COMENTE

Sua opinião é importante. Comente, critique, sugira, participe da discussão.

domingo, 4 de março de 2012

FEMUSC, DE JARAGUÁ DO SUL PARA O BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Começou a ser exibido, finalmente, no primeiro final de semana de março, na TV Senado, o FEMUSC – Festival de Música de Santa Catarina. Uma equipe daquela emissora esteve em Jaraguá do Sul e em outras cidades do norte do Estado onde o evento acontecia, em fins de janeiro e começo de fevereiro, e fizeram uma completa cobertura, que agora começa a ir pro ar. Aliás, esse é um detalhe, de somenos, talvez, mas que pode confundir quem não é do norte catarinense : o apresentador não mencionou que o festival é apresentado não só em Jaraguá, a sede dele – mas também em várias outras cidades, como Blumenau, Joinville, Guaramirim, Corupá, São Bento do Sul, etc.

Afinal, a TV Senado cobre todo o país, via TV paga. Mencionei que pode confundir o espectador, porque no primeiro programa, o apresentador falou sobre o festival e o localizou em Jaraguá do Sul, mas as peças apresentadas foram gravadas em Joinville e no vídeo aparecia essa informação: Teatro Juarez Machado, Joinville, SC.

A verdade é que é muito bom poder ver e ouvir de novo quase tudo o que foi executado na sétima edição do Femusc. Gente como eu, que aprecia imensamente a música clássica, pode ver novamente todos os concertos apresentados por grupos de músicos formados por professores e alunos de vários pontos do Brasil e de vários outros países. Como eu já disse em outra oportunidade, é um privilégio poder ouvir aqueles grupos, pois são formações únicas, que não se repetirão, no futuro, muito provavelmente, pois elas reúnem músicos oriundos de lugares bem distantes.

Mas o mais importante é que o Festival de Música de Santa Catarina, colocado no ar pela TV Senado pode, dessa maneira, ser visto por amantes da boa música em todo o país.

O FEMUSC é um festival escola, e são os músicos que vem de vários estados e países para fazer música aqui, não são os ouvintes que se deslocam para cá. Eu, que vou daqui de Florianópolis para Jaraguá para usufruir desses dias maravilhosos de música erudita, sou um dos poucos espectadores de fora, sou um caso à parte.

Cá pra nós, tenho um pouco de inveja das populações do norte catarinense, que tem, em qualquer das cidades contempladas com o festival, um teatro perto de casa com concertos gratuitos da mais bela música.

O programa da TV Senado que está apresentando o Femusc é Conversa de Músico. Amantes da boa música, sirvam-se.

sexta-feira, 2 de março de 2012

COLETA SELETIVA EM SÃO JOSÉ

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Uma matéria no Jornal do almoço, sobre reciclagem de lixo, chamou-me a atenção, ontem, dia primeiro de março. Reciclagem de lixo é uma coisa muito é uma coisa muito boa para todos nós, para a sobrevivência do nosso planeta. Tudo o que for feito neste sentido deve ser apoiado, copiado, festejado.

Mas a Associação Comunitária Aparecida de Reciclagem de Lixo de São José, que faz a reciclagem de todo o lixo seletivo coletado pela Prefeitura Municipal, está praticamente sem trabalho, porque o material que está vindo não é lixo que é separado que deveria vir – plástico, papel, vidro, etc. A usina de reciclagem está literalmente entupida, coberta de lixo comum, lixo doméstico: restos de comida, papel higiênico, fraldas, etc, etc.

O objetivo da matéria era conscientizar a população de que o lixo para o caminhão de lixo seletivo deve ser separado, não deve ser entregue para o coletor de lixo reciclável qualquer lixo.

Eu concordo. Mas acontece que o caminhão do lixo reciclável tem mudado o dia da coleta, não tem horário, passa a qualquer hora do dia. Atualmente, está passando, na minha rua, às sextas, de dia. O caminhão de lixo comum, no entanto, também passa na sexta, de madrugada. Então as pessoas que saem para trabalhar já colocam para fora o lixo comum cedo, a qualquer hora do dia, e parece que o caminhão do reciclável passa e vai pegando tudo. Será que não dá pra ver a diferença de um saco de lixo reciclável e um de lixo comum? Até pelo peso da pra ver isso. Mas o caminhão passa e leva tudo, então a usina de reciclagem está cheia, lotada, mas de lixo comum, que não serve para os trabalhadores da Associação trabalharem.

