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sábado, 20 de novembro de 2010

LEITURA PARA JOVENS

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Li uma nota em um jornal, recentemente, a respeito do reflexo positivo do sucesso de livros como aqueles das aventuras do bruxinho Harry Poter, na leitura de nossos jovens, adolescentes e pré-adolescentes. Achei oportuno o tema, pois tudo o que colaborar para que nossos jovens leiam mais, gostem de ler, adquiram o hábito da leitura, é muito salutar.
E a afirmação é verdadeira, pois desde as crianças que liam a coleção de textos infantis e infanto-juvenis de Monteiro Lobato, nunca se viu tantos leitores de pouca idade lerem tanto. Quase sempre as crianças tiveram medo de livros com muitas páginas, mas com o surgimento de livros como os de Harry Potter, isso mudou bastante: pequenos leitores tem enfrentado bravamente os romances com trezentas, quatrocentos páginas, lendo com avidez e prazer até o fim.
Outros livros de aventuras, desenroladas em mundos terríveis e fantásticos, totalmente desvinculados da nossa realidade, de outros autores, mas no estilo das histórias de Harry Potter vêm vendendo milhares de exemplares pelo mundo afora. É o caso da saga “O senhor dos Anés”, de J. R. R. Tolkien, de “As Crônicas de Nárnia”, de C. S. Lewis, da coleção “Memórias de Idhún”, da espanhola Laura Gallego Garcia, a saga Crepúsculo, etc.
Esses livros e outros mais estão fazendo com que leitores muito jovens comecem a lê-los e não parem até terminá-los. Mas não são só os estrangeiros que fazem boa literatura para incutir o gosto pela leitura nos leitores jovens. Já disse isso em relação à literatura infantil e repito em relação à literatura juvenil: existem bons autores brasileiros que têm ótima produção de novelas e romances para gente jovem. Como Ana Maria Machado, como Cecília Meireles, Ganymedes José, Lygia Bojunga, Pedro Bandeira, Elias José, Domingos Pelegrini, Lya Luft, Apolônia Gastaldi, Else Sant´Anna Brum e tantos outros.
Autores que escrevem histórias fantásticas-maravilhosas, histórias de ação, histórias didáticas, histórias do cotidiano, de amor e de vida, com altas doses de fantasia, imaginação e criatividade.
Como o clássico Lobato, que tem a coleção de toda a sua obra sendo relançados. Boa oportunidade para quem não leu ainda o mestre, seja jovem ou não.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

