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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SABORES DA MINHA TERRA



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br


Minha terra, Corupá, a Cidade das Cachoeiras, o Vale das Águas encravado ao pé da Serra do mar, no norte de Santa Catarina, não é privilegiado apenas por suas belezas naturais. A pequena cidade, ainda um paraíso para se viver, não tem só as suas dezenas de quedas d´água, seus rios e montanhas, uma geografia das mais belas. Corupá tem sabores que só encontramos lá, naquela terra abençoada.

Não sei nem por onde começar. Acho que as passas de bananas, a popular banana seca, representa bem o que quero dizer, pois Corupá é a capital catarinense da banana. As passas de bananas produzidas lá são as melhores que conheço. E olhe que já experimentei muitas.

O Vale das Águas, apesar da grande vocação turística, é uma cidade primordialmente agrícola. Lá ainda se pode colher muita laranja, muita tangerina, além de xinxins, ponkans e limões. E a tangerina e a laranja, no seu tempo de maturação, são deliciosas e emprestam um matiz dourado aos morros do interior, evidenciando o quanto é rica aquela terra.

Ainda encontramos, em docerias da cidade, tortas de ricota da melhor qualidade. Mas não dá pra esquecer a torta de ricota (quando eu era menino, dizia-se torta de queijo branco ou requeijão) da saudosa dona Helena Thieme. Era uma delícia, era tradicional, era feita sempre da mesma maneira e tinha sempre o mesmo sabor. Acho que a receita se perdeu. Ou foi a mão de quem fazia?

Em Corupá também se faz um queijo de porco que não tem igual em nenhum outro lugar. O que é queijo de porco? Vou tentar explicar: todos os miúdos do porco – fígado, coração, rim, etc., mais pedaços de carne, são temperados e cozidos. Depois coloca-se em formas, conforme o formato que se queira, redondo, quadrado – e deixa-se esfriar. A parte líquida do cozido fica firme como um gelatina e dá pra cortar o “queijo” em pedaços. É muito bom. É calórico, como tudo que é bom, mas vale a pena. O pão de milho que se faz na zona rural de Corupá também é inigualável. E as carás, os lambaris e cascudos que a gente pescava na Cidade das Cachoeiras também eram fantásticos. Será que ainda os há?

Os biscoitos de melado (de Natal) que são feitos em Corupá são os melhores de que tenho notícia. Eles são escurinhos, crocantes e coloridos. E são de melado mesmo.

Aipim com bacon também é uma coisa das mais saborosas que a gente pode comer em qualquer restaurante da cidade. E há muito mais. Mas voltar a Corupá é o mais gostoso, tem gosto de infância.

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