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sábado, 11 de julho de 2009

MÚSICA, UMA MÁQUINA DO TEMPO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

As homenagens aos cinqüenta anos de carreira do cantor Roberto Carlos têm feito com que muita música da Jovem Guarda toque de novo na TV, no radio, na Internet e nos nossos aparelhinhos de MP3, MP4, etc. Eu tenho muita música antiga no meu MP3, no notebook, no desktop, já fiz muita seleção de músicas dos anos 60, 70, 80 em CD e música clássica, também.
Mas não tenho ouvido muito. Descubro, vendo mais um programa sobre Roberto Carlos, com ele, com covers dele e mais gente da Jovem Guarda, que me dá uma angústia no coração, uma inquietação, quase uma sufocação e eu penso, até, que devo chamar isso de saudade.
É impressionante como a música tem o poder de reviver acontecimentos passados, felizes ou não, com tanta clareza, com tanta fidelidade, que até dói a alma por nos vermos impotentes na tarefa de revivê-los ou esquecê-los para sempre . O tempo passa e não é possível voltar atrás, mas a música traz as sensações de tempos idos e a melancolia, a sensação de perda é inevitável. Eu diria que a música é potente máquina do tempo, é o punhado de memória que é capaz de transportar a gente para épocas passadas e faz a gente constatar que não é possível viver de novo o que se foi.
Queiramos ou não, ao ouvirmos determinadas músicas a gente sente cheiros de tempos que ficaram bem pra trás, sente emoções que foram sentidas há muito, sente sabores e até sentimentos a música traz de volta.
A música transporta a gente para o passado, mas sabemos que é só uma olhadela de soslaio em alguma coisa que vivemos e que não podemos reproduzir aquilo que ela nos deixou rever, por mais que queiramos.
Acaba uma canção, começa outra e o coração vai se avolumando, ameaçando ficar pequeno com tantas lembranças que vão se sucedendo, inflando-o cada vez mais. Então é preciso voltar ao presente, viver o presente e ouvir a música deste tempo presente, para gravar a trilha sonora do agora, que será memória mais tarde.