COMENTE

Sua opinião é importante. Comente, critique, sugira, participe da discussão.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

VIAJANDO COM A COSTA CRUZEIROS




Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Já fiz mais de dez cruzeiros pelo Brasil e pelo mundo e já tinha viajado pela Costa Cruzeiros e não tinha gostado. Como queria levar de novo minha mãe e na data pretendida só havia vaga naquela companhia, encaramos de novo a Costa. Embarcamos no Costa Fascinosa para a Argentina e Uruguai, em quase fim de Janeiro para tornar no início de Fevereiro.
As “inconsistências” já começaram cedo: o cartão chave não foi entregue na entrada do navio, como em todas as outras companhias. Ficamos sabendo, depois de perguntar para ter alguma notícia, que o cartão estava dentro do quarto. Só que quando chegamos ao quarto, ele estava fechado. É que as malas também são deixadas dentro do quarto, e quando o entregador saiu deve ter deixado bater a porta e pronto: tive que sair pelo navio a procurar o deck da recepção - atendimento ao hóspede, para fazer um novo cartão. Chegando lá, havia uma fila enorme de pessoas com o mesmo problema. Além de indignado com o fato de não poder entrar, fiquei receoso pela falta de segurança: e aquelas portas que ficam só encostadas, em quartos com a bagagem e o cartão da gente lá dentro, ao alcance de qualquer um que tenha más intenções? Falei sobre isso na recepção, mas a atendente simplesmente respondeu: aqui na Costa é assim.
Diferente de outras companhias, onde há café, suco, comida e às vezes até sorvete todo o tempo, naquele navio da Costa só tem café disponível no café da manhã e no café da tarde. Suco, só de manhã. Água e gelo apenas em dois ou três lugares e em alguns horários.
A comida no restaurante a la carte também não correspondeu à expectativa: num jantar havia um espetinho frito: carne de boi dura, carne de galinha e de porco lavados, com uma cobertura à milanesa, tudo molenga e gorduroso. Outro dia serviram um peixe com legumes, tudo boiando em gordura. Serviram também, num dos dias, um prato de bacalhau, que consistia em uma pilha de fatias de batata com uma pasta rala de peixe entre elas. Gorduroso. Houve também uma casquinha de siri, no menu, que pedi imediatamente logo que vi, animado, mas siri não tinha nenhum: parecia macarrão. E assim por diante. Então resolvemos comer só no restaurante self service, onde até encontramos bons pratos, ao longo dos dias: salada de polvo, camarões grandes, postas de bacalhau, etc. O navio é de origem italiana, então as massas eram muito boas.
Mas a cereja do bolo foi o que fez um garçom, em um dos bares: debitou meu pedido em outra conta e de outro hóspede no meu cartão e trocou os cartões de  pagamento e o outro hóspede que recebeu o meu cartão  comprou com ele. Várias compras. A primeira eu consegui estornar no dia seguinte, pois o atendente da madrugada anotou, assim que eu descobri a troca e fui devolver o cartão que não era meu. As outras, no penúltimo dia ainda não tinham sido estornadas, porque apesar de terem tirado cópia de respectivo recibo e comprovado que a assinatura não era minha, o estorno não foi feito porque tinha que ser feito pelo garçom que me atendeu. Esperei que falassem com o garçom e quando voltei, lá pela sétima vez à recepção, a recepcionista me disse que o garçom lhe disse que não havia nenhum problema, que ele tinha falado comigo e acertado tudo. Se ele tivesse voltado e falado comigo, teríamos acertado, destrocado os cartões e nada daquela incomodação – para mim – estaria acontecendo. Além do erro de debitar a minha conta na conta do outro hóspede e do outro hóspede na minha conta e entregar os cartões e contas trocados, ele mentiu. Sem contar que a recepcionista mostrou-me uma comanda no meu nome com uma assinatura que não batia com a minha, o que comprovava que a compra não fora feito por mim e então eu, aliviado, disse: então está provado, pode verificar as outras comandas que vão estar com a mesma rubrica, que não é minha. Ao que a recepcionista olhou para a comanda e para mim e disse: pois é, mas qualquer um pode fazer uma assinatura diferente da verdadeira. Quer dizer: eu devolvi o cartão que não era meu assim que descobri a troca, não comprei absolutamente nada em uma conta que não era minha, o outro hóspede fez várias compras com o meu cartão e eu é que fui chamado de desonesto e ladrão. Porque a recepcionista insinuou, muito diretamente, que eu poderia ter falsificado a minha assinatura para não pagar a conta. Mas eu não fiz nenhum barraco, só questionei que nunca mudei a minha assinatura, ela sempre foi a mesma, e eu não falsificaria por tão pouco nem por muito mais, pois sabia que se encrencasse, nunca estornariam o que não fui eu que comprei e era capaz de aparecerem outras compras. No último dia do cruzeiro fizeram o estorno.
Coisinhas menores: o garçom do restaurante a la carte insistia em trazer em dobro os pedidos da gente: pedia uma garrafa de alguma coisa, vinha duas. E não era problema de idioma, pois eu falo também inglês e usava sinais, para não haver dúvidas. Acabamos desistindo. No quarto, a gente precisava pedir a reposição de sabonete, de toalhas, por exemplo, que deveriam ser repostos automaticamente.
E para encerrar com chave de ouro, o fechamento da conta, na Costa, não pode ser feito na última noite, como em outras companhias, somos obrigados a enfrentar uma fila quilométrica na manhã que devemos deixar o navio para o encerramento: pegar dinheiro de volta ou pagar diferença.
Num país com uma costa enorme como a do Brasil, com apenas dois cruzeiros, um para a Argentina e outro para Salvador e um mini para o litoral de São Paulo e Rio, com apenas duas ou três companhias fazendo cruzeiros, ficamos sujeitos a esse tipo de coisa. E os problemas não foram só conosco: nas filas, que eram muitas, ouvi muitas outras histórias parecidas: uma delas, uma senhora ganhou num concurso um jantar num restaurante pago. Foi com o marido usufruir do jantar e lá dentro do restaurante, na mão dos garçons, o cartão de pagamento sumiu e ninguém mais conseguiu encontra-lo. Tiveram que fazer outro.
Então, quem não viajou ainda por essa companhia, que não é das mais baratas, frize-se, melhor pensar duas ou três vezes. São muitos pontos negativos e muito poucos positivos. Infelizmente. Sem contar um atendente e uma atendente na recepção atendiam muito mal o hóspede. E a avaliação do cruzeiro, dos serviços do cruzeiro, por parte dos hóspedes, que até o ano passado era feito no final da viagem, no navio, e agora mudaram para ser feito on line depois de terminada a viagem, não aconteceu. Pediram, no navio, o nosso e-mail para recebermos em casa, após 48 horas do desembarque, o formulário de avaliação,l mas hoje já faz uma semana que desembarcamos e nada chegou. E acho que nem vai chegar. Mas marketing veio.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

