Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Tenho duas notícias, uma boa e outra ruim. Vou começar pela boa. Em uma ou duas crônicas, no decorrer do mês passado, falei do sol particular da minha rua, que parecia ter definhado. Falo do ipê que floresce espetacularmente todo ano, mas nesse 2010 ele perdeu todas as folhas e parecia ter secado. Os outros ipês foram florescendo, por aqui e por outras regiões do Estado, mas ele continuou com os galhos desnudos, inerte e eu temia que estivesse morto.
Pois há alguns dias vi abrir uns poucos botões no galhos mais baixos e pensei, escrevi até, que ele estava com os galhos da metade para cima sem vida. Mas os pedacinhos de sol foram subindo de galho em galho e hoje já vi alguns botões se abrirem nos galhos mais altos, lá da copa. Fiquei muito feliz de ver que o nosso segundo sol renasceu, está vivo, que ele continuará brilhando na nossa rua, mesmo que em épocas desencontradas.
Hoje parece que vai chover, o tempo está nublado, e será uma pena, pois cairão muitas flores. Mas há muitos botões para abrir e acho que nos próximos dias nosso sol brilhará muito, mesmo que chova. Abençoado seja.
Agora, infelizmente, a notícia triste: lembram da minha crônica “Crueldade em Vida”, de anteontem, sobre a cadela que foi queimada viva aqui na grande Florianópolis? Pois estavam tentando salvá-la, embora ela estivesse com queimaduras de terceiro grau em mais de oitenta e cinco por cento do corpo, inclusive na cabeça, mas ela faleceu ontem de manhã, depois de quatro dias de agonia.
Transformou-se em símbolo da crueldade máxima que assola o mundo dos tidos como “racionais”. Acabou-se o sofrimento da pobre criatura, mas persiste a indignação da maioria, que com esse e outros exemplos, acabam sentido vergonha de pertencer à raça humana.