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domingo, 30 de abril de 2017

SABER LER E ESCREVER AOS 7 ANOS



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Em 2012, eu escrevia, num artigo indignado: Numa época quando se combate tanto a qualidade duvidosa da educação brasileira e quando se comprova isso, com resultados do Ideb e do Enem, com a escola pública cada vez mais abandonada pelo poder público, quando se qualifica pouco e se paga mal os professores, quando constatamos que as mudanças feitas no sistema de ensino fundamental são catastróficas, o MEC – Ministério da Educação, lança o “pacto para a
lfabetizar aos oito anos”.

Li matéria no Estadão de 24 de setembro(2012), anunciando para o mês de outubro o lançamento do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que estabelece que toda criança deve estar alfabetizada no fim do 3º ano do ensino fundamental, ou seja, aos oito anos. E pior, é o que prevê, também o Plano Nacional de Educação, em tramitação no Congresso.

Idade certa? Oito anos? Ora, isso é mais um retrocesso, dos tantos que já tivemos na educação brasileira. Vimos alertando para o fato de que, com as mudanças feitas no ensino fundamental, nos últimos anos, existem muitas crianças da escola pública que chegam ao terceiro ano, às vezes ao quarto, sem saber ler e escrever como deveriam.

Num passado recente, duas ou três gerações atrás, as crianças chegavam ao fim do primeiro ano do primeiro grau já sabendo ler e escrever. Uma geração antes, ainda, quando jardim de infância e pré eram coisas de crianças de famílias ricas, a gente entrava direto no primeiro ano, aos sete anos, e no final daquele ano saía lendo e escrevendo.
Eu sei, porque sou dessa geração.

Mesmo levando em conta que acrescentaram o pré-escola ao primeiro grau, aumentando o ensino fundamental de oito para nove anos, temos que considerar que a idade de alfabetização não mudou, pois as crianças estão começando também um ano mais cedo. Então o segundo ano do primeiro grau corresponde ao primeiro ano antes da mudança, mas continua sendo o ano da alfabetização e continua sendo aos 7 anos de idade.

Então porque agora o governo retardou em um ano esse aprendizado? Para mascarar a má qualidade do ensino público, para continuar desprezando e relegando ao léu a educação brasileira? Legalizaram a falência da educação.

Agora, neste mês de abril
de 2017, foi apresentada, pelo Ministério da Educação (MEC), a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevendo que, ao fim do 1.º ano do ensino fundamental, ou seja, aos 7 anos, as crianças saibam ler e escrever. O texto, que segue para análise e aprovação do Conselho Estadual de Educação (CNE), define que, ao fim do 1.º ano do fundamental, os alunos devem conseguir escrever “espontaneamente ou por ditado” palavras e frases.
Ora, como disse acima, alfabetização sempre foi aos 7 anos e funcionava, quem mudou isso foi o próprio poder público, que sucateou a educação, nas últimas décadas, e mudou a idade para oito anos, apenas para tentar esconder a má gestão do ensino brasileiro. Tomara que cumpram a palavra e a retomada seja realidade, pois é preciso resgatar a educação brasileira, sem o que não haverá futuro para nossos filhos e netos.

Precisamos que o governo brasileiro, através do Ministério da Educação, cuide com mais atenção da educação brasileira, faça modificações no ensino para melhorá-lo e não para piorá-lo, como bem provou o “pacto” para retardar a alfabetização de nossas crianças e as mudanças recentes no ensino médio, e invista mais, muito mais, para que nossos professores sejam melhor qualificados, nossas escolas melhor equipadas e para que os profissionais da educação sejam dignamente remunerados. Existem Estados brasileiros, vários, ainda hoje, que não cumprem a lei que determina o pagamento do piso mínimo para os professores. Como querer um bom desempenho de quem não é bem pago?

