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quarta-feira, 3 de julho de 2013

INVERNO COLORIDO


Por Luiz Carlos Amorim- Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


A nossa Santa e bela Catarina não é bela por acaso. Suas cidades tem flores enfeitando-a o ano todo, seja em pequenas plantas decorativas ou em grandes e majestosas árvores. Na primavera, a vida toma cor e cobre todo o chão. Há flor e verde por todos os lados, em todos os lugares. O amarelo do ipê ilumina. No verão, o espetáculo continua e o destaque é para os jacatirões, que enchem nossos olhos, nossas matas, nossas encostas e jardins com generosas doses de pétalas que vão do branco até o vinho. No outono, algumas folhas caem, mas ainda desabrocham flores.

No inverno... Ah, no inverno também há flor por todo o estado de Santa Catarina, em todo o sul. A despeito da chuva, as touceiras de azaleia se cobrem de flores de um vermelho suave, dando vida aos nossos dias frios e convidando o sol a brilhar, até que a primavera chegue. Aliás, nem só de vermelho são coloridas as nossas flores de inverno: as cores da azaleia vão de um vermelho suave, quase rosado, até o vermelho vivo, passa por um tom alaranjado e vai até o branco. E tem o manacá-da-serra, jacatirão que floresce no inverno, coberto de flores nesta época.

Tenho prestado atenção, nas minhas andanças por Joinville, Jaraguá, Corupá, São Bento do Sul, São Francisco do Sul, etc., na exuberância da azaleia e do jacatirão do frio em nossos invernos.

E eles me fazem lembrar de minha avó Paula, que me deu uma muda de azaleia, um toquinho de caule que ela cortou do jardim da sua casa, em Curitiba, para eu fincar no chão do jardim da minha casa quando eu morava em Joinville, há alguns anos. O toquinho brotou e cresceu, viçoso, e floresceu, majestoso, por alguns invernos. Minha avó Paula se foi e a touceira de azaleia também, pois fui mudá-la de lugar e ela também não resistiu.

Mas a florescência da azaleia me lembra também da minha amiga Urda, a escritora loura de Blumenau, dos dedos cheios de poesia. Nunca conversei com ela sobre azaleia, mas a flor me lembra Urda. Talvez porque ela goste muito de flores – sei disso porque ela é uma grande admiradora do jacatirão e foi uma das maiores incentivadoras, desde a ideia inicial até a concretização do livro “Meu Pé de Jacatirão”, que publiquei há algum tempo e para o qual ela fez o prefácio – e porque eu a imagino maravilhada, embevecida, emocionada diante de uma pequena árvore de azaleia coberta de flores, assim como ficaria entusiasmada diante de um pé de ipê coberto de luz, de um pé de jacatirão todinho em flor ou um flamboiã carregado de vermelho.

Assim como Urda se lembra de mim quando vê ou ouve falar de jacatirão, eu me lembro de Urda e de Vó Paula quando vejo a azaléia. Acho que a azaléia combina bem com aquela cara de feliz da Urda, que faz a gente ficar feliz também, e com aquele sorriso doce de Vó Paula, que deixou tanta saudade. E as duas tem em comum o fato de serem descendentes de imigrantes alemães.

Urda e Vó Paula são daquelas pessoas que olham e veem. As flores nunca ficaram apenas do lado de fora de seus olhos: elas adentram o olhar e ficam lá, iluminando seus rostos.

sábado, 29 de junho de 2013

DE ANIMAIS E DE HUMANIDADES

 
 Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Lembram daquele vídeo do menino de dois ou três anos que se recusa a comer polvo que a sua mãe lhe oferece, por que “não se deve comer animais”? Pois então, ele não só não comeu, justificando repetidas vezes que “são os animais, mamãe”, como fez a mãe chorar, emocionada pela reação do filho. Quem dera todas as crianças fossem levadas a ter essa consciência no que diz respeito à preservação da vida, a nossa e a dos animais, de qualquer ser vivo, enfim. Alguém me enviou uma mensagem pedindo que eu escrevesse uma crônica a respeito e eu acabei não escrevendo, mas hoje, vendo outro vídeo, não resisti.

