COMENTE

Sua opinião é importante. Comente, critique, sugira, participe da discussão.



segunda-feira, 7 de março de 2022

CRÔNICA SEMANAL DA PANDEMIA – 06-12.02.2022


        Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 41 anos em 2021. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

 

Esta semana foi tranquila, de bastante trabalho, pois já estou recebendo os trabalhos para a nova edição do Suplemento Literário A ILHA. Li mais um livro, assisti um filme e alguns seriados de comédia e o noticiário brasileiro e internacional. Mas também ficamos um tempo com o Rio, que não dá pra ficar longe dele. O mundo está em polvorosa, não só com a covid 19, que parece não querer arredar pé, mas também com a tensão da ameaça de guerra entre Rússia e Ucrânia.

No domingo, fomos jantar na casa do Rio. O prato do dia era pizza e ele adora, assim como gosta imenso de sushi. Comeu também da tábua de queijos. Depois brincamos com ele até a hora de dormir. Na segunda e na terça, vovó foi ficar com o Rio na casa dele e eu fiquei trabalhando na nova edição da revista Suplemento Literário A ILHA. Na terça, antes de vovó ir à casa do Rio, ele foi com mamãe ao parquinho e brincou bastante. Voltou com os bolsos cheios de pedrinhas, pra variar. Na quarta, fomos à noitinha para vovó ajudar mamãe a fazer um prato para o jantar. Ficou uma delícia e brincamos mais um bocado com o Rio até ele dormir. Na quinta, não fomos no Rio e ele sentiu falta de vovô e vovó. Na sexta, fomos encontrar Malu, uma grande amiga que estava uns quantos meses aqui em Portugal, no Porto, e veio pegar o voo de volta para o Brasil aqui em Lisboa. Então fomos tomar um café com ela lá no Café do Parque Eduardo Sétimo, ao lado do parquinho. Então levamos o Rio e ele se esbaldou. Brincou como nunca, em todos os brinquedos, mesmo naqueles que eram para meninos com mais idade do que ele. Rolou pelas pedrinhas, subiu nas aranhas, até andou de novo – sozinho, ele mesmo se segurando – de tirolesa para crianças. Antes de ir para o parquinho fez o pequeno almoço, que era só dez e pouco da manhã e ele acordou tarde. Depois, voltamos para casa do fofô e da fofó e almoçamos. Vovô fez hambúrguer e vovó fez feijão, arroz e salada. De sobremesa, banana assada com canela e mel. Aí já estava na hora do soninho da tarde do Rio. Mas quem disse que ele dormiu? Enrolou a vovó e acabou não dormindo. Então não podia ver desenho, pois não tirou a sonequinha, conforme o nosso combinado. Brincamos um pouco e vovó fez um lanchinho – cereal com iogurte, mas cereal com frutas vermelhas secas – e um suquinho. À noitinha, voltamos para a casa do Rio e papai e mamãe fizeram sushi com atum e dourada, cru e frito. Uma delícia. Aí sim, lá pelas nove e meia o gajo foi dormir, pois estava cansado com o dia cheio. No sábado não nos encontramos, pois ele tinha um aniversário para ir. Divertiu-se muito.

E a pandemia continua. Aguns países já estão dando a quarta dose, mas como começamos um novo ano, não seria melhor assumir que estamos começando a vacinação novamente, já que todo ano vamos ter que nos vacinar? Os números estavam baixando pouca coisa e no sábado tivemos menos de mil mortos, no Brasil, mas acontece que nos finais de semana a subnotificação é muito maior, pois as secretarias de saúde dos estados não funcionam ou funcionam precariamente. E não é só a pandemia que está se agravando, no mundo todo. A politicagem também. A Rússia está ameaçando invadir a Ucrânia e o presidanta do Brasil insiste em ir justamente agora, na iminência e uma guerra, para a Rússia. Deus me perdoe, mas sei o que todos estão pensando, pois até eu me surpreendi pensando a mesma coisa.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado  aprovou na segunda a convocação do ministranta da Saúde, Queiroga, para explicar a nota técnica elaborada por técnicos da pasta que atribuía maior segurança à hidroxicloroquina que às vacinas no tratamento da Covid – contrariando evidências científicas. Queiroga também deve ser questionado sobre a "demora" entre a aprovação da Anvisa e o início da vacinação infantil contra Covid no país.

Não existe um levantamento do Ministério da Saúde sobre quem são as pessoas que estão morrendo de Covid em 2022 e qual o impacto das campanhas de imunização para evitar os óbitos por coronavírus. Mas dados divulgados pelos estados confirmam o alerta de especialistas: os não vacinados são a maioria das vítimas da doença na atual fase da pandemia. É o que mostra um levantamento feito junto às Secretarias de Saúde dos 26 estados e do Distrito Federal. "Baseado no que tem sido divulgado, tanto por secretarias estaduais, quanto por outros países, o que tem sido observado é exatamente isto: a imensa maioria das internações mais graves não tem o esquema vacinal completo", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha.