ACOLHER BEM O GRANDE CRUZ E SOUSA


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Tenho escrito, repetidas vezes, sobre o abandono do Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, mas que só foi inaugurado depois do aniversário de 2010, na capital catarinense. Mas o descaso continuou. O espaço era pequeno para se realizar ali atividades culturais, literárias, eventos com algum público, por menor que fosse. Quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, seria um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais. Mas a verdade é que o espaço era e continua sendo pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher reunião de pessoas.
Eu estive lá para comprovar o fato, várias vezes. Mais uma vez, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Promete espaço onde se poderia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não dá condições para isso, pior. Promete um lugar honroso para o descanso do nosso grande poeta, mas mais uma vez o dinheiro público foi jogado no lixo, pois o Memorial, durante todos esses anos, está fechado, apodrecendo no tempo.
A Fundação Catarinense de Cultura, que é quem administra o imóvel, prometeu várias vezes  reformar o Memorial, assim como a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura, para torná-lo usável. Além de tudo, o referido Memorial está construído sobre a Casa de Força do Palácio Cruz e Sousa. Levou tanto tempo, mais de dois anos, desde a chegada dos restos mortais do poeta até que se inaugurasse o Memorial – pela metade, pois o projeto previa mais benfeitorias – e ninguém percebeu que estava sendo construído em lugar impróprio do jardim do Palácio, que era muito pequeno, que não seria possível realizar nenhum evento em espaço tão exíguo? Trouxeram para cá os restos mortais do maior poeta de Santa Catarina, quiçá do Brasil, e o trancaram de volta na senzala, sem direito a visitas.
Pois estamos em 2017 e o Memorial continua lá, totalmente abandonado, apodrecendo, sem que ninguém levante uma palha. O Secretário de Estado do  Turismo, Esporte e Cultura anterior, substituído no final de 2016, que deveria ter tomado providências a respeito, não fez nada, aliás, não fez nada em prol da cultura em Santa Catarina. O que ele fazia – e ainda faz – é aparecer, em jornais e na TV, prometendo coisas que não cumpre. Deve estar se preparando para se candidatar a algum alto cargo político, como todo político faz. Um zero à esquerda, como disse a poetisa Maura Soares. Será que o atual Secretário de Turismo, Esporte e Cutlura vai fazer alguma coisa? Será que as coisas vão mudar? Dúvida cruel.
A única coisa que fizeram, nos últimos tempos, foi tirar os restos mortais de Cruz e Sousa do malfadado “memorial” e colocar, há pouco tempo, no Palácio Cruz e Sousa. Um lugar menos humilhante para os restos mortais do grande Cruz e Sousa, que trazidos do Rio de Janeiro, em solo catarinense sofreu todo tipo de descaso e desrespeito.
Uma sugestão de algumas pessoas ligadas à cultura e não à politicagem, é a seguinte: já que o Memorial não merece nenhuma atenção do poder público para consertar a incompetência de quem o construiu, por que não depositar os restos mortais do Poeta Maior na Igreja  de Nossa Senhora  do Rosário? Como disse Damião, em sua coluna, Cruz e Sousa foi criado pelo Marechal Guilherme, que vivia justamente no entorno do templo católico central, que ele frequentava quando jovem. Então seria um lugar pelo menos mais respeitoso do que o “Memorial” da incompetência e da irresponsabilidade, do descaso e do desrespeito para o  maior representante das nossas Letras, em todos os tempos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

