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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

LIVROS A BORDO



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br/  

Há algum tempo vi uma notícia sobre um barco antigo, construído em 1920 para o transporte de carvão, que se transformou, no ano passado, em livraria, ou sebo. Ele leva um acervo de livros de segunda mão para serem vendidos a preços baixos por cidades da Europa.

O barco-livraria, chamado de “Word on the Water” – A palavra sobre a água – oferece títulos da literatura clássica, livros sobre política, filosofia e para o público infantil.

Depois de mais algumas informações sobre o barco, a matéria termina com a pergunta: Você conhece alguma iniciativa deste tipo pelo Brasil?

Muito a propósito a pergunta, pois eu conheço, sim, uma iniciativa parecida. A Barca dos Livros- Porto de Leituras é uma biblioteca comunitária, mantida pela Sociedade Amantes da Leitura, com sede na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, que defende a importância da leitura para o desenvolvimento comunitário e individual. Tem a missão de facilitar o acesso ao livro e à leitura através do atendimento diário e gratuito à comunidade, promovendo a formação de leitores e de mediadores de leitura. Muitas atividades são levadas a efeito para conseguir cumprir essa missão: passeios de barco com sessões de contação de histórias, visitas de escolas, saraus literários, encontros de autores e lançamentos de livros, exposições de artes, encontros de leitura, noites de prosa, canção e teatro, apresentação de cinema, teatro e música, cursos e oficinas literárias.
É através da Barca dos Livros que os moradores do entorno da Lagoa da Conceição, tanto as crianças como os adultos, podem ter material para leitura e outras atividades culturais. Bom poder responder à pergunta da matéria e poder dizer que nós temos, sim, uma iniciativa parecida aqui na nossa comunidade.

O livre acesso à leitura é de suma importância, seja onde for e de todas as maneiras possíveis. Precisamos fazer chegar o livro até o leitor, precisamos colocar o livro na frente dos olhos do estudante dos primeiros anos do primeiro grau, leitores em formação, e aos leitores de qualquer idade.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

BBB: A CULTURA DO BRASIL



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. - http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br/

Infelizmente, começou um novo Big Brother Brasil. Só o fato de haver uma nova edição dessa coisa sofrível que chamam de reality show, já é um retrocesso. São mais de dez edições, atestando que, realmente, uma boa parte dos brasileiros faz questão de se revelar um povo subdesenvolvido, praticamente sem cultura nenhuma, ao absorver um programa de tão baixa qualidade. Felizmente há quem saiba escolher e opte por um programa não tão ruim da televisão, ou pela leitura de um livro, um bom filme, boa música, uma boa peça de teatro.

Em outros países, a moda até passou, mas no Brasil, não. Há até quem assine um canal TV paga que mostra a “atividade” na casa vinte e quatro por dia. E são milhares de assinantes.

O tal Big Brother não tem nenhum ponto positivo e a cada edição fica pior. As piores qualidades dos participantes do “show” são valorizadas, para dar mais “ibope”. Vale tudo: baixaria, mau caráter de uns e outros, até sexo. Numa das últimas edições, no entanto, não foi apenas sexo: um dos moradores da casa teria estuprado uma moradora, embaixo do edredom. Virou escândalo nacional e acabou exacerbando a curiosidade e até daqueles que não viam o malfadado programa, acabaram dando uma “espiada”.

O brasileiro precisa analisar melhor o que anda consumindo, precisa escolher melhor o seu tipo de lazer. Há que saber escolher o que ver na TV, há que se ler um bom livro, de vez em quando, estudar mais, fazer cursos para se encaixar melhor no mercado de trabalho e melhorar a renda. Precisamos gerenciar melhor o nosso tempo. Precisamos elevar o nosso nível de cultura. E não venham, por favor, me dizer que “não podemos fazer tudo isso porque somos pobres”. Sempre podemos aprender mais.

