Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Hoje, um dia qualquer na Semana da Criança, estava eu fotografando minhas palmas no meu jardim/horta - que estamos na primavera e minhas flores estão lindas e coloridas – e minha cadela Pituxa, a nossa Xuxu, estava junto comigo. Aliás, ela sempre está atrás de mim, ou de minha mulher ou de minha filha. Lembrei que minhas filhas já estão adultas e, apesar de Xuxu estar com dezessete anos, ela é a nossa bebê. Ela é uma pinscher mestiça – tem as pernas não tão compridas como as de um pinscher puro e as orelhas talvez sejam mais alertas, um pouquinho maiores, sei lá.
Está velhinha, muito velhinha e mesmo assim é a criança da casa. Seus dentes estão caindo, já não pode comer nada sólido, não ouve quase nada e está enxergando muito pouco – tem catarata nos olhos. Esta madrugada, ao ouvir barulhos como se houvesse alguém dentro de casa, percebemos que é Xuxu andando no escuro. Ela vai fazer xixi no banheiro ou tomar água e como está quase tudo escuro, bate nas coisas, na parede. Decidimos que vamos deixar a luz do corredor acesa.
Xuxu é a criança que não temos mais e precisa de muitos cuidados. Não pode comer qualquer coisa, pois seu fígado não está muito forte, volta e meia precisa tomar remédio.
Quando sua barriguinha começa a fazer barulho, temos que dar remédio, pois ela fica um, dois dias sem comer nada.
Como eu disse lá em cima, ela anda atrás de mim para que eu deite no sofá e ela possa deitar nas minhas costelas e dormir. Ou espera que pelo menos eu ou outro membro da família sente no sofá para que ela se aninhe encostadinha na gente e possa dormir um pouquinho.
Não temos nenhum presente para ela, nesse Dia da Criança, mas deveríamos. Pelo contrário, como a barriguinha dela não estava boa, tive que segurá-la para dar-lhe remédio em plena madrugada. Apesar dos seus dezoito anos, nossa menina velhinha é muito forte e não é fácil imobiliza-la para administrar-lhe qualquer medicamento, coisa que ela detesta.
Então as cores da primavera e o Dia da Criança me dão conta de que minha filharada está debandando, não compro mais brinquedos para elas neste dia, só dá para desejar-lhes uma feliz vida, mandar um beijo. Apesar de adultas, elas continuam sendo as nossas meninas, mas estão seguindo o seu caminho. Fernanda, a fisioterapeuta casou e está morando longe, com o marido. Daniela, a bailarina, foi estudar em Portugal, está fazendo um mestrado na área de dança. E a criança que ficou foi Xuxu. Às vezes fica muito doentinha, como na madrugada de passada, quando não dormiu, pois ficou a noite inteira tentando fazer um ninho em uma manta, choramingando, muito estressada. Mas já está bem.
Então, feliz dia da Criança para você, Xuxu, feliz primavera e obrigado por ser a nossa criança. Feliz Dia da Criança para todos os filhos do mundo, independente da idade que tenha. Feliz Dia da Criança para as minhas meninas.
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
AS "MUDANÇAS" NO ENSINO BRASILEIRO
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
Olhem só o que foi comentado por uma professora, aqui no blog, a respeito da crônica “Alfabetização aos oito anos”:
“Como sempre, o que nós professores pensamos a respeito do assunto, não faz diferença para o poder público. O Governo continua fazendo "o que lhe dá na telha" pois, ao final, sempre nos culpam pelos seus erros (recorrentes). Nós sabemos que o "Ler e Escrever", do jeito que eles querem que a gente faça, não funciona! Somos forçados a considerar alfabetizadas crianças que só reconhecem letras bastão(antiga letra de fôrma). Para eles, o que importa é que não haja reprovação e que os índices fiquem lindos no papel. Na prática, muitas crianças só sabem parlendas e cantigas decoradas mas não conseguem escrever o nome completo, o nome dos pais, seu endereço, e por aí vai... Nós também não podemos mais (a exemplo da tabuada) ensinar tempos verbais, artigo, pronome, e muito menos a boa e velha análise sintática. O que esperar das crianças quando forem adolescentes e estiverem no ensino médio ou tentando entrar em uma faculdade?”
A situação é bem mais grave do que a gente estava achando que era. É por isso que estão esticando os prazos para que uma criança aprenda a ler e a escrever? Como uma criança vai aprender a ler e escrever com fluência se não querem mais ensinar a gramática para elas?