Na quarta, O Brasil teve o maior número de mortes em um dia desde 29 de julho de 2021, quando foram registrados 1.354 óbitos.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, divulgaram na quinta que a vacinação contra a Covid-19 reduziu o risco de internação e mortes pela doença mesmo em pacientes que tinham várias comorbidades simultâneas, como problemas de coração e diabetes. Entre os vacinados, apenas idade acima de 60 anos e doença renal permaneceram como fatores de risco. Já entre os não vacinados, problemas de coração, fígado, neurológicos, diabetes ou comprometimento imunológico foram relacionados a  probabilidade maior de internação. O estudo usou dados de 2.777 pacientes internados com sintomas de Covid entre 5 de janeiro e 12 de setembro de 2021.

Na sexta, o governo da Rússia pediu que o presidente Bolsonaro e sua comitiva, que insistem em visitar o país russo nesta época de tensão e ameaça de guerra, se submetam a um rígido controle sanitário  para se aproximar do presidente russo, Vladimir Putin, durante viagem oficial a Moscou, marcada para a próxima semana. De acordo com as orientações enviadas pelo Kremlin ao governo brasileiro, Bolsonaro e os membros da comitiva que se aproximarão de Putin teriam que fazer até cinco exames do tipo PCR para detecção de Covid-19. Pra aprender a não ser besta.

No sábado, foi divulgado que o Projeto de Lei Paulo Gustavo (Projeto de Lei Complementar 73/21), que libera R$ 3,862 bilhões para amenizar os efeitos negativos econômicos e sociais da pandemia de covid-19 no setor cultural brasileiro, está na pauta do Plenário da Câmara dos Deputados da próxima terça-feira. Esperemos que finalmente alguma ajuda seja dada aos trabalhadores da Cultura neste país, talvez os mais prejudicados até agora.

Resumindo: a pandemia ainda está aí e é preciso que nos cuidemos, para que ela não fique crônica.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

CRÔNICA SEMANAL DA PANDEMIA – 30.01-05.02.2022


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 41 anos em 2021. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Semana sem chuva na Luzboa, com muito sol e céu de brigadeiro e aquela luz única que o sol, em parceria com o Tejo, conferem à capital portuguesa. Trabalhei na divulgação da revista ESCRITORES DO BRASIL e comecei a trabalhar na nova edição da revista SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA, que completa 42 anos de circulação neste 2022. Saímos pouco, por causa do avanço da pandemia. O frio já não é tão intenso como em janeiro. A imprensa já fala em “primavera antecipada” por aqui. Temos passado bastante tempo com o Rio, ele adora vir na casa do vovô e da vovó.
Rio continua crescendo, cada vez mais inteligente e bonitão. No domingo não fomos à casa dele, pois a semana ia ser cheia, uma vez que há concerto da Rua das Pretas no Coliseu de Lisboa, para gravação de mais um episódio da série para a RTP TV, e eles ficaram curtindo a companhia mútua. Na segunda, Rio veio ficar com fofô e fofó, pois mamãe e papai estavam às voltas com a produção do concerto no Coliseu, o que dá muito, muito trabalho. Na terça, fofó foi ao parquinho para ele brincar um pouco e tomar sol e depois veio almoçar na casa da fofó e do fofô. Eu assisti um pouco de desenhos da Patrulha Pata e Léo, o Caminhão, com ele, ele almoçou arroz e feijão, carne de panela e banana assada, e de sobremesa suco e salada de laranja. Depois tirou um soninho, não sem antes enrolar um monte. Depois da sonequinha fez um lanchinho, brincamos um pouco e mais tarde ele jantou e foi para casa, pois havia ensaio na casa dele e ele adora participar, os músicos são todos seus amigos. Na quarta, dia do concerto Rua das Pretas no Coliseu de Lisboa, a correria foi grande, então ficamos mais um pouco com o Rio e à noite fomos ao concerto. Ele fez sucesso, mesmo não indo ao microfone: nos camarins, na plateia, nos bastidores. Dançou, cantou, fez maquiagem, correu, encantou. Aliás, ele estreou no Coliseu com um aninho, na primeira vez do Rua das Pretas no palco daquela casa tão tradicional de Lisboa, no palco e tudo. Depois do concerto, Rio veio para a casa de vovô e vovó e dormiu aqui. Chegamos já era mais de meia noite, ele ainda fez festa, pulou do sofá na cama que fizemos no chão com o colchão inflável e adorou. No dia seguinte, na quinta, acordamos, vovó fez um pequeno almoço para ele, mas ele não comeu muito e fomos almoçar com mamãe e papai num restaurante perto da casa dele, com a cantora brasileira Karla, a moça do vozeirão. Depois do almoço Rio foi para casa, para tirar um soninho e nós, vovó e vovô, fomos ao supermercado, pertinho. Mas deu um dó imenso, pois Rio não queria que fôssemos, segurou a mão de vovó e não queria largar, foi embora chorando. Mas fez o soninho da tarde e acordou bem. Na sexta, foi fazer o pequeno almoço com papai num restaurante perto de casa, enquanto mamãe e vovó se ocupavam da casa. No sábado, mamãe foi comprar peixe e aipim (aipim ou mandioca, aqui, é importado da África e até do Brasil) em Saldanha, um bairro quase perto de nossas casas e fomos todos juntos. Rio aproveitou muito o parquinho que existe ao lado do mercado e brincou muito. À tarde Rio teve almoço com amigos e à noite teve visitas.
Infelizmente, os números da pandemia continuam crescendo em todo o mundo. No Brasil, o número de mortes diário já passou de mil e isso é muito grave.
Na segunda, no Rio, a Secretaria Municipal de Saúde informou que, por falta de doses, suspendeu a a vacinação das crianças contra a Covid-19, até que o Ministério da Saúde envie nova remessa de vacinas para a cidade. E assim em outros lugares. É lamentável que o ministério da saúde (leia-se presidanta e ministranta da saúde) não esteja comprando e distribuindo a vacina em tempo hábil. Enquanto isso, pessoas morrem.
O Brasil pode atingir o pico de 1,3 milhão de infectados por dia pela Covid-19 em meados de fevereiro por causa da disseminação da variante Ômicron, apontam estimativas da Universidade de Washington. Essa nova onda será um “tsunami” de casos em relação a tudo que se viu na pandemia até agora. Conforme os pesquisadores, o país já deve ter hoje mais de 430 mil pessoas se infectando todos os dias.
A Fundação Oswaldo Cruz identificou os primeiros casos da subvariante BA.2, da Ômicron. São dois casos no estado de São Paulo; dois no Rio de Janeiro; e um em Santa Catarina, totalizando cinco registros no país. Em nota, o ministério da saúde esclarece “que a sublinhagem da VOC Ômicron não tem impacto no diagnóstico laboratorial e eficácia das vacinas. Ah, enão tá. Até o momento, não existem evidências relacionadas à nova linhagem que demonstrem mudanças na transmissibilidade, quadro clínico, gravidade ou resposta vacinal”. Quer dizer: não estão nem aí.
Entre 24 e 31 de janeiro, oito estados e o Distrito Federal registraram ocupação crítica nos leitos de UTI para Covid-19, informou um boletim divulgado na quinta pela Fundação Oswaldo Cruz. Na semana passada, seis estados, além do DF, estavam nessa situação. A ocupação crítica significa uma taxa de 80% ou mais dos leitos ocupados.
O Brasil registrou na sexta-feira 1.074 mortes pela Covid-19 em24 horas, totalizando 631.069 óbitos desde o início da pandemia. Voltamos a ter registro de mais de mil mortos por Covid em um só dia pela primeira vez desde 19 de agosto do ano passado (quando foram 1.030).
No sábado, foram registrados 197.442 mil casos de covid-19 e 1.308 mortes em 24 horas. Desde o início da pandemia, foram notificados 26.473.273 casos e 631.802 óbitos em decorrência do novo coronavírus. O boletim, divulgado no sábado (5), não traz os dados do Mato Grosso e do Distrito Federal, que não foram atualizados pelas respectivas secretarias da Saúde. O que quer dizer que, na verdade, os números são muito maiores, pois além de não haver informações de duas unidades da federação, há a subnotificação do final de semana, quando as secretarias estaduais não funcionam ou funcionam precariamente.
A progressão da pandemia é muito forte, a situação está cada vez mais grave. É preciso que nos cuidemos. Ou essa pandemia não acabará nunca.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

