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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A CASA CAIU

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Soube de uma triste notícia, hoje: parte do teto da Biblioteca Muncipal Rolf Colin, de Joinville, desabou. A matéria que vi na televisão, agora à noite, mostrava os destroços do teto caídos sobre a parte central da biblioteca, quase invadindo o salão de leitura. Vi até alguns de meus banners com poemas, o meu Varal da Poesia que estava sendo exibido lá desde a semana retrasada.
A matéria foi um pouco vaga, não esclareceu se o telhado também veio abaixo e se a chuva que cai hoje na Cidade das Flores, da Dança e da Poesia não vai estragar os livros, o acervo da casa.
Fico pensando nos funcionários da casa, pessoal que nos recebeu tão bem no dia 9 deste mês para o lançamento de nossos livros: meu, da Mary Bastian, da Célia Biscaia Veiga e do Jurandir Schmidt. Uma belíssima noite de literatura numa casa de livros. Será que vão poder continuar trabalhando na Biblioteca, será que haverá condições de abrir a casa amanhã? Sei que amanhã devem dar informações com mais detalhes, e espero que sejam boas notícias.
É uma pena que o poder público de Joinville não estivesse fazendo a manutenção do prédio da prefeitura Rolf Colin a contento, a julgar pelo acontecido. A casa já teve problemas de infiltração de água da chuva, que foram resolvidos em épocas anteriores, mas o prédio já tem uma certa idade e precisa de cuidados. Espero que o estrago não tenha sido muito e que a casa possa continuar funcionando.

sábado, 18 de setembro de 2010

LIVRO DE PLÁSTICO

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

E já existe o papel de plástico. Uma das três revistas semanais de informação trouxe matéria a respeito, recentemente, muito interessante, por sinal. Numa época em que se alardeia o fim do livro impresso em papel, por causa dos e-readers (leitores eletrônicos), essa notícia vem confirmar que o fim de livro tradicional, como conhecido até agora, está bem longe. Ele pode até concorrer com o livro digital, mas sempre terá o seu lugar.
O papel de plástico é produzido a partir de lixo reciclável, ou seja, pacotes, garrafas, potes de iogurte, etc. A produção ainda é pequena, mas já existem gráficas imprimindo no papel de plástico, que tem semelhança com o papel couchê, que evidencia a boa qualidade. O custo ainda é um pouco salgado, mas à medida que a produção aumentar, esse problema deixará de existir.
Então, estamos frente à frente com o papel do futuro, com o papel que não destruirá árvores e consequentemente não agredirá o meio ambiente. Aliás, pelo contrário: o papel de plástico trará benefícios ao meio ambiente, pois utilizará o plástico que seria jogado na natureza, onde leva muito tempo para se decompor.
Vamos, daqui por diante, procurar dar preferência ao livro que for impresso em papel de plástico, como já fazíamos com os impressos feitos com papel reciclado.
Que a produção do papel de plástico – resultado do trabalho de pesquisadores brasileiros, diga-se de passagem – aumente, que mais editoras e gráficas se interessem pela novidade, para que aquele lixo que seria jogado fora passe a servir uma causa nobre e não fique obstruindo esgotos e bocas de lobo quando chove muito, causando enchentes.
Que venha o papel de plástico e que conviva hamoniosamente com o e-book, com o leitor eletrônico, pois ele representa um alento para o livro impresso, uma garantia a mais de sobrevida. E é mais durável, não rasga, é mais resistente: é o papel do futuro.
Menos lixo, mais livros: a equação perfeita para cuidarmos melhor do nosso meio ambiente e do futuro, uma coisa tão incerta nesses últimos tempos, por conta do nosso descaso com a natureza.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