A educação brasileira está mesmo jogada no lixo. Precisamos cobrar, urgente, de nossos “governantes”, que façam o seu trabalho e trabalhem para resgatar a educação, o nosso sistema de ensino, que foi sucateado. E estão sucateando ainda, pois estão tentando acabar com as 13 matérias que o ensino fundamental e médio têm, para apertá-las em apenas quatro “grupos”. O MEC inventou um “pacto pela alfabetização na Idade Certa” – que torna normal a alfabetização aos oito anos, quando na verdade as nossas crianças deveriam sair do segundo ano do primeiro grau, aos sete anos, dominando a leitura e a escrita, como acontecia no sistema antigo, sistema que funcionava muito bem, diga-se de passagem.
Está mais do que óbvio que interessa aos nossos “representantes” no poder, aqueles que colocamos lá para defender nossos interesses, que eles querem que o povo seja cada vez menos educados, instruídos, pois assim ele é mais fácil de enganar.
Olhem só o que foi comentado por uma professora, aqui no blog, a respeito da crônica “Alfabetização aos oito anos”:
“Como sempre, o que nós professores pensamos a respeito do assunto, não faz diferença para o poder público. O Governo continua fazendo "o que lhe dá na telha" pois, ao final, sempre nos culpam pelos seus erros (recorrentes). Nós sabemos que o "Ler e Escrever", do jeito que eles querem que a gente faça, não funciona! Somos forçados a considerar alfabetizadas crianças que só reconhecem letras bastão(antiga letra de fôrma). Para eles, o que importa é que não haja reprovação e que os índices fiquem lindos no papel. Na prática, muitas crianças só sabem parlendas e cantigas decoradas mas não conseguem escrever o nome completo, o nome dos pais, seu endereço, e por aí vai... Nós também não podemos mais (a exemplo da tabuada) ensinar tempos verbais, artigo, pronome, e muito menos a boa e velha análise sintática. O que esperar das crianças quando forem adolescentes e estiverem no ensino médio ou tentando entrar em uma faculdade?”
A situação é bem mais grave do que a gente estava achando que era. É por isso que estão esticando os prazos para que uma criança aprenda a ler e a escrever? Como uma criança vai aprender a ler e escrever com fluência se não querem mais ensinar a gramática para elas?
A educação brasileira está mesmo jogada no lixo. Precisamos cobrar, urgente, de nossos “governantes”, que façam o seu trabalho e trabalhem para resgatar a educação, o nosso sistema de ensino, que foi sucateado. E estão sucateando ainda, pois estão tentando acabar com as 13 matérias que o ensino fundamental e médio têm, para apertá-las em apenas quatro “grupos”. O MEC inventou um “pacto pela alfabetização na Idade Certa” – que torna normal a alfabetização aos oito anos, quando na verdade as nossas crianças deveriam sair do segundo ano do primeiro grau, aos sete anos, dominando a leitura e a escrita, como acontecia no sistema antigo, sistema que funcionava muito bem, diga-se de passagem.
Está mais do que óbvio que interessa aos nossos “representantes” no poder, aqueles que colocamos lá para defender nossos interesses, que eles querem que o povo seja cada vez menos educados, instruídos, pois assim ele é mais fácil de enganar.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
PROCURA-SE UMA CRIANÇA
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )
Procura-se uma criança. Procuro a minha criança perdida. Cresci e minha criança interior foi se distanciando – ou fui eu que me distanciei dela? Hoje sou apenas um adulto estressado, procurando pela criança que deixou em algum pedaço do caminho, esperando que tenha ficado um pouquinho dela num cantinho escondido do coração.
Preciso reencontrar o riso cristalino da criança que fui há muito tempo atrás, preciso do sorriso franco e verdadeiro, sincero e iluminado, preciso do olhar sem preconceitos e sem vendas, preciso ouvir os sons da natureza com a percepção da infância de outrora.
Quero meu eu criança de volta, para poder brincar as brincadeiras mais infantis, para sonhar os sonhos mais ingênuos, para de novo exercitar a fantasia, para resgatar a pureza interior.
Quero a alegria simples e pura da infância, o descompromisso de ser feliz por ser feliz, quero de novo um coração menino a sentir todas as emoções e a capacidade de aprender tudo de novo. Quisera repetir os primeiros passos sem medo do futuro e correr, correr muito, descobrir a vida. (Hoje em dia já não corro mais, o corpo cansado já não encontra a criança na minha memória esquecida para usufruir da sua força e vitalidade...)
