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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A VOZ DO POVO CONTRA A CORRUPÇÃO E A IMPUNIDADE



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br     

Recentemente, escrevi a respeito da passividade do povo brasileiro, que faz (ou fazia) manifestações sobre qualquer coisa, mas não se manifestava contra a corrupção e a impunidade cada vez maiores e mais declaradas na “política” brasileira, nos podres poderes públicos.

Pois então vejo, nos últimos tempos, o povo indo à rua, em vários pontos do país, protestando contra a política corrupta que está afundando o país e contra a presidente do país, que prometeu tudo e fez exatamente o contrário, sem contar que tem falado um amontoado de coisas desconexas em vários de seus “discursos”. Evidenciando que não sabe mais o que dizer em defesa da sua óbvia incompetência.

Já não era sem tempo, já era hora do povo acordar. Os escândalos explodem todo dia, as denúncias são quase diárias, são tão frequentes que já nem despertam a atenção de muitos. Os políticos são até presos, mas nossa “justiça” incorruptível os livra rapidinho. Eles nem se importam mais de dar atestado de corruptos, para eles a corrupção e a impunidade já são, parece, consideradas normais.

Parece que a “faxina” que a presidente prometeu no primeiro mandato era só promessa mesmo. Continua tudo como dantes, no quartel de Abrantes. Ou será que a presidente tentará fazer, ainda, a limpeza? Não é o que parece. Ela faz questão de fazer , sempre, o que prejudica o povo, que paga impostos, e nada para acabar com a corrupção. E a impunidade. Porque se fossem punidos, passariam a pensar melhor antes de fazer o “mal feito”.
Como eu já disse, Dilma declarou, em alto e bom som que a faxina que queria fazer era na pobreza. Será que ela que matar os brasileiros pobres? Só se for isso, porque, na verdade, ela não está fazendo nada para que o brasileiro deixe de ser pobre, pelo contrário: os postos de trabalho estão diminuindo assustadoramente, nos últimos meses, a inflação está cada vez mais alta, com o aumento dos combustíveis, da eletricidade, da água, elementos básicos que impactam nos preços de todo o resto.
Acabar com a pobreza, e não com os pobres, significaria extirpar os políticos corruptos que gastam o dinheiro público que deveria ser usado na saúde, na educação, na infraestrutura, na segurança, etc. , seria acabar com a impunidade. Se não houver corruptos exaurindo os cofres públicos, haverá recursos para beneficiar o cidadão brasileiro, como deve ser. Haverá emprego, haverá hospitais, médicos, equipamentos, escolas com manutenção, professores bem pagos, policiais em número suficiente em nossas cidades, ganhando o suficiente, para que tenhamos segurança de fato. E por aí afora.
Mas nossa presidente ainda fez mais: ao invés de cortar as despesas desnecessárias do governo, as benesses absurdas dos políticos, ela cortou as verbas do quê? Das pastas da Educação e da Saúde. Não é fenomenal? Ela quer acabar mesmo como a pobreza: sem educação e sem saúde, sem segurança, sem trabalho e sem mais nada, o que resta para eles, para os pobres, para a grande maioria dos brasileiros?
Agora, com todo esse descaso que está levando o país a mais profunda recessão e o povo a uma situação de maior pobreza ainda, quem sabe o cidadão brasileiro acabe se indignando com a roubalheira e impunidade que grassa em nosso país e faça ouvir a sua voz?

sábado, 22 de agosto de 2015

IPÊS, JACATIRÕES, FLAMBOIÃS...



