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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"GURITA"

             
            
            Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Recebi “Gurita”, romance de Marcos Antonio Meira há meses, mas a correria não me deu tempo para pegá-lo e lê-lo com vagar: edição de livros, revisões, editoração de revistas, etc.

Quando conheci o autor, na entrega dos prêmios da Academia Catarinense de Letras, em dezembro, o livro já estava comigo. “Gurita” foi apontado como o melhor romance de 2011.

Neste carnaval, já que não viajei e não tenho mais pernas para usufruí-lo, comecei a ler “Gurita”, com tempo, calma e tranquilidade. De cara, gostei do fato de o autor ter escolhido como cenário o “nosso” bairro, Barreiros, o nosso mar, a nossa Grande Florianópolis. E fui gostando mais, quanto mais eu lia, pois ali estavam retratados costumes, sentimentos, maneira de viver da gente desta terra nos anos setenta e oitenta. E mais curioso, mais gostoso e interessante: a maneira de falar dos nativos desta região. O autor foi fiel, linguisticamente, ao jeito de falar único das pessoas da época, dos pescadores que ainda traziam consigo um pouco da herança açoriana que foi deixada pelos nossos colonizadores.

A luta pela vida e os dramas de uma gente simples, com detalhes de uma época que não vai muito longe, mas nos possibilita conhecer a cosmovisão, as emoções e os valores de personagens que poderiam ter realmente existido na nossa vizinhança.

Por falar em personagem, a literatura está presente em grande parte do romance e chega a ser quase uma delas. Um dos protagonistas, leitor inveterado, amante da literatura brasileira e portuguesa desde os clássicos, é quem faz com que os livros e a leitura estejam sempre presentes, a ponto de nos brindar com a transcrição de poemas de Cruz e Sousa e Fernando Pessoa e trechos de Machado de Assis. Aliás, isso evidencia o gosto pela leitura do autor, também pelo fato de citar, no romance, diversos grandes escritores e pensadores e até a Bíblia Sagrada.

Valeu a pena conhecer Gurita. Pela pedra em si, que passa a ser um marco para todos que lerem o romance, pela época que eu não vivi, aqui em Barreiros e na Grande Florianópolis – faz pouco mais de dez anos que moro aqui – e pelas ricas personagens do romance.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

TV PAGA E REPRISES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



Até o dia 3 de março está aberta para consulta pública a Lei 12.485, da Ancine, que propõe mudanças na programação da TV paga, aumentando a quantidade obrigatória de produções brasileiras nos canais exibidos aqui no Brasil.

Pelo menos 3 horas e meia por semana da programação de todos os canais, no horário nobre, deverá ser de conteúdo nacional, de produções de origem brasileira.

Outros detalhes estão especificados na nova lei, como não considerar válidos programas de auditório, programas jornalísticos e programas esportivos para cumprir a cota de conteúdo nacional. E outros mais.

Uma operadora já está com uma grande campanha publicada em grandes revistas, jornais, etc., alertando os “clientes” que, se aprovada, a nova lei vai aumentar os preços de assinaturas.

Achei interessante que um dos itens do “alerta” diz que “De acordo com a Ancine, 10 por cento do conteúdo de pay-per-view deverá ser brasileiro e não poderá ser repetido por mais de uma semana.” A operadora, indignada, alega que a proposta é ilegal e que “impedir reprises restringe o seu (do cliente) acesso a obras brasileiras relevantes (?) como Tropa de Elite, Tropa de Elite 2, Central do Brasil, entre outros.”

Muito a propósito, pois nós, clientes da TV paga, pagamos para ver reprises. Filmes são reprisados exaustivamente, por anos, e ninguém faz nada. Isso sem contar outros programas. Mas o que mais reprisa na TV paga são filmes e séries. Há filmes que são reprisados quase todos os dias. Há filmes que são reprisados em canais diferentes. Já vi o mesmo filmes passando, ao mesmo tempo, em canais diferentes. Os filmes e seriados reprisam infindáveis vezes em um canal e de repente surge um canal “novo”, que vem com uma programação toda de reprises dos mesmos filmes que já foram reprisados e reprisados. E temos que pagar para ver reprises, pois às vezes – e isso não é raro - rodamos todos os canais de filmes e seriados e não conseguimos encontrar nada que já não tenhamos visto.

Já fui na Anatel denunciar isso, mas lá me disseram que não é com eles. Eles me indicaram o Procon, mas agora vejo que eu deveria ter falado com a Ancine.

Vamos ver se a nova lei faz alguma coisa por nós, obrigando a diminuir as reprises. Talvez, diminuindo as reprises, o número de canais também tenha que ser diminuído e a gente possa pagar menos, pois as operadoras baseiam seus preços na “grande quantidade” de canais que oferece.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PAZ PARA CRUZ E SOUSA

   Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

O Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, só foi inaugurado depois do aniversário de 2010, em Florianópolis. Os restos mortais do maior poeta catarinense, trazidos de Minas para o Rio em trem de carga e finalmente vindos para Santa Catarina em 2007, iriam de novo para a senzala, que o local onde foi construído o Memorial é justamente o lugar onde ficava a senzala do casarão que hoje é o Palácio Cruz e Sousa. Os ossos do grande mestre do Simbolismo ficaram esperando todo esse tempo – três anos – para voltar à senzala.