Procuro minha chama perdida, nem que seja pequena, quase apagada. Cresci e me tornei “gente grande”. Preferia, agora, ter deixado crescer apenas a alma, mantendo intacta a pureza, a singeleza, a paz e a serenidade de menino.
Ah, saudades da minha infância, tão distante aquele tempo! Devolvam meu coração criança, quero ser menino de novo! Para aprender novos engatinhares, sorrir novos sorrisos, sentir tudo outra vez! Dividir meus sonhos, descobrir novas luzes nos caminhos. Procuro uma criança... Procuro meu “eu criança”! Me procuro e me perco... Olho pra dentro de mim e não encontro a criança abandonada, a chama perdida. Vasculho meu coração e ela não está lá...
Em algum canto escondido, ela deve estar. Preciso encontrar a criança que fui dentro de mim. Preciso.
Procura-se uma criança. Procuro a minha criança perdida. Cresci e minha criança interior foi se distanciando – ou fui eu que me distanciei dela? Hoje sou apenas um adulto estressado, procurando pela criança que deixou em algum pedaço do caminho, esperando que tenha ficado um pouquinho dela num cantinho escondido do coração.
Preciso reencontrar o riso cristalino da criança que fui há muito tempo atrás, preciso do sorriso franco e verdadeiro, sincero e iluminado, preciso do olhar sem preconceitos e sem vendas, preciso ouvir os sons da natureza com a percepção da infância de outrora.
Quero meu eu criança de volta, para poder brincar as brincadeiras mais infantis, para sonhar os sonhos mais ingênuos, para de novo exercitar a fantasia, para resgatar a pureza interior.
Quero a alegria simples e pura da infância, o descompromisso de ser feliz por ser feliz, quero de novo um coração menino a sentir todas as emoções e a capacidade de aprender tudo de novo. Quisera repetir os primeiros passos sem medo do futuro e correr, correr muito, descobrir a vida. (Hoje em dia já não corro mais, o corpo cansado já não encontra a criança na minha memória esquecida para usufruir da sua força e vitalidade...)
Procuro minha chama perdida, nem que seja pequena, quase apagada. Cresci e me tornei “gente grande”. Preferia, agora, ter deixado crescer apenas a alma, mantendo intacta a pureza, a singeleza, a paz e a serenidade de menino.
Ah, saudades da minha infância, tão distante aquele tempo! Devolvam meu coração criança, quero ser menino de novo! Para aprender novos engatinhares, sorrir novos sorrisos, sentir tudo outra vez! Dividir meus sonhos, descobrir novas luzes nos caminhos. Procuro uma criança... Procuro meu “eu criança”! Me procuro e me perco... Olho pra dentro de mim e não encontro a criança abandonada, a chama perdida. Vasculho meu coração e ela não está lá...
Em algum canto escondido, ela deve estar. Preciso encontrar a criança que fui dentro de mim. Preciso.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
DIA DA NATUREZA
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – HTTP://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )
Hoje é o Dia da Natureza e amanhã é o Dia Mundial do Professor. Acho que as duas coisas têm muito a ver, pois o professor educa, transmite conhecimento para que nós, seres humanos, saibamos cuidar da Natureza, saibamos preservá-la para podermos ter uma perspectiva de futuro para nossos filhos e netos.
Quero parabenizar os professores de todo o Brasil, principalmente aqueles abnegados, completamente dedicados ao magistério, como alguns que conheço e dos quais tenho orgulho de poder dizer que são meus amigos.
Então rendo minha humilde homenagem a esses profissionais, principalmente aqueles do primeiro grau, aqueles que ensinam a ler e a escrever nos primeiros anos da escola, pois eles dão a base que o cidadão vai precisar para sermos bem sucedidos no segundo grau, na universidade, na vida. Apesar dos donos do poder, que a cada dia comprometem mais a educação brasileira, fazendo modificações que só empobrecem o nosso sistema de ensino, além da falta de reconhecimento ao corpo docente da escola pública.
Que esses profissionais sejam reconhecidos e melhor remunerados, para que possam melhorar a nossa educação que anda tão relegada a último plano pelos nossos governantes, que fazem questão que o ensino público seja ruim, pois é mais fácil dominar um povo sem cultura.
