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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

AS FEIRAS E OS LIVROS PARA CRIANÇAS



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
A propósito de algumas feiras do livro que estão acontecendo e acontecerão, ainda, neste final de ano, como a de Florianópolis, nunca é demais discutirmos sobre o reflexo delas na sociedade, notadamente sobre os leitores em formação.
A cada grande feira, como a de São Paulo, a do Rio, a de Porto Alegre, podemos constatar que crescem as opções referentes à Literatura Infantil. E a cada final de feira verifica-se que o gênero que mais vende é o da Literatura Infantil e Infanto-juvenil. Provavelmente porque os livros infantis são mais baratos. Pode ser.
As feiras e bienais do livro realmente tem privilegiado a literatura infantil e infanto-juvenil e é importante que isto aconteça, porque temos de dar prioridade ao leitor em formação. Precisamos oferecer cada vez mais livros para crianças, de todos os tamanhos, cores e formatos, de texturas e até mídias diferentes, avulsos, em pacotes ou pequenas coleções.
E os eventos literários como feiras, bienais e festivais e festas literários têm oferecido quantidade e variedade no gênero infantil e infanto-juvenil, tanto os clássicos como a produção contemporânea, pois temos ótimos autores, além das produções importadas. Há livros de contos e fábulas do tamanho de um CD e há livros gigantes, do tamanho de um jornal. Há livros infantis para todos os gostos e bolsos.
E vendem, vendem muito. Eu, que não tenho mais filhos pequenos, compro livros infantis para dar de presente a sobrinhos e filhos de amigos. Vê-se, nas feiras e bienais, crianças em companhia da família, crianças levadas pelas escolas, até crianças muito pequenas, que provavelmente nem sabem ler ainda, com moedas e notas de um real escolhendo, elas mesmas, o livro que vão comprar. Até meninos de rua fazem-se presentes, contabilizando trocados para comprar o seu livro – o primeiro, talvez.
Sim, é verdade, os livros infantis vendem também porque são baratos, muitos deles, principalmente aqueles tradicionais, que não pagam mais direitos autorais. Mas quando do resultado final das feiras, o valor da venda desses livros é bastante expressivo em relação aos outros gêneros.E se o livro infantil pode ser vendido mais barato, por que os outros não podem? Reconheço que os livros infantis têm menor número de páginas, mas em contrapartida têm muito mais cores – isto significa mais impressões, maior custo. E sabemos que, por venderem mais, as tiragens são maiores, o que faz com que o preço da unidade possa ser menor.
Mas vemos, também que outros livros, de literatura clássica e contemporânea, são publicados em grandes tiragens para serem vendidos em bancas de jornais e revistas, por preços bem mais convidativos do que aqueles que são cobrados nas livrarias pelas edições “convencionais” das mesmas obras. Isto significa que há alternativas para colocar o livro – não só o infantil – ao alcance de todos os leitores.
Destacamos o quanto as grandes feiras (e por que não as pequenas?) de livros têm nas crianças, esses leitores em potencial, o seu principal alvo, porque é por eles que devemos começar, para que se leia mais neste país: precisamos colocar livros nas mãos das crianças, desde a mais tenra idade, para que elas aprendam a gostar de ler.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

ASSASSINAMOS NOSSOS RIOS



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras.