TRANSPORTE COLETIVO E DINHEIRO PÚBLICO

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br


Ano novo, tarifa nova do transporte coletivo de Floripa, e de tantos outras cidades pelo Brasil, que sofrem de problemas parecidos. Sem nem considerar que o último reajuste já chegava a um patamar muito alto, volto a lembrar que as tarifas cobradas pelo transporte urbano na capital catarina são das mais caras do país, levando em conta o tamanho do percurso total de cada linha e outros detalhes mais. Há linhas em que o trajeto não chega a cinco quilômetros, como o Corredor Continente, antigo Jardim Atlântico, que custa R$ 3,90.
E, seria irônico se não fosse vergonhoso, a capital catarinense ainda paga um “subsídio” de três milhões de reais mensais às empresas de ônibus, conforme a própria imprensa divulgou recentemente, a título de pagamento das passagens de estudantes, que pagam menos, especiais e idosos. Traduzindo: nada é de graça, qualquer coisa “gratuita” ou mais barata, alguém vai ter que pagar. E somos nós, cidadãos, que pagamos. Pagamos a passagem de ônibus duas vezes. Porque esses três milhões mensais são pagos com dinheiro público.
E que dinheiro é esse? Dinheiro público é composto do imposto que pagam os mesmos cidadãos que usam o transporte urbano que custa tão caro. Se tivéssemos bons ônibus, em quantidade ideal, em horários suficientes, tudo bem. Mas na última vez que as passagens subiram, suprimiram linhas, diminuíram horários e pioraram ainda mais o que já não estava bom. Os usuários das linhas suprimidas tiveram que passar a usar outras linhas, aumentando ainda mais a lotação dos ônibus que circulam nos horários de pico.
Os horários dificilmente são cumpridos. Há linhas nas quais o ônibus deve passar de vinte em vinte minutos, mas a gente fica esperando por ele durante meia hora e quando finalmente passa um, vem outro logo atrás, às vezes dois, como já vi, fazendo uma fila de três ônibus da mesma linha.
E o poder público ainda fala que o povo deveria usar ônibus e deixar o carro em casa, para melhorar a mobilidade na cidade. Quem fiscaliza esse estado de coisas?
Como já se disse, “é preciso tratar o transporte coletivo como questão pública, não como negócio privado.”
E para isso precisamos de uma administração pública eficiente, que faça o que a cidade precisa e não o que dá lucro para uns e outros.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MENOS EDUCAÇÃO, MAIS VIOLÊNCIA



     Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Há algum tempo, uma apresentadora de telejornal, ao chamar mais uma das tantas matérias sobre o abandono das escolas, por parte do Estado, disse uma coisa muito importante, para a qual venho chamando a atenção faz um bom tempo: se não tivermos escolas em condições de receber os estudantes, se não tivermos professores bem pagos e um conteúdo curricular minimamente apropriado, não podemos esperar que tenhamos cidadãos educados, esclarecidos, produtivos e honestos.
Com a violência, o banditismo e o tráfico de drogas se intensificando cada vez mais, a apresentadora responsabilizou o abandono da educação pela formação de terroristas e bandidos. E esse abandono é visível para quem quiser ver, conforme a televisão e os jornais vem mostrando: escolas estaduais interditadas por absoluta falta de condições de receber alunos e professores, caindo aos pedaços, literalmente.
Todo ano é a mesma coisa: com quase três meses de férias escolares, o Estado deveria providenciar, nesse espaço de tempo, para que fossem feitas obras de reforma em várias escolas públicas. Mas não é o que acontece. As aulas iniciarão e as escolas continuarão, muitas delas, em mau estado. O que será das crianças que precisam estudar? Vão entulhar dezenas de estudantes em pequenas e precárias salas, piorando ainda mais a qualidade do ensino que já vem sendo sucateado pelo poder público, a nível nacional, há tanto tempo?
Como disse a apresentadora, com esse tratamento à educação, como não esperar a escalada de terrorismo que vem se instalando pelo mundo? E o descaso não é só com a educação. É com a saúde, com a segurança, com tudo. Não temos policiais nas ruas. Não há policiais suficientes e os que existem estão prestando serviço em gabinetes de repartições públicas, para políticos, na maior parte das vezes. No que diz respeito à saúde, as pessoas continuam empilhadas nos corredores de hospitais, esperando, esperando e esperando para serem atendidas. Morrendo à espera. Sem médicos, sem enfermeiros, sem equipamentos, sem remédios, etc.
Senhores administradores da coisa pública, em todos os níveis, está na hora de dizerem a que vieram. Está na hora de trabalharem, de fazer o seu trabalho. E quanto a nós, cidadãos e eleitores, está na hora de cobrarmos providências, de tomarmos providências. Já é hora de se fazer alguma coisa. Já está mais do que na hora. A corrupção e o abandono, o descaso com a coisa pública e com o povo, finalmente conseguiram falir o Brasil?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

JACATIRÃO É VIDA, É RENOVAÇÃO




  Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Como dizem minhas filhas, “moro onde muita gente tira férias”. Uma mora em Nice, na França, e outra em Lisboa. É um privilégio poder ver o mar para praticamente qualquer lado que eu olhe, aqui na Ilha Capital, mas meus olhos míopes se revitalizam, se iluminam com a visão de matas mesclando o verde com o vermelho, com o arvoredo todo pintado de cores que vão desde o branco até o vinho, no litoral do norte de Santa Catarina e por outros tantos Estados como Paraná e São Paulo.
Tenho uma relação de amor e dor com o jacatirão. Quando perdi minha primeira filha, há bastante tempo, fazia poucos anos que eu tinha descoberto essa árvore grande e generosa, que se cobre de flores no final da primavera e fica esbanjando beleza até o final do verão, e me tornado admirador e propagador da sua beleza. Então, quando estávamos indo sepultar minha menina, um raio de luz e cor conseguiu atravessar a névoa de dor que cobria meus olhos e eu vi as primeiras flores de jacatirão daquela temporada, numa árvore ao lado do cemitério.
Aí nasceu um pequeno/grande poema: pequeno no tamanho, mas grande no significado: “A primeira flor / de jacatirão / da primavera, / em outubro, / tem um nome: / saudade...”
A relação que temos, eu e o jacatirão, na verdade não é só de amor e dor, mas também de cumplicidade. Porque acho que ele veio me consolar numa hora em que eu precisava muito de luz para mostrar o caminho, mostrar o chão para seguir em frente, mostrar que havia esperança. Que a vida segue e que o tempo cura quase tudo, que a saudade vai se tornando companheira e a dor vai diminuindo, embora volte, às vezes, um pouquinho mais forte. Que a perda ensina a gente a valorizar mais o que se tem, ensina a amar mais e melhor a vida e nossos entes queridos.
Então gosto de falar do jacatirão, de todos os tipos de jacatirão: daquele nativo, que floresce no meio da mata, no verão, no nordeste da nossa Santa e bela Catarina, autêntica árvore de Natal, se enfeitando para o 25 de dezembro e a virada do ano – em meados do verão ele floresce no Paraná, São Paulo e pelo Brasil afora; do jacatirão também chamado de quaresmeira, que floresce mais ao sul de Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e também por quase todo o país, na época da Páscoa, com suas flores menores mas mais coloridas. E o do jacatirão de jardim, que chamam de manacá-da-serra e floresce no inverno. Sem contar o jacatirão roxo e outras variedades menos votadas, que eu chamo de parentes do jacatirão.
Gosto de falar dele, de lembrar sempre dele, também para esclarecer o que diz o verbete correspondente a ele no dicionário Aurélio, que o descreve como uma árvore com “flores insignificantes”. Penso que a alusão é uma opinião que evidencia desconhecimento.
Você, leitor de qualquer parte do Brasil, que não sabe o que é o jacatirão, preste atenção se um dia viajar aqui para o sul ou para o sudeste: do final de outubro até fevereiro, em vários pontos da BR 101 e outras rodovias, você poderá ver as manchas vermelhas nas matas que ladeiam as estradas. É ele, o jacatirão nativo enfeitando nossos caminhos, lembrando-nos que o mundo é bonito e que podemos, sim, ser felizes, se quisermos. Ele estará sempre por aí, arauto da Mãe Natureza, tributo à renovação, à vida. É impossível se furtar a ele, admirar a sua beleza, agradecer ao Universo por poder ver tamanho espectáculo.  Esta virada de ano está ainda mais bonita, pois o manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, também está florido, para comemorar com o jacatirão nativo, matriz, a chegada de um Menino Divino e a chegada de um ano novo que será bom, se deixarmos, se seguirmos o exemplo dos jacatirões.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2017: UM ANO PARA SER FELIZ