E tanto ou mais do que a educação, a nossa Mãe Natureza também é desrespeitada. Nós, homens, envenenamos o ar, a água, a terra, tudo. Nosso meio ambiente é cada vez mais agredido e Mãe Natureza já se ressente disso, mostrando que não está nada contente: as catástrofes climáticas, em volta do mundo, dizem bem isso.
Então peço, no dia da Natureza, que nós, homens, seres humanos, nos conscientizemos de que tudo o que fizermos contra a natureza, ela nos devolverá. Não ficaremos impunes. Precisamos cuidar mais e melhor dela, para que ela possa nos legar um futuro.
Hoje é o Dia da Natureza e amanhã é o Dia Mundial do Professor. Acho que as duas coisas têm muito a ver, pois o professor educa, transmite conhecimento para que nós, seres humanos, saibamos cuidar da Natureza, saibamos preservá-la para podermos ter uma perspectiva de futuro para nossos filhos e netos.
Quero parabenizar os professores de todo o Brasil, principalmente aqueles abnegados, completamente dedicados ao magistério, como alguns que conheço e dos quais tenho orgulho de poder dizer que são meus amigos.
Então rendo minha humilde homenagem a esses profissionais, principalmente aqueles do primeiro grau, aqueles que ensinam a ler e a escrever nos primeiros anos da escola, pois eles dão a base que o cidadão vai precisar para sermos bem sucedidos no segundo grau, na universidade, na vida. Apesar dos donos do poder, que a cada dia comprometem mais a educação brasileira, fazendo modificações que só empobrecem o nosso sistema de ensino, além da falta de reconhecimento ao corpo docente da escola pública.
Que esses profissionais sejam reconhecidos e melhor remunerados, para que possam melhorar a nossa educação que anda tão relegada a último plano pelos nossos governantes, que fazem questão que o ensino público seja ruim, pois é mais fácil dominar um povo sem cultura.
E tanto ou mais do que a educação, a nossa Mãe Natureza também é desrespeitada. Nós, homens, envenenamos o ar, a água, a terra, tudo. Nosso meio ambiente é cada vez mais agredido e Mãe Natureza já se ressente disso, mostrando que não está nada contente: as catástrofes climáticas, em volta do mundo, dizem bem isso.
Então peço, no dia da Natureza, que nós, homens, seres humanos, nos conscientizemos de que tudo o que fizermos contra a natureza, ela nos devolverá. Não ficaremos impunes. Precisamos cuidar mais e melhor dela, para que ela possa nos legar um futuro.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
CRIANÇA É PRIMAVERA
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
E chegou a primavera, e veio outubro e está chegando o dia da criança. Primavera, tempo de renovação, de vida que desabrocha, de esperança de tempos melhores. Isso tudo não e sinônimo de criança? A criança é a única esperança de que o ser humano tem de ser melhor, ter um mundo sem violência, com mais saúde, educação e meio ambiente preservado, de aprendermos a cuidar melhor da natureza, para que haja uma perspectiva de futuro. E o mundo precisa de muitos e muitos meninos para ensinarem aos homens que podemos e devemos salvar a natureza... Se os adultos de hoje souberem cuidar de nossos meninos e meninas, proporcionando uma educação decente e uma vida digna, com bons exemplos – nada a ver com o que vemos, hoje, em nossa sociedade, em nossa “política” – as nossas crianças terão perspectiva de poder lutar por um mundo melhor amanhã. Mas temos que começar agora.
Não queria dar brinquedos de presente, apenas, para as crianças, no seu dia. Queria poder dar, para as crianças de hoje e de amanhã, rios vivos, limpos e claros, ar puro, alimento sem contaminação de agrotóxicos e produtos químicos, estações definidas, climas amenos, natureza preservada.
No entanto, não posso evitar que nossas crianças vejam desastres ecológicos por desrespeito à natureza, violência e falta de moral, falta de humanidade e de consciência, decorrentes da ganância, da falta de responsabilidade e de respeito ao ser humano e ao planeta em que vivemos e da miséria.
Os adultos, todos, até os donos do poder – principalmente eles, talvez – deviam ser mais crianças, para serem mais honestos, mais responsáveis, mais humanos. E quanto às crianças, se eu pudesse dar-lhes um conselho, pediria que crescessem, sim, mas que não se transformassem em “gente grande”: que fossem apenas GENTE. E que nunca, jamais, deixassem morrer a criança dentro de seus corações, seja qual for a idade que tenham.
