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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

FLORIANÓPOLIS, A CIDADE DOS RICOS


       Por Luiz Caros Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Li a matéria “Os ‘sem lancha’ da Cidade Classe A”, publicada no jornal O Globo e reproduzida no Diário Catarinense, aqui de Florianópolis, do repórter Henrique Gomes Batista. Tem sido muito divulgado, nos últimos anos, pelo Brasil e pelo mundo, que a capital catarinense é um paraíso, que é o melhor lugar para se viver. A cidade é linda, suas praias são, talvez, as mais bonitas do mundo, sua Lagoa da Conceição é a personificação da beleza, sua ponte Hercílio Luz, sempre em reforma, é um atrativo a mais. Mas a propaganda que vem sendo feita nas últimas décadas, continuamente, traz muita gente para cá e não é só gente boa, não.

O DC, muito generosamente, comenta que a reportagem “reforça a imagem de um lugar especial para trabalhar e viver”. O que o senhor repórter do Globo fez foi afirmar, com muita ênfase, muito mais do que já vinha sendo dito, que Florianópolis é uma cidade de ricos, de cidadãos que podem ter até uma lancha, além de todo o resto.

Já no começo da matéria, o repórter afirma que “Florianópolis é a única capital que, até agora, não contou com qualquer empreendimento do programa Minha Casa Minha Vida”, como se a população fosse toda ela tão rica que não precisasse de financiamento para comprar suas casas. Quem foi que disse isso a ele? Ele foi à Caixa para saber se havia financiamentos do programa para moradores da capital? A afirmação já sugere, de cara, que não há “pobres” em Floripa.

Em seguida, para reforçar, ele diz que “a cidade tem a maior proporção de ricos entre as capitais.” E publica a afirmação de Mané Ferrari, presidente da Associação Catarinense de Marinas: “Hoje, ter um barquinho é desejo de muitos aqui, virou apetrecho familiar”. Ora, ter o desejo, todos têm. Mas daí a virar “apetrecho familiar”... Tenha a santa paciência.

Depois de dar vários índices e fatores reafirmando que nossa capital é muito rica, ele vem com outra pérola: a capital impede a ocupação desordenada e preserva a natureza e a população de Florianópolis é pequena, apenas 420 mil habitantes. Esse repórter deve ter ido direto para Jurerê e não saiu de lá. A cidade não tem mobilidade nenhuma, está travada, e a ocupação indevida é constante, em razão, mesmo, de propaganda como essa que ele fez. A natureza é cada vez mais desrespeitada, o poder público parece não se importar com o meio ambiente, a população vive cada vez mais insegura, com a violência, o tráfico e a mendicância.

E tem mais: nosso amigo repórter afirma que na Ilha não existe pobre, que os pobres são expulsos para o continente. Isso é  o que dá quando alguém se mete a falar de alguma coisa que não conhece. Deveriam ter contratado alguém daqui para escrever a matéria, alguém que vivesse aqui e realmente conhecesse a vida na capital. Não é verdade que na Ilha só há ricos e que no continente só há pobres. O nobre “jornalista” sabia que há favelas na Ilha?

Deveríamos exigir que houvesse uma retratação, que fizessem uma nova matéria sobre o tema, contando as verdades como elas são. Para não atrair mais personas non gratas que vêm para cá atrás das posses da profusão de gente rica que estaria vivendo aqui, segundo “jornalistas” como esse senhor Henrique.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O SUCESSO DE NORMA

A autora, Norma Bruno

 
Eu e Fátima de Laguna, a escritora/fotógrafa, e sua exposição.


 Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje aconteceu o lançamento do livro "Cenas Urbanas e Outras nem tanto", da escritora Norma Bruno, no Museu Histórico de Santa Catarina, localizado no Palácio Cruz e Sousa. Um festa grandiosa, que contou com a presença de muitos convidados.

A noite de autógrafos de Norma foi bastante concorrida. Um ambiente agradável com muita gente interessante, reunida para admirar e cultivar a arte e a cultura.

Junto com o lançamento do livro de crônicas de Norma - a cronista oficial da ILHA, uma escritora atenta ao cotidiano, atenta a tudo o que a cerca, a também escritora e fotógrafa Maria de Fátima Barreto Michels estava abrindo a sua exposição de fotos, com imagens únicas baseadas em textos da obra de Norma. Nada como uma poeta para fotografar e captar imagens maravilhosas de temas que nos passam despercebidos.

Poucos escritores estiveram lá para prestigiar o lançamento de Norma Bruno, mas a verdade é que um grande público de leitores esteve presente e isso é que fez o sucesso da noite.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

AOS PROFESSORES, NO SEU DIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Esta segunda-feira é o Dia do Professor, aquela pessoa que educa, transmite conhecimento para que nós, seres humanos, nos tornemos pessoas produtivas e capazes, pessoas inteligentes e honestas, para que saibamos cuidar da Natureza e do meio ambiente e assim podermos ter uma perspectiva de futuro.