   Por Luiz Carlos Amorim - escritor, editor, revisor - Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos divulgando literatura, cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br , Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Os turistas que vêm para o verão em Santa Catarina, pela BR 101, têm um espetáculo de luz e cor incomparável: as duas margens da estrada derramando flores e cores sobre os passantes, qual uma alameda enfeitada para receber os visitantes. Cidades como Joinville, São Francisco do Sul, Jaraguá do Sul, Corupá e tantas outras são privilegiadas, por terem seus acessos ladeados pelas flores da grande e majestosa árvore, tão generosa a oferecer essa festa brilhante de vida: o jacatirão. Elas começam a florescer no final de outubro, começo de novembro e vão até janeiro, fevereiro, anunciando o verão, enfeitando o Natal e colorindo a entrada do Ano Novo. No final de dezembro, começo de janeiro, os jacatirões nativos começam a florescer no Paraná, em São Paulo e outros Estados e o espetáculo se transfere, enchendo de matizes vermelhos as matas cortadas pelas estradas tantas.
É a natureza, pródiga, a nos presentear com suas obras mais belas, apesar de cuidarmos tão pouco dela. Nós, homens, continuamos desmatando, cortando árvores indiscriminadamente. Ainda se cortam pés de jacatirão para se fazer lenha. Haverá crime maior do que esse? Queimar a árvore que é um dos arautos da natureza, o enfeite natural de nossos natais, a flor que anuncia o ano novo...
Algumas pessoas sequer enxergam as vibrantes árvores floridas de jacatirão, desde meados da primavera até quase o fim do verão. Não que tenham problemas visuais - elas não dão nenhuma importância ao belíssimo fenômeno da mãe natureza que é a profusão de flores por todos os lados. Já disse antes, mas vale repetir o que Cecília Meirelles escreveu, com maestria e propriedade, em "A Arte de Ser Feliz": "é preciso olhar e ver". Às vezes, apenas olhamos, mas não vemos. Se você não viu ainda, olhe para o alto, para os lados, para as matas, para as alamedas, para os morros, para as margens dos caminhos, dos rios, das lagoas e veja: elas estão lá, singelas, humildes, mas majestosas e iluminadas. São elas que dão as boas vindas aos novos anos que se iniciam, colorindo-os com suas cores, lembrando-nos que a vida é o maior presente que podemos ter. São elas que espalham pétalas de esperança, mostrando que é possível recomeçar.
Vamos aproveitar o novo ano e cuidar mais do nosso meio ambiente, da nossa humanidade e da nossa capacidade de nos reconstruir, para que o futuro aconteça. E ele será melhor. Só depende de nós. Vamos fazer um ano bom?