Pois é da criança que emana a vida, alento, felicidade, poesia. É isto que brota de mãos pequeninas e faísca de olhos de luz de pequeninos seres que chegam a este mundo que temos o dever de tornar melhor para que eles tenham um futuro melhor que o nosso.
Pequeno grande mundo que pode ser mais feliz, pois enquanto houver criança, teremos a certeza de que Deus ainda tem alguma confiança no ser humano...
E chegou a primavera, e veio outubro e está chegando o dia da criança. Primavera, tempo de renovação, de vida que desabrocha, de esperança de tempos melhores. Isso tudo não e sinônimo de criança? A criança é a única esperança de que o ser humano tem de ser melhor, ter um mundo sem violência, com mais saúde, educação e meio ambiente preservado, de aprendermos a cuidar melhor da natureza, para que haja uma perspectiva de futuro. E o mundo precisa de muitos e muitos meninos para ensinarem aos homens que podemos e devemos salvar a natureza... Se os adultos de hoje souberem cuidar de nossos meninos e meninas, proporcionando uma educação decente e uma vida digna, com bons exemplos – nada a ver com o que vemos, hoje, em nossa sociedade, em nossa “política” – as nossas crianças terão perspectiva de poder lutar por um mundo melhor amanhã. Mas temos que começar agora.
Não queria dar brinquedos de presente, apenas, para as crianças, no seu dia. Queria poder dar, para as crianças de hoje e de amanhã, rios vivos, limpos e claros, ar puro, alimento sem contaminação de agrotóxicos e produtos químicos, estações definidas, climas amenos, natureza preservada.
No entanto, não posso evitar que nossas crianças vejam desastres ecológicos por desrespeito à natureza, violência e falta de moral, falta de humanidade e de consciência, decorrentes da ganância, da falta de responsabilidade e de respeito ao ser humano e ao planeta em que vivemos e da miséria.
Os adultos, todos, até os donos do poder – principalmente eles, talvez – deviam ser mais crianças, para serem mais honestos, mais responsáveis, mais humanos. E quanto às crianças, se eu pudesse dar-lhes um conselho, pediria que crescessem, sim, mas que não se transformassem em “gente grande”: que fossem apenas GENTE. E que nunca, jamais, deixassem morrer a criança dentro de seus corações, seja qual for a idade que tenham.
Pois é da criança que emana a vida, alento, felicidade, poesia. É isto que brota de mãos pequeninas e faísca de olhos de luz de pequeninos seres que chegam a este mundo que temos o dever de tornar melhor para que eles tenham um futuro melhor que o nosso.
Pequeno grande mundo que pode ser mais feliz, pois enquanto houver criança, teremos a certeza de que Deus ainda tem alguma confiança no ser humano...
terça-feira, 2 de outubro de 2012
UMA SECRETARIA DE CULTURA PARA SC
Foi aprovado, pelo Senado, no mês de setembro, o Sistema
Nacional de Cultura. Sua função é integrar a União, os Estados e municípios em
torno do fortalecimento da cultura brasileira, garantindo-lhe certa estabilidade,
coisa que ela nunca teve, até então. Para isso, define um conjunto de metas a
serem alcançadas, cria uma rede de indicadores culturais, além de traçar
estratégias e prazos.
O mais importante da nova PEC – proposta de emenda
constitucional - é que, para fazer parte do Sistema, cada Estado e cada
município precisarão ter uma área governamental voltada à cultura. E mais:
cidades e estados não irão apenas aderir a um plano pactuado nacionalmente.
Ficam obrigados a definir suas próprias estratégias, o que significa ter uma
política cultura real e atuante.
Digo que isso é mais importante, porque talvez agora o
governo de Santa Catarina atenda os insistentes pedidos dos produtores de arte
e cultura catarinense no sentido de criar uma Secretaria exclusivamente para a
Cultura, ao invés de continuar com uma secretaria que engloba turismo, esporte
e cultura. Engloba ou embola, pois a cultura consta aí apenas como enfeite. A
cultura está relegada a último plano em nosso Estado.
Então penso que agora, com o Sistema Nacional de Cultura,
que exige uma área específica para o assunto, finalmente uma Secretaria de Estado
da Cultura seja criada e comece a funcionar, para finalmente termos a
valorização e preservação de nossos valores culturais.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
CÃO: FIDELIDADE A TODA PROVA
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
A TV mostrou, nos últimos dias, o cão que acompanha seus donos até a escola e fica no portão da escola esperando por eles até a aula terminar. Isso lembra um filme que mostra outro cão, mais fiel ainda, que fica esperando por seu dono que não voltaria mais até a sua própria morte.