POETA MENSAGEIRO

   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 41 anos em 2021. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Recebi um post no Whatsapp, da minha amiga Chris Abreu, poeta dos dedos cheios de poesia, de um mensageiro poeta. Sim, mensageiro mesmo, funcionário do correio, que se encantou com a poesia e passou a ser carteiro-poeta. Ele passou a entregar as cartas com poemas: entregava a correspondência com uma folha no meio que continha um poema e o poema, quase sempre ou sempre era dele.

Tenho escrito muito sobre as tantas maneiras que tantas pessoas encontram para divulgar a poesia. E essa é uma maneira bem original. O carteiro-poeta Cleyton Mendes, com sua poesia misturada à correspondência, me lembrou o meu projeto Poesia Carimbada, que consistia em carimbos que imprimem poemas inteiros, que eu usava em minha correspondência enviada, no verso do envelope, quando a gente enviava cartas escritas pelo correio. As pessoas recebiam minhas cartas, sobre o assunto que fosse, com um poema carimbado no envelope.

Aí me vem o poeta-carteiro, entregando a sua poesia a domicílio. Tem coisa mais bonita? Receber notícias boas, outras nem tanto, contas, etc. e – pasmem – poesia. Um poema do carteiro-poeta, para alegrar o dia, como este: Sorria / pra afastar a melancolia. / Sorria / pois pra tristeza / é a melhor terapia. / Sorria, / sorria, / Só ria / Pois o seu riso / é pura poesia.

Como o próprio carteiro-poeta diz, “ele é portador da poesia-mensageira: carteiro leva mensagem para as pessoas; poesia leva uma mensagem para a alma, para os corações.” Ele diz também que “a poesia não está só nos livros, a poesia está no olhar de quem vê”. E não é verdade? A poesia pode estar em tudo, depende da nossa capacidade de vê-la.  Então ela está dentro do nosso olhar.

Obrigado, poeta-carteiro, por ser mensageiro da poesia. Escreva muitos poemas e seja o mensageiro que vai levar a poesia até o ouvinte, até o leitor. O mundo está muito duro, ele precisa de poesia para mudar para melhor. A poesia é necessária. Ainda mais nos tempos atuais, com a pandemia grassando e deixando a nossa vida e o nosso mundo mais complicados.

