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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

ACOLHER BEM O GRANDE CRUZ E SOUSA


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Tenho escrito, repetidas vezes, sobre o abandono do Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, mas que só foi inaugurado depois do aniversário de 2010, na capital catarinense. Mas o descaso continuou. O espaço era pequeno para se realizar ali atividades culturais, literárias, eventos com algum público, por menor que fosse. Quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, seria um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais. Mas a verdade é que o espaço era e continua sendo pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher reunião de pessoas.
Eu estive lá para comprovar o fato, várias vezes. Mais uma vez, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Promete espaço onde se poderia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não dá condições para isso, pior. Promete um lugar honroso para o descanso do nosso grande poeta, mas mais uma vez o dinheiro público foi jogado no lixo, pois o Memorial, durante todos esses anos, está fechado, apodrecendo no tempo.
A Fundação Catarinense de Cultura, que é quem administra o imóvel, prometeu várias vezes  reformar o Memorial, assim como a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura, para torná-lo usável. Além de tudo, o referido Memorial está construído sobre a Casa de Força do Palácio Cruz e Sousa. Levou tanto tempo, mais de dois anos, desde a chegada dos restos mortais do poeta até que se inaugurasse o Memorial – pela metade, pois o projeto previa mais benfeitorias – e ninguém percebeu que estava sendo construído em lugar impróprio do jardim do Palácio, que era muito pequeno, que não seria possível realizar nenhum evento em espaço tão exíguo? Trouxeram para cá os restos mortais do maior poeta de Santa Catarina, quiçá do Brasil, e o trancaram de volta na senzala, sem direito a visitas.
Pois estamos em 2017 e o Memorial continua lá, totalmente abandonado, apodrecendo, sem que ninguém levante uma palha. O Secretário de Estado do  Turismo, Esporte e Cultura anterior, substituído no final de 2016, que deveria ter tomado providências a respeito, não fez nada, aliás, não fez nada em prol da cultura em Santa Catarina. O que ele fazia – e ainda faz – é aparecer, em jornais e na TV, prometendo coisas que não cumpre. Deve estar se preparando para se candidatar a algum alto cargo político, como todo político faz. Um zero à esquerda, como disse a poetisa Maura Soares. Será que o atual Secretário de Turismo, Esporte e Cutlura vai fazer alguma coisa? Será que as coisas vão mudar? Dúvida cruel.
A única coisa que fizeram, nos últimos tempos, foi tirar os restos mortais de Cruz e Sousa do malfadado “memorial” e colocar, há pouco tempo, no Palácio Cruz e Sousa. Um lugar menos humilhante para os restos mortais do grande Cruz e Sousa, que trazidos do Rio de Janeiro, em solo catarinense sofreu todo tipo de descaso e desrespeito.
Uma sugestão de algumas pessoas ligadas à cultura e não à politicagem, é a seguinte: já que o Memorial não merece nenhuma atenção do poder público para consertar a incompetência de quem o construiu, por que não depositar os restos mortais do Poeta Maior na Igreja  de Nossa Senhora  do Rosário? Como disse Damião, em sua coluna, Cruz e Sousa foi criado pelo Marechal Guilherme, que vivia justamente no entorno do templo católico central, que ele frequentava quando jovem. Então seria um lugar pelo menos mais respeitoso do que o “Memorial” da incompetência e da irresponsabilidade, do descaso e do desrespeito para o  maior representante das nossas Letras, em todos os tempos.

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