“ANJOS AZUIS” NA LITERATURA JUVENIL

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Eu já havia lido todos os livros de Apolônia Gastaldi e estava orgulhoso de ter podido constatar a grande escritora na qual ela havia se tornado. Mas faltava um para eu ler, havia um que eu não havia lido ainda. Na última Feira de Rua do Livro de Florianópolis ela me presenteou com “Anjos Azuis”, com a seguinte dedicatória: “Vai aí a aura dos Anjos Azuis, se é que já não estás Anjo!”. Nunca alguém me havia feito uma dedicatória assim e, como eu não lera ainda o livro, não entendi muito bem, mas achei singular e lindo.Agora, que já tive o prazer de conhecer os Anjos Azuis, fico lisonjeado de receber a sua aura, pois sei que eles existem por aí, menos do que é preciso, mas mais do que imaginamos, fazendo bem mais do que o meu trabalho voluntário, do que a cesta básica que posso oferecer a uma família menos privilegiada que eu, do que a ajuda em biscoitos, frango, leite, que dou à creche que recebe menos de cem reais da prefeitura para cuidar de centenas de crianças de pais que precisam trabalhar.
“Anjos Azuis” é, na verdade, uma feliz – felicíssima – incursão de Apolônia pela literatura juvenil. O livro é bonito, a começar pela apresentação: a capa é azul em fundo branco – uma íris azul com duas mãos se encontrando no centro, o título é azul, o texto, no interior do livro é em azul.
A história que o livro conta é de um azul brilhante. Apolônia mostra a ação de uma organização – secreta - de jovens que arrebanham profissionais das mais diversas áreas, como médicos, enfermeiros, empregadas domésticas, diretores de bancos, professores, padres, psiquiatras, comerciantes, engraxates, porteiros de boates, etc., para descobrir drogados e encaminhá-los para tratamento, internamento, conseguir emprego, afastá-los do grupo de vício. Controlam seus passos, conversam com a família, com professores. Só não se envolvem com políticos e não denunciam usuários. Denunciam, sim, os pontos de venda, os vendedores. Por isso os Anjos Azuis são uma sociedade secreta, por isso a necessidade de eles manterem segredo sobre as pessoas que fazem parte do grupo.
Apolônia mergulha nas atividades dos Anjos, mostrando-nos a incansável batalha de pessoas que se empenham na difícil recuperação de quem sucumbiu às drogas, drama que aqueles que tiveram a felicidade de não ter ninguém na família, ou amigos com o problema não têm idéia do que seja. Com leveza, mas mostrando sem rodeios um lado da nossa sociedade que só vemos no noticiário, a autora nos faz entender, a nós que não conhecíamos o problema, que a droga faz vítimas e não bandidos. Os bandidos são aqueles que distribuem as drogas, que induzem à dependência para poder vender.
O livro de Apolônia precisa ser lido, não só pelos jovens, mas por jovens de qualquer idade, dos oito aos oitenta. Essa idéia de solidariedade, de dedicação ao outro, de abnegação, de doação, precisa se multiplicar, precisa ser mais realidade.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

