolas para levar a nossa obra aos leitores em formação, conversar com eles, fazê-los saber que existimos. Fazemos muito pouco isso. Se cada escritor visitasse as escolas de sua cidade para mostrar o que está produzindo, para fazer saber que tem livro publicado, os novos leitores cresceriam sabendo que à volta dele há autores surgindo, com chance de ser um bom representante da literatura catarinense, mais adiante, se for lido. Porque escritor é aquele que é lido, não simplesmente aquele que escreve.
As academias literárias também têm o seu papel na divulgação dos produtores de literatura da região e o reconhecimento daqueles que já se destacam é feito através de prêmios que são conferidos nos finais de ano.
Apelo ao público leitor: prestigie as feiras do livro da capital. Conheçam a obra de escritores conterrâneos, avaliem, opinem. Escritores da terra, participem da feira do livro de Florianópolis, estejam lá para oferecer a sua obra, para se tornarem conhecidos. É assim que se chega ao leitor, aproveitando todas as oportunidades. Em dezembro acontece mais uma feira do livro no Largo da Alfândega. Vamos todos para lá, tanto leitores como escritores. Quem ganha é a cultura catarinense.