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terça-feira, 13 de outubro de 2015

MINHAS MENINAS-CRIANÇAS



(para todas as crianças e também para as crianças que vivem nos adultos)

Por Luiz Carlos Amorim -
Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras.  Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br 
 

Despontaram em botão e desabrocharam depressa, as minhas meninas-flores, os meus poemas morenos, plenos de juventude e de vida. Meu jardim floresceu, a primavera da vida de minhas crianças... Parece que foi ontem, quando chegaram, pequenas e lindas, luminosos raios de vida, primeiro Fernanda, depois Daniela. Chegou Fernanda, como chega a Esperança. Não uma esperança abstrata, mas concreta, com corpo, alma, coração, com olhos azuis, faiscantes, trazendo a luz, tão sonhada, o raio de sol arco-íris, pra iluminar meus caminhos...
É chegada Fernanda, o futuro aqui, agora, a esperança esperada, meu pedaço que faltava. Veio com Fernanda a vida, alento, felicidade, poesia, tudo brotando das mãos pequeninas e faiscando dos olhos de luz. Toda ternura guardada jorrou então, destas mãos, ávidas, desajeitadas, num carinho demorado à cabeleira sedosa, negra negra de Fernanda. Assim chegava a Esperança, que chegava com Fernanda, no grito forte de vida, na luz azul dos seus olhos, nas suas mãos diminutas, a minha poesia-menina...
E um ano depois, a vida se multiplicou: nos pequenos olhos grandes, cinzentos e luminosos, nos tantos cabelos pretos, tão macios e brilhantes, nas pernas, braços e boca, impacientes, travessos: foi Daniela que chegou, trazendo mais vida pra gente. Vida no choro sonoro e no sorriso aprendiz. Vida no sono tranquilo e sereno, um acalanto de paz. E o amor, a esperança e a vida se multiplicam, ao invés de dividir-se...
E meus sóis foram crescendo, e meu caminho ganhando mais luzes e cores: eram os sorrisos sem dentes, (tão bonitos!), depois os dentinhos que apontavam, os risos encorpados, cristalinos, que me adentravam a alma. Quatro pezinhos indecisos, teimosos e travessos, ensaiando primeiros passos, que descompasso! Mas que beleza!
E um ano se passou, e mais outro. Pouco tempo... Tanta vida...Uma palavra truncada, duas outras, tantas mais... Passos largos, corridas e disparadas. E aqueles olhos negros, aqueles outros azuis, tão brilhantes, de tão brilhantes ficaram claros, pequenos sóis de nós dois.
Felicidade sempre foi sorriso, risos e gargalhadas, um ruído de criança. Dois pares de olhos brilhantes, dois pares de mãos pequeninas, quatro pernas rechonchudas, um ar de anjos-meninas. Felicidade é isso. É pressa de voltar logo, pois há Fernanda e há Daniela esperando, nossos sóis particulares...
Braços, abraços, carinhos, sorrisos mil, risos tantos; olhos de jabuticaba, fontes de luz infinitas. Só podem ser minhas meninas. E célere correu o tempo. Tempo de festejar a vida, que com o tempo, corre célere, também. Se eu pudesse, teria parado o tempo, para ter minhas crianças sempre crianças. Mas agradeço a Deus pela ventura de ter me dado filhas que se tornaram adultos fantásticos, pessoas dignas e sensíveis, lindas na aparência e na alma. E elas continuam e continuarão a ser as minhas meninas-crianças, sempre e sempre.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