domingo, 16 de abril de 2017

CONFRARIA DO PESSOAS



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Eu andava com muita saudade dos encontros semanais com o saudoso Júlio de Queiroz, talvez o maior escritor catarinense da contemporaneidade. Nós nos encontrávamos com o Júlio, três, quatro ou cinco pessoas, para conversar sobre literatura, sobre artes, sobre vida. E ele era um homem culto, experiente, inteligente, que sabia como ninguém escrever e contar histórias. Era, acima de tudo, um grande amigo. E encontrar com amigos é tudo.
Então andava com saudades de me reunir de novo com os amigos, regularmente: escritores, poetas, leitores. Então surgiu a Confraria do Pessoas, e a Norma, a cronista da Ilha, que organizou um sarau que provocou o surgimento da confraria, o Roney, poeta também da Ilha e a Fátima, poetisa de Laguna que aportou na Ilha, que estão envolvidos com essas novidades, me convidaram para integrar este encontro de pessoas que gostam de poesia, de literatura, de arte, de cultura e de Portugal.
Então tenho orgulho de fazer parte da Confraria do Pessoas. Por que do Pessoas? Como disse Norma, porque Pessoa é vasto, é múltiplo, é muitos. E porque amamos Fernando Pessoa e todos os seus heterônimos. Então sou uma das pessoas que compõe a Confraria do Pessoas. E isso me deixa muito feliz, porque os encontros semanais estão se sucedendo e cada vez mais pessoas tem aderido a ele. E temos ido a diferentes lugares da Ilha para engendrar outros encontros em novos lugares, não só da Ilha, para falar poesia, para consumir poesia, para dividir poesia. Poesia brasileira, poesia portuguesa, poesia lusófona. Literatura lusófona. É quase um sarau, em bares, restaurantes, em pizzarias e nem nós sabemos em que outros lugares. Lugares para lermos poesia ou até mesmo prosa em voz alta, para que até as outras pessoas presentes possam ouvir, se quiserem.
E falamos também de Portugal, além da literatura daquele país que todos nós do grupo amamos: falamos das suas cidades, das suas gentes, da sua cultura, da sua arte, de tudo que amamos na terrinha. E amamos muito aquele terra, tanto que na primeira reunião foi pensado um grupo no Face, com o nome de AMOR À PORTUGAL, onde postamos tudo o que se refere à terrinha, inclusive literatura. E mais simpatizantes da terrinha vão aderindo. Gente que já foi para lá, como eu, que vou pela sétima vez, e gente que quer ir o quanto antes.
Além da página no Face para dividir o amor por Portugal, foi inaugurada também a página da Confraria do Pessoas. Lá, na abertura da página, consta: “Na Confraria tudo é novíssimo de tão velho e a cada encontro experimentamos lugares, recebemos visitas, acolhemos um novo achegado e inauguramos jeitos mantido o propósito do Ativismo Poético com os dados proselitismos: nossa causa é a Poesia. Nossa religião, a Beleza. Nosso único partido, a Utopia de mundar o Mundo para melhor, pois pra pior já tem muita gente trabalhando. Sim, nós estamos querendo te convencer.”
De maneira que habemos encontros de poetas, novamente, para falar de livros, de autores, para dizer poesia, mesmo que não sejamos declamadores, um tributo ao nosso poeta mor Júlio de Queiroz, que continua presente em nossas reuniões, imortal, através da sua poesia e a todos os poetas do mundo.
Somos a Confraria do Pessoas. Amamos poesia, amamos Fernando Pessoa, o Pessoas, amamos Portugal. Se você também ama tudo isso, visite as páginas do Facebook AMOR A PORTUGAL e CONFRARIA DO PESSOAS. Quem sabe não nos encontramos fora delas?

sábado, 15 de abril de 2017

A PÁSCOA E O MEU AVÔ



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

A Páscoa está chegando e chega bem a propósito, pois o mundo esta precisando de renovação, de renascimento, de libertação, tudo o que ela significa. O mundo está por demais conturbado, o ser humano está perdendo a sua essência e a violência e o ódio estão tentando calar a voz da paz, da harmonia, da tolerância. Então precisamos, todos, refletir sobre o sentido da Páscoa e procurar o caminho do renascimento deste nosso mundo, o caminho da união e do perdão, da capacidade que ainda temos de sermos generosos, da conscientização de que precisamos mudar.