Hoje, sexta, por exemplo, aconteceu o contrário: o caminhão do lixo reciclável não passou, os sacos de lixo seletivo ficaram na calçada e quando o caminhão do lixo comum passou, logo após a meia-moite, levou tudo, lixo comum e reciclável.

De maneira que acho que o alerta é tanto para o público, que deve separar seu lixo e evitar colocar para fora lixo comum durante o dia, nos dias de coleta de lixo reciclável, e para os trabalhadores da prefeitura que fazem a coleta seletiva: estes precisam prestar mais atenção e não levar lixo que não pode ser reciclado

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"GURITA"

             
            
            Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Recebi “Gurita”, romance de Marcos Antonio Meira há meses, mas a correria não me deu tempo para pegá-lo e lê-lo com vagar: edição de livros, revisões, editoração de revistas, etc.

Quando conheci o autor, na entrega dos prêmios da Academia Catarinense de Letras, em dezembro, o livro já estava comigo. “Gurita” foi apontado como o melhor romance de 2011.

Neste carnaval, já que não viajei e não tenho mais pernas para usufruí-lo, comecei a ler “Gurita”, com tempo, calma e tranquilidade. De cara, gostei do fato de o autor ter escolhido como cenário o “nosso” bairro, Barreiros, o nosso mar, a nossa Grande Florianópolis. E fui gostando mais, quanto mais eu lia, pois ali estavam retratados costumes, sentimentos, maneira de viver da gente desta terra nos anos setenta e oitenta. E mais curioso, mais gostoso e interessante: a maneira de falar dos nativos desta região. O autor foi fiel, linguisticamente, ao jeito de falar único das pessoas da época, dos pescadores que ainda traziam consigo um pouco da herança açoriana que foi deixada pelos nossos colonizadores.

A luta pela vida e os dramas de uma gente simples, com detalhes de uma época que não vai muito longe, mas nos possibilita conhecer a cosmovisão, as emoções e os valores de personagens que poderiam ter realmente existido na nossa vizinhança.

Por falar em personagem, a literatura está presente em grande parte do romance e chega a ser quase uma delas. Um dos protagonistas, leitor inveterado, amante da literatura brasileira e portuguesa desde os clássicos, é quem faz com que os livros e a leitura estejam sempre presentes, a ponto de nos brindar com a transcrição de poemas de Cruz e Sousa e Fernando Pessoa e trechos de Machado de Assis. Aliás, isso evidencia o gosto pela leitura do autor, também pelo fato de citar, no romance, diversos grandes escritores e pensadores e até a Bíblia Sagrada.

Valeu a pena conhecer Gurita. Pela pedra em si, que passa a ser um marco para todos que lerem o romance, pela época que eu não vivi, aqui em Barreiros e na Grande Florianópolis – faz pouco mais de dez anos que moro aqui – e pelas ricas personagens do romance.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

NOSSO CARTÃO POSTAL RASGADO



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Na semana passada a ponte Fort Steuben, irmã gêmea da nossa Hercílio Luz, foi demolida, em Ohio, nos Estados Unidos. A nossa Hercílio Luz é apenas dois anos mais velha que a que foi explodida, mas é maior, tem 819 metros de extensão, contra 483 da americana.

A verdade é que a ponte Fort Steuben teve vida útil bem maior, pois foi interditada há apenas 3 anos, enquanto a Hercílio Luz está interditada há 30 anos. Nesse tempo todo, ela está sendo “recuperada” e muito, muito dinheiro já foi gasto, embora a situação dela só se agrave mais a cada ano.

Fala-se muito, mas faz-se muito pouco. Para onde vai o dinheiro destinado a sua recuperação? As obras se arrastam e entra ano, sai ano, a nossa ponte continua lá, agonizando, sem que tenham resolvido os problemas para que ela volte a ser usada, apesar dos recursos que lhe são destinados.

Cá pra nós, o que não há é muito interesse em que ela fique pronta, recuperada, pois há muito tempo ela é a “galinha dos ovos de ouro” de uns e outros. E quem mata a galinha dos ovos de ouro?