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Recebi, da minha amiga Urda, de Blumenau, uma apresentação belíssima, feita de fotos de ipês de todas as cores: vermelho, rosa, amarelo, branco. Árvores inteiras, galhos, ramos, um festival de cores e formas, coisa das mais bonitas, coisa de Mãe Natureza.
Lembrei-me disso, hoje, quando saí pra caminhar, ao encontrar um pé de ipê amarelo – aquele que se transforma no segundo sol da nossa rua, do qual já falei algumas vezes – e vi que as folhas estão começando a cair e nas pontas dos galhos estão despontando os botões que breve florescerão.
Sei que em outras regiões eles já floresceram, mas aqui o tempo meio fora de esquadro atrapalha um pouco as estações e as flores também estão desabrochando algumas mais cedo, outras mais tarde. Como o ipê, que se veste de ouro, a azaleia, que deveria eclodir em julho e só agora estão começando a abrir, como o flamboiã, como o jacatirão, que também é de julho e ainda está florescendo. O meu pé de manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, está florescido desde maio. Não é uma generosidade imensa da Mãe Natureza?
O certo é que, atrasado ou não, minha rua terá, novamente, o seu sol particular e um tapete de luz para os seus caminhantes, como em todos os anos.
E por falar em tapete, os amores-perfeitos estão lindos. Os flocs, que florescem no verão, com o calor que substituiu o nosso inverno, estão começando a florescer agora. E os hibiscos, ah, os hibiscos estão fantásticos: o branco com vermelho está sempre com cerca de dez flores abertas, cada pé, às vezes mais, o vermelho dobrado também está seguidamente florescido, com quatro, cinco, seis flores abertas de uma vez só. E o hibisco alaranjado, então, dá dúzias de flores todos os dias. Sem contar os outros tipos, mais um dez deles.
O inverno que não veio trouxe muitas flores para o meu jardim. Pena que a falta de inverno não seja um bom sinal para o que vai ser o nosso verão. Quão quente será o final do ano e início do próximo, nesta terra brasileira de Deus? Com tempos tão quentes, como ficarão as flores do meu jardim? Como ficaremos nós, seres humanos, se os reservatórios de água e nossos rios continuarem secando?

sábado, 15 de agosto de 2015

EDUCAÇÃO É FUNDAMENTAL



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Tenho alertado a respeito do abandono da educação brasileira há anos. Nos últimos tempos, intensifiquei o foco, escrevi vários artigos sobre o tema, porque a situação tem se agravado, não só pelo resultado constatado na aprendizagem dos estudantes, mas pelo estado cada vez mais precário das escolas públicas e do descaso para com os professores. Além disso, nos últimos anos foram feitas modificações no sistema de ensino – alfabetização, ensino da matemática, etc., que ao invés de melhorar a educação, prejudicaram ainda mais os estudantes do ensino fundamental, que estão chegando ao terceiro, quarto ano sem saber ler e escrever. E isso reflete nas etapas seguintes, é claro, no ensino médio e também no superior, pois se a base não é boa, todo o resto estará perdido.

A União e os Estados – o Ministério da Educação e as Secretarias de Educação – não estão dando a devida atenção à educação, não estão investindo na educação. Parecem não se dar conta de que um ensino de qualidade é condição sine qua non para que tenhamos, mais adiante, pessoas educadas e qualificadas para trabalhar e ter uma vida digna, para que tenhamos profissionais qualificados e dirigentes preparados, com um mínimo de cultura para desempenharem um bom governo à frente do país, dos estados,dos municípios, das grandes empresas.

O próprio Mec já admitiu, publicamente, o que temos repetido várias vezes: mais de um terço das crianças do inicio do primeiro grau, com oito anos, nove anos, não aprenderam a ler e escrever, o que compromete, como já dissemos, toda a vida escolar.

Então os responsáveis pela educação brasileira concordam e sabem que o ensino fundamental e médio estão com a qualidade bem abaixo do necessário. Mas voltam a insistir na modificação no Ensino Médio que, ao invés de melhorar a qualidade, pode comprometer ainda mais. Há dois anos, queriam que as treze disciplinas do Ensino Médio fossem aglutinadas em apenas quatro áreas, porque a excessiva quantidade delas estaria prejudicando o rendimento dos estudantes. Como já disse, isso é temerário, porque o que parece, na verdade, é que estão querendo diminuir o conteúdo curricular para que os estudantes possam tirar melhores notas no Enem e, por conseguinte, parecer que a educação brasileira melhorou.

A mudança no Ensino Médio não seria um tiro pelo culatra, como já foram outras “reformas” feitas pelo nosso famigerado governo? Essa é uma das muitas perguntas que têm que ser respondidas.

A verdade é que, com o ensino deficiente, a qualificação para o trabalho e para o ensino superior estará prejudicada, como o próprio ministro da educação  conseguiu enxergar. E como isso é uma bola de neve, a formação de professores, como de outros profissionais, também não terá a qualidade desejada, pois o ensino superior é a última etapa da cadeia educacional.