Acabo de ver, enviado pela minha grande amiga e conterrânea, a professora Mariza Schiochet, um vídeo que vou chamar de “Comporte-se como uma criança e aja como um cão”, pois isso está escrito lá no fechamento desse poema dos mais belos que já vi. Um menino especial, de mais ou menos dois anos, talvez três, não dá pra ver direito, pois ele não se levanta do chão, dá a impressão de que ele não anda, está perto de um labrador. Está sentado na calçada e começa a se aproximar do labrador, maior do que ele.  Quando o menino percebe que o cão também começa a se aproximar dele, ele começa a se esquivar. O cão tenta deitar a sua cabeça  nas pernas dele e ele se afasta, o cão chega mais e estende a pata e o menino a afasta e continua a se afastar. O cão chega mais perto e rola no chão, estendendo a pata para mais perto do menino. O menino vai se afastando até encostar na parede. O cão senta e, sentado, fica quase mais alto que o menino que também está sentado. Coloca a pata no ombro do menino e ele tenta tirá-la, afastando-se de novo. O labrador deita no chão de novo e fica de barriga pra cima, rola e estende as patas para o menino e ele as afasta de novo. Mas o cão insiste, põe as patas em cima das pernas dele de novo e o menino acaba passando a mão na cabeça dele, abraçando-o em seguida.

O cão não desistiu, insistiu até o menino aceitar o seu carinho. Se existe poesia nos gestos, esse é o maior poema que uma imagem pode compor. Mais uma vez um cão nos mostra que nós, humanos, temos muito a aprender com ele. Que um cão pode nos ensinar humanidades, sim, por que não? Melhor até do que um ser humano.

Como eu já disse em outra crônica, não me chamem de cachorro. Eu não mereço tamanha deferência, tamanha honraria. Eu sou apenas humano.

 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

33 ANOS DE LITERATURA


  

 Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O Grupo Literário A ILHA completou, neste mês de junho de2013, trinta e três anos de atividades em prol da divulgação da literatura catarinense e brasileira e da manutenção de espaços para novos escritores.  E também comemoramos trinta e três anos de circulação desta revista, o Suplemento Literário A ILHA.

E estamos comemorando em grande estilo todo esse tempo nesta caminhada que tem cumprido o seu objetivo, qual seja o de levar até o leitor a literatura de nossos escritores. O Grupo Literário A ILHA esteve presente no Salão Internacional do Livro de Genebra, na Suiça, um dos eventos literários mais importantes da Europa. Através do fundador e coordenador do grupo A ILHA, este que vos escreve, a literatura catarinense e os escritores que publicam na nossa revista foram divulgados lá fora, já que na Suiça há uma comunidade muito grande de praticantes da língua portuguesa: brasileiros, portugueses, moçambicanos, cabo-verdianos, etc. Duas edições desta nossa revista foram levadas e distribuídas no Salão.

Essa edição comemorativa do Suplemento Literário A ILHA comemora a incursão do grupo num evento internacional tão importante como o Salão Internacional do Livro de Genebra, o início das comemorações de aniversário do grupo. Exatamente neste mês de aniversário do grupo, estivemos participando da Feira do Livro de Jaraguá, também, com o lançamento do livro “O Rio da Minha Cidade” e dessa edição da nossa revista.

Continuamos na caminhada, pois somos o grupo literário mais perene que se conhece.

 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

CHEGOU O INVERNO NO MEU JARDIM

   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br 

Meu pé de jacatirão (ou manacá-da-serra, que é como se chama essa variedade de inverno) começou a  florescer. Atrasado, em relação aos outros, mas está florindo lindamente. É que os outros tantos pés de jacatirão, por aí, já começaram a florir há mais de mês, por conta da desorientação das estações, que não estão muito fiéis aos seus tempos, chegando antes, chegando depois, às vezes quase não chegando. Mas o importante é que meu pé de jacatirão-manacá floriu, pois no ano passado, por causa do verão muito forte, os botões nem conseguiram abrir. Então eu o podei e ele está lindão.
Com o desequilíbrio climático, quase nada floresce no tempo certo e o manacá-da-serra, o nosso belíssimo jacatirão de jardim adiantou-se bastante e chegou antes do inverno. Só o meu, parece, está florescendo no tempo correto.
As primeiras duas ou três flores que desabrocharam, com suas pétalas brancas, me deixaram muito feliz, pois é como se a primavera visitasse meu jardim, em pleno inverno. E as pétalas foram ficando mais vermelhas, a cada dia, e novas brancas foram aparecendo, para passarem por um degradé e ficarem quase da cor do vinho.
Este ano não plantei amor-perfeito e petúnias, por isso meu jardim estava um pouco triste. Mas, por outro lado, já estou colhendo morangos, tenho bastante manjericão para temperar peixe e fazer molho pesto e defumar anchovas e tenho, também, hortelã, cana-limão, sálvia, guaco e alecrim, para fazer chá e enfrentar a gripe que vem por causa do frio e salsinha, cebolinha, os temperinhos verdes que não podem faltar. Além de alguns pés de hibisco.
E ainda há tempo para plantar os amores-perfeitos e petúnias, para fazerem companhia aos jacatirões floridos e assim deixar mais colorida e feliz a minha casa. Dos dois pés de funcionárias que lá existiam, um ainda insiste em florescer. O outro, os mesmos bichos que comem minhas folhas de couve comeram ele todo, deixando só a raiz.
Mas nem ligo, porque meus jacatirões floresceram.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