Com o trânsito caótico na capital, com o aumento assustador do número de veículos nas ruas, as duas pontes existentes estão sobrecarregadas. Aliás, não é de hoje. Então é urgente a necessidade de construção de uma nova ponte ligando a ilha ao continente. O projeto já existe, já acabaram com a fase de divagações sobre como ela seria e onde seria construída – as opções eram várias, havia ideias fora da realidade – já está decidido que será ao lado da Hercílio Luz onde não há, ainda, nenhuma nova ponte. Ela ligará a Beiramar da Ilha a Beiramar do continente, mas agora é preciso juntar a grana, que não é pouca.

De maneira que, mais uma vez, as obras da Hercílio Luz vão se arrastar bem mais devagar, pois os recursos precisam ser direcionados para a nova ponte. E mesmo que recuperem a nossa velha ponte, o fluxo que ela suportaria não resolveria nem uma pequena parte do problema de mobilidade que a Grande Florianópolis enfrenta.

É certo que a Ponte Hercílio Luz é um dos nossos cartões postais. Mas vale a pena continuar insistindo em recuperá-la, se todo o tempo e, principalmente, todo o dinheiro que foi gasto até agora com ela não resultou em nenhuma melhora? Quanto mais se gasta, mais grave fica a situação. Pra que mandar mais dinheiro do povo por água abaixo, ou por esse buraco negro debaixo da ponte?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

TV PAGA E REPRISES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Até o dia 3 de março está aberta para consulta pública a Lei 12.485, da Ancine, que propõe mudanças na programação da TV paga, aumentando a quantidade obrigatória de produções brasileiras nos canais exibidos aqui no Brasil.

Pelo menos 3 horas e meia por semana da programação de todos os canais, no horário nobre, deverá ser de conteúdo nacional, de produções de origem brasileira.

Outros detalhes estão especificados na nova lei, como não considerar válidos programas de auditório, programas jornalísticos e programas esportivos para cumprir a cota de conteúdo nacional. E outros mais.

Uma operadora já está com uma grande campanha publicada em grandes revistas, jornais, etc., alertando os “clientes” que, se aprovada, a nova lei vai aumentar os preços de assinaturas.

Achei interessante que um dos itens do “alerta” diz que “De acordo com a Ancine, 10 por cento do conteúdo de pay-per-view deverá ser brasileiro e não poderá ser repetido por mais de uma semana.” A operadora, indignada, alega que a proposta é ilegal e que “impedir reprises restringe o seu (do cliente) acesso a obras brasileiras relevantes (?) como Tropa de Elite, Tropa de Elite 2, Central do Brasil, entre outros.”

Muito a propósito, pois nós, clientes da TV paga, pagamos para ver reprises. Filmes são reprisados exaustivamente, por anos, e ninguém faz nada. Isso sem contar outros programas. Mas o que mais reprisa na TV paga são filmes e séries. Há filmes que são reprisados quase todos os dias. Há filmes que são reprisados em canais diferentes. Já vi o mesmo filmes passando, ao mesmo tempo, em canais diferentes. Os filmes e seriados reprisam infindáveis vezes em um canal e de repente surge um canal “novo”, que vem com uma programação toda de reprises dos mesmos filmes que já foram reprisados e reprisados. E temos que pagar para ver reprises, pois às vezes – e isso não é raro - rodamos todos os canais de filmes e seriados e não conseguimos encontrar nada que já não tenhamos visto.

Já fui na Anatel denunciar isso, mas lá me disseram que não é com eles. Eles me indicaram o Procon, mas agora vejo que eu deveria ter falado com a Ancine.

Vamos ver se a nova lei faz alguma coisa por nós, obrigando a diminuir as reprises. Talvez, diminuindo as reprises, o número de canais também tenha que ser diminuído e a gente possa pagar menos, pois as operadoras baseiam seus preços na “grande quantidade” de canais que oferece.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

TECNOLOGIA DE PONTA x EDUCAÇÃO NO BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Voltando ao assunto Tecnologia de Ponta nas Escolas Públicas Brasileiras, faz-se necessária uma reflexão sobre o investimento de mais de cento e oitenta milhões de reais dos cofres públicos em tablets para nossos estudantes de primeiro e segundo graus.

