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sexta-feira, 22 de abril de 2016

MARIANA, NOSSA POETISA IMORTAL




Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

No dia 22 de abril deste ano, a poetisa Maria Ássima Fadel Dutra, a nossa Mariana, completaria 116 anos de vida. Infelizmente, a poesia catarina ficou órfã, pois no final de 98 Mariana foi fazer poesia junto com Coralina, Quintana, Drummond, no andar superior, para alegria deles e tristeza nossa, que perdemos a companhia de uma criatura fantástica, mágica, sem igual.
Mariana era a nossa Vó Mariana – todos os poetas eram netos seus – e era, também, a poetisa mais atuante do norte catarinense, a despeito dos seus mais de noventa anos de idade. Era a pessoa mais bonita que já conhecemos. Ela participava de reuniões, lançamentos, palestras, recitais, ia à praça e às escolas com o Varal da Poesia do Grupo Literário A ILHA, tinha mais entusiasmo e energia do que muito jovem que não tinha um quarto da sua idade. Sua vontade de participar e realizar motivava e incentivava a todos.
A saudade que sua ausência traz vai perdurar para sempre. Nada vai consolar a falta de Mariana, nada vai acabar com a saudade que ficou, mas ela será eterna enquanto houver poesia. Em cada lugar onde a poesia estiver presente, em cada reunião de poetas, sabemos que lá estará ela, poesia viva. Ela foi, por si só, um belíssimo poema, talvez o mais bonito que pudemos conhecer. Mariana foi, enquanto estava entre nós, e continuará sendo, um ícone da poesia catarina.
Seus três livros – “Folhas ao Vento”, “Sonhar e viver” e “Caminhantes da Minha Rua”, deixaram com a gente um pouquinho da alma da poetisa maior. Ou talvez muito. Porque Mariana continua viva, em nossos corações, através da sua poesia, que traz com ela o carisma, a meiguice e o carinho que a traduzia.
Na última visita que fiz à Mariana, ao abrirem para mim a porta de sua casa, mostraram-na descansando e eu pedi que não a acordassem, que eu voltaria outro dia. Não houve outro dia, Mariana se foi antes que eu voltasse. Nunca façam isso. Se acontecer com vocês, acordem a pessoa que querem ver, sem pestanejar, dêem um beijo e um grande abraço, matem a saudade. Nunca esqueçam disso.
Não quis perturbar Mariana e perdi a oportunidade de retribuir, uma última vez, todo o carinho que ela sempre nos deu. Mariana, a nossa menina de cabelos brancos, alma branca refletindo luz, como o branco dos cabelos, como a luz do seu sorriso e a juventude da sua alma.
A nossa “vó” Mariana, a poesia encarnada, um verso de amor e ternura, um poema do Criador. Mariana, perene como a poesia...


quarta-feira, 13 de abril de 2016

BIBLIOTECAS VIRTUAIS E OS LIVROS TRADICIONAIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 36 anos de atividades neste ano de 2016, Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br 

Fazendo um expurgo na minha biblioteca, escolhendo livros que eu tinha em duplicata, livros meus que não foram vendidos porque tinham uma manchinha ou algum defeito pequeno de confecção e outros que eu já li e não vou ler de novo, para doar ao projeto Floripa Letrada, que os disponibiliza aos usuários do transporte coletivo, lembrei-me de uma matéria que vi na televisão, recentemente, sobre bibliotecas virtuais.
É claro que as bibliotecas como as conhecemos hoje não vão acabar, as bibliotecas virtuais não vão substituí-las, mas já são realidade. E é claro que, apesar das novidades tecnológicas como os leitores de livros eletrônicos, como Kindle, tablets e smarfones, o livro de papel impresso continuará existindo por muito e muito tempo.
Mas as bibliotecas digitais estão aí, oferecendo livros para quem tem os leitores eletrônicos ou quiser lê-los na tela do computador. A biblioteca da USP e a Biblioteca Nacional Digital, por exemplo, estão com grande parte de seu acervo digitalizados. Outras bibliotecas de grandes universidades também estão digitalizando seus acervos. A Escola Dante Aliguieri, de São Paulo, tem mais de sessenta mil livros já em versão digital.
A Biblioteca Mundial da Unesco, que abriga obras do mundo inteiro, também oferece seu acervo digitalizado e disponível. E muitas outras pelo mundo afora já tem seu acervo digitalizado.
Então a tendência para um futuro próximo é termos tudo o que já foi publicado transportado para a versão virtual e o que está sendo publicado e que será publicado, sair com a versão tradicional impressa e outra digital.
As editoras estão vendendo também, via internet, seus livros digitais. Aliás, as grandes editoras já se organizaram e criaram uma Distribuidora de Livros Digitais. Os escritores, mesmo os alternativos, que fazem suas edições próprias, estão fazendo também uma edição digital quando publicam seus livros.
Então podemos aproveitar as grandes bibliotecas digitais que nos oferecem grandes acervos em versão virtual, quase sempre gratuitamente, pois muita coisa não tem mais direito autoral.
Se não tivermos o Kindle ou um tablet, ou o smartfone, que atenuam o brilho das suas telas,  podemos também ler os livros digitais na tela de nossos computadores, embora nossos olhos não tenham sido feitos para enfrentar o brilho intenso e a radiação por muito tempo. Mas não precisamos ler tudo de uma vez, podemos ler pequenos ou médios trechos de cada vez.
E aproveitar, de um jeito ou de outro, a imensa gama de títulos que nos são oferecidos por lojas e bibliotecas virtuais.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

DESCASO COM O PLANETA, ESTAÇÕES DESENCONTRADAS...


       Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 36 anos de literatura neste ano de 2016. Cadeira 19 da Academia SulBrasileira de Letras. http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br  

As estações do ano já não sãomais como eram, até poucos anos atrás, ou como deveriam ser. Elas não são mais definidas, por culpa unicamente de nós, por culpa do homem, do ser humano, que não soube cuidar como deveia do seu planeta, do lugar que Deus lhe deu para viver.
O inverno, que significava muito frio no sul, no sudeste e outras partes do Brasil e da América Latina, praticamente não existe mais. O calor impera de janeiro a dezembro, nos últimos tempos, mais ameno no meio do ano, por um ou dos meses, alcançando temperaturas de mais de cinquenta graus no final e no início do ano, até quase meados.
Essa indefinição de estações pode até parecer boa, se pensarmos que algumas flores e algumas árvores florescem fora de suas épocas, às vezes por mais de uma vez por ano, como é o caso do manacá-da-serra, o jacatirão de inverno. O meu floresceu tres vezes, estamos em abril e ele ainda está desabrochando uma ou outra flor. E muitos outros manacás-da-serra por aí alongaram a última florada de 2015 e deram as boas vindas ao novo ano de 2016, atravessando por ele até agora.
Mas há o outro lado: a agricultura depende das estações, das suas datas definidas para a produção de alimentos. Cada planta tem a sua época certa para ser lançada ao solo, crescer e dar frutos. Se não for plantada na época apropriada, não produz apropriadamente. Em não existindo mais as estações em seus devidos lugares, em suas épocas corretas, como plantar e esperar ter boa safra? Com a palavra os engenheiros agrônomos, que sabem bem a respeito e podem dizer se tenho razão ou não.
E, atentem, não consideramos que, com a indefinição das estações, o clima também fica maluco e sol demais ou chuva em demasia não são nada bons para a agricultura e não são bons para ninguém.
Que fizemos com o nosso meio ambiente, para desestabilizar o clima, o tempo, de tal maneira que não temos mais as estações definidas, como deveriam ser, em praticamente qualquer ponto do planeta? Estamos sofrendo as consequencias de nosso descaso, pois a Natureza é Mãe, mas não aceita ser desrespeitada o tempo todo.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

EDUCAÇÃO BRASILEIRA SEM LITERATURA PORTUGUESA



     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor e editor – Fundador e Presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa neste ano 36 anos de literatura. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br
 
Mais uma joia do governo brasileiro em prol da já combalida educação que é oferecida por aqui: o MEC – Ministério da Educação, eliminou a obrigatoriedade do estudo da Literatura Portuguesa na Nova Base Nacional Curricular Comum, que deve ser colocada em prática a partir de junho próximo. A nova pérola não é aprovada por educadores, pois significa mais um golpe, mais um retrocesso no ensino de qualidade bem aquém do que o esperado e merecido pelos cidadãos deste nosso Brasil, cada vez mais corroído pela corrupção e pela impunidade.
Autores como Luís Vaz de Camões, Gil Vicente, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett ou José Saramago deixam de ser obrigatórios. E no Brasil, se não é obrigatório, não precisa mais ser lembrado. Outro dia, em uma discussão com amigos, falávamos da não obrigatoriedade da leitura dos clássicos portugueses nas nossas escolas e de como isso significa que nunca mais eles serão sequer mencionados.
"A proposta beira o absurdo. Como se pode apagar Portugal e a Europa de nossas origens? Tirando do mapa? Será que mais uma vez a seleção de conteúdos foi contaminada por um viés político e ideológico anacrónico? Já que Portugal teria sido uma metrópole colonialista europeia que explorou as riquezas de suas colônias e escravizou populações negras e indígenas na América e na África, agora seria a vez de dar voz à cultura dos oprimidos, em detrimento da Europa elitista e opressora?", perguntaram-se em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo dois professores universitários brasileiros, Flora Bender Garcia e José Ruy Lozano, indignados com a decisão.” (DN, Lisboa)
Não podemos negar a importância da literatura portuguesa na memória e na vivência dos brasileiros. Temos grandes escritores brasileiros porque o passado, o primórdio da nossa literatura é a literatura portuguesa. Como então apaga-la de nossa memória?