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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O PEDÁGIO "IRREAL" DA BR 101-SC

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/

Na edição de hoje de um de nossos jornais, leio nota sobre o atraso do rodoanel da Grande Florianópolis. O colunista transcreve trecho de reportagem da revista Exame que diz que “Todas as grandes obras das rodovias federais sob concessão da OHL estão atrasadas. A empresa culpa a burocracia ambiental. Mas o grande vilão parece ser o preço irreal do pedágio.”

Mais adiante o colunista escreve que “a OHL (a Autopista Litoral, concessionária que detém o trecho da BR 101 entre Curitiba e a Grande Florianópolis) estaria “fazendo caixa” para realizar as obras do referido rodoanel. E um “caixa” demorado, por conta justamente do pedágio subdimensionado (R$ 1,40 em Santa Catarina).”

Ora, a própria revista levanta o problema comum com a tal concessionária, que é o atraso em todas as obras. E o preço “irreal” mencionado na reportagem, que a princípio pensei ser uma alusão ao valor muito alto em vista do pouco retorno – a 101 está péssima, toda esburacada, não se vê o dinheiro arrecadado com o pedágio ser aplicado, parece até uma estrada sem pedágio -, não é nada disso, o que sugerem é que o preço é muito baixo.

E o colunista parece concordar com isso, quando fala em “pedágio subdimensionado”. Será que esse colunista trafega pela 101 daqui até Joinville, será que ele tem viajado neste trecho, ultimamente, para ver o estado lastimável em que ela se encontra?

Como pode ser “subdimensionado” um pedágio de R$ 1,40, cobrado em quatro postos num trajeto de menos de duzentos quilômetros, trajeto este cheio de buracos e de remendos, feitos à guiza de manutenção, com pás de asfalto sendo jogadas nos buracos, que se transformam em montículos no meio do caminho? Eu mesmo já vi um caminhão com asfalto no meio da estrada, com um funcionário jogando a massa nos buracos, ao invés de estar lá uma equipe com o equipamento completo para fazer um trabalho decente.

Raramente se vê algum grupo com todos os equipamentos necessários para fazer uma boa recuperação do asfalto. Então pra onde vai todo o dinheiro arrecadado? Quantos mil veículos passam por dia por cada um dos quatro pedágios em Santa Catarina, quanto dinheiro é arrecadado? Acho até difícil quantificar, é muito dinheiro. Para onde está indo?

E há quem seja capaz de me dizer que estão tentando acumular dinheiro para fazer uma obra, que está “demorado” para fazer caixa, porque o valor do pedágio cobrado é muito pequeno, é “irreal”, é “subdimensionado”.

Pergunto mais uma vez, pergunto pela terceira ou quarta vez: quem deve fiscalizar o cumprimento dos contratos assinados com essas concessionárias? Quem deveria conferir o que deve ser feito na 101, mas não está? Quem fará um levantamento para que se revele qual é o valor arrecadado e para onde ele está indo?

O valor do pedágio é irreal, sim, mas porque é muito caro, em vista do que não é feito na 101. Pagamos pedágio, mas temos uma estrada cada vez pior. Quando você paga mas não tem nada em troca pelo que pagou, qualquer valor é muito alto.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DRUMMOND: 109 ANOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Neste dia 31 de outubro, o poeta Carlos Drummond de Andrade completaria 109 anos. Sendo ele um dos maiores poetas brasileiros, o país comemora lembrando o seu legado e lançando a ideia de criação do Dia de Drummond, o “Dia D”. Além disso, vasta programação em homenagem ao poeta está sendo levada a efeito em várias capitais e na sua terra natal. São recitais, filmes, saraus, programas de televisão, palestras sobre a vida e obra de Drummond.

O filme “Consideração do poema” reúne vários artistas brasileiros – cantores, atores, etc., declamando Drummond e falando a respeito dele. Outro filme, “No meio do Caminho”, mostra o poema mais famoso do autor sendo declamado em onze línguas diferentes.

Este cronista presta a sua pequena homenagem ao poeta, com o poema “Poesia no Céu”:


POESIA NO CÉU

(Luiz Carlos Amorim)

E agora, Drummond?
E agora, poeta?
Nós ficamos sem você.
Será mesmo, Carlos, será?
Se a poesia é você,
se você é a poesia
e a poesia não morre,
você está por aí, no ar,
no céu, no sol, nas estrelas,
num sorriso cristalino,
nas asas de um passarinho,
nas asas da liberdade.
Só foi voar mais alto, poeta,
tão alto quanto seus versos;
foi visitar Coralina,
tão viva nos seus poemas.
Feliz encontro, poeta,
da poesia com a poesia.
Matar saudades de Cora,
fazer poesia de meia.
Com certeza escreverão
poemas tantos, os dois
e os soprarão para nós,
na vinda das primaveras...

domingo, 30 de outubro de 2011

FALHA NO ENEM, DE NOVO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor e editor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


A torcida era para que, neste ano, o ENEM funcionasse, não é mesmo? Pois não funcionou. Para honrar a tradição de lambanças dos últimos anos, como 2009, quando vazou o conteúdo da prova e em 2010, quando houve erros de impressão, este ano vazou de novo parte das questões da prova e estão pedindo o seu cancelamento.