PROFESSORAS E ESCRITORES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Lendo a crônica de hoje do Marinaldo, de Joinville, no Anexo, lembrei-me da minha primeira professora, dona Elizabeth, que contava uma história quando a aula começava e dava todas as matérias em torno da história contada, sem que a gente nem percebesse que estava estudando. E lembrei também da minha professora de Português, na faculdade, a dona Ivoninha, uma das melhores professoras que conheço.
Escrevei um e-mail para o autor, parabenizando, porque acho que quando o escritor é bom, a gente tem que dizer: “Rapaz, sua crônica de hoje está belíssima. Não que as outras não o fossem, aquela da contação de histórias para os velhinhos do Ancionato Bethesda também me encantou, e outras mais. Mas a de hoje me conquistou porque fala de uma professora Ivone. E eu tive uma professora Ivone, quando fiz Letras aí na Univille, uma criatura fantástica que me fez gostar de gramática. Ela era baixinha mas gigante ao mesmo tempo, um doce de professora que sabia como fazer a gente gostar de escrever com correção. Nós a chamávamos de dona Ivoninha, não sei se ela ainda dá aula, mas deve morar aí em Joinville no sul da cidade, no bairro por volta da estação ferroviária, na direção que desce para o Guanabara. Parabéns pela sua lavra”
E ele me responde: “Muito obrigado; O senhor não sabe, mas foi um dos responsáveis por hoje eu ser um escritor, porque poeta sempre fui;Na época do varal literário, na Praça Nereu Ramos, escrevi um soneto e levei para o senhor ler, e aprovado então, pude expor, ainda criança, entre os "adultos" daquela praça;Hoje tenho quatro livros publicados, uma coluna numa revista e ainda, tenho a satisfação de ser cronista do Jornal A Notícia;Eu hoje trabalho na Biblioteca Pública e no meu contato com os leitores, e ouvintes, digo desse meu início, e falo da sua importância para o meu começo;Tenho lido também seus cartazes espalhados pela Biblioteca Municipal.Parabéns pelos versos.”
Viram que mundo pequeno? Eu não lembrava, mas já tinha reconhecido naquele menino um legítimo representante das letras catarinenses.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

PÃO DE FUBÁ NA FOLHA DE BANANEIRA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Vejo um programa na TV, onde um cozinheiro (ou chef) vai ao interior para mostrar receitas antigas, tradicionais, executadas diretamente na fonte. Então ele chega a uma fazenda onde o fubá de milho é feito lá mesmo, num moinho de água. O milho é triturado por pedras se friccionando uma sobre a outra, grão por grão. E com aquele fubá a fazendeira fez um bolo de panela e uma broa na folha de banana. O bolo é colocado numa panela de ferro e assado em cima da chapa de fogão a lenha. Tampando a panela, uma chapa de zinco, com brasas em cima. Não é original? Nunca tinha visto nem imaginado. A broa é derramada sobre pedaços de folha de bananeira com uma tira de goiabada, tudo é enrolado e colocado em uma forma para assar.
Deu água na boca e uma saudade da minha infância vivida em Corupá, minha pequena cidade no pé da Serra do Mar, entre Jaraguá do Sul e São Bento do Sul. Lembrei do pão de milho com batata doce, feito com o fubá da tafona perto de casa, que a gente ia buscar fresquinho, recém saído do moinho. E aquele pão era assado em forno de tijolos, daqueles que a gente queimava um tanto de madeira até ficar um braseiro. Então tirava-se as brasas e colocava-se o pão para assar, às vezes em formas de zinco e quando sobrava massa, em folhas de bananeira. E o cheiro do pão fresquinho, quentinho, se espalhava por toda a casa, por toda a vizinhança. Lembro que a gente preferia comer primeiro o pão redondo, assado na folha de bananeira.
Mas fazíamos pão de trigo, também. Então quando saíamos para fazer piquenique no interior, na zona rural, em beiras de rio, levávamos pão de trigo para trocar com o pessoal que morava longe da cidade. Porque eles faziam um pão de fubá com inhame, com batata doce, com taiá, que ficava molhadinho, quase cremoso, uma delícia.
Bons tempos. Coisas de Corupá, que talvez existam ainda hoje, e coisas de cidades colonizadas por alemães e italianos. Mesa farta, comida simples e deliciosa. Vida de muito trabalho, mas tranquila e feliz.
Corupá, apesar do progresso, que vai chegando, devagarinho, ainda é uma cidade feliz e tranquila. Dá vontade de voltar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ILHAS DE SOL