Dia 24 de Novembro é o Dia do Rio. Nada tão oportuno. Este é um dia que deveria ser mais divulgado, para lembrarmos que precisamos proteger nossos rios, ao invés de poluí-los, de envenená-los, de matá-los.
Já existem muitos rios mortos por esse mundo afora, como o Cachoeira, de Joinville, como o Rio Doce, em Minas, que foi assassinado agora, bem recentemente, junto com cidades, peixes, pessoas, meio ambiente, tudo. E. com tamanho crime, o país se comporta como se fosse simplesmente uma fatalidade. Quando vamos acordar? Quando vamos entender que o rio é vida, que o ser humano não vive sem água, que tanto o reino animal como o vegetal precisam de água para sobreviver?
Há urgência não só em cuidar dos rios que ainda estão vivos, mas também em limpar os rios mortos, fazê-los renascer. Porque os rios é que fornecem a água para as nossas cidades, para as nossas casas. Se destruirmos os rios, ficaremos sem água. E sem água potável, não há vida para nós, seres humanos.
Então precisamos parar de jogar lixo nos rios, precisamos parar de jogar esgoto nos rios, tanto doméstico quanto industrial. As leis brasileiras precisam mudar e proibir a contaminação da água e da terra com metais venenosos, que acabam indo parar, mais cedo ou mais tarde, em nossos rios e, consequentemente, no mar.
Vemos esgotos de prédios e de indústrias desembocando nos nossos rios e ninguém faz nada. Nem nós, que deveríamos exigir que fossem tomadas providências, nem o poder público, que deveria coibir tais práticas.
E não é só isso que mata nossos rios. O agrotóxico usado na agricultura escorre para os rios e os contamina. A criação de animais, da agropecuária, quando não trata os rejeitos adequadamente, também contamina os rios, pois tudo acaba sempre escorrendo para um deles. Mas há que se coibir a contenção de rejeitos de mineração com produtos químicos e metais, seja aonde for, riscos desnecessários rondando nossos rios e cidades.
E precisamos começar por nós, em nossas casas, pois mesmo o lixo comum, que acumulamos todo dia, jogados no rio, ou no riacho, acabam colaborando para matar um pouquinho nossos rios.
Há que reflitamos sobre o nosso tratamento aos nossos rios, melhor dizendo, nosso descaso e desrespeito. Se não nos conscientizarmos urgentemente de que devemos preservar nossos rios, não teremos mais água amanhã. O tempo está correndo e temos pouco tempo. Nossos rios pedem socorro. E eles são o nosso socorro. Sem eles não vivemos. Sem água não vivemos. Então eles precisam viver. Precisamos de rios vivos para podermos viver. O futuro sem água não existe.

sábado, 21 de novembro de 2015

MAIS UM ANIVERSÁRIO DE CRUZ E SOUSA



       Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras.  Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br        
 
No dia 24 de novembro deste ano de 2015, o maior poeta catarinense de todos os tempos, Cruz e Sousa, completaria 154 anos de nascimento. Para comemorar, a terra onde ele nasceu, Florianópolis (ou Desterro, à época do seu nascimento), não parece ter preparado muita coisa para comemorar. E deveria, para se desculpar pelo reconhecimento que o grande poeta não teve em vida. Mas nada será o bastante para apagar o abandono em que o poeta morreu. São cento e desessete anos que o poeta, filho desse chão catarinense de renome mundial, se foi e nem a reforma do seu “Memorial”, um puxadinho atrás do Palácio Cruz e Sousa, inaugurado em 2010, depois de anos de atraso, abandonado desde então, foi providenciada.