Apesar de tudo isso,  Páscoa me traz a lembrança, mais uma vez do meu avô Lúcio.
Digo que a Páscoa faz que ele se faça mais presente na lembrança, porque ele morava em Corupá, quando eu era criança, mas quando eu tinha uns 6 ou 7 anos ele mudou-se para Joinville. Ele era ferroviário, assim como quase todos na família, e a imagem dele chegando a nossa casa com uma cesta de vime pendurada no braço direito não me sai da memoria. Nossa casa ficava distante da estação ferroviária, em Corupá, mais ou menos uns dois quilômetros. Mas lá vinha ele, a pé, com a cesta cheia de guloseimas para nós, os netos. Ele trazia aquelas balas grandes e coloridas, do tamanho de um ovo de galinha, que hoje já não existem mais, trazia coco Indaial, um coco amarelo do tamanho de um ovo de galinha, também, com uma ou duas amêndoas dentro, do tamanho de uma castanha do Pará, talvez, coisa que já não vejo há décadas, infelizmente, e que na verdade se chamava babaçu. Trazia tucum maduro – uma fruta parecida com butiá, mas preta - a gente come a casca e o coquinho que tem dentro. Trazia goiabas, trazia maria-mole, trazia aquelas balas coloridas que eram cortadas em fatias grossas, que tinham um desenho no interior, nem sei se elas ainda existem.
Era uma festa a chegada do meu avô a nossa casa em Corupá. Acho que ele ficava colecionando todas essas frutas e doces para encher a cesta e, num seu dia de folga, tocar para Corupá para entregar tudo aquilo pra gente. Coisas simples, mas que eram oferecidas com carinho e tinham um valor incomensurável. Tinham um gosto de Páscoa, pois ele provava e renovava o seu carinho pelos netos.
Hoje os avôs não dão, absolutamente, esse tipo de presente. Hoje os avôs dão brinquedos eletrônicos, como jogos, smartfones, tablets, consoles, etc. Mas aqueles tempos do meu avô eram felizes e dá uma saudade muito grande.
Não lembro mais do rosto do meu avô, só lembro que ele era careca, tinha apenas uma coroa ao redor da cabeça. Acho que lembro disso porque também estou ficando careca e talvez fique igual a ele. E, engraçado, apesar de não lembrar do rosto dele, eu ainda o vejo chegando com a cesta no braço, cheia de oferendas. Como se fosse a Páscoa chegando. Saudade.

sábado, 8 de abril de 2017

ATÉ QUANDO PAGAREMOS A CONTA?



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. 

A reforma da previdência é inadiável, não se pode negar, outras reformas também são, e qualquer que fosse o presidente no poder teria que fazê-las, obrigatoriamente. Não importa se desse ou daquele partido, as reformas são urgentes. Aliás, já deveriam ter sido feitas há muito tempo, e esse é um ponto importante, que deve ser levado em conta: não gosto do atual presidente, acho que é, simplesmente, o “político” padrão da atualidade - e isso não é um elogio, absolutamente , mas tenho que admitir que o estado em que se encontra o Brasil hoje, quebrado,  não é coisa do governo dele, a não ser pelo fato de que ele já fazia parte do governo anterior. O estrago já vem  de bem antes. A contenção, a ocultação dos problemas,  pelos últimos governos, o fato de esconderem a verdadeira situação de tudo neste país e de escamotearem, de maquiarem as coisas, de segurarem preços que precisavam ser atualizados, para parecer que tudo ia  bem, tinha que resultar num estouro, num desmascaramento. Algum dia a verdade teria que aparecer, e apareceu. Estourou na mão dos próprios “governantes” que provocaram tudo, mas tiveram a sorte de tirar o corpo fora na hora certa e deixar o abacaxi nas mãos de outros sedentos de poder a qualquer custo, que também só querem fazer com que alguém pague a conta. E adivinhem quem é esse alguém? O povo, claro.
Então, aí está o país falido, roubado, acabado. E os “políticos” de plantão em polvorosa, projetando uma reforma da previdência que vai fazer o cidadão brasileiro trabalhar até morrer: para se aposentar, ele precisará contribuir por 49 anos. O interessante é que os políticos “desviam” o dinheiro público e quem tem que repor o que foi roubado é o povo, o cidadão brasileiro.  O mesmo cidadão que pagou os impostos e taxas que compõe o dinheiro público, o dinheiro que enche os cofres públicos. Todos que “desviaram” recursos públicos deveriam devolver aos cofres públicos o que roubaram, com juros e correção. Mas não é bem o que acontece, muito pouco dinheiro “desviado” é recuperado. Alguns dos “políticos” que “desviaram” dinheiro público até estão presos, mas todos devolveram o que foi “desviado”? E os outros, que nem na cadeia estão? A solução é sempre muito fácil: sumiu o dinheiro, o povo paga de novo, paga em dobro.
E mais, os “políticos” no poder são rápidos em querer que os cidadãos brasileiros trabalhem por, no mínimo, 49 anos, mas não falam em cortar os salários milionários, privilégios e regallias de veradores, prefeitos, deputados, senadores, ministros, presidente, etc, que nós, o povo, pagamos. Se fizessem isso, um bom dinheiro permaneceria nos cobres públicos, para serem usados em favor do povo, como deve ser. E se não “desviassem” dinheiro público, então, o país teria dinheiro para tudo o que precisa ser feito na saúde, na educação, na segurança, na mobilidade e tudo o mais, e todos estariam empregados e consumindo plenamente, aumentando ainda mais a arrecadação de impostos e, consequentemente, de recursos públicos.
Perceberam que não falei a palavra corrupção, em todo o texto? Não precisou, ela está por trás de tudo e é redundante mencioná-la.