Felizmente há quem abomine o tal BBB e esperamos que isso acabe de vez.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

PRECISAMOS FAZER UM BOM 2016



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

2016 começou e mais do que nunca ele será um ano para lutarmos muito para que ele seja um ano bom. Apesar da corrupção, da impunidade e até da falta de justiça, neste nosso país de negociatas “políticas” em volta do poder, é preciso não desistir e ter vontade de mudar.  É desesperador ver que estão roubando o dinheiro público que é o nosso dinheiro, o dinheiro que pagamos de impostos e taxas e, pior, estão fazendo com que nós é que tenhamos de devolver o que foi roubado, quer dizer: estamos sendo roubados duas vezes – é preciso rever o nosso futuro, é preciso verificar quem nos governa e saber votar quando for a hora.
E é preciso cuidarmos bem do nosso meio ambiente, do lugar onde vivemos, do ar, dos rios, do mar, da terra. Se não respeitarmos a natureza, ela também não terá como nos devolver respeito e segurança. É uma troca natural e justa. Então, temos que ter responsabilidade e esperança.
Temos que fazer deste ano o ano da conscientização e do propósito de cuidar do nosso lar, cuidar do nosso planeta Terra, que até aqui só fizemos tentar matá-lo. E ele está estertorando. Então, este novo ano terá que ter a marca da renovação, da certeza de que podemos mudar, de que podemos provocar mudanças em nós e no próximo, de que essas mudanças precisam começar e podem trazer, oxalá, condições de vida melhor para todos se tivermos um planeta mais vivo, mais saudável, com o meio ambiente e a natureza protegidos.
E essa esperança de um futuro melhor, sem poluição do ar do nosso planeta, da água, do mar e do solo, vai nos trazer uma coisa não menos importante: a paz. Precisamos plantar, cultivar e disseminar a paz, sem a qual todo o resto, até a esperança, será em vão. E sabemos que nós somos o instrumento da paz, os construtores da paz, os responsáveis pela sua existência e permanência.
Não podemos contar com uma transformação instantânea, com a correção dos erros do passado em um piscar de olhos. Mas precisamos começar. Com urgência. Temos que participar da renovação, com solidariedade e honestidade, fazendo cada um a sua parte.
Nossa sociedade está imersa em uma era de corrupção e mentiras e precisamos redirecionar essa energia para o cuidado necessário que temos de ter com o nosso pequeno mundo e com as pessoas que vivem nele, entrando em uma nova era, esta de transparência e verdade. Impossível? Este é o ano da esperança e da realização, não haverá esperança se não tentarmos construir um futuro melhor. Temos que trabalhar e contribuir para que a natureza seja nossa aliada, neste caminho para a paz, e não nossa inimiga. Temos que parar de desafiá-la e protegê-la. Precisamos nos unir a ela para salvar nosso planeta.

domingo, 3 de janeiro de 2016

COMEÇA UM NOVO ANO



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br  

Um ano novo acaba de nascer e o sol, mesmo intercalado com a chuva, o jacatirão florido, o flamboiã espalhando vermelho pelas calçadas, me dizem que 2016 será bom. Precisa ser melhor. Tem de ser melhor. Tivemos um 2015 muito difícil, repleto de corrupção e impunidade que fizeram o país mergulhar em desemprego, inflação, etc., etc.

Por isso, não desejo muito deste novo ano. Peço apenas o possível: crianças na escola, velhos assistidos, ou seja: educação e saúde neste nosso Brasil e por todo este mundão de Deus; trabalho para todas as pessoas e alimento na mesa de todos, em qualquer lugar; ética e honestidade em todos as atividades do ser humano, principalmente na "política" e conscientização geral de que precisamos preservar a natureza para que haja um futuro amanhã.

Que saibamos cuidar do nosso meio ambiente. Que paremos de desmatar, que possamos diminuir a poluição, para que nossos filhos e netos possam ter um mundo viável mais adiante. Não quero, para todos nós, filhos de Deus, uma felicidade instantânea e fácil; quero uma felicidade conquistada, verdadeira e merecida. Uma felicidade perene.

