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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

AS CANÇÕES DO FOLCLORE INFANTIL BRASILEIRO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/



As fábulas infantis já foram assunto de uma crônica anterior, por se tratarem de histórias que, em muitos casos, não poderiam ser indicadas para crianças. Por quê? Porque envolvem violência, maldade, desvios de personalidade, etc. Coisas que são empurradas para os pequenos desde muito novos, quando ainda nem sabem ler, através das “historinhas” que lhes contamos ou lemos.

Lembrei-me disso quando fui selecionar algumas cantigas infantis tradicionais para gravar para meus sobrinhos de dois a sete anos.

Algumas delas, como os contos “inocentes” que contamos para as nossas crianças, sugerem tragédias resultantes de violência gratuita. Como em “O Cravo brigou com a rosa / Debaixo de uma sacada. / O cravo saiu ferido / E a rosa despedaçada.” Ou como em “Atirei o pau no gato / mas o gato não morreu, / Dona Chica admirou-se / do berro que o gato deu.” Ou ainda em ”João Cururu / detrás do murundu / levai este menino / pra comer com angu.” E outras mais por aí afora. Existem outras, mas essas valem como exemplo.

Não nego que as músicas são gostosas, são melodias alegres e contagiantes, mas as letras deixam a desejar. Sei que vai haver quem diga que as crianças, tão pequenas, não prestam atenção às letras. Mas crianças, desde bebês, são esponjas que absorvem tudo, que aprendem com uma facilidade e uma rapidez incríveis.

O que podemos fazer é adaptar as letras, contar alguma coisa que não desperte medo nas nossas crianças nem banalize a violência. Sei, não se pode mexer na obra de outrem, é verdade. Mas a maioria destas músicas pertencem ao folclore brasileiro infantil, então já existe variação de região para região na mesma música.

E as modificações para as canções “politicamente incorretas” já aparecem, com as inovações implantadas nas conhecidas canções infantis por professores e educadores aqui de Florianópolis. Vi, há pouco tempo, uma matéria que mostrava educadores de pré-escola, cantando com suas crianças aquelas mesmas famosas canções infantis que mencionamos acima pelo conteúdo aparentemente inocente, embora tendendo à violência, mas com letra reescritas, repensadas. Politicamente corretas, como disseram, termo que eu nem considero muito simpático, embora talvez seja apropriado.

"Atirei o pau no gato" ficou mais ou menos assim: "Não atirei o pau no gato / porque isso não se faz / O gatinho é nosso amigo / Não devemos maltratar os animais / Jamais!" E "O cravo brigou com a rosa..." está sendo cantado assim: "A rosa deu um remédio / e o cravo logo sarou / O cravo foi levantado / E a rosa o abraçou." Não ficou melhor? Transmite uma mensagem positiva e a música continua gostosa e vibrante.

O "boi da cara preta" virou "boi do Piauí" e por aí vai. As crianças gostaram, pois perguntadas pela reportagem, disseram que preferiam as novas versões, como "NÃO atire o pau no gato" e explicaram o porquê.

Não se trata de incentivar o plágio, coisa que combatemos com veemência, mas esse cancioneiro popular é de domínio público, não tem autoria definida ou declarada, por isso as adaptações vão acontecendo com o passar do tempo e em diferentes regiões.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

NOVAS LETRAS PARA VELHAS CANÇÕES

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor e editor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Em uma de minhas crônicas, um tanto polêmica, falei das canções infantis tradicionais, aquelas que vem sendo cantadas por crianças de sucessivas gerações o que me lembra outra crônica, mais polêmica ainda, sobre as fábulas, os contos de fadas importados e antigos que encantam nossas crianças.
O tema foi polêmico, porque mencionava as letras de canções como "Atirei o pau no gato", "O Cravo brigou com a rosa" e outras mais, onde encontramos cenas de violência em cima de músicas gostosas e cadenciadas. Recebi muitas mensagens, de pessoas que concordavam, de outras que nunca tinham parado para pensar mas perceberam que realmente havia alguma coisa e de outras que achavam que era exagero.
Achei ótimo ter provocado uma discussão a respeito e essa discussão ter resultado em mudanças, que podem ser até localizadas, mas que já começaram a acontecer. E o melhor resultado disso foi uma matéria em um programa na TV a cabo, atingindo todo o país, sobre as inovações implantadas nas conhecidas canções infantis por professores e educadores aqui de Florianópolis. E o programa tem o poder de difundir a idéia, de disseminar a novidade.
A matéria mostrava educadores de crianças na pré-escola, cantando com suas crianças aquelas mesmas famosas canções infantis que tínhamos denunciado pelo conteúdo aparentemente inocente, embora tendendo à violência, mas com letra reescritas, repensadas. Politicamente corretas, como disseram, termo que eu nem considero muito simpático, embora talvez seja apropriado.
"Atirei o pau no gato" ficou mais ou menos assim: "Não atirei o pau no gato / porque isso não se faz / O gatinho é nosso amigo / Não devemos maltratar os animais / Jamais!" E "O cravo brigou com a rosa..." está sendo cantado assim: "A rosa deu um remédio / e o cravo logo sarou / O cravo foi levantado / E a rosa o abraçou." Não ficou melhor? Transmite uma mensagem positiva e a música continua gostosa e vibrante.
O "boi da cara preta" virou "boi do Piauí" e por aí vai. As crianças gostaram, pois perguntadas pela reportagem, disseram que preferiam as novas versões, como "NÃO atire o pau no gato" e explicaram o porquê.
Uma doutora em educação, perguntada a respeito pela repórter, disse não concordar porque acha exagero pensar que as crianças possam ser influenciadas pelas letras das músicas. Eu peço licença para discordar, porque as próprias crianças já responderam a ela, crianças de dois, três, cinco anos. Quando pediram a elas que justificassem porque preferiam as novas versões, responderam que não se deve maltratar nenhum animal, nenhum ser vivo, nunca. Então não é correto dizer que as crianças não prestam atenção ao conteúdo das letras. Elas entendem, sim, e até copiam. Elas são pequenos discos rígidos vazios que gravam tudo.
Melhor se pudermos passar-lhes boas mensagens, para que sejam adultos mais responsáveis amanhã.