DESGOVERNO



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Escrevia eu, em Outubro de 2010: “O eleitor brasileiro decidiu, através do seu voto, que o comando do país continua com as mesmas duas figuras de até aqui: Lula e Dilma. Isso significa que continua tudo igual, que a educação, a saúde, a segurança pública, a justiça, continuarão na mesma derrocada que vêm sofrendo até agora, que a previdência continuará falida, dando uma assistência médica da pior qualidade aos segurados, reclamando que não tem dinheiro para pagar aposentados.
Significa que a corrupção que grassou na “política” brasileira até agora continuará impune, como sempre, que até a justiça deste país não é mais confiável.
Sei que é utopia esperar que não, mas quero, veementemente, que me desmintam. Que este governo que continuará à frente do Brasil me prove que estou errado, revertendo o caos que vem reinando no seu meio e em diferentes áreas, como as citadas acima.
Torço para que, de alguma maneira, Dilma não se guie apenas pela megalomania do seu mentor/criador e não se espelhe nele com exatidão. Que ela consiga se livrar do controle dele e, quem sabe, revelar um lado seu que não conhecemos, uma capacidade de se transformar e de transformar o ambiente “político” a sua volta, para que aqueles que elegemos para nos representar, para trabalharem para nós, cidadãos brasileiros, realmente o façam. E com competência.
É esperar muito, eu sei. Mas não podemos apenas esperar: temos que cobrar. Precisamos ficar de olho e cobrar as promessas, exigir os nossos direitos.”
Infelizmente, estava esperando demais, de fato: as ações da presidente não me desmentiram. As coisas ficaram piores, muito piores no segundo mandato. A corrupção e a impunidade revelaram-se maiores ainda do que já julgávamos impossível de aceitar. Os preços de produtos básicos, como combustíveis e energia elétrica, que influenciam todos os demais preços, sobem então sem parar, alimentando a inflação.
É uma coisa lógica, só não viu quem não quis: se o povo é incentivado a comprar, por anos a fio, iria chegar um tempo em que quase todos teriam comprado o que precisavam, sem contar que o governo, irresponsável, não conseguiria mais segurar os ajustes nos preços, coisa que usou como campanha política para angariar votos. E, de repente, soltam as rédeas dos preços e tudo começa a subir, o que diminui o consumo. Com a diminuição do consumo, diminui a produção. Diminuindo a produção, vem o desemprego. Com o desemprego, diminui ainda mais o poder aquisitivo de mais pessoas e a produção diminui mais ainda, causando mais baixas nos postos de trabalho. Uma coisa óbvia, que os donos do poder fazem questão de não ver.
Dona Dilma e seu “mentor” agora fazem com que nós, cidadãos, que fomos roubados, pois o dinheiro público é dinheiro oriundo dos impostos e obrigações que pagamos, sejamos penalizados mais uma vez, repondo o que foi roubado. Nós é que temos que repor o que foi subtraído de nós mesmos.
Quem votou na dona Dilma, votou apenas nela, não votou no ex-presidente. A própria presidente afirma, repetidas vezes, na imprensa, que chama o ex-presidente para “finalizar” decisões. Ora, está na hora deste senhor deixar de mandar neste país, pois ele já fez bastante estragos. E colocou a sua “protegida” para dar a cara aos tapas. Está na hora deste país ter um governo. De verdade, e não um balcão de negociatas como é atualmente, com leilão de cargos e ministérios para conseguir algum apoio e evitar o  “afastamento” da presidente. Uma corrida indiscriminada atrás de mais e mais dinheiro do contribuinte, com aumento de impostos e criação de outros, numa época em que os brasileiros estão cada vez mais desempregados e com menor poder de compra, por culpa de quem, adivinhem? E, é claro, sem diminuir os gastos. Quem paga é o povo, mesmo, não é?

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

PRIMAVERA



Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ )

Hoje a primavera deu só umas espiadinhas, com o sol aparecendo de vez em quando por entre as nuvens, como quem diz: “tá bom, eu sei que é primavera! “ Mas os pedaços azuis de céu são muito pequenos, às vezes prometem aumentar e dá uma esperançazinha, mas logo nuvens escuras e carregadas começam a tomar o seu lugar.
Sei que o ser humano não correspondeu a sua beleza e generosidade, Primavera, desrespeitando a natureza, não cuidando da nossa velha e cansada Terra, o lugar que lhe foi dado para que vivesse em paz. E você chegou para substituir o inverno que quase não deu as caras, tal o calor que fez em dias que deveriam ser frios. E o calor faz parecer mais que chegou o verão, neste ano de 2015.
Mas vi você, Primavera, apesar do calor, presente no meu jardim, onde tudo está florescendo: os pés de araçás, os amores-perfeitos, os hibiscos, as arquídeas, as petúnias, as rosas, até os morangos. Meus pés de manacás-da-serra, os jacatirões de inverno, ainda desabrocham alguns botões temporões, vejam só, agora, quase no final de setembro, só pra homenagear você, recém chegada Primavera. Nas ruas, ainda floresce o ipê. Tudo vai florescer, daqui por diante. Apesar da chuva, apesar do vento, apesar do calor. Tudo terá mais cor, até as pessoas deixarão florescer mais sorrisos. A estação mais bonita do ano chegou. Tudo brotará, com viço, até a alegria no coração do ser humano, apesar de tudo.
Então, seja bem-vinda, Primavera, abra o céu e o sol e ilumine as cores das tantas flores que ainda permite que desabrochem, apesar do descompasso do tempo, causado pela poluição e pelo descaso de nós, homens, sábios homens, donos da Terra. Sabemos que estamos fazendo tudo errado, mas continuamos fazendo tudo errado em prejuízo de nós mesmos.
Fique mais tempo com a gente, Primavera, ilumine a mente dos homens que dirigem as nações, eles precisam se dar conta de que é preciso agir, tomar providências para que o fim do nosso planeta não cheque antes do que deveria. Quem sabe não aprendemos?
Primavera, tu és renascimento, és esperança de recomeçarmos fazendo as coisas de maneira certa, não desmatando, não poluindo, fazendo uso de energias limpas, revivendo nossos rios, não contaminando os mares e o ar.
Será que nós, homens, saberemos entender isso? É tempo de primavera, tempo de recomeçar, de renascer, tempo de brotar para a vida, de deixar a vida brotar.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

AS ÁRVORES DA VIDA



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Chega de novo o dia da árvore e acho que não temos muito para comemorar, pois nós, seres humanos, não sabemos ou não queremos cuidar bem da natureza. Nós não cuidamos do nosso meio ambiente, não protegemos as árvores que nos dão tudo, até o ar que respiramos e sem o qual não vivemos. O resultado é um planeta cada vez mais maltratado e e poluído, com cada vez menos condições de dar sustentação à vida.