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Estou preocupado porque o ipê da minha rua, nosso sol particular que deveria estar iluminado, irradiando luz por todo o bairro, está triste, sem folhas, sem nenhum botão de flor. Achei que tinha visto, outro dia, alguns botões começarem a despontar na ponta de algum galho, mas nada. Espero que a árvore, a mascote da nossa rua, não esteja morrendo, como os pés de jacatirão ao lado de um grande supermercado, que estão secando um a um.
Há um outro pé de ipê na mesma rua, menor, e ele não está fechado de flores, mas está florescido, humilde e singelo, jogando luz por nossos olhos adentro. Hoje, quando passei por ele, lembrei da viagem que fiz no final de semana para o norte do Estado. No caminho e nas cidades visitadas, grandes concentrações de luz, belíssimos ipês carregados de flores. Este ano ele não estão florescendo tanto como no ano passado, por exemplo, mas sempre é um espetáculo grandioso.
A minha amiga Urda, pra completar, me enviou um apresentação fantásticos ipês amarelos, brancos, roxos, vermelhos, rosa, um mais belo que o outro. Pena que eu não sei usar muito bem o Power Point para copiar algumas das fotos e colar junto com este texto.
Mas leitor, onde quer que esteja, saia à rua e procure na sua cidade que com certeza encontrará uma ilha de sol faiscando luz pra você. Olhe para o chão, também, que deverá encontrar um tapete de luz que indica que um ipê amarelo floriu.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

SKY - MAU ATENDIMENTO É ISSO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.cokm.br