É até promissora, como já disse em outra oportunidade, a possibilidade de se colocar computadores touch screen na mãos de nossos estudantes, pois as novas tecnologias, aliadas à internet facilitam o acesso à informação e, consequentemente, ao aprendizado.

Mas além da incerteza de que esses aparelhos apareçam, realmente, nas escolas, para uso dos estudantes – os notebooks, de outro programa, bem mais antigo, até hoje não foram entregues a todas as escolas brasileiras - há o fato de que a educação pública está falida, neste nosso imenso Brasil. Algumas escolas estão caindo aos pedaços, sem manutenção há anos, em muitas delas não há equipamentos indispensáveis para os alunos assistirem às aulas e para o professor ministrar as aulas e os professores recebem salário irrisório para a missão que eles têm de educar nossos filhos e prepará-los para a universidade.

É claro que tecnologia é importante e ela pode ajudar na eficiência da educação, se for bem usada. Mas não seria mais racional se o dinheiro que vai ser usado para a compra dos tablets e notebooks (e mais tantas outras coisas que se compram a preço de ouro nas repartições públicas) fosse usado para pagar melhor os professores e para capacitá-los melhor? Antes de qualquer coisa, precisamos ensinar nossas crianças, transmitir-lhes conhecimento, sem o que é inútil colocar em suas mãos ferramentas tecnológias de última geração. E para isso precisamos de boas escolas, equipadas e com professores capacitados e em número suficiente.

Os donos do poder precisam dar alguma atenção à educação. E não só à educação. O governo anunciou que o orçamento do Ministério da Educação, para este ano, teve um corte de 2 bilhões de reais. A educação deste país já está um caos, jogada às traças, e o governo ainda faz cortes na verba? A roubalheira precisa diminuir, para que o dinheiro que sobrou dê para fazer a manutenção de todas as escolas públicas deste país, equipá-las e pagar decentemente os professores que tem a missão de formar os adultos que dirigirão este país amanhã.

E a situação consegue ser pior: o corte da saúde é ainda maior, muito maior: cinco bilhões e meio. Não quero ser pessimista, mas sendo apenas realista, vejo que as pessoas continuarão a morrer nas portas de hospitais e postos de saúde e continuaremos a assistir à falência da educação. Talvez até distribuam os tais tablets, afinal, estamos em ano de eleição.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PAZ PARA CRUZ E SOUSA

   Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

O Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, só foi inaugurado depois do aniversário de 2010, em Florianópolis. Os restos mortais do maior poeta catarinense, trazidos de Minas para o Rio em trem de carga e finalmente vindos para Santa Catarina em 2007, iriam de novo para a senzala, que o local onde foi construído o Memorial é justamente o lugar onde ficava a senzala do casarão que hoje é o Palácio Cruz e Sousa. Os ossos do grande mestre do Simbolismo ficaram esperando todo esse tempo – três anos – para voltar à senzala.


Pois a polêmica não acabou. O espaço é pequeno para se realizar ali atividades culturais, literárias, eventos com algum público. Quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, seria um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais. Mas a verdade é que o espaço é pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher reunião de pessoas.

Mais uma vez, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Promete espaço onde se poderia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não dá condições para isso.

Divulgou-se que a Fundação Catarinense de Cultura, que é quem administra o imóvel, vai reformar o Memorial, para torná-lo usável. A desculpa é que o referido está construído sobre local proibido, a Casa de Força do Palácio Cruz e Sousa. Levou tanto tempo, mais de três anos, desde a chegada dos restos mortais do poeta a Florianópolis, até que se inaugurasse o Memorial – pela metade, pois o projeto previa mais benfeitorias – e ninguém percebeu que estava sendo construído em lugar impróprio do jardim do Palácio, que era muito pequeno, que não seria possível realizar nenhum evento em espaço tão exíguo? Isso deve ser um capítulo desgarrado da reforma do Centro Integrado de Cultura, que já tem, também, mais de três anos, onde gastou-se milhões e mais milhões dos cofres públicos e até o início do ano, não havia sido feito praticamente nada. O maior teatro do Estado está fechado por anos sem que, até agora, estivesse sendo feito absolutamente nada nele.

As coisas precisam mudar. A cultura deve ser tratada com mais respeito, nossos valores culturais precisam ser reconhecidos e preservados. Afinal, é um pedaço da história do Brasil.