Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
No que diz respeito à música, fui bastante precoce, creio, pois gostava de música clássica lá pelos doze anos. Minha catequese musical começou quando descobri um disco de Strauss na escola e passei a ouvi-lo. Depois ouvi Mozart, Chopin, Beethoven e outros monstros da música.
Pela vida afora, sempre tive mais discos de música clássica do que outros gêneros,embora goste de rock, de música popular, tanto nacional quanto importada. No entanto, nunca obriguei ninguém a ouvir música clássica porque, felizmente, as pessoas que vivem comigo também gostam.
Aliás, ouve-se muito, diz-se muito por aí que a maioria das pessoas não gosta de música clássica. Acredita-se que o público que gosta deste tipo de música é uma minoria. Acho que até eu mesmo acabei acreditando nisso.
Outro dia, quase não pude ter o prazer de apreciar um espetáculo da Orquestra Sinfônica de Santa Catarina, no Teatro do CIC – pouco antes de ele ser fechado para reformas, coisa que ainda não aconteceu, depois de dois anos -, pois cheguei meia hora antes do início e já não havia mais ingressos, tivemos que esperar para que todo mundo entrasse para ver se sobrava algum lugar. Felizmente havia.
O teatro tem 956 lugares - vejam que não é um teatro pequeno - e há que se considerar que, além dos novecentos e cinquenta e seis lugares ocupados, muita gente se acomodou nos corredores, junto às paredes, nas escadas. Creio que deveria haver mil e duzentas, mil e trezentas pessoas no teatro, mais ou menos, e houve quem tivesse voltado, quando recebeu a informação, na recepção, de que não havia mais ingresso, que era necessário esperar e a fila era quilométrica.
Fiquei pensando, cá com meus botões: que história é essa de que as pessoas não gostam de música clássica? Um teatro enorme lotado, sem lugar nem para se passar nos corredores - que raio de público é esse que não gosta de música clássica e vem se apinhar no teatro para ouvi-la?
Fiquei feliz de ver que tanta gente sabe apreciar a boa música e mais ainda pelo grande espetáculo que a Orquestra Sinfônica de Santa Catarina ofereceu, sob o comando do brilhante e carismático maestro José Nilo Valle.
Interpretação magistral de peças como a Sinfonia número 4, de Tchaikovsky, em quatro partes, que preencheu a primeira parte do espetáculo. A segunda parte começou com "O Guarani", de Carlos Gomes. Que coisa fantástica! Já fazia algum tempo que eu não ouvia essa obra-prima do nosso grande compositor e acho que já tinha esquecido como ela é bela. Ou, quem sabe, ela ficou mais bela na interpretação estupenda da Orquestra regida pelo maestro Valle. Em seguida veio "Batuque", de Oscar Lorenzo Fernandez e então tivemos mais músicas de Tchaikovsky, como trecho de "O Lago dos Cisnes", "Valsa das Flores" e trecho do balé "Quebra Nozes". Um espetáculo para não esquecermos jamais.
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terça-feira, 23 de agosto de 2011
domingo, 19 de julho de 2009
MÚSICA PARA SENTIR
Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
É bom viver em um lugar que me proporciona assistir bons espetáculos de teatro, mostras e festivais de dança, consertos de orquestras sinfônicas e cameratas. Compareci a mais um concerto da Camerata de Florianópolis, recentemente, quando ela executou a Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorák e Concerto para Piano e Orquestra Nº 2 em Dó Menor, de Rachmaninoff. O CIC ficou lotado para apreciar a boa música. Confesso que eu gostei mais de Dvorak, de quem já ouvira partes dessa peça.
Assim que o concerto iniciou, que a música começou a entrar pelos meus ouvidos e invadir todos os meus sentidos, a minha alma, pensei que deveria ter lápis e papel comigo, ali, naquele exato momento, para anotar todas as sensações e emoções que senti. Ia ser difícil assistir, ouvir a orquestra e anotar, mas lamentei não poder registrar cada momento.
Em cada crescendo da música, alguma coisa se avolumava no meu peito e espalhava em ondas de energia por todos os meus órgãos, pelas minhas entranhas, até a extremidade da minha pele. Meu coração parecia querer dançar na cadência da Sinfonia do Novo Mundo. O calor que eu sentia nas palmas das mãos começou a se espalhar, também, e a cadência da música, aquela energia da qual falei acima parecia querer causar erupções por toda a pele. Já sentira isso muitas outras vezes, em outros concertos, e quisera não perder nenhum detalhe daquele vórtice vertiginoso que me fazia quase flutuar acima do meu corpo, no enlevo daquela obra-prima. Minha alma flutuava no ritmo da música.
Agora tento recriar aquelas sensações, até coloco para rodar um CD com aquela sinfonia, mas não é a mesma coisa, não é como estar ouvindo a orquestra ao vivo. Aquele sentimento é muito forte, é fascinação, é prazer, é ter consciência da arte no seu grau mais elevado. A música clássica pode provocar esse turbilhão de sensações que só sentindo para entender bem.
É bom viver em um lugar que me proporciona assistir bons espetáculos de teatro, mostras e festivais de dança, consertos de orquestras sinfônicas e cameratas. Compareci a mais um concerto da Camerata de Florianópolis, recentemente, quando ela executou a Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorák e Concerto para Piano e Orquestra Nº 2 em Dó Menor, de Rachmaninoff. O CIC ficou lotado para apreciar a boa música. Confesso que eu gostei mais de Dvorak, de quem já ouvira partes dessa peça.
Assim que o concerto iniciou, que a música começou a entrar pelos meus ouvidos e invadir todos os meus sentidos, a minha alma, pensei que deveria ter lápis e papel comigo, ali, naquele exato momento, para anotar todas as sensações e emoções que senti. Ia ser difícil assistir, ouvir a orquestra e anotar, mas lamentei não poder registrar cada momento.
Em cada crescendo da música, alguma coisa se avolumava no meu peito e espalhava em ondas de energia por todos os meus órgãos, pelas minhas entranhas, até a extremidade da minha pele. Meu coração parecia querer dançar na cadência da Sinfonia do Novo Mundo. O calor que eu sentia nas palmas das mãos começou a se espalhar, também, e a cadência da música, aquela energia da qual falei acima parecia querer causar erupções por toda a pele. Já sentira isso muitas outras vezes, em outros concertos, e quisera não perder nenhum detalhe daquele vórtice vertiginoso que me fazia quase flutuar acima do meu corpo, no enlevo daquela obra-prima. Minha alma flutuava no ritmo da música.
Agora tento recriar aquelas sensações, até coloco para rodar um CD com aquela sinfonia, mas não é a mesma coisa, não é como estar ouvindo a orquestra ao vivo. Aquele sentimento é muito forte, é fascinação, é prazer, é ter consciência da arte no seu grau mais elevado. A música clássica pode provocar esse turbilhão de sensações que só sentindo para entender bem.
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