Aliás, nenhuma homenagem que fosse feita, nenhuma comemoração poderia ter lugar no Memorial que leva o nome do poeta, inaugurado em 2010, com atraso, ao lado do Palácio Cruz e Sousa, onde estão depositados os restos mortais dele.
O Memorial ficou entregue ao tempo, sem nunca ser usado, nem com eventos culturais, nem para visitação, finalidades primeiras do lugar, só deteriorando sem nenhuma manutenção. Várias promessas já foram feitas, por sucessivas “administrações” da Fundação Catarinense de Cultura, mas nenhuma obra sequer foi iniciada. Anos se vão e novos anos se iniciam, sempre com promessas, mas nunca nenhuma foi cumprida. A morada do grande ícone do Simbilismo virou depósito de móveis velhos, caindo aos pedaços. Que Estado é esse que não respeita seus maiores nomes? Pra que Secretaria de Esporte, Cultura e Turismo, Fundação Catarinense de Cultura, etc., se não preservamos a memória do maior representante da cultura  e da arte deste Estado?
Mas tem mais. Filipe Mello, à frente da Secretaria do Esporte, doTurismo e da Cultura, em Santa Catarina – ele é contrário ao desmembramento da pasta, para que se crie uma secretaria esclusiva para a cultura - deu entrevista a três jornais catarinenses, há alguns meses, sobre as ações principais que deve implementar nos próximos cinco anos no cargo.
Muito louváveis as providências que deverão ser tomadas – e necessárias, inadiáveis. Mas pelo menos um ítem causa estranhamento. Como todo o imenso atraso, até agora, na reforma do Memorial Cruz e Sousa, olhem o que o secretário diz sobre a sua “reforma”: “O Memorial Cruz e Sousa foi inaugurado em 2010 e o Deinfra, que fez a fiscalização da obra, entendeu que a forma de execução da empresa contratada na época não foi correta. Há uma ação judicial proposta pela Procuradoria do Estado para que a empresa devolva os recursos e seja penalizada. Independentemente disso, já estamos desenvolvendo um projeto de reutilização dos jardins do Palácio Cruz e Sousa, que prevê a disponibilização do espaço, por meio de uma taxa cobrada pela FCC, para apresentações artísticas, casamentos, lançamentos e eventos de negócios, por exemplo.”
Perceberam que não se falou da reforma do Memorial, mas “utilização dos jardins”? Quer dizer que o Memorial Cruz e Sousa vai virar um salão de festas de aluguel? Grande homenagem ao maior poeta catarinense, não?  Será que depois de todo este tempo abandonado, por incompetência do  Estado, ele vai desaparecer definitivamente? Seria a cereja do bolo. O cúmulo do desrespeito, primeiro para com Cruz e Sousa e depois para com o povo catarinense.
A presidente da FCC também foi à televisão falar do Memorial, e deu a seguinte desculpa para não terem feito nada com relação às reformas no decorrer de todos esses cinco anos: não mexeram na construção, para que pudessem cobrar da construtora, que não fez o serviço corretamente. E esperaram cinco anos, sem “mexer” para cobrar de uma construtora falida? Desculpa esfarrapada, não? E a fiscalização da FCC e do governo do Estado, que não viu que o serviço estava sendo mau feito?
Mais um aniversário de Cruz e Sousa  e o seu “Memorial” continua fechado, intocado, apodrecendo no tempo. Grande comemoração, não?
  Com a palavra a “cultura” do nosso Estado.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

LITERATURA TEM IDADE?



      Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Florianópolis tem o Projeto Floripa Letrada, que consiste em estantes nos terminais de ônibus, onde são disponibilizados livros, revistas e apostilas. A proposta é que os usuários dos ônibus urbanos levem os livros para ler e depois devolvam, para que outras pessoas possam fazer o mesmo, mas aqueles que devolvem são muito, muito poucos.
O projeto existe e persiste graças a doações de empresas e pessoas físicas e, como disse acima, nos últimos anos o forte do que era oferecido nas estantes eram as apostilas didáticas ou técnicas, novas ou usadas. Algumas defasadas, mas outras em perfeito estado para serem usadas. Eu até peguei uma apostila de inglês e outras de matemática e as usei.
Mas há algumas semanas, a gente tem encontrado livros literários mais frequentemente e em maior quantidade nas estantes do Floripa Letrada. Livros antigos, mas obras importantes de autores consagrados, como Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, Pedro Bandeira, Salim Miguel, Sérgio da Costa Ramos, Pedro Block, Dostoievski e tantos outros.
Pelo carimbo que tem em todos os livros, fica-se sabendo que os livros eram da biblioteca de um grande colégio da capital, tradicional e ainda elitista. É interessante que no tal carimbo consta o nome do colégio e a esclarecedora observação: “Baixa de acervo”.
Acho ótimo que disponibilizem obras de qualidade para a leitura dos usuários do transporte público, pois temos a oportunidade de ler bons livros sem ter que pagar nada, mas fico pensando aqui com meus botões: a boa literatura fica velha?  Nunca vi uma escola se desfazer do acervo de sua biblioteca assim, descartando todos os livros publicados há mais de uma década, como se não servissem mais para os seus alunos, como se estivessem completamente defasados para aquela escola.
Já vi, infelizmente, uma escola de uma cidade vizinha jogar fora – jogar no lixo, mesmo -, livros didáticos novos. O diretor foi despedido. Mas descartar livros de uma biblioteca por serem velhos, é novidade. O livro pode até ficar velho, mas a obra, não. Será que a escola só queria abrir espaço, nas suas dependências, para outra atividade? Eu poderia dizer que fizeram bem porque os livros seriam lidos novamente por vários leitores, cada um daqueles volumes descartados, mas como mencionei acima, o propósito de ler e devolver ao projeto Floripa Letrada não é cumprido. Então os estudantes que se renovam a cada ano, na escola que cedeu os livros, poderiam ler e recriar a escritura de tantos autores muito mais vezes. De qualquer maneira, eles terão, espero, livros mais contemporâneos para ler. E nós, cá de fora, teremos as obras que foram publicadas há mais tempo, graciosamente. Menos mau.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SABORES DA MINHA TERRA