Que Ministério da Cultura é esse que não consegue assegurar o sigilo de uma prova? Aliás, fiquei sabendo que a culpa é do próprio Minc, que organiza as provas. Senão, vejamos: O Minc, responsável pelo Enem, faz um pré-teste, aplicando-o a cem mil alunos, para daí avaliar e escolher as questões definitivas. A coisa começa com questões formuladas por professores de cinquenta e nove universidades brasileiras, cerca de seis mil perguntas, que são revisadas e de onde sai o pré-teste. Então o MINC separa o joio do trigo e temos o Exame Nacional do Ensino Médio.

O interessante disso tudo é que o pré-teste é, na verdade, a abertura para que as pessoas envolvidas nessa “simulação”, inclusive os cem mil alunos, saibam o que pode cair no Enem. Os alunos que responderam a pré-prova podem copiar, podem lembrar de questões e anotá-las e passá-las adiante. Não é ingênuo pensar que isso não vai acontecer?

O que poderá acontecer no próximo ano?

sábado, 29 de outubro de 2011

DIA DO LIVRO RUIM PARA A LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Pois então hoje foi o Dia Nacional do Livro. Ontem ainda escrevi sobre o assunto, mas hoje leio nos jornais que não há muito o que comemorar aqui em Santa Catarina, pois as editoras que existem, ainda, lutam com o encalhe de edições inteiras. O índice de aceitação de uma obra, por aqui, é de um ou dois livros com boa venda ou venda razoável em cada dez. Aliás, foi mencionado, inclusive, que para conseguir que seja vendido, o livro precisa ser indicado para os vestibulares.

Essa coisa de os livros de autores catarinenses, de livros publicados aqui no Estado não venderem, já foi assunto de outra crônica, recentemente. É que os leitores catarinenses, que já não são tão numerosos quanto desejaríamos, preferem ler os best-sellers importados, via de regra. Nossos leitores não prestigiam os autores da terra, eles compram muito pouco os livros de seus conterrâneos. A não ser os catarinenses consagrados em nível nacional, os nomes locais que vendem são poucos.

Aliás, nem os próprios escritores prestigiam muito os seus pares. Então o livro catarinense precisa reconhecido pelos leitores, precisam ser adquiridos e lidos, sob pena de, em futuro próximo, não termos mais editoras. E olhem que temos obras de qualidade circulando.

Que esse Dia do Livro sirva para que nós todos, leitores e escritores, reflitamos sobre o futuro da literatura em nosso Estado. Se não houver leitores, os livros não serão mais publicados, pois as editoras não resistirão e cessarão suas atividades, como já vem acontecendo com algumas.

E o livro é o registro da nossa civilização, é a perenidade da palavra, não interessa se ele é tradicional, impresso em papel, ou eletrônico. Um livro fechado, não lido, não existe. O livro só existe quando é lido, quando é recriado pelo leitor.

De maneira que precisamos levar nosso livro até o leitor, precisamos levar nossa obra até o leitor em formação, que está nas escolas, para que tenhamos mais e bons leitores um pouco adiante. Para que possamos comemorar um bom Dia do Livro em anos próximos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

POSSE NA ACL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Acabo de chegar da Academia Catarinense de Letras, onde estive para a posse do novo acadêmico Oldemar Olsen Jr. Fui poucas vezes à ACL, gostava de ir lá fora de eventos, para encontrar o presidente Lauro Junkes, quando a sede era no CIC – Centro Integrado de Cultura.

Estive, também, na posse da Urda. Alguns acadêmicos eu já conhecia, como o Pinheiro Neto, o Flávio José Cardozo, o professor Celestino Sachet, Francisco José Pereira, Artêmio Zanon, Urda Alice Klueger, Iaponan Soares e o próprio Olsen. E tive o prazer de conhecer outros, como o grande Júlio de Queiroz, também Mário Pereira, Jair Francisco Hamms e outros. Foi muito bom voltar àquela casa.

Mas a posse do Olsen, foi muito interessante, primeiro porque o apresentador do novo imortal dissecou a vida dele desde antes de ele nascer. Segundo, pelo próprio discurso de posse dele. A irreverência, o bom humor, a liberdade de expressão estiveram presentes a partir do momento que ele deixou pra traz os itens protocolares. O discurso propriamente dito deve ter levado uns vinte minutos, mas não vi ninguém que não estivesse atento, o tempo todo, naquilo que ele estava dizendo. Um discurso eclético, falando dele mesmo e de como ele se situa na literatura e como a literatura se situa no nosso meio. Falando, portanto, de tudo um pouco. E bem.