Pois a polêmica não acabou. O espaço é pequeno para se realizar ali atividades culturais, literárias, eventos com algum público. Quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, seria um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais. Mas a verdade é que o espaço é pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher reunião de pessoas.

Mais uma vez, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Promete espaço onde se poderia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não dá condições para isso.

Divulgou-se que a Fundação Catarinense de Cultura, que é quem administra o imóvel, vai reformar o Memorial, para torná-lo usável. A desculpa é que o referido está construído sobre local proibido, a Casa de Força do Palácio Cruz e Sousa. Levou tanto tempo, mais de três anos, desde a chegada dos restos mortais do poeta a Florianópolis, até que se inaugurasse o Memorial – pela metade, pois o projeto previa mais benfeitorias – e ninguém percebeu que estava sendo construído em lugar impróprio do jardim do Palácio, que era muito pequeno, que não seria possível realizar nenhum evento em espaço tão exíguo? Isso deve ser um capítulo desgarrado da reforma do Centro Integrado de Cultura, que já tem, também, mais de três anos, onde gastou-se milhões e mais milhões dos cofres públicos e até o início do ano, não havia sido feito praticamente nada. O maior teatro do Estado está fechado por anos sem que, até agora, estivesse sendo feito absolutamente nada nele.

As coisas precisam mudar. A cultura deve ser tratada com mais respeito, nossos valores culturais precisam ser reconhecidos e preservados. Afinal, é um pedaço da história do Brasil.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

LIVROS PARA SEMPRE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Estou lendo um romance – ótimo romance – e um dos personagens, apaixonado por literatura, leitor inveterado, faz uma afirmação que me chama muito a atenção: “Uma obra literária deve ser lida uma única vez”.


Não sei se a opinião é também do autor, mas respeito a opinião do personagem. O que não quer dizer que não tenho cá minhas convicções. Como já mencionei em uma crônica recente sobre estantes para livros, há muito livro que, realmente, basta ser lido uma vez. Depois de lido não há porque guardá-lo, temos mais é que passá-lo adiante – doar, emprestar, presentear - para que outros leitores possam apreciá-lo, talvez mais do que nós, até.

Mas há livros grandiosos, verdadeiras obras-primas que precisamos manter por perto, para que possamos voltar a eles, pois a cada nova leitura, a cada nova recriação, nos revelam novas descobertas. E não me refiro apenas a livros de poesia. Há romances, livros de contos e de crônicas, livros até de outros gêneros, os quais dão prazer de se ler de novo, possibilitam-nos recriá-los de uma maneira nova, descobrindo novos detalhes e novas nuances que enriquecem ainda mais a qualidade do texto, da trama, de tudo.

Não vou citar títulos de livros que tenho guardados comigo, porque são muitos e também porque a minha preferência pode não ser a mesma dos meus leitores. E isso é natural. Mas eu sou um daqueles leitores que de vez em quando volta a um livro já lido, como um livro de poemas de Quintana ou de Pessoa, por exemplo, nem que seja para ler só um ou dois poemas.

Há até quem diga, como a personagem do livro que estou lendo, que é perda de tempo ler de novo alguma coisa que já lemos. Mas a verdade é que o prazer de ler uma obra bem escrita e bem urdida é coisa para se degustar devagarinho e de novo. É claro que devagarinho é força de expressão, pois quando pegamos um bom livro lemos com sofreguidão, de um fôlego só, essa é que é a verdade.

Então, confesso mais uma vez: tenho uma grande estante de livros em meu escritório e de vez em quando retorno a algum deles.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

BIBLIOTECA FLUTUANTE

Por Luiz Carlos Amorim - editor e escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ 

Na crônica de ontem eu mencionei a Barca de Livros, aqui de Florianópolis, em comparação com um outro barco que vendia livros na Europa. Então resolvi voltar com o tema Barca do Livro, pois é uma grande iniciativa para levar o livro até o alcance do leitor. O livre acesso à leitura é de suma importância, seja onde for. Precisamos fazer chegar o livro até o leitor, precisamos colocar o livro na frente dos olhos do estudante dos primeiros anos do primeiro grau, leitores em formação, esteja ele onde estiver.

A Barca dos Livros é uma biblioteca flutuante que tem o objetivo de percorrer a borda da Lagoa da Conceição, na Ilha de Santa Catarina¸ levando o mundo da fantasia, da imaginação, da arte e do conhecimento a todas as localidades com acesso pelas águas da grande e paradisíaca lagoa.

E o projeto da Sociedade Amantes da Leitura tem uma sede em terra, pois um barco precisa de um porto onde ancorar, um ponto de partida e de chegada. Para isso, existe a Biblioteca Barca dos Livros, com um acervo de mais de cinco mil volumes. Além dos livros, quem for visitar a biblioteca encontrará lá, também, escritores, poetas, professores, contadores de histórias, declamadores.