E para terminar, a mesma Chris dos dedos cheios de poesia me avisa que aquelas pessoas que ficam nas sinaleiras  pela cidade estão distribuindo o quê? Poesia. Manuscrita, escrita em pequenas folhas de caderno, oferecidas quando o sinal fecha e o sinal se abre para a poesia.

Obrigado a todos vocês, multiplicadores da poesia. Eu os saúdo, este é o meu tributo a vocês.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

CRÔNICA SEMANAL DA PANDEMIA – 23-29.01.2022



        Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 41 anos em 2021. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Semana de trabalho: a revista ESCRITORES DO BRASIL, edição de fevereiro foi concluída e está no ar, para iniciar o ano literário no Brasil. São 80 páginas de muita prosa e muita poesia, muita informação literária e cultural. Leia gratuitamente na página do Grupo Literário A ILHA no Facebook, em Destaques. Terminei de ler mais dois livros e vi dois ou três filmes, também. O friozinho continua, mas com sol, com céu de brigadeiro e aquela luz única em conluio com o espelho do Tejo. Também inventei um pão novo, de atum com cebolas caramelizadas, que ficou muito bom. E a semana passou numa velocidade incrível.

No domingo, não fomos no Rio, fiquei trabalhando na editoração da revista ESCRITORES DO BRASIL. Fizemos um bacalhau assado com batatas ao murro e trabalhei o dia inteiro. Na segunda, vovó trouxe o Rio para ficar conosco, que papai e mamãe estravam às voltas com muito trabalho, a produção do concerto RUA DAS PRETAS no Coliseu do Porto. Brincamos um bocado, vovó fez uma almoço delicioso e depois brincamos mais um tanto, que Rio não quis dormir o soninho da tarde. Voltamos quase noitinha para a casa dele. Brincamos mais na casa dele, ele subiu em mim e me amassou bastante, eu deitado no chão do quarto dele e ele me escalando. Também subiu na minha perna levantada, eu deitado e a perna esquerda cruzada sobre a direita. Ele  conseguiu subir e se equilibrar várias vezes. Na terça, papai e mamãe viajaram para o Porto e vovó veio com o Rio buscar o vovô, para ficarmos com o Rio na casa dele. Ficamos com ele de terça até quinta. Na quarta, acordamos quase cedo e fomos fazer o pequeno almoço na Paula, perto da casa do Rio, uma amiga muito querida que tem um café e faz uma tosta mista fabulosa. Rio também gosta dos pastéis de nata e do chocolate quente que ela faz para ele. Depois pegamos o metro e fomos para o zoológico de Lisboa. Todo mundo de máscara, até o Rio usou em toda a viagem de metro, que é rápida, só uns dez minutinhos. Ficamos mais de duas horas no zoo, andamos por ele todo, que é enorme e vimos todos os animais. Só não conseguimos ver o lince, que acho que estava escondido ou entocado. Rio adorou a girafa, os tigres alaranjados, tradicionais, e os tigres brancos. Também gostou dos elefantes, da onça, das zebras, dos hipopótamos, dos macacos de vários tipos, dos pinguins, dos pássaros, principalmente das araras coloridas. Também não vimos o leão ou não encontramos o lugar dele, não lembro. Paramos para o Rio fazer um lanchinho de biscoito e morangos e depois continuamos. Os pelicanos também agradaram o Rio, mas os flamingos, em um grande grupo, fazendo muito barulho ele não gostou muito, acho que por causa do ruído que fazem, muito alto. Mas eles são belíssimos. Não havia o show de golfinhos e da baleia, no tanque que há no zoo, por causa da pandemia, nem o show de pássaros. Uma pena. Muitos espaços vazios, infelizmente. Mas o zoo está bem cuidado. Lá pelas duas voltamos e almoçamos. Acho que o Rio não dormiu à tarde, então à noite lá pelas nove e pouco já estava abrindo a boca, mas foi dormir um pouquinho mais tarde do que devia.

Na quinta, acordamos quase cedo e vovó fez uma tosta para o Rio no pequeno almoço.  Depois, enquanto Rio via uns desenhos com vovô, vovó foi fazer o almoço, que papai e mamãe chegariam no  início da tarde do Porto. Papai e mamãe chegaram mortos de cansados, mas o concerto Rua das Pretas no Coliseu do Porto foi um sucesso. Está gravado mais um episódio de mais uma série RUA DAS PRETAS para a RTP TV. Na sexta, Rio ficou na casa da vovó e do vovô durante a tarde e à noite  levamos ele para a casa dele, para o jantar, com visitas. No sábado, Rio ficou com a mamãe e com o papai.

A pandemia, infelizmente, continua se agravando, com grande aumento de casos e de mortes, também, na semana que se encerrou. O Brasil recebeu na segunda mais 1,8 milhão de doses pediátricas da vacina contra a Covid-19 da Pfizer. Esse é o último lote previsto para o mês de janeiro. Em fevereiro, o governo espera receber cerca de 7 milhões de doses do imunizante.