Valeu a pena. Parabéns, Olsen, parabéns Academia Catarinense de Letras. Olsen é arrojado, irreverente, sem papas na língua. Amilcar, que acaba de ser eleito mas não tomou posse ainda, também é um pouco assim. A ACL nunca mais será a mesma.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

OS ATLETAS DO PAN

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Numa outra crônica, de dias anteriores, comentava eu a frustração de saber que os atletas que participam de campeonatos mundiais, Jogos Panamericanos e Olimpíadas se preparam o ano inteiro, dia após dia, o dia inteiro e, na hora de apresentar o resultado do seu trabalho, acontece uma queda. Por nervosismo, ansiedade, medo de errar, ou por algum outro motivo, um deslize faz perder pontos e o sonho do pódio se vai. Dói na gente ver isso, sabendo da dedicação integral de cada um deles.

Então começou os Jogos Panamericanos do México, a Olimpíada das Américas. E nessas duas semanas, apesar de um dia como ontem, em que quase tudo deu errado para o Brasil – houve quedas das nossas atletas da ginástica artística, bolas não entravam nem por decreto no vôlei, também no entravam no gol, e por aí afora, fazendo com que perdêssemos várias medalhas de ouro - que a serenidade e a segurança trazem a vitória, que aqueles que também ralaram para se preparar e tiveram a sorte de não errar, nos fazem vibrar, nos trazem alegria como se fôssemos nós que estivéssemos lá, competindo e vencendo.

As dezenas de medalhas de ouro que nossos atletas já ganharam até hoje enchem o coração da gente de felicidade. Ver que todo o esforço da preparação para o Pan resultou em vitória é emocionante, é glorioso. Para um país que apoia muito pouco o esporte, como o Brasil, o resultado tem sido muito bom.

E não é gratificante ver apenas o sucesso dos nossos atletas. Cada um que ganha uma medalha, seja ela de ouro, de prata ou de bronze, é a coroação da força de vontade, da determinação, do amor pelo que se faz, não importa a nacionalidade.

A superação dessa gente que se sacrifica para nos dar um bom espetáculo e para ganhar a sua medalha de mérito é um exemplo para todos nós.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"ENSINAR" POESIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Em evento literário recente, um dos poetas, antes de dizer o seu poema, fez questão de falar com o público. E disse de sua incursão por uma escola, onde havia “ensinado” poesia aos estudantes. Mais adiante, outro acadêmico, no seu discurso, dizia, entre outras coisas, que “poesia e ensino se repelem, se excomungam”.


Atentei para as duas afirmações contrárias, porque a segunda não foi proposital em oposição à primeira. O discurso do segundo poeta e acadêmico já estava escrito, quando o primeiro falou.

E a verdade é que o segundo tem razão. Poesia não se ensina. Poesia é um dom, é uma coisa nata, nós exteriorizamos ou não essa ânsia de transformar emoções, sensibilidade e lirismo em palavras. Poesia é alma, é coração. É claro que a prática – escrever, escrever muito e escrever sempre – e a leitura, fazem com que possamos consolidar nosso estilo, melhorar nosso fazer poético. Mas não devemos ter a pretensão de querer ensinar poesia. Até porque cada poeta tem a sua marca, a sua cosmovisão, o seu estilo. Podemos, sim, incentivar a produção, incutir o gosto pela leitura, fazer a poesia chegar a todos os olhos, ouvidos e corações, pois ela torna o ser humano mais humano.

Se “ensinássemos” alguém a escrever poesia, estaríamos transferindo a nossa maneira de sentir e ver o mundo para outra pessoa, estaríamos imprimindo nosso estilo na produção de outra pessoa, o que não é justo nem honesto. O que devemos fazer é incentivar aqueles que já descobriram que são poetas, apoiar, apreciar, avaliar e valorizar a sua poesia.

Porque ser poeta é ver através das coisas, é ver mais além, é ver o que os outros não veem. Ser poeta é olhar e ver, como já disse Cecília Meirelles. Ou somos poetas ou não somos. A poesia flui, não precisamos arrancá-la.

É claro que nem todos que pensam que escrevem poesia são poetas, mas isto é assunto para outra discussão. Acho que mais importante do que tentarmos arrancar um poema de quem não é poeta é mostrar a poesia a todos, em todos os lugares, levar a poesia de todos os modos possíveis – seja ela escrita em qualquer suporte ou declamada e gravada em qualquer mídia, para que quem não a conhece passe a conhecê-la e descubra se gosta dela ou não. Assim estaremos fazendo novos leitores e popularizando a poesia.