Os jornais mostraram, há algum tempo, a história de dois cães de rua que andavam sempre juntos pelo centro de Florianópolis, mais exatamente pela área da Beiramar. Eram amigos, pois não se separavam. Acontece que um belo dia foram atravessar a avenida e um deles foi atropelado e morreu. Pois o outro ficou ali, solidário e triste, rodeando o amigo, lambendo-o, como quem diz: “acorde, amigo, vamos embora!”. Não arredou pé do lado do amigo, mesmo quando alguém o colocou dentro de um saco plástico para levá-lo dali.
A imagem do cão velando o outro emocionou quem passou por ali e até a televisão parou para registrar o quadro inusitado. Uma senhora que parou para ver condoeu-se com a perda e a dor do cão remanescente e pegou-o, tirou-o de perto do amigo morto e levou-o para casa, adotou-o. Ela disse que iria dar um lar para ele, iria tentar retribuir o carinho que ele demonstrou pelo amigo. Belo gesto, minha senhora. Menos um cão abandonado na rua.
A fidelidade do cão de rua me lembrou de Pituxa, a nossa Xuxu, sobre a qual já escrevi algumas vezes. Mesmo que eu a segure para dar-lhe remédio – ela é muito forte, apesar dos seus dezoito anos -, mesmo que eu brigue com ela quando ela faz xixi onde não deve, ela sempre vem correndo para mim, quando chego, me lambe a cara, as mãos, mostrando que não guarda rancor, por mais que a gente tenha que fazer coisas que a desagradem. Sempre abana o toquinho de rabo, dando-nos boas vindas. Sempre late pra gente, quando estamos meio pra baixo, como quem diz: vamos, amigo, ânimo, vamos viver que a vida não espera, o tempo não para. E, é bom frisar, ele não ouve, enxerga quase nada, pois a catarata está tomando os seus olhos e também quase não sente mais cheiro.
O ser humano, infelizmente, não é tão fiel assim.
A TV mostrou, nos últimos dias, o cão que acompanha seus donos até a escola e fica no portão da escola esperando por eles até a aula terminar. Isso lembra um filme que mostra outro cão, mais fiel ainda, que fica esperando por seu dono que não voltaria mais até a sua própria morte.
Os jornais mostraram, há algum tempo, a história de dois cães de rua que andavam sempre juntos pelo centro de Florianópolis, mais exatamente pela área da Beiramar. Eram amigos, pois não se separavam. Acontece que um belo dia foram atravessar a avenida e um deles foi atropelado e morreu. Pois o outro ficou ali, solidário e triste, rodeando o amigo, lambendo-o, como quem diz: “acorde, amigo, vamos embora!”. Não arredou pé do lado do amigo, mesmo quando alguém o colocou dentro de um saco plástico para levá-lo dali.
A imagem do cão velando o outro emocionou quem passou por ali e até a televisão parou para registrar o quadro inusitado. Uma senhora que parou para ver condoeu-se com a perda e a dor do cão remanescente e pegou-o, tirou-o de perto do amigo morto e levou-o para casa, adotou-o. Ela disse que iria dar um lar para ele, iria tentar retribuir o carinho que ele demonstrou pelo amigo. Belo gesto, minha senhora. Menos um cão abandonado na rua.
A fidelidade do cão de rua me lembrou de Pituxa, a nossa Xuxu, sobre a qual já escrevi algumas vezes. Mesmo que eu a segure para dar-lhe remédio – ela é muito forte, apesar dos seus dezoito anos -, mesmo que eu brigue com ela quando ela faz xixi onde não deve, ela sempre vem correndo para mim, quando chego, me lambe a cara, as mãos, mostrando que não guarda rancor, por mais que a gente tenha que fazer coisas que a desagradem. Sempre abana o toquinho de rabo, dando-nos boas vindas. Sempre late pra gente, quando estamos meio pra baixo, como quem diz: vamos, amigo, ânimo, vamos viver que a vida não espera, o tempo não para. E, é bom frisar, ele não ouve, enxerga quase nada, pois a catarata está tomando os seus olhos e também quase não sente mais cheiro.
O ser humano, infelizmente, não é tão fiel assim.
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