O impacto do fechamento de escolas e universidades causado pela covid-19 é imenso e suas consequências ainda não são totalmente conhecidas, afirma pesquisa da Unicef, Unesco e Banco Mundial.  Apesar da pandemia afetar 1,6 bilhão de estudantes em todo o mundo, os efeitos não foram iguais para todos — no Brasil, com o abandono da educação pelos nossos desgovernantes, mais crianças e jovens estão se evadindo da escola e a qualidade do ensino é cada vez menor.

Na quarta, o Brasil registrou o maior número de estados sob alerta crítico na ocupação de leitos de UTI para Covid-19 desde junho de 2021, informou a Fiocruz. As altas taxas foram verificadas entre 17 e 24 de janeiro. Seis estados e o Distrito Federal têm 80% ou mais dos leitos intensivos ocupados. A ministra Rosa Weber, do STF, determinou um prazo de cinco dias para o secretário Helio Angotti Neto, de Ciência, Tecnologia, Inovação do Ministério da Saúde, explicar a nota técnica contra as vacinas contra a Covid-19 e a ciência. Contrariando a OMS e a comunidade científica, a secretaria publicou uma nota afirmando que os imunizantes não têm demonstração de segurança e  também afirma que a hidroxicloroquina demonstrou segurança como uma tecnologia de saúde para a Covid – o que não tem respaldo científico. Depois de quase dois anos, continua a campanha contra as vacinas e a favor de fármaco que comprovadamente não é indicado para a covid. E o presidanta continua lá, sem ninguém fazer nada a respeito.

Na quinta, nova portaria do governo atualiza medidas de prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19 em ambientes de trabalho. Ministério da Saúde volta a pedir que "pais procurem recomendação prévia" antes da vacinação de crianças contra Covid — especialistas são contra a orientação.

Na sexta, a  Anvisa aprovou a venda de autotestes de Covid-19 no Brasil. A decisão não tem efeito imediato: cada empresa interessada em comercializar sua versão do produto precisa pedir o registro junto à agência, que vai analisar cada solicitação. A Anvisa informou também que espera ter os primeiros produtos aprovados em fevereiro.

No sábado, o ministranta da saúde sai com mais uma pérola: Em entrevista ao jornal O Globo, Marcelo Queiroga afirmou que deseja que a história o defina “como o homem que acabou com a pandemia”. Há mais de dez meses na gestão da pasta, só puxou o saco do chefe, o presidanta de plantão e, consequentemente, fez e falou um monte de caca. Além de um péssimo ministro e péssimo médico, também, ele é um bom comediante. Seria para rir, mas é de chorar. Inacreditável.

Pela primeira vez desde o início da pandemia, o Brasil atingiu mais de 1 milhão de pessoas contaminadas pela covid-19 no período de uma semana. Foram 1.305.447 registros, 39% a mais em relação à semana anterior, que acumulou 933.452 casos entre 16 e 22 de janeiro. No  sábado, foram 179.816 novas infecções registradas. E notem que é um resultado de sábado, quando as subnotificações são muito maiores, pois as secretarias de saúde dos estados não funcionam ou funcionam precariamente. O aumento de casos reflete os efeitos da expansão da variante Ômicron pelo país, que também incide sobre o número de óbitos. Neste sábado, com subnotificação enorme e tudo, foram registradas 640 mortes.

Precisamos continuar cuidando. E muito. Os hospitais estão começando a ficar no limite.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

CRÔNICA SEMANAL DA PANDEMIA – 16-22.01.2022

 

Rio e vovó na Estufa Fria de Lisboa


       Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 41 anos em 2021. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

 

Semana das mais frias em Portugal. Aproveitei para terminar a preparação do material para a editoração da edição de fevereiro da revista Escritores do Brasil. Na próxima semana ela estará pronta. Li um pouco, escrevi um pouco também, vi seriados de humor e um ou outro filme e nos divertimos muito com o Rio.