AS PUBLICAÇÕES LITERÁRIAS ALTERNATIVAS


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Recebi de uma amiga brasileira que vive no exterior, uma apreciação de quem está vendo de fora o panorama das publicações literárias e culturais no Brasil. Ela percebe que as revistas e jornais alternativos, publicados por pessoas ou grupos ligados à cultura, mas que não têm nenhum apoio da “cultura oficial”, são na verdade aqueles que dão impulso ao desenvolvimento da literatura brasileira.
Sempre defendemos essa idéia, de que é através das publicações alternativas, de grupos alternativos, que muitos autores de talento são revelados. Houve época em que existiram muito mais páginas culturais e suplementos literários nos grandes jornais, isto é: havia muito mais espaço para a literatura nos meios de comunicação em massa. Além dos jornais, existiram bons programas na televisão, programas de rádio onde se declamavam poemas, etc.
O tempo foi passando e as páginas foram sumindo, os suplementos foram rareando e o que perdurou, mesmo, foram as publicações alternativas. Até os jornais culturais das imprensas oficiais dos estados sumiram, mesmo sendo custeados com recursos públicos e publicando normalmente os mesmos autores, quase sempre ligados à “cultura oficial”.
Então aplaudo o trabalho da escritora Teresinka Pereira sobre escritores, poetas, artistas e editores alternativos do Brasil, pois é um reconhecimento que eles merecem, por manter espaços valiosos em prol da divulgação do novo que aparece na arte literária.
Apesar de viver nos Estados Unidos há vários anos, ela mantém contato com grande número de agitadores culturais deste nosso imenso Brasil e sabe o que está acontecendo. E olhar de fora, ter uma vista panorâmica do cenário literário brasileiro estando longe, apenas observando as manifestações culturais, vendo com lucidez e reconhecendo o trabalho desses “heróis na batalha contra a ignorância, a inaptidão e a indiferença da política do governo” é, no mínimo, meritório.
Ela reconhece o valor destes abnegados e faz uma lista das publicações brasileiras existentes, num trabalho completo, dando, inclusive os endereços.
Transcrevo um trecho do artigo da escritora, com o qual não é preciso dizer mais nada: “Aos leitores de colunas literárias, dos suplementos e das revistas que contém poesia e artigos de literatura, não é necessário lembrar a importância dos mesmos. Embora nos países capitalistas sempre se fale de liberdade de imprensa e de pensamento, o que vemos é sempre o contrário do que dizem. O governo não faz investimentos na literatura porque diz que os escritores sempre pertencem à esquerda radical ou são anarquistas e usam a pena para falar mal dos políticos eleitos. E mesmo que assim não fosse, não há ajuda para publicações literárias.”
Nós do  Grupo Literário A ILHA sabemos bem disso, nunca conseguimos sequer uma sala para nos reunirmos, mas estamos completando 33 anos de atividades neste mês de junho, sempre abrindo espaços para os novos e também para os não novos. E somos alternativos e independentes, sim, com muito orgulho. Nunca  tivemos que escrever sob encomenda ou muito menos que modificar nossos textos, por causa de censura de órgãos públicos, como já aconteceu em outros grupos dos quais participamos e que tinham vínculo com a cultura oficial.

terça-feira, 18 de junho de 2013

POETA OU ESCRITOR?