Quero sorriso no rosto das pessoas, mas não sorrisos tristes. Quero sorrisos iluminados, pejados de fé e esperança, que se não os houver, não haverá vida. Quero luz no olhos de toda a gente, faróis a apontar o caminho. Quero paz no coração de todo ser humano, quero carinho a semear ternura, quero uma canção em todos os lábios, a propagar a fé.

Quero pedir aos homens, principalmente aos que detém o poder, o fim das guerras, que o seu coração foi feito para abrigar a paz, e seus lábios, suas mãos e seus olhos foram feitos para disseminá-la. O homem não foi feito para deter o poder em suas mãos e com este poder destruir seu semelhante. Peço à força maior que rege o universo que erradique do coração do homem a ganância, a inveja, o ódio, a indiferença.

Não estou pedindo nada impossível, tudo o que peço pode se tornar realidade, se todos quisermos. E precisamos querer, para que este próximo ano que se inicia seja bom, seja melhor que os anteriores. Para que os nossos sonhos possam continuar, para que possamos ter esperança de realizá-los.
Felizmente, somos teimosos e não perdemos a esperança no futuro. Haveremos de ter sempre essa esperança abençoada que nos impulsiona a viver. Então, estamos impregnados de esperança e de desejo de paz para iniciar o próximo ano. Precisamos iniciar uma nova era, a era da paz, da honestidade, da conscientização, da justiça verdadeira. Utopia? Sonho? Mas o sonho é esperança! Se não tivermos sonhos, o que será da esperança? E o sonho e a esperança podem e devem nos levar à realização.
A poesia aguça a nossa capacidade de amar, de sermos solidários, de preservar a vida e a natureza, de cultivar a paz. E precisamos disso para iniciar o ano novo.

sábado, 19 de dezembro de 2015

OLHAR E VER JACATIRÕES



Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Voltando de Corupá, no norte da nossa Santa e bela Catarina, numa manhã luminosa deste final de dezembro, não pude deixar de agradecer ao Criador por meus olhos míopes. Vendo a profusão  de jacatirões floridos colorindo as matas dos dois lados da BR 101, da BR 280, da SC 413 (e tantas outras que cortam o estado), dei-me conta do valor dos meus olhos, mesmo que já estejam gastos pelo tempo, que já não sejam mais tão eficientes, que eu tenha que usar óculos. É um privilégio poder ver tanta beleza.
Não me imagino sem poder enxergar esse espetáculo vivo que a Mãe Natureza nos oferece, essa festa de cores e luzes que a generosidade dessa árvore majestosa que é o jacatirão nos proporciona.
Tenho quase certeza de que o Criador escolheu a flor do jacatirão para enfeitar a nossa velha Terra para a chegada do Seu filho a este mundo. E é tão pródiga essa beleza que Ele nos legou, que outras árvores esplendorosas como o flamboiã, como o jacaradá, como o ipê, juntam-se ao jacatirão, nesta época de Natal e de ano novo chegando, para colorir ainda mais as nossas matas, nossos caminhos, nossos jardins e nossas casas. Mesmo que não seja a época de florescência de algumas delas, mas com o descompasso do tempo que vem ocorrendo nos últimos anos, pelo menos uma coisa boa isso nos proporciona: árvores de épocas diferentes florescendo ao mesmo tempo, um milagre de Natal.
Então agradeço, todos os dias, por meus olhos que podem olhar e ver essa natureza de beleza incomensurável. Por que não basta apenas poder olhar, é preciso olhar e ver.
Você, leitor do norte de Santa Catarina, olhe pela janela de casa, pela janela do carro, olhe para os lados quando estiver caminhando, que você certamente vai ver, nem que seja ao longe, uma mancha vermelha no verde da mata ou simplesmente à beira do caminho. São os jacatirões. Olhe e veja. Mais de perto, é um degradé que vai do branco até o vinho. E lembre que aquela é uma mensagem pejada de votos de Feliz Natal e de um Ano Novo Próspero, de um Menino Eterno que está nascendo mais uma vez e de seu pai, que ainda acredita em nós. Apesar de tudo. E nos dá a possibilidade do recomeço, do renascer.