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sábado, 11 de setembro de 2010

AS BIBLIOTECAS DE NOSSAS ESCOLAS

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Andei visitando bibliotecas de algumas escolas, tanto estadual quanto municipal - a gente vai às escolas e acaba não passando pelas suas bibliotecas e isso é imperdoável - e constatei alguns fatos que passam desapercebidos pela gente, se não somos professores atuantes. Como sou professor, mas não estou na ativa, vou prestar mais atenção nas bibliotecas escolares daqui por diante.
Por exemplo: as escolas estaduais não têm bibliotecário, porque o estado não supre suas bibliotecas com esse profissional. O que há, nas escolas do estado, quando há, é um professor "readaptado" (e dedicado) que cuida da biblioteca e a organiza.
Depois disso, entendi porque, quando ia à escola estadual da minha cidade natal, pedia pelo bibliotecário para verificar quais livros meus já estavam no acervo da biblioteca daquela escola, para complementar com os que faltavam, e a diretora me dizia que ele não estava. Ela dizia que não estava, não que ele não existia, mas provavelmente não havia bibliotecário naquela escola. Podia até haver alguém que cuidasse dos livros, mas não era o profissional que eu procurava.Esperemos que o próximo governo que tomará posse no próximo ano resolva esse problema, pois nossos estudantes merecem ser bem atendidos nas bibliotecas de suas escolas. Não que não sejam em muitas delas, mas a verdade é que falta o profissional bibliotecário e as escolas têm que se virar para cuidar das suas bibliotecas.
Por outro lado, verifiquei que o estado e a União têm enviado livros às escolas. Vi vários livros com o selo do nosso estado, embora dentre todos, apenas três de autores catarinenses: os clássicos Cruz e Sousa e Luiz Delfino, que não podem faltar e Salim Miguel. Isso sem falar do livro do Tezza, comprado aos milhares pelo estado, distribuído aos alunos do segundo grau, por que era obra selecionada para o vestibular, e depois recolhido e mandado aos montes para bibliotecas municipais. A impressão que se tem é que não há mais escritores catarinenses além desses.
E vi, também, muitos bons livros infantis enviados pelo MEC, inclusive um de Mario Quintana, embora também não tenha visto nenhum exemplar infanto-juvenil de autor catarinense. E olhe que os temos, de muito boa qualidade, alguns de renome nacional.
A lição que ficou é que precisamos acompanhar mais de perto a evolução das bibliotecas das nossas escolas estaduais e as municipais também. Porque precisamos cobrar mais atenção do estado para com elas e dos municípios também.

sábado, 13 de março de 2010

AS NOVAS E AS VELHAS BIBLIOTECAS

Lendo, há algum tempo, notícia sobre a Lei do Livro, de autoria do senador José Sarney, lembrei-me da necessidade de as bibliotecas municipais e escolares terem, em seus acervos, os clássicos da literatura brasileira e portuguesa e também as obras de autores contemporâneos. É de importância vital que as bibliotecas das escolas tenham clássicos como as obras de José de Alencar, Machado de Assis, Joaquim Manoel de Macedo, Bernardo Guimarães, Aluísio de Azevedo, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e outros autores representativos, pois do contrário, os pais de alunos de primeiro e segundo grau vão continuar tendo que comprar esses livros, além de títulos de autores atuais, no enxoval de seus filhos, todo ano. E sabemos que é pesado, muito pesado para a maioria dos pais que têm filhos na escola pública, comprar diversos obras que são pedidas a cada ano, para as aulas de língua e literatura, além dos livros didáticos, todo o material escolar, uniforme, etc.
Muitas escolas e muitas cidades, pelo Brasil afora, nem sequer têm biblioteca. Muitas bibliotecas existentes em algumas escolas e em algumas pequenas cidades do interior (e nas grandes, também!), têm um acervo de livros antigos, dificilmente atualizado, por falta de recursos ou repasse de recursos para isso. Moro numa capital e vejo isso há um bom tempo: não adianta procurar um lançamento, um título novo na biblioteca municipal ou estadual, que dificilmente o encontraremos.
Nas escolas, o professor pede um livro que a biblioteca da escola não tem e o aluno vai procurar na biblioteca municipal, se ela existir, e pode não encontrá-lo lá, também, tendo que comprá-lo. Muitas bibliotecas escolares e municipais, aumentam seus acervos com doações. Eu mesmo já doei muitos livros para iniciar ou ampliar algumas bibliotecas de escolas do interior, pois quando a gente muda de uma casa para apartamento, acaba não tendo espaço para guardar todos os livros.
Há alguns anos, o MEC distribuiu livros para os alunos da quarta e quinta séries do primeiro grau das escolas públicas – cinco títulos de clássicos para cada aluno – e trinta para as escolas começarem uma biblioteca ou ampliar onde já existia uma. Isso deveria ter dado um impulso na criação de novas bibliotecas em escolas de todo o país, o que na verdade não aconteceu. Com a nova Lei do Livro, uma política nacional do livro que determina que “a União, os estados e os municípios passem a destinar verbas anuais para construir novas e manter as atuais bibliotecas públicas do país” teria vindo em muito boa hora, para que nenhuma cidade fique sem um lugar apropriado onde localizar os clássicos e também novos lançamentos do mercado. E para que pais não tenham que comprar livros que não podem pagar e os filhos não acabem lendo apenas resumos das obras.
Infelizmente, como tantas outras leis, essa também não está sendo cumprida à risca.