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sábado, 26 de novembro de 2016

“A ILHA”, UM TRIBUTO À LITERATURA






Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória. Cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Fim de ano, de novo, e podemos comemorar algumas alegrias literárias. Aqui em Florianópolis aconteceu, finalmente, um festival literário,  o FLIC- Festival Literário Internacional Catarinense. Digo finalmente porque, em anos anteriores, a imprensa anunciou mais de uma vez a realização deste tipo de acontecimento literário, com datas marcadas e tudo, mas nada aconteceu. Agora foi pra valer: um evento literário com a presença de personalidades de outras partes do mundo e de outros estados brasileiros, para sacudir a cultura da capital catarinense e do sul, que anda muito caída, nos últimos  anos. Fazia falta por aqui. Há muito  tempo. O evento Pátria Língua Portuguesa, de integração cultural, empresarial e turística entre os dois países, Brasil e Portugal, aconteceu este ano em Joinville, durante a Festa das Flores. O Encontro Catarinense de Escritores aconteceu em novembro, também, em Joinville, com participantes do Grupo Literário A ILHA e com muita arte, confraternização, debates e troca de ideias. Em Portugal, aconteceu, em setembro, o segundo Encontro de Escritores Brasileiros e Portugueses, com a participação de integrantes do Grupo Literário A ILHA, como Dulce Rodrigues e Rita Pea.

Para comemorar tudo isso, o Grupo Literário A ILHA  lança a 139ª. edição do Suplemento Literário A ILHA, revista que reúne a produção de escritores do Brasil e de Portugal e de outras partes do mundo, como México, Polônia, Estados Unidos, Suiça, etc. Um elo de integração entre os escritores de língua portuguesa espalhados pelo mundo todo e até produtores de literatura de outras línguas, traduzidos para o português, com a ajuda da escritora brasileira Teresinka Pereira, radicada nos Estados unidos e presidente da IWA - International Writers and Artists Association .

A edição impressa da revista está disponível em pdf no portal do Grupo Literário A ILHA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br , para quem quiser conferir, em qualquer parte do mundo. É só clicar em cima da capa. Assuntos como “O Grande Cruz e Sousa, quase esquecido em sua terra natal”, “Não sabemos ler o mundo”, “A tão falada biblioteca”, “A educação no Brasil está mudando. Pra pior”, “O cronista é um escritor crónico” e muito mais prosa e poesia, muita informação literária e cultural.
Então nosso presente para nossos leitores e para todos os leitores de literatura em todo o mundo é a nossa revista que circula há mais de trinta e seis anos, ininterruptamente. Com os nossos votos de um ano novo produtivo e feliz, pleno de renovação e realizações para todos os escritores e todos os leitores e um Natal de paz e harmonia. Em 2017, o Grupo Literário A ILHA continua firme no propósito de manter e criar espaços para a literatura em língua portuguesa, seja ela escrita aonde quer que seja.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

CRUZ E SOUSA, QUASE ESQUECIDO



   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória. Cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Mais um aniversário do poeta maior de Santa Catarina, Cruz e Sousa: ele completaria, hoje, 24 DE NOVEMBRO, 155 anos e a programação comemorativa da capital se resume à exibição de alguns banners com pequenos trechos da sua obra nos muros do Palácio que leva o seu nome, no centro da capital. Trata-se da “exposição” “João da Cruz e Sousa, o poeta da Ilha”, já exibido em 2015, como comemoração dos 154 anos do poeta.
Cruz e Sousa é um nome nacional, o principal ícone da literatura de Santa Catarina, um dos principais do país. E o seu aniversáriod de nascimento passa quase em branco, na sua cidade natal.
O “Memorial”, construído em sua homenagem, nos jardins do Palácio Cruz e Sousa, inaugurado em 2010, mas nunca usado, está apodrescendo no tempo, abandonado, e ninguém move uma palha para restaurá-lo, torná-lo visitável, usável. Que Estado é esse, que não dá o mínimo valor à cultura, que não se preocupa em resgatar seus maiores valores?
Nenhuma homenagem que fosse feita, nenhuma comemoração poderia ter lugar no Memorial que foi feito para celebrá-lo, pois ele
ficou entregue ao tempo, sem nunca ser usado, nem com eventos culturais, nem para visitação, finalidades primeiras do lugar, só deteriorando sem nenhuma manutenção. Várias promessas já foram feitas, por sucessivas “administrações” da Fundação Catarinense de Cultura e da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, mas nenhuma obra sequer foi iniciada. Anos se vão e novos anos se iniciam, sempre com promessas, mas nunca nenhuma foi cumprida. A morada do grande ícone do Simbolismo virou depósito de móveis velhos, caindo aos pedaços.
Mas tem mais. Filipe Mello, que esteve até recentemente à frente da Secretaria do Esporte, doTurismo e da Cultura, em Santa Catarina – ele é contrário ao desmembramento da pasta, para que se crie uma secretaria esclusiva para a cultura - deu entrevista a vários jornais catarinenses, há alguns meses, sobre as ações principais que iria implantar em seu madato. Uma delas era a “reutilização dos jardins do Palácio Cruz e Sousa, que previa a disponibilização do espaço, por meio de uma taxa cobrada pela FCC, para apresentações artísticas, casamentos, lançamentos e eventos de negócios, por exemplo. Quer dizer: pretendia transformar o Memorial em salão de aluguel. Mas nem isso fez.
Isso é honrar a memória do grande Cruz e Sousa?