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br


Minha terra, Corupá, a Cidade das Cachoeiras, o Vale das Águas encravado ao pé da Serra do mar, no norte de Santa Catarina, não é privilegiado apenas por suas belezas naturais. A pequena cidade, ainda um paraíso para se viver, não tem só as suas dezenas de quedas d´água, seus rios e montanhas, uma geografia das mais belas. Corupá tem sabores que só encontramos lá, naquela terra abençoada.

Não sei nem por onde começar. Acho que as passas de bananas, a popular banana seca, representa bem o que quero dizer, pois Corupá é a capital catarinense da banana. As passas de bananas produzidas lá são as melhores que conheço. E olhe que já experimentei muitas.

O Vale das Águas, apesar da grande vocação turística, é uma cidade primordialmente agrícola. Lá ainda se pode colher muita laranja, muita tangerina, além de xinxins, ponkans e limões. E a tangerina e a laranja, no seu tempo de maturação, são deliciosas e emprestam um matiz dourado aos morros do interior, evidenciando o quanto é rica aquela terra.

Ainda encontramos, em docerias da cidade, tortas de ricota da melhor qualidade. Mas não dá pra esquecer a torta de ricota (quando eu era menino, dizia-se torta de queijo branco ou requeijão) da saudosa dona Helena Thieme. Era uma delícia, era tradicional, era feita sempre da mesma maneira e tinha sempre o mesmo sabor. Acho que a receita se perdeu. Ou foi a mão de quem fazia?

Em Corupá também se faz um queijo de porco que não tem igual em nenhum outro lugar. O que é queijo de porco? Vou tentar explicar: todos os miúdos do porco – fígado, coração, rim, etc., mais pedaços de carne, são temperados e cozidos. Depois coloca-se em formas, conforme o formato que se queira, redondo, quadrado – e deixa-se esfriar. A parte líquida do cozido fica firme como um gelatina e dá pra cortar o “queijo” em pedaços. É muito bom. É calórico, como tudo que é bom, mas vale a pena. O pão de milho que se faz na zona rural de Corupá também é inigualável. E as carás, os lambaris e cascudos que a gente pescava na Cidade das Cachoeiras também eram fantásticos. Será que ainda os há?

Os biscoitos de melado (de Natal) que são feitos em Corupá são os melhores de que tenho notícia. Eles são escurinhos, crocantes e coloridos. E são de melado mesmo.

Aipim com bacon também é uma coisa das mais saborosas que a gente pode comer em qualquer restaurante da cidade. E há muito mais. Mas voltar a Corupá é o mais gostoso, tem gosto de infância.