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domingo, 19 de julho de 2009

MÚSICA PARA SENTIR

Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

É bom viver em um lugar que me proporciona assistir bons espetáculos de teatro, mostras e festivais de dança, consertos de orquestras sinfônicas e cameratas. Compareci a mais um concerto da Camerata de Florianópolis, recentemente, quando ela executou a Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorák e Concerto para Piano e Orquestra Nº 2 em Dó Menor, de Rachmaninoff. O CIC ficou lotado para apreciar a boa música. Confesso que eu gostei mais de Dvorak, de quem já ouvira partes dessa peça.
Assim que o concerto iniciou, que a música começou a entrar pelos meus ouvidos e invadir todos os meus sentidos, a minha alma, pensei que deveria ter lápis e papel comigo, ali, naquele exato momento, para anotar todas as sensações e emoções que senti. Ia ser difícil assistir, ouvir a orquestra e anotar, mas lamentei não poder registrar cada momento.
Em cada crescendo da música, alguma coisa se avolumava no meu peito e espalhava em ondas de energia por todos os meus órgãos, pelas minhas entranhas, até a extremidade da minha pele. Meu coração parecia querer dançar na cadência da Sinfonia do Novo Mundo. O calor que eu sentia nas palmas das mãos começou a se espalhar, também, e a cadência da música, aquela energia da qual falei acima parecia querer causar erupções por toda a pele. Já sentira isso muitas outras vezes, em outros concertos, e quisera não perder nenhum detalhe daquele vórtice vertiginoso que me fazia quase flutuar acima do meu corpo, no enlevo daquela obra-prima. Minha alma flutuava no ritmo da música.
Agora tento recriar aquelas sensações, até coloco para rodar um CD com aquela sinfonia, mas não é a mesma coisa, não é como estar ouvindo a orquestra ao vivo. Aquele sentimento é muito forte, é fascinação, é prazer, é ter consciência da arte no seu grau mais elevado. A música clássica pode provocar esse turbilhão de sensações que só sentindo para entender bem.