SANTA CATARINA E A LITERATURA INFANTIL

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

No No início do século passado, as crianças brasileiras não tinham muita opção: a literatura que começava a aparecer para elas era quase que exclusivamente importada - os clássicos como os contos dos Irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen - com traduções que deixavam a desejar. Antes disso, apenas os “Contos da Carochinha”, publicado pela primeira vez em 1894, traduzidos por nomes como Olavo Bilac, Coelho Neto e outros. Preocupado com isso, com a falta de produção brasileira no gênero, Monteiro Lobato escreveu a “História do peixinho que morreu afogado”. Foi quando nasceu o maior autor de todos os tempos da literatura infanto-juvenil brasileira, que publicou dezessete volumes de produção do gênero.
Em 1921, depois do sucesso da sua primeira história infantil, a do peixinho afogado, Lobato publicava “A menina do narizinho arrebitado”, com mais de cinqüenta mil exemplares, um arrojo editorial para a época. A editora era de Monteiro Lobato. Ele doou quinhentos exemplares às escolas - o livro agradou tanto aos estudantes mirins, chamando a atenção do governo do estado, que comprou trinta mil exemplares para que a obra chegasse às mãos das crianças de todas as escolas paulistas. E o Sítio do Pica-pau Amarelo, uma região rural com personagens próprios como Narizinho, Emília e tantos outros, foi construída no imaginário daquela e de todas as gerações futuras. Em poucos meses o restante da edição foi vendido, e a história de Narizinho marcou o início da história da literatura infanto-juvenil produzida no Brasil.
De lá para cá, outros grandes autores de literatura infantil e/ou juvenil surgiram, como Ziraldo, Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, Sylvia Orthof e outros, evidenciando a criatividade e a excelência do autor brasileiro.
Santa Catarina também tem seus autores infanto-juvenis, gente de valor que, há alguns anos, vem fazendo sucesso entre crianças e jovens, alguns ultrapassando as fronteiras do estado.
Else Sant’Anna Brum, de Joinville, por exemplo, também poetisa de mão cheia, tem vários livros infanto-juvenis publicados. Seu primeiro livro, “Miguelito Pirulito” saiu em 86, vencedor de um concurso literário do Estado. Em 92 saiu “Cri-Cró” pela Editora Eko, de Blumenau e em seguida “Retetéu”, também pela Eko. Outro livro, “Serelepe”, foi publicado pela editora Movimento e Arte, de Joinville. “Serelepe” é um hino à liberdade e à infância, é poesia em prosa, é vida. “Serelepe” leva a refletir, discutir, pesquisar, fazer poesia e escrever sobre o sonho de liberdade, o valor da amizade, a surpresa das viagens, a dor da saudade, os efeitos do vento, da chuva, do sol, o espetáculo dos ipês floridos, a fantasia das histórias. Uma boa novidade no gênero veio da Editora Hemisfério Sul: quem enveredou pela literatura infanto-juvenil, tendo já uma trajetória de grande sucesso no romance, foi Urda Alice Klueger. Seu primeiro livro infanto-juvenil, publicado em 98, pela Lunardelli em co-edição com a Hemisfério Sul, foi uma surpresa que agradou em cheio o público alvo, tanto que já está na segunda edição.
Outra autora, esta de São José, levou sua experiência de sala de aula para o livro e fez sucesso. Trata-se de Eloí Elisabeth Bocheco, que publicou, pela editora Papa Livro, de Florianópolis, a coletânea de poesia infanto-juvenil “Uni... Duni... Téia”. Depois veio “A de Amor - A de ABC”, também poesia e em seguida “Ô de Casa”, seu terceiro volume de poemas, pela Argos.Publicou, também, o livro “Poesia Infantil – O Abraço Mágico”, pela Editora Universitária Argos. É um livro que fala seriamente sobre poesia e criança, um livro de encantamento sobre os encantos da poesia. “Batata cozida, mingau de cará”, ganhou o Prêmio Literatura para todos 2006 e foi publicado pelo MEC.
São sete livros publicados pela autora e um deles, “Beatriz em Trânsito”, conquistou o prêmio Mário Quintana e foi indicado para o catálogo White Ravens, da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique.
Eloí é, também, editora do jornal de Literatura Infantil “O Balainho”, publicado pela Universidade do Oeste de SC. Maria de Lourdes Ramos Krieger, de Florianópolis, é professora e escritora. Tem vários livros publicados, com distribuição nacional, destacando-se “Dona onça da floresta”, “Um amigo muito especial” – que faz parte do projeto Salas de Leitura do MEC, “Ana levada da breca” e “Vovô quer namorar” – considerado “altamente recomendável para o jovem” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Ana Maria Kovács, carioca há muito radicada em Santa Catarina, mais exatamente em Blumenau, é jornalista, professora e escritora. E a sua obra é quase toda dedicada à literatura infanto-juvenil. Tem vários livros publicados, entre eles: “Sonhos de Criança” - poesia infantil; “O Canto da Sereia” - romance juvenil; “O Pingüim que Procurava o Sol” - literatura infantil; “O Monstro Atômico” - romance juvenil, “O Burrinho que Calculava” - literatura infantil. “Que Bicho é Esse”, sobre o Parque das Nascentes, um parque ecológico de 5300 hectares em Blumenau, é livro com o qual a autora aproxima as crianças da natureza, ensinando-as a preservá-la. Recentemente publicou “As Três Casas”, pela Franco Editora, de Juiz de Fora, Minas Gerais. O projeto de uma coleção de poesia infantil, ‘Viajando com Dona Poesia”, em dez volumes, com ilustrações da autora, saiu em 2006 pela Fundação Catarinense de Cultura.
Yedda de Castro Bräscher Goulart é de Lages, mas vive em Florianópolis. No gênero Literatura Infanto-juvenil, tem vários livros publicados: “Aventuras na Ilha da Magia”, “Aventuras na Serra” e a coleção “Ursinhos Companheiros", composta de quatro volumes, publicada pela Editora Todolivro. O livro “Aventuras na Ilha da Magia” transformou-se num desenho animado, produzido em Blumenau. É uma história que se passa na ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, com personagens do mundo da fantasia, em locais turísticos, vivendo muitas aventuras. O projeto ganhou o Prêmio Cinemateca Catarinense e foi aprovado pelo Ministério da Cultura.. A TV Educativa divulgou o trabalho em rede nacional. Este articulista aparece, em 2003, com a sua primeira incursão no gênero, “Flecha Dourada”. O livro tem ilustrações da artista plástica Solange Gerloff Alves de Lima.
Outra estreante no gênero é Rosângela Borges, que publicou seu primeiro livro de poemas infantis, "Conversa de Bichos", pela Franco Editora, de Belo Horizonte, em 2005. O segundo livro, “Limpeza na Gaveta”, para pequenos de zero a seis anos, saiu em 2005, pela mesma editora mineira.
Apolônia Gastaldi, poeta e romancista com vários livros publicados, também enveredou pela literatura infanto-juvenil, lançando “Anjos Azuis”. O livro é uma feliz – felicíssima – incursão de Apolônia pela literatura juvenil. Bonito, a começar pela apresentação: a capa é azul em fundo branco – uma íris azul com duas mãos se encontrando no centro, o título é azul, o texto, no interior do livro é em azul. A história que o livro conta é de um azul brilhante. “Anjos Azuis transmite a idéia de solidariedade, de dedicação ao outro, de abnegação, de doação, que precisa se multiplicar.
Um outro poeta e romancista, Wilson Gelbcke, também tem uma trajetória marcante pela literatura infanto-juvenil. Já publicou “Por um rio você pode fazer milagres”, “Esses duendes tão míopes” e “Quatro anjos, quatro destinos”, este último premiado pelo Projeto de Estímulo à Produção Literária, em Joinville. E mais outros autores existem escrevendo para o público infanto-juvenil em nossa Santa e bela Catarina. Fiquemos atentos para evidenciar o trabalho de bons escritores para este público exigente e fiel que é composto pelas crianças.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ENCONTRO DE ESCRITORES