No domingo não fomos na casa do Rio, pois estava muito frio e ficamos com o Rio alguns dias na semana anterior, então papai e mamãe ficaram curtindo o filhote. Na segunda, saímos todos, fomos aos jardins do Príncipe Real para brincar no parquinho com o Rio e ele se esbaldou. Depois almoçamos num restaurante da Avenida da Liberdade e comemos uns bitoques, que eu não havia experimentado ainda: um bife com ovo e batatas fritas. Gostei muito. Também bebemos um chá de limão, bem quentinho, de casca de limão siciliano. Uma delícia que a gente também não conhecia. Depois fomos à Rua das Pretas, não o concerto de maior sucesso de Lisboa, mas a rua de verdade, para levar meu computador que estava com o botão de ignição sem funcionar e eu não podia escrever nada, nem trabalhar na revista Escritores do Brasil. Felizmente, a oficina técnica que eu já conhecia, porque já havia precisado dos seus serviços, fez o concerto no mesmo dia e à noite eu já estava habilitado a escrever de novo. Na terça, a gente também não foi não no Rio, fiquei em casa recuperando o tempo perdido sem computador nos dois dias anteriores. Também fiz Bayleis, para tomar com café, que neste friozão cai muito bem. Na quarta, vovó trouxe o Rio para passar o dia na casa da vovó e do vovô. Almoçou conosco e a sobremesa (mememesa) foi melancia, fruta que ele adora. Brincou muito, lemos juntos e depois ele tirou um soninho. À noitinha, fomos jantar na casa dele. Aí brincamos mais um bocado, lemos outros livros, fizemos mais bagunça. Então ele tomou um banho gostoso para ir nanar e nós voltamos para casa. Na quinta, fomos jantar na casa do Rio e ele tinha visitas. Brincamos muito, inclusive ele queria brincar de cavalinho na minha perna, mas não conseguiu subir nela. Eu estava deitado no chão, no quarto dele, então ele passeou em cima de mim, me amassou bastante e rimos um bocado.  Na sexta, só a vovó foi lá no Rio e voltou depois do almoço, na hora em que ele tira o soninho da tarde, mas soubemos que ele não dormiu, enrolou a mãe dele e ficou acordado. Mas à noite, antes da horinha de nanar ele já estava dormindo. No sábado, fomos com o Rio no parquinho do Eduardo Sétimo. Depois de brincar bastante, fomos à Estufa Fria de Lisboa, ali do ladinho do Eduardo Sétimo. Jardim belíssimo por fora, com lago e tudo e por dentro, jardins com muitas árvores, inclusive brasileiras, lagos, grutas, pontes, túneis, uma beleza só. Rio adorou, subiu e desceu um monte de escadas, até colocou a mão num laguinho bem pequeno dentro de uma gruta. Quando voltamos para a casa da vovó e do vovô, ele almoçou e depois tirou um soninho bem gostoso, que estava cansado. Então, à noitinha, voltamos para a casa dele, super bem agasalhados.

E a pandemia vai se agravando, de novo. Número de casos aumentado, por causa da variante ômicron, número de mortes também e hospitais  lotados. Não é o começo de ano que a gente esperava. Na segunda, começou em todo o país a campanha de vacinação infantil contra a Covid para crianças de 5 a 11 anos. Com quantidade de doses pequena, mas começou. Em Lucena, na região metropolitana de João Pessoa, a equipe técnica da Secretaria de Estado da Saúde comprovou erros na aplicação de vacinas em pelo menos 49 crianças que receberam doses para adultos, sendo 36 com doses vencidas e 13 dentro do prazo de validade.

Os brasileiros beberam mais e engordaram no primeiro ano da pandemia, segundo um estudo publicado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde. O levantamento mostrou que casos de hipertensão e diabetes dispararam. Mais um ponto de atenção é a redução do percentual da população que realiza atividades físicas. O único destaque positivo, segundo o levantamento, foi no número de fumantes, que caiu durante o período da pandemia chegando a 6,7% da população adulta.

Pela primeira vez, na quarta, o Brasil registrou mais de 200 mil casos conhecidos de Covid-19 em 24 horas. Com isso, a média móvel de casos nos últimos 7 dias foi a 100.322 - a maior marca registrada até aqui, superando pela primeira vez o patamar de 100 mil diagnósticos diários. A Anvisa decidiu adiar a decisão sobre a liberação da venda de testes rápidos de Covid-19 para que a população possa realizar o exame em casa, os chamados autotestes. A agência afirmou que precisa de mais dados do Ministério da Saúde.

Na quinta, A Anvisa autorizou a aplicação da vacina CoronaVac em crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, mas incluiu um veto ao uso em pessoas com baixa imunidade. Alguns pontos de destaque da decisão: Não pode ser aplicada em imunossuprimidos; Aplicação está liberada para público com outras comorbidades;
Imunização será em duas doses, aplicadas com intervalo de 28 dias; Vacina é a mesma usada em adultos, sem adaptação para versão pediátrica.

Na sexta, cartões falsificados, usados para acessar locais onde é necessário comprovar a vacinação contra a Covid-19, foram flagrados sendo vendidos por até R$ 200 em plena luz do dia no Rio. Os flagrantes aconteceram em pelo menos dois pontos da cidade. No Centro, com uma câmera escondida, a equipe de reportagem filmou o vendedor negociando o comprovante de vacinação

 Uma nota técnica do Ministério da Saúde traz uma contradição sobre o uso da cloroquina no tratamento contra a Covid-19. Na página 13, em trecho sobre os elementos técnicos e científicos das diretrizes terapêuticas, o documento rejeita o uso da substância. “Recomendamos não utilizar hidroxicloroquina/cloroquina, isolada ou em associação com azitromicina, em pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19 em tratamento ambulatorial”, orienta o Ministério da Saúde. “A cloroquina e a hidroxicloroquina não devem ser utilizadas, independentemente da via de administração (oral, inalatória ou outras)”, acrescenta. Mais à frente, porém, na página 25, ao tratar de estudos feitos sobre a eficácia dos procedimentos analisados contra a Covid-19, o Ministério da Saúde afirma que há demonstração de efetividade da cloroquina e que não há a mesma demonstração a respeito da vacina. Ainda isso, o governo indicando um fármaco que comprovadamente não pode ser usado contra a covid. Quando isso vai parar? O que precisamos é que todos se vacinem.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

CRÔNICA SEMANAL DA PANDEMIA – 09-15.01.2022

   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 41 anos em 2021. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br


Semana complicada, essa, quando a pandemia volta fica mais forte com a variante ômicron, aumentando número substancialmente número de casos por dia, com novos recordes e também número de mortes. Trabalhei bastante na revista ESCRITORES DO BRASIL, também no meu livro de viagem. Li um pouco, escrevi outro tanto e assisti um ou outro dos novos filmes que estão no cinema, mas assisti em casa. Continuo vendo o noticiário brasileiro e internacional, não é o melhor programa, mas é preciso saber como as coisas vão andando.