Na minha crônica “Desrespeito ao Consumidor”, falava eu da minha luta com a Sky, pois precisei atualizar meu pacote de TV por satélite e eles não foram corretos comigo. Primeiro, o valor que constava do site não casava com o que me foi informado quando liguei para eles. Segundo, que quando veio a primeira fatura, havia lá a cobrança de uma taxa de “assistência técnica” da qual ninguém havia falado, nem constava nada sobre ela no site da empresa, também.
Então liguei para lá, pois além disse estavam cobrando por um canal que abriram para mim sem que eu houvesse solicitado. E me disseram simplesmente que eu tinha que pagar a tal taxa de assistência, porque fazia parte do pacote. Então, já que eles não estavam sendo honestos comigo, decidi cancelar a minha assinatura, pois não me interessa ter negócios desse tipo. Transferiram a ligação e esperei mais de quinze minutos, então desisti. Mas tornei a ligar mais três vezes e me deixaram esperando de novo, então na quarta ligação avisei que era a última tentativa, que se não resolvesse daquela vez eu iria a Anatel, que lá eu resolveria muito mais rapidamente o meu problema. A atendente me fez esperar um tempão, mas não transferiu a ligação. Disse que falaria com o seu coordenador e então me prometeu que estava cancelada a minha assinatura, que o meu sinal cessaria no dia 19 de setembro (o dia da ligação era 30 de agosto), pois como a gente paga antecipado, isto é: a gente primeiro paga, depois assiste, eu já tinha pago até o dia 20 de setembro. A atendente me adiantou que antes do dia 19 alguém da Sky me ligaria.
Fiquei tranqüilo, mas no dia 13 de setembro recebi uma nova fatura, como se o procedimento de cancelamento da minha assinatura não tivesse surtido nenhum efeito. E não tinha mesmo, pois liguei para lá para saber porque recebera mais uma fatura se havia cancelado a minha conta com eles e fiquei sabendo que, na verdade, não tinham encerrado nada, a minha conta continuava em ser. Conjeturei com a atendente que era a quinta vez que eu estava ligando, que tinha o protocolo da ligação do dia 30 quando havia sido feito o cancelamento, mas acabei ficando meia hora ao telefone, de novo e a me transferiram para o departamento de cancelamento. Fiquei mais uns cinco minutos ouvindo propaganda da Sky, até que alguém me atendeu.
Contei toda a história novamente e a criatura queria saber porque eu queria cancelar. Perguntei se o fato de ser a quinta vez que eu estava ligando e as meias horas que eu fiquei esperando não eram motivo suficiente. Tentaram me segurar, fazendo abatimento, etc., etc., mas como confiar com tudo o que já ocorrera até então? Disse que já tinha assinado outra TV a satélite e ela quis saber qual era. Com um saco de paciência que eu não sabia que tinha, disse que não vinha ao caso – como se ela não soubesse qual é o único corrente da empresa dela. E apesar da insistência para que eu não encerrasse a minha assinatura, disse que não me interessava nada do que eles me oferecessem e queria apenas que procedessem ao meu desligamento.
Então finalmente ela me deu o protocolo de cancelamento e eu pedi a gravação do dia 30, para ir a Anatel e denunciar o tratamento que a dona Sky dá aos clientes dela.
Já vi em jornais e na internet que eu não sou o único que teve problemas com ela. Há uma legião de clientes desrespeitados que estão migrando para outras empresas. A Sky que se cuide, porque eles não são os únicos no mercado.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A LITERATURA TRANSCENDE O LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Sei que já falei do coquetel de lançamento dos livros da Coleção Letra Viva, publicada em homenagem aos 30 anos de atividade do Grupo Literário A ILHA. Mas volto ao assunto, porque Célia, a nossa Célia Biscaia Veiga, cronista, poeta, atriz, bancária, gente finíssima, foi inspirada, inspiradíssima na produção daquela noite.
Foi ótimo reunir de novo o grupo em Joinville – pena que nem todos os integrantes do grupo da região puderam comparecer – e relembrar tantos eventos que fizemos acontecer nos anos oitenta e noventa. Lançamentos como esse, realizado na Biblioteca Municipal Rolf Colin, que a gente fazia acontecer no Museu de Arte, no Arquivo Histórico, no Hall do Banco do Brasil, e em vários outros locais da cidade. E Célia recriou, melhor do que o melhor evento que podíamos ter realizado, uma noite de cultura e literatura para não esquecermos jamais.
O auditório montado na sala de leitura da biblioteca municipal ficou lotado de convidados. Depois de nos apresentarmos e de falarmos do Grupo A ILHA e dos seus trinta anos de literatura, a literatura que estávamos ali para oferecer nos livros que leváramos para lançar, começou a sair dos quatro volumes da Coleção Letra Viva e tomou forma na voz e na interpretação do grupo de atores que Célia dirigiu.
Primeiro foi a crônica da Mary Bastian, "Há braços", que começou a ser lida para o público. E quando chega a hora que a autora narra a passagem em que ela viu jovens na praça com cartazes, dizendo que o abraço era de graça, três ou quatro pessoas se levantaram no meio do público e começaram a abraçar todas as pessoas da plateia. Foi emocionante.Depois foi a vez do texto de Célia, “Não é Comigo”, sobre o atendimento de Call Centers, que deixam a gente esperando horas e nunca querem ouvir o que temos a dizer. Foi hilário, foi muito engraçado uma pessoa ao telefone tentando se fazer ouvir, mas apenas ouvindo “vamos transferir a sua ligação”, “Não desligue que a sua ligação é muito importante para nós”, “Este assunto não é comigo”. Bem como acontece na vida real.
A minha crônica apresentada foi “Jacatirões no Jardim”. E a dramatização foi linda, muito original, pois enquanto ela era lida, algumas pessoas montaram o "esqueleto" de uma árvore e foram distribuídas para o público flores de papel crepon brancas, rosas e lilases, representando as flores de jacatirão e todos foram convidados a colar esses papéis coloridos na árvore. Assim, quando terminou a leitura, a árvore estava florida.
Ouve declamação de poema, também, além do poema de Quintana que estava embutido na minha crônica.
Foi uma noite maravilhosa. Um público fantástico, gente que prestigia a cultura de gente da terra e que, com a criatividade e o talento da Célia em organizar, tornaram tudo muito agradável.
Uma colega nossa, de banco, que foi com o namorado, contou-nos da impressão dele. Nunca tinha ido a um evento assim, a uma sessão de autógrafos e não imaginava que podia ser tão agradável. Ponto para a Célia e o seu grupo de atores, que com sua dedicação, tornaram possível um encontro literário tão bonito.