Quero parabenizar os professores de todo o Brasil, principalmente aqueles abnegados, completamente dedicados ao magistério, como alguns que conheço e dos quais tenho orgulho de poder dizer que são meus amigos.

Então rendo minha humilde homenagem a esses profissionais, notadamente aqueles do primeiro grau, aqueles que ensinam a ler e a escrever nos primeiros anos da escola, pois eles dão a base que o cidadão vai precisar para sermos bem sucedidos no segundo grau, na universidade, na vida. Apesar dos donos do poder, que a cada dia comprometem mais a educação brasileira, fazendo modificações que só empobrecem o nosso sistema de ensino, além da falta de reconhecimento ao corpo docente da escola pública.
Rendo minha homenagem àquele que forma o adulto de amanhã – com a ajuda da família, que já deveria ter começado e dado um bom encaminhamento na educação das suas crianças – mas não ganha um salário condizente com a sua missão e com a sua dedicação. Não só na escola pública, como na particular também.
Professor, aquela criatura abnegada e totalmente devotada ao ensino, que na maioria das vezes estuda muito, fazendo um curso superior como Letras, Pedagogia, História, Geografia, Matemática, Educação Física, etc. e que quer transmitir conhecimento para as novas gerações, contribuir para que a educação seja melhor, apesar de nossos governantes.

Que esses profissionais sejam reconhecidos e melhor remunerados, valorizados, para que possam melhorar a nossa educação que anda tão relegada a último plano pelos donos do poder, que fazem questão de que o ensino público seja ruim, pois é mais fácil dominar um povo sem cultura. Parabéns e obrigado pelo seu trabalho, professores.

sábado, 13 de outubro de 2012

ÁRVORE DA FELLICIDADE

Transcrevo crônica publicada aqui há algum  tempo e que está sendo publicada pela escritora Jaqueline Sampaio em material didático de Língua Portuguesa para 5º. ano para a Editora IBPEX de Curitiba (sistema de ensino).

A ÁRVORE DA FELICIDADE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje o tempo está carrancudo, até já chuviscou, mas eu saí assim mesmo para caminhar. Passando pela Avenida Atlântica, meu caminho da roça, vi alguns homens cortando os galhos de uma árvore da felicidade, até então majestosa nos seus quase cinco metros de altura. Ela fica perto das pracinhas que marcam a divisa de Florianópolis e São José, na frente de uma casa singular.
Não sei o motivo que levou a podarem-na tão drasticamente, pois ela não tem galhos muito pesados, as folhas são pequenas, não oferece nenhum risco, aparentemente.
Parei para olhar, mas segui em frente, porque doeu ver aquilo. Passo sempre por ali e sei que aquela árvore, além de linda, é abrigo de centenas, talvez milhares de passarinhos, que na boca da noite, vêm se aninhar em seus galhos para dormir. Aquela cantoria anunciando que a noite estava chegando, aquele coral com hora marcada já não será mais ouvido, pois quando os pássaros chegarem, hoje à noitinha, encontrarão apenas galhos podados, desnudos, da grande e generosa árvore. Há outras árvores, os passarinhos com certeza as acharão, eu sei, mas qualquer delas que desaparece, é uma grande perda.
Isso me lembra dos pés de jacatirão que secaram e outro que está morrendo, em outra rua, e fico eu cá, matutando, que a natureza tem razão em não nos dar mais voto de confiança. Não fazemos por merecer.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

OS MENINOS

Luiz Carlos Amorim

Outra vez menino,

aprendo engatinhares,

vou vivendo novas vidas,

sorrindo novos sorrisos,

sentindo mais emoções.



Menino de novo,

divido tantos e tantos sonhos,

aprendo novos amares,

descubro luz nos caminhos

e vejo a força do amor.



Menino que sou,

olhos sem vendas, coração criança,

ainda vejo a natureza,

vejo cores, vejo luzes,

apesar do abandono

do homem à própria vida.



O mundo precisa de muitos,

muitos e muitos meninos

para ensinarem aos homens

a salvar a natureza...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

TODAS AS CRIANÇAS

Luiz Carlos Amorim


Tenho pequenos sorrisos grandes,

saudáveis, perfeitos, felizes,

inspiração maior dos meus versos,

motivos do meu viver.



Tenho pequenos abraços grandes,

apertados, singelos, vivazes,

cálices transbordantes

de carinho e de alegria.



Tenho pequenos beijos grandes,

lambuzados, melados, molhados,

expressão maior do amor

que tenho prá dividir.



E os sorrisos presos nos lábios?

E os abraços não dados?

E os beijos sem endereço?

Quanto amor desperdiçado...

Tanto amor abandonado...



terça-feira, 9 de outubro de 2012

EU, CRIANÇA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br



Com a proximidade de mais um dia da criança, impossível não lembrar da minha infância. Sou de Corupá, terra de dezenas de cachoeiras, pequena cidade aos pés da Serra do Mar, perto de Joinville. Vivi toda a minha infância lá, com exceção de um ano, quando fui estudar em Mafra, mais ao norte de Santa Catarina, em meados dos anos sessenta.