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Escritor é aquele que escreveu pelo menos uma obra de qualquer gênero, desde a literária até a científica. Há quem diga que é preciso que a obra precisa estar publicada. Até pouco tempo atrás, dir-se-ia publicada em livro, mas hoje há outras mídias, há a internet, o e-book, então...

Escrever é um ato solitário, mas é natural, para alguns, o escritor tentar se aproximar de outros escritores. Além das academias literárias e dos grupos e associações literários, existe a amizade entre alguns escritores, que aproveitam a proximidade para trocar impressões sobre a obra de um e de outro, trocar conselhos, sugestões, um intercâmbio salutar para as suas produções.

O interessante disso tudo é que a gente percebe, às vezes e em alguns lugares, uma certa rivalidade entre os poetas e os prosadores. Frise-se, aqui, que poetas e prosadores são escritores, todos. Independente do gênero que praticam. Só que, não raro, um escritor pode enveredar por vários gêneros. Pode produzir poesia e pode produzir, também, algum outro gênero literário dentro da prosa, como conto, crônica ou romance.

E então pode acontecer de um grupo de escritores que só pratica a poesia, não admitir em seu rol algum escritor que pratica só a prosa. Ou vice-versa, um grupo de praticantes de gêneros de prosa achar que não devem admitir um adepto da poesia.

Já fomos testemunha desse tipo de situação e achamos singular, para não dizer lamentável. Já ouvimos até coisas do tipo: “você não é poeta, você é escritor”. E o contrário também: “Você não é escritor, você é poeta”.

Chamamos mais uma vez a atenção para um detalhe importante: independentemente do gênero praticado, todos são escritores. Seja o gênero escolhido crônica, poesia, conto, romance, ensaio, etc., quem os escreve é escritor.

Então não há como fazer diferença, querer separar quem escreve poesia e quem escreve prosa. Temos, sim, é que nos apoiar. Somos nós, os escritores, que mais falamos de literatura. Então, é importante que nos unamos a nossos pares, pois eles poderão divulgar a nossa obra e cada um de nós poderá fazer o mesmo em relação aos colegas.

Não importa de que gênero seja a nossa lavra. Se escrevemos, somos escritores e temos que divulgar a literatura como um todo, para promover o incentivo pela leitura e valorizar as letras brasileiras.

sábado, 15 de junho de 2013

ANO DO BRASIL EM PORTUGAL


      Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Encerrou-se, neste mês de junho de 2013, o Ano do Brasil em Portugal e o ano de Portugal no Brasil, dois eventos paralelos, levados a efeito em ambos os países desde setembro de 2012, para divulgar manifestações artísticas e culturais, intensificar o intercâmbio científico e tecnológico e estreitar as relações econômicas entre os dois países irmãos. O Brasil levou a Portugal atrações  nas áreas da música, do teatro, da dança, da literatura, da fotografia, das artes plásticas e artes visuais.

Eu tive a honra e o prazer de estar em Portugal em duas oportunidades em que estava vigorando o Ano do Brasil em Portugal e vice-versa. Participei de alguns eventos, como a estréia  do filme de Pierre Aderne, “Música Portuguesa Brasileira”, no Teatro São Jorge e de  edições da tertúlia que deu origem ao programa do mesmo nome, exibido no Brasil no Canal Brasil e em Portugal pela RTP, também no Teatro São Jorge. Nas duas tertúlias, vários cantores brasileiros e portugueses, como Nuno Gonçalves, Luanda Cozetti, Mu Carvalho, Luiz Caracol, Cuca Roseta, Cristiana Pereira, Susana Féliz e outros, uma autêntica conversa musical entre Portugal, Brasil e Cabo Verde.

Infelizmente não pude participar da Feira do Livro de Lisboa, que aconteceu em maio. Ela começou logo depois de eu ter voltado ao Brasil, não previ a realização do evento em tempo hábil, pois poderia ter ficado mais tempo em Portugal na volta de Genebra, onde participei do Salão Internacional do Livro e lançado meu livro também na capital portuguesa, reforçando a presença do Brasil no final do ano dos dois países.

Muitas atrações brasileiras foram apresentadas em Portugal e a integração dos dois países foi além do esperado. Fico feliz de ter participado de pequena parcela das celebrações da arte brasileira em Portugal e rendo a minha homenagem a Pierre Aderne, que faz um trabalho constante e de antes do Ano Brasil-Portugal, em prol da musica popular brasileira fora do Brasil, notadamente em terras portuguesas.