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sábado, 25 de abril de 2015

28 DE ABRIL: CONVITE A SE PENSAR A EDUCAÇÃO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras – http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br


Com a greve dos professores acontecendo, nestes últimos tempos, não posso deixar de registrar a passagem do Dia da Educação. Se os professores são obrigados a entrar em greve para reivindicar um pagamento decente pelo trabalho tão importante que realizam, então a educação não vai nada bem.

E não vai mesmo. A educação, não a de um outro Estado brasileiro, mas a educação brasileira, está a caminho da falência. Não se dá a devida importância e atenção à educação, ao ensino público, faz muito tempo. A educação é fator primordial na vida de todas as pessoas, para que tenham bom desempenho no mercado de trabalho e, consequentemente, uma vida digna, um futuro promissor.

O que se vê, infelizmente, é o sistema de ensino cada vez com menos conteúdo, fragilizado, com professores sendo mal pagos, com escolas caindo aos pedaços, sem equipamentos e até com falta de recursos humanos. As modificações que têm sido feitas no ensino fundamental e médio, pelo MEC, nos últimos anos, ao invés de fortalecer a educação, a tem tornado menos eficiente e eficaz.

Sistemáticas de ensino que sempre funcionaram bem, como a alfabetização foram mudadas e a nova maneira de aplicá-la atrasou o aprendizado dos pequenos, fazendo com que algumas crianças tenham mais dificuldade, levem mais tempo para aprender a ler e a escrever.

De maneira que não há, infelizmente, o que comemorar. Precisamos de uma reforma muito séria nos ensinos fundamental e médio, no Brasil, para que a educação brasileira melhore um pouco e os estudantes cheguem ao vestibular aptos a enfrentarem um curso superior. E mais, que cheguem à vida adulta com um pouco mais de educação no sentido mais latente da palavra: o desenvolvimento intelectual e moral, a sensibilidade e a humanidade no trato com as pessoas ao seu redor.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

TRIBUTO A CORA CORALINA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Em doze de abril de 85 o Brasil perdia a sua poetisa mais sensível, mais autêntica e mais verdadeira: Cora Coralina. Estamos em abril e é difícil não lembrar de Cora, difícil não falar dela, difícil não reler os seus poemas. Eu queria escrever uma crônica em homenagem a ela, a grande poetisa do Brasil, mas não gosto de falar de perdas e acabei não escrevendo. E eis que me deparo com o texto de Cissa de Oliveira, minha vizinha lá no portal da nossa amiga Irene Serra do Rio Total: "Um Doce para Cora Coralina". Como não lê-lo e não aplaudí-lo? Além de falar de Cora, ela fala dos doces da doceira de mão cheia que ela era - e eu acabo de voltar da serra gaúcha, onde mora minha sogra, que faz doces fantásticos de figo, de pêssego, de marmelo, de morango, no fogão à lenha, não aquele de barro e pedra, como o de Aninha, mas à lenha, também. E então chego a sentir o gosto do doce de laranja.
Então cá estou eu, para agradecer à Cissa por lembrar de Cora e para me juntar à homenagem tão merecida.
São trinta anos de ausência da Aninha da poesia forte e despretensiosa, poesia que transmite a sua mensagem de amor à terra e à natureza, ao ser humano e à vida. A verdade é que Cora continua viva, cada vez mais viva nos seus poemas e na sua prosa. E no sabor dos doces que a Cissa me trouxe à boca.
A poetisa maior da casa velha da ponte, em Goiás publicou seu primeiro livro aos sessenta e sete anos: "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Depois vieram "Meu Livro de Cordel", "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha", "Estórias da Casa Velha da Ponte", "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", "Os Meninos Verdes", "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu". Essa, a obra que transformou Aninha no ícone da poesia brasileira que ela é hoje.
Em 2001, foram encontrados cerca de quarenta poemas inéditos de Cora, durante o trabalho de reconstituição de seu acervo. Esse material foi transformado em livro e foi publicado pela Global, editora que publicou quase todos os títulos de Cora. O livro é "Vila Boa de Goyaz" e os poemas que o compõe exaltam a cidade de Goiás, onde a poeta nasceu. Ela fala da Goiás que conheceu no início do século passado, das ruas que mudaram de nome, mas não mudaram de jeito, da linguagem impressa em cada toque dos diversos sinos existentes na cidade e fala, também, da casa velha da ponte. Um canto de amor à cidade de Goiás.
Foi-se o corpo singelo da grande poeta e da grande mulher-menina (ou menina-mulher?), mas a poesia viva ficou. A poesia que é o coração, a alma de Aninha, a nossa Cora Coralina eterna, que continuará viva para sempre nos versos e na prosa que ela deixou.
Dos inéditos encontrados de Cora, tomo a liberdade de transcrever aqui "Coração é terra que ninguém vê", pois não dá pra falar de Cora sem ler uma criação dela: "Quis ser um dia, jardineira / de um coração. / Sachei, mondei - nada colhi. / Nasceram espinhos / e nos espinhos me feri. // Quis ser um dia, jardineira / de um coração. / Cavei, plantei. / Na terra ingrata / nada criei. // Semeador da Parábola... / Lancei a boa semente / a gestos largos... / Aves do céu levaram. / Espinhos do chão cobriram. / O resto se perdeu / na terra dura / da ingratidão // Coração é terra que ninguém vê / - diz o ditado. / Plantei, reguei, nada deu, não. // Terra de lagedo, de pedregulho, / - teu coração. // Bati na porta de um coração. / Bati. Bati. Nada escutei. / Casa vazia. Porta fechada, / foi que encontrei..."