E continuo morando em Lisboa, para ficar perto do neto. No domingo ficamos em casa, que estávamos cansados do passeio do sábado, quando andamos dezoito quilômetros até Belém e voltamos. Na segunda fomos jantar com o Rio um bacalhau a Brás que a mãe dele fez, uma delicia. E brincar um pouco com ele, claro. Brincamos de esconder, lemos um pouco juntos, coisa que fazemos sempre. Rio adora ler um livro e a gente lê com ele. Na terça também fomos visitar o Rio, que a gente não consegue ficar muito tempo longe dele. Na quarta ele veio visitar fofó e fofô, que ele adora vir aqui e almoçou a comidinha da vovó. Mamãe também veio e almoçou conosco. Na quinta pegamos o Rio e passeamos com ele pelo príncipe Real. Apesar do frio, Rio e vovó tomaram um sorvete de polpa de cacau e ele brincou muito no parquinho. Depois fomos ao miradouro do Príncipe Real e Rio olhou a cidade  pelo binóculo que há lá e gostou muito. Na sexta, vovó foi lá brincar um pouco com o Rio e passearam no parque da Estrela. Depois saímos para fazer compras. Os saldos de fim de ano que vão até março foram liberados no dia dez. Muito preço bom, mas vai ficar ainda melhor. No sábado, fomos para a casa do Rio para ficar com ele, pois mamãe e papai viajam para o Porto, para começar a produção do concerto Rua das Pretas no Coliseu de lá. Antes de todo mundo ir dormir, fizemos  uma cuca alemã de amora (aqui, framboesa) e mirtilo. Rio ajudou.

E pandemia vai ficando pior, infelizmente, de novo. Muito mais casos, a cada dia, embora no Brasil os números pareçam baixos, mas há muita subnotificação, devido ao apagão por causa da “invasão de hackers” no SUS. Quem quiser que acredite que esse apagão não foi provocado. O Ministério da Saúde anunciou na segunda que o período de isolamento para pessoas recém-recuperadas de Covid passa a ser menor, diminuindo de 10 para 5 dias para pessoas que estão sem sintomas respiratórios e que tenham resultado negativo para teste PCR ou de antígeno. Além disso, o ministério vai pedir à Anvisa uma autorização para o uso de autoteste no Brasil. Outros países já utilizam esse teste para agilizar o diagnóstico da doença. Atualmente, a venda do autoteste não é liberada no nosso país. Mais cedo, o ministranta da saíude, Queiroga, disse também que a Pfizer antecipará 600 mil doses da vacina pediátrica contra a Covid. Não é muito pouco, não? Vai acontecer o que aconteceu com a vacina para adultos, que começou e parou por falta da compra de doses?

O mundo registrou, na terça, pela 1ª vez mais de 3 milhões de casos de Covid em apenas 24 horas. É o quarto recorde diário nos últimos 8 dias. Essa explosão de infecções é impulsionada pela variante ômicron. Mais transmissível, a variante pode contaminar metade dos europeus até março, segundo alerta da OMS.

A variante ômicron segue avançando assustadoramente no Brasil e no mundo. Um levantamento do Instituto Todos pela Saúde apontou a presença da variante em 98,7% dos mais de 3 mil testes positivos coletados entre 2 e 8 de janeiro, em 24 estados e no DF. Em SP, o número de internados por Covid dobrou e levou o governo a recomendar limitação de público a 70% em estádios e eventos Além disso, a Anvisa recomendou o cancelamento da temporada de cruzeiros no país. Já não era sem tempo. Os testes para diagnosticar a Covid podem acabar por falta de insumos, segundo alerta da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica. A recomendação da entidade é priorizar pacientes graves. Enquanto isso, a Anvisa aguarda documentos do Ministério da Saúde para liberar os autotestes.

Em nota técnica divulgada na quinta, o Observatório Covid-19 Fiocruz trouxe um alerta para o aumento da ocupação de leitos UTIs no Sistema Único de Saúde (SUS). No documento, os pesquisadores destacam, ainda, que é preciso: 1 - reorganizar a rede de serviços de saúde, para dar conta dos desfalques de profissionais afastados; 2 - garantir a atuação eficiente da atenção primária em saúde no atendimento a pacientes com uso, por exemplo, da telemedicina; 3 - e seguir vacinando a população. O mundo registrou 3,6 milhões de casos de Covid em 24 horas e bateu um novo recorde. Os Estados Unidos seguem liderando o ranking de novas infecções (894 mil em 24h), mas a alta desta vez foi impulsionada pela Índia, que registrou seu maior número diário de casos da pandemia (442 mil).

