COMENTE

Sua opinião é importante. Comente, critique, sugira, participe da discussão.



Mostrando postagens com marcador falta de incentivo à leitura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador falta de incentivo à leitura. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

LEIA, BRASIL!

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

Acabo de ler a crônica de Ezequiel Theodoro da Silva, no Correio Lageano, na qual deixa claro a sua indignação pelo fim dos trabalhos da ONG Leia Brasil. E eu sou solidário com a indignação dele, fico muito triste, pois como ele, vivo lutando para conseguirmos novas maneiras de incentivar o gosto pela leitura.
O LEIA BRASIL foi criado por Jason Prado, com o objetivo de incentivar a leitura entre crianças, jovens e adultos da rede pública de ensino, emprestando livros de literatura aos seus alunos. Cada uma de suas Bibliotecas Volantes transportava cerca de 15 mil livros de literatura para empréstimo gratuito aos alunos e professores das escolas conveniadas. Mas só isso não era o bastante. As bibliotecas do Leia Brasil transportavam atividades paralelas como oficinas de teatro, visitas de autores, vídeos e acervos sobre diversos temas, com o objetivo de enriquecer o dia a dia das visitas, estimular e desenvolver o interesse de alunos, pais e mestres pela leitura, pela literatura e pela cultura. E mais, o Leia Brasil tinha convênio com museus e outras instituições de ensino e pesquisa e mantinha no ar um portal de cultura e literatura.
E tudo isso cessou. Essas fantásticas bibliotecas ambulantes que itineravam pelas escolas não mais chegarão a lugar nenhum, para brindar os estudantes com fantasia, conhecimento e cultura.
É realmente uma grande perda. Numa época em que procuramos divulgar e incentivar cada nova iniciativa criativa em prol da disseminação da leitura, quando mais do que nunca precisamos do trabalho como o que o Leia Brasil fazia, essa luz no fim do túnel se apaga.
Ao invés de se abrirem novos pontos de distribuição de livros, um trabalho tão importante nesse sentido se apaga. O Brasil está precisando que os seus dirigentes, os “políticos” que o governam se lembrem da educação e comecem a dar alguma atenção para ela. Porque nosso país está lendo cada vez menos e um país que não incentiva a leitura e a educação será um país mais ignorante e pobre.
Temos que nos lembrar disso quando formos votar.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

IMPOSTO PARA O LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Leio nos jornais que o governo, grande governo brasileiro, está instituindo – pasmem - o Imposto do Livro. Nos moldes da CPMF, “contribuição” para a saúde – altas cifras que nunca foram utilizadas, na verdade, com a finalidade para a qual foi proposta, ou seja, deveria subsidiar a saúde, que ficou cada vez pior – o imposto taxa a indústria gráfica em 1% do preço final do livro. O que significa que quem vai pagar é o consumidor final, o leitor, o cidadão que não é levado a ter o gosto pela leitura, também porque o preço do livro é muito alto. E, com isso, pode ficar mais caro ainda.
Que governo é esse, que ao invés de tornar o livro mais acessível, torna-o ainda mais caro? Ele diz que o imposto está sendo criado porque o setor editorial não paga PIS e Cofin e mesmo com a isenção desses impostos, o preço do livro não caiu. Então já, que não caiu, vamos aumentar um pouco mais? Ou será que o presidente e o Ministro da Cultura, ou ainda o excelentíssimo autor da idéia da taxa, acham que eles vão cobrar o imposto e isso não vai ser repassado para o consumidor, o leitor, que é cada vez mais empurrado para longe do livro?
O brasileiro já lê pouco, seja pelo preço do livro, seja pela educação desse país que está cada vez pior, relegada a último plano, assim como a saúde e a segurança. Então vêm os nossos “governantes” e criam um imposto para colocar o livro mais longe ainda do alcance do cidadão.
Não estão conseguindo reativar a CPMF, então tentam conseguir arrecadar mais dinheiro para gastarem às custas do leitor, já escasso, também eleitor, que deveria, isso sim, ter este artigo “de luxo” incluído na cesta básica.
Enquanto uns poucos tentam incentivar a leitura, incutir o gosto pelos livros, como alguns professores de primeiro grau, que apesar de praticamente não ter espaço no currículo escolar para ensinar literatura, fazem das tripas coração e arranjam tempo para abordar os clássicos, os contemporâneos e até os escritores locais, como bem tive a oportunidade de ver, recentemente, em Joinville, os donos do poder dão um jeitinho de complicar. Para que facilitar, se é possível colocar mais obstáculos?
Outra iniciativa meritória em favor da divulgação, reconhecimento e valorização da literatura para os leitores em formação, que tivemos recentemente, aqui na grande Florianópolis, foi o 4º Seminário de Literatura Infantil e Juvenil de Santa Catarina.
Então, na contramão de trabalhos que vêm sendo realizados para que aquela velha e infeliz máxima que diz que “brasileiro não lê” deixe de ser verdade, nossos “governantes” aparecem com este grande incentivo à leitura, presente de grego de fim de ano para todos nós.
Gostaria de ter esperanças de que o projeto não vai passar no Ministério da Fazendo, para onde foi encaminhada, mas não tenho muitas ilusões.