Não lembro de praticamente nada de antes dos seis, véspera de minha ida para a escola, pois aquela nova aventura era uma incógnita e eu não sabia como seriam as coisas lá. Mas vi que não era o fim do mundo, gostei da escola, fiz amigos e até tirava boas notas. Dentre os amigos que fiz, havia um que eu gostava de visitar, pois a família dele fazia passas de carambolas e como tanto eu como ele gostávamos das revistinhas Disney – Pato Donald, Mickey, Zé Carioca, Tio Patinhas, sentávamos debaixo dos tabuleiros onde as frutas secavam para ler e comer as passas. Por um bom tempo eu pegava a bicicleta de minha mãe, mesmo que não conseguisse pedalar direito e ia para a casa daquele amigo para ler gibis e comer carambolas secas.

Por falar na bicicleta, minha mãe fazia biscoitos de araruta com coco e eu levava a massa para assar na padaria, de bicicleta. Eu já era um pouquinho maior, conseguia pedalar, ainda que precisasse ficar de pé. E foi numa dessas viagens à padaria que escorreguei e fiquei preso na corrente da bicicleta, ficando sem a pele de uma boa parte de cima do pé esquerdo. Ainda tenho a marca. Foi um dos muitos sustos que dei em minha mãe, ao chegar em casa com o pé ensangüentado.

Além dos gibis, quando não tínhamos dever de casa para fazer e eu não tinha que cuidar de meus irmãos – minha mãe também trabalhava, por isso tinha que ajudar – gostava de ouvir fábulas no rádio. Havia um horário, à tarde, em que uma emissora tocava contos infantis e aquilo era uma coisa mágica, encantada, só suplantado por uma tia contadora de histórias, que infelizmente nos visitava muito pouco, apenas em datas especiais.

Havia algumas árvores frutíferas em nossa casa, como laranjeiras, limeiras, abacateiros, goiabeiras, ameixeiras e outras que não lembro. O que lembro é que em “tardes fagueiras” eu subia num abacateiro amigo, sentava num galho e cantava até quase estourar, por pura felicidade de ser criança. Uma das canções, que ainda sei de cor, era “Meus oito anos”, de Casimiro de Abreu.

Mas não era só isso. Naquele tempo não havia televisão, vídeo-games, computadores, apenas o rádio e o cinema, de vez em quando. Um domingo ou outro a gente ia à matinê, assistir a um filme de caubói. E isso dava margens a novas brincadeiras, como as de faroeste, imitando os filmes que víamos.

Foi uma infância feliz, abençoada infância. Brincávamos de coisas que hoje algumas crianças nem ouviram falar, como bolinha de gude, peteca, bilboquê, etc. E já que mencionei este último brinquedo, na última viagem ao Rio Grande, recentemente, tive uma autêntica volta à infância. Eis que, senão quando, ao passear na pracinha de Nova Petrópolis, perto do labirinto verde, encontrei bilboquês de madeira, numa lojinha de um quiosque. Comprei um, afinal ele é quase o botão de ligar o túnel do tempo, embora hoje meus braços não ajudem muito e eu possa brincar pouco tempo. Mas ainda acerto.

Aprendi a nadar muito cedo, pois sempre havia um rio por perto – eu disse que minha cidade é a Cidade das Cachoeiras? Gostava de pescar e aprendi até a pegar peixe na toca, com as mãos. Só não aprendi a pescar de tarrafa. Mas isso fica para uma outra infância.

Até os dez ou onze anos, morei num lado da cidade, perto de um rio. Depois mudamos para o centro, perto de outro rio de um lado e perto da estrada de ferro do outro. Isto significa que parte da minha infância e quase toda a adolescência eu passei às margens dos trilhos do trem, que naquele tempo ainda tinha passageiros. Viajávamos para Joinville, São Francisco, Mafra, Jaraguá do Sul, Curitiba, de trem.

Andávamos a pé pelos trilhos, para cortar caminho para ir à escola, por exemplo. E para ir até a ponte que ficava mais adiante, do lado oposto da cidade, para mergulhar no rio lá de cima. Coisa que minha mãe não sabia, é claro.

Como já mencionei, eu tirava boas notas. E foi na escola, nos tempos de ginásio (a segunda parte do primeiro grau de hoje), que fui descobrir que gostava de escrever. O colégio onde estudava participou de um concurso de redações sobre as afinidades Brasil/Portugal e eu tirei o primeiro lugar da cidade, com recebimento de troféu em solenidade no cinema e tudo. Poucos anos depois, já adolescente, ganhei outro concurso de contos da revista Rainha, que assinávamos, com prêmio em dinheiro, inclusive. Foi um grande incentivo.

Minha infância não teve grandes aventuras, mas foi feliz. Fui criança, e é o quanto basta.