Um menino indígena de 8 anos foi a primeira criança vacinada contra a Covid no Brasil, na sexta. Davi Seremramiwe Xavante recebeu a dose durante um ato simbólico em São Paulo. Nesta primeira fase, a vacinação será apenas para crianças com algum tipo de comorbidade ou deficiência, além de indígenas e quilombolas. Não será necessário apresentar receita médica. Há exato um ano, o Brasil viveu um dos momentos mais dramáticos e tristes de toda a pandemia: a crise do oxigênio no Amazonas. Até hoje, ninguém foi responsabilizado pelo caos sanitário que deixou mais de 60 mortos.

A Pfizer deve pedir o registro do medicamento Paxlovid, pílula antiviral contra a covid-19, na Anvisa nas próximas semanas. A presidente da Pfizer no Brasil, Marta Díez, explica que o medicamento tem 90% de eficácia em pacientes de alto risco com sintomas de covid, para que sejam evitadas a forma grave da doença e a morte.
Então a pandemia está mais forte e precisamos cuidar mais, por conseguinte. Voltemos para a máscara (eu nunca deixei de usar), álcool gel e distanciamento físico.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

DIA DO LEITOR, MÊS DO LEITOR

 


            Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras, Editor das Edições A ILHA e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 41 anos de trajetória. Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br 


O leitor também tem o seu dia. O dia 7 de janeiro é o dia Nacional do Leitor, dia para homenagearmos nossos parceiros, sem os quais não existiríamos. Eu nem sabia que existia este dia, mas gosto da ideia, pois é mais um dia no qual podemos aproveitar para refletir sobre o acesso à leitura por parte de todas as camadas da população. Aliás, por que não um mês? Janeiro, o mês do leitor. Um mês para lembrarmos dos leitores, incentivarmos a leitura, trabalharmos para possibilitarmos aos leitores em formação o hábito da leitura.

Infelizmente, o número de leitores parece não ter a tendência de crescer, apesar do confinamento durante a pandemia, que fez com que tivéssemos mais tempo para ler. Lemos mais, sim, no período que ficamos em casa, mas a julgar pela qualidade do nosso ensino, da nossa educação, que vem proporcionando cada vez menos que os leitores em formação saiam dos primeiros anos do primeiro grau gostando de ler, essa tendência terá sido passageira. Até porque o ensino, no Brasil, que já estava ruim, está ainda pior com dois anos perdidos durante a pandemia, 2020 e 2021, com as escolas fechadas.  

Os estudantes do ensino fundamental estavam chegando ao terceiro, quarto ano sem saber, efetivamente, ler e escrever. O que será agora, depois de dois períodos escolares sem aulas? Nossas escolas públicas estavam, literalmente, caindo aos pedaços, os professores não eram suficientemente qualificados e também nunca foram pagos condignamente. E as próprias modificações que o poder público fez, até agora,  na educação – como mudar a maneira de alfabetizar as crianças, aumentar o prazo para que as crianças sejam alfabetizadas, tentando legalizar a falência do ensino, e transformar as 13 ou mais disciplinas do ensino fundamental e médio em apenas quatro áreas, numa óbvia tentativa de diminuir o conteúdo curricular, diminuíram ainda mais a qualidade que já era ruim. E com o atraso de dois anos na vida escolar de nossos estudantes, o que será daqui pra frente?

Então nossos leitores em formação não são levados, infelizmente, a ter o hábito e o gosto pela leitura, com algumas exceções, pois conheço professores que fazem um trabalho excepcional neste sentido, de dedicação e superação. A qualidade da educação brasileira tem que mudar, tem que ser repensada, o ensino fundamental e médio tem que ser olhado com mais carinho, com mais dedicação, com mais responsabilidade pelos nossos “governantes”, que parecem querer que o povo seja mais ignorante, para que não reivindiquem seus direitos. A educação tem que ser resgatada em nosso país, mas com o governo que está aí isso parece bem difícil.

A leitura abre as portas do conhecimento, da imaginação, da criatividade. A leitura abre as portas para o nosso futuro. Precisamos trabalhar para que mais e mais brasileiros tenham acesso ao livro, não só no sentido de fazer com que eles adquiram a capacidade e o gosto pela leitura, mas que possam comprar livros, esse produto que ainda é caro para a maior parte da população, ainda que usufrua de algumas isenções. Ainda bem que agora temos muitos títulos que podem ser acessados gratuitamente na internet e que podem ser lidos até no celular.

Você, que pode comprar livros, não os deixe guardados em prateleiras ou gavetas. Troque-os, doe-os, empreste-os. Você, que tem livros em pdf ou endereços onde se pode conseguir livros on line, passe-os adiante. É assim, também dessa maneira, que podemos fazer a nossa parte e colaborar para que aumente o número de leitores neste nosso imenso Brasil. É assim que podemos dar oportunidades a todos os leitores. Se cada um de nós fizer um pouquinho, o resultado geral pode ser bem animador.

Nossa homenagem aos leitores de qualquer gênero, de qualquer idade, de qualquer lugar. Continuem a ler e incentivem a leitura. Leiam livros para crianças desde a mais tenra idade, leia livros com as crianças, que elas crescerão gostando de livros. E viva o leitor em formação.