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Estive ontem na Unisul, para o lançamento do livro de poesia em prosa da minha amiga Urda, “Trinados para o meu passarinho”, que fez parte da programação do 4º Seminário de Literatura Infantil e Juvenil de Santa Catarina. A organizadora do evento, professora e escritora Eliane Debus me recebeu com o maior carinho e logo foi me colocando num encontro de escritores que aconteceu pouco antes da sessão de autógrafos de Urda. Aliás, vale frisar que o lançamento do novo livro da escritora loura de Blumenau, dos dedos cheios de poesia, foi avant-premier, pois ele acaba de sair do prelo, veio à público pela primeira vez naquela oportunidade. E fez sucesso.
O bom desses eventos é que a gente revê pessoas conhecidas e conhece outras tantas. E além de abraçar Urda e Sandrinha, sua fiel escudeira e a professora Eliane, sempre simpática e acolhedora, conheci outros escritores, como Yeda Goulart, com quem já tinha contatado por e-mail, escritora infanto-juvenil com um trabalho importante em prol da literatura para crianças e jovens.
E lá estava também o escritor Flávio José Cardozo, com quem eu até já tinha trocado mensagens, também, mas com quem não tinha conversado pessoalmente. Fiquei surpreso com a simpatia e receptividade de uma figura reconhecidamente importante para a literatura catarinense contemporânea. Declarou conhecer o nosso trabalho, através do portal e do blog e lembrou nossa amiga em comum, a Fátima de Laguna, que foi quem nos colocou em contato, através de e-mail.
Fiquei feliz por conhecer Flávio, um ícone da nossa literatura e ao mesmo tempo uma pessoa acessível e afável, sem estrelismos, ao contrário de alguns “consagrados” que conhecemos. Agradeço pela companhia e espero ter correspondido, pelo menos em parte, a boa acolhida que ele me proporcionou.
E fico grato, também, à professora Eliane pela realização de um evento que é, sem dúvida nenhuma, de suma importância para a divulgação e reconhecimento da literatura infanto-juvenil. A literatura para crianças é a literatura para leitores em formação e é ela que vai possibilitar termos adultos que gostem de ler, que pode incutir nos nossos jovens o gosto pela leitura. É a literatura infantil que pode acabar, amanhã, com aquela constatação infeliz de que “brasileiro não lê”. E temos inúmeros bons autores desse gênero por todo o Brasil, muitos deles em Santa Catarina. Então, mudar é possível.

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