sexta-feira, 10 de abril de 2015

GRUPO LITERÁRIO A ILHA NA FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE



Neste domingo, dia 12, estarei na Feira do Livro de Joinville, a partir das 18 horas, para o lançamento do livro A COR DO SOL, poesia em cinco idiomas - português, inglês, espanhol, francês e italiano.
“A COR DO SOL”é um volume de poemas para levar poesia brasileira fora do Brasil, a Salões do Livro de Londres, Paris, Suécia, Itália, Suiça e para ser usado em aulas de línguas - neste ano de 2015, em maio, o livro está sendo lançado no Salão Internacional do Livro de Genebra; e será lançado, também, em feiras do livro como as de Portugal e Porto. Aliás, o autor já participou do Salão em Genebra e teve a oportunidade de experimentar a acolhida dos tantos leitores que falam português – oriundos de Portugal, de Moçambique, de Cabo Verde, do Brasil, etc. – e a curiosidade dos leitores nativos que não falavam o português mas queriam conhecer mais da poesia brasileira.
"A Cor do Sol" é uma co-edição das Edições A ILHA e da Editora Dialogar, que iniciam uma parceria na publicação de autores da terra. O livro é mais uma incursão do autor fora do país, pois nos anos 80 já teve publicado nos Estados Unidos o livro “The Poet”.
A apresentação dos poemas em português é do escritor Enéas Athanázio e da escritora Urda Alice Klueger – que também estará lançando livro na Feira do livro de Joinville no dia 12, as 18 horas; dos poemas em inglês, da professora e escritora Teresinka Pereira, brasileira radicada nos Estados Unidos; dos poemas em francês, da tradutora Odile Tardieux Dardenne e dos poemas em italiano e espanhol, da professora e poetisa Selma Franzoi.
O Grupo Literário A ILHA comemora, com a publicação deste livro e o lançamento do Suplemento Literário A ILHA, os seus trinta e cinco anos de atividades, e também trinta e cinco anos de publicação da revista, a mais perene do gênero de que se tem notícia. 
Na oportunidade, será lançada também a antologia VARAL DO BRASIL, publicada em Genebra, na Suiça, e que conta com a participação de integrantes do Grupo A ILHA.