O projeto já esteve a ponto de ser interrompido, por falta de verba - ele sobrevivia com doações da comunidade - mas a inscrição num destes editais de Cultura do Estado fez com que fosse contemplado, adquirindo fôlego para a sobrevida.

Ela me lembra outras do gênero, como a Biblioteca Itinerante em Joinville, instalada em um ônibus, que percorre os bairros da periferia da cidade, mais distantes, levando a leitura a quem tinha dificuldade para ter acesso ao livro.

Outra iniciativa singular e curiosa é o sebo ambulante de um amante de livros que pega um acervo considerável e eclético, arma uma barraca nas praias mais movimentadas e oferece leitura aos veranistas durante toda a estação de sol.

Existe também o projeto Troque Lixo Por Lixo, em Blumenau, outra espetacular iniciativa que arrecada material reciclável e entrega a escolas, que os vende. Os valores arrecadados são usados na compra de livros para as bibliotecas das escolas. O projeto é responsável, também, pela divulgação de autores locais.

Por certo existirão outras, e é bom que as divulguemos, pois podem servir de modelo, podem ser copiadas em outros pontos desse nosso imenso Brasil.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

BARCOS DE LIVROS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/  


Recentemente vi uma notícia sobre um barco antigo, construído em 1920 para o transporte de carvão, que se transformou, no ano passado, em livraria, ou sebo. Ele leva um acervo de livros de segunda mão para serem vendidos a preços baixos por cidades da Europa.

O barco-livraria, chamado de “Word on the Water” – A palavra sobre a água – oferece títulos da literatura clássica, livros sobre política, filosofia e para o público infantil.

Depois de mais algumas informações sobre o barco, a matéria termina com a pergunta: Você conhece alguma iniciativa deste tipo pelo Brasil?

Muito a propósito a pergunta, pois eu conheço, sim, uma iniciativa parecida, sim. A Barca dos Livros, que funciona na Lagoa da Conceição, aqui em Florianópolis, é uma livraria com sede em terra, mas que leva livros para serem emprestados para toda a população que vivem em volta da grande lagoa. É uma iniciativa particular que existe há alguns anos e vem conseguindo alguma ajuda oficial para não sofrer descontinuidade.

É através da Barca dos Livros que os moradores do entorno da Lagoa da Conceição, tanto as crianças como os adultos, podem ter material para leitura e outras atividades culturais, como contação de histórias, palestras com escritores, lançamentos de livros, etc.

Bom poder responder à pergunta da matéria e poder dizer que nós temos, sim, uma iniciativa parecida aqui na nossa comunidade.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

UM VARAL LITERÁRIO PARA O MUNDO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Quando recebi o convite da escritora e amiga Jacqueline Aisenman, catarinense de Laguna radicada em Genebra, para fazer o prefácio da segunda antologia Varal do Brasil, fiquei preocupado com a responsabilidade de tal tarefa. Mas em recebendo os originais que compõe a nova antologia, vi que meus receios eram infundados. A seleção de textos dos escritores que estão presentes em Varal da Poesia II são de tão boa qualidade, que me sinto muito à vontade para apreciar esta obra belíssima.

Até na apresentação do conteúdo do livro a organizadora foi original: nada de ordem alfabética, nada de biografias dos autores pendurados nos textos literários. A antologia foi dividida em capítulos e nos apresenta primeiramente os textos e em outro capítulo estão as informações sobre cada escritor que está presente nela. Uma disposição objetiva e agradável.

A obra é composta de poemas, crônicas, contos, alguns textos até mesclando um gênero com outro, abordando os mais variados temas: família, saudade, solidão, natureza, cidades, lugares, viagens, mulheres, o ato de escrever, de poetar, até o sexo está presente nesta obra. Mas adivinhem o assunto abordado por maior número de escritores e poetas?

Sim, claro, o amor. Como não poderia deixar de ser. O amor fraterno, o amor filial, o amor a Deus, o amor entre duas pessoas, todas as formas de conjugar o verbo amar. As mais diversas formas de amor em todas as maneiras possíveis de sentí-lo, de escrevê-lo, de registrá-lo, de provocar a sua recriação.

A sensibilidade, a criatividade, o lirismo, o uso da palavra para levar a emoção do autor até o leitor, transborda esse livro de sentimento e de vida. E a vida é assim mesmo e a literatura imita a vida. A verdade é que este livro reúne pedaços de vida de escritores talentosos que transformam a ficção em vida e transformam a vida em literatura, perpetuando nossos costumes e sensações dentro do tempo e do espaço.

Esse time de escritores presentes em Varal da Poesia II – alguns já estavam na primeira antologia – a julgar pela amostra que dão aqui neste volume, prometem muito para o futuro e alguns deles poderão ser os grandes nomes das nossas letras de amanhã. A coleção Varal da Poesia é um novo e atual painel da literatura brasileira, pois reúne autores de todo o país.

Vale a pena conhecer a lavra destes escritores brasileiros - e portugueses também - que se reúnem em Varal do Brasil II, pois essa é a nova safra de escritores do nosso tempo.