O governo, ou a União, como queiram, sabe o estado deplorável em que se encontra a educação brasileira. E quando digo “educação”, friso sempre, lembro que a instrução, o ensino, está contida nela, conforme pederemos ver, se consultarmos o dicionário. O que precisa fazer é responder todas as perguntas sobre os entraves que jogam a qualidade do nosso ensino cada vez mais para baixo e começar a investir para melhorar a qualificação de nossos professores – e de outros profissionais -, na melhoria das instalações das escolas públicas, assim como equipá-las adequadamente e pagar dignamente os professores.
Sempre defendi que os professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental devem ser os mais bem pagos – por isso devem ser altamente qualificados – pois a base de tudo é o começo, o inicio da jornada para aquisição de conhecimento, de educação e para a formação de caráter. Não que os outros professores não devam ser reconhecidos, mas se começarmos valorizando aqueles lá do inicio da cadeia, todos os outros serão, consequentemente, bem qualificados e bem pagos. Se o ensino tiver qualidade, os educadores formados com ele também terão qualidade.

domingo, 9 de agosto de 2015

PAI DE SEGUNDA MÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br
 
Chegou o Dia dos Pais de novo e a minha filharada está longe, longe, e não é facil fazer a travessia com frequencia. Mas é a vida, a saudade traz as pessoas queridas para mais perto da gente, os corações dos pais está onde os filhos estão. No próximo ano eu vou lá e mesmo que não seja dia dos pais, será como se fosse.
As filhas se foram, a casa ficou enorme, cheia de saudade.  Xuxu, a nossa Pinscher que quase completou vinte anos de idade também se foi e a casa ficou maior ainda, mas felizmente um barulho de criança permanceceu,  para preencher um pedacinho do dia, um pouco da nossa vida. Falo de Gabriel, o sobrinho que agora tem onze anos, mas desde pequeno passou a tarde aqui conosco. A mãe dele trabalha o dia todo, então depois da escola, ele vem ficar conosco até que a mãe venha apanhá-lo no final da tarde, à noitinha.
Ele não é filho, mas é como se fosse. É ele que nos faz companhia, que faz com que sejamos pais postiços, uma relembrança do tempo em que nossas meninas eram pequenas, depois jovens e preenchiam a casa e a nossa vida. É um filho meio que emprestado, que veio num tempo em que precisávamos muito de alguém assim.
O pai de Gabriel não é presente, então o cara chato que está sempre no pé dele, é o tio, e quem faz tudo para ele, é a tia: faz a comida, ajuda nos deveres, leva para a aula de inglês, de robótica, para a natação...
 Mas apesar de chato, antiquado, de cobrar muito e de ficar martelando as coisas no ouvido dele, é este tio também que brinca, que faz de conta que tem a idade dele, que tenta ser um pouquinho criança para fazer companhia a ele como ele faz companhia a nós, os tios que vão ficando velhos e solitários.
Então neste dia dos pais quero agradecer muito ao Gabriel, por estar conosco. Sei que ele não escolheu, mas a vida faz acontecer algumas coisas na hora e no lugar certos. Meu tempo mais feliz, meu e da tia dele, foi aquele depois da chegada das filhas. Não troco aquele tempo por nada. Mas elas cresceram e, adultas, foram viver a própria vida, como deve ser. E Gabriel veio para nos lembrarmos todos os dias de como foi bom o tempo com nossas crianças, ele trouxe de novo para dentro de nossa casa um pouquinho daquele tempo.
Ele faz aumentar a saudade? Faz sim, mas a saudade é que mantém nossas filhas cada vez mais juntinho da gente, é a saudade que conserva nossa filharada cada vez mais dentro dos nossos corações, inquilinas vitalícias com espaço cada vez maior.
Obrigado, Gabriel. Você está crescendo, a juventude está chegando e logo você também vai seguir o seu caminho, mas este tempo que encheu nossa casa e nossa vida de infância vale tudo. Eu sempre disse que casa sem criança não é lar, mas um dia vou ter que me acostumar com isso. E a casa vai ficar tão maior, tão maior…