domingo, 20 de novembro de 2016

APOSTILAS DIDÁTICAS "OFICIAIS"



     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória. Cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Portugal está em polvorosa, porque o governo dará os livros didáticos – as apostilas – apenas para o primeiro ano do ensino fundamental, no ano letivo que acabou de iniciar. Prometeu que daria para todo o primeiro grau, mas ficou apenas no primeiro ano. E a sociedade se levantou e está protestando.
No Brasil, imprime-se apostilas didáticas aos montes, às montanhas, eu diria – e não só para o primeiro ano do primeiro grau. Só que nem todas as apostilas impressas vai parar nas mãos dos estudantes das escolas públicas. Por que eu desconfio disso? Porque tenho visto, por anos a fio, um projeto de leitura aqui de Florianópolis ser abastecido, todas as semanas, com centenas de apostilas didáticas. E não são apostilas usadas, não. Até podemos encontrar, nas estantes do projeto, algumas apostilas usadas, de vez em quando. Mas a maioria dos impressos – e as estantes são abastecidas, primordiamente, com apostilas, lá muito de vez em quando aparecem alguns livros literários – são didáticos novos, zerinho, que nunca foram abertos, nunca foram usados.
A constatação é inevitável: muita apostila, mas muita mesmo, foi impressa sem ser preciso, pois não foi colocada nas mãos dos alunos da escola pública. E essa impressão excessiva foi paga por alguém, é claro, que ninguém faz nada de graça: foi paga com dinheiro público. Por que será que não foram parar nas mãos dos estudantes que precisavam delas? Tudo é possível neste nosso Brasil tão rico de cultura e educação.
Qual a quantidade de apostilas didáticas, para as diversas matérias, que deveria ser impressa para suprir a rede pública? E qual é quantidade que realmente é impressa? Quanto dinheiro público se gasta com essa impressão? Há algum controle desse gasto, para que se imprima só o que realmente vai ser usado? Há um controle efetivo da distribuição dessas apostilas para TODAS as escolas públicas, em tempo hábil, para que todos a recebam a tempo de usá-las?
Pois é. A prova está lá, todos os dias, nas várias estantes do projeto que promete disponibilizar  livros para os cidadãos, para incentivar a leitura, mas que se enchem de apostilas didáticas pelo menos uma vez por semana. Deve haver muito porão por aí abarrotado de impressos didáticos ocupando espaços públicos, porque foram impressos sem ser preciso, pagos com o rico dinheiro público, composto dos impostos escorchantes que pagamos. E  o irônico é que os livros não são levados para estudar, na grande maioria das vezes. As pessoas não levam uma ou duas apostilas. Algumas levam às pilhas, exemplares diversos da mesma apostila, o que evidencia que aquilo não vai ser lido, mas vai ser usado como papel velho, simplesmente.
Tenho fotografado, cada vez que passo por lá, as dezenas, centenas de apostilas didáticas colocadas nas estantes. Ah, elas “sobraram” e estamos colocando à disposição do público, diriam. Para ser vendidas como papel para reciclagem, embrulhar coisas, etc.? É para isso que servo o nosso rico dinheirinho, que é arrancado de nós na forma de impostos?

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

TRIBUTO AO VARAL DO BRASIL



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória. Cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

O Varal do Brasil, capitaneado pela escritora catarinense Jacqueline Aisenman, em Genebra, na Suiça, encerrou suas atividades. Não porque sua idealizadora e realizadora não quisesse mais praticá-lo, mas por uma imposição de saúde, infelizmente. Ela teve que reduzir o ritmo, cuidar mais de si, recomeçar devagarinho. E fez muito, enquanto o varal existiu.
O trabalho do Varal do Brasil, de divulgar a literatura de língua portuguesa, foi de uma importância ímpar, para todos que a produzem, sejam de que país forem. Eu, que faço um trabalho parecido, mas menor, há 36 anos, com o Grupo Literário A ILHA, sei bem da grandeza do seu trabalho. A revista Varal do Brasil, as antologias, os sítios na internet, as participações no Salão Internacional do Livro de Genebra integraram autores dos países lusófonos e levaram a sua produção para o mundo todo.
A literatura fica órfã desse grande canal que foi o Varal do Brasil. Outros trabalhos parecidos, como o Grupo Literário A ILHA, que que já publicou várias antologias, publica a sua revista há 36 anos e a distribui para todo o mundo em suas versões virtual e impressa, com autores de vários países; que publica, também, trabalhos de escritores de todas as partes no portal PROSA, POESIA & CIA., que praticou e pratica projetos como o Varal da Poesia, Poesia Carimbada, Poesia na Escola, O Som da Poesia, etc., continuam, mas não preencherão jamais a lacuna que o Varal deixou.
Mas além de ter dado visibilidade a centenas de escritores, o Varal do Brasil deixa um exemplo que não pode deixar de ser seguido: criou espaços para a literatura sem preconceitos, sem restrições, sem frescuras. Mostrou que é possível continuar o que começamos lá nos anos oitenta, aqui em Santa Catarina, que é abrir espaços para os novos escritores  – e para os não tão novos, também  -, incentivar a leitura e a escrita, para que se produza mais e melhor, sem depender da “cultura oficial”.  Que se arregaçarmos as mangas e encararmos o trabalho, o resultado aparece.
Continuaremos a sua luta, Jacque, e contamos com você em nossas fileiras. Sempre. Os escritores que tem como língua oficial a Língua Portuguesa jamais esquecerão o que foi o Varal do Brasil.