Eu não tenho árvores grandes em minha casa, pois meu jardim é pequeno e é o único lugar onde tem um pouquinho de terra para plantar. E gostaria, gostaria de ter uma grande área para plantar muitas árvores e cuidar bem delas.

Mas tenho meus pés de jacatirão, jovens, pequenos, mas que florescem lindamente, alguns pés de araçá, pequenos, embora produzam abundamentemente e um pé de limão, ainda jovem, que brotou de alguma semente jogada na terra. Eles me fazem festejar o dia da árvore, eles me lembram da importância vital do verde para o ser humano.
E por falar em jacatirão, o manacá-da-serra, aquela variedade de jacatirão do inverno, que floresce em julho, ainda está florido, fazendo companhia para os ipês, que estão cobertos de sol. Já nem sei mais direito a época de florescência deles, dos ipês, com todo esse descompasso do tempo, resultado do nosso descaso para com o meio ambiente, que têm mudado tudo, inclusive as estações.
Dá gosto ver árvores majestosas como o ipê e o jacatirão exibirem suas flores e suas cores ao mesmo tempo e é uma coisa que não é normal, pois o manacá-da-serra floresce em julho, dificilmente alcançaria a florada do ipê. E a nossa primavera entra, assim, ornada com as flores douradas do ipê, que irradiam luz, e as flores do jacatirão-manacá, que ainda persistem. Persistem, apesar do nosso descaso para com Mãe Natureza.

Como eu já disse em outra crônica, eu gosto de árvores. Gosto de muitas coisas: de um sorriso de criança, de um rio de águas claras, de flores, campos e praças. Gosto de natureza, simplicidade, pureza, de terra, mar e de sol. E gosto muito de árvores. Gosto delas na primavera, no inverno, no verão e até no outono. Gosto do verde das árvores, gosto da cores das suas floradas, gosto da sua sombra, dos seus frutos. Gosto de árvores pequenas, médias e grandes, símbolos da natureza. E parabenizo a todas elas, que nos dão tanto, a todos nós, até purificam o ar que respiramos e nós cuidamos tão pouco delas... 

Que não nos lembremos de refletir sobre o valor das árvores em nossas vidas apenas num dia do ano reservado a elas. Precisamos nos conscientizar que sem elas, não sobreviveremos neste planeta que já foi mais azul. Se não protegermos nossas matas, nosso verde, a água desaparecerá e tudo virará deserto. E a vida não resiste em desertos.

Todo dia é dia das árvores, é dia da vida.

sábado, 19 de setembro de 2015

CULTURA EM SANTA CATARINA



   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br 

Já estamos quase em meados do segundo governo de Raimundo Colombo em Santa Catarina, e as coisas não mudaram muito, no que diz respeito à educação, à saúde, à segurança. A educação continua em processo de falência, a saúde está na UTI e a segurança não existe.
 Muito se fala em cultura, por exemplo, mas de concreto, quase nada foi feito. Cadê uma política cultural estável, funcional, que contemple todo o Estado, coisa que está faltando de há muito tempo? O CIC - Centro Integrado de Cultura, ficou em reforma durante vários anos, e foram gastos muitos milhões de reais dos cofres públicos. Aliás, as reformas ainda não acabaram. O teatro do CIC ficou fechado por quase três anos, sem que nada estivesse sendo feito nele. O “Memorial” Cruz e Sousa, que nunca funcionou, ficou apodrecendo no tempo por vários anos e, apesar das sucessivas promessas da Secretaria de Cultura, de reformá-lo e entrega-lo finalmente funcional, nos últimos tempos, a reforma nem sequer começou: ele continua lá, abandonado. E assim por diante.
 É preciso dar continuidade ao Prêmio Cruz e Sousa, também, e ao Edital para compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais. Trata-se, este último, de uma lei que há quase vinte anos não vinha sendo cumprida e teve, finalmente, um edital na gestão de Anita Pires. Precisamos de bibliotecários nas escolas públicas, coisa que o Estado não tem suprido. Aliás, falta professores, falta equipamento, falta manutenção, falta salário, falta tudo para a educação catarinense. E falta integração da capital com a cultura de todo o Estado, mais atenção da Secretaria de Cultura e da FCC a todas as manifestações culturais catarinenses, de qualquer cidade catarinense. O que ainda há deve-se a abnegados escritores e agitadores culturais que, tirando água de pedra, realizam eventos culturais sem o apoio do Estado.
Na verdade, precisamos muito de uma política cultural que funcione, que contemple todas as modalidades de arte. Mas não basta que se estude, que se discuta, que se planeje, que se faça leis que não são cumpridas, que se prometa, apenas. Temos, em SC, boas iniciativas que funcionaram, como o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, que concedeu os maiores prêmios em dinheiro do país, além da publicação dos livros, para autores não só catarinenses, mas também a nível nacional. Que ele retorne, nem que seja apenas em nível estadual.